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Organizações acusam Congresso de desrespeitar direitos dos indígenas

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Organizações acusam Congresso de desrespeitar direitos dos indígenas. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em carta de abertura do Acampamento Terra Livre, em Brasília, organizações indígenas acusam o Congresso Nacional de tratar os direitos constitucionais dos povos originários como ‘moeda de troca’ em negociações com setores privados, sobretudo do agronegócio e da mineração.

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“Repudiamos que o Congresso Nacional funcione como uma máquina de retrocesso, atuando como inimigo dos povos [indígenas], produzindo ataques cotidianos às nossas vidas e submetendo nossos direitos a um balcão de negócios”, denunciam as entidades na carta.

O Acampamento Terra Livre (ATL 2026) reúne, em Brasília, milhares de indígenas, desde domingo (5).

Leia também: Portal Amazônia responde: quais leis garantem os direitos dos povos indígenas?

Organizações acusam Congresso de desrespeitar direitos dos indígenas
Organizações acusam Congresso de desrespeitar direitos dos indígenas. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

“Transformaram a casa do povo em uma casa de apostas, querem fazer uma bet do Congresso Nacional, onde os nossos direitos viram moeda de troca entre parlamentares e setores privados, e empresas e corporações nacionais e estrangeiras lucram sobre as nossas vidas”, afirmam as organizações no texto.

Assinada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), principal organizadora do ATL 2026, e por outras sete entidades que abrangem todo o território nacional, a carta critica o Executivo, Legislativo e o Judiciário, sobretudo o governo federal, pela demora na definição das áreas da União destinadas ao usufruto exclusivo indígena. 

De acordo com a Constituição Federal, em vigor desde 1988, a União deveria concluir a demarcação das terras indígenas em até cinco anos de sua promulgação, ou seja, até 1993.

Leia também: Povos Indígenas: conheça os direitos previstos na Constituição

Organizações acusam Congresso de desrespeitar direitos dos indígenas. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

“A demarcação tímida de poucas terras indígenas descumpre o compromisso político de garantir todos os nossos territórios”, apontam as entidades indígenas.

Elas sustentam que a “omissão” do Estado tem contribuído para o clima de insegurança, com crescentes casos de violência; invasões das áreas indígenas homologadas, demarcadas ou reivindicadas, e exploração ilegal de recursos naturais.

“A União tem a obrigação de demarcar e proteger os territórios e as vidas indígenas, além de garantir a consulta livre, prévia e informada. Exigimos ação concreta para a regularização fundiária, a proteção territorial e o respeito à autonomia e ao protagonismo dos nossos povos”, defendem as entidades.

As organizações indígenas, no entanto, reconhecem avanços, como a criação do Ministério dos Povos Indígenas e a homologação de 20 terras indígenas entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, após um hiato de quatro anos, de 2019 a 2022, sem a criação de nenhuma nova área.

“A presença indígena nos espaços institucionais avançou como resultado direto da nossa luta”, destacam as organizações, citando a presença de lideranças históricas do movimento à frente de órgãos responsáveis pela gestão de políticas públicas, como o próprio Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), e o crescente número de representantes do segmento no Congresso Nacional, assembleias estaduais e câmaras municipais.

“[Mesmo assim] Nossos inimigos históricos avançam por diferentes caminhos, praticando crimes para reduzir nossos direitos originários. Buscam travar as demarcações das terras indígenas e afrouxar as regras do licenciamento ambiental, abrindo espaço para empreendimentos como mineração, ferrovias, hidrovias, hidrelétricas, estradas, linhas de transmissão, entre outros”, denunciam.

Considerado a maior e mais importante mobilização do movimento indígena no Brasil, o Acampamento Terra Livre começou no domingo e segue até sábado (11), no Eixo Cultural Ibero-Americano, na região central de Brasília. 

Leia também: Funai amplia parcerias para proteção dos direitos dos povos indígenas do Amapá e Norte do Pará

Organizações acusam Congresso de desrespeitar direitos dos indígenas. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A expectativa dos organizadores é que entre 7 mil e 8 mil pessoas, entre indígenas e não indígenas, participem do evento.

Nova política

Em nota à Agência Brasil, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) destacou que a criação da pasta, em 2023, fez com que indígenas ocupassem cargos estratégicos e decisórios, conforme o próprio movimento reconheceu.  

“A criação do MPI foi uma ruptura da visão tutelar que há décadas orientou a política indigenista”, afirma o ministério.

Ainda segundo o ministério, as decisões sobre os direitos e as necessidades dos mais de 391 povos indígenas brasileiros passaram a ser tomadas por pessoas que conhecem e entendem as demandas e os desafios. 

“As ações do MPI nos últimos três anos foram relevantes para recuperar direitos e políticas desmanteladas na década anterior à atual gestão”, ressalta.

A pasta reforça que, entre as principais ações dos últimos quatro anos para garantir os direitos e a segurança dos povos originários está a homologação de 20 territórios indígenas, o que equivale a cerca de 2,5 milhões de hectares de terras protegidas em 11 unidades federativas.

*Por Alex Rodrigues, Agência Brasil.

Monitoramento aponta praias de Santarém próprias para banho no primeiro boletim de balneabilidade de 2026

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Foto: Ascom/ Semma

No dia 22 de março, Dia Mundial da Água, a Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), divulgou os resultados do 11º Boletim de Monitoramento da Balneabilidade, referente às análises realizadas em janeiro de 2026, em onze pontos de praias do Rio Tapajós, e nos lagos urbanos Papucu e Mapiri.

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A divulgação na data reforça a importância da preservação dos recursos hídricos e do monitoramento contínuo da qualidade da água, especialmente em um município marcado pela forte relação entre a população e seus rios e praias.

“Esse acompanhamento periódico permite avaliar as condições das nossas praias e dos lagos urbanos com base em critérios científicos e na legislação ambiental. Divulgar esses resultados no Dia Mundial da Água é também um convite à reflexão sobre a importância de preservar nossos rios e igarapés, que fazem parte da vida e da identidade de Santarém”, ressaltou Vânia Portela, Secretária municipal de meio ambiente.

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Monitoramento de água das praias de Santarém
Foto: Ascom/ Semma

As análises seguem os padrões estabelecidos pelas Resoluções nº 274/2000 e nº 357/2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que regulamentam os parâmetros de qualidade da água para recreação e para corpos hídricos.

O monitoramento avaliou 11 pontos nas praias da orla do rio Tapajós. De acordo com o parâmetro microbiológico mais restritivo — Escherichia coli — todas as praias apresentaram classificação PRÓPRIA/EXCELENTE para banho.

Quando considerado o parâmetro menos restritivo — coliformes termotolerantes — os resultados foram:

Qualidade PRÓPRIA/EXCELENTE:

  • Praia Ponta do Muretá
  • Alter do Chão – Praia do C.A.T.
  • Alter do Chão – Canal Principal do Rio Tapajós
  • Alter do Chão – Praia do Amor
  • Praia de Ponta de Pedras
  • Praia do Pajuçara

Qualidade PRÓPRIA/MUITO BOA:

  • Alter do Chão – Praia do Cajueiro
  • Alter do Chão – Orla Escadaria
  • Alter do Chão – Igarapé do Macaco
  • Praia do Maracanã

Qualidade PRÓPRIA/SATISFATÓRIA:

  • Alter do Chão – Orla Final

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Foto: Ascom/ Semma

Além dos indicadores microbiológicos, o relatório também avaliou as condições físicas e estéticas previstas na legislação ambiental. Todos os pontos monitorados apresentaram condições próprias para banho.

O relatório também traz os resultados do Índice de Qualidade da Água (IQA) dos lagos urbanos Papucu e Mapiri. Nos dois lagos, apenas os parâmetros oxigênio dissolvido e pH apresentaram valores fora dos padrões estabelecidos pela legislação. Mesmo assim, considerando o enquadramento geral da qualidade da água, os resultados indicaram:

  • Lago do Papucu – Classe de Qualidade Aceitável
  • Lago do Mapiri – Classe de Qualidade Aceitável

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Foto: Ascom/ Semma

O monitoramento das praias e dos lagos urbanos é realizado periodicamente pela Semma e contribui para orientar a população, fortalecer a gestão ambiental e garantir mais segurança aos banhistas e visitantes que frequentam as praias do município.

*Com informações da Prefeitura de Santarém.

Decreto que aprova o Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa é assinado no Mato Grosso

O Governo de Mato Grosso lançou no dia 30 de março, o Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa de Mato Grosso (2026-2040), no Palácio Paiaguás, em Cuiabá.

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O plano, que é uma iniciativa das secretarias de Estado de Meio Ambiente (Sema) e de Desenvolvimento Econômico e Social (Sedec), é um planejamento do governo para orientar o crescimento do setor florestal nos próximos anos. Funciona como um guia do que precisa ser feito para desenvolver essa área de forma organizada, sustentável e com geração de renda, em duas frentes principais: produção de madeira e uso de biomassa.

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Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa de Mato Grosso é lançado pelo governo do Mato Grosso
Foto: Karla Silva Sema-MT

Além do plano, aconteceu também o lançamento internacional da Norma ISO 8347:2025, a apresentação da proposta de norma técnica nacional para biomassa de origem nativa e o “Selo Platina – Elas por Elas”, concedido à Sema, de boas práticas no combate à violência contra as mulheres.

Participaram do lançamento o governador Mauro Mendes e os secretários estaduais César Miranda (Desenvolvimento Econômico e Social) e Mauren Lazzaretti (Meio Ambiente).

Decreto

Foi assinado também, o Decreto que aprova o Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa 2026–2040, estratégia que aposta na floresta como fonte de renda e desenvolvimento sustentável. O plano prevê a expansão da produção de madeira, o uso energético da biomassa e a industrialização da cadeia florestal, buscando diversificar a economia do Estado e gerar novas oportunidades de emprego.

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“O setor de etanol tem um papel extremamente relevante, é uma indústria muito qualificada e importante para a economia do estado de Mato Grosso, com a produção de bioenergia. Esta indústria cresceu e se estabilizou, o que mostra a maturidade de um setor que hoje contribui muito para os impostos, que são tão importantes para qualquer política pública”, destacou o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes.  

O presidente Executivo da União Nacional do Etanol de Milho, Guilherme Nolasco, afirmou que o plano vem de encontro a necessidade do setor, que já vem investindo em florestal plantada. “O setor está migrando a sua dependência de biomassa de supressão para floresta plantada. É uma meta bastante exequível, para que continue atraindo investimentos e dando sustentação para os manejos florestais do setor de base florestal”.

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Decreto que aprova o Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa é assinado no Mato Grosso
Foto: Christiano Antonucci Secom/MT

O plano prevê ações estratégicas para fortalecer o mercado florestal se tratando de exploração dos reflorestamentos comerciais e a ampliação do manejo florestal sustentável, ressalta a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti.

“São estratégias que visam aumentar a disponibilidade de biomassa renovável para verticalização da economia e uma transição energética justa. Ele ainda prevê uma redução progressiva do uso de biomassa de supressão vegetal no processo de industrialização. Essa estratégia coloca Mato Grosso na vanguarda das ações que visa implementar o desenvolvimento econômico com sustentabilidade e segurança energética”.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Social, Cesar Miranda, avaliou que a construção do Plano é uma demonstração da importância do segmento da indústria de produção de madeira e do manejo sustentável. “É indústria que mais cresce proporcionalmente no Brasil. Temos o setor de base florestal que faz um trabalho fantástico de manejo de produção de madeira sustentável. Mais uma vez Mato Grosso mostra que além de ser o maior produtor do país é também um produtor de biodiversidade e altamente sustentável”.

Além da assinatura do Decreto, outro ponto importante foi o Lançamento Internacional Norma ISO 8347.2025 e a apresentação da proposta de norma técnica nacional para biomassa de origem nativa e assinatura do protocolo de intenções, visando a rastreabilidade e sustentabilidade da Biomassa no Brasil.

“Hoje é um dia muito especial, é um orgulho estar aqui em Cuiabá para lançar uma norma mundial que vai ser respeitada por mais de 180 países. Mato Grosso trabalhou fortemente na elaboração dessa norma que vai permitir a rastreabilidade total do processo de manejo da floresta nativa”, ressaltou o presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Mario William Esper.

Selo Platina – Elas por Elas

Ao final do evento foi entregue o “Selo Platina – Elas por Elas”, concedidos à Sema, uma entrega da certificação ABNT de Boas Práticas no Combate à Violência contra as Mulheres.

De acordo com o presidente da ABNT, a Sema, além de ser a primeira instituição de Mato Grosso, entre entidades públicas e privadas, a receber essa certificação, é também o primeiro órgão ambiental do país a receber o selo, que atesta que a entidade está inserida no processo de combate e prevenção a violência contra as mulheres.

Leia também: Mapa mostra levantamento da biomassa da Floresta Amazônica

Foto: Christiano Antonucci Secom/MT

“O Selo é um reconhecimento da atuação da Sema no combate a violência contra as mulheres e violência de gênero. Uma política do Estado de Mato Grosso que hoje, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, é reconhecida nacionalmente com o selo platina”, comemorou a secretária Mauren Lazzaretti.

Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa

A proposta do Plano é ampliar a área de florestas plantadas para 700 mil hectares até 2040, fortalecer o manejo sustentável em áreas nativas e aumentar a participação do setor florestal nas exportações. O objetivo é estruturar uma cadeia produtiva capaz de gerar valor, emprego e garantir insumos para a agroindústria.

Foto: Karla Silva Sema-MT

O documento faz um diagnóstico da situação atual do setor no estado, analisando pontos como as áreas de florestas plantadas, o manejo sustentável das florestas nativas, a estrutura da indústria da madeira, o acesso a crédito e o ambiente para investimentos. Também avalia o potencial da biomassa como alternativa energética e industrial.

*Com informações do Governo de Mato Grosso.

Ministério dos Povos Indígenas lança campanha “Brasil Raiz de Verdade: É Indígena o Berço da Nossa Identidade”

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Foto: Ascom-MPI

O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) lançou, na segunda-feira (6), a campanha “Brasil Raiz de Verdade: É Indígena o Berço da Nossa Identidade”, uma ação de comunicação que percorrerá todo o mês de abril nas redes sociais do ministério. A campanha propõe um resgate da memória ancestral do país e busca estabelecer uma ligação emocional entre o público brasileiro e a herança indígena presente no dia a dia.

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Foto: Thiago Gomes/Ag. Pará

De acordo com o conceito da campanha, a iniciativa parte da premissa de que foi roubada do Brasil a sua memória primeira, sua conexão geracional e sua sabedoria ancestral. O tom da campanha exalta que o país é filho de berço indígena, parido em aldeia, banhado em rio, criado na sabedoria sagrada de quem conhece e entende a terra.

A campanha tem quatro objetivos centrais: conectar o público à ancestralidade indígena, revelar hábitos e saberes de origem indígena muitas vezes desconhecidos, valorizar essa contribuição para a formação da identidade brasileira e inspirar reflexão sobre o que significa ser “Brasil raiz de verdade”.

Leia também: Em carta, indígenas veem avanços, mas cobram demarcações e proteção

Entre os elementos do cotidiano nacional que serão destacados na campanha estão o hábito do banho diário, o consumo de tapioca e da farinha, o uso de redes para dormir, a prática de garrafadas e remédios naturais, além da musicalidade e da força de luta dos povos originários. Um vídeo oficial está previsto para ser lançado no dia 19 de abril.

O lançamento ocorre no mês de abril, tradicionalmente marcado por mobilizações indígenas em todo o país, e acompanha a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), maior encontro de lideranças indígenas do Brasil, que ocorre entre 5 e 11 de abril, em Brasília.

Jogos Mundiais dos Povos Indígenas
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A campanha será veiculada nas plataformas Facebook, Instagram, X, Threads e Bluesky, com publicações programadas até o dia 29 de abril. O conteúdo inclui vídeos, postagens em redes sociais e aborda temas como vocabulário de origem indígena, contribuição econômica dos povos indígenas e segurança alimentar.

*Com informações do Ministério dos Povos Indígenas.

Conheça 5 iniciativas indígenas brasileiras que estão salvando a natureza no Brasil

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Voluntária indígena exibe mapas climáticos feitos à mão durante curso sobre o Sistema de Informação Geográfica (SIG), em Roraima. Foto: Ipam/divulgação.

Nos diferentes biomas brasileiros, da Amazônia ao Cerrado, a ameaça do fogo, do desmatamento, das invasões de terra e do garimpo ilegal ainda reina sem muitos contrapesos, colocando a natureza e a vida de povos tradicionais na rota da degradação e do conflito.

Enquanto cobram o poder público por medidas emergenciais e por mais apoio, grupos indígenas entenderam que não têm tempo a perder: com suas próprias ações coletivas, comunidades em todo o país atuam para combater as múltiplas crises que assolam seus territórios, exercendo o papel de guardiões de florestas, rios e planícies.

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A reportagem reuniu histórias de cinco projetos sob gestão indígena que, aliando saberes ancestrais, tecnologia e planejamento, já fazem a diferença na missão do Brasil rumo a um futuro de preservação.

Mulheres Krahô em Tocantins

Treze mulheres indígenas formam o Mē Hoprê Catêjê, grupo de guerreiras Krahô responsável pela vigilância territorial na Terra Indígena Kraolândia. Foto cedida por Luzia Krahô (Kruw).

Muita coisa mudou na Terra Indígena Kraolândia, que se espalha por mais de 300 mil hectares nos municípios de Goiatins e Itacajá, no Tocantins. Em um passado não tão distante, as mulheres ali se viam afastadas de postos de liderança, restritas ao trabalho doméstico, enquanto os perigos da extração de madeira, da caça e dos agrotóxicos espreitavam o território.

Para combater essas ameaças, as próprias mulheres indígenas Krahô deram um passo à frente, superando as barreiras de gênero para proteger seu território.

Jovens Yanomami recorrem a drones

Um jovem Yanomami consulta um aplicativo de mapeamento territorial. Foto: Evilene Paixão/HAY.

Se monitorar a maior terra indígena do Brasil já não é uma tarefa fácil, imagine protegê-la. É aí que entra a tecnologia: para se resguardarem do constante assédio de garimpeiros e invasores — e, assim, orientar possíveis planos de ação —, indígenas Yanomami estão usando drones para manter cada pedaço de seu gigantesco território ao alcance dos olhos.

Leia também: Indígenas de todo o Brasil ocupam a Esplanada dos Ministérios

Essa é a nova tarefa dos jovens Yanomami, que passam por treinamento em sistemas geográficos informatizados para ampliar suas afinidades com mapas e aplicativos.

Povo Pataxó transforma fazenda degradada em exemplo de agroecologia

Os trabalhadores Pataxó não contam com maquinários. Utilizando ferramentas como roçadeira e enxada, produziram cerca de duas toneladas de alimentos em um ano. Foto: André Cherri/V.U.E.L.A.

O que fazer com a terra degradada? Se depender dos Pataxó, o caminho é claro: transformá-la para dar espaço à agroecologia. No ano passado, a reportagem da Mongabay foi até a Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, no sul da Bahia, para ver de perto como o trabalho de comunidades indígenas tem ajudado a reflorestar nascentes e a repovoar o solo com alimentos livres de agrotóxicos.

Mas, apesar de valorizarem o próprio trabalho de preservação, geração de renda e subsistência, membros da aldeia Pataxi Pataxó Akuã Tarakwatê mantêm vivas suas denúncias: segundo eles, o apoio do poder público segue em falta

Mulheres Bakairi revolucionaram o combate aos incêndios no Cerrado

Mulheres Bakairi se preparam para uma ação de combate ao fogo na Terra Indígena Santana (MT). Foto: Coronel Paulo Selva.

Na Terra Indígena Santana, no Mato Grosso, é bastante comum ver mulheres Bakairi trocando seus cocares coloridos por capacetes de proteção, enquanto ocultam as pinturas de seus rostos com grossas balaclavas antichamas.

Essa é a rotina destemida de dezenas de mulheres indígenas à frente de uma brigada voluntária, há anos responsável por conter o avanço feroz das chamas no Cerrado brasileiro. O protagonismo delas nunca se fez tão necessário: nos últimos anos, a savana vem enfrentando uma de suas mais devastadoras temporadas de incêndio. A liderança feminina é mais do que decisiva para evitar desastres.

Mulheres indígenas são linha de frente na luta contra o fogo

As brigadistas indígenas Kadiwéu Luciana Correia (à direita) e Neudines Félix. Foto: Alicce Rodrigues/Instituto Terra Brasilis.

O fogo não dá trégua em nenhum dos principais biomas brasileiros. E quem vê tudo arder de perto não pode esperar: nos últimos anos, diante da falta de recursos e da ausência do Estado, mulheres indígenas como as Kadiwéu, no Mato Grosso do Sul, e as Wapichana, Macuxi e Waiwai, em Roraima, enfrentam as chamas que devastam a vegetação nativa e os habitats sensíveis.

Estudo, monitoramento, treinamento, um corajoso trabalho de campo e, depois, reflorestamento: é tudo com elas. 

*O texto foi originalmente publicado no site Mongabay


Reativação da comissão de educação da Amazônia é avaliada pelo MEC

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Ministério da Educação (MEC) e a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) realizaram reunião de trabalho na sede do bloco, em Brasília, na terça-feira, 7 de abril, para discutir a reativação da Comissão Especial de Educação da Amazônia (CEEDA). A estrutura buscará, por meio do diálogo político e técnico, estabelecer objetivos estratégicos para a região na área de educação, respeitando as especificidades da Amazônia. 

Leia também: MEC realizará consulta para criação da Universidade Indígena; saiba quais Estados da Amazônia estão incluídos na pesquisa

Partes buscam diálogo para reinstalação da comissão voltada para a ampliação do conhecimento na região amazônica. Foto: Divulgação/OTCA

O assessor especial para Assuntos Internacionais, Felipe Dutra de Carvalho Heimburger, representou o MEC na reunião, atividade que iniciou os procedimentos formais para a reinstalação da CEEDA. Também estiveram presentes o coordenador de Integração Regional do MEC, Gustavo Brechesi Servilha; a diretora-executiva da OTCA, Vanessa Grazziotin; e o coordenador de Ciência, Tecnologia e Educação do bloco, Angel Vilora. 

A OTCA é a única organização socioambiental e intergovernamental na América Latina que reúne os oito países amazônicos – Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela –, tendo papel essencial na articulação regional para uma Amazônia mais integrada, inclusiva e impulsionada pelo conhecimento. 

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MEC avalia reativação da comissão de educação da Amazônia
Ministério da Educação discute a reabertura da comissão de educação da Amazônia. Foto: Ângelo Miguel/MEC

Reativação da comissão

A reativação da CEEDA resgata a relevância da organização como plataforma de articulação regional, em consonância com os esforços dos países membros em estabelecer uma agenda comum que integre a educação básica e superior como pilares para o desenvolvimento sustentável da região. A medida alinha-se, ainda, aos mandatos regionais estipulados nas Declarações de Belém (2023) e Bogotá (2025), assinadas em encontros preparatórios para a COP30, realizada no Brasil no último ano. 

*Com informação do Ministério da Educação (MEC)

Estudo retrata realidade de estudantes indígenas com deficiência em instituições de ensino

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Estudo busca entender o cenário desses dois marcadores sociais: ser indígenas com necessidades especiais Foto: Loiro Cunha

Um estudo na área de Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está buscando identificar e analisar as condições de ingresso e permanência de estudantes indígenas com deficiência nas instituições federais brasileiras. Para isso, está buscando voluntários para participação.

“Quando olhamos para a realidade de estudantes indígenas com deficiência, essa modalidade de ensino é um espaço pouco investigado, havendo lacuna de pesquisas acadêmicas em relação a sua presença e permanência, além de processos de invisibilização e exclusão, como mostra a literatura atual”, afirma a estudante indígena Josineide Jacilda da Silva, do Povo Atikum, de Pernambuco. Ela é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial (PPGEEs) da UFSCar.

Leia também: Amazonas terá curso de Licenciatura Intercultural Indígena a partir de 2019

“A educação superior de indígenas ainda é uma interface em construção, apesar dos avanços, especialmente por meio das ações afirmativas, que favorecem a presença indígena nas universidades. Tal avanço também se dá através de muita luta e resistência dos povos indígenas. Apesar disso, esse espaço também é composto por muitas ausências”, contextualiza a pesquisadora. “Assim, pesquisar sobre essa realidade exige uma abordagem dialógica com essas pessoas, sob um olhar que busque compreender as relações interseccionais, e a luta do movimento das pessoas com deficiência, e indígenas na busca pela garantia dos seus direitos e pela inclusão no Ensino Superior e na sociedade”. 

Para estudar esse cenário, Josineide da Silva está realizando uma pesquisa de cunho qualitativo, com uso de entrevista com roteiro semiestruturado, de maneira online, via Google Meet. Além disso, ela fará uso da metodologia indígena do Tehêy, que visa trazer as experiências desses estudantes com a realização de um desenho narrativo, por meio de uma roda de conversa via Google Meet. 

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Como participar

Interessados em participar podem preencher o formulário ou entrar em contato diretamente pelo WhatsApp (16) 98178-9582 ou e-mail josineide@estudante.ufscar.br.

“Como participantes, pretende-se selecionar dois estudantes indígenas com deficiência, de cada região geográfica brasileira, trazendo as suas vozes, que serão abordadas sob a análise de conteúdo, nos ajudando a entender os contextos e elementos produtores de ausências, para que possamos refletir e buscar estratégias que auxiliem na transformação em presenças”, detalha a pesquisadora.

Com os resultados do estudo, a mestranda do PPGEEs/UFSCar espera contribuir com avanços na área da Educação Especial, bem como no acesso e permanência de estudantes indígenas com deficiência matriculados na educação superior brasileira. O estudo ainda pode colaborar com as ações das instituições de Ensino Superior para apoiar o ingresso e a permanência desses estudantes que possuem dois marcadores sociais: ser indígena e ser pessoa com deficiência. 

instituição realiza estudo para entender o cenário dos indígenas com deficiência nas instituições federais de ensino
Campus da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo. Foto: Divulgação/UFSCar

Estudo

O estudo, intitulado “Indígenas com deficiência nas universidades federais brasileiras: entre presenças e ausências”, tem orientação da professora Rosimeire Maria Orlando, do Departamento de Psicologia (DPsi) da UFSCar, e apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Projeto de pesquisa aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAE: 92321325.2.0000.5504).

*Com informação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

Pesquisa da UFAM sobre dinâmica dos rios amazônicos ganha destaque nacional

Artigo apresenta análise detalhada do comportamento dos rios Beni e Mamoré, principais formadores do Rio Madeira. Foto: Imagem extraida do estudo

Um estudo desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Amazonas foi publicado na Revista Brasileira de Geomorfologia (2026, v. 27, n. 1, e2683), trazendo contribuições relevantes para a compreensão dos processos fluviais na Amazônia.

Intitulado “Dinâmica hidrossedimentar na confluência dos rios Beni e Mamoré”, o artigo apresenta uma análise detalhada sobre o comportamento hidrossedimentar em um dos principais setores formadores do rio Madeira. A pesquisa contribui para o entendimento da produção, transporte e deposição de sedimentos em grandes sistemas fluviais da bacia amazônica.

Leia também: Estudo mostra que pequenos rios amazônicos influenciam especiação de aves de florestas de terra firme

Trabalho recebeu reconhecimento nacional pela União da Geomorfologia Brasileira, em 2025. Foto: Reprodução/artigo

O trabalho é resultado de uma dissertação de mestrado em Geografia e recebeu reconhecimento nacional ao ser premiado pela União da Geomorfologia Brasileira durante evento realizado em Natal, em agosto de 2025.

Além de seu valor acadêmico, o estudo também possui relevância aplicada, especialmente para o planejamento ambiental e a gestão de recursos hídricos na região amazônica, área marcada por intensa dinâmica fluvial.

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Pesquisa dos rios amazônicos

A pesquisa contou com financiamento da Jirau Energia, por meio do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, e com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas, que concedeu bolsa de mestrado no período de 2021 a 2024.

O artigo está disponível nos idiomas português e inglês e pode ser acessado aqui.

Durante ATL, IPAM apresenta novo sensor para monitorar qualidade do ar

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Foto: Divulgação/ Ipam

O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) apresentará esta semana, durante o ATL (Acampamento Terra Livre), em Brasília, o novo sensor que integrará uma nova rede de monitoramento de ar, ainda em desenvolvimento, batizada de RedeAr. 

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O equipamento, desenvolvido em parceria com a UFPA (Universidade Federal do Pará), estará exposto na tenda da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira). O novo sensor pretende expandir a medição de qualidade do ar, principalmente em territórios indígenas. 

Revoada de andorinhas-azuis no rio Negro, Amazonas. Foto: Marcos Amend/Arquivo Pessoal
Foto: Marcos Amend/Arquivo Pessoal

“Muitas vezes se tem a falsa ideia de que os indígenas e as pessoas da Amazônia respiram ar puro. Não é isso que vem acontecendo em períodos de seca e de grandes queimadas”, enfatiza Filipe Viegas Arruda, pesquisador do IPAM e responsável pelo desenvolvimento do equipamento. 

Nota técnica do IPAM revela que a qualidade do ar na Amazônia Legal em 2024 foi classificada como péssima em períodos de eventos climáticos de seca extrema. Foram 138 dias de ar nocivo à saúde em estados da Amazônia. Na região, a poluição tem origem nas queimadas de florestas e para limpeza de pastos. Em cidades como São Paulo, por exemplo, o ar fica mais poluído pela queima de combustíveis de automóveis. 

O novo sensor é mais robusto, nacional, de baixo custo e é capaz de medir a cada dois minutos os índices de poluição, umidade e temperatura. A estrutura é protegida da entrada de insetos e é capaz de medir material particulado muito fino (PM 2.5), de 0,002 milímetros, equivalente a 10 vezes um fio de cabelo, por exemplo. 

O novo sensor é mais robusto, nacional, de baixo custo. Foto: SECOM/AM

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“Esse material tem a capacidade de entrar nas vias respiratórias, atingir os pulmões, os alvéolos, misturar com a corrente sanguínea e a longo prazo trazer uma grande decorrência de problemas de saúde, doenças respiratórias e cardiovasculares”, exemplifica Arruda. 

A ideia é que, com a expansão da rede de monitoramento em comunidades indígenas, possa ser feito o cruzamento de dados de medição com índices de atendimento de doenças respiratórias, feitos pela SESAI (Secretaria Nacional de Saúde Indígena) e do Telesaúde, do programa Conexão Povos da Floresta. 

Monitoramento em tempo real 

Durante o ATL, o sensor importado da rede PurpleAir fará o monitoramento em tempo real das condições do ar, além de exibir imagens de satélite das condições em áreas indígenas.   

O Brasil tem aproximadamente 570 estações de monitoramento da qualidade do ar: 377 são estação de referência, a maioria na Região Sudeste; 203 são estações de baixo custo que várias instituições, inclusive o IPAM, conseguiram distribuir em diversas regiões da Amazônia Legal; e apenas 12 estão em territórios indígenas. 

“Existe uma grande dificuldade de se manter esses sensores funcionando em terras indígenas porque exigem infraestrutura de internet. Em parceria com o Conexão Povos da Floresta, temos hoje cerca de 2,3 mil comunidades com energia e internet. Então a gente busca ampliar essa rede utilizando a Rede Ar por várias dessas comunidades”, afirmou o pesquisador do IPAM. 

Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), quem vive na Amazônia pode perder até três anos de expectativa de vida devido à péssima qualidade do ar.  

A Política Nacional de Qualidade do Ar, em vigor desde 2024, obriga estados e municípios a fazerem relatórios mensais e anuais de qualidade do ar. 

*Com informações da assessoria do Ipam

Com incentivos do setor privado, mercado andino chegou a absorver cerca de metade das exportações acreanas 

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Porto de Chancay no Peru recebe exportações do Acre. Foto: Marcos Vicentti/ Secom Acre

O estudo “Da fronteira ao Pacífico: o Acre no corredor comercial andino”, elaborado pelo Fórum Empresarial do Acre com apoio do Sebrae, no final de março, apontou que o estado do Acre, nos últimos anos, tem se destacado por sua proximidade com o Pacífico e por fazer fronteira direta com os dois mercados que concentram quase toda a sua relação andina para exportações: Peru e Bolívia.

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O estudo aponta que a posição geográfica, por si só, não assegura integração. Ela oferece uma vantagem potencial que só se converte em valor econômico quando é acompanhada por rotas viárias eficientes, operação aduaneira regular e uma oferta exportadora capaz de manter a continuidade.

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Rio Acre. Foto: Odair Leal/SECOM

Entre 2019 e 2025, Peru e Bolívia responderam por 99,12% do fluxo comercial do Acre com os países andinos. O Peru sozinho concentrou 79,98% desse total, enquanto a Bolívia representou 19,15%. A ligação evidencia que essa relação deixou de ser periférica para se tornar estrutural na economia local.

Avanços no mercado

O secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict), Assurbanipal Mesquita, atribui o crescimento das exportações acreanas a um conjunto de ações estruturantes adotadas pelo governo estadual. Segundo ele, o primeiro fator decisivo foi o fortalecimento do agronegócio comercial, que ampliou a produção de milho e soja e agora avança sobre o café e outras culturas.

“Essas matérias-primas são fundamentais para viabilizar cadeias industriais exportadoras, como a de proteína suína. A Dom Porquito, por exemplo, hoje consome milho e soja produzidos no estado com custo menor do que antes”, destacou.

Outro ponto citado pelo secretário é o trabalho do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf-AC), que garantiu ao Acre o status internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação, certificação obtida por apenas cinco estados brasileiros.

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Anel viário de Brasileia aguarda trabalhos do DNIT. Foto: Pedro Devani/ Secom – Acre

“Esse reconhecimento colocou o Acre no mapa internacional da proteína animal e atraiu o interesse de diversos países. Recentemente, uma missão das Filipinas esteve no estado para conhecer e credenciar indústrias locais”, afirmou.

Mesquita também ressaltou as ações de promoção comercial conduzidas pela Seict, com participação em feiras internacionais, rodadas de negócios e programas de incentivo fiscal, além da concessão de áreas para instalação de indústrias. “Esse ambiente favorável já estimulou mais de R$ 400 milhões em investimentos privados”, disse.

Apesar dos avanços, a logística ainda é um dos principais desafios. O secretário cita a necessidade de ampliar o uso do Porto de Xangai, melhorar a estrutura das alfândegas e concluir o anel viário de Brasileia, obra sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Ele informou que o governo participa, nesta semana, de uma missão para conhecer um modelo de alfândega integrada que pode reduzir custos e tempo de operação.

Logística e incentivos

A BR-317 é a principal via de ligação do Acre com o Pacífico. Ela conecta Rio Branco a Assis Brasil e, a partir de Iñapari, integra o estado à malha rodoviária peruana. Já a BR-364 organiza o fluxo interno e sustenta a conexão entre a capital, os municípios do leste e os corredores de saída do comércio exterior.

Mesquita reconhece que a pauta exportadora do Acre ainda é concentrada, principalmente em proteína animal, soja e castanha in natura, e afirma que a diversificação será prioridade em 2026.

“Estamos iniciando um diagnóstico para identificar indústrias com potencial exportador e apoiá-las na regularização e certificação. Produtos como açaí, mandioca, farinha, itens da biodiversidade e o próprio café podem ampliar a participação de pequenas indústrias no comércio exterior”, explicou.

O secretário também destacou o potencial do Acre como hub logístico para importação de produtos asiáticos. “Estamos trabalhando na formação de empresas e comerciantes para aproveitar oportunidades de compra no mercado internacional e revenda no Brasil. O Polo Logístico é parte central dessa estratégia”, concluiu.

Mercado consolidado

Depois de um período de oscilações até 2023 nas exportações, o fluxo comercial do Acre ganhou força em 2024 e se mantém em patamar elevado em 2025, impulsionado principalmente pelas exportações. Parte desse avanço fica evidente quando se compara a participação do estado no comércio brasileiro com Peru e Bolívia, considerando apenas os produtos em que o Acre de fato atua.

O movimento confirma que a fatia acreana ainda é pequena no cenário nacional, mas cresce de forma consistente em nichos específicos, sobretudo no mercado peruano.

Além das carnes suínas e da castanha, a pauta exportadora inclui, com alguma regularidade, milho em grão, pernis suínos congelados, preparações para alimentação animal e outros itens de menor volume.

Mesmo assim, a concentração permanece alta, o que torna o desempenho mais vulnerável a oscilações de preço, demanda e condições logísticas.

No comércio com o Peru, duas cadeias dominam com folga: castanha com casca e carne suína. Já na relação com a Bolívia, a castanha também lidera, mas em escala menor e dentro de uma pauta mais fragmentada.

Entre o mapa continental e as discussões geopolíticas, emerge o ponto mais concreto do desafio: o corredor que conecta Rio Branco à faixa de fronteira e, dali, à continuidade rodoviária rumo ao Pacífico, eixo que sustenta a integração comercial do Acre com os países andinos.

De forma geral, o estudo reforça que o Acre já está inserido no comércio andino, mas ainda possui amplo espaço para crescer. O fortalecimento das cadeias produtivas, aliado à melhoria da logística e à ampliação da infraestrutura, pode transformar o estado em um elo estratégico entre o Brasil e o Pacífico.

“Vamos concentrar esforços na implantação de empresas importadoras. É uma oportunidade real para o comércio acreano. A ideia é transformar o Acre em uma porta de entrada de produtos importados para o Brasil e permitir que nossos empreendedores lucrem com essa atividade. É uma grande chance de ampliar negócios e gerar renda”, afirma o secretário.

*Escrito por Tácita Muniz, da Agência Acre