Home Blog Page 41

Será que as araras realmente conversam com os humanos? Especialista explica relação comunicativa

0

Com alta capacidade de aprendizagem, memória e associação, araras podem relacionar palavras a pessoas, objetos e situações. Foto: Divulgação

Quem já viu uma arara “respondendo” a uma pessoa provavelmente ficou com a impressão de que a ave entende exatamente o que está sendo dito. Mas será que esses animais realmente compreendem as palavras da mesma maneira que os seres humanos? A resposta é mais complexa — e revela o quanto a inteligência das aves pode surpreender.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo a bióloga e mestre em Botânica Joana Corbellini, não é possível afirmar que uma arara tenha consciência de sua própria identidade da mesma forma que uma pessoa. Quando uma ave parece corrigir alguém que a chama de “papagaio”, por exemplo, o comportamento pode estar relacionado à sua capacidade de aprender e associar determinadas palavras a situações específicas.

Araras, papagaios, periquitos e cacatuas fazem parte do grupo dos psitacídeos, conhecido pela elevada capacidade de aprendizagem, memória e associação. Algumas dessas aves conseguem estabelecer associações referenciais, relacionando vocalizações a objetos, cores, formas, quantidades ou situações. Um dos exemplos mais conhecidos na ciência é o papagaio-cinzento-africano Alex, estudado pela pesquisadora Irene Pepperberg, que demonstrou experimentalmente a utilização de palavras em contextos específicos.

Leia também: Arara catalina: espécie que ocorre em cativeiro apresenta cor laranja

Imagem colorida mostra araras, animais da Amazônia
Foto: Germano Roberto Schüür

Como uma arara consegue imitar a voz humana?

Ao contrário dos seres humanos, que produzem a voz principalmente por meio das pregas vocais, as aves utilizam uma estrutura chamada siringe, localizada na região inferior da traqueia. Nos psitacídeos, o controle preciso da língua, do bico e do trato vocal permite modificar os sons e reproduzir padrões bastante semelhantes à fala humana, inclusive ritmo e entonação.

Mas não significa que a ave tenha uma “voz humana”. Ela utiliza um sistema anatômico completamente diferente para produzir sons que apresentam características acústicas semelhantes às nossas palavras. A explicação para a impressão de que as aves conversam com seus tutores também passa pela vida social desses animais, já que na natureza as araras e papagaios utilizam vocalizações para manter contato e interagir com outros indivíduos. Quando vivem em ambientes domésticos, os seres humanos passam a fazer parte desse grupo social.

Assim, a ave pode aprender que determinadas vocalizações provocam respostas, como atenção, interação ou alimento. Isso ajuda a explicar comportamentos como dizer “oi” quando alguém chega, chamar uma determinada pessoa ou repetir sons que provocam alguma reação.

O problema é que inteligência não significa domesticação, portanto, a capacidade de aprender e interagir com humanos pode tornar as araras fascinantes, mas também é justamente um dos motivos pelos quais elas não são animais adequados para a maioria das residências.

Araras são animais silvestres, altamente sociais, inteligentes e ativos. Precisam de espaço para movimentação e voo, interação social, enriquecimento ambiental, estímulos cognitivos e alimentação específica. Além disso, possuem vocalização naturalmente intensa, bico muito potente e podem viver várias décadas.

Quando mantidas em ambientes pouco estimulantes, submetidas a confinamento prolongado ou sem interação adequada, podem apresentar alterações comportamentais, como agressividade e vocalização excessiva. Também podem desenvolver comportamentos como arrancar as próprias penas, situação que pode ter diferentes causas e requer avaliação veterinária.

Leia também: Arara e Capivara se tornam melhores amigas em bosque de Roraima

Tocantins
Arara-canindé. Foto: Reprodução/Instituto Arara Azul

A origem da arara

A origem do animal também é um ponto fundamental. No Brasil, animais silvestres não devem ser retirados diretamente da natureza para serem mantidos como animais de estimação. Quando houver aquisição legal, é necessário verificar a procedência e a documentação, evitando contribuir com o comércio ilegal e o tráfico de fauna.

Saiba mais: Como criar aves e pássaros de forma legal no Brasil?

Foto: Reprodução/Agência Belém

Para Joana, conhecer melhor a inteligência e a complexidade comportamental das araras também aumenta a responsabilidade sobre a forma como esses animais são tratados.

A capacidade de imitar a fala humana pode ser fascinante, mas representa apenas uma pequena parte da biologia desses animais. Antes de querer uma arara em casa, é preciso compreender que se trata de uma ave silvestre altamente social, longeva e cognitivamente complexa, cujas necessidades dificilmente são atendidas adequadamente em uma residência convencional.

*Com informações da assessoria

Em Normandia, Exército simula guerra na Amazônia em ataque com blindados e sensores inteligentes

0

O Exército Brasileiro concluiu uma simulação de guerra de quatro dias na Amazônia. Treinamento mobilizou mais de 1,1 mil militares em Roraima. Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

Viaturas blindadas, aeronaves e sensores inteligentes que registram perdas em tempo real. Esses foram os aparatos usados pelo Exército Brasileiro em uma simulação de guerra na Amazônia que durou quatro dias. O treinamento ocorreu na fronteira Norte do país e mobilizou mais de 1,1 mil militares num percurso de 550 km que atravessou a Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O Grupo Rede Amazônica acompanhou a última etapa do treinamento na quinta-feira (20), na sede do município de Normandia, no interior de Roraima. Na ação final, 260 militares travaram um combate de ataque e defesa para “reconquistar” o aeródromo do município.

A simulação em Normandia ocorreu às margens da rodovia BR-401. A tropa foi dividida em 200 militares de ataque, enquanto 60 atuaram na linha de defesa do local a ser reconquistado. O efetivo incluiu militares de Roraima, Amazonas e Rio de Janeiro.

Treinamento Operação Amazônia Roraima
Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

Sensores no colete e capacete

O Exército utilizou 140 equipamentos com sensores nos capacetes e coletes dos militares, fornecidos pelos Centros de Adestramento (CA) da Amazônia e Leste. Quando um militar era “atingido”, o equipamento emitia um aviso sonoro que indicava se ele havia sido morto ou ferido.

No caso de ferimento, o soldado ainda poderia ser resgatado pela equipe, mas, caso o equipamento indicasse “morto” por meio do sinal de voz, o militar sentava no chão e retirava o capacete, ficando “fora de combate”.

O uso desses equipamentos é usado como forma de incentivar os militares a colocarem os treinamentos e instruções de combate do Exército em prática. Os dados dos coletes são enviados para um computador, que registra baixas e movimentos para elaboração de relatórios de desempenho.

Leia também: Maior exercício militar do Brasil faz demonstração com tanques, aviões e armas em Roraima

Tiros de festim

Durante o combate, foram utilizados tiros de festim, munição composta apenas por uma cápsula com pólvora, sem o projétil (parte da bala que viaja pelo ar e causa ferimentos reais). Houve troca de tiros em diversos pontos da vila, conforme os militares de ataque avançaram em direção ao aeródromo.

A presença das tropas despertou os moradores de Normandia no início da manhã. Em uma escolinha da cidade, o som dos disparos foi ouvido por alunos e funcionários. A orientadora pedagógica Isadora Constância relatou que o Exército avisou a população com antecedência, mas o efetivo nas ruas surpreendeu.

“Não é todo dia que a gente vê uma presença muito grande de soldados na rua. As crianças escutaram os tiros e a gente ficou curioso”, disse. “Saber que o Exército está atuando e ver com os próprios olhos é uma experiência diferente”, acrescentou a moradora.

Uso de blindados

O exercício empregou 39 viaturas blindadas, incluindo os modelos Guaicurus e Guarani. O Guaicurus é um veículo 4×4 usado para proteção e mapeamento de áreas, operado apenas pela 1ª Brigada de Infantaria de Selva. O Guarani é utilizado para o transporte de tropas.

A marcha de combate começou no entroncamento da BR-174 com a BR-433, em Surumu, cruzou a Terra Indígena Raposa Serra do Sol e seguiu até Normandia. Na simulação de ataque na região do Contão, houve apoio de aeronaves de ataque A-29 Super Tucano.

Leia também: Maior exercício militar do Brasil reúne 10 mil militares em Roraima: Operação Atlas 2025

A manobra testou a capacidade da tropa de reconquistar um território invadido. Segundo o major Pedro Xavier, da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, a unidade é preparada para ser acionada em situações de emergência, com militares prontos para entrar em ação a qualquer momento.

“O Exército sempre busca estar pronto por meio do seu preparo para as diversas operações que podem aparecer para ele”, explicou o major. “Esse adestramento materializou nossa vocação principal, que é a defesa externa no extremo norte do país”, concluiu.

Treinamento Operação Amazônia Roraima
Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

Na defesa do aeródromo estava o soldado Lucas Peixoto. “Sabemos que o calor de Roraima não é fácil, mas mantivemos a tropa em posição, sempre bem abrigados. Acredito que teve muito desafio, mas batemos esse objetivo, que foi manter uma visibilidade grande do terreno”, destacou o recruta.

Durante a ação, militares à paisana interpretaram civis que pediam ajuda em meio ao combate. Eles foram socorridos pelas tropas e encaminhados a um posto de triagem fictício.

Normandia já recebeu outras ações

Treinamento Operação Amazônia Roraima
Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

A região de Normandia e municípios vizinhos também foram cenário de atividades militares em 2025, durante a Operação Atlas. A ação faz parte do treinamento conjunto das Forças Armadas no país e reuniu 6 mil militares no estado.

O treinamento simulou um cenário real de confronto armado, com apoio de aeronaves de combate da Força Aérea Brasileira (FAB), tanques, blindados e artilharia terrestre. Na época, a operação teve o objetivo de avaliar a capacidade de atuação conjunta do Exército, Marinha e Aeronáutica e aprimorar estratégias de defesa na Amazônia.

Na ocasião, o maior míssil de longo alcance desenvolvido no Brasil, do sistema Astros, foi disparado pela primeira vez na região amazônica, em Bonfim. O sistema é capaz de lançar foguetes e mísseis que alcançam até 300 quilômetros de distância, com alto grau de precisão.

*Por João Gabriel Leitão, da Rede Amazônica RR

Projeto ‘Energias da Floresta’ leva debates sobre acesso à energia elétrica para comunidades da Amazônia

0

Foto: Divulgação/IEMA

Água quentinha, areia branca fininha e muito verde da floresta pulsante em volta. Há quem durma em barcos, quem fique em hospedarias comunitárias ou até mesmo quem pendure a sua rede no meio da mata, e quem receba visitantes para compartilhar alimentos, histórias e vivências culturais. Na Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, às margens dos rios de mesmo nome e em frente à Floresta Nacional do Tapajós (Flona do Tapajós), oeste do Pará, o ritmo da vida acompanha o da mata.

Quando o sol se põe, algumas comunidades que têm energia elétrica insuficiente, também podem ficar no escuro. É preciso esperar o novo dia, quando a luz solar volta, para retornar às atividades que dependem de eletricidade.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Nesse cenário, teve início algo inédito no Brasil. Entre os dias 10 e 14 de agosto, em conversas sob as palhas das construções, às margens do rio e à sombra das árvores, aconteceu a primeira Oficina de Imersão e Capacitação do Sandbox Regulatório Energias da Floresta. A iniciativa foi promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), com apoio do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O encontro foi executado pela Quintessa.

Realizada presencialmente em diferentes comunidades da Resex, a atividade reuniu cerca de 70 participantes de 50 instituições como representantes de comunidades, governo, distribuidoras de energia, academia, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e empresas para a construção coletiva de soluções para redução da pobreza energética e ao acesso à energia elétrica pública e de qualidade para quem vive em locais remotos, principalmente da Amazônia, pensada a partir das realidades e em diálogo direto com as comunidades.

Projeto 'Energias da Floresta' leva debates sobre acesso à energia elétrica para comunidades da Amazônia
Foto: Divulgação/IEMA

Ou seja, a oficina integra a proposta de criação de um ecossistema de inovação aberta e de experimentação regulatória para ampliar e aprimorar o acesso ao serviço público de energia elétrica em localidades, principalmente, da Amazônia. Na ocasião, o foco foi experimentar processos, identificar desafios e avaliar formas de participação colaborativa e de governança adequadas aos territórios.

“O mais importante foi ver as pessoas (de diferentes territórios, instituições, saberes, desejos, interesses e demandas) conversando, pensando e propondo soluções inovadoras para problemas antigos do fornecimento do serviço público de energia elétrica prestado pelo Estado brasileiro”, ressalta Vinícius Oliveira da Silva, pesquisador do IEMA.

Essa é uma mudança na forma de pensar como o estado brasileiro deve fornecer o serviço público. Em vez de começar pela tecnologia disponível e perguntar onde ela pode ser instalada, se inicia pelas necessidades do território indicando qual combinação de tecnologia, de regulação, de financiamento, de gestão e de participação pode responder melhor a elas.

“Nesses 30 anos da Aneel, construímos uma regulação sólida, pensada para atender ao setor elétrico em todo o território nacional. Hoje, contamos também com instrumentos regulatórios mais modernos, como os sandboxes regulatórios, que nos permitem avançar e refletir sobre soluções voltadas a problemas e realidades mais específicos. O sandbox Energia das Florestas parte justamente dessa possibilidade. A iniciativa busca avaliar, inclusive, como incorporar à regulação formas mais participativas de construção de soluções, considerando que a organização social dos povos tradicionais da Amazônia é fortemente pautada por decisões coletivas e comunitárias. A ideia é entender em que medida a regulação pode dialogar com essas formas de organização e, a partir delas, ampliar a participação social na tomada de decisão”, Agnes da Costa, diretora da Aneel.

Leia também: Levantamento no Pará revela que apenas 20% das residências de comunidades tradicionais têm energia elétrica pública

Construção feita com quem vive no território

Por isso, a proposta da oficina partiu de uma premissa: inexiste lugar passivo nessa construção. “Cada pessoa presente na imersão participou desse processo a partir de seus próprios conhecimentos, experiências e perspectivas. A proposta central era que todos fossem convidados a contribuir para pensar soluções capazes de responder às necessidades reais dos territórios amazônicos e de suas populações”, explica Fabio Galdino dos Santos, pesquisador do IEMA.

Projeto Energias na Floresta
Foto: Divulgação/IEMA

Para Maria Reginalva Alves Godinho, moradora e liderança comunitária de Anã, na Resex Tapajós-Arapiuns, a escuta das comunidades é fundamental para que as soluções considerem as particularidades de cada território: “É muito importante que tenham vindo aqui, ouvido e convivido conosco esses quatro dias. É isso que queremos: viver bem dentro da floresta, mas tendo as mesmas oportunidades dos grandes centros. É o início de uma grande construção, para agora, para o médio e longo prazo.”

Durante a imersão, os participantes foram divididos em seis grupos de trabalho para discutir desafios estratégicos à construção dos pilotos: autogestão comunitária, uso produtivo da energia, operação e manutenção, modelos alternativos de cobrança, infraestrutura comunitária e financiamento.

Nos dois primeiros dias, os grupos percorreram diferentes comunidades para conhecer o território, conversar com os moradores e observar as atividades produtivas e os impactos da falta ou da precariedade da energia. No último, os grupos formularam propostas de projeto-piloto, avaliados em uma simulação pela mesa de governança.

Desafio vai além de levar energia elétrica

A escolha da Resex Tapajós-Arapiuns não foi casual. O território reúne comunidades que mantêm uma relação direta com a floresta e com os rios e desenvolvem atividades econômicas ligadas à agricultura familiar, ao extrativismo e à sociobiodiversidade.

Os números do IEMA ajudam a dimensionar o problema que motiva a iniciativa. Os dados mostram que a exclusão elétrica na região vai além da questão de iluminação doméstica, afetando também a autonomia econômica das comunidades tradicionais, além da qualidade de vida.

“São inúmeras as dificuldades de não ter acesso a uma energia adequada e confiável. Costumamos dizer que a energia é o meio para a diversificação da produção sustentável. Trabalhamos com agricultura familiar, com mel, peixes, artesanato e extração de óleos essenciais e, sem energia, a geração de renda fica comprometida. Também precisamos dela para o bombeamento de água, a conservação dos alimentos, o acesso à saúde, principalmente à telemedicina e ao eventual acionamento do Samu para resgates, e para que a escola tenha uma estrutura adequada, climatizada e informatizada, com internet, para os alunos e educadores. Se não há energia, nada disso funciona”, relata Godinho.

Mais de 84 mil unidades produtivas vinculadas ao extrativismo vegetal estão sem energia elétrica, segundo dados do IEMA. Os estados do Pará, de Rondônia e do Acre respondem, juntos, por 65% dos estabelecimentos agropecuários não atendidos pelo serviço público de energia. Só no Pará, em que aconteceu a oficina, 45% dos estabelecimentos extrativistas seguem sem eletrificação.

O impacto aparece de maneira especialmente evidente nas cadeias da sociobiodiversidade. O açaí, por exemplo, é uma das atividades mais afetadas, são cerca de 33,7 mil estabelecimentos sem energia elétrica. A ausência de eletricidade dificulta o beneficiamento, a conservação e a refrigeração do produto perecível. Já a castanha-do-brasil, com cerca de 10,1 mil estabelecimentos sem energia, e o babaçu, com aproximadamente 7,3 mil, também estão entre os produtos mais afetados.

Projeto Energias na Floresta. Foto: Divulgação/IEMA

Mesmo nos locais onde o Programa Luz para Todos (LpT) já chegou por meio de sistemas individuais (SIGFI), há uma limitação técnica importante. A potência costuma ser dimensionada apenas para uso básico residencial, como iluminação e televisão, sendo insuficiente para o uso produtivo como, por exemplo, para o acionamento de motores de despolpadeiras, bombeamento de água ou de freezers horizontais.

O desafio, porém, não se resume à existência ou não de uma ligação elétrica. Em muitas comunidades, o acesso é limitado pela baixa qualidade do serviço, pela dependência de combustíveis fósseis, pelos custos elevados, do combustível e da tarifa de energia elétrica, e pela dificuldade de manter sistemas funcionando de forma contínua. Por isso, o objetivo é construir soluções que garantam energia confiável, renovável, acessível e adequada às necessidades específicas de cada território, e não soluções padronizadas, pensadas para realidades urbanas.

Godinho acredita que ampliar o acesso à energia significa também criar condições para que as comunidades possam permanecer e prosperar em seus territórios. “Esperamos que o acesso à energia melhore a qualidade de vida das pessoas da Amazônia como um todo e contribua, inclusive, para as futuras gerações e para mantermos a floresta em pé.”

Sobre o Projeto Energias da Floresta

O inédito Sandbox Regulatório Energias da Floresta busca desenvolver e testar soluções inovadoras para ampliar o acesso à energia renovável, segura e adequada em comunidades da Amazônia Legal. Entende-se por sandbox um ambiente de experimentação controlada no qual, neste caso por exemplo, podem ser mapeadas barreiras regulatórias e institucionais, promover participação social efetiva, estabelecer indicadores técnicos, socioeconômicos e ambientais e sistematizar os aprendizados para subsidiar futuras decisões regulatórias.

A proposta é sair do processo com uma compreensão mais concreta de caminhos para uma transição energética justa, renovável e conectada à realidade da floresta em pé e de seus povos. A experiência já reforçou que a transição energética na Amazônia precisa considerar as particularidades de cada comunidade. Não há uma única Amazônia, nem uma única demanda energética. Ela tem apoio da Rede Energia & Comunidades.

Assim, o que foi construído durante a semana é um processo. Um conjunto de aprendizados sobre como diferentes atores podem trabalhar juntos para enfrentar um problema antigo e complexo. A oficina terminou, mas a experimentação continuará.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IEMA

Entenda a diferença entre temperatura e sensação térmica: por que sentimos mais calor do que indica o termômetro em Manaus?

Em Manaus, a umidade elevada faz com que a sensação térmica, chamada de índice de calor, seja até 15°C maior que a temperatura registrada nos termômetros. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Quem vive em Manaus (AM) sabe que a temperatura que aparece no termômetro nem sempre explica o calor sentido nas ruas, principalmente em áreas mais urbanizadas durante o verão amazônico. A sensação de uma temperatura diferente da que é divulgada por meteorologistas pode ser atribuída à chamada sensação térmica. Mas afinal, qual é a diferença entre temperatura e sensação térmica na prática?

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O Grupo Rede Amazônica conversou com o meteorologista Leonardo Vergasta, que explicou que o termo mais utilizado para a região amazônica, onde o clima é quente e úmido o ano inteiro, e a umidade relativa do ar ultrapassa 80% com frequência, é “índice de calor”.

“A temperatura do ar é aquilo que a gente mede no termômetro: é um valor objetivo que mede a energia do ar em um determinado momento. Já a sensação térmica, ou o que aqui na região o mais correto tecnicamente, a gente prefere chamar de índice de calor, é diferente. É basicamente como o nosso corpo sente aquela temperatura. Não é medido por um termômetro comum. É calculado levando em conta a temperatura do ar junto com a umidade relativa do ar”, explica.

Vergasta explica que o índice de calor é um dado que representa melhor o estresse térmico que a população sente em dias de temperatura elevada. De acordo com o meteorologista, em regiões tropicais úmidas como a Amazônia, a diferença entre a temperatura do ar e o índice de calor pode chegar a até 15°C.

Leia também: Especialistas explicam porque ilhas de calor deixam bairros de Manaus mais quentes no verão amazônico

O termômetro não conta a história inteira

Uma mesma temperatura pode parecer muito diferente dependendo do lugar onde a observação é feita. Fatores como umidade, vento, radiação solar, sombra e características da superfície urbana afetam a percepção do clima.

De acordo com Vergasta, isso acontece porque o corpo humano funciona como um sistema de troca de calor com o ambiente ao redor, e a capacidade deste sistema de liberar o calor para o ar que nos cerca é o que causa a sensação de ambiente quente ou frio.

“Quando está quente, a gente sua. Esse suor que sai da pele evapora, e essa evaporação é o que realmente nos resfria. É como quando você molha o braço e o vento passa: aquela evaporação da água é que tira o calor. Agora, quando a umidade do ar é muito alta, o ar já está cheio de água, e aí aquele suor não consegue evaporar direito. Fica ali na pele, não evapora, e o corpo não consegue se resfriar. Resultado: você sente muito mais calor”, explicou.

Neste cenário, o fator mais importante na diferença da percepção de calor é a umidade do ar. Em locais de clima úmido, como o Amazonas, a umidade permanece alta mesmo no período de seca. Essas condições, somadas a eventos climáticos como o El Niño, fazem com que a sensação de calor seja ainda maior do que em outras épocas do ano.

“Aqui em Manaus, durante o período que a gente chama de seco, que vai de maio até outubro, a umidade cai um pouco, mas não drasticamente. Quando combinamos isso com um evento como o El Niño, que reduz as nuvens e aumenta a radiação solar chegando ao solo, o resultado é um índice de calor extremamente alto. Por isso é que neste ano, com o El Niño que foi estabelecido em junho, a gente está vendo esse impacto muito forte no clima da região”, pontuou o meteorologista.

A influência da arborização

Outro fator que influencia o índice de calor é a arborização. Por exemplo, uma pessoa caminhando por um parque pode ter uma sensação mais confortável da temperatura do que uma pessoa caminhando em uma rua asfaltada que registra a mesma temperatura no termômetro.

Além da sombra produzida pelas árvores servir como alívio térmico em dias de sol muito intenso, o fenômeno da evapotranspiração das plantas também auxilia na diminuição da sensação de calor em lugares com maior vegetação, em um efeito que Vergasta descreveu como “uma espécie ar-condicionado natural”:

Entenda a diferença entre temperatura e sensação térmica: por que sentimos mais calor do que indica o termômetro em Manaus?
Getúlio Vargas é uma das poucas avenidas arborizadas de Manaus. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

“Quando você está embaixo de uma árvore, aquela radiação solar que viria diretamente do céu é bloqueada pelas folhas, então a gente não recebe todo aquele calor na pele. Segundo, as árvores transpiram, ou seja, elas liberam água através das folhas, e essa água evapora. Essa evaporação consome calor do ar ao redor, e isso resfria o ambiente local. Além disso, árvores reduzem um pouco a velocidade do vento, e quando tem muita transpiração das plantas liberando água, a umidade do ar ao redor muda”, explicou.

O especialista apontou também que a temperatura do ar em áreas arborizadas pode ser 1°C a 5°C menor em comparação com áreas sem árvores.

Entretanto, este efeito precisa de uma cobertura vegetal contínua e densa para que seja percebido em um bairro inteiro, ou uma cidade. Uma única árvore, mesmo grande e madura, pode auxiliar o clima imediatamente ao redor por conta da sombra projetada, mas não é o suficiente para impactar uma região maior que alguns metros.

“A razão é simples: o efeito de uma árvore isolada é muito localizado, funciona em um raio de cerca de 10 a 20 metros ao redor dela. Para resfriar um bairro inteiro, você precisa de múltiplas árvores formando uma estrutura contínua, criando uma rede de sombra e evapotranspiração. Pesquisas mostram que ruas com uma ou duas árvores têm um efeito térmico bem menor comparado com ruas que têm um dossel de árvores contínuo cobrindo toda a via”.

De acordo com Vergasta, o fenômeno climático El Niño, estabelecido em junho de 2026, impulsionou temperaturas médias acima do normal para setembro e outubro, e a incidência de anomalias do tipo faz com que a vegetação urbana seja extremamente importante.

A Floresta Amazônica é um regulador climático em escala regional, mas em Manaus, uma das maiores cidades do bioma, a arborização não é o suficiente para cumprir o papel de redução do calor em grande parte da cidade. Em grandes cidades, a alta urbanização facilita a formação de ilhas de calor, quando o asfalto e concreto absorvem o calor do sol e aumentam a sensação de calor no ambiente.

“A maioria das pessoas de renda mais baixa, que mora justamente em áreas da cidade com menos arborização, depende completamente do sombreamento natural para sobreviver bem durante esses períodos de calor intenso”, diz Vergasta.

“Além disso, ondas de calor extremo e fenômeno de ilhas de calor urbano aumentam a mortalidade, principalmente entre idosos, crianças pequenas e pessoas com problemas no coração ou pulmão. A arborização urbana reduz essa carga de estresse térmico”, completa.

Com o índice de calor em certos pontos da cidade alcançando níveis acima de 45°C, o estresse térmico se torna perigoso principalmente para populações vulneráveis, trabalhadores manuais ou pessoas que praticam qualquer tipo de atividade física nos horários de maior incidência de calor.

“Para a saúde pública e para o bem-estar geral da população de Manaus, especialmente dos mais vulneráveis, a arborização não é um luxo: é uma questão de necessidade mesmo”, finalizou.

*Por Marcela Orquiz, da Rede Amazônica AM

Megaprojeto de mineração de potássio sobrepõe território Mura, reafirma Funai

0

Projeto da canadense Potássio do Brasil inclui 4,4 mil hectares de jazidas subterrâneas totalmente sobrepostas à Terra Indigena Lago do Soares. Foto: Clara Comandolli/Cimi

Representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em reunião com integrantes da Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR), do Ibama e dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e dos Povos Indígenas (MPI), confirmaram, pela segunda vez, que o megaprojeto da mineradora canadense Potássio do Brasil está sobreposto ao território tradicional do povo Mura em Autazes (AM).

Durante encontro no dia 14 de agosto, a diretoria da Funai pontuou que “embora não tenham sido definidos os limites no estudo [de identificação e delimitação], já há uma proposta e não há dúvidas de que a área do empreendimento sobrepõe áreas de moradia e circulação dos Mura”. Com Licenças de Instalação concedidas pelo órgão licenciador estadual, o empreendimento avança sobre áreas de moradia e pesca na Terra Indígena (TI) Lago do Soares.

Na ocasião, lideranças voltaram a denunciar ameaças, cerceamento e ausência de Consulta Livre, Prévia e Informada, direito garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

É a segunda vez que a Funai confirma a sobreposição do empreendimento na terra indígena reivindicada pelo povo Mura, localizada no município amazonense de Autazes. Em ofício publicado em 2023, o órgão já havia recomendado a suspensão do processo de licenciamento, por haver evidências concretas de que a “terra indígena em estudo encontra-se sobreposta às áreas de jazidas a serem exploradas no Projeto Potássio Autazes”.

Apesar disso, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), órgão licenciador do estado, concedeu, ao longo de 2024, ao menos sete Licenças de Instalação à mineradora canadense. Ignorando a recomendação da Funai, o órgão autorizou a realização de obras, incluindo a instalação de uma mina subterrânea para extração de silvinita, minério a partir do qual são extraídos sais de potássio, matéria-prima para a produção de fertilizantes agrícolas.

Com licenças de instalação do Ipaam, empresa Potássio do Brasil desmata áreas dentro da TI Lago do Soares, em estudo pela Funai. Fotos: Filipe Gabriel Mura.
Com licenças de instalação do Ipaam, empresa Potássio do Brasil desmata áreas dentro da TI Lago do Soares, em estudo pela Funai. Fotos: Filipe Gabriel Mura.

Empreendimento já impõe impactos ao povo Mura

Desde então, a mineradora avança sobre o território desmatando áreas de vegetação nativa, conforme o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) já havia denunciado, com fotos e imagens de satélite, em abril deste ano. Registros fotográficos feitos pelos indígenas entre dezembro de 2025 e julho de 2026, e apresentados durante a reunião no MPI, também evidenciam a devastação em curso dentro de áreas onde os indígenas realizam a coleta de frutas e sementes.

Milena Mura, coordenadora da Organização das Mulheres Indígenas Mura (OMIM), denuncia que a comunidade está sendo proibida pela multinacional de transitar nesses locais. “Tem sempre pessoas da empresa no local onde o empreendimento será instalado, proibindo a circulação dos indígenas em seu próprio território”, relata.

Durante a reunião realizada na última semana, Milena e outras duas lideranças presentes também relataram que as obras já estão afetando o abastecimento alimentar da comunidade. Segundo relatos, a abertura de uma estrada de acesso está provocando o secamento de uma nascente, local de desova de peixes, que são a base alimentar do Povo Mura. “Pra gente isso é muito doloroso, porque a gente já está vendo que os peixes estão rareando”, explica Milena.

Leia também: Licenciamento do Projeto Potássio Autazes segue em debate; MPF aponta irregularidades

O desmatamento e a abertura de um ramal já estão provocando o secamento de uma nascente, como mostram registros feitos em julho de 2026. Fotos: Caroline Nogueira.
O desmatamento e a abertura de um ramal já estão provocando o secamento de uma nascente, como mostram registros feitos em julho de 2026. Fotos: Caroline Nogueira.

Projeto de potássio tem irregularidades, segundo MPF

Em maio de 2024, o Ministério Público Federal (MPF) moveu uma Ação Civil Pública (ACP) na qual pede a suspensão das Licenças de Instalação emitidas pelo Ipaam, já que a Constituição Federal proíbe a realização de mineração dentro de terras indígenas, sejam elas demarcadas definitivamente ou ainda não. A peça apresentada também pede a transferência do processo de licenciamento ao Ibama, devido à dimensão do projeto, aos impactos na TI Lago do Soares e em outras terras indígenas da região e ao fato de que este é o órgão responsável por licenciar empreendimentos em terras indígenas.

Segundo o MPF, além da sobreposição à TI Lago do Soares, que já possui, desde 2023, portaria da Funai para a realização de estudos e definição de limites territoriais, “a base de exploração minerária fica a menos de 3 km da Terra Indígena Jauary, e a cerca de 6 km da Terra Indígena Paracuhuba”, esta última homologada desde 1991.

Imagem de reprodução do Projeto Potássio Autazes, que prevê a instalação de uma mina subterrânea, uma planta industrial, áreas para armazenamento de rejeitos e de solo orgânico, além de estrada e um porto às margens do rio Madeira. Foto: Divulgação Potássio do Brasil.
Imagem de reprodução do Projeto Potássio Autazes, que prevê a instalação de uma mina subterrânea, uma planta industrial, áreas para armazenamento de rejeitos e de solo orgânico, além de estrada e um porto às margens do rio Madeira. Foto: Divulgação Potássio do Brasil.

Licenças ambientais não dão conta da dimensão territorial do projeto

Conforme revelou reportagem investigativa do Cimi, o projeto Projeto Potássio Autazes prevê a instalação de uma mina subterrânea, uma planta industrial para o beneficiamento do minério, áreas para armazenamento de rejeitos e de solo orgânico, além de estrada e um porto às margens do rio Madeira para o escoamento da produção. As estruturas de superfície já autorizadas pelo Ipaam abrangem mais de 200 hectares, enquanto autorizações de supressão vegetal permitiram a derrubada de 257 hectares.

A dimensão do empreendimento, porém, é muito maior quando consideradas as jazidas que a empresa pretende explorar no subsolo. Levantamento realizado pelo Cimi Regional Norte 1, a partir de mapas e documentos produzidos pela própria Potássio do Brasil, identificou uma área de aproximadamente 4,4 mil hectares de jazidas subterrâneas. Uma extensão vinte vezes maior do que a área mencionada nas licenças do Ipaam.

Além de estarem totalmente sobrepostas à TI Lago do Soares, as jazidas, em seu limite, ficariam a poucos quilômetros da TI Jauary, delimitada em 2012. A estreita faixa que separa os dois territórios é, basicamente, ocupada por um afluente do rio Madeira. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) reconhece o risco de salinização das águas próximas ao empreendimento.

De acordo com o EIA, a empresa prevê a extração de cerca de 227 milhões de toneladas de minério bruto ao longo de 31 anos, a partir do qual seriam produzidas mais de 61 milhões de toneladas de potássio, gerando 165,3 milhões de toneladas de rejeitos.

Fonte: Ipaam

Povo Mura denuncia violação do protocolo de consulta e ameaças

À justiça do Amazonas, o MPF e lideranças Mura apontam também outras irregularidades graves identificadas no processo de licenciamento, como a “profunda e grave violação” ao protocolo de consulta e consentimento do povo.

O povo Mura aprovou seu protocolo de consulta em 2019, após dois anos de reuniões e debates entre as comunidades e aldeias dos municípios de Careiro da Várzea e Autazes. O documento, que define como os Mura devem ser consultados antes da realização de qualquer atividade dentro de seu território que possa afetar seus direitos, deveria ter sido obedecido pelos órgãos públicos e pela empresa para a concessão de qualquer licença ambiental.

Ministério Público Federal e lideranças apontam graves irregularidades no processo de licenciamento, como a violação ao protocolo de consulta e consentimento do povo Mura. Foto: Clara Comandolli | Cimi.
Ministério Público Federal e lideranças apontam graves irregularidades no processo de licenciamento, como a violação ao protocolo de consulta e consentimento do povo Mura. Foto: Clara Comandolli/Cimi.

Esse protocolo prevê 16 passos, que incluem uma série de reuniões e assembleias que devem contar com uma composição específica, como, por exemplo, a presença de representantes de todas as aldeias, do MPF e da Funai. No entanto, segundo o MPF e a Organização de Lideranças Indígenas Mura de Careiro da Várzea (OLIMCV), não foi isso o que aconteceu.

De acordo com a denúncia apresentada, a consulta alegada pela mineradora canadense, na qual teria sido aprovado o projeto, aconteceu nos dias 21 e 22 de setembro de 2023, com a participação de lideranças de algumas aldeias e do Conselho Indígena Mura (CIM), além de representantes da Potássio do Brasil. Não estiveram presentes membros da Funai, do MPF e nem mesmo moradores da comunidade indígena Soares, principal afetada pelo empreendimento.

“Não se decide o futuro de um povo em uma reunião. E a grande maioria, e principalmente a aldeia mais impactada, que é a Soares, não esteve presente nessa reunião”, relatou William Filgueira, que compõe a diretoria da OLIMCV, durante reunião no MPI.

A denúncia também alega cooptação de lideranças, ameaças e oferecimento de propina por parte da multinacional. À autoridades do Ibama, da Secretaria-Geral da Presidência e dos Ministérios dos Povos Indígenas e de Minas e Energia, Milena Mura relatou que a Potássio do Brasil, “dividiu o povo, ameaçou lideranças, cooptou essas lideranças ameaçadas e fez com que essas próprias lideranças nos ameaçassem”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Cimi

Incêndios florestais aumentam mais de 300% em Manaus durante período de estiagem; veja dicas e orientações

0

Incêndios em vegetação e áreas florestais aumentaram 324% na capital amazonense, com 564 ocorrências de janeiro a agosto, contra 133 registrados no mesmo período de 2025. Foto: Divulgação/Âmbar Energia

O aumento dos incêndios florestais durante o período de estiagem no Amazonas exige atenção redobrada da população. Segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Manaus registrou 564 incêndios florestais entre janeiro e agosto de 2026, contra 133 no mesmo período de 2025 — um aumento de aproximadamente 324%. Somente nos dois primeiros finais de semana de agosto, foram registradas 223 ocorrências de incêndios em vegetação e áreas florestais.

Com altas temperaturas, baixa umidade e vegetação seca, o fogo se espalha com mais rapidez e pode atingir a rede de distribuição de energia. As chamas podem danificar postes, cabos, transformadores e outros equipamentos, além de colocar em risco a população e dificultar o trabalho das equipes responsáveis pela manutenção e pelo restabelecimento do fornecimento.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A Âmbar Energia, concessionária que presta o serviço do fornecimento de energia elétrica na capital amazonense, reforça que a prevenção começa antes do fogo. A empresa orienta a população a não realizar queimadas próximas às redes de distribuição de energia elétrica, não utilizar fogo para limpar terrenos ou pastagens e evitar a queima de lixo, folhas e outros resíduos em áreas abertas.

Incêndios florestais aumentaram 324% em Manaus. Foto: Divulgação/Âmbar Energia
Altas temperaturas, baixa umidade e vegetação seca contribuem para a propagação do fogo em áreas de vegetação. Foto: Divulgação/Âmbar Energia

Leia também: Período de estiagem aumenta risco de queimadas nas rodovias da região amazônica; saiba o que fazer

Outros cuidados para evitar incêndios

Também é importante não jogar pontas de cigarro em estradas, terrenos ou áreas de vegetação seca. Em acampamentos, o fogo deve ser completamente apagado com água antes da saída do local. A empresa alerta ainda que ninguém deve tentar combater sozinho um incêndio próximo a postes, cabos ou outros equipamentos de energia. Nesses casos, é fundamental manter distância segura da rede elétrica e acionar as equipes responsáveis.

“Quando uma queimada atinge a rede elétrica, o restabelecimento da energia se torna mais complexo e exige uma operação ainda mais cuidadosa. Em áreas de difícil acesso, pode ser necessária a mobilização de muitas equipes e até de equipamentos pesados depois que as chamas são controladas”, explica João Pilla, diretor-presidente da Âmbar Energia.

Em caso de incêndio próximo à rede elétrica, a orientação é não se aproximar dos cabos e equipamentos e acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, pelo telefone 193.

*Com informações da assessoria

Petrobras se inspira em fruta, serpente e borboleta para dar nomes aos poços que pretende perfurar no Amapá

0

Foto: Divulgação/Petrobras

Inspirados em frutas, répteis e insetos da biodiversidade brasileira, os nomes dos três novos poços que a Petrobras pretende perfurar na costa do Amapá — Manga, Crotalus e Morpho Extensão — revelam uma tradição histórica da estatal na nomeação de suas áreas de exploração.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A escolha das nomenclaturas acompanha o novo pedido de licenciamento ambiental enviado ao Ibama para avançar na Bacia da Foz do Amazonas. Esses poços estão todos no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas, a cerca de 175 km da costa de Oiapoque e aproximadamente 580 km da foz do Rio Amazonas.

Fauna e flora local inspiram Petrobras a nomear três novos poços no Amapá
Estatal pediu licença para perfurar Manga, Crotalus e Morpho Extensão no bloco FZA-M-59, na costa de Oiapoque. Nomenclatura segue tradição da companhia de usar fauna e flora locais. Foto: Reprodução

Os nomes dos poços escolhidos pela Petrobras, seguem uma tradição da estatal de usar referências da biodiversidade brasileira para batizar seus projetos exploratórios. Cada nome é visto como uma identidade simbólica para operações e ao mesmo tempo, são técnicas e estratégicas.

  • Manga: fruta tropical amplamente consumida no Brasil, conhecida pelo sabor doce e pela variedade de espécies cultivadas em diferentes regiões.
  • Crotalus: nome científico de um gênero de serpentes (cascavéis).
  • Morpho Extensão: inspirado no gênero de borboletas Morpho, conhecidas pelas asas azul-metálicas.

A solicitação enviada ao Ibama na segunda-feira (17) visa amplificar os dados colhidos pelo poço Morpho, cuja descoberta de óleo foi confirmada pela companhia. Se autorizadas, as novas perfurações em águas ultraprofundas devem mapear a real dimensão das reservas de petróleo a cerca de 580 km da foz do Rio Amazonas.

Leia também: Petrobras amplia ofensiva na Foz do Amazonas e pede ao Ibama licença para explorar mais três poços

instituto é pensado para estudar foz do amazonas
Foz do Amazonas. Imagem: Reprodução/Google Maps

Pedido de licença dos novos poços

Os próximos passos envolvem a análise técnica do Ibama, que avalia os estudos ambientais apresentados pela Petrobras, assim como a realização de possíveis consultas públicas com comunidades locais e também a definição de condicionantes ambientais obrigatórias, como monitoramento da fauna e planos de emergência.

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou explicações ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre os pedidos da Petrobras para perfurar três novos poços exploratórios e realizar outras operações marítimas na Bacia da Foz do Amazonas.

O ofício foi enviado no dia 17 de agosto, segundo o MPF, mesmo dia em que a Petrobras confirmou a descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá.

*Por Josi Paixão, da Rede Amazônica AP

Quem vai pagar a conta da grande seca?

0

Seca e crise hídrica em rios da Amazônia ocorreram em 2024. Foto: Jacqueline Lisboa/WWF-Brasil

Por Olímpio Guarany*

A ciência já não discute apenas a possibilidade de um El Niño em 2026. O fenômeno está estabelecido, ganha intensidade e coloca a Amazônia diante do risco concreto de uma nova grande seca. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informa que o atual episódio teve início em junho. Segundo a mais recente projeção da NOAA divulgada pelo Inmet, há probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte nos próximos trimestres.

Há ainda 69% de chance de que seja o mais intenso registrado desde 1950, com possibilidade de anomalias iguais ou superiores a 2,5°C nas águas do Pacífico. O fenômeno deve persistir, pelo menos, até março de 2027.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A intensidade máxima e seus efeitos ainda carregam incertezas, mas o sinal de alerta está dado. E há um agravante: o El Niño ocorre em um planeta cada vez mais quente. Como resume o pesquisador do Inpe Gilvan Sampaio: “O El Niño potencializa os eventos extremos provocados pelo aquecimento global”.

Diante desse cenário, a pergunta não é apenas meteorológica. É econômica, social e profundamente humana: Quem vai pagar a conta da grande seca?

Quando a seca chega à economia

Pescadores lutam contra efeitos da seca em Tartarugalzinho, no Amapá
Cidade enfrenta a seca pelo 3º ano. Foto: Divulgação/Colônia de pescadores de Tartarugalzinho

Uma grande estiagem na Amazônia não produz apenas consequências ambientais. A redução dos níveis dos rios atinge a agricultura familiar, a pesca, o extrativismo, o transporte fluvial e o abastecimento. Na Amazônia, o rio não é apenas água. É estrada. É alimento. É trabalho. É renda. É vida.

Quando o rio baixa, o barco pode deixar de chegar, o pescado diminui, a produção não é escoada, o alimento fica mais caro e comunidades podem ficar isoladas. Um fenômeno climático rapidamente pode se transformar em crise econômica e social. As secas recentes já mostraram essa realidade. No território indígena Kumaruara, no oeste do Pará, cerca de 1.200 famílias ainda enfrentam consequências das estiagens de 2023 e 2024.

A coordenadora Zenilda Kumaruara resume: “Até agora ainda não conseguimos resolver o problema da água”.

Uma frase simples que revela o tamanho da vulnerabilidade amazônica.

A bioeconomia sob estresse

A bioeconomia é uma das grandes alternativas para um modelo sustentável de desenvolvimento da Amazônia. Mas precisamos perguntar:

Essa bioeconomia está preparada para enfrentar eventos climáticos extremos?

Açaí, cacau, castanha, óleos, frutos amazônicos, pesca e tantas outras cadeias dependem diretamente dos ciclos da natureza.

Sem água, não há produção. Sem rios navegáveis, não há escoamento. Sem planejamento, não há adaptação.

Não basta construir uma bioeconomia sustentável.

É preciso construir uma bioeconomia resiliente.

Quem sofre primeiro?

Como quase sempre acontece nas grandes crises, os mais vulneráveis tendem a pagar primeiro — e mais caro.

Ribeirinhos, agricultores familiares, pescadores artesanais, povos indígenas, comunidades quilombolas, extrativistas e pequenos empreendedores dependem diretamente dos rios, da floresta e das chuvas e, ao mesmo tempo, possuem menos recursos para enfrentar eventos extremos.

Esse talvez seja um dos aspectos mais perversos da crise climática: quem menos contribuiu para produzi-la muitas vezes possui menor capacidade para se proteger de suas consequências.

Não podemos esperar os rios secarem, comunidades ficarem isoladas e a produção desaparecer para somente então começar a agir.

Prevenção precisa acontecer antes da tragédia.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Leia também: A tarifa de Trump e a mentira que esconde o legado de Bolsonaro

O que precisa ser feito?

Os caminhos são conhecidos: segurança hídrica, diversificação da produção, assistência técnica, crédito, proteção da agricultura familiar, tecnologias adaptadas à realidade amazônica, segurança alimentar, planejamento territorial, preparação das Defesas Civis e monitoramento permanente.

No debate sobre o tema, o professor Manoel Ricardo Vilhena, pesquisador da Unifap e consultor da ONU, alerta:

“É urgente que os estados da Amazônia compreendam o impacto severo das mudanças climáticas sobre todas as formas de vida do bioma — da população e cidades à agricultura, fauna e flora. Do contrário, os projetos do presente se tornarão inviáveis e o próprio futuro estará comprometido.”

Não existe uma única medida capaz de proteger a Amazônia de uma grande seca. É necessária uma estratégia envolvendo governos, universidades, centros de pesquisa, setor produtivo, organizações sociais e as próprias comunidades.

A hora de agir é agora

O El Niño de 2026 já é uma realidade. O que ainda não conhecemos por inteiro é a dimensão dos seus impactos sobre a Amazônia.

Mas temos ciência, tecnologia, sistemas de monitoramento, conhecimento acumulado e capacidade de antecipar riscos.

O desafio é transformar conhecimento em decisão e decisão em ação.

E uma pergunta precisa orientar qualquer estratégia:

Se uma grande seca atingir a Amazônia, o que estamos fazendo hoje para proteger quem mais depende dos rios, da floresta e da agricultura familiar?

Prevenção não começa quando a emergência é decretada.

Prevenção começa enquanto ainda temos tempo.

E o tempo de agir é agora.

Quando a grande seca chegar, talvez seja tarde para perguntar quem vai pagar a conta.

Nós já sabemos quem costuma pagar primeiro.

Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). A expedição deu origem ao livro ‘A Nova Conquista da Amazônia’. É apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.

*O conteúdo é responsabilidade do colunista

Embratur e Sebrae definem parceria estratégica para promover o Polo de Gastronomia da Amazônia

0

Foto: Reprodução/Embratur

A Embratur e o Sebrae se reuniram para discutir a importância do projeto Polo Sebrae de Gastronomia da Amazônia. A pauta central abordou a estruturação do turismo gastronômico como ferramenta para diversificar os destinos nacionais. O objetivo é integrar ações do polo às estratégias da Agência na descentralização do turismo brasileiro, com foco no desenvolvimento econômico regional e na atração de turistas por meio da diversidade da culinária nacional.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Sediado em Macapá (AP), o Polo Sebrae de Gastronomia da Amazônia atua como um centro de produção de conhecimento e inteligência voltado para o setor de alimentos e bebidas. Sustentado por premissas como ancestralidade, biodiversidade, e desenvolvimento econômico, social e ambiental, o projeto possui uma governança compartilhada entre os estados da Região Norte e parceiros como São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Embora fisicamente localizado na Amazônia, o polo tem a diretriz de desenvolver pesquisas, soluções e metodologias que possam ser aplicadas a pequenos negócios de todo o Brasil. A reunião aconteceu nesta quinta-feira (13) e contou com a presença do presidente da Embratur, Bruno Reis, da chefe de gabinete da Diretoria de Marketing Internacional, Negócios e Sustentabilidade, Sáskia Lima de Castro, da Coordenadora de Projetos do Sebrae Nacional, Ana Clévia, da Superintendente do Sebrae Amapá, Alcilene Cavalcante,  além de outros representantes da entidade.

Leia também: 6 pratos icônicos para se apaixonar pela culinária do Amazonas

Embratur e Sebrae definem parceria estratégica para promover o Polo de Gastronomia da Amazônia
O foco na culinária regional atua como um diferencial competitivo valioso na vitrine global. Renato Vaz/Embratur

Para o presidente da Agência, o foco na culinária regional atua como um diferencial competitivo valioso na vitrine global. Ele elogiou a apresentação do projeto.

“É um projeto que, de fato, traz iniciativas muito assertivas sobre a gastronomia na Amazônia, que representa o país. Isso é brasilidade, é borogodó, é o nosso soft power. Falar sobre isso, automaticamente é falar de Brasil”, destacou Reis.

Além da Amazônia: metodologia para todos

Uma das iniciativas apresentadas durante a reunião foi o desenvolvimento de um guia de participação em missões internacionais de gastronomia. A ferramenta servirá como um manual direcionador para que profissionais da culinária de todo o país possam expandir suas atuações.

A ideia é que qualquer chef brasileiro que deseje realizar uma missão internacional saiba exatamente quais são os procedimentos, documentações e caminhos de acesso necessários. A entrega deste guia servirá como uma metodologia de nível nacional.

Alcilene Cavalcante reforçou a urgência e a importância do trabalho colaborativo com a Embratur para dar escala à promoção internacional. “O que a gente quer é estar junto com a Embratur para fazer a promoção da gastronomia amazônica e brasileira como uma parte importante do turismo, como ela é”, afirmou a superintendente.

A parceria segue agora para a fase de estruturação técnica e cruzamento de dados de inteligência de mercado, buscando apresentar os produtos e experiências gastronômicos aos turistas internacionais que já demonstram grande interesse pelo Brasil e pela Amazônia.

*Com informações da Embratur

Jovens no Amazonas fortalecem conhecimento e territórios por meio de pesquisas científicas

0

Jovens pesquisadores fortalecem conhecimento e territórios. Foto: Tácio Melo e Acervo PIBIC

Criado para aproximar estudantes da produção científica e contribuir para a formação de novos pesquisadores, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do Instituto Mamirauá oferece aos jovens da região Norte a oportunidade de desenvolver pesquisas com acompanhamento de orientadores e conhecer, na prática, diferentes etapas da ciência. Em Tefé (AM), o programa já tem mais de duas décadas de trajetória e busca também fortalecer a produção de conhecimento sobre a Amazônia a partir do próprio território.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Ao longo de 12 meses, os bolsistas participam de capacitações, desenvolvem pesquisas e apresentam os resultados em seminários. As bolsas contemplam áreas como ciências biológicas, ciências sociais, arqueologia, manejo de recursos e inovação. Nos últimos anos, o programa reúne, em média, de 20 a 25 estudantes por ciclo e já formou ou apoiou mais de 500 alunos.

“Eles viram protagonistas dos seus projetos e é muito satisfatório ver essa evolução deles”, destaca Hilda Chávez, pesquisadora do Instituto Mamirauá e coordenadora do PIBIC.

A experiência também tem reflexos na trajetória acadêmica dos estudantes. Segundo a coordenação, mais de 70% dos bolsistas dão continuidade à formação acadêmica. Alguns participam de publicações científicas, recebem reconhecimento em eventos de iniciação científica e, posteriormente, seguem atuando em pesquisas ou passam a integrar o próprio Instituto Mamirauá. As bolsas são destinadas a estudantes do ensino médio e do ensino superior, nas modalidades Júnior e Sênior.

“Nesse mês, que ocorreu a apresentação final da bolsa, ficamos mais uma vez surpresos com o desempenho dos bolsistas e a contribuição de suas pesquisas para a região, que incluem espécies que não haviam sido identificadas, plantas que não sabíamos que existiam na região do Médio Solimões, entre outras”, explica Jean Quadros, Analista de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Mamirauá e vicecoordenador do PIBIC.

A atuação dos jovens em seus territórios

Além da formação científica, o programa contribui para aproximar o Instituto da população local. Os estudantes também levam para suas comunidades conhecimentos e experiências adquiridos durante as pesquisas, ampliando a compreensão sobre a ciência produzida na região.

Leia também: Espetáculo teatral é inspirado em pesquisa científica sobre colaboração inusitada de tartarugas e borboletas

Jovens pesquisadores fortalecem conhecimento e territórios através de pesquisas científicas na Amazônia
Foto: Tácio Melo e Acervo PIBIC

“O programa PIBIC, além da formação e do fomento para os estudantes, também insere ciência e pesquisa no território desses bolsistas, que acabam integrando esse conhecimento junto do Instituto”, afirma Hilda.

Esse conhecimento também ganha significado dentro das comunidades indígenas. Hiago Marques Cruz, indígena da etnia Cambeba, da aldeia Jaquiri, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, desenvolveu a pesquisa “Fauna parasitária de Osteoglossum bicirrhosum (Aruanã) provenientes da pesca artesanal no Médio Solimões”.

Para ele, levar os resultados da pesquisa para sua comunidade é uma forma de ampliar o conhecimento sobre um recurso importante para a população.

“Esse conhecimento é importante para mim como indígena também, porque há muita ausência de conhecimento na questão da pesquisa. Levar esse novo olhar em relação à pesquisa e também sobre a fauna parasitária para as comunidades, para a minha aldeia, é fundamental, já que a gente utiliza o Aruanã como recurso fundamental na pesca artesanal e também para a nossa alimentação”, afirma Hiago Marques.

Ao incentivar a participação de jovens da região na produção científica, o PIBIC fortalece uma rede de conhecimento que conecta formação acadêmica, pesquisa e território, contribuindo para que novas gerações também sejam protagonistas na construção do conhecimento sobre a Amazônia.

Foto: Tácio Melo e Acervo PIBIC

Para Yasmim Salgado, bolsista do programa, pesquisar a diversidade de borboletas frugívoras em áreas de mangue na Reserva Extrativista Marinha de Soure, no Pará, é também uma forma de valorizar o território onde vive.

“Acredito que a ciência também pode e deve ser feita dentro da nossa própria realidade. Para mim, pesquisar o território é também uma forma de valorizá-lo e mostrar a importância de sua conservação. Quero continuar aprendendo, pesquisando e contribuindo para que a ciência produzida na minha região tenha cada vez mais reconhecimento”, afirma.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por Tácio Melo