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Amigos encontram espada francesa do século 19 por acaso durante banho em rio no Amapá

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Espada francesa. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Uma descoberta surpreendente foi feita no interior do Amapá pelos amigos Rafael Gomes e Jamacel de Jesus. Durante mergulho no rio Calçoene, eles encontraram uma espada francesa do século 19 próximo à ponte das Sete Ilhas.

A dupla encontrou a espada durante um banho de rio, na cidade que fica distante cerca de 356 quilômetros de Macapá.

A espada, que mede 63,5 centímetros de comprimento e tem uma lâmina de 48,5 centímetros, é um exemplar raro da antiga espada curta da infantaria francesa do período de Napoleão Bonaparte, em 1828.

Rafael Gomes, de 39 anos, que é lojista e minerador, contou ao g1 sobre o momento em que encontrou o artefato.

“Nós estávamos no dia de lazer, de banho, vimos próximo à uma pedra, a ponta dela estava para fora e nós desenterramos. Nesse mesmo local já encontramos diversas moedas e até uma rapieira – espada longa usada por mosqueteiros”, disse.

O lojista, ao encontrar a espada, fez uma breve pesquisa para confirmar suas suposições. Ele constatou que se tratava de uma rara antiga espada curta usada em batalhas sangrentas para a disputa de territórios e riquezas.

“Isso é parte da nossa história, sem falar na conservação desse artefato. Está perfeito, é um material duradouro que a gente poder estar expondo em algum local aqui do nosso Estado”, contou.

O Contestado Franco-Brasileiro

De acordo com o historiador Célio Alício, a espada pode ter sido usada durante o período do Contestado Franco-Brasileiro, um conflito territorial que ocorreu entre o Brasil e a França no século 19.

O Contestado Franco-Brasileiro foi um conflito territorial que ocorreu entre o Brasil e a França no século 19. A disputa começou em 1713, quando o Tratado de Utrecht estabeleceu a fronteira entre os domínios portugueses e franceses na América do Sul.

Imagem: Reprodução/ResearchGate

“Esse artefato não deixa de ser algo típico em uma região onde durante mais de 200 anos foi alvo de disputa, política, militar e diplomática, primeiramente entre Portugal e França no começo do século 17, e a partir da independência do Brasil, no século 19 entre França e Brasil, tanto que a partir daí esse episódio passa a ser chamado na França de Contestado Franco-Brasileiro”, contou o historiador.

No entanto, após a independência do Brasil, a França reabriu a questão em 1825, no século 19. Alegando que a fronteira deveria ser estabelecida no rio Amazonas. O conflito se arrastou por décadas, até que os direitos do Brasil foram defendidos no tratado assinado em 1897.

“Essa disputa entre Portugal e França e depois Brasil e França é justamente por uma área com uma terra no extremo norte do Brasil entre o atual Amapá e a Guiana Francesa que muito rica em Minério despertou a cobiça não só de portugueses e franceses mas também de outros países, já visto que além de França e Portugal outros países também incursionaram por essa região em busca das suas riquezas naquele período”, explicou o historiador.

A sentença final do Conselho Federal Suíço, em 1900, definiu que a solução brasileira deveria ser adotada integralmente, estabelecendo o rio Oiapoque como a fronteira entre os dois países.

Registro da História

O historiador destacou ainda que o achado é de grande importância para o registro da história amapaense, e leva a ajudar na compreensão do contexto da disputa por riquezas. A disputa pelas riquezas da região foram custaram a vida de muitas pessoas ao longo de mais de 200 anos.

Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

“Ocasionalmente se encontram restos daquele período, assim como essas espadas e documentos, moedas e outros artefatos, outras coisas, outros objetos daquela época, que demonstram muito bem não somente a realidade dos fatos, o que realmente ocorreu e, contudo, para estudos mais aprofundados, mais detalhados”, finalizou.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Portal Amazônia responde: o que é a Foz do Amazonas?

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Foto: Marcus Cunha/ICMBio

A Foz do Amazonas tem ganhado evidência nos últimos meses por uma série de discussões ambientais. Mas você sabe o que é a Foz do Amazonas? 

A Foz é o local onde um corpo de água fluente, como um rio, desagua em outro ponto, no caso do rio Amazonas por exemplo, ele deságua no Oceano Atlântico. Na altura da ilha do Marajó, no Pará, suas águas entram 200 km no Oceano. É uma área rica em biodiversidade, com recifes de corais e comunidades tradicionais. 

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A Bacia da Foz do Amazonas fica localizada no extremo noroeste da margem equatorial brasileira, e faz fronteira com a Guiana Francesa. Ela abrange o litoral do Estado do Amapá e parte do Estado do Pará.

A Foz tem limite geologicamente com o platô de Demerara, que é uma plataforma continental localizada na margem passiva da Guiana e da França, no Oceano Atlântico Equatorial. A noroeste e faz limite geográfico com a Bacia do Pará-Maranhão a leste.

 Caranguejos-uçá  — Foto: ICMBio/Divulgação
Foto: Divulgação/ICMBio

Recentemente, a Foz do Amazonas tem se tornado um território de disputas e discussões nacionais. Desde 2020 a Petrobras tenta a autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar a exploração da região. Em 2023, o Instituto negou à Petrobras a licença para perfuração na Bacia da Foz do Amazonas.

Saiba mais: A dualidade da exploração de petróleo na Margem Equatorial: o que é e como afeta a Amazônia?

Foto: Inpe

Flora e Fauna 

O local tem uma rica diversidade em sua flora e fauna, como algumas espécies florestais comuns na região: mangue-branco, mangue-vermelho e mangue-negro.

Além de abrigar vários animais que estão ameaçados de extinção, entre eles: gato-do-mato, cuxiú-preto, tartaruga-verde, tamanduá-bandeira, onça-pintada, peixe-boi marinho e peixe-boi-da-Amazônia.

Onça fotografada na Estação Ecológica Maracá-Jipioca, na chamada 'Ilha das Onças-Pintadas', no Amapá — Foto: Girlan Dias/ICMbio
Foto: Girlan Dias/ICMbio

*Com informações do g1 Amapá e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)

11 fatos que tornam a Reserva Florestal Adolfo Ducke importante para a ciência

Foto: Reprodução/Chico Batata

A Reserva Florestal Adolfo Ducke, localizada nos arredores de Manaus (AM), é uma das áreas protegidas mais estudadas da Amazônia.

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Criada em 1963, a reserva tem 10.000 hectares e presta homenagem ao entomologista e botânico Adolfo Ducke.

Confira algumas curiosidades sobre esse importante local de pesquisa:

1. A Reserva é considerada o maior fragmento florestal preservado dentro de uma área urbana no Brasil.

2. Localizada no bairro Cidade de Deus, oferece uma opção de contato e imersão com a natureza.

3. Faz parte da Rede de Pesquisa Ecológica de Longo Prazo (LTER), contribuindo para estudos sobre biodiversidade e fragmentação florestal.

Área verde da Reserva Florestal Adolfo Ducke se destaca no mapa. Foto: Reprodução/Google Maps

4. Contém parcelas de pesquisa permanentes que permitem o monitoramento detalhado da flora e fauna amazônica.

5. Sua localização entre as bacias do Rio Amazonas e Rio Negro permite estudos sobre diferentes ecossistemas e interações ambientais.

6. Devido à sua relativa intocabilidade e proximidade com Manaus, a reserva atrai cientistas do mundo inteiro.

7. O Museu da Amazônia (Musa) ocupa 100 hectares (1 km2) da Reserva Florestal Adolpho Ducke (do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA). Possui exposições interativas e torres de observação para apreciar a biodiversidade da floresta.

Leia também: 7 motivos para conhecer o Museu da Amazônia

Foto: Reprodução/Valter Calheiros

8. As trilhas e transectos em linha reta facilitam estudos sistemáticos de biodiversidade.

9. O Jardim Botânico Adolfo Ducke foi criado em 24 de outubro de 2000 e ocupa 5% da reserva, totalizando 5 km².

10. Suas parcelas de 25 km² estão inseridas em uma grade maior de 64 km².

11. Atualmente o espaço é administrado em parceria com o INPA e a Prefeitura de Manaus.

Arte parintinense perde mestre Jair Mendes, ícone do Festival Folclórico

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Foto: Paulo Sicsú/Divulgação

A arte parintinense perdeu o renomado artista do Festival Folclórico, mestre Jair Mendes. Ele morreu aos 82 anos, no hospital Delphina Aziz, em Manaus (AM).

A morte do artista plástico ocorreu neste sábado (15), às 12h30. De acordo com a família, ele já enfrentava problemas de saúde e estava internado há vários dias.

Legado cultural

Nascido em 12 de junho de 1942 na Ilha Tupinabarana, desde criança já integrava o grupo de brincantes do Boi Bumbá Garantido.

Aos 15 anos, Jair começou a pintar as alegorias do boi, que na época eram feitas com materiais pesados como madeira e cipó, dificultando a performance dos “tripas“.

Em 1978, com 36 anos, Jair revolucionou o Festival ao introduzir o “boi biônico”, uma versão mais leve e articulada do boi-bumbá.

O artista utilizou materiais como espuma e proporcionou movimentos mais realistas ao boi, permitindo que olhos, orelhas, cauda e boca se movessem de forma sincronizada.

Essa inovação encantou o público e elevou o nível artístico do festival, estabelecendo um novo padrão para as apresentações.

Leia também: Festival de Parintins e o impacto da rivalidade histórica dos bois Caprichoso e Garantido

Assim, ao longo de sua carreira, Jair Mendes contribuiu para ambos bois, Garantido e o Caprichoso, tornando-se referência pela habilidade em criar alegorias com movimentos realistas.

Homenagens em vida

Em reconhecimento ao seu legado, o Boi Garantido inaugurou, em abril de 2023, o ‘Espaço Mestre Jair Mendes’ no curral Lindolfo Monteverde, homenageando sua trajetória e influência na cultura parintinense.

Jair também dá seu nome à Medalha do Mérito Cultural na cidade de Parintins. Em 2023 foi homenageado pelo bumbá vermelho e branco durante a apresentação do tema ‘Garantido por toda vida’.

O atual prefeito de Parintins, Mateus Assayag, prestou homenagem ao artista em sua rede social.

“Seu legado permanecerá vivo na história e no coração de todos que celebram e valorizam a cultura amazônica, especialmente entre nossos artistas parintinenses”, afirmou Assayag.

O apresentador do Garantido, Israel Paulain, também prestou condolências.

6 combinações estranhas de alimentos típicas da Colômbia para experimentar

Fotos: Reprodução/ProColombia

Os colombianos têm orgulho de sua culinária e gostam que os visitantes experimentem um pouco de tudo, o que pode significar provar algumas combinações de comidas bem incomuns e talvez estranhas.

Que tal dar a essas combinações culinárias uma chance? Você pode descobrir um novo favorito:

Cachorro-quente e abacaxi

Os colombianos adoram um pouco de junk food, especialmente das barracas de rua que decoram a maioria das cidades colombianas depois do anoitecer. E nada é mais popular do que o humilde cachorro-quente, especialmente porque os colombianos têm um número recorde de molhos para servi-lo.

Entediados com o tradicional ketchup de tomate, maionese, rosé e mostarda, muitos optam pelo surpreendentemente delicioso molho de abacaxi.

Chocolate e queijo

Chocolate e queijo combinam como… eles combinam? Os bons cidadãos da capital da Colômbia parecem pensar assim. Chocolate e queijo são os favoritos tradicionais tanto em Bogotá quanto em outros lugares dos Andes e estão disponíveis em várias formas.

O mais popular é com pedaços de queijo macio mergulhados em uma tigela de chocolate quente fumegante, ideal para uma manhã fria andina. Sanduíches de chocolate e queijo também não são inéditos.

Canja de Galinha e Creme

Se você pensou que chocolate e queijo eram uma combinação estranha de alimentos, espere até ver o que os bogotanos fazem com sua mundialmente famosa sopa.

Esta sopa de frango e batata requer: frango, é claro; três variedades diferentes de batata; erva guascas; espiga de milho; um pouco de arroz; uma fatia de abacate e… creme. Trocar este último por creme de leite ou creme fraiche simplesmente não resolve.

Bandeja Paisa

Muitas combinações estranhas de comida no mesmo prato! Como se você precisasse de mais uma prova de que os colombianos gostam de misturar e combinar quando se trata de cozinhar, não é? Mas vamos considerar a infame bandeja paisa.

Este é certamente um dos pratos mais recheados do mundo, já que combina: carne moída, chouriço, carne de porco frita, ovo frito, morcela, feijão vermelho (cozido com carne de porco), banana-da-terra, arepa, arroz branco, molho hogao, limão e abacate. Sim, você leu corretamente. É tudo isso mesmo!

Ovo e arepa

Do distrito de café amante da bandeja paisa à costa caribenha amante de ovos e arepas. Uma das tradições culinárias é devorar uma tradicional arepa e ovo no seu café da manhã. Este saboroso lanche é basicamente um bolo de milho frito com um ovo frito dentro.

É feito fritando a arepa, ou bolo de milho, até que esteja quase pronto. Em seguida, você faz um pequeno furo e despeja um ovo cru dentro, antes de selá-lo novamente e devolver a arepa à fritadeira.

Leia também: Conheça a arepa, um alimento colombiano tradicional e versátil

Calentado

Calentado significa “aquecido” e agora você provavelmente entendeu que os colombianos não gostam de desperdiçar sua comida.

O calentado é basicamente feito combinando suas sobras, como feijão, arroz, ovos fritos, arepas, carne e chouriço.

Ao contrário da bandeja paisa, onde esses alimentos só compartilham o mesmo prato, o que pode ser misturado, é misturado. Nada faz um colombiano se sentir mais nostálgico do que isso.

*Com informações do Governo da Colômbia

Estudo mostra que indígenas tiveram papel crucial na disseminação da mandioca nas Américas

Foto: Siglia Souza

Os povos indígenas foram fundamentais para a geração de diversidade e dispersão da mandioca no continente americano, muito antes da chegada dos europeus. A conclusão é de um estudo publicado na revista Science no dia 7 de março que revela como se deu a evolução, a disseminação e o grau da diversidade genética da mandioca.

Leia também: Portal Amazônia responde: a mandioca é tóxica?

A pesquisa, conduzida por cientistas da Embrapa e de instituições dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Bolívia e Chile, analisou o genoma de 573 variedades da planta e identificou um forte parentesco genético entre elas. Segundo os pesquisadores, essa conexão foi impulsionada por práticas indígenas como a troca de variedades entre aldeias e a seleção de plantas espontâneas, garantindo a propagação de clones de alta qualidade ao longo dos séculos.

O pesquisador Fábio Freitas, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), um dos autores do estudo, explica que foram analisados os códigos genéticos de amostras de mandioca e de seus parentes silvestres, distribuídos desde os Estados Unidos até o Chile. O objetivo foi traçar um panorama da evolução da diversidade da mandioca no continente.

Amostra arqueológica de mandioca com 2 mil anos

Para isso, os cientistas recorreram a coleções de bancos genéticos, a amostras de exsicatas (parte seca e prensada contendo folhas e flores que identificam uma planta – veja imagem à esquerda) de herbários, variedades tradicionais cultivadas por povos indígenas e até a amostras arqueológicas. “Nós conseguimos sequenciar um leque muito amplo de espécies e variedades, tanto no espaço quanto no tempo. Temos amostras coletadas no ano passado, outras obtidas há mais de 100 anos e até uma amostra arqueológica com 2 mil anos”, destaca Freitas.

Segundo o pesquisador, a mandioca foi domesticada há mais de seis mil anos na borda sul da Amazônia, em uma área que hoje abrange os estados do Acre e de Rondônia. Dali, espalhou-se por todo o continente e além desse. Mas, diferente do que é normalmente encontrado em espécies de propagação sexual por sementes, como o milho, em que é possível identificar linhas evolutivas, para a mandioca isso não foi percebido. No milho as variações genéticas se aprofundam quanto mais distantes geograficamente as amostras estão do seu centro de origem, diferentemente do que foi registrado nesse estudo.

“Na mandioca, toda a diversidade existente entre as diferentes amostras estão mais ou menos espalhadas de forma uniforme, independentemente do quão distantes estão da borda sul da Amazônia, de onde saíram as primeiras populações domesticadas”, ressalta. “É como se todas as plantas fossem parentes muito próximas, muitas das quais como mãe e filha. Por exemplo, comparamos uma amostra coletada em Cuba, em 1904, e constatamos que, geneticamente, ela é filha de outra planta coletada na Amazônia, em 1961. Isso mostra como a dispersão dessa cultura, promovida pelos povos indígenas e, ao mesmo tempo, a manutenção de determinadas variedades geração após geração, foi extremamente eficiente ao longo dos séculos”, explica.

Diversidade genética e cultura indígena

Para entender como isso aconteceu, é preciso conhecer um pouco essa cultura. A mandioca é propagada predominantemente por clonagem, ou seja, novos cultivos são formados a partir de pedaços da planta original, chamados manivas, sem a necessidade de sementes. Isso quer dizer que plantas com o mesmo código genético podem ser cultivadas durante anos. Esse tipo de reprodução traz muitas vantagens, mas poderia levar à perda de diversidade genética pelo acúmulo de mutações deletérias (uma alteração no DNA que pode diminuir a capacidade reprodutiva e de adaptação de um organismo), no entanto, a pesquisa revelou que a mandioca manteve uma variabilidade surpreendente ao longo do tempo.

Isso ocorre porque a mandioca apresentou um nível de heterozigosidade acima do esperado (até mesmo maior do que a espécie silvestre). Isso quer dizer que uma mesma planta pode ter variação genética entre os dois alelos do mesmo gene contidos nos pares de cromossomos homólogos, mesmo sendo clonada. Ou seja, um clone, às vezes pode apresentar a característica herdada pela planta mãe e outras vezes pelo pai. Esse fator funciona como um “buffer” genético, uma espécie de seguro natural que protege a cultura de mutações prejudiciais e a torna mais resistente a mudanças ambientais, como seca, pragas ou solos pobres.

Além disso, práticas tradicionais das comunidades indígenas contribuíram para a preservação e ampliação da diversidade genética da mandioca. Um exemplo disso é a Casa de Kukurro, uma tradição do povo Waurá, habitantes do Território Indigena do Xingu, no estado de Mato Grosso. Parte do ritual consiste em reunir todas as variedades de mandioca em dois montes ou covas a cerca de 40 metros um do outro, acreditando-se que essa prática fortalece a energia das plantas. Na prática, a Casa de Kukurro permite o cruzamento de diferentes variedades, promovendo o surgimento de novas plantas, essas de forma espontânea, por semente, as quais são avaliadas, selecionadas e, se aprovadas, incorporadas na coleção de variedades de mandioca que já possuem.

Na aldeia Ulupuwene, no Alto Xingu, o agricultor Tapaiê Waurá (foto à esquerda) realiza esse ritual sempre que abre um novo campo de cultivo de mandioca. Em 2018, o evento foi registrado pela primeira vez em vídeo pelo pesquisador Fábio Freitas e pelo videomaker Celso Viviani, da produtora Rentalpix. Voltaram à aldeia em 2019 para acompanhar a colheita e a seleção de novas variedades. O material resultou no documentário Casa de Kukurro, disponível no YouTube.

Mais do que um ritual, a Casa de Kukurro representa uma estratégia eficiente de melhoramento genético da mandioca. “Essa tradição do povo Waurá funciona como um banco genético que permite não apenas a conservação das variedades que já possuem, mas também estimula o surgimento de novas variedades e a ampliação da diversidade da cultura no local. Os povos tradicionais multiplicam e selecionam novos materiais, mantendo aqueles que apresentam características agronômicas, culturais e nutricionais de interesse para a aldeia”, explica Freitas.

Esforço histórico de coleta garante resultados

Os resultados do estudo só foram possíveis graças a um esforço histórico da pesquisa agropecuária na coleta e análise de amostras de espécies silvestres do gênero Manihot e de variedades da espécie cultivada. O sequenciamento de 573 genomas foi viabilizado pela ampla diversidade das coleções de mandioca da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, da Embrapa Cerrados e da Embrapa Mandioca e Fruticultura, que reúnem plantas de diversas procedências geográficas e coletadas ao longo de um extenso período.

“Diversos pesquisadores e técnicos trabalharam e ainda pesquisam há décadas esse gênero, que hoje é preservado em bancos de conservação (foto abaixo) espalhados por diferentes Unidades da Embrapa, além de coleções de DNA e herbários”, conta Freitas. O herbário da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, por exemplo, abriga a maior coleção de amostras de parentes silvestres da mandioca.

Na visão do pesquisador, o aprofundamento do estudo sobre a história evolutiva e a diversidade da mandioca permitirá compreender melhor suas características e, assim, aprimorar estratégias de conservação e melhoramento da espécie.

Câmara fria da Embrapa Mandioca e Fruticultura, onde plantas de mandioca são conservadas e utilizadas em pesquisas de melhoramento genético Foto: Léa Cunha

Pesquisa abre novas perspectivas para o melhoramento genético da mandioca

A diversidade presente nos bancos de sementes do solo e a seleção de variedades espontâneas têm sido fundamentais para gerar novos genótipos (indivíduos que, após cruzamentos, podem se tornar variedades).

“O estudo demonstrou que o cultivo tradicional da mandioca pode fornecer informações valiosas para o desenvolvimento de novos clones superiores e abre amplas possibilidades para a seleção de combinações parentais que maximizem a variância e a média de atributos agronômicos importantes”, explica Éder Jorge de Oliveira, pesquisador e melhorista da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), centro que contribuiu com dados genéticos de sua coleção de trabalho e com análises prévias da diversidade da mandioca.

A ênfase na diversidade genética também pode ser essencial para enfrentar desafios emergentes, como a vassoura de bruxa, recentemente identificada no estado do Amapá. “A conservação de genótipos geneticamente diversificados pode facilitar a identificação de genes de resistência, permitindo o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes a essa e outras ameaças”, explica Oliveira.

A Embrapa Cerrados, por sua vez, levou ao estudo materiais provenientes cultivados e preservados há gerações por comunidades da região do Cerrado, além de acessos de melhoramento genético com características distintas, como variações na cor da polpa e da raiz, resistência a pragas e doenças, diferenças nos teores de ácido cianídrico e variedades de mandioca açucarada, entre outras.

“A ideia era que, com essa base, pudéssemos estudar a diversidade genética da mandioca de forma mais ampla”, destacou o pesquisador Eduardo Alano, que também assina o artigo. 

Alano faz parte da equipe que atua no programa de melhoramento genético da mandioca para as condições do Cerrado brasileiro e tem como base genética o banco de germoplasma da Unidade, que atualmente conta com 300 acessos representativos da diversidade genética da cultura no bioma. “Para o estudo, buscamos fazer uma amostragem da melhor forma possível para representar a diversidade genética do nosso banco de germoplasma”, explicou.

Para ele, os resultados obtidos são extremamente valiosos, pois permitem avanços mais rápidos no programa de melhoramento genético. “Esse conhecimento nos ajuda a entender o passado, compreender o presente e projetar o futuro da cultura da mandioca. Esse tipo de trabalho é essencial para isso”, ressaltou. 

Povos indígenas foram fundamentais para a geração da diversidade que atualmente encontramos na mandioca. Foto: Celso Viviani

Você comeria um clone?

A resposta é sim! Todos os dias, consumimos clones sem perceber. Mas esqueça os filmes de ficção científica ou a novela O Clone, da Rede Globo. Na ciência, um clone nada mais é do que uma cópia genética exata de um organismo, ou seja, um ser vivo com o mesmo DNA do original.

Foto: Léa Cunha

A clonagem é extremamente comum no reino vegetal. Muitas espécies, como batata, banana, abacaxi e mandioca, são cultivadas a partir de pedaços de suas próprias estruturas, como caules ou raízes. No caso da mandioca, planta-se um pedaço do caule, a maniva (foto à direita), de onde nascem novas plantas geneticamente idênticas à original.

Essa reprodução por clonagem tem vantagens para a agricultura, pois garante uma produção padronizada e previsível. No entanto, a falta de diversidade genética pode ser um risco: se todas as plantas forem idênticas, uma doença ou outra condição adversa pode devastar uma plantação inteira.

A mandioca, no entanto, desafia essa lógica. O estudo publicado na Science demonstrou que essa cultura manteve uma diversidade genética surpreendente graças ao seu alto grau de heterozigosidade. Isso significa que, mesmo sendo clonada, a mandioca possui diferentes alelos em seus genes em cada planta, tornando-a mais resistente a doenças, pragas e variações ambientais.

Saiba mais no artigo ‘Historic manioc genomes illuminate maintenance of diversity under long-lived clonal cultivation‘.

19 Instituições de oito países participaram do estudo:

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Vídeo: Puma é avistado no Parque Nacional Serra do Divisor em Loreto, no Peru

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A conservação de puma em áreas como o Parque Sierra del Divisor é vital para manter a saúde do ecossistema amazônico. Foto: Reprodução/Sernanp

Durante um exercício de monitoramento de rotina da flora e fauna no Parque Nacional Serra do Divisor (PNSDV), na região de Loreto, no Peru, um puma ou onça-parda (Puma concolor) foi avistado no setor Cashioya, refletindo a rica biodiversidade deste ecossistema amazônico.

Leia também: Conheça a onça-parda, o segundo maior felino do Brasil

Capturado em vídeo e fotografias pelos guardas florestais, este momento reflete o trabalho duro e marca um avanço significativo nos esforços de conservação do parque.

“Foi um momento mágico que reafirma nossa missão de proteger este ambiente natural “, disse Erick Gutiérrez Holguín, um dos guardas do parque.

Este não é o primeiro registro desta espécie. Em 2023, sua presença foi registrada em diversas áreas durante o monitoramento biológico. Em 2024, armadilhas fotográficas em zonas de regeneração no setor Callería documentaram tanto o puma quanto a onça-pintada (Panthera onca), destacando a necessidade de proteger áreas degradadas.

Leia também: Armadilhas fotográficas são amplamente usadas para monitorar a biodiversidade da Amazônia

Predador de topo

A presença do puma, como predador de topo, é um indicador do estado de conservação do parque, que se mantém em 99,97%, dados que refletem os esforços contínuos das autoridades ambientais.

Este registro simboliza o comprometimento coletivo dos guardas florestais, que trabalham para proteger esse patrimônio natural.

“Isso nos motiva a continuar trabalhando para conservar a biodiversidade, demonstrando que nossos esforços estão dando frutos”, acrescentou Gutiérrez.

*Com informações da Agência Andina

Irlanda anuncia doação de R$ 91 milhões ao Fundo Amazônia

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A Irlanda anunciou, no dia 12 de março, que doará 15 milhões de euros (o equivalente a cerca de R$ 91 milhões) ao Fundo Amazônia nos próximos três anos. O anúncio ocorreu em São Paulo, durante reunião entre a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o ministro dos Transportes irlandês, Seán Canney. Ao efetivar a contribuição, a Irlanda se juntará ao grupo de países doadores, que passará a ter oito membros.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Fundo Amazônia?

De acordo com a ministra Marina Silva, o Fundo Amazônia é referência em mecanismos financeiros voltados ao enfrentamento do desmatamento e da mudança do clima.

“É um fundo de recursos não retornáveis, com ações nas agendas de combate à criminalidade e investimento em pesquisa e projetos inovadores de desenvolvimento. Tudo isso faz a diferença, porque o que nós queremos é um novo ciclo de prosperidade, sobretudo no contexto de agravamento da mudança do clima”, destacou.

A ministra afirmou ainda que a adesão da Irlanda ao Fundo Amazônia reforça o reconhecimento internacional dos esforços do Brasil na área ambiental.

“O importante apoio da Irlanda representa um reconhecimento dos bons resultados alcançados pelo Brasil no combate ao desmatamento, e permitirá ao país avançar ainda mais nesta agenda e no enfrentamento à mudança do clima”, complementou.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, se encontrou, em São Paulo, com a embaixadora da Irlanda no Brasil, Fiona Flood, e com o ministro dos Transportes irlandês, Seán Canney. Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Mudança do clima

Em um ano considerado decisivo para as ações de combate à mudança do clima no Brasil, com a realização da COP30, que acontece em novembro em Belém (PA), a adesão da Irlanda reforça a estratégia brasileira com a retomada do Fundo Amazônia, após a recomposição de seu Comitê Orientador pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro dia do atual governo. Apenas em 2024, foram internalizados no Fundo Amazônia cerca de R$1 bilhão em doações contratadas em 2023 e 2024, de seis diferentes países.

“A doação da Irlanda ao Fundo Amazônia é um reconhecimento internacional da efetividade do Brasil no combate ao desmatamento e na promoção do desenvolvimento sustentável”, avaliou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

“Esse importante aporte reforça nossa capacidade de financiar iniciativas que protegem a floresta, fortalecem comunidades e impulsionam a bioeconomia. O BNDES, como gestor do fundo, continuará trabalhando para ampliar os impactos positivos dessa iniciativa e atrair novos parceiros comprometidos com a preservação ambiental e o enfrentamento da crise climática”, pontuou.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre economia verde e bioeconomia?

Fundo Amazônia

Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil (BNDES) sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Fundo é a maior iniciativa mundial para a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+) e um dos principais instrumentos de execução da política ambiental e climática brasileira.

O mecanismo de financiamento ambiental tem como objetivo arrecadar doações para investimentos não reembolsáveis em iniciativas voltadas à prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de promover a conservação e o uso sustentável da Amazônia Legal. Também apoia o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento em outras regiões do Brasil e em países tropicais.

O Fundo Amazônia tem em sua carteira 123 projetos apoiados, no valor total de R$3,1 bilhões, sendo mais de R$200 milhões somente em 2024. Sete países já realizaram doações ao Fundo: Noruega, Alemanha, EUA, Reino Unido, Dinamarca, Suíça e Japão, além da Petrobras, superando R$4,5 bilhões em contribuições ao longo dos 16 anos de atuação. A Irlanda se juntará ao grupo.

*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Estudo identifica principais refúgios para onças-pintadas na Amazônia

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Foto: Divulgação/Centro de Instrução de Guerra na Selva

Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) mostra que áreas protegidas da Floresta Amazônica são o principal refúgio para as onças-pintadas. Os pesquisadores mapearam populações de onça-pintadas em 22 áreas protegidas da Amazônia, por meio de 40 câmeras instaladas em parques nacionais, reservas extrativistas e terras indígenas no Brasil, Equador, Peru e Colômbia.

Leia também: Conheça a ‘Ilha das Onças-Pintadas’: região que ajuda na conservação da espécie na Amazônia

As áreas monitoradas foram escolhidas a fim de garantir a representatividade de todos os tipos de ecossistemas amazônicos, como florestas de terra firme, igapós e várzeas, em diferentes altitudes, médias de temperatura e níveis de pressão humana.

Segundo o artigo, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, registrou uma concentração de quase dez onças por 100 quilômetros quadrados, totalizando 1.180 fotografados, sendo a maior concentração da espécie encontrada na área de estudo, com um índice comparável aos registrados no Pantanal, que concentra uma média de doze onças por 100 quilômetros quadrados.

O estudo também buscou entender a relação entre os tipos de floresta e a população de onças. De acordo com as imagens capturadas, a espécie habita com mais frequência as áreas de várzea, que concentram maior quantidade de alimentos e facilitam a locomoção.

Os cientistas indicam que locais com grande presença de humanos forçam as onças a percorrerem áreas maiores, a fim de garantirem o acesso a quantidades adequadas de alimento.

Os pesquisadores ressaltam a importância da destinação das chamadas “florestas públicas não destinadas” como parte da proteção das onças. Hoje, essas terras somam 56,6 milhões de hectares, mesma área da Espanha. Elas aguardam pela definição de uso e vêm sofrendo cada vez mais com a grilagem.

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia revela que, entre 2019 e 2021, cerca de 51% do desmatamento ocorreu em terras públicas, sendo as florestas públicas não destinadas as mais atingidas.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

Terra Indígena Wajãpi: a resistência na floresta do Amapá

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Povo Wajãpi protestando contra PL 490, que visa liberar mineração em terras indígenas. Foto: Apina

No Amapá, entre os municípios de Pedra Branca do Amapari e Laranjal do Jari, está localizada a Terra Indígena Wajãpi (TIW). O território é marcado por inúmeras riquezas naturais e pela resistência de seu povo.

Com uma extensão de 6.070,17 km² (607.017,24 hectares), a área é delimitada pelas bacias dos rios Jari, Amapari e Oiapoque, integrando o complexo das Montanhas do Tumucumaque.

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Os grupos indígenas que vivem na região mantêm práticas de subsistência baseadas na agricultura, caça, pesca e coleta, mudando periodicamente a localização de suas comunidades para permitir a regeneração ambiental das áreas ocupadas.

História e Demarcação

De acordo com o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), a ocupação tradicional da região pelos Wajãpi remonta a séculos, mas o processo formal de reconhecimento e demarcação da terra iniciou-se apenas nos anos 1970, com sua delimitação formal ocorrendo em 1980.

A homologação definitiva foi realizada em 1996, após um processo de demarcação que contou com intensa participação dos próprios indígenas.

A iniciativa foi coordenada pela Fundação Nacional do Índio (Funai), com o apoio da Agência de Cooperação Alemã (GTZ) e do Centro de Trabalho Indigenista (CTI).

Fotos: Mário Vilela/Funai

Segundo o livro ‘Terra Indígena Wajãpi da demarcação às experiências de gestão territorial’, também do Iepé, no local podem ser encontrados árvores de copaíbas em ampla distribuição, mas dispersas. Segundo os Wajãpi, existem três tipos: a branca, vermelha e a negra com diferenças significativas na produção.

Desafios e Ameaças

Apesar de sua rica cultura e resistência, os Wajãpi enfrentam constantes desafios. A TIW é rica em recursos minerais, como ouro e ferro, o que atrai o interesse de empresas de mineração e garimpeiros.

Para proteger seu território, os Wajãpi já participaram inclusive das manifestações contra o PL 490, que visa liberar mineração em terras indígenas.

O povo tem sido historicamente assediado por essas atividades, que ameaçam tanto o meio ambiente quanto o modo de vida tradicional das comunidades.

Fotos: Mário Vilela/Funai

O acesso às aldeias é feito por estradas, rios, igarapés e trilhas na floresta. Por isso, para manter a qualidade de vida e garantir a vigilância territorial, os Wajãpi apostam na ocupação dispersa do território.

Esse modelo não só assegura a subsistência em padrões considerados adequados pelo próprio povo, como também fortalece a proteção de seu espaço sagrado.

*Com informações do Iepé e ISA