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Governo Federal destina R$ 70 milhões para enfrentamento à seca em terras indígenas

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Foto: Alex Pazuello/Secom AM

O governo federal anunciou recentemente a liberação de um crédito extraordinário de R$ 938,4 milhões  para o combate à extrema crise climática que tem afetado diversos estados brasileiros. Deste montante, R$ 70 milhões serão direcionados à saúde indígena, em uma tentativa de minimizar os impactos da seca e da estiagem que castigam várias comunidades indígenas e, consequentemente, dificultam o trabalho das equipes dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis).

Segundo informações do Departamento de Gestão da Saúde Indígena (DGESI), R$ 57 milhões do recurso serão alocados para fortalecer a logística e a locomoção dos distritos sanitários mais atingidos pela estiagem. Os R$ 13 milhões restantes serão investidos em ações de saneamento, incluindo a distribuição de água potável e a aquisição de filtros de barro.

Impactos da seca

De acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Brasil enfrenta um dos períodos mais críticos de seca das últimas décadas. Em junho e julho deste ano, o Monitor de Secas revelou um agravamento da situação em mais de 15 estados.

Um exemplo desse cenário alarmante pôde ser observado durante uma missão recente da Sala de Situação Nacional de Emergências Climáticas em Saúde, coordenada pelo Departamento de Emergências em Saúde Pública (DEMSP) do Ministério da Saúde.

A equipe visitou a aldeia Yawa, localizada na Terra Indígena do Parque do Tumucumaque, no norte do país. Neste local, com a baixa do Rio Marapi, bancos de areia e inúmeras pedras dificultam drasticamente a navegação. Trechos que antes eram percorridos em menos de duas horas, agora exigem mais de cinco horas de deslocamento.

*Com informações do Ministério da Saúde

Bacia do Rio Amazonas deve permanecer com cotas críticas até dezembro

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Foto: Divulgação/SGB

A Amazônia enfrenta uma seca severa histórica e os rios, da margem direita, poderão permanecer com níveis críticos até dezembro, quando as chuvas devem se consolidar e provocar subidas mais constantes nas estações monitoradas. Essa foi a projeção apresentada, na quinta-feira (31), pela diretora de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Alice Castilho.

De acordo com a diretora, nas próximas semanas, os rios devem ter variações e novas mínimas podem ser registradas. “Nos próximos dias vamos ter situações diferentes em cada uma das estações porque é uma bacia muito grande e depois, ao longo do mês de dezembro a gente vai começar a verificar a elevação do nível dos rios”.

As projeções indicam que o Negro pode ficar abaixo dos 16 m em Manaus (AM) até a segunda quinzena de dezembro. Essa foi a marca considerada como crítica considerando a cota mínima de segurança definida pelas autoridades locais para a Praia de Ponta Negra. Nesta sexta-feira (1), foi registrada nova mínima histórica na estação: 12,13 m – a cota mais baixa dos últimos 122 anos. “O nível em Manaus (AM) ainda está diminuindo”, analisou Alice Castilho.

Em Óbidos (PA), o Rio Amazonas pode ficar abaixo de 1 m até dezembro. A cota atual é de: -1,20 m. Na estação de Porto Velho (RO), o Rio Madeira deve ficar abaixo dos 3 m até a segunda quinzena de novembro. A última cota registrada na estação foi de 77 cm. Em outubro, o Madeira registrou a mínima histórica de 19 cm na capital de Rondônia. Essa foi a marca mais baixa desde 1967, ou seja, em 57 anos. As análises consideram os anos mais críticos da história como referência.

Novos municípios atendidos por projeções sobre a seca

O SGB ampliou o número de estações atendidas pelas projeções para a estiagem. Além de gerar informações sobre os rios Negro em Manaus (AM), e Solimões em Tabatinga (AM) e Manacapuru (AM), passam a ser contempladas estações de Itacoatiara (AM) e Óbidos (PA), no Rio Amazonas.

Nos boletins de monitoramento hidrológico, o SGB informa por meio de gráficos e dados o prognóstico do tempo necessário para a recuperação dos níveis dos rios.

*Com informações do SGB

Expoferr Show 2024 consolida calendário de eventos ‘agro’ na Amazônia

Sustentabilidade, negócios e entretenimento impulsionaram a 43º edição da Expoferr Show 2024. Em números, a Exposição-feira Agropecuária de Roraima cresceu 30% em relação ao ano anterior. 

Para além das apresentações musicais de artistas locais e nacionais, a Expoferr tem leilões diários, rodeios e vaqueirada. Em 2024, o evento foi realizado no Parque de Exposição Dandãezinho, com uma estrutura montada de mais de 93 mil m². 

De acordo com o secretário da Secretaria de Agricultura Desenvolvimento e Inovação de Roraima (Seadi), Márcio Grangeiro, a economia criativa proporciona uma forma de conexão entre as pessoas.

Foto: Divulgação

Ao longo dos dias 5 e 9 de novembro, milhares de pessoas passaram pelo Dandãezinho. Só no primeiro dia, foram cerca de 40 mil. A expectativa é que meio milhões de pessoas passem nos cinco dias de evento.

Ações educativas

No decorrer do evento, algumas ações educativas voltadas para o trânsito fizeram parte da feira. Na cobertura jornalística realizada pelo AmazonSat, o presidente do Detran Roraima, Gueres Mesquita pontuou,

Ele acrescentou também que o departamento de trânsito contou com o apoio da Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal.

Leilões

Foto: Reprodução/Amazon Sat

A Expoferr também contou com a realização de leilões de animais, com destaque para a venda de gados das raças Nelore e Tabapuã, além de equinos. Ao todo, foram leiloados 151 animais em quatro leilões.

Crescimento do evento 

Quem explica sobre o crescimento do evento de 30% em relação ao ano anterior é o secretário de Comunicação Social, Weber Negreiros:

Vitrine do agronegócio

Negreiros também afirmou que a Expoferr Show é uma oportunidade para firmar parcerias e fechar negócios e explica como o evento fomenta a cadeia econômica de Roraima:

Shows

Uma das partes mais aguardadas dentro da programação foram as atrações nacionais do evento. Este ano a Expoferr contou com shows de:

  • Dia 5 – Jads e Jadson
  • Dia 6 – Henry Freitas
  • Dia 7 – Iguinho e Lulinha
  • Dia 8 – Naiara Azevedo
  • Dia 9 – Flávio José

Vale ressaltar, também, que o espaço contou com a realização de rodeios, corridas de cavalo, exposições de negócios, além de vários espaços gastronômicos para a população do estado de Roraima.

Expoferr Show

O maior evento da agroindústria roraimense é realizado em uma área com mais de 90 mil m² de infraestrutura para shows nacionais, leilões, rodeios, vaquejadas, gastronomia, palco cultural, arena de conhecimento, palestras, mostras de maquinários agrícolas, rodadas de negócios, sustentabilidade, inovação, entre outras atividades que potencializam a produtividade regional. Em sua 43ª edição, a Expoferr Show acontece no Parque de Exposição Dandãezinho, em Boa Vista. 

Filhos de antes e filhos de agora

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

O encontro é profissional, mas a conversa inicial é sobre os desafios de cada um com filhos pequenos. São pais na faixa dos quarenta anos ou um pouco mais. Um por um relata a sua rotina, como pais ou como mães, na tentativa de equilibrar a vida profissional e a de pais. Observei que ninguém comentou sobre os papeis de marido ou mulher, que parecem ter sido colocados em um plano bem secundário.

As agendas são muito parecidas e eles se divertem ao perceber isso. Durante a semana, creches ou escolas, trabalho fora ou em home office, hora do jantar, hora da brincadeira, músicas infantis que são sempre as mesmas, filminhos na TV, que numa fase, também são sempre os mesmos, até que é hora de botar um para dormir e fazer sossegar o maiorzinho, que está mais elétrico do que em qualquer outra hora do dia. Depois de um tempo, crianças de um lado e pais desmaiados do outro. O primeiro sono ainda na cama das crianças, para depois irem mortos para o seu quarto. Ainda vão acordar no meio da noite, quando um dos filhos corre para a cama dos pais, como faz toda noite. No final de semana, a agenda está cheia, pois a programação também tem como prioridade as crianças. Parquinhos, festinhas e uma série de lugares para os pequenos conhecerem. As férias são para as crianças, naturalmente.

Observo com admiração estes novos pais e é inevitável a comparação com a época em que eu tinha filhas pequenas. O contraste é grande. Primeiro, éramos pais mais jovens e não tínhamos tantos cuidados como recebem as crianças de hoje, na média, com pais mais velhos.

Já não tão forte quanto na época dos meus pais, mas, na minha geração ainda havia uma separação nítida de responsabilidades entre homens e mulheres, mesmo que elas já trabalhassem fora, no caso, em jornada dupla. Na maioria dos casos, ainda valia a máxima: “o homem vai à caça e a mulher cuida da prole”. Havia a dona da casa e o chefe da casa. Para algumas coisas, mandava ela, para outras, era ele. Havia outras distorções, como a autoridade sobre o uso do dinheiro, as desigualdades nas relações, etc. Muita coisa era diferente de hoje. Mas o que chama minha atenção é o novo poder das crianças. Elas estão no centro e no topo da hierarquia, talvez mais do que nunca.

Voltando a agenda de final de semana, lembro que as minhas filhas nos acompanhavam e a agenda era nossa, dos pais. Seja para lazer, seja para uma atividade necessária, levávamos as nossas filhas. Às vezes, em um sábado à noite, elas podiam sair já dormindo de uma pizzaria, carregadas no colo, depois de um encontro com os nossos amigos. Nossos, não delas. Na programação do dia seguinte podíamos decidir ir à praia ou a piscina e lá estariam elas, sem problemas, sem stress, sem traumas (será que eles existem?).

Olhando sob este prisma, não era uma situação confortável para as crianças, mas elas eram educadas a não serem o centro. Pai e mãe eram pais e filhos eram filhos. Os primeiros a serem servidos eram os mais velhos e os filhos vinham depois. Era um tipo de educação que valorizava a ordem e servia para outras situações na vida, no trabalho, nos relacionamentos, no dia a dia.

Se antes os pais já davam o máximo, os de agora vão ainda além. A nova divisão de trabalho, talvez tenha aumentado a carga de todos e a “nova criança” é mais exigente. Algumas podem acostumar-se a receber e a sentir como um direito adquirido, sem desenvolver gratidão ou sentimento de queres ser útil (já podemos encontrar por aí alguns crescidinhos com estas características), sempre insatisfeitos.

Os pais de hoje talvez sejam mais generosos, mais preocupados com o bem-estar dos filhos. Mas bem-estar não significa felicidade. Educar uma pessoa para ser feliz envolve pelo duas características que são muito mais fáceis de desenvolver na infância: o modelo mental da gratidão e o modelo mental do altruísmo. Desejo que os novos pais não se esqueçam disso. Vale para os filhos de antes e para os filhos de agora. Ah, e que não esqueçam dos papéis de marido e de mulher. Nunca é demais lembrar de onde vieram os filhinhos.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Armadilhas usadas na floresta para estudos que podem ajudar até na saúde humana

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Por Flávio Terassini – ticksman@gmail.com

Com muito entusiasmo, embarquei numa expedição pela Amazônia para pesquisar espécies nativas e aprofundar os conhecimentos sobre doenças tropicais que afetam tanto a fauna quanto a população local. Com o apoio da USP e autorização do IBAMA, nossa equipe se aventurou por trilhas densas, rios caudalosos e clareiras misteriosas, sempre com olhos atentos e equipamentos prontos para registrar cada descoberta.

Nosso foco principal estava na investigação de doenças como o mal de Chagas e a febre maculosa, enfermidades que ainda desafiam a ciência devido à sua complexidade e à forma como se espalham pelo ambiente. Essas doenças estão diretamente ligadas a vetores, como insetos e aracnídeos, que habitam os recantos mais isolados e, muitas vezes, pouco explorados da floresta. Por isso, a pesquisa exigiu uma combinação de biologia de campo e metodologias rigorosas para coleta e estudo de espécies.

Para coletar dados e amostras de forma eficiente, montei armadilhas com diferentes métodos, desde iscas aromáticas até redes finas, destinadas a capturar insetos e aracnídeos sem lhes causar qualquer dano. Esse trabalho de campo é desafiador e, ao mesmo tempo, recompensador, pois a cada armadilha montada, a expectativa cresce: “O que será que vamos encontrar desta vez?”

Entre os encontros mais marcantes e até, digamos, impressionantes, destaco as famosas aranhas-caranguejeiras, ícones da biodiversidade amazônica. Esses animais, com suas patas longas e movimentos precisos, parecem intimidantes à primeira vista, mas têm um papel vital nos ecossistemas locais. As caranguejeiras atuam como predadoras, controlando a população de pequenos invertebrados e até alguns vertebrados, ajudando a manter o equilíbrio natural.

Diferentemente do que muitos imaginam, as aranhas-caranguejeiras da Amazônia são, na maior parte, inofensivas para os seres humanos. Seu veneno não é letal para nós, mas é essencial para caçar e digerir suas presas, como insetos e pequenos anfíbios. Curiosamente, algumas espécies de caranguejeiras que encontrei ao longo da expedição mostraram comportamentos únicos, como a habilidade de liberar cerdas urticantes de suas pernas como mecanismo de defesa, que podem causar irritação na pele e nos olhos de possíveis predadores ou curiosos descuidados.

A observação de uma caranguejeira em seu habitat natural é uma experiência que envolve uma mistura de respeito e fascínio. Esses aracnídeos se movimentam lentamente, mas, ao mesmo tempo, revelam uma postura de prontidão e agilidade. Suas cores variam do marrom escuro ao preto, com alguns reflexos brilhantes que destacam sua presença na floresta úmida e cheia de mistérios. Em uma noite particularmente silenciosa, enquanto revisava uma armadilha montada ao pé de uma árvore centenária, deparei-me com uma caranguejeira de tamanho notável. Sua calma era impressionante; parecia observar o entorno com uma espécie de curiosidade meticulosa, como se analisasse a intrusão humana com a mesma atenção que eu aplicava ao estudá-la.

No final, a expedição pela Amazônia foi uma experiência não só científica, mas também pessoal, pois permitiu um contato direto com a natureza em seu estado mais puro e um entendimento mais profundo do delicado equilíbrio entre fauna e flora que compõem esse bioma essencial para o planeta.

Sobre o autor

Ticksman é o Flávio Aparecido Terassini, biólogo, professor universitário desde 2006, mestre em Ciências pela USP e doutorando pelo Bionorte.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Biomédico no Pará cria estratégia humanizada para reduzir medo da coleta de sangue

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Foto: Divulgação/Agência Pará

Ninguém gosta de agulhas, é fato. Mas esse medo que acomete até mesmo adultos, pode ser ainda mais acentuado em crianças e adolescentes e gerar ansiedade e desconforto, e até fobias por alguma situação traumática, a chamada aicmofobia. 

A insegurança pode ser ainda maior na hora de fazer o exame de coleta de sangue, por diversos motivos, como a associação a alguma situação que causou dor, aversão ao sangue ou até mesmo à agulha.

Para tornar esse momento menos angustiante para os pacientes, o biomédico da Agência Transfusional do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, Matheus Bernades, desenvolveu uma estratégia humanizada, capinhas de seringa em formato de avião.

Foto: Divulgação/ Agência Pará

Matheus conta que a ideia surgiu após observar que muitos pacientes sentem temor ao ver o sangue na seringa na hora de coleta de sangue, por isso, resolveu testar o protótipo com o intuito de amenizar o momento de tensão.

Coleta de sangue é bastante comum em pacientes oncológicos

O biomédico acredita que a abordagem lúdica ajuda a tornar o processo de coleta mais leve e menos traumático.

Foto: Divulgação/Agência Pará

“O formato de avião distrai a criança durante a coleta de sangue e exames ambulatoriais, somado a isso sempre é bom explicar o motivo do procedimento, que será apenas uma picadinha no braço e que vai durar pouco tempo. A aceitação tem sido muito positiva, principalmente porque a abordagem lúdica ajuda a distraí-los, tornando o momento  menos estressante.”

Ana Lúcia Silva, 35 anos, mãe da Ana Maria Sampaio, 11 anos, aprovou a iniciativa.

A menina está em tratamento contra um Sarcoma de Ewing, um tipo de tumor raro que se desenvolve nos ossos e nos tecidos moles ao redor deles.

Foto: Divulgação/Agência Pará

A  iniciativa do biomédico associada à atuação de profissionais experientes, têm conseguido promover um ambiente mais acolhedor no Hospital, é o que percebe, por exemplo, a dona de casa, Andreza Oliveira, de 32 anos. Ela acompanhava o filho, Wesley Oliveira. 

“Muito bom pensar nos pequenos durante um momento bem complicado”.

“Meu filho faz bastante coletas no hospital. Quando ele não está bem comparecemos na Unidade de Atendimento Imediato. Então, tudo o que o hospital fizer no sentido de acolher nossos filhos, é super bem-vindo”, disse a mãe Andreza Oliveira.

*Com informações da Agência Pará

Professora do Tocantins realiza doutorado nos EUA sobre Bumba Meu Boi

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Foto: Reprodução/Iphan

A professora Luana Mara Pereira, docente do curso de Licenciatura em Educação do Campo – Artes, vinculado ao Centro de Educação, Humanidades e Saúde (CEHS) da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), deu início a uma nova etapa em sua trajetória acadêmica. Ela chegou à Rice University, no Texas (EUA), onde realizará seu Doutorado Sanduíche com o apoio de uma bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Foto: Luana Mara Pereira/Acervo pessoal

Luana terá como orientadores o professor Luiz Alberto Couceiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Programa de Pós-Graduação em História (PPGHis) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e o professor Dr. Daniel B. Domingues da Silva, da Rice University. Sob a supervisão dos pesquisadores, ela desenvolverá a pesquisa intitulada ‘O corpo brincante do ‘miolo’: espiritualidade, relações de poder e modos de existência no Bumba Meu Boi do Maranhão numa perspectiva afro-atlântica’.

A pesquisa aborda as práticas culturais e a espiritualidade presente no Bumba Meu Boi do Maranhão, explorando o papel e a simbologia do “miolo” — figura central e carregada de significados espirituais e de resistência — dentro dessa tradição afro-brasileira.

O estudo também pretende aprofundar a compreensão das relações de poder e dos modos de existência que permeiam essa manifestação cultural, situando-a numa perspectiva afro-atlântica que transcende as fronteiras do Brasil.

*Com informações da UFNT

Empresários do turismo da Venezuela e Guiana participam da Expoferr

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Foto: Divulgação/Ascom Secult RR 

A 43ª Exposição Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr) conta, em 2024, com a participação de uma comitiva de empresários venezuelanos que trabalham com turismo na região da Gran Sabana, no estado de Bolívar, na Venezuela, e da região de Lethem, na Guiana, na fronteira com o Brasil. Essa é a segunda vez que guianenses e venezuelanos participam de evento para promoção do turismo no Brasil. A primeira vez foi no Salão Internacional de Turismo de Roraima, em abril desse ano.

Leia também: Lethem: cidade da Guiana oferece muito mais que compras baratas

Os empresários venezuelanos foram convidados pelo diretor do Detur (Departamento de Turismo) da Secult (Secretaria de Cultura e Turismo), Bruno Muniz de Brito, para apresentar aos brasileiros as belezas de Gran Sabana no estande para divulgação do turismo local.  A região é famosa por suas paisagens deslumbrantes, com uma biodiversidade rica e uma cultura vibrante, além das imponentes montanhas, cachoeiras e a fauna única atraem turistas de diversas partes do mundo.

Para Bruno, a participação dos empresários na Expoferr representa um passo significativo para a recuperação do setor, promovendo a integração entre Brasil, Venezuela e Guiana, fortalecendo os laços que podem levar a um futuro mais próspero para o turismo na fronteira dos dois países.

Foto: Divulgação/Ascom Secult RR 

Liderados pela secretária de Turismo de Bolívar, Keyla Penãlver, eles buscam a retomada do fluxo de turistas brasileiros na Venezuela. A vinda dos empresários é fruto do encontro empresarial fronteiriço realizado em Santa Elena nos dias 8 e 9 de outubro, onde foram discutidas estratégias de revitalização do turismo na Gran Sabana.

No evento, Bruno se reuniu com o governador de Bolívar, Ángel Marcano, como forma de firmar compromissos para fortalecer a colaboração entre os dois lados da fronteira, com ênfase em garantir a segurança dos viajantes.

O encontro em Santa Elena foi marcado por um diálogo produtivo buscando iniciativas que aumentem o fluxo de turistas com garantia de segurança. O governador Angel Marcano garantiu na ocasião, a segurança de todos os turistas brasileiros que viajem para a Venezuela, que segundo ele é uma das prioridades para a retomada da visitação dos brasileiros.

Lá se encontra o principal atrativo turísticos local, o Monte Roraima, que somente é acessado do lado venezuelano. Isso tem contribuído para a presença de empresas brasileiras na região, crucial para o desenvolvimento do turismo, oferecendo serviços que não apenas atraem visitantes, mas também geram renda e oportunidades para as comunidades locais.

Guiana

A região do Rupununi, onde fica localizada a cidade de Lethen mantém fortes características similares com o estado de Roraima, possuindo atrativos no segmento do etnoturismo, turismo de aventura e de natureza, que está se fortalecendo como destino turístico viável na fronteira.

Na terra dos Guajajara, mudas amazônicas oferecem esperança para os rios que secam

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Espécies nativas da Floresta Amazônica, como o buriti, plantadas ao longo das margens das nascentes na Terra Indígena Rio Pindaré. Foto: Ana Ionova/Mongabay

Sob o dossel esmeralda da Floresta Amazônica, Janaína Guajajara olha para uma poça de água turva, pouco maior do que uma banheira. Ao longo de suas margens, delicadas mudas de buriti brotavam do solo.

A pequena piscina, escondida em um pedaço de floresta na Terra Indígena Rio Pindaré, no Maranhão, é na verdade uma parte crucial de um sistema de água muito maior nessa região. Quase invisível para o olho destreinado, ela forma um filete de água que passa serpenteando por nós a caminho do Rio Pindaré, a alguns quilômetros dali, sendo parte das nascentes que abastecem o rio na floresta.

Para o povo Guajajara, que vive aqui há séculos, essas nascentes têm um significado mais profundo. “Elas são sagradas”, diz Arlete Guajajara, líder indígena da reserva do Rio Pindaré. “Elas pertencem aos espíritos de nossos ancestrais. É aqui que eles vão descansar.”

Os rios e córregos alimentados por essas nascentes são essenciais para a sobrevivência dos Guajajara. Eles dependem dessas águas para pescar, beber e se banhar. É também onde realizam rituais como a celebração da Menina Moça, um importante rito de passagem que marca o início da vida adulta para as mulheres Guajajara.

Mas esses corpos d’água estão ameaçados, pois a agricultura engole a floresta ao redor e traz chuvas mais fracas, estações secas mais longas e temperaturas mais altas. No ano passado, os níveis de água dos rios, aqui e em outros lugares da Amazônia, caíram a níveis historicamente baixos em meio a uma seca severa que os cientistas associaram ao desmatamento e às mudanças climáticas.

Nesse cenário, a preservação das nascentes que alimentam os rios se tornou ainda mais urgente para o povo Guajajara. Em 2018, eles se embrenharam na floresta tropical em uma tentativa de localizar e mapear essas nascentes. Os idosos da aldeia lideraram as expedições, reconstituindo as lembranças perdidas de onde elas costumavam estar. Quando as encontraram, muitas das nascentes estavam reduzidas a meras poças.

“Sabíamos que tínhamos que fazer alguma coisa”, diz Arlete Guajajara. “Não podíamos simplesmente deixá-las desaparecer.”

Então, no ano passado, o povo Guajajara escolheu uma das nascentes como um modelo de teste. Na esperança de reverter décadas de destruição da floresta em suas terras, eles plantaram espécies nativas da Amazônia — como buriti, pupunha e açaí — ao longo de suas margens.

Em vez de usar sementes, os Guajajara vasculharam a floresta tropical coletando mudas saudáveis que haviam se enraizado em outros lugares, transplantando-as para as nascentes. “Fizemos isso de maneira tradicional, como os anciãos nos ensinaram”, diz Arlete.

A comunidade indígena espera que as plantas novas possam evitar que as nascentes sequem, fortalecendo o solo ao redor delas. Os cientistas dizem que o plantio em torno das nascentes pode evitar a erosão e ajudar o solo a absorver mais chuva, reabastecendo as reservas de água subterrânea. À medida que as árvores amadurecem, elas liberam volumes cada vez maiores de umidade no ar ao seu redor, ajudando a regular o clima nessa área da floresta tropical.

“É uma alegria imensa, não apenas para nossos anciãos e nossos ancestrais, mas para todo o nosso território”, diz Janaína. “Quando plantamos, estamos recuperando tudo o que nos foi tirado.”

Legado de destruição

Nas profundezas da floresta tropical, não há sinal da seca que assola os campos de soja empoeirados que se estendem por quilômetros além da reserva do Rio Pindaré. Aqui, o ar é pegajoso e úmido. Os insetos se movem em densos enxames e os animais se agitam no mato. O arroz, a mandioca e a banana crescem em abundância ao lado de espécies florestais como o açaí.

A Terra Indígena Rio Pindaré se estende por cerca de 15 mil hectares no município de Bom Jardim, no Maranhão. Sob proteção federal desde 1982, está localizada em um corredor ecológico composto por sete reservas, algumas delas habitadas por povos indígenas que vivem em isolamento voluntário.

Após décadas de destruição, a maior parte da floresta tropical ao redor foi devastada pela agricultura em larga escala. No entanto, apesar das frequentes incursões de forasteiros ao longo dos anos, o Rio Pindaré continua sendo uma ilha de floresta tropical, intacta apesar da voracidade do desenvolvimento econômico.

Imagem de satélite mostra a área de floresta preservada dentro da Terra Indígena Rio Pindaré. Imagem: Reprodução/Mongabay

“Esta é a última floresta aqui”, diz um funcionário da Funai, que pediu para não ter seu nome revelado porque não está autorizado a falar com a mídia. “E os povos indígenas dependem dela. É por isso que é tão importante protegê-la.”

Essa área da Amazônia brasileira era praticamente isolada até algumas décadas atrás, quando o regime militar — que chegou ao poder nos anos 60 – pressionou para povoá-lo como forma de garantir sua soberania. Chamando-a de “terra sem homens para homens sem terra”, o regime distribuiu lotes a milhares de migrantes de outras partes do Brasil e, nas duas décadas seguintes, construiu uma série de estradas que cortam a floresta.

Um desses projetos foi a BR-316, uma rodovia federal de 2 mil quilômetros que corta a TI Rio Pindaré ao meio. A estrada abriu o acesso à floresta como nunca antes, atraindo madeireiros ilegais que agora podiam explorar as terras do povo Guajajara em busca de árvores com alto valor der mercado;

“O impacto foi enorme”, diz Caroline Yoshida, consultora técnica do ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza), uma organização sem fins lucrativos que trabalha com grupos indígenas na região. “Porque a estrada corta bem o meio da terra deles. Com isso, a caça selvagem diminuiu e a pressão em seu território aumentou.”

Na década de 1980, a construção da Estrada de Ferro Carajás, que se estende por 891 quilômetros da capital do Maranhão até o estado vizinho do Pará, intensificou ainda mais a onda de migração e criou uma nova fronteira de desmatamento na região. Em pouco tempo, surgiram pólos madeireiros em torno do Rio Pindaré.

Nas últimas décadas, as incursões no Rio Pindaré continuaram, com colonos de aldeias precárias do outro lado do rio invadindo regularmente o território para caçar e pescar ilegalmente, de acordo com os indígenas e as autoridades.

Enquanto isso, além do território, a monocultura tomou conta de grandes áreas da região. A soja, o milho e o gado impulsionam a economia local, com o apoio inabalável de políticos poderosos e grupos de lobby.

Com o recuo da vegetação nativa, os povos indígenas estão sentindo a pressão, pois as florestas, os rios e as nascentes em seus próprios territórios estão cada vez mais secos, diz Yoshida.

“Eles estão reflorestando para que possam manter essas nascentes, para que elas não morram dentro do território”, diz ela. “Para que não percam essa riqueza.”

Um tesouro ameaçado

As nascentes são importantes tanto por sua função especial no ciclo da água quanto pela natureza frágil que as torna vulneráveis a choques climáticos como a seca.

Essas nascentes se formam quando os reservatórios de água subterrânea emergem para a superfície do solo, criando pequenas correntes de água. Os afluentes viajam rio abaixo para se juntar a outros, formando córregos e rios maiores. Em todo o Brasil, há cerca de 1,8 milhão de nascentes espalhadas por todos os biomas, segundo estimativas do IBGE.

No entanto, na Floresta Amazônica, uma crise hídrica cada vez mais intensa está colocando as nascentes em risco. Estudos mostram que, em toda essa região do Brasil, a estação seca anual se tornou cerca de um mês mais longa nos últimos cinquenta anos. Quando as chuvas finalmente chegam, é comum que sejam escassas e irregulares, trazendo pouco alívio para a estiagem.

Com o avanço da monocultura no Maranhão, os ciclos de chuva foram interrompidos e os rios e córregos começaram a secar. Parte da única floresta tropical remanescente do estado fica em um grupo de terras indígenas, onde vive o povo Guajajara. Foto: Ana Ionova/Mongabay

Em meio a condições climáticas mais secas, menos precipitação está se infiltrando nos reservatórios subterrâneos sob as nascentes, e algumas dessas nascentes cruciais estão diminuindo. O que é bem preocupante:, os pesquisadores ainda não sabem se — e como — essas nascentes podem ser restauradas quando secarem completamente.

“Quando você perde um corpo d’água, pode levar dezenas ou até centenas de anos para se recuperar”, diz Victor Salviati, superintendente de inovação da Fundação para a Sustentabilidade da Amazônia (FAS), organização sem fins lucrativos que desenvolveu projetos semelhantes de restauração florestal no estado do Amazonas.

Isso se deve ao fato de que restaurar a rica biodiversidade e o delicado equilíbrio ecológico das fontes de água que secaram é um processo longo e complexo, explica Salviati. “Com a seca que temos agora na Amazônia, é difícil esperar 50 a 60 anos para recuperar uma nascente. Portanto, é melhor preservar e proteger as que temos.”

Plantar espécies nativas ao longo das margens das nascentes — restaurando o que é conhecido como mata ciliar — também é uma forma importante de fortalecer o solo e evitar a erosão, de acordo com Salviati. “Quando a chuva cai e você tem um solo saudável, ele pode filtrar a água da chuva e devolvê-la ao córrego ou rio, de forma natural”, diz ele.

Enquanto isso, os cientistas afirmam que a restauração de florestas nativas, no Brasil e em outros países, representa uma das melhores esperanças do planeta para mitigar a mudança climática, tanto local quanto globalmente. Pesquisas também sugerem que essas florestas restauradas podem ajudar a regular as chuvas e evitar que rios importantes sequem.

Nesse cenário, a restauração das áreas ao redor das nascentes, que alimentam rios importantes em toda a Amazônia, é uma parte crucial da batalha para conter as interrupções do ciclo hidrológico, de acordo com Salviati. “Qualquer iniciativa para proteger as nascentes e restaurar a floresta ao redor delas: esse é o melhor investimento que podemos fazer.”

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Ana Ionova com tradução de Carol De Marchi e André Cherri

Estudante representa o Amapá com projeto ‘Biojoias da Amazônia’ nos EUA

Foto: Luan Macedo/Seed AP

A amapaense Maria Eduarda Costa Silva, de 17 anos, estudante da Escola Estadual Antônio Lima Neto, localizada em Macapá, vai representar o Amapá nos Estados Unidos da América (EUA) em janeiro e fevereiro de 2025, através do programa ‘Jovens Embaixadores 2024’ com o projeto ‘Biojoias da Amazônia‘.

O programa vai levar 30 jovens de todo o Brasil em um intercâmbio cultural, percorrendo locais como o distrito de Columbia, Flórida, Oklahoma e Ohio.

A jovem amapaense leva o projeto em que são utilizados materiais sustentáveis provenientes da Amazônia, com resíduos sólidos e orgânicos.

Estudante vai representar o Amapá no exterior, entre 30 estudantes do Brasil. Foto: Luan Macedo/Seed AP

Maria contou ainda que a oportunidade é uma porta para o seu sonho de ser acadêmica de relações internacionais e uma embaixadora no Brasil .

Os jovens participantes foram selecionados por possuírem projetos que se destacam nas comunidades, e a partir do bom desempenho acadêmico.

No caso de Maria Eduarda, ela passou por um processo de seleção, que buscava jovens envolvidos em projetos sociais com foco na sustentabilidade e preservação ambiental tendo como referência a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que acontece em Belém do Pará em 2025.

O programa é incentivado pelo Governo do Amapá, Departamento de Estado norte-americano e coordenado pela Embaixada Brasileira que arcam com as despesas e investimentos financeiros.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP