O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e o embaixador do Peru, Rómulo Acurio, assinaram no dia 5 de novembro um acordo que firma o compromisso da abertura de mercado de maçã do Brasil ao Peru e de citros do Peru ao Brasil.
Até o momento, o Peru importava maçã apenas do Chile, sendo o Brasil o segundo país acessar esse mercado promissor.
“A boa relação comercial, e o presidente Lula fala isso todos os dias, é aquela que a gente vende e que também compra. Então, esse ato hoje nos mostra isso, que estamos sim vendendo nossos produtos, mas também comprando produtos peruanos”, iniciou o ministro Fávaro.
O embaixador Rómulo classificou o dia como histórico. “Faz três anos que o Brasil e o Peru não conseguiam assinar um acordo para acesso de produtos. Estamos muito felizes e agradecidos”, disse.
Após o ato de assinatura, o ministro conversou com toda delegação peruana sobre as relações entre os dois países. Um dos assuntos foi sobre o Porto Chancay, construído pelo Governo Chinês no Peru e que também irá gerar oportunidades de escoação da produção brasileira.
Foto: Divulgação
Atualmente, o Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina. Entre os principais produtos exportados estão soja, milho, açúcar, carne bovina, carne de frango, celulose, algodão e carne suína in natura.
“O Brasil que tem um grande volume de exportação para a Ásia, em especial para China, usa a rota via atlântico, que é muito mais longe. Essa conexão direta com a China irá ser benéfica para agilizarmos as exportações de produtos do agro brasileiro”, pontuou Fávaro.
O embaixador peruano ainda relatou ao ministro Carlos Fávaro que os dados que ele teve é que, nos sete primeiros meses deste ano, o comércio pelo Porto de Tabatinga foram maiores que os últimos 6 anos, e que com o Porto Chancay essas exportações devem melhorar ainda mais.
*Com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária
Uma pesquisa publicada nesta sexta-feira (08/11) na revista Nature Geoscience desvenda uma importante peça do quebra-cabeça que busca explicar a formação de chuvas na Amazônia, uma das regiões mais influentes no clima global. Segundo o estudo, a floresta é capaz de produzir sozinha aerossóis que, induzidos pela própria chuva, desencadeiam um processo de novas formações de nuvens e precipitação, influenciando assim o ciclo de água, o clima e o balanço energético da Terra.
O trabalho mostra que, com a chuva, há um aumento na concentração de ozônio que oxida moléculas naturalmente liberadas por gases exalados pela floresta, os chamados compostos volatéis orgânicos, especialmente terpenos. A oxidação produz novas partículas muito pequenas logo acima do topo das árvores, em uma espécie de explosão de nanopartículas (menores que 40 nanômetros). Essas partículas, por sua vez, dão origem a núcleos de condensação que levam novamente à formação de nuvens mesmo em condições de ar puro na estação chuvosa.
A descoberta abre novas perspectivas nas complexas interações químico-atmosféricas, meteorológicas e dos ciclos de retroalimentação que os cientistas chamam de “oceano verde”, isto é, a capacidade da Amazônia de gerar seu próprio ciclo de nuvens e chuva de forma semelhante ao oceano. Até então, acreditava-se que a floresta não conseguia produzir esses aerossóis, e a hipótese era de que eles vinham de altitudes maiores.
Para que haja chuva, além de vapores d’água, são necessárias partículas atmosféricas que atuem como núcleos de condensação, ou seja, superfícies onde o vapor pode se transformar em gotículas. No entanto, a origem desse processo na Amazônia ainda era pouco compreendida, principalmente durante a estação chuvosa.
Agora, uma equipe internacional, com pesquisadores do Brasil, Alemanha e Suécia, analisou um extenso conjunto de vários tipos de dados do Observatório de Torre Alta da Amazônia, ATTO na sigla em inglês, para mostrar esse processo. Estão incluídas informações meteorológicas, de gases, entre outras.
“É uma simbiose que ocorre em todo o processo. A chuva por um lado limpa a atmosfera, reduzindo o número de partículas. Porém, ao mesmo tempo inicia um processo de formação de novas partículas que vão crescer e servir como núcleo de condensação para a próxima chuva”, explica à Agência FAPESP o professor Luiz Augusto Toledo Machado, autor correspondente do artigo, pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e colaborador do Departamento de Química do Instituto Max Planck, na Alemanha.
Esquema descreve processos que ocorrem durante os eventos de chuva, mostrando concentrações de ozônio, compostos voláteis orgânicos e partículas antes e depois da taxa máxima de precipitação, durante a noite e no início da manhã do dia seguinte (crédito: Luiz Machado et al./Nature Geoscience)
A FAPESP apoia o trabalho por meio de dois Projetos Temáticos vinculados ao Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) – um deles liderado por Machado e outro pelo professor Paulo Artaxo, também do Instituto de Física da USP e coautor do artigo.
No estudo, os pesquisadores descobriram que, após a chuva, as concentrações de partículas são mais altas próximas ao topo das árvores (dossel), indicando que elas são formadas dentro da floresta. Esse processo persiste na estação chuvosa, que normalmente ocorre de dezembro a maio, indicando formação contínua de partículas dentro do dossel e de uma nova população de partículas.
“Nossas descobertas marcam uma mudança de paradigma no entendimento das interações entre partículas de aerossol, nuvens e precipitação na Amazônia. Essas interações são críticas para compreender alterações no balanço radiativo da Terra, especialmente à medida que as mudanças climáticas influenciam a circulação atmosférica, como os eventos de El Niño e La Niña”, diz Ulrich Pöschl, diretor do Departamento de Química do Instituto Max Planck, também coautor do trabalho, em comunicado da instituição.
Segundo os cientistas, esses resultados são essenciais para entender como mudanças nos padrões climáticos amazônicos podem afetar não só o clima global, mas a estabilidade ecológica.
Quadro atual
O Brasil vive neste ano uma das piores secas da história, atingindo vários Estados. Na Amazônia Legal, cerca de 69% dos municípios foram afetados em algum grau nos primeiros seis meses, superando o mesmo período de 2023. Foram 531 cidades das 772 da região, segundo levantamento do InfoAmazônia com base no Índice Integrado de Seca, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Impulsionada pelo El Niño, a crise climática também tem afetado os rios amazônicos, que vêm registrando os níveis mais baixos, deixando ilhadas populações ribeirinhas e afetando abastecimento e transporte. De acordo com o Serviço Geológico Brasileiro (SGB), a seca ainda pode agravar essa situação até dezembro – Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas aponta que a tendência é que o rio Negro tenha “repiquetes” até o último mês e volte a subir só em janeiro. Já o rio Acre, por exemplo, teve mínima histórica de 1,23 metro em Rio Branco no final de setembro.
Por outro lado, apesar de o desmatamento na Amazônia ter caído cerca de 30,6% entre agosto de 2023 e julho deste ano comparado a agosto de 2022 e julho de 2023 (ficou em 6.288 km² ante 9.064 km²), segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a degradação da floresta, principalmente pelas queimadas, aumentou.
Segundo Machado, o desmatamento e a degradação têm impactos importantes no ciclo de chuvas da Amazônia. “Para haver os gases que formam as partículas, é preciso ter a floresta. Sem árvores e sem vapor na atmosfera, não há partículas, reduzindo ainda mais as chuvas.”
Com base nos dados do ATTO, o grupo conseguiu mostrar como a precipitação pode desencadear a formação de novas partículas no dossel da floresta. Localizado no meio da Amazônia, na Reserva Biológica de Uatumã, a cerca de 150 km ao norte de Manaus, o ATTO é administrado conjuntamente por cientistas do Brasil e da Alemanha. Tem uma torre com 325 metros de altura e outras duas de 80 metros.
Construção da ciência
Em 2016, o grupo já havia encontrado formação de novas partículas no topo da troposfera em torno de 14 km de altura, embora ainda não tivesse entendido o processo de formação e seu papel no clima. Um novo artigo está sendo preparado apresentando essas explicações.
Para descrever como essas partículas eram produzidas, os cientistas fizeram um experimento de campo, que chamaram de CAFE-Brazil, sigla em inglês para ‘Chemistry of the Atmosphere: Field Experiment in Brazil‘. “Em 2023, fizemos essas grandes quantidades de medida e chegamos a descrever todo o processo de como se formam as partículas lá em cima”, completa Machado.
Para as futuras pesquisas, apontam a necessidade de experimentos em câmaras no nível do dossel das árvores para controlar a concentração de ozônio e entender melhor sua influência na formação das partículas envolvidas na chuva.
A taxa oficial de desmatamento na Amazônia é de 6.288 km² para o período de agosto de 2023 a julho de 2024, segundo estimativa do sistema Prodes, do Inpe, divulgada no dia 06 de novembro. O resultado representa redução de 30,63% em relação ao período anterior, de agosto de 2022 a julho de 2023, e é a maior queda percentual em 15 anos.
Já no Cerrado, a taxa oficial de desmatamento para o período é de 8.174 km², a menor desde 2019. Houve queda de 25,7% em relação ao período de agosto de 2023 a julho de 2024, a primeira redução em cinco anos no bioma.
Os dados foram anunciados na última quarta-feira 6 de novembro, em ato no Palácio do Planalto, em que também foi assinado o pacto para para a prevenção e controle do desmatamento e de incêndios no Cerrado com os estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (Matopiba). A meta do governo federal é desmatamento zero em todos os biomas do país até 2030.
O Prodes usa imagens de satélites mais precisas (de 10 a 30 metros) do que as usadas em outro sistema do Inpe, o Deter, que emite alertas diários para apoiar a fiscalização em campo realizada por Ibama e ICMBio.
Com o resultado, houve uma redução nas emissões de gases de efeito estufa de 400,8 milhões de toneladas de CO2e por desmatamento na Amazônia e Cerrado em relação ao ciclo 2021/22.
Na Amazônia, o desmatamento caiu 45,7% nos últimos dois anos, após redução para 9.064 km² de agosto de 2022 a julho de 2023 — período que incluía cinco meses do governo anterior e sete da atual gestão. É a primeira vez desde o biênio 2004/2005 e 2005/2006 que há quedas consecutivas maiores que 25%.
De agosto de 2023 a julho de 2024, 78% dos 70 municípios considerados prioritários pelo MMA registraram queda do desmatamento. Em relação aos Estados, as maiores quedas foram em Rondônia (62,5%), no Mato Grosso (45,1%), no Amazonas (29%) e no Pará (28,4%). Apenas Roraima registrou aumento (53,5%).
No Cerrado, 76,4% do desmatamento ocorreu nos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A região, conhecida como Matopiba, concentra o desmatamento no bioma.
Os quatro estados registraram queda da área desmatada entre agosto de 2023 e julho de 2024, na comparação com o período imediatamente anterior. Na Bahia, a redução foi de 63,3%, seguida por 15,1% no Maranhão, 10,1% no Piauí e 9,6% no Tocantins.
Também nesta quinta, foi assinado um pacto entre o governo federal e os governadores do Matopiba para reforçar a ação conjunta na prevenção e combate ao desmatamento e aos incêndios no estado da região, resultado de trabalho iniciado em março com reunião liderada pelo ministro Rui Costa no Palácio do Planalto.
Entre outros objetivos, a parceria busca aumentar a atuação coletiva para identificar e aplicar sanções ao desmatamento ilegal em imóveis rurais da região, além de aprimorar as regras e processos para garantir transparência, compartilhamento de informações e formulação de estratégia para a conservação da água e dos ativos florestais de vegetação nativa nos diferentes ecossistemas do Cerrado no Matopiba.
A queda registrada pelo Prodes desde 2023 é resultado, dentre outras ações, da intensificação das ações de comando e controle nos dois biomas. De janeiro de 2023 a outubro de 2024, a média de autos de infração aplicadas pelo Ibama por infrações contra a flora na Amazônia foi 98% maior que a registrada de janeiro de 2019 a dezembro de 2022. No Cerrado, o aumento foi de 20% ao ano.
A redução reflete também a retomada da governança ambiental, com a retomada dos Planos de Ação Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, em junho do ano passado, e no Cerrado, em novembro.
Entre as ações no eixo de Atividades Produtivas Sustentáveis do plano destacam-se a adesão de 48 municípios prioritários ao Programa União com Municípios, que prevê investimentos de R$ 770 milhões para promover o desenvolvimento sustentável e combater o desmatamento e incêndios florestais; a criação da Estratégia Nacional de Bioeconomia; a ampliação de concessões florestais; a instituição do Programa de Aquisição de Alimentos e do Programa Cozinha Solidária; a retomada do Bolsa Verde, entre outras iniciativas.
No eixo de Monitoramento e Controle, além da retomada das ações de fiscalização do Ibama e do ICMBio, inclusive remotas, houve 73 ações civis públicas para reparação de danos ambientais na Amazônia; desintrusão das TIs Alto Rio Guamá (PA), Apyterewa (PA), Trincheira/Bacajá (PA), Yanomami (AM/RR) e Karipuna (RO); combate ao garimpo ilegal; e autorização de concurso público para Ibama, ICMBio, Funai, MMA e Inpe, entre outras medidas.
No eixo de Ordenamento Territorial e Fundiário, a Câmara Técnica de Destinação de Terras Públicas Federais Rurais foi reinstalada, e houve indicação de destinação de 13 milhões de hectares para a criação de unidades de conservação, concessões florestais e reconhecimento de territórios de povos e comunidades tradicionais.
Também foram homologados 810 mil hectares de terras indígenas e criados 304,4 mil hectares em unidades de conservação. Outras medidas incluem a criação de nova modalidade de reconhecimento de territórios de povos e comunidades tradicionais em áreas de florestas públicas federais não destinadas na Amazônia Legal e o lançamento do Programa Terra da Gente.
Já no eixo de Instrumentos Financeiros e Normativos foi retomado o Fundo Amazônia, com doações contratadas de R$ 1,4 bilhão, além de promessas que somam R$ 3,1 bilhões. Houve a retomada do Bolsa Verde; o Plano Safra como indutor de agricultura de baixo carbono (R$ 364 bilhões), com bônus de 1% na taxa de juros para CAR validado, a adoção de tecnologias sustentáveis e a restrição de crédito rural para CAR suspenso, com embargos e imóveis sobrepostos a TIs, UCs e Florestas Públicas Não Destinadas (Resolução nº 5081/23 do CMN). Também foi implementada a nota fiscal do ouro como ativo financeiro para combater o garimpo ilegal, entre outras medidas.
*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA)
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou os programas voltados ao apoio e desenvolvimento da agricultura familiar durante a Feira Agropecuária de Roraima, a Expoferr. A exposição é organizada pelo governo do estado de Roraima, por meio da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação.
Um representante da Conab fez uma palestra sobre as Compras Institucionais, uma modalidade do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) utilizada para a aquisição de produtos da agricultura familiar, destinados ao atendimento de demandas de gêneros alimentícios e materiais de propagação vegetativa por órgãos compradores, além de possibilitar a doação aos beneficiário. A palestra foi realizada na tenda do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural de Roraima (Iater).
Os destaques apresentados durante a feira incluem o PAA, na modalidade de Compra com Doação Simultânea (CDS), que auxilia na comercialização de produtos da agricultura familiar. Por meio desse programa, o governo adquire a produção dos agricultores familiares com projetos aprovados, e esses entregam os alimentos diretamente para as entidades beneficiárias, como escolas, bancos de alimentos e cozinhas solidárias.
Foto: Reprodução/Governo de Roraima
Também foi divulgado o Programa de Venda em Balcão (ProVB), voltado a pequenos criadores de animais, que tem por objetivo viabilizar o acesso dos criadores rurais de pequeno porte aos estoques públicos de produtos agrícolas, por meio da venda direta, a preços compatíveis com os do mercado atacadista local. A Conab destacou ainda a atuação da estatal na Ação de Distribuição de Alimentos (ADA), na logística de armazenagem e nos levantamentos das safra de grãos, café e cana-de-açúcar, que contêm avaliações das principais culturas agrícolas em todo o país.
A Expoferr Show é considerada a maior exposição agropecuária de Roraima e traz as mais recentes inovações e tecnologias do setor agropecuário, com novidades em equipamentos, insumos e métodos de produção. Para esta edição, espera-se um público de cerca de 550 mil pessoas visitantes, com participação de mais de 300 expositores presentes. O evento tem como missão não apenas promover novos negócios, mas também contribuir para a economia regional, abrindo oportunidades e fortalecendo o desenvolvimento do estado.
O Governo Federal dará início, no dia 9 de novembro, à operação de desintrusão da Terra Indígena Munduruku (TIMU), localizada nos municípios de Jacareacanga e Itaituba, no estado do Pará. A ação visa remover invasores que realizam extração ilegal de ouro e garantir que o território permaneça exclusivamente com os 9.257 indígenas dos povos Munduruku, Isolados do Alto Tapajós e Apiaká.
Nos últimos anos, a área sofreu grandes danos devido ao garimpo ilegal. A TIMU foi priorizada para desintrusão por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709.
Coordenada pela Casa Civil, a operação envolve 20 órgãos federais, entre eles a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), demonstrando o amplo esforço do Governo Federal para proteger os direitos indígenas e o meio ambiente.
Entre os órgãos participantes estão: Casa Civil, Secretaria-Geral da Presidência da República, Secretaria de Comunicação Social (Secom), Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ministério da Defesa, Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Ministério dos Povos Indígenas, Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Ministério do Trabalho e Emprego, Estado-Maior das Forças Armadas, Funai, Ibama, Polícia Federal, Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Também haverá a participação de agências reguladoras federais que vão atuar na fiscalização.
O objetivo da desintrusão é garantir que os direitos da população indígena ao seu território sejam respeitados, preservando seus costumes, línguas, crenças e tradições. Além disso, a operação visa proteger as riquezas naturais da região, como fauna, flora, rios e minérios, fundamentais para a vida e cultura dos povos indígenas.
A força-tarefa atuará para garantir que a lei seja cumprida, removendo invasores e ocupações ilegais da Terra Munduruku, homologada em 25 de fevereiro de 2004. Essa ação reflete o compromisso do Governo Federal em proteger a Amazônia e os direitos dos povos originários.
*Com informações da Secretaria de Comunicação da Presidência da República
O grupo Ecoguardiões, da Região Norte do Brasil, levou o prêmio de melhor projeto de combate à desinformação sobre mudanças climáticas no Hackaton Pop. A premiação foi entregue no dia 7 pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante cerimônia na 21ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), realizada no Museu Nacional da República, em Brasília..
O grupo vencedor, composto por estudantes do 1º ano do ensino médio da Escola Estadual Eliana Socorro Pacheco Braga, em Manaus (AM), desenvolveu um jogo digital em que um tucano chamado A missão de Supi (“Verdade”, na língua indígena Nheengatu) combate notícias mentirosas na Reserva Florestal Adolpho Ducke, onde eles moram.
“Na luta contra a desinformação, na luta para que a verdade sobressaia, a ciência tem se mostrado essencial. Por isso nós promovemos a semana nacional e por isso estamos promovendo essa competição. Então, nós precisamos de vocês, a próxima geração, para defender com unhas e dentes o futuro”, afirmou a ministra Luciana Santos.
Foto: Luara Baggi/MCTI
Nesta edição, o tema foi “Combate à Desinformação sobre Mudanças do Clima: promovendo a integridade da informação”. Este é o segundo Hackaton Pop organizado pelo MCTI e o primeiro em âmbito nacional.
Divididos em cinco grupos de três a cinco alunos e um professor cada, 27 estudantes estruturaram soluções para a resolução de problemas identificados em suas realidades sociais. Os projetos foram analisados por representantes das organizações apoiadoras e ministérios parceiros.
Cada grupo de alunos, que cursam entre o 8º ano do ensino fundamental e o ensino médio da rede pública de ensino, representa uma região do país. O grupo da Região Norte é de Manaus (AM), do Nordeste é de São José de Ribamar (MA), do Sul é de Campo Belo do Sul (SC), do Sudeste é de Campinas (SP) e do Centro-Oeste é de Inhumas (GO).
O Hackaton Pop é organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SPDIGI) e Ministério da Educação (MEC). A atividade contou com apoio do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA), Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), da Secretaria-Geral da Presidência da República, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Instituto Vero e Instituto Alana.
O jogo
O jogo A Missão de Supi tem como cenário o mapa do Museu da Amazônia – Musa, que ocupa 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, em Manaus. “Devido às queimadas e às fumaças, a reserva tem diminuído muito ao decorrer do tempo. Isso é preocupante. E, por conta do desmatamento e das pessoas que tomam o território, tem diminuído rápido ao decorrer dos anos”, relatou Ana Gabrielle.
Foto: Vitor Vasconcelos/Secom PR
Eduardo Batista, também do time, conta que o principal objetivo do protótipo é trazer, em cada fase, questões sobre como funcionam as fake news para que, no fim, o jogador esteja informado, letrado digitalmente e saiba como identificar e não acreditar em notícia falsa. “Cada fase conta um aspecto de uma fake news, sendo a primeira a expressividade. Na última, juntamos cada uma das características para que o jogador possa ver mesmo como funciona uma notícia falsa”, explicou o estudante.
O personagem principal do jogo é Supi, um tucano que exerce papel importante na arborização da Amazônia. O inimigo dele é o mentiroso Dr. News, celular que usa das redes sociais para espalhar peças de desinformação sobre a questão climática. Para ajudar o tucano na busca pela informação confiável, o jogador deve acertar o máximo de questões acerca da veracidade das perguntas exibidas na tela — e denunciá-las quando for o caso.
O Ministério Público Federal (MPF) cobrou de órgãos públicos, nesta quinta-feira (7), a adoção de medidas urgentes para reforçar o combate a megaincêndios que estão ocorrendo na Terra Indígena (TI) Alto Rio Guamá, no nordeste do Pará.
A equipe de brigadistas indígenas e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em atuação na área não está sendo suficiente para controlar o fogo, alertam as famílias Tembé.
De acordo com os indígenas, as chamas já se aproximam de aldeias. Roças e outras fontes de alimentos foram queimadas, animais estão sendo dizimados e as famílias temem por suas vidas caso as queimadas não sejam controladas, informam lideranças.
Além de solicitar o reforço das equipes de brigadistas e do maquinário utilizado para o combate a incêndios, o MPF e as comunidades pedem aos órgãos públicos providências para obtenção de cestas básicas para as famílias afetadas.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Detalhes dos pedidos
Para garantir a proteção à vida dos Tembé e a preservação do meio ambiente, o procurador da República Thales Messias Pires Cardoso pediu as seguintes providências:
ao Ibama e ao Corpo de Bombeiros Militar do Pará: o deslocamento de brigadistas, maquinário e equipamentos suficientes para combater os focos de incêndio na TI e, em 72 horas, apresentação de resposta sobre as medidas adotadas. Ao Ibama, também foi solicitado que, no mesmo prazo, o órgão apresente ao MPF dados sobre o estado de monitoramento, prevenção e contenção de incêndios na região, com descrição preliminar das áreas afetadas e dos danos à fauna e à flora. A Superintendência do Ibama no Pará deve atuar em articulação com o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) do instituto;
à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai): apresentação ao MPF, dentro de 72 horas, de resposta com a especificação das medidas adotadas pela instituição para assistência aos indígenas, especialmente em relação aos pedidos emergenciais de fornecimento de cestas básicas para as famílias afetadas, enquanto reconstroem suas condições de subsistência. A Funai também deve informar qual apoio logístico vem oferecendo a indígenas e instituições públicas para realização de ações de prevenção e combate aos incêndios;
à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Estado do Pará (Cedec) e à Defesa Civil vinculada às Prefeituras de Paragominas, Nova Esperança do Piriá, Cachoeira do Piriá, Santa Luzia do Pará, Garrafão do Norte, Capitão Poço e Viseu: providências para a defesa do meio ambiente e da garantia da segurança alimentar das comunidades indígenas e, dentro de dez dias úteis, apresentação de resposta sobre as medidas adotadas, especialmente para articular formas de atender aos pedidos emergenciais de fornecimento de cestas básicas para as famílias afetadas, enquanto reconstroem suas condições de subsistência;
à Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), por meio da Coordenação de Operação na TI: providências em cumprimento à portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) que autorizou o emprego, por mais 90 dias, do efetivo policial da Força Nacional na TI, em apoio à Funai, nas atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio do território tradicional, solicitando que, no prazo de dez dias úteis, remeta relatório das medidas empreendidas.
Demais iniciativas do MPF
O MPF também decidiu abrir apuração própria para reunir informações necessárias para avaliar a instauração de procedimento de acompanhamento do tema, sob o ponto de vista das repercussões ao meio ambiente e aos direitos coletivos de uso do território, modo de vida, saúde e segurança alimentar do povo indígena Tembé.
Tendo em vista que o MPF recebeu informações de que os incêndios podem estar sendo provocados por invasores da TI, os dados coletados também foram encaminhados para análise da área da instituição responsável pela avaliação da possibilidade de abertura de investigação criminal.
A Casa Branca (EUA) confirmou no dia 7 de novembro que o presidente Joseph R. Biden Jr. (Joe Biden), fará uma visita ao Brasil passando pela Amazônia. De acordo com a nota divulgada pelo governo estadunidense (veja abaixo), o presidente norte-americano em exercício é o primeiro à visitar a Amazônia.
Biden visitará, antes, a cidade de Lima, no Peru, de 14 a 16 de novembro para se encontrar com a presidente Dina Boluarte. O objetivo é reforçar o forte relacionamento bilateral EUA-Peru e participar da cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), onde destacará a liderança econômica e o engajamento dos EUA na região Indo-Pacífico.
Em seguida, Biden viajará para Manaus, no Amazonas, e, segundo a nota, visitará a “floresta amazônica para se envolver com líderes locais, indígenas e outros que trabalham para preservar e proteger esse ecossistema crítico, a primeira visita desse tipo de um presidente dos EUA em exercício”.
O presidente dos EUA seguirá para o Rio de Janeiro, encerrando a passagem pelo Brasil no dia 19 de novembro. Ele se encontrará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para participar da Cúpula do G20.
Anúncio da visita divulgado pela Casa Branca (tradução automática via Google). Imagem: Reprodução/The White House
Suprimentos
A Rede Amazônica confirmou o pouso de um avião da Força Aérea dos Estados Unidos em Manaus, com suprimentos para a visita do presidente Joe Biden, que deixou a capital amazonense por volta das 6h desta sexta-feira (8).
O cargueiro, modelo C-17 GlobeMaster III, é usado exclusivamente para missões de transporte, conforme a embaixada dos EUA no Amazonas, e pousou no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes na noite de quarta-feira (6).
Uma organização de mulheres produtoras agrícolas criou uma forma lúdica e criativa de explicar e ensinar crianças sobre processo produtivo do agronegócio. Usando um painel interativo ilustrado, o projeto “Agroligadas” vai até as escolas levar informações práticas e curiosas para envolver os pequenos desde cedo no universo do agro, apresentando os diversos subprodutos que fazem parte do dia a dia.
O projeto está exposto na 43ª Exposição-Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr), que ocorre até este sábado (9), na zona Rural de Boa Vista. No estande da Expoferr aberto para todo o público, crianças de várias escolas de Roraima descobrem um pouco mais sobre o agronegócio e a importância de produtos como soja e carne bovina para o cotidiano.
Mariclaudia Possato, uma das coordenadoras do movimento em Roraima, conta que o objetivo do Agroligadas é desmistificar o agronegócio e aproximá-lo das novas gerações. Só no estado, são cerca de 200 mulheres que participam e ajudam no projeto que ocorre desde 2018 também em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e Bahia.
Mariclaudia Possato é uma das coordenadoras do projeto em Roraima. Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
“A ideia é que as crianças vejam que o agro vai muito além do que imaginam. Por exemplo, com a soja, mostramos como ela está presente em tantos produtos, desde óleos de cozinha até cosméticos, cremes e até a espuma de colchões. Muitas crianças nem imaginam que esses produtos têm algo a ver com o campo”, disse Mariclaudia.
Ao longo do ano, elas visitam escolas públicas e particulares, levando conhecimento de forma lúdica e interativa. Mariclaudia explica que as escolas costumam procurá-las para levar o projeto, tamanha é a aceitação e o impacto positivo.
De acordo com ela, a expectativa é que cerca de 3 mil crianças visitem o estande do Agroligadas somente nesta edição da Expoferr.
’De onde vem?’
Projeto Agroligadas em uma escola de Boa Vista, Roraima. Foto: Mariclaudia Possato/Arquivo Pessoal
O projeto “De onde vem?” é um dos carros-chefe da atuação do Agroligadas nas escolas. A ideia é mostrar para as crianças como cada etapa da cadeia produtiva do agronegócio está presente em diversos produtos do cotidiano.
Com atividades interativas, as crianças descobrem, por exemplo, que a soja, além de óleo, pode se transformar em plástico, biodiesel, produtos farmacêuticos e até ingredientes para alimentos como massas e chocolates.
“Outra atividade é voltada para a pecuária, onde as crianças descobrem que o boi, além da carne, gera subprodutos que são utilizados na fabricação de adesivos, plásticos, alimentos para animais de estimação e até componentes para a construção civil”, de acordo com Possato.
Foto: Mariclaudia Possato/Arquivo Pessoal
“Quando mostramos tudo isso, vemos o olhar de surpresa deles. São coisas que nem os adultos sabem e as crianças ficam encantadas ao descobrir que o agronegócio está em tantos aspectos da vida”, explica Mariclaudia.
O Agroligadas ainda oferece projetos como o “Capacitar para Transformar”, onde são realizadas palestras e encontros para mulheres do setor, com o objetivo de fortalecer e disseminar informações essenciais sobre o agronegócio.
“O movimento tem se mostrado um espaço fundamental para que as mulheres conquistem seu lugar em um setor historicamente masculino, reforçando a importância das nossas contribuições”.
Agroligadas
Lousa interativa do projeto Agroligadas. Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
Tudo acontece de forma orgânica. De acordo com a coordenadora, o movimento cresce e se fortalece pela união de mulheres comprometidas com o futuro do agro. “A representatividade das Agroligadas é uma das nossas maiores forças. São mulheres que vestem a camisa, colocam a mão na massa e realizam projetos que fazem a diferença, tanto nas escolas quanto em nossas comunidades.”
Com uma atuação que já alcançou mais de 100 cidades e impactou cerca de 2 milhões de pessoas, o Agroligadas está presente em 17 estados e é um exemplo de como o agronegócio pode se transformar em uma ponte entre o campo e a cidade. “Queremos que as crianças cresçam entendendo o valor do agronegócio, e estamos aqui para mostrar que o agro vai muito além dos campos e fazendas”, finaliza Mariclaudia, reforçando o convite para que todos visitem o estande e conheçam de perto o trabalho feito com tanta dedicação.
O estande do Agroligadas está disponível até o final da Expoferr, e a coordenadora deixa o convite para que mais crianças e adultos participem. “Venham, tragam as crianças, é uma experiência de aprendizado para todas as idades”, convida Mariclaudia.
Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
A 43ª edição da feira começou nesta terça-feira (5) e segue até o dia 9 de novembro no Parque de Exposição Dandãezinho, localizado no Monte Cristo, zona Rural de Boa Vista.
Chamada pelo governo de “Expoferr Show”, a feira agropecuária é organizada pela Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária de Roraima (Faerr).
Este ano, o espaço da feira deve ter mais de 93 mil m² em infraestrutura montadas no Dandãezinho. A expectativa é receber 500 mil pessoas nos cinco dias de festa e movimentar R$600 milhões em negócios.
O governo federal anunciou recentemente a liberação de um crédito extraordinário de R$ 938,4 milhões para o combate à extrema crise climática que tem afetado diversos estados brasileiros. Deste montante, R$ 70 milhões serão direcionados à saúde indígena, em uma tentativa de minimizar os impactos da seca e da estiagem que castigam várias comunidades indígenas e, consequentemente, dificultam o trabalho das equipes dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis).
Segundo informações do Departamento de Gestão da Saúde Indígena (DGESI), R$ 57 milhões do recurso serão alocados para fortalecer a logística e a locomoção dos distritos sanitários mais atingidos pela estiagem. Os R$ 13 milhões restantes serão investidos em ações de saneamento, incluindo a distribuição de água potável e a aquisição de filtros de barro.
“Nosso compromisso é garantir que esses recursos cheguem de forma rápida e equitativa aos Dseis mais vulneráveis. Vamos coordenar grupos com cada Dsei para instruir sobre os procedimentos de implementação e garantir que os impactos positivos sejam sentidos rapidamente pela população indígena”, afirmou Pedro Peres, coordenador do departamento.
Impactos da seca
De acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Brasil enfrenta um dos períodos mais críticos de seca das últimas décadas. Em junho e julho deste ano, o Monitor de Secas revelou um agravamento da situação em mais de 15 estados.
A equipe visitou a aldeia Yawa, localizada na Terra Indígena do Parque do Tumucumaque, no norte do país. Neste local, com a baixa do Rio Marapi, bancos de areia e inúmeras pedras dificultam drasticamente a navegação. Trechos que antes eram percorridos em menos de duas horas, agora exigem mais de cinco horas de deslocamento.
“As ações anunciadas pelo governo buscam oferecer alívio às comunidades indígenas. O crédito, deverá ser utilizado ainda este ano e buscamos rapidez na distribuição dos recursos”, concluiu Peres.