O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizaram, dos dias 9 e 19 de janeiro, a primeira etapa de monitoramento ambiental e humano do mercúrio na Aldeia Gorotire, na Terra Indígena Kayapó, em Redenção (PA), área próxima ao garimpo Maria Bonita, o maior em terras indígenas no sul do Pará. A ação incluiu a coleta de amostras de água e sedimentos e a análise da presença de mercúrio em peixes da comunidade.
A atividade integra o projeto Impacto do Mercúrio em Áreas Protegidas e Povos da Floresta na Amazônia, desenvolvido em parceria com a Fiocruz e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), com financiamento do Governo da Alemanha, e tem como objetivo avaliar os efeitos da exposição ao mercúrio na saúde de populações indígenas e nos ecossistemas aquáticos.
As ações incluíram entrevistas, avaliações clínicas e a coleta de amostras biológicas e ambientais para análise dos níveis de mercúrio. No total, 209 pessoas participaram do estudo. As análises biológicas serão realizadas pelo Laboratório de Pesquisa de Ciências Farmacêuticas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Além da Aldeia Gorotire, o estudo envolveu indígenas de outras oito comunidades: Bananal, Kriny , Ladeira, Las Casas, Marabá, Ngokongotire, Ponte e Redenção.
Foram coletadas, ainda, 18 amostras de sedimentos, 21 de água em rios da bacia do Rio Fresco e oito de fontes de abastecimento para consumo humano, com avaliação em campo de parâmetros físico-químicos e bacteriológicos, bem como obtidas 51 amostras de peixes consumidos pelas comunidades. As análises ambientais serão feitas no Laboratório de Biogeoquímica Ambiental W.C. Pfeiffer, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), em Porto Velho (RO).
De acordo com a secretária substituta nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Thaianne Resende, o monitoramento realizado na aldeia é um “desafio humano, técnico e institucional”.
“Essa ação reafirma a presença do Estado em territórios de alta vulnerabilidade socioambiental e só é possível graças à parceria estratégica com a Fiocruz, que integra ciência, saúde e meio ambiente para proteger as populações indígenas, os ecossistemas amazônicos e fortalecer a implementação da Convenção de Minamata no Brasil”, complementou a secretária substituta.
Imagem ilustrativa de pesquisa com mercúrio na Amazônia. Foto: Divulgação/Acervo Ibama
Thaianne esclarece, ainda, que os resultados obtidos por meio da ação de monitoramento “permitirão identificar os níveis de contaminação, os padrões de exposição e os potenciais riscos à saúde humana e ao meio ambiente”. “Irão subsidiar ações de proteção ambiental, de salvaguarda das populações indígenas e de enfrentamento dos impactos da mineração ilegal na Amazônia”, concluiu a diretora.
Também foram realizadas reuniões de planejamento com representantes do MMA, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de Redenção, do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Kayapó do Pará, da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e da Fiocruz, com o objetivo de apresentar o protocolo de pesquisa e definir as estratégias de atuação no território.
Monitoramento de mercúrio
Em 2025, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) assinou o Termo de Execução Descentralizada (TED) com o Instituto Amazônico de Mercúrio para a implementação do projeto de monitoramento da exposição ao mercúrio em território Munduruku. Nesse mesmo período, o MMA realizou ações de monitoramento nas terras indígenas Yanomami.
O monitoramento integra uma das frentes de atuação do Governo do Brasil no enfrentamento ao garimpo ilegal, envolvendo pesquisadores, órgãos ambientais e a participação de lideranças indígenas.
Inscrições para a Corrida Phelippe Daou estão abertas. Foto: Adeilson Albuquerque/Acervo Rede Amazônica AM
Com inscrições abertas até o dia 25 de janeiro, a Corrida Phelippe Daou será realizada no dia 31, em Boa Vista (RR), e deve reunir atletas iniciantes e experientes. Para ajudar quem pretende participar da prova ou começar a correr, a Rede Amazônica conversou com uma fisioterapeuta, que deu dicas sobre preparação física e cuidados antes e depois da corrida.
Segundo a fisioterapeuta Ellen Prates, a preparação do corpo é essencial tanto para quem já pratica atividades físicas quanto para pessoas sedentárias. A corrida gera impacto no corpo e, sem preparo adequado, pode causar dores e lesões.
“Se você não tem o costume de correr, não pode ser: ‘acordei hoje e quero correr’. Não é bem assim. Se você é sedentário, procure um fisioterapeuta qualificado para ter as orientações e evitar os efeitos do pós-corrida, como cansaço, canelite e câimbras”, explica Ellen.
A canelite, conhecida cientificamente como Síndrome do Estresse Tibial Medial, é uma inflamação que ocorre na região interna da canela, sendo uma das lesões mais comuns entre corredores, em especial os iniciantes.
Veja abaixo algumas dicas para quem vai correr:
A canelite, conhecida cientificamente como Síndrome do Estresse Tibial Medial, é uma inflamação que ocorre na região interna da canela, sendo uma das lesões mais comuns entre corredores, em especial os iniciantes.
Comece com calma: Segundo a fisioterapeuta, pessoas que não têm o hábito de correr devem iniciar a prática de forma gradual e com orientação profissional para evitar desconfortos após o exercício, como cansaço excessivo, câimbras e canelite.
Faça avaliação profissional: De acordo com a especialista, a avaliação com um fisioterapeuta é importante para identificar o tipo de pé e de pisada. Essas informações ajudam a orientar a prática da corrida e a prevenir lesões.
Use calçado adequado: Segundo a fisioterapeuta, o tipo de pé influencia diretamente na escolha do tênis. O uso de calçado inadequado pode contribuir para o surgimento de problemas como fascite plantar, a dor na sola dos pés, e dores nas pernas.
Faça aquecimento antes da corrida: A orientação é realizar aquecimento para preparar músculos e articulações para o impacto. Entre os exercícios indicados estão pequenos saltos e corridas curtas, para frente e para trás, por cerca de cinco minutos antes da corrida.
Alongue após a corrida: Após o exercício, a fisioterapeuta recomenda alongamentos para diminuir a tensão muscular e reduzir o encurtamento causado pelo esforço repetitivo.
Inclua exercícios de fortalecimento: O agachamento é citado como um exercício que trabalha joelhos, quadríceps e tornozelos ao mesmo tempo. Ele pode ser feito antes ou depois da corrida.
Mantenha a hidratação: A fisioterapeuta reforça a importância da hidratação antes, durante e após a corrida, como parte dos cuidados.
A Corrida Phelippe Daou em Roraima é promovida pela Rede Amazônica e organizada pela Norte Run Eventos. A primeira edição do evento batizado em homenagem ao jornalista e fundador da Rede Amazônica, Phelippe Daou, ocorreu em 2021, em Manaus.
Essa é a primeira vez que o evento ocorre em Roraima. Os interessados podem se inscrever até o dia 25, pela internet. O valor do kit para os atletas é de R$ 85.
As provas terão início às 17h, com largada e chegada na sede da Rede Amazônica, localizada na avenida João Pereira de Melo, nº 444, bairro Centro. O evento contará com dois percursos, de 3 km e 7 km, que seguirão pela avenida Getúlio Vargas.
Avenida Getúlio Vargas, em Boa Vista (RR). Foto: Jonathas Oliveira / Prefeitura de Boa Vista
Roraima registrou 692 mil toneladas de grãos colhidos em 2024/2025, a maior safra de sua história. Foto: Reprodução/Instagram-antoniodenariumrr
O estado de Roraima encerrou 2025 como um dos destaques do agronegócio do Brasil. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que analisa o acompanhamento da safra brasileira, apontam que o estado roraimense registrou 692 mil toneladas de grãos colhidos na temporada 2024/2025, a maior safra da sua história, consolidando Roraima como a nova fronteira agrícola em solo brasileiro.
Os números do levantamento, realizado ao longo do ano passado em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram baseados nas principais culturas produzidas no Estado: soja, milho, arroz e feijão. Além do recorde, o balanço aponta que o Roraima também registrou o maior crescimento do PIB do Brasil entre 2019 e 2024: alta acumulada de 37,9%.
Para o governador do estado, Antônio Denarium (PP), os números fazem parte de um conjunto de ações e iniciativas voltadas para o fortalecimento do setor produtivo roraimense.
“Esse resultado é fruto de um esforço coletivo, com regularização fundiária, infraestrutura, energia, incentivos e crédito rural. Trabalhamos para dar segurança jurídica e condições para que o produtor invista e cresça. Hoje, Roraima é a nova fronteira agrícola do Norte do Brasil”, celebrou Denarium.
Governador de Roraima, Antônio Denarium, comemora a melhor colheita de soja da história do estado. Foto: Reprodução/Instagram-antoniodenariumrr
O secretário estadual de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), Márcio Granjeiro, reforçou que os investimentos feitos pelo Estado no setor produtivo contribuíram para o crescimento do agronegócio roraimense.
Márcio Granjeiro, secretário de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação de Roraimalll (Seadi). Foto: Ronane Costa/Amazon Sat
“A agricultura e a pecuária formam a base produtiva do estado de Roraima. O governo entendeu isso e trabalhou questões estruturais para dar segurança jurídica para o produtor, para que ele consiga a capacidade de se regularizar e potencializar suas atividades. E aí os agricultores compraram a ideia e hoje estão aí produzindo e ajudando Roraima a crescer ainda mais e gerar empregos, dando oportunidade para todos”, pontuou Granjeiro.
Avanços
Para o fazendeiro Ermilo Paludo, a atuação do estado para resolução de questões como regularização fundiária foi determinante para o avanço do agronegócio em Roraima.
“A regularização fundiária foi uma medida que documentou as pessoas e agora elas estão com segurança jurídica para investirem mais em seus negócios, existe mais confiança de investimento pelo setor bancário. Outro ponto foi a questão ambiental, porque hoje precisamos produzir dentro de critérios ambientais e esse incremento ajudou no desenvolvimento da pecuária. Então, esse aumento extraordinário da pecuária está ligada a essas condições sanadas pelo estado”, enalteceu Ermilo, que trabalha na Fazenda Prateada.
Ermilo Paludo, produtor da fazenda Prateada. Foto: Edley Oliveira.
O Sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), estratégia de produção agrícola que permite o cultivo da lavoura e pastagem numa mesma área, também foi fundamental, segundo Paludo, para o crescimento da agricultura.
“É um tripé: genética, solo nutrido e manejo. A integração lavoura-pecuária ajudou na qualidade do solo, houve muito investimento genético nos últimos anos e isso favoreceu bastante, onde eu colocava antes um animal, agora eu posso colocar quatro. Isso deu um aumento de animais por hectare, o que ajudou na rentabilidade da área”, relata Paludo.
Outros recordes do agro
A edição do Anuário do Agronegócio Brasileiro, de 23 de dezembro de 2025, também registrou que o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de Roraima atingiu R$ 2,84 bilhões em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em relação a 2024, por exemplo, o VBP estadual somou R$ 2,46 bilhões.
A variação positiva entre os dois anos foi de aproximadamente +15,6%, o que indica expansão nominal relevante no período. Em termos absolutos, o acréscimo foi de cerca de R$ 385 milhões no valor gerado pelo agro roraimense.
Principal produto do agronegócio roraimense, a colheita de soja representa cerca de 34% do valor total do Valor Bruto da Produção. Foto: William Roth/Governo de Roraima
Outro dado revelado foi o ranking dos produtos mais fortes de Roraima em 2025:
Soja (R$ 843,6 milhões),
Bovinos (R$ 422,5 milhões),
Mandioca (R$ 364,2 milhões),
Banana (R$ 251,1 milhões)
e Arroz (R$ 207,5 milhões) representam os cinco maiores produtos do VBP estadual.
O destaque fica por conta da soja, que representa cerca de 34% do valor total.
Robô Açaí Bot, será utilizado na colheita do açaí primeiramente em comunidades do Bailique, Mazagão e Santana. Foto:Lidiane Lima/GEA
O Governo do Amapá e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) assinaramum convênio para a compra dos primeiros 44 robôs Açaí Bot na última semana. O equipamento foi criado para modernizar e agilizar a colheita do fruto nas áreas ribeirinhas, com gestão administrativa da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural (SDR).
Além de aumentar a produção, a tecnologia atua na segurança do trabalho no campo. Os robôs reduzem o risco de acidentes e combatem o trabalho infantil, já que automatizam o esforço físico mais pesado. A inovação também promove a inclusão das mulheres, que passam a operar o sistema com facilidade e protagonismo na colheita.
“Essa tecnologia significa uma colheita mais eficiente, o que gera mais emprego e renda. Queremos que o agricultor prospere em sua terra com a dignidade de uma economia forte e moderna”, destacou a secretária da SDR, Beatriz Barros.
Secretária da SDR, Beatriz Barros e o ministro Waldez, junto com os servidores do Desenvolvimento Rural para lançamento do robô. Foto: Foto: Lidiane Lima/GEA
Os recursos do MIDR fazem parte do plano federal de desenvolvimento para a Amazônia. Os robôs serão distribuídos em polos estratégicos, como Santana, Mazagão e o Arquipélago do Bailique, fortalecendo as cooperativas de base tecnológica no Amapá.
“Estamos unindo a preservação da floresta à alta produtividade. A entrega desses robôs é um pilar central para desenvolver o setor de forma sustentável na Amazônia”, enfatizou o ministro do MIDR, Waldez Góes.
O próximo passo será o repasse das máquinas para as cooperativas agroextrativistas. Todo o processo terá monitoramento dos técnicos da SDR para garantir o uso correto e coletar dados sobre os benefícios da tecnologia para a agricultura familiar.
Açaí com a mesma qualidade
Para o empresário Reinaldo Santos, um dos desenvolvedores do robô, a máquina garante a qualidade do fruto desde a palmeira.
“Não é apenas mecanizar, é usar a inovação para aumentar o desempenho no campo e consolidar o Amapá como referência em bioeconomia inteligente”, pontuou.
O empresário, Reinaldo Santos, compõe a equipe que desenvolveu o equipamento. Foto: Lidiane Lima/GEA
Com o uso da robótica, a produção ganha escala industrial, permitindo que o açaí amapaense chegue ao mercado internacional com mais força, servindo de modelo de inovação para toda a região amazônica.
Macapá, no Amapá, é uma das cidades brasileiras que mais preservam suas origens culturais e a única capital brasileira em que passa Linha do Equador, levando-a a ser conhecida como a “Capital do Meio do Mundo”.
Em 4 de fevereiro de 2026 Macapá completa 268 anos e, para celebrar a data, confira algumas características que a fazem ser única: 2 itens da gastronomia indispensáveis, 6 pontos turísticos icônicos e 8 pessoas que revelam os talentos do Amapá.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Macapá
2 itens da gastronomia indispensáveis
Gengibirra
Gengibre, açúcar e aguardente são os ingredientes usados para fazer a gengibirra, uma das bebidas mais fortes e tradicionais encontradas na cidade e que até se tornou Patrimônio Cultural Imaterial do Estado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2019.
De acordo com a tradição, entre outras características, a gengibirra serve para fortalecer a voz dos cantadores e cantadoras na hora de puxar os versos do marabaixo, além de dar vigor para as dançadeiras e dançadores, se convertendo em um tipo de bebida ritual.
Camarão no bafo
Com uma conexão com o rio e o mar, Macapá oferece fartura de camarão e, por isso, uma receita muito popular nos restaurantes e nas mesas das famílias é o camarão no bafo. A receita é fácil de preparar: temperar o camarão com alho, sal e pimenta e colocar em uma panela bem tampada para o cozimento. Tradicionalmente, é acompanhado de pimenta e farofa quando servido.
Camarão no bafo. Foto: Reprodução/Acervo Rede Amazônica AP
6 pontos turísticos icônicos
Trapiche Eliézer Levy Futlama
O Trapiche Eliezer Levy, na orla da cidade, é um dos cartões postais de Macapá. O local é um importante ponto turístico e histórico da cidade.
O Trapiche Eliezer Levy começou a ser construído em 1936 pelo então prefeito Eliezer Levy, e foi inaugurado apenas no ano de 1945.
O local era um destaque devido aos quatro pontos de observação inspirados nos baluartes da Fortaleza de São José de Macapá.
Foto: Jesiel Braga/Prefeitura de Macapá
Complexo Turístico Rampa do Açaí
O Complexo Turístico Rampa do Açaí é um ponto tradicional para escoamento de produtos vindos das regiões próximas de Macapá, especialmente o açaí. Além disso, tem se tornado uma área turística da cidade como um espaço para os produtores e batedores de açaí, a valorização dos produtores e compradores do fruto, além de área de passeio para as famílias e turistas.
Os visitantes podem conhecer a história do açaí por meio de um QR code em uma placa no meio do píer, que é feito em concreto armado e em formato de “T”. O local conta com dois restaurantes; uma açaiteria; geleira; banheiros convencionais e com acessibilidade; um mirante de 120 metros quadrados para contemplação do Rio Amazonas; e uma praça.
Foto: Jesiel Braga/Prefeitura de Macapá
Praça Povos do Meio do Mundo
A Praça Povos do Meio do Mundo, localizada no bairro Jardim Marco Zero, é uma homenagem da Prefeitura a todos que deram origem à região. O monumento representa as raízes e os povos indígenas, negros, caboclos e ribeirinhos. Está próxima ao Monumento Marco Zero do Equador e Parque no Meio do Mundo, e foi inaugurada em comemoração do aniversário da cidade em 2024.
Foto: Jesiel Braga/Prefeitura de Macapá
Parque do Meio do Mundo
E por falar no Parque do Meio do Mundo, ele foi criado para ser um espaço de lazer em um dos maiores complexos turísticos da cidade. O espaço tem como vizinhos o Monumento Marco Zero, que marca a Linha do Equador, o estádio de futebol Milton de Souza Corrêa, o Zerão, e o Sambódromo.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Macapá
Fundação Bioparque da Amazônia
O Bioparque é uma fundação pública municipal, vinculada à Prefeitura de Macapá. O espaço agrega três biomas presentes no Amapá e os visitantes podem participar de atividades voltadas para educação ambiental, contemplação da natureza e prática de esportes de aventura, como arborismo, canoagem e tirolesa.
A Fundação Bioparque da Amazônia Arinaldo Gomes Barreto – FUNBAB é uma entidade sem fins lucrativos e tem por finalidades a conservação, preservação e a manutenção de 107 hectares de floresta amazônica nativa, conforme memoriais e contribui para o desenvolvimento regional, em base sustentável, centrando-se em cinco pilares: biodiversidade, ecologia, manejo de ecossistemas, educação e lazer.
A sua missão é contribuir com a qualidade de vida da sociedade por meio da interação com a natureza, assim como visa se tornar referência em gestão de qualidade em visitação pública de áreas verdes e relação com a comunidade de entorno. O local abriga ainda diversos animais e plantas.
Foto: Reprodução/Acervo Sesc Amapá
Mercado Central de Macapá
Em 13 de setembro de 1953, foi inaugurado o primeiro e maior prédio comercial de Macapá da época: o Mercado Central. Construído estrategicamente na frente da cidade, onde as embarcações atracavam com mercadorias no Trapiche Eliezer Levy, o local iniciou a comercialização de carnes, verduras, roupas, comidas, farinhas, plantas e ervas medicinais, além de serviços de costura, sapatos e consertos em geral.
A construção do prédio foi iniciada em 1952, pelo governador Janary Nunes e o prefeito Claudomiro de Moraes. Inicialmente, o prédio contava com 36 boxes, mas atualmente já conta com mais de 60. Após a última obra de reestruturação, o ambiente passou a contar com praça de skate, calçamento, novos banheiros e jardim com chafariz.
Mercado Central de Macapá. Foto: Paulo Pennafort/Acervo Rede Amazônica AP
8 pessoas que revelam os talentos de Macapá
1. Cândido Mendes: Em Macapá, Cândido Mendes é um dos nomes mais conhecidos da capital, pois batiza a principal rua comercial do centro da cidade. O maranhense de São Bernardo do Brejo dos Arrapurus foi promotor público em São Luiz, professor de História e Geografia e membro da Academia de Letras do Maranhão.
2. Mestre Sacaca: Raimundo dos Santos Souza, conhecido popularmente por mestre Sacaca foi o primeiro funcionário do antigo Parque Florestal de Macapá, hoje Fundação Bioparque da Amazônia. Sua relação com as plantas foi incentivada desde a infância pela mãe, que sempre o orientou na produção de remédios caseiros. O trabalho de mestre Sacaca se tornou referência para pesquisadores da fauna e da flora da Amazônia.
3. Tia Chiquinha: Francisca Ramos dos Santos, popularmente conhecida como tia Chiquinha, foi mãe de 11 filhos. Ela foi esposa de Maximiano Machado dos Santos, o Bolão, conhecido por ser um grande tocador de instrumentos de percussão, como pandeiro, tambor de batuque e surdo de marcação. Moradora do Quilombo do Curiaú, local onde nasceu, ela era conhecida por ser dançadeira e cantadeira de marabaixo e batuque e sempre participava dos festejos do bairro Laguinho, onde morou por um tempo.
4. Dona Esmeraldina: Filha de tia Chiquinha, e como sua mãe, é uma das maiores responsáveis pela divulgação da cultura local. Moradora do Quilombo do Curiaú, dona Esmeraldina é cantadeira e dançadeira de marabaixo e em todo material que produz faz questão de mostrar a herança da manifestação cultural afro religiosa. Também é escritora, tendo lançado, em 2021, os livros ‘O Encanto do Boto’ e o ‘Sonho de Uma Menina’.
5. John Macapá: John Teixeira da Conceição, mais conhecido por John Macapá por conta da cidade que nasceu, é um lutador de artes marciais mistas. Com passagens marcantes pelo Ultimate Fighting Championship (UFC) e pelo Absolute Championship Akhmat (ACA), ele é considerado um dos maiores representantes na luta no cenário internacional.
6. João Amorim: cantor, compositor, guitarrista e violonista, João Amorim é um músico cujo repertório diversificado o faz “passear” pelo MPB, Rock, marabaixo, entre outros ritmos, e reuni-los em canções autorais. Já ganhou premiações como o troféu Sescanta pelas composições “Pôr-do-sol”, “A praça”, e “Dia”, em 2010. Sucessos como “Passa, tchonga”, tem mostrado a irreverência do artista mesclada com a regionalidade.
7. Bira: Ubiratan Silva do Espírito Santo,mais conhecido como Bira, foi um futebolista que atuava como atacante e ganhou notoriedade por integrar o Internacional que foi campeão brasileiro de 1979. Bira era irmão de outro amapaense de destaque nacional, Aldo, ídolo de Paysandu e Fluminense. Bira começou em uma equipe do bairro macapaense do Trem, chamada de “Reminho”, disputando partidas no campo adjacente à Paróquia da Nossa Senhora da Conceição, onde a presença na missa era a condição para poder jogar. Jogou por clubes como Macapá, Paysandu, Remo, Atlético Mineiro e Juventus-SP. Também foi treinador de times como Tuna Luso, Pinheirense e Bragantino.
8. Patrícia Bastos: Patrícia Bastos é a cantora e compositora que se tornou a primeira amapaense a cantar no Rock in Rio, em 2022. Formada em administração, ela começou a se dedicar à música aos 18 anos, quando entrou para a Banda Brinds, na qual permaneceu por cinco anos. Participou alguns festivais e conquistou prêmios como no 25º Prêmio da Música Brasileira, em 2014 (melhor disco regional e cantora regional), com o álbum ‘Zulusa’. Com o traço regional vivo, seu outro álbum, ‘Batom Bacaba’, foi indicado ao Grammy Latino de 2017 de Melhor Álbum de Raizes Brasileiras.
Macapá para o mundo ver
O projeto Macapá para o mundo ver é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM) que propõe ações integradas de comunicação, educação e valorização cultural durante o aniversário da cidade e o carnaval de rua. Conta com o apoio da Tratalyx e da Prefeitura de Macapá.
O desmatamento na Amazônia está provocando mudanças regionais significativas no clima em comparação a áreas com cobertura florestal acima de 80%. A perda da vegetação leva ao aumento da temperatura da superfície, à diminuição da evapotranspiração, além da redução da precipitação na estação seca e do número de dias de chuva.
Os resultados fazem parte de uma pesquisa realizada com base em dados de satélite e publicada na revista Communications Earth & Environment no final de novembro.
O trabalho aponta que regiões altamente desmatadas (cobertura florestal inferior a 60%) compartilham semelhanças climáticas com áreas de transição entre floresta úmida e savana. Isso porque entre os impactos observados estão uma temperatura de superfície, em média, 3 °C maior durante a estação seca; com evapotranspiração e quantidade de chuvas 12% e 25% menores, respectivamente, em relação a regiões com alta cobertura florestal.
Além disso, foram observados 11 dias a menos de chuva, em média, onde a cobertura florestal foi inferior a 60%. Ou seja, o desmatamento impactou não somente a quantidade como a distribuição das chuvas.
Como resultado dessa condição climática mais seca e quente, a floresta pode enfrentar maior degradação, levando ao aumento da mortalidade das árvores e à suscetibilidade a incêndios florestais. Esse cenário compromete a permanência de espécies mais sensíveis da floresta úmida, enquanto favorece a dominância de outros tipos de nativas oportunistas e gramíneas exóticas, comprometendo a biodiversidade.
Para os cientistas, os achados evidenciam a urgência de controlar o desmatamento e restaurar áreas degradadas, visando preservar a resiliência climática da Amazônia e das atividades econômicas que dependem diretamente do clima, como a agricultura.
“O estudo mostra que as florestas tropicais têm um impacto gigantesco no clima, com consequências para diversos setores da sociedade, tanto para o bem-estar das populações como para atividades econômicas. Por isso, o debate sobre a importância das florestas deve ter um olhar mais abrangente, para além da questão ambiental. Precisamos trabalhar com uma visão de desenvolvimento nacional, com ação coordenada e integrada entre diversos setores da sociedade”, defende o pesquisador Luiz Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace
Um dos autores do trabalho, Aragão é membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e participou de painéis durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, para discutir temas ligados a emissões de gases de efeito estufa e impactos do aquecimento global.
De acordo com o pesquisador do Inpe Marcus Silveira, primeiro autor do artigo, o estudo corrobora cientificamente a importância de manter a cobertura florestal em, no mínimo, 80% em propriedades rurais da Amazônia, como prevê o Código Florestal.
A legislação estabelece regras para uso da terra e proteção ambiental dentro de propriedades privadas, nas chamadas reservas legais, exigindo que uma parte da área rural seja mantida com vegetação nativa. Nos nove Estados da Amazônia Legal é obrigatória a cobertura de vegetação nativa em 80% da área dos imóveis situados na floresta, em 35% no Cerrado e 20% em campos gerais – o mesmo porcentual para o restante do país.
“As regiões desmatadas ficam prejudicadas com condições mais secas e quentes, que também acabam afetando a produção agrícola. A própria Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura [FAO] lançou na COP30 um documento mostrando que as florestas são aliadas da agroindústria, e não inimigas. Por meio de uma extensa revisão da literatura científica, destaca os vários benefícios climáticos que as florestas promovem, contribuindo com a produtividade e resiliência agrícola. Nosso trabalho vai muito nessa linha também”, afirma Silveira, que juntamente com diversos autores brasileiros colaborou com o relatório Climate and ecosystem service benefits of forests and trees for agriculture.
Novos usos
A Amazônia brasileira, que ocupa quase a metade do território do país, perdeu 13% de área de vegetação nativa entre 1985 e 2024. São cerca de 520 mil quilômetros quadrados (km2), maior do que o território da Espanha (506 mil km2). Os dados são da publicação Amazônia, Coleção 10 do MapBiomas, feita a partir da análise de imagens de satélite.
Neste período, as pastagens passaram de 123 mil km2 para 561 mil km2, enquanto a área de agricultura foi de 1,8 mil km2 para 79 mil km2. Mais recentemente, a mineração vem ganhando relevância e chegou a 4.440 km2 em 2024.
Mesmo com a redução do ritmo de desmatamento do bioma nos últimos três anos, os cientistas alertam para a necessidade de conter rapidamente a devastação da floresta, já que somente em 2024 houve a remoção de mais de 6,3 mil km2 de vegetação nativa na Amazônia Legal, de acordo com dados do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), do Inpe.
“É essencial traçarmos caminhos para a redução do desmatamento, como debatido na COP30, mas também é necessário levar adiante o processo de substituição do uso de combustíveis fósseis para frear o aquecimento global, que já é preocupante”, diz Aragão à Agência FAPESP.
Foto: Reprodução/Imazon
O ano de 2024 foi o mais quente da história e o primeiro a ultrapassar a marca de 1,5 °C de aumento na temperatura média do planeta em relação aos níveis pré-industriais. Além disso, o relatório Global Carbon Budget, divulgado em novembro, aponta que em 2025 as emissões de dióxido de carbono provenientes de combustíveis fósseis aumentarão cerca de 1,1%, atingindo um recorde de 38,1 bilhões de toneladas de CO2 (GtCO2).
“Nosso estudo indica que, se conseguirmos restabelecer a estrutura florestal, é possível trazer de volta também serviços ecossistêmicos, como redução de temperatura, aumento da ciclagem de água e dos estoques de carbono, garantindo assim maior segurança hídrica, alimentar e econômica para o país”, complementa Aragão.
Na pesquisa, que foi parte do doutorado de Silveira, os cientistas dividiram a Amazônia em uma grade regular com amostras de aproximadamente 55 x 55 km, agrupadas em níveis de desmatamento acumulado – cobertura de florestas remanescentes em até 40%, de 40%-60% e 60%-80%. Também foram selecionadas grades com alta cobertura florestal (acima de 80%) vizinhas às desmatadas, servindo como referência para as condições climáticas sob pouca influência do desmatamento.
O trabalho também empregou outros métodos de controle para destacar a influência da perda de vegetação nativa frente a outros fatores, como comparar as diferenças climáticas entre regiões de referência vizinhas umas das outras. Foram analisadas 11 variáveis climáticas, incluindo temperatura de superfície, evapotranspiração, chuva anual e nas estações seca e chuvosa, além do número de dias chuvosos.
A evapotranspiração é o fluxo para a atmosfera de vapor d’água liberado pela transpiração das plantas, evaporação da água no solo e nas copas das árvores, controlado por fatores como o tipo e estrutura da vegetação, temperatura, radiação solar e vento. Ao reduzir a evapotranspiração, o desmatamento contribui para aumentar a temperatura e diminuir a reciclagem da umidade atmosférica em chuva.
Nas análises, os impactos mais extremos foram observados em regiões com até 40% da cobertura florestal remanescente. Por exemplo, a temperatura da superfície terrestre nelas chegou a ser até 4 °C maior do que nas de referência durante a estação seca. Da mesma forma, a evapotranspiração na estação seca foi, em média, 45 milímetros menor se comparada às regiões de referência vizinhas.
Em setembro, a revista Nature Communications publicou uma outra pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), que quantificou os impactos da perda de vegetação e das mudanças climáticas globais sobre a Amazônia. Mostrou que o desmatamento foi responsável por 74,5% da redução de chuvas e por 16,5% do aumento da temperatura do bioma nos meses de seca (leia mais em: agencia.fapesp.br/55759).
O artigo Observed shifts in regional climate linked to Amazon deforestation pode ser lido AQUI.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino
Mesmo já tendo superado a marca de 500 mercados internacionais abertos para alimentos nacionais, o governo brasileiro segue investindo na diversificação de destinos para esses produtos. A mais nova habilitação foi oficializada pelo Serviço Nacional de Sanidade Agrária do Peru (Senasa), que liberou 36 novas unidades brasileiras para exportação de material genético.
Do total, 31 são voltadas à genética de aves e cinco ao material genético bovino. Com as novas habilitações, o setor avícola dobra o número de estabelecimentos autorizados a exportar para o Peru. No segmento de material genético bovino, a inclusão de cinco unidades representa um aumento de 83% na lista de estabelecimentos aptos, com foco no atendimento à pecuária de corte e de leite.
Além das novas inclusões, a autoridade peruana estendeu até o fim de 2028 as licenças de exportação de todos os estabelecimentos do segmento que já operavam no país. A medida visa conferir maior previsibilidade às operações comerciais entre os dois países.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) do Brasil, a decisão do Senasa foi tomada com base em critérios técnicos e reforça o reconhecimento do controle sanitário e das medidas de biosseguridade adotadas pelo Brasil na produção e exportação de material genético animal.
No último ano, o vizinho latino-americano importou mais de US$729 milhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para produtos florestais, carnes, cereais, farinhas e preparações.
Dentre os 12 países da América do Sul, o Peru é sexto maior comprador dos produtos do agronegócio brasileiro.
Foto: Gabriel Resende/Embrapa
Material genético
Dos 525 novos mercados abertos para itens agropecuários brasileiros desde 2023, 79 foram para material genético animal. A subcategoria é a segunda com maior fatia na iniciativa, com 15% do total, atrás apenas de proteínas animais, de acordo com o painel interativo do Mapa, que contabiliza a operação.
Quase metade dessas autorizações foram para material genético de bovinos e bubalinos. As informações orgânicas de aves (18), ovinos (9) e caprinos (8), aparecem na sequência.
Jogo ajuda na aprendizagem dos conceitos da termoquímica. Foto: Divulgação/Acervo pessoal
Professor e alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Estadual Padre Seixas, localizada no munícípio de Barreirinha, no Amazonas, decidiram inovar no ensino e aprendizagem dos conceitos da termoquímica. Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), o grupo criou o jogo de tabuleiro ‘Caminho termoquímico’.
O jogo didático contém um trajeto dividido em 30 casas numeradas, além de mais duas casas indicando o início e o fim do percurso. As regras são simplificadas, o que incentiva o processo educativo com conceitos-chave relacionados ao conteúdo de termoquímica, que estuda as trocas de calor (energia térmica) em reações químicas e transformações físicas.
“A aplicação do projeto propiciou o desenvolvimento da criatividade e do processo de ensino e aprendizagem de maneira natural e prazerosa. Essa estratégia pedagógica demonstrou ser um recurso motivador, e permitiu o desenvolvimento de várias competências”, explicou o coordenador, Evaldo Valente Belo.
O projeto, chamado “Caminho termoquímico: Proposta de jogo didático para trabalhar a Termoquímica em turmas da Educação de Jovens e Adultos”, realizado no âmbito do Programa Ciência na Escola (PCE), edital n° 002/2024, foi desenvolvido por 18 alunos na faixa etária de 18 a 62 anos e coordenado pelo professor da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, Evaldo de Jesus Valente Belo.
No tabuleiro, cada casa é representada por placas igualmente numeradas, além disso cada placa possui uma pergunta. No total são 34 perguntas divididas em: cartas azuis (carta pergunta), cartas vermelhas (volte uma casa) e cartas verdes (carta-da-sorte), além de duas cartas amarelas que simbolizam a saída e a chegada.
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Evaldo de Jesus Valente Belo
A construção, o estudo e a aplicação do jogo foram praticadas em oito aulas de 40 minutos, que totalizaram oito semanas. Após a conclusão do jogo, foram realizados momentos de debates com os alunos, no qual eles conversaram sobre a compreensão do conteúdo abordado, relacionando-o às aulas expositivas e lúdicas.
O professor aponta que a dificuldade de aprendizagem está, muitas vezes, relacionada ao distanciamento entre os conceitos químicos e a realidade social dos alunos. A expectativa, a longo prazo, é de que as atividades teóricas com práticas lúdicas tornem o processo de aprendizagem mais dinâmico e significativo.
“Acreditamos que a aplicação do jogo nas aulas de Química será uma excelente ferramenta pedagógica para proporcionar aos educandos maior assimilação do conteúdo de termoquímica, sendo uma boa estratégia de auxílio para o ensino”, destacou o coordenador.
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Evaldo de Jesus Valente Belo
Ao transformar conceitos abstratos em experiências interativas, o jogo contribui para uma maior assimilação do conteúdo, estimula a participação ativa dos educandos e fortalece o processo de ensino-aprendizagem, aproximando o conhecimento científico do cotidiano dos estudantes e promovendo uma educação inclusiva e transformadora.
Apoio da Fapeam
Para o coordenador, o PCE incentiva a formação de futuros cientistas e a popularização da ciência no interior do Amazonas, e o apoio da Fapeam é fundamental para a ampliação desse conhecimento.
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Evaldo de Jesus Valente Belo
“A Fundação impulsiona o desenvolvimento de projetos de iniciação científica, inovação tecnológica e artísticos na educação básica. Sua fundamental importância está na promoção do avanço do conhecimento e na formação de professores e alunos, impactando positivamente na qualidade do ensino e na divulgação do conhecimento científico produzido no ambiente escolar”, explicou Evaldo Valente Belo.
Programa Ciência na Escola
O Programa Ciência na Escola (PCE) é direcionado à participação de professores e estudantes de escolas públicas estaduais do Amazonas e municipais de Manaus e Tefé em projetos de pesquisa científica e de inovação tecnológica a serem desenvolvidos nas escolas. O PCE apoia a participação de estudantes do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª à 3ª série do Ensino Médio, incluindo modalidades como educação de jovens e adultos, educação escolar indígena, atendimento educacional específico e Projeto Avançar.
Na Amazônia, o encontro com uma onça-pintada ou parda pode ser mais comum do que a maior parte das pessoas imagina. O grupo liderado pelo professor Rogério Fonseca, no âmbito da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (FCA/UFAM), nasceu em 2017 com a missão de produzir conhecimento científico e promover educação ambiental sobre esses animais.
Concretizada por meio do Laboratório de Interações Fauna e Floresta (LaIFF), a atuação dos pesquisadores e extensionistas inclui hoje colaborações interinstitucionais, ações de educação ambiental junto a comunidades locais, presença nas redes digitais e outras estratégias de visibilidade.
Segundo esclarece o docente da Ufam, ainda que tenha sido criado há menos de uma década, o LaIFF acabou incorporando projetos de extensão que já estavam em andamento desde 2008, como o Projeto Amigos da Onça e o Observatório de Imprensa, Avistamento e Ataques de Onças (OIAA Onça), que monitora ataques de onças. Essas atividades de extensão levam a pesquisa muito além dos muros da Universidade.
O embrião desse projeto surgiu na região Sul do estado, onde já existem informações mais abrangentes sobre o manejo e o controle de danos causados por onças em áreas de criação de animais de produção, especialmente gado e galinhas, mas também outras aves. Essas áreas incluem, além do Sul do Amazonas, eixos rodoviários como a BR-319 e a BR-230.
Enquanto o Projeto Amigos da Onça tem o objetivo de educar os produtores rurais sobre o manejo e controle de danos no intuito de reduzir o conflito entre as onças e os animais de produção, o OIAA Onça se caracteriza por ser o único grupo de pesquisa no Brasil que, desde 2008, monitora e analisa ataques de onças, incluindo aqueles envolvendo humanos. “No LaIFF, já existem muitas pesquisas consolidadas sobre ataques de onças”, destaca o professor Rogério Fonseca ao elencar as duas iniciativas mais conhecidas pelo público.
“Hoje o nosso trabalho tem várias frentes, sendo a principal delas o observatório ‘OIAA Onça’. Nós monitoramos a imprensa globalmente, acompanhando qualquer menção a onças, incluindo onça-parda, onça-pintada, jaguatirica, gato-maracajá, gato-do-mato e gato-do-mato-pequeno. Estamos cientes de que essas discussões ocorrem não apenas no Brasil, mas também em outros países, e participamos ativamente de várias redes de colaboração com pesquisadores do mundo todo, incluindo zoológicos internacionais. A colaboração nos permite trocar experiências e aprender, visto que os conflitos entre os grandes felinos e humanos são um desafio global”, detalha o líder do grupo.
O professor Rogério Fonseca explica que o Projeto Amigos da Onça atua diretamente com os produtores rurais para compartilhar técnicas de manejo que protejam o gado e as galinhas, reduzindo os prejuízos e a necessidade de abater os felinos após eventual ataque. “Uma vez que fornecemos informações, eles se tornam os principais divulgadores do conhecimento da Universidade no campo”, afirma ele.
Integrantes do projeto ajudam em educação ambiental. Foto: Divulgação / Ufam
O LaIFF monitora a distribuição das onças-pintadas em toda a cobertura do solo brasileiro, ou seja, consegue cobrir 5.568 municípios. Entre os achados, o grupo observa a presença crescente de onças-pardas em áreas urbanas. Uma das pesquisas é uma tese de doutoramento cuja proposta central é compreender os habitats das onças-pintadas e identificar o principal elemento paisagístico que elas utilizam, que pode ser área de floresta, uma área de preservação ambiental, uma reserva legal, monocultura, um sistema agroflorestal ou de silvicultura pastoril. As técnicas empregadas na investigação incluem a realização de entrevistas com moradores locais em todo o País e ainda a comparação entre os relatos dessas pessoas e as notícias publicadas pela imprensa.
O trabalho ganha força em regiões críticas, como no sul do Amazonas e ainda nos eixos da BR-319, rodovia federal de 885 quilômetros que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), e da BR-230, conhecida como Transamazônica, com aproximadamente 4.260 quilômetros de extensão entre as cidades de Cabedelo (PB) e Lábrea (AM).
O pesquisador explica que, em municípios como Humaitá, Manicoré e Lábrea, a incidência de ataques de onças à fauna doméstica é alta, o que muitas vezes gera um sentimento de vingança por parte dos proprietários em relação à espécie nativa.
No Amazonas, os municípios com as principais ocorrências estão concentrados na porção mais ao Sul do estado, ao longo do eixo rodoviário da BR-230, no trecho que vai de Humaitá até a cidade de Lábrea, passando por Manicoré.
“No Brasil, a maior concentração de ocorrências é na Amazônia Legal, como em algumas regiões da Amazônia brasileira que têm o pulso de inundação. Nessas áreas, as onças coexistem com gado e humanos, e ocasionalmente ocorrem conflitos. Os dois principais biomas onde temos ocorrências divulgadas pela imprensa são o Pantanal e a Amazônia”, esclarece o coordenador do LaIFF.
Em relação ao Cerrado brasileiro, o pesquisador afirma que, apesar de ser rico em biodiversidade, o bioma enfrenta uma redução drástica na população de onças-pintadas. Isso se deve sobretudo à conversão da vegetação nativa em áreas para agricultura e pecuária como resposta à pressão internacional pelo incremento da produção de alimentos.
“A opção por converter a floresta de savana, adaptada para a convivência com animais silvestres, em plantios de monocultura, como a soja, impacta diretamente o habitat das onças. Essa prática resulta no confinamento das onças em unidades de conservação, áreas de preservação permanente ou nas reservas legais, localizadas sobretudo nas grandes propriedades rurais”, completa o professor.
“Pescando onça”
Foto: Divulgação / Ufam
Na Amazônia, o monitoramento não se limita à floresta: o laboratório utiliza dados da imprensa global e relatos recebidos via WhatsApp e Telegram para mapear a presença desses animais também na área urbana. Nesses anos todos de dedicação ao estudo das onças-pintadas, um dos marcos históricos a darem mais visibilidade ao trabalho do grupo foi o que Rogério Fonseca batizou como a primeira “pesca de uma onça-pintada” no mundo, ocorrida no Rio Negro, num local próximo da ponte que liga as cidades de Manaus e Iranduba.
O trabalho de resgate se desenrolou no âmbito de uma operação logística envolvendo diversos órgãos de segurança pública e de proteção ambiental, os quais contaram com a expertise dos pesquisadores e extensionistas da Universidade.
“A ocorrência da onça-pintada do Rio Negro teve início quando um cidadão avistou o felino no rio e acionou a Polícia Militar pelo 190. A PM, por sua vez, acionou o Batalhão Ambiental, que entrou em contato com a Ufam. Vale ressaltar a participação da Polícia Rodoviária Federal e dos Corpos de Bombeiros Militares na ocorrência. Essas instituições atuam diretamente em contato com a população e desempenham um papel fundamental na conservação ambiental. O Batalhão Ambiental providenciou logística para que os nossos equipamentos chegassem junto com a Secretaria de Estado de Proteção Animal. Por meio de seu pelotão fluvial do Comando de Policiamento Ambiental, o Batalhão realizou a pesca”, relata o especialista no tema das onças-pintadas.
Educação ambiental
O foco principal das ações é a parcela mais jovem da população. Os extensionistas têm a compreensão de que os principais agentes de mudança, quando se trata da aquisição de hábitos intra e interfamiliares, concentram-se nas faixas etárias iniciais.
“A Amazônia permanece em pé porque o povo amazônico tem opções alimentares diferentes do resto do Brasil. […] Acreditamos que pescar por seis meses e caçar por seis meses nos permite interagir com a fauna de forma sustentável, promovendo a interação entre a fauna e a floresta que tanto enfatizamos”, sustenta o pesquisador, segundo o qual a difusão do conhecimento científico no ambiente escolar é uma importante frente de atuação dos pesquisadores. “É o povo que reduz as emissões, evita o desmatamento e promove o manejo integrado entre floresta e fauna, e vice-versa”, enfatiza.
Foto: Divulgação / Ufam
Para o professor Rogério Fonseca, a conservação da floresta deve ser compreendida a partir de uma ligação com a própria identidade do povo amazônico, que historicamente interage com a fauna regional de forma sustentável. “Nosso objetivo é fazer com que a realidade da Amazônia se torne a identidade dessas pessoas com as quais estamos compartilhando informações úteis e indispensáveis por meio da educação ambiental”, frisa o docente da Ufam a respeito das ações realizadas junto aos comunitários. Os projetos comportam iniciativas voltadas aos produtos rurais e à sociedade como um todo.
Do ponto de vista institucional, podem atuar nos projetos estudantes de todos os cursos da Ufam – da Medicina até as formações em Ciências Humanas. O enfoque aqui é no aspecto abrangente e acolhedor, com potencial de reforçar a ideia básica de que a proteção da biodiversidade é uma missão plural e universal, e não só de ativistas ambientais.
Tecnologia aplicada
A sociedade pode colaborar diretamente com as pesquisas através do aplicativo OIAA Onça. A ferramenta permite registrar avistamentos e ocorrências, ajudando a alimentar um banco de dados nacional que orienta políticas de preservação e segurança. Para conhecer o histórico completo das ações e entender como o projeto evoluiu de uma iniciativa no sul do Amazonas para uma rede de colaboração global, acesse: oiaaonca.ufam.edu.br.
‘Consagrada Cunhã’ é o nome da toada que homenageia Marciele Albuquerque. Foto: Reprodução / Boi Caprichoso
O Boi-bumbá Caprichoso, do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, lançou a nova toada da sua cunhã-poranga, que agora é participante do Big Brother Brasil (BBB 26), Marciele Albuquerque. A toada para o Festival de Parintins este ano, ‘Consagrada Cunhã’, foi lançada no dia 19 e a música já está disponível nas plataformas digitais e nas redes sociais oficiais do boi azul e branco.
A toada exalta a força, a beleza e a ancestralidade da cunhã-poranga, item 9 e uma das principais personagens do espetáculo apresentado pelos bois Caprichoso e Garantido na disputa realizada no Bumbódromo de Parintins. Marciele Albuquerque ocupa o posto desde 2019 e é um dos destaques entre os itens femininos do boi.
‘Consagrada Cunhã’ é assinada pelos compositores Roberto Jr., Luiz Carlos, Victória Maciel, Flaécio Pereira e Nis dos Anjos. A produção musical ficou por conta de Adriano Aguiar, Neil Armstrong, Pelado Júnior e Patrick Araújo.
O lançamento, segundo a agremiação, marca mais um passo da nação azul e branca na divulgação do projeto artístico para 2026, reforçando a identidade cultural e indígena que norteia o espetáculo do boi-bumbá azul.
Boi Caprichoso no Festival de Parintins. Foto: Alex Pazuello/Secom AM
Cunhã-Poranga: conheça o item 9 do Boi Caprichoso
Marciele Albuquerque é a Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso. Definida como moça bonita, sacerdotisa, guerreira e guardiã, a Cunhã-Poranga representa a mulher mais bela da aldeia. A personagem simboliza a mulher indígena forte, guerreira e conectada à natureza, sendo expressão de beleza, coragem e espiritualidade.
Marciele, a cunhã-poranga do Boi Caprichoso. Foto: Arthur Castro / Secom AM
Durante as apresentações no Festival de Parintins, a Cunhã-Poranga encanta o público com dança intensa, força corporal e expressividade cênica, sempre acompanhada de narrativas que exaltam a cultura indígena. Sua presença no espetáculo reforça o protagonismo dos povos originários e a valorização da identidade indígena amazônica.
Marciele é indígena do povo Munduruku e natural de Juruti, no Pará, trazendo para a arena uma vivência diretamente ligada à ancestralidade que representa.