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Irlanda anuncia doação de R$ 91 milhões ao Fundo Amazônia

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A Irlanda anunciou, no dia 12 de março, que doará 15 milhões de euros (o equivalente a cerca de R$ 91 milhões) ao Fundo Amazônia nos próximos três anos. O anúncio ocorreu em São Paulo, durante reunião entre a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o ministro dos Transportes irlandês, Seán Canney. Ao efetivar a contribuição, a Irlanda se juntará ao grupo de países doadores, que passará a ter oito membros.

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De acordo com a ministra Marina Silva, o Fundo Amazônia é referência em mecanismos financeiros voltados ao enfrentamento do desmatamento e da mudança do clima.

“É um fundo de recursos não retornáveis, com ações nas agendas de combate à criminalidade e investimento em pesquisa e projetos inovadores de desenvolvimento. Tudo isso faz a diferença, porque o que nós queremos é um novo ciclo de prosperidade, sobretudo no contexto de agravamento da mudança do clima”, destacou.

A ministra afirmou ainda que a adesão da Irlanda ao Fundo Amazônia reforça o reconhecimento internacional dos esforços do Brasil na área ambiental.

“O importante apoio da Irlanda representa um reconhecimento dos bons resultados alcançados pelo Brasil no combate ao desmatamento, e permitirá ao país avançar ainda mais nesta agenda e no enfrentamento à mudança do clima”, complementou.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, se encontrou, em São Paulo, com a embaixadora da Irlanda no Brasil, Fiona Flood, e com o ministro dos Transportes irlandês, Seán Canney. Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Mudança do clima

Em um ano considerado decisivo para as ações de combate à mudança do clima no Brasil, com a realização da COP30, que acontece em novembro em Belém (PA), a adesão da Irlanda reforça a estratégia brasileira com a retomada do Fundo Amazônia, após a recomposição de seu Comitê Orientador pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro dia do atual governo. Apenas em 2024, foram internalizados no Fundo Amazônia cerca de R$1 bilhão em doações contratadas em 2023 e 2024, de seis diferentes países.

“A doação da Irlanda ao Fundo Amazônia é um reconhecimento internacional da efetividade do Brasil no combate ao desmatamento e na promoção do desenvolvimento sustentável”, avaliou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

“Esse importante aporte reforça nossa capacidade de financiar iniciativas que protegem a floresta, fortalecem comunidades e impulsionam a bioeconomia. O BNDES, como gestor do fundo, continuará trabalhando para ampliar os impactos positivos dessa iniciativa e atrair novos parceiros comprometidos com a preservação ambiental e o enfrentamento da crise climática”, pontuou.

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Fundo Amazônia

Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil (BNDES) sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Fundo é a maior iniciativa mundial para a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+) e um dos principais instrumentos de execução da política ambiental e climática brasileira.

O mecanismo de financiamento ambiental tem como objetivo arrecadar doações para investimentos não reembolsáveis em iniciativas voltadas à prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de promover a conservação e o uso sustentável da Amazônia Legal. Também apoia o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento em outras regiões do Brasil e em países tropicais.

O Fundo Amazônia tem em sua carteira 123 projetos apoiados, no valor total de R$3,1 bilhões, sendo mais de R$200 milhões somente em 2024. Sete países já realizaram doações ao Fundo: Noruega, Alemanha, EUA, Reino Unido, Dinamarca, Suíça e Japão, além da Petrobras, superando R$4,5 bilhões em contribuições ao longo dos 16 anos de atuação. A Irlanda se juntará ao grupo.

*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Estudo identifica principais refúgios para onças-pintadas na Amazônia

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Foto: Divulgação/Centro de Instrução de Guerra na Selva

Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) mostra que áreas protegidas da Floresta Amazônica são o principal refúgio para as onças-pintadas. Os pesquisadores mapearam populações de onça-pintadas em 22 áreas protegidas da Amazônia, por meio de 40 câmeras instaladas em parques nacionais, reservas extrativistas e terras indígenas no Brasil, Equador, Peru e Colômbia.

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As áreas monitoradas foram escolhidas a fim de garantir a representatividade de todos os tipos de ecossistemas amazônicos, como florestas de terra firme, igapós e várzeas, em diferentes altitudes, médias de temperatura e níveis de pressão humana.

Segundo o artigo, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, registrou uma concentração de quase dez onças por 100 quilômetros quadrados, totalizando 1.180 fotografados, sendo a maior concentração da espécie encontrada na área de estudo, com um índice comparável aos registrados no Pantanal, que concentra uma média de doze onças por 100 quilômetros quadrados.

O estudo também buscou entender a relação entre os tipos de floresta e a população de onças. De acordo com as imagens capturadas, a espécie habita com mais frequência as áreas de várzea, que concentram maior quantidade de alimentos e facilitam a locomoção.

Os cientistas indicam que locais com grande presença de humanos forçam as onças a percorrerem áreas maiores, a fim de garantirem o acesso a quantidades adequadas de alimento.

Os pesquisadores ressaltam a importância da destinação das chamadas “florestas públicas não destinadas” como parte da proteção das onças. Hoje, essas terras somam 56,6 milhões de hectares, mesma área da Espanha. Elas aguardam pela definição de uso e vêm sofrendo cada vez mais com a grilagem.

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia revela que, entre 2019 e 2021, cerca de 51% do desmatamento ocorreu em terras públicas, sendo as florestas públicas não destinadas as mais atingidas.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

Terra Indígena Wajãpi: a resistência na floresta do Amapá

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Povo Wajãpi protestando contra PL 490, que visa liberar mineração em terras indígenas. Foto: Apina

No Amapá, entre os municípios de Pedra Branca do Amapari e Laranjal do Jari, está localizada a Terra Indígena Wajãpi (TIW). O território é marcado por inúmeras riquezas naturais e pela resistência de seu povo.

Com uma extensão de 6.070,17 km² (607.017,24 hectares), a área é delimitada pelas bacias dos rios Jari, Amapari e Oiapoque, integrando o complexo das Montanhas do Tumucumaque.

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Os grupos indígenas que vivem na região mantêm práticas de subsistência baseadas na agricultura, caça, pesca e coleta, mudando periodicamente a localização de suas comunidades para permitir a regeneração ambiental das áreas ocupadas.

História e Demarcação

De acordo com o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), a ocupação tradicional da região pelos Wajãpi remonta a séculos, mas o processo formal de reconhecimento e demarcação da terra iniciou-se apenas nos anos 1970, com sua delimitação formal ocorrendo em 1980.

A homologação definitiva foi realizada em 1996, após um processo de demarcação que contou com intensa participação dos próprios indígenas.

A iniciativa foi coordenada pela Fundação Nacional do Índio (Funai), com o apoio da Agência de Cooperação Alemã (GTZ) e do Centro de Trabalho Indigenista (CTI).

Fotos: Mário Vilela/Funai

Segundo o livro ‘Terra Indígena Wajãpi da demarcação às experiências de gestão territorial’, também do Iepé, no local podem ser encontrados árvores de copaíbas em ampla distribuição, mas dispersas. Segundo os Wajãpi, existem três tipos: a branca, vermelha e a negra com diferenças significativas na produção.

Desafios e Ameaças

Apesar de sua rica cultura e resistência, os Wajãpi enfrentam constantes desafios. A TIW é rica em recursos minerais, como ouro e ferro, o que atrai o interesse de empresas de mineração e garimpeiros.

Para proteger seu território, os Wajãpi já participaram inclusive das manifestações contra o PL 490, que visa liberar mineração em terras indígenas.

O povo tem sido historicamente assediado por essas atividades, que ameaçam tanto o meio ambiente quanto o modo de vida tradicional das comunidades.

Fotos: Mário Vilela/Funai

O acesso às aldeias é feito por estradas, rios, igarapés e trilhas na floresta. Por isso, para manter a qualidade de vida e garantir a vigilância territorial, os Wajãpi apostam na ocupação dispersa do território.

Esse modelo não só assegura a subsistência em padrões considerados adequados pelo próprio povo, como também fortalece a proteção de seu espaço sagrado.

*Com informações do Iepé e ISA

Desmatamento na Amazônia atinge menor índice da série histórica para fevereiro

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Foto: Reprodução/EBC

Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal atingiram o menor índice para o mês de fevereiro, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram registrados 80,95 km² de áreas desmatadas no mês em 2025, uma queda de 64,26% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram detectados 226,51 km² de desmatamento.

O pior ano foi 2023, quando houve alerta de desmatamento para uma área de 321,97 km² no período. Os alertas foram feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), desenvolvido como um sistema de alerta para dar suporte à fiscalização e controle de desmatamento e da degradação florestal realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e demais órgãos ligados à temática.

Estados

A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro e engloba os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. Em fevereiro de 2025, o estado com mais alerta de desmatamento foi Mato Grosso (29 km²), seguido por Roraima (18 km²), Pará (15 km²), Amazonas (11 km²), Maranhão (4 km²), Rondônia (3 km²) e Acre (2 km²).

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foram registrados 80,95 km² de áreas desmatadas em fevereiro deste ano

Cerrado

O bioma Cerrado também apresentou queda nos alertas de desmatamento em fevereiro de 2025, quando foram desmatados 494,05 km², em comparação aos dados de 2024. No mesmo período do último ano, foram desmatados 655,51 km², o maior valor da série histórica iniciada em 2019.

Os estados do Piauí (118,1 km²), Bahia (104,71 km²) e Tocantins (97,45 km²) lideram o ranking de áreas desmatadas, concentrando a maior parte da devastação. Entretanto, o estado do Mato Grosso (52,81 km²) e o Maranhão (57,4 km²) apresentam índices menores.

Desmatamento zero

O Governo Federal vem implementando diversas políticas públicas para reduzir o desmatamento no país, reafirmando o compromisso do Brasil com o desmatamento zero até 2030. Uma das principais ações foi a reativação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), originalmente lançado em 2004 e descontinuado em 2019.

O plano, restabelecido em 2023, mantém os eixos estratégicos de ordenamento territorial e fundiário, monitoramento e controle ambiental, fomento às atividades produtivas sustentáveis e instrumentos normativos e econômicos.

Além disso, estabeleceu uma parceria de R$730 milhões com municípios amazônicos para combater o desmatamento e os incêndios florestais, parte do PPCDAm. Esses recursos, provenientes do Fundo Amazônia e do programa Floresta+, serão investidos até 2027 em ações como regularização fundiária e ambiental, assistência técnica para produção sustentável e criação de brigadas municipais de combate a incêndios.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima estabeleceu ainda uma lista de municípios prioritários no bioma para ações de prevenção, controle e redução dos desmatamentos e da degradação florestal.

*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Jovem indígena une tradição e tecnologia em grife de moda on-line

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Foto: Reprodução/Ikaben

Pertencente ao povo Kokama, Joeliton Vargas Moraes já acumula importantes conquistas no mundo do empreendedorismo digital, antes uma terra árida para a disseminação da cultura dos povos originários da Amazônia.

Ele se formou em Administração no Instituto de Natureza e Cultura (INC) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em janeiro de 2025, mas dois anos antes, já ingressava no mercado das startups com uma proposta inovadora. A empresa Ikaben, idealizada por ele ainda quando cursava a disciplina de Empreendedorismo, em 2023, dá visibilidade aos grafismos de significado milenar entre os Kokama por meio da moda.

“A Ikaben é mais que uma marca, é uma voz. No dialeto Kayapó, Ikaben significa ‘voz’, e essa escolha não é por acaso. Queríamos não apenas falar por nós e pelos nossos parentes mais próximos, mas sim que a nossa voz ecoasse junto com a de outros povos indígenas, de etnias e territórios distintos, porque a nossa luta, a nossa cultura e a nossa resistência ultrapassam as fronteiras. A Ikaben não é só sobre uma identidade, mas sobre muitas identidades que se conectam. É sobre atribuir visibilidade a culturas que resistem há milênios e que seguem firmes, preservando suas raízes e sua sabedoria. Queremos que cada peça e cada criação carregue a mensagem de pertencimento, respeito e valorização”, explica o empreendedor.

Leia também: Grafismo indígena: a importância da arte como símbolo de resistência dos povos originários

Tudo começou quando o jovem universitário foi desafiado pelo professor Pedro Henrique Mariosa a pensar numa proposta de empreendimento que fosse capaz de valorizar a cultura indígena. Na época, Joeliton comercializava bonés comprados na capital para os parentes de sua comunidade, no município de São Paulo de Olivença.

A venda, no entanto, gerava lucros para as marcas já consolidadas na indústria da moda. Foi então que aluno e professor refletiram se não seria o caso mudar o sentido daquela equação, com a venda de produtos que valorizassem os elementos culturais próprios daquele povo e ainda gerando renda para a comunidade.

Empresa Incubada

A Ikaben germinou ali mesmo, na sala de aula, mas ganhou corpo depois de ser integrada à Incubadora de Negócios de Impacto Socioambiental do Alto Solimões (InPaCTAS). Em 2024, o professor Pedro Henrique Mariosa foi um dos três proponentes da Ufam contemplados no edital Pró-Incubadoras, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), e a InPaCTAS recebeu aporte de R$150 mil para potencializar as propostas aptas à incubação na região do Alto Solimões, onde fica o campus de Benjamin Constant.

À época da contemplação, o coordenador mencionou já haver demanda pelo serviço. “O Provalor identifica, mapeia e organiza iniciativas que promovam a inversão da subalternidade na Amazônia”, disse o professor Mariosa em 2024. De fato, é exatamente essa a ideia por trás da criação da Ikaben.

Durante a pré-incubação, houve oficinas, capacitações e mentorias, com o objetivo de estruturar as ideias dos proponentes. “A InPactas não é sobre aprender a vender, mas sobre como criar um negócio com propósito, impacto e sustentabilidade, fortalecendo redes de contato estratégicas para nos conectar ao mercado”, ressalta Joeliton Moraes.

A fase de incubação propriamente tem ajudado a empresa a crescer com bases sólidas e olhar para o futuro com mais estratégia e segurança.

“A importância desses processos não pode ser subestimada pelos novos empreendedores. No nosso caso, foi a partir dessas experiências que conseguimos transformar uma ideia, que um dia foi motivo de dúvida e até risadas, em um negócio real, estruturado e com impacto positivo na nossa região”, completa o jovem.

Foto: Reprodução/Ikaben

Tecnologia de rastreabilidade

A Ikaben foi fundada em 2023, como uma loja de roupas contendo grafismos atribuídos ao povo Kambeba, com atuação on-line. Ao aliar o uso de recursos tecnológicos a uma tradição cultural milenar, que são os grafismos indígenas do povo Kokama, a startup foi além.

Joeliton explica que o uso da tecnologia blokchain (cadeia de blocos, em tradução literal) é o que garante a rastreabilidade de origem no processo que envolve a fabricação de produtos como camisas, bolsas e bonés pela Ikaben. O emprego dessa tecnologia resultou da colaboração entre duas startups incubadas na InPaCTAS: a Ikaben e a Puwakana.

O modelo traz ao menos dois benefícios diretos: protege a propriedade intelectual dos grafismos indígenas e garante que haja um repasse financeiro justo para as comunidades.

“Unimos empreendedorismo socioambiental, tecnologia e tradição, conectando consumidores globais a histórias milenares e fortalecendo a voz dos povos originários da Amazônia”, orgulha-se Joeliton.

Além disso, o uso de blockchain fortalece toda a cadeia de valor em torno daquele negócio e incrementa o preço de venda das peças, pois permite a catalogação e monitora o uso comercial dos grafismos ancestrais, assegurando que haja mais transparência e respeito aos povos indígenas detentores desse artefato cultural.

Agora, ela busca acelerar o emprego da tecnologia blockchain para garantir a rastreabilidade e a autenticidade de peças vendidas pela própria empresa por outras lojas parceiras. Cada peça recebe o registro único digital, contendo o nome do artesão, o local de produção, os materiais utilizados e o significado cultural daquela arte.

O processo permite ainda que o produtor seja recompensado financeiramente, e que 15% dos lucros sejam repassados à comunidade. “Nós unimos empreendedorismo socioambiental, tecnologia e tradição, conectando consumidores globais a histórias milenares e fortalecendo a voz dos povos da Amazônia”, destaca Joeliton.

De acordo com o empreendedor, a ideia é mesmo construir junto com os artistas, visitando cada comunidade para apresentar a startup e facilitar o processo de entendimento pelos povos, cada qual com língua e cultura próprias, além de auxiliar no cadastro dos artesãos daquele povo. “Agora temos um caminho claro para seguir. Vamos expandir a coleção, trabalhar no desenvolvimento da tecnologia e criar oportunidades para que artistas indígenas se conectem ao mercado de forma justa e transparente”, conclui o jovem.

Fomento

A Ikaben foi selecionada na quinta edição do edital ‘Elos da Amazônia – Empreendedorismo Científico Indígena‘, do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), para receber um aporte financeiro de R$ 1 milhão em investimentos.

O edital é parte do Programa Prioritário de Bioeconomia, Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), e tem o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

*Com informações da UFAM

O novo trabalho: aprender e compartilhar

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Roberto é um executivo experiente que passou por diversas funções, em diferentes empresas, na área comercial. Como vendedor, sempre se destacou, superando metas, mesmo quando perdia noites de sono, preocupado em atingi-las.

Os bons resultados lhe proporcionaram oportunidades em cargos de liderança, onde também se saiu bem. Era querido pelas suas equipes e seguiu obtendo bons resultados. Contribuiu muito para isto, o investimento que fez na sua formação como gestor. Tinha consciência de que as competências que o fizeram ter sucesso como vendedor, individualmente, não seriam as mesmas numa posição em que os resultados viriam do trabalho de terceiros. Ele não dependeria apenas de si próprio, mas de uma equipe, que ele precisaria transformar em um time. Esta consciência o fez estudar e desenvolver novos conhecimentos.

Os anos se passaram e Roberto foi abraçando novas oportunidades, chegando a um cargo de diretor comercial em um segmento que também era novo para ele. O aprendizado agora seria em duas frentes: o de diretor e o do novo segmento.

Não foi difícil se adaptar ao novo mercado, que guardava semelhanças com o de outros que Roberto atuara. A parte mais técnica foi suprida com horas de estudo e pela experiência de componentes de sua equipe, que eram acionados quando necessário.

Como diretor, no entanto, sentiu-se inicialmente inseguro, pois descobriu que uma coisa era ser gerente e outra, ser um diretor, pelo menos, um bom diretor. Apesar de ser uma área que ele dominava, a comercial, as atribuições não eram as mesmas, exigindo dele, para obtenção de resultados, um olhar mais estratégico e ainda mais voltado para pessoas.

O próprio tipo de estratégia havia se transformado desde o tempo em que Roberto estudara o assunto. De preditiva, em um mundo previsível, para emergente, em um ambiente mais complexo, marcado por mudanças e incertezas. Neste cenário, Roberto sabia que contar com pessoas capazes e comprometidas era essencial.

Roberto foi buscar novas técnicas e estudos, mas o tipo de conhecimento que fez maior diferença foi o autoconhecimento. Aprendeu a fazer uso de suas principais forças. Além disso, investiu em se tornar uma pessoa melhor, dedicando tempo para o seu desenvolvimento mental e espiritual. Mesmo tendo tido sucesso antes como líder, sentiu que havia atingido um outro patamar. Percebeu que não tinha o controle completo dos resultados, mas aprendeu a confiar que eles seriam consequência de um bom trabalho. Isto lhe deu tranquilidade diante de metas que se tornavam cada vez mais desafiantes. Já não perdia o sono por elas.

De estudo em estudo, Roberto aprendeu que a felicidade consciente que, como sabemos, não é apenas prazer, pode ser construída. Roberto incorporou isto seriamente ao seu trabalho, cada vez mais voltado para o desenvolvimento de pessoas que, em contrapartida, traziam os números que ele e a empresa precisavam. Roberto aprendeu e não cansava de repetir: pessoas e resultados andam juntos. Era um diretor exigente que inspirava o time a buscar a excelência.

Roberto agora inicia uma nova fase em sua vida. Ele descobriu que uma das maiores realizações do ser humano é compartilhar o que aprendeu em sua jornada. Este será o seu novo trabalho. Não estando mais como executivo, Roberto atuará como coach, mentor, consultor ou conselheiro. Como sempre em que esteve em situações de mudança, está consciente de que precisará aprender a desempenhar estes novos papéis. Há novas competências a desenvolver. Roberto está mais confiante do que nunca. Ele aprendeu a aprender e descobriu o sabor de compartilhar. Não será este, mais cedo ou mais tarde, o trabalho de todos nós?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Brigadistas Yanomami são treinados para prevenir e combater incêndios no território indígena

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Treinamento do Ibama para brigadistas indígenas em Roraima. Foto: Divulgação/Ibama

Dezesseis indígenas brigadistas Yanomami participaram de um treinamento especial para monitorar, prevenir e combater incêndios florestais e queimadas em 2025 no maior território indígena do Brasil. A capacitação é parte da programação da primeira Oficina de Educação Ambiental promovida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

O treinamento do Ibama sobre Manejo Integrado do Fogo (MIF) envolveu brigadistas que fazem parte do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) de diferentes povos, incluindo também Macuxi, Wapichana e Yekuana e seguiu até o fim de fevereiro.

Os brigadistas Yanomami que participaram do treinamento são da comunidade Xirixana e das comunidades da Floresta Nacional de Roraima, em Mucajaí e Alto Alegre. Os 20 brigadistas da comunidade Xirixana são da Brigada Yanomami, enquanto os 21 brigadistas das comunidades da Floresta Nacional de Roraima fazem parte da Brigada Apoio Yanomami.

Além das bases Yanomami, o treinamento também formou integrantes para outras duas brigadas, sendo elas:

  • Na Brigada Raposa, no município de Normandia – 25 brigadistas;
  • Brigada Malacacheta, no município do Cantá – 19 brigadistas.

Entre os brigadistas que participaram do treinamento estava Denilson Xirixana, de 48 anos, o mais velho da brigada Yanomami.

“Entrei para o Prevfogo depois de um grande incêndio que destruiu a minha casa, a floresta ao redor e os animais”, disse o brigadista, que precisou viver com a família na casa de um amigo até construir a nova moradia.

Ajudar a comunidade

Sob o efeito do fenômeno El Niño, em 2024, Roraima registrou um recorde histórico no número de focos de calor: 5.358, o maior número para o estado desde 1998, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a monitorar as queimadas na Amazônia.

O número supera o registrado cinco anos antes, em 2019, quando o estado teve 4.784 focos de calor. Tendo esses número em vista, o treinamento busca preparar os brigadistas para o período seco no estado.

Marcel Xirixana também viu a floresta em chamas neste período. Ele relatou que os mutuns, veados e a onça-pintada agonizavam no meio do fogo. “Cada indígena viveu uma experiência triste por causa dos incêndios”, disse o brigadista Yanomami.

Para não deixar o fogo destruir novamente a natureza, dezesseis indígenas da comunidade Xirixana se uniram para formar a Brigada Yanomami. Todos passaram pelo curso de formação oferecido, em 2024, pelo Prevfogo.

Este ano, a Oficina de Educação Ambiental em Manejo Integrado do Fogo (OEAMIF), do Ibama, trouxe um novo aprendizado.

“Os indígenas achavam que era só pra combater incêndios, e agora aprenderam que é preciso trabalhar com prevenção por meio de ações educativas”, destacou o chefe da Brigada Yanomami, Zaqueu Ângelo.

Além disso, o conteúdo da oficina está sendo traduzido para a língua nativa para facilitar a compreensão das comunidades indígenas.

Controlar os focos de calor

De acordo com o Ibama, a educação ambiental é a principal ferramenta para sensibilizar e capacitar os indígenas. “Os brigadistas educadores ambientais serão multiplicadores de atividades sustentáveis, promovendo boas práticas nos territórios onde as brigadas atuam”.

As oficinas são baseadas na metodologia participativa da educação popular e tem suas raízes na Educação Ambiental na Gestão Ambiental Pública (EA na GAP) do Ibama.

As atividades incluem visitas de campo e informações sobre os tipos de queimas, prescrita e controlada, e a troca de conhecimentos tradicionais referentes ao uso do fogo e seu impacto sobre a vegetação, os animais, a cultura e a economia da região.

Queima Prescrita: é o uso necessário do fogo em ecossistemas e ambientes adaptados a ele, como o lavrado, para florescer a vegetação. Também para combater o fogo em ecossistemas sensíveis, como a floresta.

Queima Controlada: é o uso do fogo de forma planejada, em áreas e períodos pré-definidos, como ferramenta para a produção agrícola ou pecuária, limpeza de áreas, combate a pragas e pestes.

Em cada etapa os indígenas participam de dinâmicas de interação e integração, que resultam em reflexões sobre a atuação de cada um no processo educativo da comunidade.

“É a construção coletiva de um espaço pedagógico que nos abre as portas para entrar e criar a empatia necessária nas comunidades em que trabalhamos, nas quais os brigadistas são selecionados”, explicou Ricardo Ayres, coordenador da Prevfogo.

As oficinas permitem aos educadores ambientais do Ibama, lotados nos diversos estados do Brasil, potencializar a capacidade de ação do Prevfogo, enquanto ampliam seu horizonte profissional pelas experiências que vivenciam nas comunidades tradicionais.

Já para os brigadistas supervisores do Prevfogo, é uma oportunidade de levar o conhecimento do manejo integrado do fogo para toda a sociedade, principalmente para os trabalhadores rurais que utilizam o fogo como única ferramenta para preparação do solo, como explica o supervisor estadual das Brigadas do Prevfogo de Roraima, Bruno Eduardo Wapichana.

“Esse conhecimento pode impactar de forma positiva a vida dos indígenas, que já usam o fogo de forma tradicional, e isso ajuda a reduzir as consequências das mudanças do clima que o Brasil vem passando”.

O produto das oficinas é a apresentação do Plano de Ações Educativas, elaborado pelos próprios brigadistas indígenas, a ser implementado por cada etnia em seus territórios, considerando o calendário de queima prescrita e controlada.

*Por , da Rede Amazônica RR

Japiim, o pássaro que imita mais de 20 espécies na Amazônia

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Foto: Cynthia Lebrão/Uakari Lodge

Japiim, japim, baguá, japuíra, japiim-xexéu, japi, xexéu do arari, xexéu e joão-conguinho. Esse pássaro (Cacicus cela) pode ter muitos nomes, mas são suas peculiaridades que chamam – e muito – a atenção. Primeiro por suas características físicas: preto com detalhes amarelos, bico fico e olhos azuis vibrantes.

Mas principalmente por ser conhecido como um artesão “de mão cheia” e também por conseguir imitar o som de outros animais.

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O japiim é extensamente distribuído. É visto em todas as florestas verdes da planície de Panamá, Trinidad, Peru e Bolívia, além da Amazônia brasileira.

Foto: Reprodução/Animalia

A espécie se alimenta em grande parte de insetos e outros artrópodes, mas também consome um pouco de fruta e néctar.

Quer conhecer mais sobre o Japiim? Separamos algumas curiosidades sobre a espécie que é considerada a artesã da Amazônia. Confira:

  • O japiim invade e ocasionalmente saqueia ninhos de outros pássaros;
  • Ele consegue imitar perfeitamente o som de outras aves como tucanos e periquitos e até mesmo outros mamíferos como os macacos-de-cheiro;
@passarosbrasileiros_ Além de lindo, o Xexéu tem um canto espetacular e também imita o canto de outros pássaros. Yellow-rumped Cacique – Cacicus cela – #xexeu#japiim #passarosbrasileiros #passaroscantando #passarosdobrasil #passarossilvestres #avesdobrasil #avescantando #avessilvestres #bird #birds #birdslover #birdsoftiktok #birdwatching ♬ som original – passarosbrasileiros – Pássaros Brasileiros e Cia

  • Sua árvore favorita é a mangueira;
  • A época de reprodução abrange de julho a fevereiro. Essas aves constroem seu ninho em árvores e vivem juntas em colônias;
  • As fêmeas lutam para ganhar um local de nidificação ideal e seguro para seus ovos;
  • Os machos são competitivos. Um exemplo dessa competição entre eles é o contra-canto. O pássaro que não consegue ficar em sintonia com as músicas, completa-las, perde;
  • Os ninhos da espécie são geralmente construídos em árvores que possuem ninho ativo de vespa, que ajudam a manter os predadores longe;
Foto: Cynthia Lebrão/Uakari Lodge
  • O japiim fêmea constrói um longo ninho de fibras de plantas em uma árvore. Ela os tece com gravetos, capim e fibras de palmeira. Os maiores parecem bolsas pendentes nos galhos de grandes árvores;
  • O pássaro é a inspiração para o bairro Japiim, fundado em 31 de março de 1969, em Manaus (AM). Segundo os moradores, na época, era comum a presença da espécie na área;
  • Existem três subespécies: Cacicus cela cela (Linnaeus, 1758), encontrada na Colômbia, Bolívia e Brasil; Cacicus cela vitellinus (Lawrence, 1864), encontrada do Panamá à Colômbia; e Cacicus cela flavicrissus (P. L. Sclater, 1860), encontrada do Equador ao Peru;
  • O Cacicus cela foi avaliado para a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, sigla em ingês) em 2020 listado como ‘Pouco Preocupante’;
  • O maestro paraense Waldemar Henrique (1905-1995) compôs uma série para voz e piano chamada Lendas Amazônicas e, entre elas, homenageou o Japiim. A canção foi interprestada no recital de mestrado de Isabela de Figueiredo Santos, em 2009, para a Escola de Música da UFMG, (com a dissertação ‘Lendas Amazônicas de Waldemar Henrique: um estudo interpretativo’). A pianista era Patrícia Valadão.

Santuário para quelônios: conheça o Refúgio de Vida Silvestre Tabuleiro do Embaubal

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Foto: Vinícius Leal/Ascom Ideflor-Bio

Criado por meio do Decreto Nº 1.566, de 17 de junho de 2016, o Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Tabuleiro do Embaubal abrange uma área de aproximadamente 4.033,94 hectares no município de Senador José Porfírio, no estado do Pará.

Inserido na Bacia do Xingu, o santuário é reconhecido como uma das maiores áreas de reprodução de quelônios do mundo, abrigando de 500 mil a 700 mil filhotes anualmente. Esse fenômeno torna a Unidade de Conservação (UC), administrada pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), essencial para a preservação dessas espécies ameaçadas.

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Como uma UC de Proteção Integral, o uso de recursos naturais no santuário é restrito, garantindo a segurança das áreas de desova e dos animais que dependem do local para sua reprodução. A região abriga a maior área de desova da tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), além de ser um refúgio para tracajás (Podocnemis unifilis) e pitiús (Podocnemis sextuberculata).

As tartarugas percorrem grandes distâncias para chegar ao santuário, reforçando seu papel na proteção de animais migratórios.

“Esse local é vital para a continuidade das espécies, pois elas buscam o ambiente seguro do Tabuleiro para garantir a perpetuação das novas gerações”, destaca Átilla Melo, técnico em Gestão Ambiental do Ideflor-Bio.

Foto: Vinícius Leal/Ascom Ideflor-Bio

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Objetivos da Unidade de Conservação

A criação da UC tem como propósitos principais:

  • Preservar a vida silvestre e os ambientes naturais, garantindo a reprodução de espécies residentes e migratórias;
  • Proteger o rico patrimônio biológico do Rio Xingu, incluindo quelônios, aves migratórias e outras espécies vulneráveis da fauna amazônica;
  • Assegurar a proteção do Tabuleiro do Embaubal devido à sua alta vulnerabilidade e importância ecológica;
  • Favorecer pesquisas científicas e fomentar iniciativas que reduzam o risco de extinção de espécies ameaçadas.
  • A UC também permite atividades de visitação e pesquisas científicas, desde que previamente autorizadas e estabelecidas no Plano de Manejo da unidade.

Biodiversidade e Importância Ecológica

Além dos quelônios, o santuário é lar de diversas espécies amazônicas de grande valor ecológico, como o boto-vermelho (Inia geoffrensis), o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) e diferentes espécies de jacarés. A área também atrai aves migratórias, como a águia-pescadora (Pandion haliaetus) e o maçarico, que utilizam o refúgio como ponto de descanso durante suas rotas migratórias. Esse intercâmbio de espécies auxilia na preservação da cadeia ecológica e no equilíbrio dos ecossistemas amazônicos.

Diante de sua relevância para a biodiversidade, o Refúgio de Vida Silvestre Tabuleiro do Embaubal segue desempenhando um papel crucial na conservação ambiental, garantindo a sobrevivência de espécies ameaçadas e contribuindo para a manutenção dos ecossistemas amazônicos.

*Com informações da Instituto Socioambiental e da Agência Pará

Projeto desenvolvido no Acre busca recuperação de paisagens degradadas no Juruá

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Recuperação do solo proporciona aos produtores melhores condições de plantio. Foto: Marcos Santos/Secom AC

O governo do Acre, por meio da Secretaria de Agricultura (Seagri), em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), organização científica e não governamental, e outras entidades, está implementando um projeto para a recuperação de áreas e paisagens degradadas na região do Juruá.

A iniciativa tem como principal objetivo mostrar que é possível melhorar a produtividade agrícola de pequenas propriedades, sem a necessidade de novos desmatamentos, utilizando técnicas adequadas de manejo do solo.

Ao chegar às propriedades rurais, os técnicos apresentam aos produtores alternativas viáveis para recuperar áreas com baixa produtividade, como pastagens degradadas e áreas de capoeira. Com orientação especializada, os agricultores melhoram o manejo das áreas, garantindo ganhos na produção e preservando o meio ambiente.

A produtora rural Elizete Amaral, que trabalha com mandiocultura, já colhe os frutos da iniciativa. Em sua propriedade, o projeto otimizou a reutilização do solo no entorno da casa de farinha, facilitando o trabalho diário. “Antes, eu pensava que, para plantar mais, precisava desmatar outra área. Com o projeto, aprendi a recuperar o solo que já tenho, e isso fez toda a diferença. Agora, a produção da farinha ficou mais eficiente e menos cansativa”, relata.

Produtores rurais do Juruá são beneficiados com projeto de recuperação do solo. Foto: Marcos Santos/Secom AC

O gestor da Seagri no Juruá, Marcos Pereira, destaca a importância da assistência técnica oferecida pelo projeto. “Nosso foco é promover trocas com os produtores, para utilizarem melhor suas terras. Muitas vezes, não sabem que podem recuperar áreas já abertas e melhorar sua produtividade sem precisar desmatar. Com planejamento e técnicas adequadas, conseguimos fortalecer a agricultura familiar e reduzir impactos ambientais”, explica.

A recuperação das áreas degradadas envolve um conjunto de práticas, como preparo do solo, adubação, controle de doenças e mecanização. O analista de pesquisa do Ipam, Aliedson Sampaio, reforça a relevância do projeto.

“O uso correto do solo é essencial para garantir a produtividade a longo prazo. Aqui no Juruá, estamos mostrando que o manejo sustentável traz resultados concretos, tanto para os produtores quanto para a conservação da floresta”, afirma.

O projeto é financiado pela União Europeia, que firmou um acordo de cooperação técnica com o governo do Acre, estabelecendo um plano de trabalho entre as secretarias estaduais, com a Seagri como principal responsável pela execução das ações.

Produção de farinha após reaproveitamento do solo. Foto: Marcos Santos/Secom AC

*Com informações da Agência Acre