Home Blog Page 372

Barragens com risco de rompimento na Amazônia podem atingir área maior que a de Porto Alegre

0

Barragem de rejeito da Mineração Rio do Norte em Oriximiná, no Pará. Foto: Carlos Penteado/Arquivo/CPI-SP

Uma parte da população amazônica vive próxima a barragens de mineração que apresentam problemas estruturais e de risco potencial à vida humana e à floresta. Uma análise exclusiva da InfoAmazonia revela que, dos 371 empreendimentos minerários na região, 46% (171) estão em estado de emergência — com falhas físicas, como corrosão, erosão ou desgaste de materiais —, ou classificados como risco médio ou alto de atingir comunidades e causar danos em caso de rompimento. Os dados são da Agência Nacional de Mineração (ANM).

A atividade das mineradoras gera rejeitos, como lama, líquidos e resíduos tóxicos, que são armazenados em barragens. Em caso de rompimento, esses materiais podem se espalhar por uma área de 590 km² na Amazônia, — o equivalente a mais que o dobro da cidade de Porto Alegre (RS) — atingindo pontos próximos a florestas, cidades e quilombos, segundo os dados da ANM.

Leia também: Amazonas possui 15 barragens de mineração; saiba onde ficam

Confira AQUI, na publicação original, o mapa para conseguir observar a área de inundação prevista (em rosa) em cada empreendimento. Os pontos azuis são as barragens.

Durante a instalação e o registro oficial pela ANM, as barragens passam por uma avaliação sobre os possíveis riscos de acidentes, como rompimentos e outras falhas na estrutura, e os danos causados por eles, ambos classificados como alto, médio ou baixo. A categoria de risco verifica o estado de conservação, a altura da barragem, a capacidade para o volume de rejeitos e o histórico de manutenção e monitoramento pelos órgãos responsáveis. Já o dano potencial analisa a possibilidade de perdas humanas e os impactos socioambientais e econômicos.

Para entender até onde a lama chegaria em caso de um rompimento, as empresas calculam a distância de alcance do rejeito de acordo com o volume, o tipo, a altura e a geometria da estrutura da barragem. Seis estados da Amazônia seriam afetados em caso de acidente: Pará, Maranhão, Mato Grosso, Amapá, Rondônia e Amazonas.

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

O Pará seria o mais prejudicado, com 409,48 km² impactados, área equivalente a 40% da capital Belém. Os rejeitos atingiriam cidades como Barcarena (PA), Almeirim (PA), Parauapebas (PA) e Pedra Branca do Amapari (AP), além de 345 km² de floresta e três comunidades quilombolas, onde vivem mais de 400 famílias.

Nos outros estados, o impacto seria menor: em Mato Grosso, 64,99 km² seriam atingidos; Maranhão, 51 km²; Amapá, 24,58 km²; Rondônia, 21,94 km²; e Amazonas, 18,51 km². No entanto, o histórico de rompimentos no Brasil mostra que os cálculos preditivos de área em caso de acidente não são precisos: “As informações das barragens são enviadas pelas próprias empresas, não são produzidas pelo Estado. Isso prejudica a eficácia desses dados”, explica Francisco Kelvin da Silva, coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens, organização que atua no tema desde 1970.

Leia também: MPF recomenda desfazer barragem de mineração em Rondônia semelhante a de Brumadinho

Segundo Silva, oficialmente, o Brasil tem cerca de 30 mil barragens para diferentes usos: contenção de sedimentos, hidrelétricas, geração de energia, irrigação, navegação, espalhadas por todo o território nacional: “Entretanto, os pesquisadores indicam que o número pode ser ainda maior, especialmente em regiões do interior do país que ainda não estejam cadastradas pelo governo”.

Além disso, no caso das barragens de mineração, há um déficit nos registros, pois existem áreas não cadastradas, como aquelas que indicam a presença de garimpo ilegal. Foi esse o caso do rompimento ocorrido em fevereiro, no Amapá, quando os rios Cupixi e Araguari foram manchados com lama, areia e argila, resíduos da extração de ouro, nos municípios de Pedra Branca do Amapari e Porto Grande.

“No caso da Amazônia, uma quantidade muito grande de barragens ligadas à atividade do garimpo só está sendo identificada nos últimos relatórios, em virtude dos problemas de segurança que apresentam. Ou seja, são verificadas quando já estão causando algum dano”, diz Silva.

Empresas atuam na região com a extração de bauxita, ferro, manganês, cobre, níquel e outros minérios. Esses materiais podem causar problemas de saúde, tanto pela ingestão direta, como no consumo de água contaminada, ou indireta, quando animais contaminados são usados para alimentação.

Alguns materiais, como cobre e chumbo, podem causar irritações na pele quando a pessoa entra em contato com a poeira dos rejeitos. Em geral, as doenças associadas são infecciosas, como a dengue, que se prolifera em focos de água parada. Também há risco de doenças renais, câncer, hipertensão e problemas psiquiátricos, como depressão, ansiedade, insônia e estresse.

Para Silva, o Estado não consegue estimar os danos reais dos empreendimentos. Ele explica que, antes mesmo de uma barragem começar a funcionar, as comunidades e os municípios sofrem impactos nos serviços públicos e no crescimento desordenado dos territórios.

“Você tem um impacto cumulativo dessa operação que é muito grande, que tem a ver não só com o impacto ambiental, mas com a capacidade do Estado de atender diante dessa nova realidade. A gente tem um crescimento muito grande da especulação imobiliária, do preço da terra, o que agrava os conflitos urbanos — com casos de violência contra mulheres crescendo — e também no ambiente rural, com brigas por moradia”, relata o coordenador.

Comunidade Boa Vista tem mais de 50 famílias quilombolas que temem o rompimento de barragem. Foto: Carlos Penteado/Arquivo /CPI-SP

Pará: o estado sob maior risco

As populações do estado do Pará disputam o espaço com grandes mineradoras que operam na região. Neste ano, por exemplo, o Tribunal da Holanda vai julgar a empresa norueguesa Hydro-Alunorte, acusada de despejar minérios em rios que margeiam comunidades ribeirinhas nos municípios de Barcarena e Abaetetuba.

A Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama) afirma que o impacto ambiental nos rios está causando perda de memória, câncer e problemas neurológicos nos moradores das comunidades Sítio São João, São Sebastião do Burajuba e Sítio Cupuaçu, localizadas em Barcarena. A empresa atua no município desde 1995. No ano passado, a Justiça Federal condenou a Hydro-Alunorte a pagar R$ 100 milhões pelo impacto causado nas comunidades.

“Nós queremos a nossa vida como era antigamente. Queremos a nossa saúde. Somos tradicionais, somos povo da floresta. Queremos tomar banho no rio, andar a pé, nas nossas praias. Queremos voltar a pescar e comer os nossos peixes, vender. Queremos a nossa saúde de volta”, diz Maria do Socorro Costa Silva, presidente da Cainquiama.

De acordo com o VI Relatório Anual de Segurança de Barragens de Mineração, da Agência Nacional de Mineração (ANM), órgão responsável pelo cadastro e monitoramento dos empreendimentos, das 371 barragens existentes na Amazônia, apenas 17% (66) foram vistoriadas em 2024.

As vistorias são feitas para que o órgão verifique se a empresa está cumprindo os requisitos legais dos Planos de Segurança de Barragem — documento que descreve ações de redução de impactos — e para avaliar a conservação das estruturas físicas das barragens.

A líder quilombola Sandra Amorim é coordenadora da Associação de Moradores da Comunidade Quilombola Sítio São João, território que está próximo de duas barragens da empresa Imerys Rio Capim, em Barcarena. A empresa extrai dali o minério caulim (este minério é uma rocha fina composta por silicato de alumínio. Ela é usada para confecção de papel, cerâmicas, tintas, borrachas, dentre outros). As duas barragens apresentam risco alto e baixo para rompimento, e ambas têm dano potencial alto às comunidades.

Sandra é uma das ativistas que lutam contra a mineração no Pará. “Afetou sim, porque não tem mais como a gente usar o rio. Eles chamam de acidentes, a gente chama de crime ambiental mesmo. A água pura é contaminada pelos rejeitos, por lixo”, afirma.

Quilombos atingidos

Em Oriximiná, noroeste do Pará, os quilombos Boa Vista e Alto Trombetas ficam próximos de 11 barragens de mineração da empresa Mineração Rio do Norte (MRN), que explora bauxita na região do Vale do Trombetas. (Veja o mapa AQUI)

Manuel Edilson Santos, líder quilombola conhecido como “Munduca”, diz que vive há 46 anos com medo de um acidente. Ele mora na comunidade Boa Vista, localizada a 10 minutos de distância da barragem da MRN.

Este foi o primeiro quilombo a receber titulação no Brasil, em 1995, e lá vivem 50 famílias. Porém, a mineradora chegou antes que o Estado cumprisse seu papel, em 1979, de titular os territórios quilombolas. Desde então, as comunidades tiveram diversas modificações no espaço: primeiro, com a criação da vila de Porto Trombetas — feita para receber os funcionários da mineradora —, depois com práticas de despejo e criação de tubulações para derramamento em lagos.

Parte desses impactos só começou a ser corrigida após 1981, com a criação da Política Nacional de Meio Ambiente, que instituiu o licenciamento ambiental e planos de segurança.

“A gente fica a 100 metros de uma barragem dessas. Mora gente ao lado da barragem e na frente dela. Então, não tem como dizer que lá não há risco. Você não sabe a hora nem o momento em que ela pode estourar, entendeu? Já são muitos anos jogando lama nos igarapés”, explica Munduca.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A MRN promove diversas atividades de reconhecimento das comunidades quilombolas, como projetos educacionais, seminários e apoio às práticas extrativistas. Apesar disso, Munduca conta que os danos às famílias são constantes, pelo medo de usar as águas dos rios, pela perda do território e pelo receio de que um rompimento ocorra.

“Eu sou muito revoltado com o que acontece aqui. Imagina, eles fizeram um estudo de componente quilombola (documento que avalia impactos que empreendimentos podem causar em territórios quilombolas) com 600 páginas de documento. Você acredita que, dentro do território, os comunitários — que são em sua maioria semi-analfabetos — vão ter condições de entender a importância disso? É uma humilhação. É muito covarde, sabe?”, diz Munduca.

No caso das duas barragens da MRN que ameaçam a vida dos quilombolas da Comunidade Boa Vista, ambas têm dano potencial considerado médio. Isso significa que, em caso de rompimento, há possibilidade de perdas de vidas humanas, impactos ambientais e estruturais, segundo a ANM.

“Ela [a empresa] está tirando minério sem nenhuma preocupação. Para a mineração, tudo aqui está sendo feito com 100% de qualidade, com tudo em segurança, sem dano ao meio ambiente, mas isso não é real. Os nossos rios estão sujos”, diz Munduca.

A InfoAmazonia procurou a MRN e perguntou sobre os seus protocolos de segurança. Em resposta, a empresa informou que faz monitoramento das barragens 24h por dia e possui o Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG), estrutura que “garante a segurança dos reservatórios e barragens, com instrumentos automatizados que fornecem leituras diárias analisadas por toda a equipe do CMG e barragens”.

A mineradora informou, também, que todas as barragens foram vistoriadas por auditores externos, em 2024 e 2025, e que estão seguras: “A empresa também promove ações de conscientização, como seminários informativos e simulados, que mantêm comunidades próximas ao empreendimento e empregados informados e preparados para qualquer tipo de incidente, atuando preventivamente com a ampliação do conhecimento sobre o tema”, explicou.

Leia a nota completa aqui.

Mineradoras com barragens

Dez empresas concentram 77 barragens na Amazônia. São elas:

  • Mineração Rio do Norte S.A. (24),
  • Cooperativa Mineradora dos Garimpeiros de Ariquemes (9),
  • Vale S.A. (9),
  • Alcoa World Alumina Brasil Ltda. (7),
  • Mineração Taboca (6),
  • Salobo Metais S.A. (6),
  • Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Pontes e Lacerda (4),
  • Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Vila Nova (4),
  • Mineração Apoena S.A. (4)
  • e Salinas Gold Mineração (4).

Dessas, a Vale S.A., Mineração Taboca, Salobo Metais, Alcoa World Alumina Brasil têm casos de investigações de irregularidades no Brasil sob análise – processos judiciais ou denúncias feitas por comunidades ao MPF – ou rompimentos de barragens já ocorridos e denunciados à imprensa.

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou, em 2021, a suspensão das atividades da barragem da Mineração Taboca S.A., após identificar vazamento de rejeitos no território do povo Waimiri Atroari.

Já a Vale S.A. foi responsável por dois grandes rompimentos de barragens no Brasil: os de Brumadinho e de Mariana, ambos no estado de Minas Gerais. A empresa também é dona da Salobo Metais S.A, que tem barragens na região. Em 2022, o Ministério Público do Trabalho do Pará pediu que a Justiça determinasse a retirada de 1.400 trabalhadores da área de risco, onde atuavam na barragem Mirim, no município de Marabá (PA).

Em 2019, a Justiça Federal determinou a proibição da entrada da Alcoa World Alumina Brasil no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande, em Santarém (PA), sem a realização da consulta prévia, livre e informada às comunidades. A norma foi um pedido do MPF. O órgão afirmou em ação ajuizada que estavam ocorrendo assédios às comunidades, sem seguir o trâmite da consulta.

Todas as empresas citadas – Mineração Rio do Norte S.A., Cooperativa Mineradora dos Garimpeiros de Ariquemes, Vale S.A., Alcoa World Alumina Brasil Ltda, Mineração Taboca, Salobo Metais S.A, Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Pontes e Lacerda, Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Vila Nova, Mineração Apoena S.A. e Salinas Gold Mineração – foram questionadas pela InfoAmazonia sobre as vistorias realizadas no último ano, sobre os protocolos de segurança e a estrutura das barragens que possuem nos estados da Amazônia.

A Vale informou que todas as barragens possuem declaração de estabilidade positiva e são vistoriadas periodicamente e que as estruturas passam por inspeções rotineiras de campo, auditorias externas e são monitoradas permanentemente também pelo Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG), 24 horas por dia, durante todos os dias da semana.

“As barragens da Vale no Pará possuem declaração de estabilidade positiva e são vistoriadas periodicamente, de acordo com a legislação. A empresa não possui nenhuma barragem em nível de emergência no estado. As estruturas passam por inspeções rotineiras de campo, auditorias externas e são monitoradas permanentemente também pelo Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG). O CMG funciona por meio de sistema integrado com instrumentos, câmeras e acompanhamento de equipe técnica, que monitora as estruturas geotécnicas (barragens) da Vale, 24 horas por dia, durante todos os dias da semana.

Todas as barragens da Vale no Pará possuem Plano de Segurança de barragens, conforme previsto em lei. A empresa periodicamente, realiza conjunto de ações educativas de promoção da cultura de segurança sobre barragens. Entre elas, testes de sirenes e simulados de emergência, visitas às operações e seminários orientativos, cujo objetivo é aprofundar o conhecimento das pessoas sobre medidas de segurança de barragens e as ações de prevenção. Por fim, a Vale reitera o seu compromisso com a proteção das comunidades, do meio ambiente e com a segurança de suas estruturas”, disse a empresa.

A Mineração Apoena, da companhia Aura Minerals, explicou, via assessoria de imprensa, que todas as barragens passam por auditorias três vezes ao ano e inspeções regulares quinzenalmente . “Todas as nossas barragens estão regulares, todas atestadas dentro da regularidade. Além das auditorias externas exigidas por lei, a AURA cumpre com legislação e faz inspeções internas, regulares, com seu próprio time de especialistas, periodicamente, de forma regular”, disseram.

As outras empresas não responderam até a publicação da matéria.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazonia, escrito por Jullie Pereira

Parceria já restaurou mais de 20 hectares com café agroflorestal em Apuí, no Amazonas

Foto: Reprodução/Idesam

Um dos maiores proprietários, operadores e desenvolvedores independentes de infraestrutura de comunicações compartilhadas do mundo em número de torres, a IHS Brasil – parte do grupo IHS Holding Limited (NYSE: IHS) (“IHS Towers”), apoiou o plantio de aproximadamente 20 mil mudas, cobrindo 10 hectares no município de Apuí (AM), no contexto da Iniciativa Café Apuí Agroflorestal.

Leia também: Empreendedorismo e sustentabilidade: Café Apuí, o primeiro café agroflorestal da Amazônia

Desenvolvida pela Amazônia Agroflorestal e Idesam, a iniciativa do Café Apuí Agroflorestal é responsável por implementar Sistemas Agroflorestais (SAFs), que combinam espécies nativas e agrícolas, em mais de 260 hectares no município de Apuí, dos quais 23 foram apoiados pela IHS Brasil.

Desde o início da parceria da IHS Brasil com o Idesam, em 2021, mais de 44 mil mudas foram plantadas, refletindo o compromisso da companhia com a recuperação de áreas degradadas e o desenvolvimento sustentável da região amazônica.

Esta ação voluntária cobre o equivalente à área aproximada do programa de construção de torres greenfield da IHS Brasil em 2023. Além do impacto ambiental positivo, a iniciativa promove a produção sustentável de café, oferecendo uma alternativa de renda às comunidades locais e ajudando a fortalecer a economia regional.

Para o próximo ciclo de plantio, previsto para começar ainda este ano, a IHS Brasil plantará mais 25.000 mudas, expandindo significativamente o escopo e o impacto do projeto.

Michel Levy, CEO da IHS Brasil, afirma que o projeto representa o compromisso  da companhia com a sustentabilidade e com as comunidades locais na Amazônia.

”Ao aliarmos a recuperação ambiental com a geração de renda para os produtores locais, estamos ajudando a criar um ciclo de desenvolvimento sustentável. A parceria entre a IHS Brasil e o Idesam tem se mostrado um modelo eficaz de colaboração entre o setor privado e as organizações de conservação ambiental, demonstrando como investimentos direcionados podem gerar benefícios ambientais e socioeconômicos significativos”, destaca Levy.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Para André Vianna, diretor técnico do Idesam, o apoio de parceiros estratégicos e de longa data, como a IHS, tem sido fundamental para o fortalecimento e a ampliação do impacto da iniciativa.

”Ao longo de quatro anos de parceria — incluindo o investimento no ciclo de plantio de 2025 —, a IHS tem contribuído ativamente para o desenvolvimento socioambiental de uma região com alto potencial para a redução do desmatamento, por meio da implementação de sistemas que aliam sustentabilidade e produção”, completa Vianna.

*Com informações do Idesam

Com galerias subterrâneas, Morro da Caixa d’Água Velha é um dos museus singulares de Cuiabá

Foto: Reprodução/Mapas-MT

No coração de Cuiabá (MT), entre o concreto da modernidade e os vestígios do passado, ergue-se um monumento que narra a saga da cidade e de seu povo: o Museu Morro da Caixa d’Água Velha. Instalado em uma antiga estrutura de abastecimento construída no século XIX, o espaço transcende sua função original e hoje se firma como um centro cultural e histórico fundamental para a capital mato-grossense.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A Caixa d’Água foi inaugurada em novembro de 1882, durante a gestão do Coronel José Maria de Alencastro, com capacidade para armazenar até 1,2 milhão de litros. À época, servia a uma Cuiabá com pouco mais de 20 mil habitantes.

A água era captada diretamente do rio Cuiabá, por meio de uma máquina a vapor instalada na Hidráulica do Porto, e chegava à população por um sistema de distribuição engenhoso, que utilizava canos de ferro fundido e a força da gravidade.

O líquido desaguava em bicas espalhadas pela cidade, de onde era transportado por carroças, charretes e até nos ombros e cabeças dos trabalhadores — muitos dos quais viam nessa atividade sua principal fonte de sustento.

Leia também: 4 dicas do que aproveitar no Museu de História Natural de Mato Grosso

Foto: Reprodução/Mapas-MT

Com o crescimento urbano, novas demandas por abastecimento surgiram e a velha caixa d’água foi desativada em 1940. Desde então, o espaço passou por várias reinvenções. Serviu como estação de transmissão da Rádio A Voz D’Oeste e, posteriormente, como sede de ensaios do bloco e da escola de samba Beleza Pura.

Reconhecendo seu valor histórico, a Câmara Municipal de Cuiabá o declarou Patrimônio Cultural da cidade em 1991. Mas foi apenas em 2007, na gestão do então prefeito Wilson Santos, que o espaço foi revitalizado e transformado oficialmente no Museu Morro da Caixa d’Água Velha. A reinauguração devolveu à população um espaço singular, agora voltado à arte, à memória e à educação.

Foto: Reprodução/Mapas-MT

Atrações

O museu abriga duas galerias subterrâneas, com sete metros de altura e dezoito de comprimento. As paredes preservadas revelam antigas técnicas construtivas, que dispensavam cimento e utilizavam pedra canga, cristal, areia lavada e cal virgem. As estruturas são formadas por paredes de mais de meio metro de espessura.

Desde sua abertura, o espaço tem recebido exposições temporárias, eventos culturais e visitas educativas, tornando-se um local onde o passado e o presente dialogam em harmonia, convidando os visitantes a redescobrirem a história da cidade sob uma nova perspectiva.

Ficou curioso? O museu está localizado na Rua Nossa Sra. de Santana, n°1-105 – Centro Sul, em Cuiabá. Funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h, e aos sábados e domingos das 9h às 17h. Para mais informações: (65) 3617-1225.

Portal Amazônia responde: o que é o Código Florestal?

Foto: Reprodução/Adriano Gambarini

O primeiro Código Florestal Brasileiro foi criado em 1934, através do Decreto 23.793. Desde então, passou por oito alterações e, aprovado em 2012, o atual Código Florestal Brasileiro (Lei nº 12.651/2012) é uma das principais ferramentas legais para a proteção do meio ambiente no país.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Mais do que uma simples norma para regular o uso da terra, a legislação estabelece um pacto entre o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental, com impacto direto não apenas no campo, mas em toda a sociedade.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Código Florestal define regras para a preservação da vegetação nativa em Áreas de Preservação Permanente (APPs), reservas legais, regiões de uso restrito e atividades de exploração florestal. Com isso, proprietários de terras devem seguir uma série de orientações técnicas e legais para garantir a sustentabilidade ambiental de suas propriedades.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a função de uma ‘área de preservação permanente’?

Entre as diretrizes estão práticas de recuperação de áreas degradadas, uso de espécies nativas no reflorestamento e adoção de boas práticas agrícolas.

Foto: Reprodução/Fernando Sette

Impacto além das cercas

Apesar de incidir diretamente sobre os produtores rurais, o Código Florestal tem efeitos que vão muito além das fronteiras das fazendas. Ele influencia o acesso à água, a qualidade do ar, a estabilidade do clima, a produção de alimentos e até mesmo a segurança energética. Isso porque a vegetação nativa desempenha um papel fundamental no ciclo hidrológico, na conservação do solo e na regulação climática.

Além disso, a legislação tem um papel estratégico no combate às mudanças climáticas. Árvores são grandes aliadas na captura de gás carbônico, o principal vilão do efeito estufa. No Brasil, a mudança de uso da terra — principalmente o desmatamento — é responsável por 44% das emissões de gases de efeito estufa, seguida pela agricultura, com 28%. Cumprir o Código Florestal, portanto, é também uma forma de o país honrar compromissos internacionais de sustentabilidade e enfrentamento do aquecimento global.

Leia também: Instituto constrói primeira torre da Amazônia para medir gases do efeito estufa em florestas de várzea

Uma das novidades da Lei em 2012 foi a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), em que o Governo Federal e órgãos ambientais estaduais passariam a conhecer a localização de cada imóvel rural e a situação de sua adequação ambiental.

Porém, segundo informações da Agência Senado, em junho de 2024, a implementação do Código Florestal após 12 anos das modificações, ainda não foi consolidada. Um dos pontos levantados é justamente a “pequena quantidade de análises do Cadastro Ambiental Rural (CAR) efetivadas em todo o país”.

A audiência foi requerida e presidida pelo deputado federal Nilto Tatto (PT-SP). “A implementação [é necessária] não só para a proteção [de florestas], mas para o próprio setor produtivo, que vem sofrendo com as mudanças climáticas, com a redução na produtividade em algumas regiões do país”, disse o deputado na época.

Foto: Pedro Devani/Secom AC

Conscientização

O maior desafio, no entanto, ainda é a conscientização. Para muitos, especialmente nas cidades, o Código Florestal é visto como uma questão distante da vida cotidiana. No entanto, a proteção da vegetação garante benefícios como o abastecimento de água, a estabilidade dos alimentos nos mercados e o equilíbrio climático.

Quanto mais cidadãos entenderem a importância da lei, maior será a pressão por seu cumprimento — tanto por parte do poder público quanto de grandes agentes econômicos.

Potencial ornamental de folhas e frutos de espécies amazônicas é analisado em pesquisa

Foto: Denise Garcia/Acervo pessoal

Identificar espécies amazônicas com potencial ornamental que possam ser cultivadas pelas populações locais, especialmente mulheres, é o objetivo de um projeto apoiado pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa Mulheres das Águas.

O estudo ‘Nem tudo são flores: potencial ornamental de folhas e frutos de aráceas amazônicas’ é coordenado por Denise Garcia de Santana, doutora em Estatística e Experimentação Agronômica, com experiência na área de Recursos Florestais e Engenharia Florestal.

A pesquisa foi realizada no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). Os estudos foram feitos em Tefé (distante a 523 quilômetros da capital), Alvarães (a 531 quilômetros) e Uarini (a 565 quilômetros).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

De acordo com a pesquisa, a comercialização de plantas ornamentais no país ainda está concentrada em espécies classificadas como exóticas. A ideia do projeto é selecionar entre três e cinco espécies da família Araceae, como epífitas, hemiepífitas e terrestres, que tenham características favoráveis. O conhecimento técnico adequado para manejo, cultivo e investimento em recursos para pesquisa, produção e comercialização podem auxiliar na inserção destas no mercado.

O foco do projeto é a sustentabilidade do sistema de produção de espécies ornamentais. A pesquisadora explica que a produção de substratos, materiais que contribuem para o crescimento das plantas, feitos à base de resíduo do processamento de castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa H.B.K) pode garantir um melhor desenvolvimento das espécies estudadas.

Leia também: De planta ornamental a antioxidante natural: conheça a “raiz do sangue”

A escolha deve-se ao impacto que esses resíduos têm na cadeia produtiva na região Norte do país. A casca da amêndoa (tegumento) e do ouriço (fruto) contêm nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas. Segundo o estudo, as espécies de Araceae da flora amazônica apresentaram desenvolvimento pleno, da germinação até a floração.

Foto: Denise Garcia/Acervo pessoal

“Na Amazônia, especificamente no Médio Solimões, o cultivo de espécies da flora brasileira, especialmente com potencial ornamental, deve priorizar substratos a base de resíduos vegetais, uma vez que o solo não é um recurso renovável”, descreveu Denise Garcia.

Ela afirma que o acesso ao patrimônio genético das espécies analisadas deve seguir os procedimentos exigidos pela legislação brasileira e estadual. Considerando a demanda por espécies nativas no paisagismo, a pesquisadora acredita que o interesse da sociedade por recursos naturais a partir do processo comercial pode aumentar o interesse pela conservação das espécies.

Para Denise Garcia, a contribuição deste estudo a longo prazo está na constatação de que além da casca de castanha, o caroço do açaí também pode servir como matéria-prima na formação de substratos comerciais. Crus, parcialmente compostados ou carbonizados, funcionam como fontes de nutrientes para adubos organominerais. E além disso, estão acessíveis às comunidades.

“Deve-se considerar a grande produção de resíduo vegetal de castanha e açaí em cidades amazônicas e o imenso potencial de uso de forma bruta para cultivos de espécies epífitas como as indicadas na pesquisa”, detalhou.

As espécies analisadas na pesquisa costumam ser comercializadas por mulheres em feiras e exposições de comunidades locais no Médio Solimões. Denise Garcia defende que além da geração de renda para pequenos agricultores, a identificação e a valorização de espécies nativas também fortalecem a identidade regional. Por esse motivo, é importante conhecer o potencial de cada espécie, estabelecer protocolos para o manejo e cultivo, promover estratégias para comercialização e organizar oficinas de capacitação técnica.

*Com informações da Fapeam

Amazônia concentra maior número de sítios arqueológicos do Brasil

0

Sítio arqueológico Parque Calcoene. Foto: Heitor Reali

O Brasil possui atualmente 27.974 sítios arqueológicos oficialmente cadastrados e georreferenciados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), com destaque para os biomas Amazônia e Caatinga, que concentram os maiores números. A Amazônia lidera com 10.197 sítios — mais de um terço do total nacional —, seguida pela Caatinga, com 7.004 sítios e o Cerrado, com 4.914. A Mata Atlântica abriga 4.832 sítios, enquanto o Pampa tem 904 e o Pantanal, 123. Entre os estados, a Bahia lidera em número de sítios arqueológicos cadastrados (2.718), seguida por Paraná (2.363) e Minas Gerais (2.029).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

De forma inédita, esses sítios arqueológicos cadastrados estão disponíveis na plataforma do MapBiomas e permitem analisar as mudanças na cobertura e uso da terra no entorno dos sítios arqueológicos nas últimas décadas. É possível analisar esses dados no entorno dos sítios com diferentes distâncias: 100m, 200m, 500m e 1000m, e identificar suas diferenças ao longo dos anos.

Em 1985, pouco mais da metade (53,5%) da área no entorno de 100m dos sítios estavam em áreas de vegetação nativa, como florestas, savanas e campos naturais, e 41,7% em áreas antrópicas. Em 2023, esse cenário se inverteu: apenas 41,5% permanecem envoltos por áreas de vegetação nativa, enquanto 49,6% já se encontram em áreas já desmatadas e ocupadas por usos antrópicos tais como pastagens, agricultura e áreas urbanas.

Leia também: Sítios arqueológicos na Amazônia: Conheça o sítio de Hatahara

sítios arqueológicos
A seca revelou quatro sítios arqueológicos em diferentes pontos do estado do Amazonas. Foto: divulgação/IPHAN

Os dados também mostram mudanças no uso da terra ao redor dos sítios arqueológicos no país. Em 1985, as florestas predominavam (43,2%), enquanto a agropecuária ocupava 38%. Já em 2023, a agropecuária passou a ocupar a maior parcela, com 43,1%, e a cobertura florestal no entorno dos sítios caiu para 32,5%. Também houve um aumento de área de superfície de água no entorno dos sítios arqueológicos, em 1985 eram 4,9% da área e em 2023, 8,9%.

“Apesar da ocupação humana histórica desses sítios, agora podemos analisar as mudanças e os impactos da ocupação recente sobre essas áreas. A identificação desses sítios arqueológicos pode estar relacionada a pesquisas, obras de infraestrutura, como estradas, ou podem ter sido descobertos depois que essas áreas foram desmatadas. Além disso, ainda existem outros sítios arqueológicos que ainda não foram identificados”, explica Julia Shimbo, coordenadora científica do MapBiomas e pesquisadora do IPAM.

A Mata Atlântica é o bioma com maior proporção de sítios em áreas antrópicas (63%), seguida da Amazônia (47,5%), Cerrado (41,1%), Caatinga (39,9%), Pampa (33,2%) e Pantanal (18,5%). A Amazônia, inclusive, apresentou o maior aumento proporcional de áreas antrópicas no entorno dos sítios, passando de 19% em 1985 para 47,5% em 2023.

Leia também: Plano de proteção para sítios arqueológicos do Amazonas é lançado pelo Iphan

sítios arqueológicos
Sítio arqueológico no Amazonas. Foto: divulgação/Iphan

“O crescimento de atividades antrópicas ao redor dos sítios reforça a importância de políticas de conservação e gestão do patrimônio arqueológico brasileiro, especialmente frente às crescentes pressões sobre os biomas” comenta Marina Hirota, cientista e professora da UFSC e do BrazilLAB/Princeton, que colaborou com esses dados.

Quanto à presença de áreas antrópicas no entorno dos sítios nos estados, o Acre é o estado com maior percentual (89,2%), seguido por Rio de Janeiro (76,1%) e Espírito Santo (75,4%). Em contrapartida, Roraima lidera em sítios com maiores áreas de vegetação nativa nos arredores (87,6%), seguido por Piauí (78,7%) e Amapá (69,4%). Acre, Rondônia e Pará foram os estados com maior perda de vegetação nativa ao redor dos sítios arqueológicos. No Acre, a área de vegetação nativa no entorno de 100m dos sítios arqueológicos diminuiu de 70% em 1985 para 10% em 2023.

“O cruzamento e a disponibilização destes dados abertos ao público ajudam a entender onde estes sítios estão localizados, se é numa área impactada por atividades humanas ou não, e também pode apontar para uma tendência de aumento de atividades antrópicas em alguma determinada região e a extensão desse aumento, o que pode nos gerar um alerta. Quando um sítio arqueológico está localizado em uma área antropizada, uma série de preocupações com a sua preservação e conservação devem ser observadas, e esse levantamento pode apontar para os locais onde devemos prestar mais atenção, ou tratar de maneira priorizada”, explica Thiago Berlanga Trindade, chefe do Serviço de Registro e Cadastro de Dados – SREC do CNA/IPHAN.

Sítio arqueológico Santa Terezinha. Foto: Edison Caetano

A localização dos sítios arqueológicos também foi cruzada com os alertas de desmatamento disponibilizados no MapBiomas Alerta. Entre o total de sítios arqueológicos, 122 tiveram alertas de desmatamento entre 2019 e 2024. A Caatinga foi o bioma com maior número de alertas (45), seguido do Cerrado (29), da Mata Atlântica (31) e da Amazônia (17). Os estados com maior número de alertas são Rio Grande do Norte (25), Paraná (19), Bahia (15), Tocantins (12) e Pará (9).

“A identificação dos sítios arqueológicos dentro de alertas de desmatamento permite analisar os sítios que foram descobertos e cadastrados durante o processo recente de ocupação e os que já haviam sido identificados anteriormente — distinção importante, considerando que o desmatamento pode danificar ou até destruir esses sítios. Quase dois terços (79 sítios arqueológicos) estão em áreas desmatadas para expansão das áreas agrícolas. No Rio Grande do Norte, estão 13 dos 19 sítios arqueológicos em alertas de desmatamento relacionados à expansão de projetos de energias sustentáveis (solares ou eólicas)” acrescenta Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas.

Leia também: Novos sítios arqueológicos no Parque Nacional de Anavilhanas são mapeados pelo ICMBio

O que são os sítios arqueológicos?

Sítio arqueológico em figuras rupestre. Foto: OGuarany

Sítios arqueológicos são locais onde se encontram vestígios materiais da atividade humana, tanto do período pré-colonial quanto histórico. Esses vestígios podem estar em superfície, enterrados ou submersos e incluem fragmentos de cerâmica, metal, vidro, rochas, entre outros. A identificação e o registro dos sítios exigem uma série de critérios técnicos e subjetivos, como a quantidade e o tipo de vestígios, sua contextualização histórica e geográfica, além de métodos variados de prospecção — de vistorias e escavações a tecnologias como radar GPR, LIDAR e sonares.

Após a identificação, os dados são encaminhados ao IPHAN, que avalia a pertinência das informações antes de incluir o sítio no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG). Uma vez registrado, o sítio pode ser alvo de projetos de escavação, conservação e socialização, como visitas monitoradas e ações educativas.

Você pode encontrar encontra um pdf com mapas e dados dos sítios arqueológicos Aqui .

Leia também: Cientistas se unem a povos da floresta amazônica para proteger sítios arqueológicos em risco

Três vezes que a cantora Lady Gaga interagiu com a Amazônia

0

Foto: Reprodução/Instagram-ladygaga

Com um show confirmado para o dia 3 de maio na orla do Rio de Janeiro, no projeto ‘Todo Mundo no Rio’, a cantora Lady Gaga volta a emocionar fãs brasileiros — e, em especial, os da região Norte. Reconhecida mundialmente por sua potência vocal, versatilidade artística e engajamento social, Gaga também tem construído, ao longo dos anos, uma relação afetiva surpreendente com admiradores da Amazônia.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Ainda que a artista nunca tenha se apresentado fisicamente na região amazônica, seus gestos e interações virtuais mostram que o carinho é mútuo. A seguir, relembre três momentos marcantes dessa conexão entre a “mother monster” e o coração verde do Brasil.

Pós Super Bowl

Logo após sua icônica apresentação no Super Bowl de 2016, em que cantou o hino nacional dos Estados Unidos, Lady Gaga surpreendeu ao compartilhar nas redes sociais um desenho feito por Alef Vernon, um jovem artista de Manaus (AM). O retrato, com traços que misturam o estilo cartoon a referências das princesas da Disney, captou a atenção da popstar e ganhou o mundo.

Na época com apenas 19 anos, Alef relatou ao Portal Amazônia o impacto da repercussão: “Foi inacreditável. Eu já tinha recebido curtidas de artistas nacionais, mas ter meu trabalho reconhecido por alguém como a Gaga foi surreal”.

O gesto reforçou a proximidade da cantora com seus fãs, valorizando o talento que brota em cada canto do Brasil, inclusive no Norte.

Foto: Divulgação/Instagram-alefvernonart

Gaga e Pabllo Vittar

Quem poderia imaginar que Lady Gaga dançaria — ainda que apenas com os ouvidos — ao som de forró? Foi exatamente isso que aconteceu quando a cantora lançou, em 2020, uma versão remixada da faixa ‘Fun Tonight’ com a brasileira Pabllo Vittar, artista com raízes no Maranhão e Pará, estados da Amazônia Legal.

A música ganhou arranjos que misturavam o arrocha ao forró, gêneros que fazem parte da identidade musical do Norte e Nordeste brasileiros.

A equipe de Gaga, inicialmente surpresa, recebeu explicações detalhadas sobre como é comum que hits internacionais recebam versões em ritmos populares no Brasil. Dias depois, veio a resposta de Gaga: “fucking awesome“, pedindo ainda mais destaque para os vocais de Pabllo. Um sinal claro de que a artista está aberta a sonoridades e culturas diferentes — inclusive aquelas com sabor amazônico.

Gaga no Carnaval de Manaus

Em fevereiro de 2025, mais um momento selou o carinho entre Lady Gaga e seus fãs amazônidas. Durante o Bloco da Fervo, tradicional evento de Carnaval em Manaus, o grupo de dança Hunter performou a música ‘Abracadabra’, o mais recente lançamento da cantora. O vídeo, publicado nas redes sociais, ganhou visibilidade nacional — e acabou sendo repostado pela própria Gaga.

“Isso é incrível”, comentou a artista em sua página, levando os fãs amazônidas ao delírio. A publicação somou mais de 140 mil visualizações e reafirmou o poder da arte regional em dialogar com o mainstream internacional.

Foto: Divulgação

Brasil tem 24 municípios totalmente localizados no Hemisfério Norte: todos da Amazônia

0

Oiapoque é um dos municípios do Amapá completamente acima da Linha do Equador. Foto: Maksuel Martins/GEA

Pela primeira vez, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta a lista de municípios brasileiros situados no Hemisfério Norte. O Brasil possui uma área de 606.544.575 km² que se localiza ao norte da Linha do Equador, o equivalente a 7,13% do território nacional.

Essa porção do país é composta por 44 municípios, distribuídos pelos estados do Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. Desses municípios, apenas 24 estão totalmente no Hemisfério Norte, sendo 13 pertencentes a Roraima e 11 ao Amapá. Em relação às sedes municipais, apenas 26 delas estão no Hemisfério Norte, todas em Roraima e Amapá.

Leia também: Portal Amazônia responde: por que Macapá é a capital do meio do mundo?

A Linha do Equador promove a divisão do planeta em dois hemisférios: Norte e Sul. Ela é o ponto de partida para a medida das latitudes, sendo, por isso, o paralelo de 0º.

“Apesar de grande parte do país estar no Hemisfério Sul, a Linha do Equador passa pelo Brasil. O lançamento deste novo produto busca atender a demandas de usuários externos sobre quais municípios brasileiros estão localizados acima da Linha do Equador. A intenção é disseminar exatamente as informações geográficas para conhecimento, ensino em geral e estudos de políticas públicas para aquela região do país”, observa o coordenador de Estruturas Territoriais do IBGE, Roberto Tavares.

O IBGE divulgou os Municípios Limítrofes, que consiste em uma planilha que relaciona os municípios que fazem fronteira geográfica com outros, ou seja, são os municípios vizinhos, contíguos ou confinantes.

Os produtos Municípios Limítrofes e Municípios localizados no Hemisfério Norte derivam da Malha Municipal Digital 2024, que é o produto básico utilizado pelo Instituto na tabulação de todas as suas pesquisas e como referência espacial para coleta de dados do Censo Demográfico e Agropecuário.

Quanto ao produto Alterações Toponímicas Municipais, a versão 2024 não apresenta atualizações na lista de municípios quando comparada à de 2023, ou seja, não houve modificação nas bases geográficas e estatísticas do IBGE, como a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE) e o Banco de Tabelas Estatísticas (SIDRA).  

Os topônimos refletem e perpetuam um pouco da história e cultura local, ao remeter a um fato, pessoa ou acidente geográfico de relevância durante o processo de ocupação de uma determinada área, ou ao retratar o sentimento de pertencimento e identidade com o território. A nova denominação passa a integrar todos os documentos geográficos e estatísticos elaborados pelo IBGE.  

Leia também: Você conhece os municípios na Amazônia que receberam nomes de países ou cidades internacionais?

Atualização

As informações são dos dados disponibilizados pelo IBGE no dia 29 de abril e fazem parte de uma série de atualizações relacionadas às estruturas territoriais do Brasil. Trata-se da versão 2024 de sete produtos: Malha Municipal Digital, Áreas Territoriais Brasileiras, Atualização dos Mapas Municipais, Divisão Territorial Brasileira, Alterações Toponímicas Municipais, Municípios Limítrofes e Municípios localizados no Hemisfério Norte, esse último publicado pela primeira vez.    

“As atualizações acontecem a partir de atualizações cartográficas, da publicação de nova legislação, decisão judicial e relatórios/pareceres técnicos confeccionados pelos respectivos órgãos estaduais responsáveis pela divisão político-administrativa de cada estado e encaminhados ao IBGE”, explica Tavares.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Boa Esperança do Norte (MT) é o mais novo município do país

Na Amazônia Legal, o estado que contou com uma atualização da lista de municípios foi Mato Grosso, com a adição do município de Boa Esperança do Norte. Com população estimada em 5.772 pessoas, o município tem 4.704 km² de área territorial e foi instalado oficialmente em 1º de janeiro de 2025, embora tenha sido criado a partir da publicação da Lei Estadual nº 7.264, de 29 de março de 2000.

Boa Esperança do Norte (MT) passou a integrar a lista dos 5.569 municípios brasileiros. Foto: Reprodução/Prefeitura de Sorriso

A Divisão Territorial Brasileira (DTB) detalha a estrutura territorial do país, enumerando os municípios, distritos e subdistritos. As tabelas com as informações podem ser acessadas pelo portal do IBGE.  

Com a inclusão do município de Boa Esperança do Norte (MT), a estrutura territorial brasileira de 2024 apresenta 5.569 municípios, um a mais do que no ano anterior. Essa foi a primeira atualização no quantitativo de municípios desde 2013.

Todas as informações e atualizações podem ser consultadas no portal do IBGE.  

*Com informações do IBGE

Modo de fazer Bonecas Karajá ganha Plano de Salvaguarda do IPHAN

Foto: Telma Camargo da Silva

No ano em que a Política Nacional do Patrimônio Imaterial completa 25 anos de história, os Saberes e Práticas Associados ao Modo de Fazer Bonecas Karajá e o Ritxoko: Expressão Artística e Cosmológica do Povo Karajá, registrados como Patrimônio Cultural do Brasil em 2012, ganharam um Plano de Salvaguarda, instrumento fundamental para a gestão dos bens registrados como Patrimônio Cultural Imaterial. 

O documento foi produzido após um extenso trabalho de mobilização coordenado conjuntamente pelas equipes técnicas das superintendências do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nos estados de Goiás, Mato Grosso e Tocantins e do Departamento de Patrimônio Imaterial, com lideranças indígenas do povo Iny Karajá de mais de 20 aldeias da área de abrangência do bem cultural.

Leia também: Patrimônios imateriais: sete manifestações culturais da Amazônia registrados pelo Iphan

Plano de Salvaguarda  

O plano de salvaguarda apresenta as iniciativas de proteção de maneira estratégica, os objetivos e o planejamento de ações a serem desenvolvidas a curto, médio e longo prazo, a fim de promover um amplo alcance da política de salvaguarda, a qual deve, também, estar sempre articulada a outras políticas públicas.

Mas quem elabora um plano de salvaguarda? Como diagnosticar políticas públicas e ações de salvaguarda? Essas e outras perguntas são respondidas no Manual de Elaboração de Planos de Salvaguarda, publicado pelo Iphan com versões em português e espanhol.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Saberes e Práticas Associados ao Modo de Fazer Bonecas Karajá

Denominadas na língua nativa ritxoko (na fala feminina) ou Ritxoko (na fala masculina), as bonecas Karajá são consideradas representações culturais que comportam significados sociais profundos. Com motivos mitológicos, de rituais, da vida cotidiana e da fauna, são importantes instrumentos de socialização das crianças indígenas que, brincando, se veem nesses objetos e aprendem a ser Karajá.

Leia também: Em Mato Grosso, artesanato indígena é fonte de renda e preservação cultural

De acordo com o parecer técnico que reconheceu o bem cultural como Patrimônio Cultural do Brasil, em 2011, e inscreveu o Ofício e Modos de Fazer as Bonecas Karajá no Livro dos Saberes e a Ritxoko: Expressão Artística e Cosmológica no Livro das Formas de Expressão, os Karajá dedicam-se à pesca, à agricultura e ao artesanato.

A cultura material Karajá abrange técnicas de construção de casas, tecelagem em algodão, madeira, palha e cerâmica, a única ou a mais importante fonte de renda familiar.

*Com informações do IPHAN

STF determina que União desaproprie terras alvo de incêndio ou desmatamento ilegal

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou no dia 28 de abril, que a União desaproprie terras que tenham sido alvo de incêndios criminosos ou de desmatamento ilegal. A medida deverá ser aplicada nos casos em que estiver comprovada a responsabilidade do proprietário na devastação do meio ambiente.

Conforme a decisão, a União e os estados terão de adotar meios para impedir a regularização de terras em que tenham ocorrido crimes ambientais. Também deverão ajuizar ações de indenização contra proprietários que sejam responsáveis por incêndios ou desmatamento ilegais.

Dino autorizou que os estados continuem a usar sistemas próprios para emitir autorizações para retirada de vegetação (as chamadas Autorizações de Supressão de Vegetação), desde que as informações estejam integradas ao Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor).

As determinações foram dadas pelo ministro em duas decisões na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 743. Nessa ação, o STF determinou a reestruturação da política de prevenção e combate aos incêndios no Pantanal e na Amazônia, com a implementação de medidas tanto pela União quanto pelos estados envolvidos. A Corte também realizou uma série de audiências em que foram discutidas e determinadas ações sobre o tema.

Prazos para informações

O ministro também abriu prazo para manifestação de órgãos e dos governos federal e estaduais. A União, por exemplo, terá que responder em 15 dias úteis sobre dados trazidos ao processo que apontam que uma “parcela significativa” de recursos para fiscalização e combate a incêndios florestais deixou de ser executada em 2024.

Na outra decisão, Dino deu prazo final de 10 dias úteis para a União apresentar uma análise sobre os recursos necessários para efetivar o cronograma de combate à criminalidade ambiental da Polícia Federal.

O Ministério do Planejamento e Orçamento terá 10 dias úteis para responder a pontos do plano de fortalecimento institucional para controle dos incêndios na Amazônia e no Pantanal. Entre os esclarecimentos, a pasta deverá dizer como vai mitigar o risco de contingenciamento da dotação orçamentária destinada a essa atividade.

Também em 10 dias úteis, os estados do Acre, Amapá, Rondônia, Maranhão, Tocantins e Pará deverão detalhar as medidas já tomadas em 2025 para prevenir e combater queimadas. Essas unidades da federação ainda terão que cumprir a ordem para instalar “salas de situação” destinadas ao monitoramento e acompanhamento dos focos de incêndio.

Em 15 dias, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverão informar o resultado da avaliação sobre o projeto “Fortalecimento da Fiscalização Ambiental para o Controle do Desmatamento Ilegal da Amazônia”. Dados apresentados no processo anunciavam que a iniciativa estava em fase final de análise e havia sido posta à deliberação da diretoria do banco no final de março.

Leia a íntegra das decisões aqui e aqui.

*Com informações do STF