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Resex Marinha de Soure é a 1ª área protegida do Brasil reconhecida na Lista Verde da IUCN

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Reserva Extrativista Marinha de Soure. Foto: Reprodução/Acervo ICMBio

A Reserva Extrativista Marinha de Soure, na Ilha do Marajó – a maior ilha fluviomarinha do mundo, localizada na foz do rio Amazonas – foi adicionada à Lista Verde de Áreas Protegidas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). É a primeira unidade de conservação do país a ser elencada na relação, que reconhece áreas protegidas pela gestão no alcance de resultados de conservação.

A certificação foi recebida pela Técnica Ambiental Lorenna Oliveira, servidora do Instituto Chico Mendes lotada na Reserva Extrativista Marinha de Soure, e pelo senhor Paulo Torres, representante da Associação dos Usuários da Reserva Extrativista Marinha de Soure (ASSUREMAS), que possui o direito de uso do território da unidade, no dia 27 de outubro, durante a COP 16 da Biodiversidade, em Cali, Colômbia.

A unidade de conservação faz parte da maior faixa contínua de manguezais do mundo e possui algumas das florestas de mangue mais altas do planeta, dunas de areia costeiras e vida selvagem diversificada, incluindo o caranguejo de mangue e os peixes-boi.

O território abriga comunidades pesqueiras e promove o uso tradicional e sustentável dos recursos naturais. A reserva conta com quatro praias paradisíacas que recebem milhares de visitantes todos os meses do ano. Os turistas podem vivenciar a cultura local por meio de um turismo ecológico feito pela própria comunidade local.

Foto: Reprodução/ICMBio

A inclusão da unidade de conservação foi formalizada pela IUCN em 27 de setembro. Além da Resex Marinha de Soure, outras 11 áreas protegidas na China, Colômbia, França, Arábia Saudita e Zâmbia também foram incluídas na lista.

A iniciativa da Lista Verde de Áreas Protegidas e Conservadas da IUCN reconhece Áreas Protegidas e Conservadas em todo o mundo, governadas de forma justa e gerenciadas de forma eficaz para alcançar resultados de conservação bem-sucedidos.

No centro da iniciativa da Lista Verde está o primeiro padrão global de melhores práticas para a conservação baseada em áreas. Esse esforço apoia a implementação da Meta 3 do Quadro Global de Biodiversidade (GBF), visando aumentar e reconhecer áreas de conservação justas e eficazes, promovendo novas metas do GBF.

A Lista Verde é um sistema de certificação para áreas protegidas e conservadas — parques nacionais, sítios naturais do Patrimônio Mundial, áreas conservadas pela comunidade e reservas naturais — que são reconhecidas por serem geridas de forma eficaz e governadas de forma justa, de acordo com esse padrão global.

A Reserva Extrativista Marinha de Soure possui um excelente grau de implementação. Criada em 2001, a unidade conta com um Conselho Deliberativo atuante desde 2003. Além disso, a Resex Soure possui plano de manejo, sinalização de seu perímetro, perfil de famílias beneficiárias atualizado, Termo de Compromisso de Barraqueiros e outros instrumentos de gestão.

Durante o processo de busca pela certificação da IUCN, a servidora Lisângela Cassiano, Chefe Substituta da Resex Marinha de Soure, juntamente com a chefe da unidade, Monique Nascimento, e a Técnica Ambiental Lorenna Oliveira, revisaram os processos internos da unidade. Foi necessária uma análise detalhada para entender o que seria necessário para alcançar o certificado.

“Assim, foi possível perceber que certos critérios, como a participação efetiva da comunidade nas decisões e atividades da unidade, já haviam sido atendidos, pois fazem parte de uma cultura de gestão participativa que sempre esteve presente na história da unidade,” conta Lorenna Oliveira.

Outros processos, como a fiscalização em pontos críticos da unidade, foram identificados como carentes de melhorias e foram trabalhados para atender aos padrões internacionais da IUCN. Após atender os critérios faltantes, os servidores se direcionaram ao Plano de Melhorias, listando aspectos que, embora já cumprissem os critérios da IUCN, ainda poderiam ser aprimorados.

Entretanto, devido à falta de recursos financeiros, várias melhorias foram alcançadas apenas graças a parceiros institucionais. Por exemplo, o monitoramento de tartarugas marinhas é realizado pela RARE Brasil, em parceria com a Resex Soure. Assim, dados são compartilhados entre os parceiros para o desenvolvimento da proteção do território e de suas comunidades.

Atualmente, graças ao processo de certificação da IUCN, foi possível obter recursos através do projeto Tech4Nature, em parceria com a IUCN, UFPA, RARE e IBD, permitindo que a própria equipe da unidade promova o monitoramento de acordo com critérios institucionais pelo Programa Monitora. Outras atividades menos onerosas, como o monitoramento de visitantes, já vinham sendo executadas com recursos exclusivos da unidade.

Segundo a técnica ambiental, “o grande objetivo de buscar a Certificação da Lista Verde da IUCN para a Resex Marinha de Soure foi dar visibilidade à unidade. Dessa forma, seria possível mostrar a futuros parceiros e ao próprio ICMBio o grande potencial de gestão de sucesso da unidade em parceria com a comunidade local. Outro motivo importante foi dar reconhecimento à comunidade em função de sua relação próxima e ativa na gestão da unidade”.

*Com informações do ICMBio

Estudo alerta que quebra da circulação do Atlântico aumentaria risco de colapso da Amazônia

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Foto: Neil Palmer/CIAT/Flickr via Wikipedia

O possível colapso do sistema de correntes oceânicas do Atlântico é um dos tipping points (pontos de não retorno, em inglês) que mais ameaçam o equilíbrio climático da Terra, com consequências drásticas para o transporte de calor e a distribuição de chuvas em grande parte do planeta. Uma dessas consequências, segundo os cientistas, seria uma mudança nos padrões de precipitação da Amazônia, com redução de chuvas no norte e aumento de chuvas no sul do bioma. Mas qual seria o impacto disso sobre a cobertura vegetal da floresta?

Essa é a pergunta que um estudo liderado por cientistas da USP e publicado sexta-feira (1º/11) na revista Nature Geoscience se propôs a investigar. A resposta, em resumo, é que as mudanças climáticas desencadeadas pelo enfraquecimento da Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico (mais conhecida como Amoc, na sigla em inglês), somadas às mudanças no uso do solo vinculadas ao desmatamento, podem provocar um colapso irreversível da cobertura florestal da Amazônia, segundo os autores.

Isso porque as áreas que seriam, teoricamente, beneficiadas por um aumento da precipitação são justamente aquelas onde a floresta já foi mais desmatada (no sul e leste do bioma), enquanto que as áreas atualmente preservadas no norte do bioma seriam fortemente impactadas pela redução das chuvas. “Os efeitos negativos de uma desaceleração da Amoc sobre a vulnerabilidade do norte da Amazônia, combinados com o estado atual de pressão antropogênica sobre os setores leste e sudeste da bacia, poderiam impactar o ecossistema amazônico de forma sistemática”, escrevem os pesquisadores. 

O estudo foi conduzido pelo geólogo Thomas Akabane, como parte da sua pesquisa de doutorado no Instituto de Geociências (IGc) da USP, sob orientação de Chiessi e do professor Paulo Eduardo de Oliveira, também do IGc.

As pistas sobre o que pode vir a acontecer na superfície da floresta, por incrível que pareça, vieram do fundo do mar. Os pesquisadores analisaram vestígios de pólen e microcarvão preservados em sedimentos marinhos que representam o que estava fluindo pela foz do Rio Amazonas milhares de anos atrás — incluindo um período em que a grande circulação do Atlântico foi temporariamente interrompida por processos climáticos e oceanográficos associados ao fim da era do gelo.

Essa matéria orgânica, que fluía pelas artérias fluviais do bioma e acabava depositada no fundo do mar, serve como evidência do que estava acontecendo com a floresta no interior da Bacia Amazônica como um todo. É como se os cientistas estivessem analisando uma “amostra de sangue” da Amazônia do passado, preservada no fundo do oceano. 

Neste caso, a bolsa de sangue é um cilindro vertical de sedimentos compactados (que os cientistas chamam de testemunho) com mais de 7 metros de comprimento, extraído do leito marinho ao norte da Guiana Francesa — por onde passa a pluma de sedimentos da foz do Amazonas —, a mais de 2,5 mil metros de profundidade. A amostra foi coletada em 2012, durante uma expedição realizada com o navio de pesquisa alemão RV Maria S. Merian, que Chiessi liderou em parceria com colegas da Alemanha, que também assinam o estudo na Nature Geoscience. Praticamente todo o sedimento que recobre o leito marinho nessa região é de origem amazônica, segundo Chiessi, e há muitas “assinaturas” químicas e moleculares que os cientistas utilizam para comprovar a identidade e a idade desse material.

Três segmentos do testemunho GeoB16224-1, extraído do subsolo marinho ao norte da Guiana Francesa. Os sedimentos compactados carregam vestígios de como era a Amazônia milhares de anos atrás – Foto: Cristiano Chiessi/Divulgação para o Jornal da USP

Os pesquisadores usaram esse registro histórico para entender o que aconteceu com a floresta amazônica em dois momentos fundamentais: o Último Máximo Glacial, entre 23 mil e 19 mil anos atrás (quando cerca de 8% da superfície do planeta chegou a ficar coberta de gelo), e um período de aquecimento que veio logo na sequência (entre 18 mil e 14.800 anos atrás), conhecido como Heinrich Stadial 1 (HS1), em que o derretimento das geleiras no Hemisfério Norte injetou uma quantidade imensa de água doce no Oceano Atlântico, causando um colapso temporário da Amoc. (Resumidamente, a Amoc é um grande sistema de correntes marítimas que transportam águas quentes superficiais para o Atlântico Norte e águas frias profundas para o Atlântico Sul, com grande influência sobre os padrões climáticos e ambientais do planeta. Veja ilustração abaixo.)

Animação da Nasa, mostrando como funciona o grande sistema de circulação oceânica da Terra. O vermelho representa águas quentes que viajam pela superfície, enquanto que o azul representa águas frias que viajam pelas profundezas do oceano. A Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico (Amoc, em inglês) é a parte desse sistema que percorre o Oceano Atlântico, entre a Antártida e a Groenlândia — Fonte: Nasa/Goddard Space Flight Center Scientific Visualization Studio

As análises do material contido no testemunho indicam que a cobertura florestal da Amazônia passou por transformações importantes nesses dois períodos. No Último Máximo Glacial, segundo os pesquisadores, houve uma expansão de espécies de ecossistemas montanos (mais bem adaptadas às baixas temperaturas do período) dos Andes e das Guianas para as terras baixas da Amazônia, onde antes predominavam espécies de clima quente e úmido. “Houve uma mudança bastante significativa na composição da floresta, mas ela nunca deixou de ser floresta”, destaca Akabane, em entrevista ao Jornal da USP.

Já no HS1 as coisas ficaram mais complicadas. Com o fim da era do gelo, a temperatura voltou a subir, empurrando a vegetação montana de volta para o topo das montanhas e abrindo espaço para a retomada das terras baixas da Amazônia por vegetação tropical. Ao mesmo tempo, porém, o colapso da Amoc causou um deslocamento do “cinturão tropical” de chuvas para o sul da Amazônia, deixando a porção norte do bioma desidratada. Além de florestas sempre verdes, a região foi ocupada por um mosaico de florestas sazonais e trechos de savanas. Não foi uma “savanização” completa, mas a floresta ficou muito mais seca. Foi só por volta de 14,8 mil anos atrás, no fim do HS1, que a cobertura florestal da Amazônia começou a assumir sua configuração atual.

Projeções futuras

Tendo visto o que aconteceu no passado, o próximo passo foi simular o que poderá acontecer no futuro se as condições ambientais presentes no HS1 voltarem a se manifestar — desta vez, em função das mudanças climáticas provocadas pelo homem. Para isso, os pesquisadores fizeram projeções em computador, utilizando programas que simulam o funcionamento do clima no planeta em diferentes configurações. Neste caso, os cientistas simularam o que aconteceria com o clima da Amazônia num cenário de enfraquecimento severo da Amoc da ordem de 50%.

As projeções indicam que deverá ocorrer um deslocamento do “cinturão de chuvas tropicais” para o sul do bioma, exatamente como aconteceu no HS1. Em outras palavras, o norte da Amazônia ficará mais seco e menos propício à sobrevivência das florestas tropicais úmidas que existem lá atualmente, enquanto que as porções sul e leste do bioma ficarão mais úmidas e propícias ao crescimento de florestas. O problema é que essas são, justamente, as regiões mais desmatadas e ocupadas da Amazônia atualmente, “onde é difícil imaginar que a floresta terá áreas livres para se expandir”, pontua Akabane.

O primeiro mapa mostra as ecorregiões da Amazônia, os limites da Bacia Amazônica e o ponto de onde foi extraído o testemunho sedimentar GeoB16224-1, usado no estudo (Fonte: Akabane et al.). O mapa do meio mostra uma simulação de como um enfraquecimento de 50% da Amoc afetaria a precipitação e a probabilidade de presença de florestas tropicais úmidas (FTU) na Amazônia (Fonte: Akabane et al.). O terceiro mapa mostra a distribuição de florestas e desmatamento na Amazônia brasileira atualmente (Fonte: Inpe/Deter) — Elaboração: Herton Escobar/Jornal da USP

Ninguém sabe dizer ao certo quando essa quebra da Amoc poderá ocorrer, mas estudos recentes indicam que o sistema já está perdendo força e que há um risco real de ele colapsar ainda neste século, em função do derretimento da capa de gelo da Groenlândia e de outros fatores associados ao aquecimento global. Isso significa que o transporte de massas de água entre o norte e o sul do Atlântico deixaria de acontecer, ou passaria a ocorrer de forma muito mais lenta do que ocorre hoje. Fazendo uma analogia, é como se você desligasse ou diminuísse a velocidade de um sistema de esteiras que transportam bagagens no aeroporto, por exemplo — sendo que, neste caso, as esteiras são correntes oceânicas e as malas são energia térmica (calor).

Segundo os pesquisadores, é imprescindível que estudos futuros sobre esse tema considerem os “impactos combinados de potenciais cenários futuros de enfraquecimento da Amoc sob condições reais de degradação florestal antropogênica e aquecimento global”.

Além do Brasil e da Alemanha, o estudo na Nature Geoscience é assinado por pesquisadores da Suíça, França, China, Holanda e Marrocos.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da USP, escrito por Herton Escobar

‘Cunhatã’, ‘caboco’ e ‘xibata’: expressões típicas do Amazonas são usadas em questão do Enem

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Doutor em Linguística e professor da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Amazonas, Sérgio Freire. Foto: Divulgação

Assim como em outros estados do Brasil, o Amazonas tem um dialeto próprio, marcado por expressões e gírias regionais, como “cunhatã”, “caboco” e “chibata”. Em referência ao rico vocabulário da região, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano incluiu uma questão sobre a temática na prova de Linguagens.

Leia também: Amazonês: aprenda 30 gírias e expressões que são a cara de Manaus

A questão foi inspirada em uma reportagem de 2021, publicada pelo Grupo Rede Amazônica, intitulada “Expressões e termos utilizados no AM são retratados em livro e camisetas”. O texto destacava iniciativas que valorizavam as expressões típicas do estado, incluindo o livro “Amazonês”, do doutor e professor da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sérgio Freire.

Ao Grupo Rede Amazônica, o pesquisador explicou que o “amazonês” foi formado a partir de três línguas. São elas: a Língua Geral Amazônica (Nheengatu), o português europeu e o português nordestino.

Sérgio destaca que o chiado no “S” , bem característico na região, surgiu a partir da influência do português europeu. Entretanto, ele esclarece ainda que o dialeto apresenta variações significativas dentro do próprio estado.

Ao ter seu trabalho ganhando reconhecimento nacional, Freire enfatizou a importância de compartilhar a cultura do Amazonas com um público mais amplo, promovendo o conhecimento e a valorização das tradições regionais.

O professor reforçou que esse tipo de inclusão na prova promove a visibilidade da cultura amazonense e contribui para que estudantes de todo o Brasil conheçam a diversidade cultural do país.

“Quando estudantes de todas as partes do país se deparam com essa questão, cria-se uma oportunidade de sensibilização e respeito pela diversidade cultural do Brasil”.

Para quem deseja entender mais sobre as origens do vocabulário amazonense, Freire recomendou o livro Rio Babel, do professor José Ribamar Bessa Freire, que explora as raízes culturais e linguísticas da região.

Gírias amazonenses

Entre as gírias amazonenses mais conhecidas estão: “télezé?”, “maceta”, “chibata”, “brocado” e “leso”. Segundo Sérgio, são palavras de uso bem generalizado dentro do estado.

Já outras expressões podem ser de difícil entendimento para turistas que visitam a região, como: “tchonga”, “arrudiar”, ïlharga”, “lengalenga”, “abacabeiro”.

Confira uma lista com algumas gírias do “amazonês”:

De bubuia – Quando se está descansando, sem fazer nada, diz-se “estou só de bubuia”.

Chibata no balde – Expressão usada para dizer que algo é muito bom.

-Cortar a Curica – Expressão com o mesmo significado de “Cortar o barato”.

Kikão – Maneira de falar “cachorro-quente”, em Manaus. Expressão surgiu após o sucesso de um lanche que tinha um homem chamado de Kiko onde ele vendia cachorro-quentes com este nome.

Leso – Alguém que faz alguma besteira é chamado de “leso”.

Esculhambado – Expressão para indicar algo que está quebrado.

Escangalhado – Expressão para indicar algo que está quebrado.

Só o cuí – Expressão para indicar alguém que é muito magro.

Pai D’égua – A expressão significa algo muito bom.

Carapanã – Nome dado para mosquitos.

Ticar bodó – O bodó é um peixe que não pode ser ‘ticado’ pela escama dura que tem. A expressão tem o mesmo significado de “Está maluco?!”

Comer abiu – Abiu é uma fruta amazônica que cola os lábios de quem a come. Com este intuito, a expressão indica uma pessoa que é calada.

Leseira baré – Quando o amazonense faz uma besteira, nada é mais comum do que classificar como “leseira baré”. A expressão pode indicar ainda lerdeza, dizer que a pessoa é “lesa” ou “abestalhada”.

*Por Sabrina Rocha, da Rede Amazônica AM

Em Mucajaí, no Sul de Roraima, família de produtores investe na criação de búfalos

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São cerca de 30 cabeças de búfalos que ocupam um extenso pasto, a poucos quilômetros da sede do município de Mucajaí, Sul de Roraima. É no local que a família do produtor rural Antônio Rodrigo da Silva decidiu investir na criação do animal para ter um retorno financeiro.

Apesar de parecerem brutos, os búfalos são muito dóceis, segundo Antônio. Para ele, sempre foi um sonho investir nos animais, uma criação que não é tão comum em Roraima.

Leia também: Patrulhamento em búfalos: uma modalidade exclusiva de policiamento marajoara

Além de carinhosos, o trabalho no dia a dia também é mais fácil com os bubalinos do que com os bovinos, segundo o produtor. Na família, o responsável por essa missão é o filho mais velho de Antônio, o Anderson da Silva. Ele aprendeu logo que chegou o primeiro casal na propriedade. Ele é responsável por soltar os búfalos no pasto, para que eles possam se alimentar.

O pasto é uma alimentação básica mas muito eficiente para a saúde deles, o que contribui com a qualidade do animal. Isso não significa que não tenha que se ter alguns cuidados. A vermifugação, vacina e acompanhamento veterinário são algumas das ações que precisam ser feitas pelos proprietários, como explica Anderson.

Na maior parte do tempo os búfalos ficam fora do curral. Com o calor típico de Roraima, a preferência é pelas áreas alagadas, por ser mais fresco para os animais. A manada entra na água e só sai pra comer ou pra voltar pro curral.

Na propriedade, o costume dos animais foi importante durante a seca histórica no início de 2024 fez com que os efeitos da estiagem fossem menos severo para os búfalos do que para o gado comum. Para o produtor, isso mostra que o animal é viável economicamente, mesmo no período seco.

Quando bem cuidados e com saúde em dia, os búfalos podem dar um bom retorno comercial, como o queijo de búfala. O leite de búfala é mais nutritivo que o leite de vaca e é muito utilizado para a produção de queijos. Antônio faz a extração do produto, mas apenas para consumo da família.

Porém, é com a venda do animal para açougues da região é que o produtor tira sua renda mensal. A carne também é muito valorizada por conta do valor nutricional.

A produção familiar vem ganhando novas mãos. A paixão pelo cuidado está passando de pai para filho, e agora para os netos de Antônio. É que os filhos do Anderson também já estão aprendendo no manejo com os animais.

Eles sobem no cavalo e vão tocando a manada para o orgulho do pai. “Deus queira que isso fique na família, a terra, a cultura, a gente tem que ensinar pra colher um fruto mais na frente”.

*Com informações da Rede Amazônica RR

Após meses de seca histórica, Rio Madeira volta a subir

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Foto: Tiago Frota/Rede Amazônica RO

O rio Madeira voltou a ultrapassar a cota de um metro no domingo (3) após mais de um mês batendo recordes de mínimas históricas. De acordo com Serviço Geológico do Brasil (SGB), em setembro, o nível do rio chegou a 96 centímetros, o menor desde o início do monitoramento em 1967, e, em outubro, atingiu seu ponto mais crítico, marcando apenas 19 centímetros.

De acordo com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), as chuvas nas cabeceiras do rio, na Bolívia, vêm contribuindo para a recuperação gradual do nível das águas, pois cerca de 70% da vazão do rio Madeira vêm das regiões de cabeceira na Bolívia e no Peru.

De acordo com a Defesa Civil de Rondônia, a continuidade dessas chuvas é fundamental para que o rio recupere seu volume, impactando diretamente a logística e o funcionamento dos portos na região que teve uma redução de 60% no transporte de cargas.

O Porto de Porto Velho, uma das principais rotas de escoamento do Norte, permanece com operações limitadas desde o final de setembro. As rotas Porto Velho–Itacoatiara (AM), Porto Velho–Manaus (AM) e Porto Velho–Santarém(PA) foram fortemente impactadas.

O baixo volume afetou a Hidrelétrica de Santo Antônio, que precisou paralisar parte das unidades geradoras e funciona com apenas 14% das turbinas.

A seca extrema também alterou a realidade de famílias ribeirinhas que vivem às margens do rio Madeira, algumas sobreviviam com menos de 50 litros de água por dia em razão estiagem extrema em Rondônia.

Neste cenário, os peixes, principal fonte de subsistência das família ribeirinhas, desapareceram. Ao invés de pescar e vender, os pescadores compram peixe de outras regiões para conseguir se alimentar.

Durante o nível mais crítico, pescadores tiveram que criar “corredores” na lama em meio ao deserto que se formou onde antes era o rio Madeira.

*Com informações da Rede Amazônica RO

Mato Grosso aposta em crescimento da mineração sustentável

Foto: Divulgação/Nexa Resources

Durante a palestra “Comunicação e Mineração” realizada dia 25 de outubro e organizada pelo Grupo de Trabalho de Mineração da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que é liderado pelo deputado estadual Max Russi (PSB), a advogada e organizadora da 2ª Expominério, Pâmela Alegria, enfatizou a importância de divulgar mais as ações positivas do setor mineral.

Para o líder do GT da Mineração da ALMT, deputado Max Russi, o debate sobre a exploração mineral sustentável em Mato Grosso é importante, uma vez que o debate permite desmitificar a atividade minerária de uma imagem negativa.

“É um setor que contribui com mais de 4% do nosso PIB, gera emprego e desenvolvimento e precisa evoluir. O que temos que combater é a extração ilegal, isso sim é crime. Mas, a atividade minerária que cumpre todas as regras ambientais é de suma importância para o estado e não pode ser marginalizada”, destacou Russi, que apoia a Expominério desde sua primeira edição.

A 2ª edição da Expominério, marcada para ocorrer de 7 a 9 de novembro de 2024, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, vai debater o potencial econômico da mineração, desmistificar percepções negativas e destacar práticas sustentáveis do setor.

O evento reunirá empresários e profissionais do setor e buscará promover uma comunicação mais objetiva com a sociedade e a imprensa para reforçar que mineração responsável não deve ser confundida com extração ilegal de recursos. “É preciso separar o crime de uma atividade profissional legalizada, demonstrando à sociedade a importância do setor para o desenvolvimento do estado e do País”.

O evento abrirá espaço para debates sobre políticas públicas voltadas ao setor mineral, tema que enfrenta desafios políticos e ambientais. Pâmela também destacou o apoio do deputado estadual Max Russi (PSB), presidente do Grupo de Trabalho de Mineração, a projetos educativos, como o Educa Mineração, que sensibiliza crianças e adolescentes sobre a importância da mineração, mostrando seu papel em tecnologias, dispositivos eletrônicos, água mineral e infraestrutura.

“É uma atividade econômica fundamental e, como qualquer outro setor produtivo, está cada vez mais vinculada à responsabilidade ambiental e social. Hoje, não existe mineração legal e responsável sem atender a essas normas”, reforçou.

Para o coordenador da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat) em Guarantã do Norte, Humberto Paiva de Oliveira, Mato Grosso tem se destacado pela evolução no setor mineral, com governança estadual fortalecida para atrair investimentos. A Metamat apoia pequenos mineradores e media conflitos entre garimpeiros e grandes mineradoras, consolidando o estado como um polo seguro para investidores. Nos últimos dez anos, o valor da produção mineral de Mato Grosso saltou de R$ 500 milhões para R$ 7 bilhões, um crescimento de 15 vezes.

Paiva destacou que a pesquisa mineral contribui significativamente para o desenvolvimento de pequenas mineradoras, promovendo extração com menor impacto ambiental e custos operacionais reduzidos. Ele também elogiou o uso do sistema de satélites Planet, gerido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que monitora operações em tempo real, garantindo práticas sustentáveis na mineração e no agronegócio. “O estado é referência em governança ambiental e oferece segurança jurídica para investidores que querem crescer de forma responsável e sustentável. Isso atrai investidores que buscam segurança para aportar recursos em projetos de mineração em Mato Grosso”, comentou Paiva.

Com mais de sete mil cooperados, a Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto (Coogavepe) é organização no setor de mineração de pequena escala em Mato Grosso que trabalha com o foco na regularização e sustentabilidade. Gilson Camboim, presidente da cooperativa, destaca que as atividades são totalmente legalizadas e que a Coogavepe tem o compromisso de atuar apenas em áreas autorizadas, respeitando as licenças ambientais exigidas.

Em Mato Grosso, a Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) requer uma série de licenças, como a Licença Prévia (LP), a Licença de Instalação (LI) e a Licença de Operação (LO), que garantem que as cooperativas operem em conformidade com a legislação.

Ele também comentou que a mineração de pequena escala representa cerca de 80% da produção mineral no Brasil. “A mineração de pequena escala explora camadas superficiais, enquanto a mineração industrial explora camadas mais profundas, que exigem tecnologia avançada”, explicou Camboim, enfatizando a importância de cada segmento dentro de suas respectivas capacidades e o papel da mineração no desenvolvimento econômico e sustentável de Mato Grosso.

A Expominério 2024 conta com o patrocínio oficial do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e da Companhia de Mineração de Mato Grosso (Metamat). Também tem patrocínio da Alpha Minerals e da Federação das Cooperativas de Mineração de Mato Grosso (Fecomin), Azevedo Sette Advogados, Nexa, Keystone, Aura Apoena, Rio Cabaçal Mineração, Ero Brasil Xavantina e Fomentas Mining Company.

*Com informações do Brasil61

Programa ‘Mulheres em Campo’, em Roraima, impulsiona empreendedorismo feminino rural

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Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

O programa ‘Mulheres em Campo‘, criado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem como intuito despertar o interesse pela gestão e ampliar o protagonismo feminino na administração das empresas rurais. 

Além disso, auxilia a mulher do campo na descoberta do potencial de cada uma em sua propriedade, ensinando a planejar e transformar o dia a dia e a vida financeira.

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Em Roraima, o curso já realizou três edições, que envolvem mulheres em varias atividades práticas orientando detalhes que vão desde o uso das frutas regionais disponíveis em suas propriedades e região, até a venda e administração de seu negócio.

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A produtora rural Marivalda de Tomaz é uma das alunas da segunda turma do curso realizado na comunidade indígena do Sucuba, na zona rural do município de Alto Alegre. Ela relata com entusiasmo a participação no treinamento, sobre o conhecimento compartilhado nos cinco dias de curso.

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A equipe do Senar Roraima afirma que é importante a participação de mulheres em cursos como este, pois promovem sua independência:

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Segundo a equipe técnica do Senar Roraima, o programa é realizado desde 2018 e mais de 130 mulheres já foram beneficiadas. O projeto já assistiu municípios como Boa Vista, Alto Alegre, Bonfim, Mucajaí e Cantá. O projeto acontece a partir de demanda proveniente de sindicatos, cooperativas, associações, entre outros. Neste ano já foram realizadas três ações, duas na zona rural de Boa Vista e uma na zona rural de Alto Alegre, em uma comunidade indígena. 

Público-alvo

  • Produtoras rurais com escolaridade mínima de 5º ano (antiga 4ª série);
  • Mulheres a partir dos 16 anos.

A carga horária é de 40 horas, dividida em cinco encontros de 8 horas, com intervalos de sete dias entre eles. Durante os encontros, as mulheres participam de discussões, dinâmicas, atividades de grupo, realizam atividades individuais e com a suas famílias. Além de estudos de caso e exposições, que tornam o aprendizado mais efetivo e atrativo.   

Confira:

Vídeo: Youtube-Amazon Sat

                                                                                         

Conheça 6 artistas independentes de MPB da Região Norte

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Duo Chapéu de Palha. Foto: Divulgação

A nova geração da música popular brasileira (MPB) no Norte do Brasil está ganhando destaque com uma nova onda criativa que ultrapassa as fronteiras. Esses músicos estão experimentando uma fusão de gêneros globais, combinando a MPB com elementos de jazz, rock, pop e eletrônica e oferecendo uma nova leitura da produção artística brasileira.

Fora do eixo Sul-Sudeste, os artistas do Norte enfrentam desafios em termos de visibilidade e oportunidades, mas vêm conquistando espaço graças às plataformas digitais e aos festivais locais que impulsionam novos talentos. Nomes como Natália Matos, que mistura em suas canções ritmos latinos com o pop, e Luê, que combina bossa nova com beats contemporâneos, são exemplos dessa nova geração que está atraindo público tanto no Brasil como no exterior.

A diversidade desses artistas não se limita às influências musicais, mas também permeia as temáticas abordadas em suas letras, que dão voz às questões ambientais, sociais e culturais da região Norte.

Leia também: 6 artistas que são amazônidas e você nem imagina

Nessa curadoria, vamos explorar o trabalho (EPs, singles ou álbuns) de seis artistas independentes de MPB da região Norte, que estão redefinindo os limites da música popular. Suas vozes e produções trazem a efervescência de uma cena artística rica em inovação, que carrega uma força cultural autêntica e singular:

Dan Stump – Céu Tropical

Cantor, compositor e diretor, o amazonense Dan Stump iniciou sua carreira musical em 2015 com a publicação de covers em vídeo. Desde então, vem conquistando seu espaço na cena independente. Seu primeiro álbum, Tudo Que Eu Penso São Palavras Perdidas Que Tento Organizar, explora suas paixões, tristeza, alegria, saudades e angústias. Em 2022, apresentou seu segundo álbum, Transe Tropical, que resgata suas raízes amazonenses e a produção contemporânea brasileira. Entre amores tropicais e despedidas, sua música se destaca ao mesclar sonoridades amazônicas com MPB e folk.

Gabriê – Até Onde Eu Posso Chegar

Gabrielle Junqueira, conhecida como Gabriê, nasceu em 1998 em Porto Velho, capital de Rondônia. Aos 15 anos, começou a postar vídeos na internet, interpretando canções próprias e de outros compositores, e venceu um festival de música na categoria autoral. Durante a pandemia de covid-19, lançou seu álbum de estreia, Até Onde Eu Posso Chegar, no qual apresenta onze faixas que abordam autoconhecimento, pertencimento e paixões, em harmonia com a apreciação da natureza. Em alguns versos, Gabriê celebra o amor, em outros, denuncia a luta amazonense por um respiro em meio ao fogo. Em “Da Beira”, a artista traz a urgência da realidade nortista, da resistência e da arte.

Soprü – Enquanto A Orquestra Não Vem

Formada em Palmas, no Tocantins, a Soprü é uma banda engajada na criação de experiências sonoras. Composta por Iuri Grooveman, Caio Paiva, Carvalho Samuel, Wellis Raik e Jesus, a Soprü começou suas atividades em 2018, inicialmente com a intenção de gravar um álbum, e se define como rock nortista, sem um gênero fixo, expressando a diversidade de suas influências. Com um estilo que mistura indie rock e psicodelia, seu álbum de estreia, Enquanto A Orquestra Não Vem, lançado em abril, traz oito faixas que combinam groove, melancolia e composições multirrítmicas, explorando temas de romances e libertação pessoal. As letras sobre ócio e dúvidas se entrelaçam com uma sonoridade que toca como o sol na pele.

Chapéu de Palha – Elo

Formado em março de 2019, o duo amazonense Chapéu de Palha, composto por Giovanna Póvoas e Helder Cruz, começou a sua trajetória publicando gravações amadoras de suas composições de voz e violão na plataforma SoundCloud. Em 2021, lançaram seu primeiro álbum, começando com o single “O Amor do Mundo Inteiro”, que foi acompanhado por um clipe gravado nas belezas naturais de Novo Airão (AM). A falta, a solidão e o vazio se contrastam com a paixão, as borboletas no estômago e o calor.  A religiosidade também se faz presente nas letras, com referências a Ogum e Oxum. O nome da dupla surgiu em 2019, quando uma amiga de Giovanna começou a cursar agronomia na UFAM e usou um chapéu de palha durante o trote. Ela achou a ideia incrível e decidiu adotar o chapéu, mesmo não sendo da turma.

Gabi Farias – Vazante

Gabi Farias é uma artista multidisciplinar amazonense, atuando como cantora, compositora, performer, professora de música e produtora. Com uma linguagem lúdica e nostálgica, seus trabalhos oferecem experiências sinestésicas que trazem memórias. Em 2019, lançou seu primeiro EP solo, “VAZANTE”, que narra histórias de partidas e incertezas, marcando o início de sua trajetória musical. Anos depois, lançou seu álbum de estreia, “ENCHENTE”, em 2021, apresentando a estética pop experimental por meio dos singles “Sóis” e “Olhos Negros (Devaneio)”. O álbum, que conta com onze faixas e dez participações, reflete a fluidez da água e proporciona uma experiência sonora imersiva, resgatando memórias e destacando suas vivências como mulher amazônida.

Reiner – ¿brasil PROFUNDO feat. Eliakin Rufino

Reiner é um músico e produtor da nova geração da música de Belém (PA), que combina tradições musicais brasileiras com influências globais. Sua carreira começou em 2016 com o EP “Filho da Nuvem”. Seu álbum de estreia, “ELÔ, continua essa jornada, misturando referências musicais e abordando temas sociais de relevância para a atualidade. Ao navegar pelas correntes de uma Amazônia futurista, Reiner cria um som que reverencia o passado e projeta um olhar inovador para o futuro, equilibrando elementos locais e globais. Suas composições combinam influências da música negra e indígena com guitarras que ecoam Sepultura e samples de Portishead, resultando em uma sonoridade envolvente.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Melissa Sayuri

Universidade paraense sedia maior evento de observação da Terra por satélite

Imagem de PIRO por Pixabay

A Universidade Federal do Pará (UFPA) sedia, de 4 a 8 de novembro, no Campus Guamá, em Belém, o principal evento internacional dedicado à observação da Terra por satélite. Nesta edição, além de atividades teórico-práticas, incluindo tutoriais especializados on-line e presenciais, reuniões paralelas e workshop, serão realizados dois simpósios: o ISPRS Technical Commission: III Remote Sensing Midterm Symposium e o XXI Simpósio Internacional da Sociedade de Especialistas Latino-Americanos em Sensoriamento Remoto (Selper).

O encontro contará com a presença de pesquisadores como Catherine Nakelembe (Nasa Harvest África); Jianya Gong (Universidade de Wuhan) e Jaime Hernandez (Universidade do Chile). Entre os temas que serão discutidos, estão ‘sensoriamento remoto e impactos globais’; ‘tomada de decisão baseada em dados’; ‘futuras explorações espaciais’ e ‘monitoramento ambiental e segurança’.   

O objetivo da programação é discutir o conhecimento científico acerca do sensoriamento remoto, que, como tema principal do evento, vai abranger técnicas de aquisição de imagens da superfície terrestre por satélite, algoritmos de processamento e análise dos dados, e suas aplicações para a pesquisa e gestão do meio ambiente.

Para o professor Laurent Polidori, atual coordenador da Comissão Científica Internacional da ISPRS, o evento vai contribuir para reposicionar o Brasil na área de sensoriamento remoto.

“O sensoriamento remoto é essencial para conhecermos a superfície terrestre, especialmente em regiões como a Amazônia, onde os métodos tradicionais de levantamento são dificultados pela imensidão do território, pelas dificuldades de acesso e pelas paisagens complexas, que mudam o tempo todo. Por isso as tecnologias espaciais são amplamente utilizadas das geociências, da cartografia e do monitoramento ambiental”, destaca o Polidori.

A expectativa é que a programação atraia cerca de 500 pessoas de 40 países. A palestra de abertura será da brasileira Thelma Krug, que abordará o tema “Observações espaciais para monitoramento de indicadores de mudança do clima: desafios e oportunidades”.

Durante os cinco dias de evento, as programações simultâneas estarão distribuídas entre o Centro de Evento Benedito Nunes e dois grandes estandes projetados no campus

*Com informações da UFPA

PF conclui inquérito sobre assassinato de Bruno Pereira e Dom Philips

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Foto: Reprodução/Instagram – © Opi.Isolados

Após quase dois anos e meio de investigações, a Polícia Federal (PF) concluiu, na última sexta-feira (1º), o inquérito sobre os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.

Pereira e Phillips foram mortos a tiros em 5 de junho de 2022, em Atalaia do Norte, no Amazonas, quando visitavam comunidades próximas à Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior área do país destinada ao usufruto exclusivo indígena e que abriga a maior concentração de povos isolados em todo o mundo.

No relatório final sobre a apuração, a PF manteve o indiciamento de nove investigados. Ou seja, o órgão ofereceu denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) de nove pessoas contra as quais assegura ter reunido provas suficientes para acusá-las de participar do duplo homicídio. O MPF pode pedir o arquivamento, caso entenda não haver elementos probatórios contra os investigados, ou denunciá-los à Justiça Federal, transformando-os em réus.

Entre os indiciados está Ruben Dario da Silva Villar, apontado como mandante do crime. Sem citar nomes, a PF informou que os outros oito indiciados tiveram papéis na execução dos homicídios e na ocultação dos cadáveres das vítimas.

A reportagem – da Agência Brasil – ainda não conseguiu contato com a defesa de Villar, que já tinha sido indiciado pelo mesmo motivo em janeiro de 2023, quando a PF divulgou que tinha identificado a maioria das pessoas envolvidas no assassinato.

“Temos provas de que ele [Colômbia] fornecia munições para o Jefferson e o Amarildo, as mesmas encontradas no caso”, disse, na época, o então superintendente regional da PF no Amazonas, Alexandre Fontes, afirmando que Villar também pagou as despesas iniciais com a defesa de Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, primeiro suspeito a ser preso, em 7 de junho de 2022.

Interesses contrariados

Colaborador de publicações jornalísticas prestigiadas, como os jornais britânico The Guardian e os estado-unidenses The New York Times e Washington Post, Dom Phillips, 57 anos, viajou à região com o propósito de entrevistar lideranças indígenas e ribeirinhos para um novo livro-reportagem sobre a Amazônia que planejava escrever.

Embora falasse português fluentemente e já tivesse visitado a região outras vezes, Phillips viajava na companhia de Pereira por este ser um experiente indigenista Pereira. Com 41 anos de idade, estava licenciado da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desde fevereiro de 2020, por questões políticas, e atuava como consultor técnico da organização não governamental União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Os agentes da PF responsáveis pela apuração do crime concluíram que Pereira e Phillips foram mortos em decorrência do trabalho do indigenista. Mesmo licenciado da Funai, Pereira continuou contrariando interesses de grupos que ameaçam o bem-estar e a integridade de parte da população local. Na Univaja, auxiliava na implementação de projetos para permitir às comunidades tradicionais proteger seus territórios e os recursos naturais neles existentes. 

“A vítima atuava em defesa da preservação ambiental e na garantia dos direitos indígenas”, destacou a PF, na nota que divulgou hoje – e na qual reforça que segue monitorando os riscos aos habitantes da região do Vale do Javari e que continua investigando ameaças contra indígenas que vivem na mesma região onde Pereira e Phillips foram mortos.

Linha do Tempo – Bruno Pereira e Dom Philips. Arte: Agência Brasil

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Alex Rodrigues