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Rede Amazônica é reconhecida por lei como patrimônio histórico e cultural no Macapá

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Foi aprovado pela Câmara Municipal de Macapá o projeto de lei que reconhece a Rede Amazônica, afiliada da TV Globo, como patrimônio histórico, cultural, social e jornalístico de Macapá, nesta terça-feira (6).

O projeto é de autoria do presidente da câmara, o vereador Pedro DaLua, registrado como ‘Lei Jornalista Phelippe Daou‘, em homenagem ao fundador da Rede Amazônica e leva em consideração a contribuição história da afiliada para a formação da população macapaense.

Leia também: Phelippe Daou, o jornalista

“Valorizar a Rede Amazônica é valorizar a história de Macapá, a identidade amazônica e a liberdade de expressão responsável”, disse o vereador.

Foi aprovado também pelo vereador o Projeto de Decreto Legislativo, que outorga homenagem aos 60 anos da TV Globo, completados no dia 26 de abril de 2025 e pelos relevantes serviços da emissora voltados à comunicação, cultura e formação do povo brasileiro.

A afiliada foi contemplada também pela promoção das tradições e identidades amazônicas, incentivo à preservação da memória comunicacional e difusão de informações de interesse público.

Phelippe Daou durante inauguração da primeira sede da TV Amapá, em 1975. Foto: Reprodução/Arquivo Museu da Rede Amazônica

Além disso, a proposta contemplou a importância da afiliada que fez história como TV Amapá e se tornou Rede Amazônica. Que esteve ativamente presente no cotidiano da população desde 1975 e buscou expandir sua forma de comunicação por rádio, internet, acervos, instalações e atividades jornalísticas, culturais e educativas desenvolvidas pela emissora no âmbito municipal.

Durante a aprovação do PL, foi destacado que a Rede Amazônica se tornou a protagonista na cobertura de eventos históricos, sociais, culturais e políticos, que marcaram a capital como um todo, levando estes acontecimentos aos lares de milhares de famílias.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Jovem cronista descreveu a dura realidade de uma zona de degredo no Vale do Rio Madeira

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Benigno, espanhol de 17 anos. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Os espanhóis eram numerosos na região do Vale do Rio Madeira e estavam presentes desde os tempos dos jesuítas, no século XIX. A área do atual estado de Rondônia, segundo o Tratado de Tordesilhas de 1498, era originalmente um domínio espanhol, status que só foi alterado em 1750 com o Tratado de Madri. Avançando no tempo para o século XX, o contexto era o do Brasil República, com suas fronteiras definidas – o Acre foi o último território incorporado em 1903, retirado da Bolívia, colonizada pelos espanhóis.

Durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, vivia na região um adolescente espanhol da Galícia chamado Benigno Cortizo Bouzas. Ele morava com seu irmão Anselmo, falecido em janeiro de 1908 e enterrado no Cemitério de Santo Antônio, e seu primo Bernardo, falecido na Bahia em 1933.

Em 1911, com apenas 17 anos, Benigno vivia na vila de Santo Antônio, nas barrancas do Alto Madeira, a sete quilômetros de onde fica a cidade de Porto Velho. Algo o marcou profundamente naquele ano: a chegada do navio de passageiros Satélite, trazendo degredados do Rio de Janeiro, então capital da República.

Benigno, espanhol de 17 anos. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Na embarcação do Loide Brasileiro vieram para o futuro território de Rondônia remanescentes da Revolta da Chibata, desordeiros sociais, cafetões, mendigos, velhos, crianças, prostitutas e pessoas pobres e sem rumo, vítimas do Governo Federal, que tentava fazia uma assepsia na Cidade Maravilhosa. Totalizavam 444 indivíduos conduzidos por 50 praças desde o Rio. Entre eles, partícipes da Revolta que combatia a aplicação dos castigos físicos impostos a marinheiros., ocorrida a 22 de novembro de 1910, na Baía de Guanabara, liderada por João Cândido, o “Almirante Negro” – um filho de escravizados que não veio para o degredo na Amazônia, ficou preso no cárcere na Ilha das Cobras, no RJ.

Benigno testemunhou toda a movimentação às margens do Rio Madeira, atônito, registrando a chegada dessa carga humana destinada a trabalhar na Comissão Rondon e nos seringais. Vinte e uma prostitutas foram acolhidas pela linha telegráfica, enquanto outras 23 foram abandonadas à própria sorte. Algumas foram estupradas durante a viagem, feridas e gravemente agredidas; outras, envelhecidas, apanharam muito.

Após a triste travessia, os homens foram submetidos a trabalho árduo, muitos deles despojados de qualquer direito, entregues aos vícios e à escravidão. Afirmou o deputado Irineu Machado, na tribuna da Câmara Federal: “O intuito [do presidente da República, Hermes da Fonseca] foi o de lançá-los à miséria e ao desespero (…), desterrá-los sem abrigos e em condições insalubres, pantanosas, e sem recursos”.

Os mortos por determinação do Estado eram negros. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Um aristocrata quase degredado

Por muito pouco, o boêmio Agenor Novais, um carnavalesco incorrigível do início do século XX, não chegou às barrancas do Rio Madeira para ser despojado de todos os benefícios que poderia ter desfrutado como legítimo “sangue azul”. Ele era filho do Barão de Novais (Elias Dias Novais) e foi preso no Satélite a mando do próprio pai; o nobre não o queria por perto, por desagregar a família com seus hábitos libertinos. O degredo seria um castigo.

No entanto, o advogado Peixoto de Castro, amigo do jovem, conseguiu um habeas-corpus para Agenor, que era visto como intelectual e poeta. Por conta da decisão judicial, ele conseguiu desembarcar do Satélite em Belém e retornar ao Rio de Janeiro, onde continuou sua vida gozando da liberdade, para o desespero de sua família.

Agenor foi aluno do poeta Carlos de Laet no Colégio Diocesano entre 1900 e 1903, e com ele adquiriu o amor à literatura e ao jornalismo. O rapaz havia escrito um diário durante sua viagem até o degredo, mas este lhe foi surrupiado pelo Exército. Ele morreu solteiro e sem filhos, em 1938, levando consigo suas impressões sobre aquela fatídica aventura no bárbaro Satélite.

Trecho do diário de bordo escrito pelo comandante Storry. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

O poeta circulava entre nomes como Olavo Bilac, trabalhou no jornal “A Época”, escreveu para “O Malho” e, em 1913, editou a revista “O Turf”, especializada em corridas de cavalo. Além disso, participou de diversas atividades culturais e esportivas, dirigindo o Sport Club e compondo a diretoria da Liga Municipal de Futebol, na capital da República. Foi também rábula. Em 1915, Agenor esteve presente no velório do poeta Aníbal Teófilo – um dos pioneiros na prática da literatura na região de Porto Velho.

Assassinados durante a viagem em pleno 1° de janeiro

O delegado de polícia – e político nascido no Rio Grande do Sul – Flores da Cunha retirou os presos da Casa de Detenção e listou quem deveria ser fuzilado durante a viagem. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Os ladrões e assassinos tinham sido retirados da cadeia pelo delegado de polícia José Antônio Flores da Cunha da Casa de Detenção do Rio e atirados no porão do navio. Sessenta e seis marinheiros, recolhidos de uma prisão do Quartel do Exército, receberam ordens de embarque, mesmo estando anistiados pelo presidente Hermes da Fonseca. Do Quartel do 1º Regimento de Infantaria saíram outros, os marinheiros. Seus nomes estavam marcados de vermelho, na lista entregue ao comandante por Flores da Cunha. Sinal de que deveriam ser assassinados.

Foram infiltrados agentes da polícia para simularem um levante e isso justificar a morte dos degradados. Tudo planejado com a anuência dos tenentes Francisco Mello e João da Silva Leal, este que, mais tarde, tornou-se deputado pela UDN do Ceará. Os tenentes teriam comandado os fuzilamentos. O jornal “A Época”, do Rio de Janeiro, comparou o Navio Satélite aos antigos navios negreiros, da época da escravização de africanos no Brasil. “Os dois momentos históricos são irmãos”.

O cearense Tenente Silva Leal, que comandou o fuzilamento em alto mar. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Os assassinatos ocorreram em pleno 1º de janeiro, nas proximidades da Bahia, no porão da embarcação, a mando do Estado. Antes de chegarem a Rondônia, destino da carga, já estavam mortos: Aristides Pereira da Silva (“Chaminé”) – o mais odiado porque teria urinado sobre o cadáver de Baptista das Neves, oficial morto numa luta de espada durante a Revolta da Chibata, em novembro –, Ricardo Benedito, Nilo Ludgero Bruno, Manuel Elísio de Araújo, Hernani Pereira dos Santos (“Sete”), Isaías Marques de Oliveira, José Alexandrino dos Santos, Vitalino José Ferreira, Argemiro Rodrigues de Oliveira – anteriormente, na década de 1890, este foi soldado na 15º Batalhão de Infantaria da Bahia e trabalhou como zelador, até migrar para o Rio de Janeiro e conseguir vaga na Marinha.

“Eu me salvei de ir ao degredo [em Porto Velho] porque fiquei muito popular, e os jornais gritavam muito. Tive que ser poupado naquele momento, mas sofri muito”, afirmou o Almirante Negro em entrevista ao jornal “Mundo Ilustrado”, em 1956.

Manchete do “Jornal do Brasil”. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

O experiente capitão Carlos Brandão Storry, comandante do Satélite, era descrito como um bonachão “do tipo inglês”, e quem, de fato, mandava na tripulação era o Tenente Melo. De qualquer forma, coube a Storry elaborar o relatório da travessia, realizada entre 25 de dezembro de 1910 e 4 de março de 1911.

Na viagem iniciada na noite de natal, nove foram assassinados em alto mar e dois homens cometeram suicídio, jogando-se na água com os pés em mãos amarrados. É o que deixou assinalado o comandante Storry em seu diário de bordo, em 1º de janeiro: “Eu me afastei da costa para serem fuzilados seis homens, o que fizeram às duas da manhã (no dia seguinte foram mais três). Ao todo, foram mortos nove dos bandidos que conduzimos. Esta medida extrema foi a única possível nas condições que nos achávamos”.

Segundo a fajuta versão oficial relatada pelo Capitão Storry, os marinheiros assassinados representaram um risco à vida da tripulação. Os sete marinheiros teriam embarcado “livremente” com destino ao porto do Pará. No primeiro dia de viagem, eles teriam se amotinado. Vitalino José Ferreira e Hernani “Sete”, de acordo com o relatório, passaram armas e munições para seus camaradas presos. Todos acabaram rendidos, amarrados e assassinados “por questão de segurança” dos demais passageiros.

No Centro de Documentação Histórica do Poder Judiciário de Rondônia, constata-se, por amostragem, que era grande o número de degredados envolvidos na teia social que os empurrava aos delitos e à violência. Na Estrada de Ferro, foram escorraçados a tiros antes mesmo de o paquete Saltélite tentar ancorar na cidade-empresa. Sem emprego e sem destino, precisavam sobreviver, a qualquer custo.

O livro de Benigno

Mais tarde, o jovem Benigno – que foi o único que anotou tudo com o olhar de quem não estava contaminado pelo governo opressor e nem era parte diretamente daquele cadeia de horror – voltou à Europa, onde residiu entre 1921-1923, casando-se e tendo o filho primogênito, Sócrates. Depois, instalou-se em Pernambuco e escreveu, na década de 1930, um livro de memórias intitulado “De la Amazonia al Infinito – una vida, apuntes, nueva teoría”, publicado em 1950 pela editora Diário da Manhã, de Recife, contendo 148 páginas e 29 ilustrações. São anotações que ele conservava desde 1908, presenciando e trabalhando nas obras da ferrovia e a chegada do sombrio Navio Satélite.

No livro, há também histórias do cotidiano regional. Alguns casos narrados por Benigno sugerem um cenário de filme de faroeste, como esta: “Don Carlos Frias, peruano, e Don Júlio Vilagut, espanhol, de Barcelona, eram sócios. Frias subia e descia o Rio Madeira levando mercadorias variadas e trazendo borracha; Vilagut residia em Santo Antônio.

Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Certa tarde, se encontravam jogando uma partida de bilhar e, repentinamente, Don Julio acusou severamente Don Carlos: – Me disseram, Frias, que tu estás namorando minha mulher. – Homem, namorando não, mas dormindo com ela sim, respondeu Frias.

Sacaram seus revólveres e fizeram vários disparos, sendo que um deles fez em pedaços uma garrafa de conhaque que eu tinha na mão. Um circunstante, que nada tinha a ver com a pendência, morreu de um balaço no fígado. Os dois contendores saíram ilesos, mas o negócio Frias e Vilagut veio abaixo com elevadas perdas para as praças de Manaus, Belém do Pará e Liverpool.'”

O destemido espanhol com têmpera e vocação de escritor contribuiu significativamente para a história ao documentar o caso do paquete Satélite e tantas outras experiências na grande aventura humana na região do Alto Madeira. Morreu em 1º de janeiro de 1953, atuando como comerciante, residindo à Rua Ulhoa Cintra, 122, em Recife (PE). Deixou esposa, Rosa Moreira Vidal, e oito filhos.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Com quase 90% de áreas impactadas, Acre lidera desmatamento ao redor de sítios arqueológicos

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Cresce o desmatamento ao redor de sítios arqueológicos no Acre. Foto: Divulgação/Iphan

Dados do projeto MapBiomas, que disponibilizou, de forma inédita, informações dos quase 28 mil sítios arqueológicos cadastrados e georreferenciados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mostram que o Acre lidera o desmatamento ao redor de sítios arqueológicos, com quase 90% de áreas impactadas.

Leia também: Amazônia concentra maior número de sítios arqueológicos do Brasil

Uma análise das mudanças na cobertura e uso da terra nas últimas décadas no entorno de sítios arqueológicos do país mostra perdas significativas das áreas de vegetação nativa em todo o país. Nesse cenário, o Acre é o estado com maior percentual de áreas impactadas pela mudança do uso da terra ao redor dos sítios, seguido por Rio de Janeiro e Espírito Santo, com mais de 75%.

O cenário local mostra ainda que a área de vegetação nativa diminuiu de 70% para 10% no intervalo durante os quase 40 anos de análise, de acordo com o levantamento do MapBiomas.

A Amazônia apresentou o maior aumento proporcional de áreas com perda de vegetação nativa no entorno, passando de 19% para 47,5% no mesmo período.

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Em 1985, mais da metade da área no entorno de 100 metros dos sítios eram de florestas, savanas e campos naturais, e 41,7% sofreram alterações na vegetação original.

Quase 40 anos depois, em 2023, o cenário se inverteu: apenas 41,5% continuam rodeados por áreas de vegetação nativa e quase 50% se encontram em áreas já desmatadas e ocupadas, por exemplo, por pastagens, agricultura e áreas urbanas.

Riscos

Eduardo Neves, arqueólogo da Universidade de São Paulo (USP), que colaborou com os dados divulgados pelo projeto MapBiomas, afirma que o desmatamento das áreas no entorno desses sítios coloca em risco a preservação desses locais.

“Isso quer dizer que os sítios que eram recobertos por florestas anteriormente, hoje em dia são em áreas desmatadas. Esse desmatamento, dependendo da escala, da mudança de uso da terra, pode trazer consequências muito ruins para os sítios. Pode levar até à destruição desses sítios. E a destruição do Patrimônio Arqueológico é irreversível”, explicou ele.

O arqueólogo ainda disse que se o sítio for destruído, não é possível que seja reconstruído. “É um patrimônio que é o único. Por isso que a gente tem que tomar bastante cuidado para entender a dimensão desses impactos”, frisou.

Leia também: Conheça três sítios arqueológicos na Amazônia que são considerados patrimônio cultural do Brasil

Segundo Eduardo, essas mudanças no Acre se devem à transformação das áreas de floresta em áreas de pastagem e de agricultura para plantio de soja.

“Esses sítios arqueológicos no Acre são sítios muito interessantes, porque são estruturas geométricas, de geoglifos. As escavadas na terra é um patrimônio único que a gente encontra nessa parte da Amazônia e que tem sido muito impactado pela conversão do uso da terra para agropecuária, inicialmente para plantio de pastagem, de pasto, e agora da soja também”, disse.

Leia também: A construção dos ‘deuses geométricos’: os geoglifos da Amazônia

Ainda de acordo com o pesquisador da USP, os problemas atingem outros biomas, além da Amazônia. “Os estados que tiveram mais alerta de desmatamentos em sítios foram no Rio Grande do Norte e o Paraná. A gente percebe então que esse problema não está restrito apenas a Amazônia. Até o Rio Grande do Norte que tem uma vegetação de Caatinga esse tipo de impacto está acontecendo”, complementou.

Abertura para pastagem

Em outubro de 2024, um levantamento inédito do MapBiomas apontou que a abertura de áreas de pastagem foi a principal causa do desmatamento da Amazônia entre 1985 e 2023.

Imagens de satélite analisadas pela rede mostram que, nesse período, a área de pastagem cresceu mais de 363%, passando de 12,7 milhões de hectares para 59 milhões.

Isso representa uma expansão de 46,3 milhões de hectares em menos de quatro décadas. Com isso, somente em 2023, os pastos ocupavam 14% da Amazônia.

Mesmo com Acre entre estados de maior vegetação urbana, Rio Branco foi a capital que mais perdeu área verde em 20 anos. A conclusão é de um levantamento do MapBiomas, divulgado no dia 8 de novembro de 2024.

De acordo com o MapBiomas, o estado tinha 43,3% da zona urbana coberta por vegetação em 2003. Em 2023, a abrangência de vegetação na área urbana caiu para 32,8% no Acre.

*Com informações da Rede Amazônica AC

Horta escolar: Crianças aprendem sobre cultivo, alimentação saudável e sustentabilidade em escola de Boa Vista

A proposta sensibiliza os pequenos sobre o cultivo da terra, o cuidado com as hortaliças e a importância de hábitos alimentares saudáveis. Foto: Divulgação/PMBV

No Núcleo de Creches Senador Hélio Campos, o aprendizado vai além da sala de aula. É entre folhas de alface, coentro e cebolinha que as crianças exploram o mundo natural por meio do projeto Horta: Brincando com as Sementinhas, Crescendo com as Plantinhas. A proposta sensibiliza os pequenos sobre o cultivo da terra, o cuidado com as hortaliças e a importância de hábitos alimentares saudáveis.

Além do plantio, as crianças vivenciam práticas sustentáveis como a reutilização de pneus – que viraram canteiros, e o uso de garrafas pet para fabricar pazinhas de jardinagem. A experiência é coletiva: envolve educadores, famílias – que doam pneus e sementes – e até as merendeiras, que participam do momento da colheita junto com os alunos.

As merendeiras também participam do projeto, utilizando os itens colhidos no preparo da merenda escolar. Foto: Divulgação/PMBV

Todas as 270 crianças do núcleo participam das atividades com a horta em sistema de revezamento semanal. Os alimentos colhidos são incorporados à merenda escolar, garantindo ainda mais vínculo entre o que se aprende e o que se consome no dia a dia.

Protagonismo infantil e trabalho em equipe

A gestora da unidade, Lourdes Santos, explica que a proposta vai muito além de plantar: desenvolve o senso de pertencimento e responsabilidade ambiental nas crianças desde cedo.

“O projeto forma valores como responsabilidade, cooperação e respeito ao meio ambiente”, afirmou Lourdes Santos, gestora da unidade. Foto: Divulgação/PMBV

“A horta é um espaço de descobertas. As crianças colocam a mão na terra, observam o crescimento das sementes e aprendem que o cuidado diário gera resultado. Isso forma valores importantes, como responsabilidade, cooperação e respeito ao meio ambiente”, destacou.

Para ela, o projeto também se fortalece pela união entre a escola e a comunidade. “O envolvimento das famílias e da equipe escolar mostra que todos estão empenhados em ensinar para nossas crianças, desde cedo, que é possível cuidar da natureza de forma simples e prática. Aqui, a sustentabilidade é vivida no dia a dia”, completou.

Morre Raimundinho Dutra, histórico compositor do Boi Bumbá Caprichoso

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Foto: Reprodução

O histórico poeta compositor do Boi Bumbá Caprichoso, Raimundinho Dutra, faleceu, nesta segunda-feira (5), aos 94 anos. Ele é considerado um dos grandes nomes da história e da poesia do Touro Negro e do Festival de Parintins. A causa da morte não foi divulgada.

Raimundinho marcou gerações com sua sensibilidade e genialidade. Suas toadas, como “Aquarela do Touro Negro”, “Meu Cântico de Guerra”, “Mocidade” e “Solo Amado”, embalaram as noites de Boi de Rua e despertaram o sentimento mais genuíno de amor pelo boi da estrela na testa.

Leia também: Mentes que compõem Parintins: a identidade por trás das toadas do Festival

“Foi ao som de suas composições que o Boi Caprichoso ganhou vida nas ruas de Parintins, nos primórdios da manifestação popular que hoje encanta o mundo. Sua contribuição para a preservação e valorização da nossa cultura é imensurável, e seu legado permanecerá vivo na memória de todos os azulados”, informou o boi Caprichoso por meio de nota.

Em nome do presidente Rossy Amoedo e do vice-presidente Diego Mascarenhas, o Boi Caprichoso decretou luto oficial de três dias e informou que se solidarizou com os familiares, amigos e com toda a nação azul e branca neste momento de dor e despedida.

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Onça-pintada nas telas: seis produções para conhecer o maior felino das Américas

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Foto: Reprodução/YouTube

A onça-pintada (Panthera onca), símbolo da fauna amazônica e maior felino das Américas, tem ganhado cada vez mais espaço na mídia — não apenas como protagonista da luta pela conservação ambiental, mas também como estrela de filmes, séries e documentários.

Leia também: Maior felino das Américas, ótima nadadora e de família? Descubra 6 curiosidades sobre a onça-pintada

Da ficção ao realismo selvagem, essas produções revelam diferentes faces desse animal emblemático: feroz, misterioso, ameaçado — e essencial ao equilíbrio ecológico.

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O Portal Amazônia procurou por alguns desses títulos em que a onça-pintada é mais do que uma coadjuvante: é personagem central. Confira:

Diário de uma onça (2023)

Narrado pela atriz Alanis Guillen, conhecida por seu papel na novela ‘Pantanal’, o documentário dá voz à onça-pintada Leventina. Em uma abordagem poética e inédita, a produção acompanha três gerações de onças no Pantanal, sob a ótica da própria felina, e denuncia as ameaças crescentes ao seu habitat.

Leia também: Onças pintadas são diferentes na Amazônia e no Pantanal

Onça, o Grande Felino das Américas (2020)

A produção combina imagens impressionantes com informações científicas para mostrar a vida das onças-pintadas em santuários ecológicos. Com foco em sua inteligência, instinto caçador e habilidades sensoriais, o filme alerta para os perigos da urbanização sobre áreas silvestres.

Primal (2019)

Mistura de ação e suspense, este longa de Hollywood traz Nicolas Cage como um caçador que transporta animais exóticos — entre eles, uma onça-pintada — em um navio. A tensão cresce quando um prisioneiro perigoso também está a bordo, transformando a viagem em um confronto mortal.

Homem Onça (2021)

Embora a onça-pintada não apareça diretamente, ela é símbolo poderoso nesta metáfora sobre o envelhecimento, a decadência e o retorno às origens. No filme de Vinícius Reis, a figura da onça ressurge na imaginação do protagonista como representação de força, memória e resistência.

O Gato da Floresta (1959)

Com imagens da fauna sul-americana, este documentário retrata a rotina de uma família de onças-pintadas enfrentando os desafios da sobrevivência. É um retrato íntimo da luta silenciosa desses felinos em meio à beleza — e à ameaça — da natureza.

Chico Bento, oia a onça! (1990)

Curta-metragem baseado nos quadrinhos de Maurício de Sousa, traz um olhar mais leve e humorístico sobre o encontro entre o caipira Chico Bento e uma onça. É uma maneira divertida de apresentar o animal às crianças e celebrar a cultura popular brasileira.

Corrupião, o pássaro ‘elegante’ capaz de aprender outras melodias

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Foto: Reprodução/Passarinhando

Se existisse um ‘The Voice’ da natureza, com direito a júri técnico e cadeira giratória, o corrupião não só levaria o troféu pelo canto, como também pelo figurino. Afinal, não é todo dia que se vê uma ave “desfilando por aí” com um look vibrante em tons de laranja e preto, como se tivesse acabado de sair de um baile de gala da floresta.

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Conhecido também como joão-pinto, sofrê ou concriz — a depender da cidade, do estado ou da criatividade local — o corrupião (Icterus jamacaii) é um dos pássaros considerados mais bonitos do Brasil pela elegância de duas cores.

É encontrado em todos os estados do Nordeste, Centro-Oeste e do Sudeste, mas na Amazônia Legal é encontrado apenas no leste do Pará, a partir do Maranhão, e no Tocantins.

Leia também: Aves fantasmas: confira 8 espécies de aves dificilmente observadas na Amazônia

Com cerca de 25 centímetros de comprimento, o que salta aos olhos é sua plumagem alaranjada no peito, pescoço e ventre, que contrasta com o preto profundo do capuz, dorso, asas e cauda. Para completar o visual, ainda carrega uma mancha branca nas asas e olhos claros. Até mesmo o bico tem estilo: forte, pontudo e com uma base azulada.

Mas o corrupião não é só um “rostinho bonito” com vozeirão. Ele também é talentoso: aprende a imitar cantos de outras aves e até sons musicais — há relatos de exemplares que “cantam” trechos do Hino Nacional.

Embora ainda esteja classificada como ‘Pouco Preocupante’ na lista de conservação, o corrupião enfrenta ameaças como a caça, o tráfico e a destruição do habitat natural, pois se tornou alvo do tráfico ilegal de animais silvestres.

Onívoro, o corrupião come de tudo um pouco (insetos à frutas). E quanto à convivência? Vive em pares e constrói seu próprio ninho, mas também pode aproveitar ninhos de outras aves para garantir sua reprodução.

Com autorização inédita, mil quelônios manejados poderão ser vendidos legalmente no Amazonas

Foto: Moisés Henrique/Ipaam

Pela primeira vez, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) autorizou o transporte de quelônios criados em manejo sustentável para fins de comercialização. A autorização, assinada nesta segunda-feira (05/05), contempla mil animais das espécies tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) e tracajá (Podocnemis unifilis), criados por comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, em Carauari (a 788 km de Manaus).

Leia também: Tartaruga-da-Amazônia: Saiba três curiosidades sobre este quelônio

Os animais pertencem a três comunidades que integram a Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (Amaru) e foram criados em cativeiro ao longo dos últimos seis anos, a partir de ovos manejados de forma legal e controlada. A iniciativa segue as diretrizes estabelecidas por resoluções do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Cemaam), que regulamentam tanto as áreas autorizadas quanto os critérios técnicos para o licenciamento.

As autorizações foram formalizadas por meio de três documentos (nº 041/2025, 042/2025 e 043/2025), assinados pelo diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço. O transporte será feito por via fluvial, com embarque no barco Amaru e itinerário entre as comunidades de Manarian, São Raimundo, Vila Ramalho e Xibauazinho, todas localizadas às margens do rio Juruá.

“Essa é a primeira vez que o Ipaam autoriza o transporte de quelônios criados em manejo comunitário para fins de comercialização, dentro de um modelo que garante a preservação da espécie e valoriza o conhecimento tradicional. Essas comunidades atuam há muitos anos na proteção dos tabuleiros [praias onde os quelônios desovam] e agora colhem os frutos de um trabalho sério e comprometido com a sustentabilidade”, destacou Gustavo Picanço.

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Conforme os documentos, os animais serão identificados com lacres e organizados em lotes. O responsável pelo transporte é Gilberto Olavo Costa de Oliveira, gestor da RDS Uacari.

Segundo o coordenador da Gerência de Fauna (GFAU) do Ipaam, o biólogo Marcelo Garcia, seguindo o manejo regulamentado, as comunidades que monitoram tabuleiros por, no mínimo, cinco anos têm direito a uma cota para criação. No caso da Amaru, os animais, agora comercializados, foram manejados, desde o nascimento, até atingirem o tamanho mínimo exigido para a venda legal.

A autorização do Ipaam determina ainda que a associação deverá apresentar, após a comercialização, um relatório detalhado contendo peso, identificação e comprovantes de venda de cada animal. O uso indevido da autorização pode resultar em penalidades legais e cassação do documento, conforme previsto na legislação ambiental.

A medida reforça o compromisso do Ipaam com a conservação da fauna silvestre e com o apoio às práticas sustentáveis desenvolvidas em parceria com comunidades tradicionais nas unidades de conservação do Amazonas.

*Com informações do Ipaam

Ópera em Rede retorna em 2025 com ações de inclusão cultural e ambiental

Ópera em Rede retorna em 2025. Foto: Esley Cavalcante/Secom AM

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realiza a segunda edição do Ópera em Rede, reafirmando seu compromisso com a democratização do acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica. O projeto é realizado em parceria com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Amazonas e integra a 26ª edição do Festival Amazonas de Ópera.

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Ópera em Rede
Ópera em Rede retorna em 2025 com ações de inclusão cultural e ambiental. Fotos: Diego Oliveira/Portal Amazônia

“O Festival Amazonas de Ópera é esperado ansiosamente todos os anos por aqueles que amam esse gênero, mas, sobretudo, vem conquistando cada vez mais pessoas. A expectativa é sempre muito alta e eu arrisco dizer que esta edição será ainda mais grandiosa”, destacou Caio André, secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado do Amazonas.

Com uma proposta ousada e inclusiva, o Ópera em Rede levará apresentações e ações educativas a estudantes da rede pública, idosos, moradores de periferias urbanas e comunidades ribeirinhas, aproximando a ópera de novos públicos por meio de caravanas culturais, performances em escolas e campanhas digitais interativas.

“O projeto apresenta uma iniciativa valiosa ao ampliar o alcance da ópera para comunidades mais distantes, proporcionando uma experiência imersiva e inclusiva para públicos que, muitas vezes, não têm acesso a esse tipo de expressão artística”, afirmou Mariane Cavalcante, diretora executiva da Fundação Rede Amazônica.

Leia também: Galeria: centenas de jovens em escola de Manaus se encantam com ação sobre ópera

Entre as principais ações do projeto estão:

Ópera em Rede
Ópera em Rede retorna em 2025 com ações de inclusão cultural e ambiental. Fotos: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Desafio Ópera em Rede: De 28 de abril a 3 de maio, a Fundação promove um concurso de vídeos no qual a população é desafiada a interpretar trechos de óperas. Os vídeos devem ser enviados pela plataforma “Eu, Amazônia”, com o objetivo de engajar o público jovem. Os participantes concorrerão a prêmios simbólicos.

Ópera nas Escolas: Nos dias 6 e 7 de maio, a Fundação realizará pocket shows nas escolas de tempo integral Dra. Zilda Arns Neumann e CETI Áurea Pinheiro Braga, acompanhados de palestras educativas.

Minha Primeira Ópera: Nos dias 10 e 11 de maio, às 17h, a Fundação Rede Amazônica, em parceria com instituições locais, promoverá caravanas com crianças, adolescentes, jovens e idosos ao Teatro Amazonas, oferecendo a essas pessoas a oportunidade de vivenciar uma ópera pela primeira vez.

Ópera em Rede
Ópera em Rede retorna em 2025 com ações de inclusão cultural e ambiental. Fotos: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Transmissão ao Vivo do FAO: Exibição de uma noite do festival pelo Amazon Sat, G1 Amazonas e plataformas digitais, com cobertura dos bastidores e entrevistas exclusivas.

Flashes ao Vivo na Rede Amazônica: Cobertura jornalística ao vivo das ações do projeto e entrevistas com artistas e técnicos no dia da transmissão, que acontecerá em 16 de maio, diretamente do Teatro Amazonas.

Programa Socioambiental: Plantio de mudas em comunidades da zona rural de Manaus, com monitoramento por geolocalização para acompanhar o desenvolvimento das árvores.

Ópera em Rede retorna em 2025 com ações de inclusão cultural e ambiental. Fotos: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Campanha Cultura Transforma: Ação educativa que ressalta a cultura como uma importante ferramenta de inclusão social.

Ao unir arte, educação e responsabilidade socioambiental, o Ópera em Rede reforça o papel transformador da cultura na construção de uma sociedade mais justa, sensível e conectada às suas raízes. A iniciativa mostra que a ópera pode — e deve — ser acessível a todos, celebrando a diversidade amazônica e ampliando horizontes por meio da emoção e da beleza que só a música é capaz de proporcionar.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

Catálogo online apresenta a presença indígena na formação do Brasil, do século 16 ao 19; veja

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Catálogo online apresenta a presença indígena na formação do Brasil. Imagem: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional

Projeto Resgate Barão de Rio Branco da Fundação Biblioteca Nacional lançou seu novo catálogo temático dedicado integralmente aos povos indígenas. A ferramenta permite acesso gratuito a milhares de documentos que registram a presença indígena na formação do Brasil, desde o século 16 ao 19.

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O conjunto de documentos traz uma variedade significativa de temas e cada registro flagra instantes da afirmação e da resistência desses povos, diz a Biblioteca Nacional.

A lista de resumos dos documentos do novo catálogo, separado por capitanias hereditárias, vai acompanhada de índices que são preciosas ferramentas para os pesquisadores. Eles podem buscar as fontes históricas do projeto Resgate por nome, por assunto, por local e por etnia.

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Catálogo online
Catálogo online apresenta a presença indígena na formação do Brasil. Imagem: reprodução/Fundação Biblioteca Nacional

O trabalho foi coordenado pela professora do Departamento de História da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e indígena da etnia Tarairiú, da Paraíba, Juciene Ricarte Cardoso, com a participação dos historiadores Josinaldo Sousa de Queiroz, Karina Fabiana da Silva e Letícia dos Santos Ferreira.

Juciene conta que no final da década de 1990, como pesquisadora do Projeto Resgate Barão do Rio Branco, ficou com mais de 20 pesquisadores brasileiros em Lisboa por um ano. Eles trouxeram para o Brasil mais de 200 mil verbetes e mais de 5 milhões de imagens documentais do Arquivo Histórico Ultramarino sobre a história colonial do país entre os séculos 16 ao 19.

A professora indígena destaca que, para se chegar ao catálogo atual, foi preciso revisitar os documentos trazidos de Portugal que contemplavam apenas a história dos povos indígenas. 

“Conseguimos criar um catálogo que permitisse o acesso gratuito a milhares de documentos que registram a presença indígena na formação do Brasil. Um conjunto documental que permite a democratização de vários temas sobre a temática indígena e flagra momentos de afirmação, de resistência desses povos”.

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Catálogo online
Arquivo histórico Ultramarino. Imagem: reprodução/Fundação Biblioteca Nacional

Para Juciene, esse material é importante para os pesquisadores indígenas que estão produzindo cada vez mais seus próprios livros sobre a história indígena do Brasil.

“Temos hoje mais de 1,6 milhão indivíduos indígenas, com mais de 300 povos e mais de 200 línguas indígenas que precisam acessar sua memória e sua história. Esses documentos colaboram com informações de sesmarias que proporcionam o enriquecimento dos laudos antropológicos para as titulações de terras indígenas”, disse.

A especialista ressalta que também é possível verificar nessa documentação que cai por terra a ideia de que só houve escravização negra no Brasil.

Além de um acervo de documentos e verbetes, os catálogo possui diversos vídeos com os pesquisadores debatendo sobre os estudos durante todo o decorrer do projeto:

“Toda a documentação mostra que do século 16 ao 19 houve a inserção da mão de obra indígena no mundo do trabalho brasileiro. Eles eram escravizados, mas com os outros nomes como administrados, catequizados”.

Juciene destaca ainda a resistência dos povos indígenas quando eles negavam toda forma de contato e de convivência que nem sempre era pacífica.

“Encontrei documentos em que lideranças kariri convenceram lideranças negras dentro dos engenhos de açúcar a juntos formarem os chamados mocambos, que eram formações de quilombo com homens e mulheres negras e indígenas”.

Segundo a professora, outro tema importante é que essa documentação deixa clara a importância das mulheres indígenas.

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Catálogo online
Arquivo histórico Ultramarino. Imagem: reprodução/Fundação Biblioteca Nacional

“Até mesmo hoje, a historiografia que trata da história dos povos indígenas do Brasil é muito pelo lado masculino onde as mulheres guerreiras não são colocadas em evidência. Essa documentação revela que as mulheres indígenas não eram passivas nesse processo histórico da formação do Brasil. Elas estavam também construindo espaços de lutas e resistências nos contatos inter-étnicos da América portuguesa”.

Para o professor titular do departamento de Antropologia do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Pacheco de Oliveira, o catálogo da Fundação Biblioteca Nacional pode servir de base de teses de mestrado e doutorado nas áreas de história, antropologia e letras.

“E também para pesquisas das próprias comunidades indígenas porque são documentos que reafirmam direitos, lutas que eles realizaram, resistências que praticaram. É um material muito valioso”, disse o antropólogo.

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O Projeto Resgate

Projeto Resgate Barão do Rio Branco é um programa de cooperação arquivística internacional que tem por missão catalogar e reproduzir a documentação histórica manuscrita referente ao Brasil, do período anterior à Independência.

O projeto homenageia José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, diplomata brasileiro que consolidou as fronteiras do país. O embrião da iniciativa surgiu já no século 19, graças à pesquisa pessoal de muitos diplomatas brasileiros.

Catálogo online
Arquivo histórico Ultramarino. Imagem: reprodução/Fundação Biblioteca Nacional

Grande parte do acervo luso-brasileiro foi disponibilizado digitalmente, entre 2002 e 2006, pelo Centro de Memória Digital da Universidade de Brasília (CMD/UnB), com apoio financeiro da Petrobras.

Desde 2015, os recursos para a manutenção e o incremento do Projeto Resgate Barão do Rio Branco advêm de um Projeto de Cooperação Técnica Internacional com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), cuja direção está a cargo da presidência da Fundação Biblioteca Nacional.

Até o momento, foram feitos o levantamento e a reprodução de documentos existentes nos arquivos, bibliotecas, museus, centros e instituições culturais de Áustria, Espanha, Holanda, França, Bélgica, Reino Unido e Estados Unidos. Visite o acervo aqui: resgate.bn.br

*Com informações da Agência Brasil