Município de Ipixuna, na calha do rio Juruá, no Amazonas. Foto: Divulgação/Defesa Civil do AM
O município de Ipixuna, no interior do Amazonas, registra o pior índice de desenvolvimento municipal do país, de acordo com levantamento elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), divulgado neste mês. A cidade amazonense alcançou apenas 0,1485 ponto, o que a classifica como de desenvolvimento crítico.
O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) é feito com base em dados oficiais, referentes ao ano de 2023, pelos indicadores de Emprego & Renda, Saúde e Educação. A Firjan informou que esta edição do estudo analisou 5.550 cidades, que respondem por 99,96% da população brasileira.
O levantamento apontou ainda que, além de Ipixuna, outro município do Amazonas também está entre os piores do país: Jutaí, que ocupa a quarta pior posição, com 0,1802 ponto.
O Grupo Rede Amazônica questionou o posicionamento do Governo do Amazonas quanto ao levantamento que coloca as duas cidades do estado entre as cinco menos desenvolvidas do país, bem como quais ações estão sendo realizadas nos municípios para melhorar os índices, mas até a publicação desta reportagem não houve retorno.
O IFDM revela que essas cidades com classificação de desenvolvimento crítico têm, em média, 23 anos de atraso em relação aos municípios mais desenvolvidos do país, como Água de São Pedro (0,8932), São Caetano do Sul (0,8855) e Curitiba (0,8814), que lideram o ranking com os melhores resultados.
“Nossos cálculos indicam que as cidades críticas têm, em média, mais de duas décadas de atraso em relação às mais desenvolvidas do país. É como se parte dos brasileiros ainda estivesse vivendo no século passado”, ressaltou o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.
O gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart, afirmou que todas as regiões ainda têm cidades em situação crítica, mas que Norte e Nordeste são as mais prejudicadas. Ele destaca que o estudo oferece uma análise detalhada para que o cenário possa ser transformado nos próximos anos.
“Estamos fornecendo um quadro representativo para a formulação de políticas públicas mais eficazes e equitativas”, pontuou Goulart.
Veja as 10 cidades com os piores resultados no IFDM:
5.550º – Ipixuna (AM) – 0,1485 ponto;
5.549º – Jenipapo dos Vieras (MA) – 0,1583 ponto;
5.548º – Uiramutã (RR) – 0,1621 ponto;
5.547º – Jutaí (AM) – 0,1802 ponto;
5.546º – Santa Rosa do Purus (AC) – 0,1806 ponto;
5.545º – Oeiras do Pará (PA) – 0,2143 ponto;
5.544º – Fernando Falcão (MA) – 0,2161 ponto;
5.543º – Limoeiro do Ajuru (PA) – 0,2420 ponto;
5.542º – Melgaço (PA) – 0,2429 ponto;
5.541º – Curralinho (PA) – 0,2431 ponto.
Levantamento
Criado em 2008 e atualizado neste ano com nova metodologia, o estudo é composto pelos indicadores de Emprego & Renda, Saúde e Educação e varia de 0 a 1 ponto, sendo que quanto mais próximo de 1 maior o desenvolvimento socioeconômico.
Através dessa pontuação, é possível avaliar o município de forma geral e específica em cada um dos indicadores. Tanto a avaliação geral quanto as análises dos indicadores são classificadas em quatro conceitos:
desenvolvimento crítico: entre 0 e 0,4;
desenvolvimento baixo: entre 0,4 e 0,6;
desenvolvimento moderado: entre 0,6 e 0,8;
desenvolvimento alto: entre 0,8 e 1 – desenvolvimento alto.
A análise mostra que 99% dos municípios registraram avanço no índice geral entre 2013 e 2023. Com isso, a pontuação média brasileira no estudo é de 0,6067 ponto, referente a desenvolvimento moderado. As três vertentes do índice contribuíram para esse avanço, ainda que em ritmos distintos.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Paraíso do Tocantins
O que antes foi um povoado nascido com o surto da construção da Rodovia BR-14, hoje Belém- Brasília ou BR-153, hoje é uma cidade com pouco mais de 50 mil habitantes. O povoado que hoje é Paraíso do Tocantins (TO), foi fundado por José Ribeiro Torres em 1958. Tocantins é um estado que faz parte da Região Norte e da Amazônia Legal.
De acordo com informações da prefeitura, o povoado “instalou-se ao lado do acampamento da Companhia Nacional, empreiteira da construção da Rodovia. Motivados pela novidade e entusiasmo, a ele se reuniu um aglomerado de moradores. Foi a Lei Estadual nº 4.716, de 23 de outubro de 1963, que o emancipou politicamente, com o topônimo de Paraíso do Norte, desmembrando do Município de Pium”.
O nome só foi trocado para o atual após a criação e implantação do Estado do Tocantins (Decreto Legislativo nº 01/89, de 1º de janeiro de 1989, art. 4º), que alterou para Paraíso do Tocantins.
“O nome ‘Paraíso’ foi dado por Luzia de Melo Balthazar, esposa de Adjúlio Balthazar, que era o encarregado da Companhia Nacional, empresa que estava construindo a Rodovia Belém-Brasília. Ela se encantou com as belezas naturais da região, principalmente com os dois córregos de águas cristalinas (o Pernada e o Buriti), a Serra do Estrondo e a exuberância da vegetação típica do cerrado”, explica a prefeitura.
Assim, desde o tempo em que ainda era apenas um povoado, muitos já o chamavam de ‘paraíso’. “E a Lei No. 01 de 22 de fevereiro de 1963, que elevou o povoado à categoria de distrito, também serviu para oficializar esta denominação”, descreve a administração municipal.
E justificando o nome, a cidade abriga uma beleza natural que encanta. O que é possível ver, na prática, quando se vai à Serra do Estrondo.
Fotos: Reprodução/Plataforma Integrada de Turismo do Governo de Tocantins
Essa é uma das atrações mais procuradas na cidade. Especialmente para os amantes do esporte ou da natureza, por proporcionar passeios em trilhas, cachoeiras e uma visão impressionante da região.
A Área Municipal de Proteção Ambiental Serra do Estrondo foi criada pelo Decreto Municipal Nº 267 de 2 de dezembro de 2002. O topo da Serra conta com infraestrutura de Mirante, uma academia ao ar livre e a abriga a Capela de Santa Cruz, sinônimo de fé e peregrinação durante a Semana Santa.
Os ferroviários na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a 15ª ferrovia a ser construída no país. Foto: André Oliveira/SMC
A história de Porto Velho com a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é profunda. Milhares de ferroviários de diversas nacionalidades chegaram nesta região da Amazônia e ajudaram, através de muito suor, a construir a lendária ferrovia que deu origem ao município de Porto Velho e à criação de outros municípios na região dos rios Madeira e também Mamoré.
A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi a 15ª ferrovia a ser construída no país, executada entre 1907 e 1912. Por seu legado e história, nesta data, vale destacar a história de três ferroviários que se dedicam diariamente pela preservação da memória e do patrimônio da ferrovia.
Os ferroviários Antônio Moisés, Paulo da Costa e Lord Jesus Brown. Foto: André Oliveira/SMC
Os ferroviários Antônio Moisés, Paulo da Costa e Lord Jesus Brown são histórias vivas e que se dedicam diariamente para manter a preservação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Os três trabalham diariamente no Complexo Madeira-Mamoré, e, além disso, representam uma pequena parte dos ferroviários que foram e são essenciais na continuação dessa história.
Um desses ferroviários é Paulo da Costa, que começou a trabalhar na EFM-M aos 12 anos, no chamado “trem de lastro”, anos depois a paixão pela ferrovia continua a mesma. “Isso aqui é minha vida. Tenho um amor muito grande pela Madeira-Mamoré. Antes de partir dessa para melhor, meu sonho é ver o trem funcionando de novo, e seria minha maior alegria”, disse Paulo da Costa.
No galpão da antiga oficina, além dos trens ficam guardadas com muito carinho a kalamazu, cegonha, a litorina. Foto: André Oliveira/SMC
Filho de ferroviários, Lord Jesus Brown, contou que trabalha no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré desde a década de 70.
“Meu pai chegou aqui para trabalhar na construção da ferrovia. Eu tenho muito orgulho dessa trajetória da minha família aqui na Amazônia. Eu luto e sempre vou lutar pela preservação da ferrovia. Essa é uma história muito linda e nós, ferroviários, temos que lutar até o fim”, concluiu.
No galpão da antiga oficina, além dos trens ficam guardadas com muito carinho a kalamazu, cegonha, a litorina e também outros veículos centenários utilizados na época de ouro da ferrovia. O ferroviário Antônio Moisés afirma que todos esses equipamentos fazem parte da trajetória da ferrovia. “Neste ano tivemos a grata surpresa de ver a Litorina voltar a andar. Nós ferroviários ficamos felizes porque todo final de semana estamos aqui transportando cerca de 300 a 400 pessoas aos sábados e domingos, para sentirem a emoção de andar por esses trilhos”, relatou o ferroviário.
Segundo o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, os pioneiros da cidade merecem respeito e reconhecimento pelo trabalho que fizeram e ainda continuam fazendo pela EFM-M. “Eu tenho respeito e admiração pelas milhares de histórias de homens e mulheres que ajudaram a construir a nossa ferrovia. Aos ferroviários eu deixo a minha homenagem e dizer que vamos fazer muito mais e nossa ferrovia, se Deus quiser, vai voltar a apitar de novo”, finaliza o prefeito.
A litorina é em um pequeno vagão ferroviário que era utilizado para transportar, no ciclo da borracha, o salário de funcionários da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, além de engenheiros, médicos e outros profissionais.
Os ferroviários trabalham atualmente na Litorina. Foto: Governo de Rondônia/divulgação
Vale lembrar que a estrada de ferro, também conhecida como “Ferrovia do Diabo”, foi inaugurada em 1912, por conta da necessidade de aumentar a colheita do látex da borracha.
Contudo, só proporcionou grandes lucros nos primeiros dois anos de seu funcionamento, devido ao declínio da borracha na Amazônia, ocasionada pela produção intensiva da borracha natural na Ásia.
A litorina utilizada para os passeios é datada de 1932 e movida a diesel. Por isso, historicamente, a litorina, assim como a estrada de ferro como um todo, simbolizam a história viva portovelhense.
O trabalho dos cenógrafos no FAO. Georgia Massetani. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Quem assiste a um espetáculo de ópera geralmente se encanta com as vozes poderosas, os figurinos deslumbrantes e a grandiosidade da música. Mas por trás do brilho do palco existe um trabalho minucioso, artesanal e intenso: a cenografia.
É nesse cenário — literalmente — que atua a cenógrafa Georgia Massetani, que há 15 anos contribui com o Festival Amazonas de Ópera (FAO), em Manaus (AM).
Neste ano, Georgia está à frente de dois cenários principais, além de ter contribuído com a direção de arte de alguns concertos. “Mesmo em apresentações menores é importante que os objetos de cena estejam presentes. Isso ajuda o público a perceber como eles se relacionam com a movimentação cênica”, destaca.
Festival Amazonas de Ópera. Foto: Michael Dantas/SEC AM
Quem assiste ao Festival Amazonas de Ópera se encanta com as vozes poderosas, os figurinos deslumbrantes e a grandiosidade da música. Mas por trás do brilho do palco existe um trabalho minucioso, artesanal e intenso: a cenografia.
É nesse cenário — literalmente — que atua a cenógrafa Georgia Massetani, que há 15 anos contribui com o Festival Amazonas de Ópera (FAO), em Manaus (AM).
“Quem vê de fora não imagina o trabalho que dá. Não é só o talento dos cantores que faz o espetáculo acontecer, tudo compõe a experiência, inclusive o cenário”, revelou Georgia. Como cenógrafa residente, ela participa desde a concepção até os acabamentos dos cenários. Em algumas produções, também assina o projeto cenográfico completo.
Cenografia é uma parte importante no Festival Amazonas de Ópera. Foto: Marcio James/SEC AM
Neste ano, Georgia está à frente de dois cenários principais, além de ter contribuído com a direção de arte de alguns concertos. “Mesmo em apresentações menores é importante que os objetos de cena estejam presentes. Isso ajuda o público a perceber como eles se relacionam com a movimentação cênica”, destaca.
O processo criativo começa meses antes da estreia. “Nosso trabalho começa com uma pesquisa junto à diretora cênica, neste caso a Juliana Santos. Estudamos o libreto, buscamos imagens, textos, referências literárias e visuais. A ideia é entender o que a diretora quer comunicar através daquele cenário”, conta Georgia.
Ela mistura pesquisas acadêmicas e visuais, com especial apreço por livros e bibliotecas. “Gosto de equilibrar o digital com o físico. Livros me dão uma profundidade que às vezes não encontro na internet”, explicou a cenógrafa.
O cenário dá uma vida diferente para o Festival Amazonas de Ópera. Foto: Esley Cavalcante/FAO
Com as referências em mãos, começa o esboço pictórico. Para Georgia, a imagem ilustrativa é essencial. “Como já trabalhei com ilustração, preciso visualizar bem o que quero comunicar. Essa imagem me ajuda a pensar na temperatura da cena, nas intenções cênicas”, disse.
Depois dessa fase, entra o trabalho técnico, feito com o auxílio de assistentes. “Eu foco mais na parte artística e deixo a parte mais técnica — como vistas, cortes, plantas — com meus assistentes”, afirmou.
A criação de um cenário de ópera envolve uma equipe extensa e diversa. “Acredito que envolvemos cerca de 60 pessoas, ou até mais. Temos pintores, escultores, aderecistas, tapeceiros, costureiros, marceneiros, serralheiros… Todos eles são fundamentais para dar vida ao cenário”, disse.
Georgia Massetani, cenógrafa do Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
A cenógrafa destaca o crescimento profissional que o festival proporcionou para a equipe local ao longo dos anos. “Em 25 anos de festival, muitos profissionais foram se formando aqui mesmo, desenvolvendo um conhecimento técnico muito potente”, contou.
Como em qualquer produção de grande porte, os desafios são muitos — e variam a cada edição. Georgia afirma que a máquina operística nunca é fácil.
“Sempre há algo novo, mas isso também nos amadurece. Trabalhar com pessoas tão diferentes exige delicadeza, paciência e empatia. No final, a magia do teatro quase sempre vence”, afirmou.
Uma das dificuldades recorrentes é a obtenção de materiais. Mas Georgia vê isso como uma oportunidade de inovação: a cenógrafa afirma que sempre conseguem encontrar os materiais em Manaus ou pensam em alternativas. Para ela, isso alimenta a criatividade. Quando algo falta, sempre encontram uma solução.
E quanto aos imprevistos? Ela diz que sempre acontecem, embora não se lembre de um específico, mas uma lenda urbana chama a sua atenção. “Ah, dizem que tem fantasminhas no teatro! Quando trabalhamos à noite para dar retoques, até brincamos com isso”, comentou, rindo.
Enquanto os aplausos ecoam pelo Teatro Amazonas, Georgia e sua equipe seguem nos bastidores, dando forma aos sonhos encenados no palco. São essas mãos invisíveis que constroem os mundos fantásticos onde a música ganha corpo e cor.
“É um trabalho coletivo, sensível, de muito empenho. E é uma alegria poder contribuir para essa experiência tão intensa que é a ópera”.
No âmbito da gestão de áreas naturais protegidas (ANP), no Peru, são priorizadas estratégias de conservação para o macaco-barrigudo-de-cauda-amarela (Lagothrix flavicauda), espécie endêmica das florestas montanhosas. Esses ecossistemas são geridos pelo Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernanp), entidade pertencente ao Ministério do Meio Ambiente (Minam).
“Esses são espaços essenciais para garantir a conservação da espécie, bem como a proteção dos territórios que sustentam sua sobrevivência, especialmente em regiões como Amazonas e San Martín, onde os PNAs funcionam como polos de conservação e conectividade ecológica”, disse Marco Arenas, Diretor Geral de Diversidade Biológica do Sernanp.
Nesse sentido, Arenas disse que o Ministério está participando da formulação do Plano de Ação Específico para a Conservação do Macaco-barrigudo-de-cauda-amarela e seu Habitat (PEAC), em coordenação com os governos regionais da área onde a espécie vive, o Serviço Nacional de Florestas e Vida Selvagem (SERFOR), o Sernanp e a organização Yunkawasi. Isto, em conformidade com a Lei nº 32.100.
Desde a entrada em vigor desta disposição legal, o setor do Meio Ambiente realizou cerca de uma dezena de ações de capacitação e assistência técnica para os governos regionais de La Libertad, San Martín, Huánuco e Amazonas, enfatizando a formulação de projetos de investimento público para recuperar a diversidade biológica e os serviços ecossistêmicos que impactam a proteção do macaco-barrigudo-de-cauda-amarela.
As ações de conservação estão alinhadas com a Meta 4 do Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que promove a recuperação de espécies ameaçadas, bem como com os objetivos da Estratégia Nacional de Diversidade Biológica 2050 liderada pelo Minam, que estabelece ações específicas para prevenir extinções e recuperar populações criticamente ameaçadas.
“Com a organização Yunkawasi, estamos consolidando mecanismos de cooperação. Em breve, será assinado um acordo para ampliar o escopo das ações de apoio à conservação da vida selvagem no país”, afirmou. Desta forma, contribui para o cumprimento das metas nacionais de biodiversidade para 2030 e dos compromissos assumidos pelo Peru em nível internacional.
Foto: Reprodução/Agência Andina
O macaco peludo de cauda amarela é encontrado no Santuário Nacional da Cordilheira de Colán, na Reserva Comunal Chayu Nain, na Zona Reservada do Río Nieva, no Parque Nacional do Río Abiseo e na Floresta de Proteção Alto Mayo; e em diversas áreas regionais como Vista Alegre – Omia, Bosques de Shunté e Mishollo; e a Cordilheira da Escalera.
Além disso, em Junín, está em tramitação a proposta da Área de Conservação Regional San Cristóbal de Pucutá – Menkori, onde a espécie também é encontrada.
O setor Meio Ambiente continuará promovendo uma abordagem territorial, participativa e multissetorial para a conservação do macaco-barrigudo-de-cauda-amarela, que aparece na lista internacional de primatas ameaçados de extinção.
“É uma espécie prioritária tanto pelo seu valor ecológico quanto pelo seu potencial de gerar desenvolvimento local sustentável”, observou Arenas.
Maria Moreira aos 90 anos. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
Delicada e meiga que só ela, Maria Moreira Gomes foi a Maria Portuguesa do Mercado Adolpho Lisboa, em Manaus, e seu sotaque não negava. É amazonense registrada portuguesa, dizia ela, rindo na preciosa lucidez dos seus 99 anos na época, com a mesma euforia de uma criança que comemorava dois. E uma diferença singular: no seu aniversário tinha cachaça, vinho e cerveja. Quem a viu, não imaginava que na criatura frágil (pura aparência) já vivia uma barbeira, mateira, chofer de praça, carregadora de mercado, empregada doméstica a uma respeitável vendedora de plantas medicinais e verduras.
Dona Maria Portuguesa era sinônimo de festa, de luz, de gente que não nasce todo dia, uma raridade que se preocupava em dar lições, porque era a própria cartilha. “Também bonita só eu mesmo”, dizia.
Uma beleza que não tinha o peso de seus 99 anos, mas a leveza de tê-los completados sem deixar que as rugas viessem de graça, por caprichos da vida. Ela, ao contrário, foi caprichosa. Rodou a baiana extremamente feliz, feliz de impressionar e contar cada história de sua vida.
O trabalho era a vida
A conhecida Maria Portuguesa era de acordar cedo, às 4 da manhã, para ir ao mercado Adolpho Lisboa vender as plantinhas medicinais que ela mesma cultivava no seu quintal. Detalhe importante: Dona Maria jamais tomou remédio de médicos. Sua pequena fonte de mucuracaá, cala-a boca, sangue de cristo, Jiboia, mão-aberta, samandaru e outras, garantiram a cura para males do corpo, se bem que isso era difícil acontecer. No mercado, ela só não ia na Sexta-feira Santa. E lá passava toda a manhã. Depois do mercado, Dona Maria Portuguesa tomava uma cachacinha ou cerveja ou vinho (preferência devida a terra natal) e depois almoçava.
Ela cuidava das plantas da casa; criava uma neta de 19 anos, a Jussara, desde recém-nascida; reclamava da rua em péssimo estado, que era a Travessa Dr. Machado, entre a Major Gabriel e Joaquim Nabuco; assistia novela (mas não gostava dos beijos e abraços); torcia pelo Flamengo (uma paixão) e pelo Nacional. Vivia, enfim, uma vida quieta e alegre em que misturava a umbanda com catolicismo. Devota de São Sebastião e Nossa Senhora da Conceição, tinha as entidades preto velho e caboclo guerreiro como guias. Lago Grande, do qual estava afastada de trabalhos pela idade.
Maria Portuguesa do Mercado Adolpho Lisboa. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Mas era uma lago mesmo
Não tinha nome melhor para guia da vida Maria Portuguesa do que Lago Grande. Haja trabalho, haja lago de trabalho para essa que foi uma pequena notável do tempo do tostão, que passou pelas pesadas profissões e venceu todas. Um orgulho: em 1925 tirou a carta de Chofer de Praça fazendo todos os testes e naturalmente aprovada com louvor.
Foi mateira, carregadora de banana nas madrugadas do mercado e empregada doméstica. Aliás, sua mocidade poderia ser medida pelo prazer que lembra os bailes do Luso Sporting Clube, Nacional Futebol Clube, Atlético Rio Negro, onde namorava e dançava sem parar.
A vida de Maria Portuguesa, diante de tudo que passou, foi uma nuvem de chuva que veio molhar o campo para a semente de sua própria vida. Ajudou a criar 13 irmãos, cinco filhos e uma neta que ela chamava de “minha Jussara”.
Dar os parabéns para a trajetória de vida de Maria Portuguesa era virar o copo, porque segundo ela, virar o copo era sinal de vida.
Naquela época, para ir ao mercado, ela atravessava um beco esburacado que não lhe desanimava. Foi uma mãe severa e cuidadosa com seu trabalho.
E diante da insistente pergunta sobre a fórmula que a fez passar dos 100 anos, sem usar óculos e com um olhar 43 que era de fazer inveja ao roqueiro RPM, uma lucidez tão viva quanto as vinagreiras que cultivava, respondeu: trabalho.
Esse trabalho não produziu riqueza maior que o amor com que ajudou seus filhos e netos a se arrumarem no mundo e formar a base de toda a vida de Maria Portuguesa.
A fisionomia urbana de Manaus do período em que viveu Maria Moreira Gomes reflete bem o espírito da sociedade que aqui floresceu em fins de 1800 e início de 1900. Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte
Por todos os filhos, netos e bisnetos que não fizeram parte da vida de Maria Portuguesa, a gente quer tomar emprestado um espaço debaixo dessa nuvem de chuva que vai fertilizar a terra. E o dia das mães é ninguém melhor que Dona Maria, que foi frágil como os primeiros raios de sol e depois forte como o próprio sol, para sintetizar o sentimento para com as mães.
Ela que fez tudo na vida para sobreviver, precisava ser mãe de uma geração que não aprendeu a delicada arte de alegria. E nem soube contar rugas como prêmio aos seus 101 anos de poesia. A simples poesia de ser a vida de Maria Portuguesa.
Seu falecimento foi notícia no Jornal do Comércio
A tradição de trabalhar no Mercado Adolpho Lisboa passou para os filhos, tendo um dos netos permanecido até hoje com a concessão de um box no mercado.
“… Noticiado no Jornal do Comércio de quinta–feira, do dia 02 de junho de 1988: Mercado para com a morte de dona Maria portuguesa. Foi um dia de luto no Mercado Adolpho Lisboa. Os feirantes que trabalham na parte interna do mercado encerraram o atendimento ao meio-dia, para prestar a última homenagem a Tia Maria Portuguesa que morreu na madrugada de ontem, vinte dias após completar 101 anos de idade. Foi enterrada às 14h, no Cemitério São João Batista. Ela era a mais antiga verdureira do Mercado Adolpho Lisboa.”
“… Foi noticiado no Jornal A notícia, no dia 02 de junho de 1988: Morre uma das figuras mais tradicionais. Dezenas de pessoas, entre amigos e colegas de trabalho acompanharam ontem, o enterro da centenária dona Maria Moreira Gomes, conhecida como Maria Portuguesa, querida e admirada por todos, que no dia a dia costumava ir ao mercado para trabalhar.
Maria Portuguesa morreu ontem, em sua residência, às 15h, por complicações trazidas pela idade. Ela completou, no último dia 10 do mês passado 101 anos. Para os amigos que levaram ao último adeus, só havia uma coisa a dizer sobre Maria Portuguesa: O seu exemplo de luta e de perseverança no dia a dia, buscando sempre o trabalho de feirante, desde os primórdios tempos do Mercado Municipal.
Agraciada com uma banca de n. 07, no Mercado Municipal, após a reforma na gestão do Prefeito Jorge Teixeira, Maria só de trabalho tinha 67 anos que lhe tornaram popular a todos que no dia a dia frequentavam o mercado. Para quem a conheceu, Maria não vendia somente verduras e plantas medicinais, vendia também todo o seu conhecimento sobre o Mercado Municipal, pois sabia de todos os momentos históricos do local e, dos áureos tempos em que como sempre relembrava os filhos, a comida era farta quando tinha tartaruga, a carne e o peixe. Maria trabalhou até 100 anos. No ano passado, em maio, seu centenário foi comemorado por todos os colegas do mercado e pelas autoridades. Como a idade já não lhe permitia os excessos teve que parar, mesmo contra sua vontade. Continuava lúcida e sempre relembrando suas andanças. Trazida sempre pelo carma de feirante e, em casa, segundo seu filho Antônio Mattos, Maria dedicava-se a criar galinhas e patos, em seu quintal, quase sempre para dar de presente a algum amigo.
Por duas vezes, foi condecorada a mãe do ano, em 1986 e 1987, numa homenagem feita pela Rádio Difusora. Sua popularidade, como sempre, lhe rendia homenagens daqueles que sempre a apontavam no Mercado Municipal.
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Monolitos que formam o Sítio Arqueológico de Calçoene (AP) com provável função ritualísitca e de observação astronômica. Foto: Reprodução/Iphan
Simbolizando determinado momento histórico de uma região, os sítios arqueológicos são locais onde se encontram vestígios de presença humana e que apresentam relevância científica para a compreensão da história da humanidade.
De acordo com Hosenildo Gato Alves, mestre em história pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), sítios arqueológicos são lugares que testemunham a história de sociedades antigas.
“São espaços de memória que o historiador estuda para tentar reconstruir e interpretar o modo de vida de sociedades antigas”, afirmou o historiador.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 27 mil sítios arqueológicos oficialmente registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e 10.197 estão localizados na Amazônia.
Esses sítios arqueológicos são divididos em simples e complexos. Os simples são aqueles onde a presença humana é detectada por meio de instrumentos de pedra lascada e pinturas rupestres.
Os mais complexos são aqueles onde é perceptível a presença humana por meio de cidades abandonadas que são museus a céu aberto, e instrumentos líticos, principalmente a cerâmica.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reforça: “são considerados sítios arqueológicos os locais onde se encontram vestígios positivos de ocupação humana, os sítios identificados como cemitérios, sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento, ‘estações’ e ‘cerâmicos’, as grutas, lapas e abrigos sob rocha. As inscrições rupestres ou locais com sulcos de polimento, os sambaquis e outros vestígios de atividade humana também são considerados sítios arqueológicos. Por meio dos bens arqueológicos é possível identificar conhecimentos e tecnologias que indicam anos de adaptação humana ao ambiente, além da produção de saberes tradicionais brasileiros. Qualquer nova descoberta deve ser comunicada, imediatamente, ao Iphan”.
Localizado na Ilha de Marajó, no estado do Pará, o Sítio Arqueológico de Marajó possui sítios funerários e sambaquis, que são montes de conchas que foram construídos por povos antigos para fins funerários.
Sítio arqueológico Pedra Pintada (RO)
Situado no distrito de Cocais, 1070 m no nível do mar, e reconhecido pela Unesco em 2005, o sítio possui 122 pinturas feitas com pigmentos minerais e está aberto a visitação particular.
Parque arqueológico do Solstício (AP)
Localizado na área rural de Calçoene, a quatro horas de Macapá, o conjunto de rochas possui um círculo formado por 127 blocos de granito. O parque recebe esse nome já que durante o solstício de inverno, o sol se alinha com uma das rochas e não projeta sombra alguma.
Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas
O Amazonas vive um momento histórico para a bioeconomia e o desenvolvimento sustentável. No dia 9 de maio, o município de Carauari (a 788 quilômetros de Manaus) promoveu a primeira venda legalizada de quelônios manejados por comunidades tradicionais.
“É motivo de muita alegria pra gente ter uma feira para reconhecer o trabalho de conservação que é feito por esses homens e mulheres. É um esforço de proteção à natureza e, especialmente, de proteção das pessoas que preservam e ninguém sabe fazer isso melhor do que eles”, disse o governador Wilson Lima.
O comércio de quelônios, inédito no estado, é resultado direto de mais de quatro décadas de esforço coletivo para a conservação das espécies na região, em especial, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, gerida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas
Devido aos trabalhos de monitoramento a área – que também inclui a Reserva Extrativista (Resex) do Médio Juruá, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) -, é reconhecida por concentrar uma das maiores abundâncias e diversidades de quelônios de água doce do Brasil.
Apenas em 2024, por exemplo, foram mais de 8,6 mil ninhos monitorados, resultando em mais de 361 mil filhotes de quelônios protegidos e devolvidos à natureza. Foi a garantia de aumento das populações de quelônios ao longo dos anos que tornou possível o manejo comunitário. É o que explica o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira.
“A proposta dessa atividade é conservar as populações desses animais, garantindo sua sobrevivência a longo prazo e, ao mesmo tempo, permitindo que as comunidades locais possam gerar renda sustentável. É um salto gigante que damos na materialização da bioeconomia na prática, onde a conservação da natureza caminha lado a lado com a valorização e a melhoria da qualidade de vida das pessoas”, destacou Taveira.
Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas
Dia de festa para Francisco Mendes, conhecido como “Bomba”, um dos primeiros ribeirinhos a se dedicar inteiramente para a atividade. “Foi um sonho que a gente teve há muito tempo e hoje, graças a Deus, está sendo realizado. É um privilégio para todos os monitores do Médio Juruá, porque é mais uma renda que vai surgir para as comunidades”, completou.
Quelônios como a tartaruga-da-Amazônia e o tracajá sempre foram parte importante da cultura alimentar dos povos ribeirinhos. Porém, por muitos anos, a captura predatória e o comércio ilegal ameaçaram a sobrevivência dessas espécies. Foi então que as comunidades passaram a agir.
Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas
Desde os anos 1980, comunitários do Médio Juruá realizam o monitoramento voluntário dos tabuleiros de desova e acompanham os ninhos até a eclosão dos ovos. O trabalho segue a metodologia do projeto pé-de-pincha, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
“Esse é um momento esperado a muito tempo para os comunitários. Representa o fruto desse esforço deles na conservação e do conhecimento tradicional somado ao conhecimento científico. Ao longo dos últimos seis anos a gente veio descobrindo junto com eles a forma de trabalhar, de criar esses quelônios, para poder chegar nesse momento tão especial da venda legal”, disse o coordenador do Programa pé-de-pincha, Paulo Andrade.
Essa trajetória de conservação foi oficialmente reconhecida pelo estado em 2017, com a publicação das resoluções nº 25 e 26, do Conselho Estadual de Meio Ambiente do Amazonas (Cemaam). Respectivamente, as normativas estabeleceram áreas prioritárias para proteção de quelônios e normatizaram a criação legalizada de um pequeno percentual dos filhotes protegidos, para fins de comercialização sustentável. Essa regulamentação abriu caminho para uma nova fase: a do manejo legal como estratégia de conservação e geração de renda.
Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas
Em 2019, as comunidades do Xibauazinho, Manariam e Vila Ramalho receberam autorização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para implementar o manejo comunitário experimental de quelônios, por meio da Associação dos Moradores Agroextrativistas da RDS Uacari (Amaru).
“Esse modelo garante a conservação da espécie e valoriza o conhecimento tradicional. Essas comunidades atuam há muitos anos na proteção dos tabuleiros [praias onde os quelônios desovam] e agora colhem os frutos de um trabalho sério e comprometido com a sustentabilidade”, destacou Gustavo Picanço, presidente do Ipaam.
Agora, em 2025, os frutos desse trabalho estão sendo comercializados durante a feira, que reúne mais de 1 mil quelônios legalizados, todos com lacres e recibos oficiais, vendidos a R$ 20 o quilo. A ação beneficia diretamente 50 famílias e deve gerar uma renda estimada em R$ 80 mil, movimentando a economia local com responsabilidade socioambiental.
Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas
Além da Sema, Ipaam, ICMbio, Ufam e Amaru, a atividade também recebe apoio do Ministério do Meio Ambiente, por meio do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), da Associação de Moradores e Usuários da Reserva Extrativista do Médio Juruá (Amecsara) e do Instituto Juruá.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
De acordo com a Assessoria de Comunicação da instituição, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) lançou em março deste ano um pacote de Oferta Tecnológica para o setor produtivo com 30 patentes e pedidos de registros junto ao INPI. A oferta de soluções tecnológicas a startups, empresas, associações e outras organizações busca fortalecer a inovação e a pesquisa científica e tecnológica no setor produtivo e contribuir com o desenvolvimento socioeconômico sustentável da Amazônia.
De acordo com a titular da Coordenação de Gestão da Inovação e Empreendedorismo do Inpa (Cogie), Deuzanira Santos, a oferta tecnológica é um instrumento que viabiliza o licenciamento exclusivo de tecnologias protegidas pelas Instituições Científica, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), como é o caso do Inpa, permitindo que empresas interessadas no desenvolvimento e comercialização dessas tecnologias estejam em condição de igualdade de concorrência. “As tecnologias disponíveis se concentram em dez áreas, como alimentos e bebidas, produtos sustentáveis, dispositivos médico-hospitalares, agrotech, cosméticos e fármacos”, afirmou.
Um passo fundamental para desmistificar os produtos de laboratório afastados do mercado consumidor. Enfim, a definitiva aproximação do trinômio ensino-pesquisa-iniciativa privada tendo em vista viabilizar oferta tecnológica por meio de patentes de titularidade do Inpa em parceria com outras instituições e empresas, sendo a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) a principal parceira deste importante centro de pesquisas da Amazônia. Três instituições se destacam como co-titulares de patentes com o Inpa: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Para o diretor do Inpa, Henrique Pereira, sobre a “oferta tecnológica realizada em 2024 foram disponibilizadas 23 patentes e quatro softwares, quase metade do portfólio institucional. Com essa nova rodada, será a primeira vez, em 20 anos de existência do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do instituto que o Inpa terá 100% do portfólio ofertado. No Inpa, a Cogie é responsável pela gestão da inovação institucional e corresponde ao NIT institucional”. Fruto da primeira oferta tecnológica realizada no fim de 2024, a Cogie dispõe hoje de seis propostas de licenciamento em andamento. Uma delas, diz respeito à transferência tecnológica da primeira patente ligada à zerumbona (substância extraída do gengibre amargo Zingiber zerumbet), o extrato purificado que pode ser aplicado no desenvolvimento de fármacos. As outras cinco referem-se a tecnologias de alimentos e equipamentos para secagem de frutos amazônicos.
Informes da Ascom/Inpa acrescentam que, “direcionado a tecnologistas, pesquisadores e demais servidores do Inpa e parceiros, o Inpa também promoveu em abril passado, no Auditório do Bosque da Ciência, o Workshop Prestação de Serviços Técnicos Especializados pelas ICTs”, evento realizado sob a coordenação da Cogie, buscou oferecer conhecimentos para capacitar servidores do Inpa na prestação de serviços técnicos especializados para impulsionar a inovação nos setores produtivos e na sociedade.
Santos salienta que “a iniciativa está amparada no Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, disciplinado pela Lei 13.243, que busca desmistificar a percepção de que a instituição não poderia oferecer tais serviços. É ainda, ao que frisou, uma forma de incentivar os servidores do Inpa a aplicarem seus conhecimentos em prol do desenvolvimento sustentável da região. Ou seja, “o evento, em síntese, teve como objetivo apresentar as possibilidades trazidas pelo Marco Legal de CT&I, mostrando como o Inpa pode prestar serviços que promovam a inovação em empresas de diversos portes como startups, grandes empresas, produtores da agroindústria e até mesmo pessoas físicas”.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).