Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
De acordo com a Assessoria de Comunicação da instituição, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) lançou em março deste ano um pacote de Oferta Tecnológica para o setor produtivo com 30 patentes e pedidos de registros junto ao INPI. A oferta de soluções tecnológicas a startups, empresas, associações e outras organizações busca fortalecer a inovação e a pesquisa científica e tecnológica no setor produtivo e contribuir com o desenvolvimento socioeconômico sustentável da Amazônia.
De acordo com a titular da Coordenação de Gestão da Inovação e Empreendedorismo do Inpa (Cogie), Deuzanira Santos, a oferta tecnológica é um instrumento que viabiliza o licenciamento exclusivo de tecnologias protegidas pelas Instituições Científica, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), como é o caso do Inpa, permitindo que empresas interessadas no desenvolvimento e comercialização dessas tecnologias estejam em condição de igualdade de concorrência. “As tecnologias disponíveis se concentram em dez áreas, como alimentos e bebidas, produtos sustentáveis, dispositivos médico-hospitalares, agrotech, cosméticos e fármacos”, afirmou.
Um passo fundamental para desmistificar os produtos de laboratório afastados do mercado consumidor. Enfim, a definitiva aproximação do trinômio ensino-pesquisa-iniciativa privada tendo em vista viabilizar oferta tecnológica por meio de patentes de titularidade do Inpa em parceria com outras instituições e empresas, sendo a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) a principal parceira deste importante centro de pesquisas da Amazônia. Três instituições se destacam como co-titulares de patentes com o Inpa: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Para o diretor do Inpa, Henrique Pereira, sobre a “oferta tecnológica realizada em 2024 foram disponibilizadas 23 patentes e quatro softwares, quase metade do portfólio institucional. Com essa nova rodada, será a primeira vez, em 20 anos de existência do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do instituto que o Inpa terá 100% do portfólio ofertado. No Inpa, a Cogie é responsável pela gestão da inovação institucional e corresponde ao NIT institucional”. Fruto da primeira oferta tecnológica realizada no fim de 2024, a Cogie dispõe hoje de seis propostas de licenciamento em andamento. Uma delas, diz respeito à transferência tecnológica da primeira patente ligada à zerumbona (substância extraída do gengibre amargo Zingiber zerumbet), o extrato purificado que pode ser aplicado no desenvolvimento de fármacos. As outras cinco referem-se a tecnologias de alimentos e equipamentos para secagem de frutos amazônicos.
Informes da Ascom/Inpa acrescentam que, “direcionado a tecnologistas, pesquisadores e demais servidores do Inpa e parceiros, o Inpa também promoveu em abril passado, no Auditório do Bosque da Ciência, o Workshop Prestação de Serviços Técnicos Especializados pelas ICTs”, evento realizado sob a coordenação da Cogie, buscou oferecer conhecimentos para capacitar servidores do Inpa na prestação de serviços técnicos especializados para impulsionar a inovação nos setores produtivos e na sociedade.
Santos salienta que “a iniciativa está amparada no Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, disciplinado pela Lei 13.243, que busca desmistificar a percepção de que a instituição não poderia oferecer tais serviços. É ainda, ao que frisou, uma forma de incentivar os servidores do Inpa a aplicarem seus conhecimentos em prol do desenvolvimento sustentável da região. Ou seja, “o evento, em síntese, teve como objetivo apresentar as possibilidades trazidas pelo Marco Legal de CT&I, mostrando como o Inpa pode prestar serviços que promovam a inovação em empresas de diversos portes como startups, grandes empresas, produtores da agroindústria e até mesmo pessoas físicas”.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Bombeiros do MT orientam sobre cuidados em caso de vazamento de gás. Foto: CBM-MT
Um simples cheiro de gás dentro de casa pode ser o primeiro sinal de um perigo grave: vazamentos que podem levar a explosões, incêndios e até intoxicações. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) alerta a população sobre como agir diante de vazamento e quais práticas devem adotar para evitar acidentes.
O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), comumente conhecido como gás de cozinha, é composto pelos gases propano e butano, além da adição de um composto de enxofre. Por isso, o principal sinal de que há um vazamento de gás é o cheiro forte semelhante a enxofre ou a ovo podre.
O major BM Felipe Mançano Saboia, diretor-adjunto da Diretoria Operacional (DOP) do CBMMT, explica que, além do cheiro característico, há outros indícios que podem sinalizar a presença de um vazamento. Entre eles, o surgimento de bolhas ao aplicar água com sabão nas válvulas, ruídos ou chiados, chama amarelada ou fraca, principalmente, em botijões novos ou pouco utilizados. Além disso, dores de cabeça repentinas podem indicar a presença de gás no ambiente.
Bombeiros do MT orientam sobre cuidados em caso de vazamento de gás. Foto: CBM-MT
Por isso, conforme o major, é importante se atentar aos sinais de que o botijão, o regulador ou a mangueira podem estar danificados. A orientação é verificar a existência de:
Fissuras, rachaduras ou ressecamento na mangueira;
Mangueira fora do prazo de validade;
Regulador com ferrugem ou folga;
Cheiro de gás constante, mesmo com o fogão desligado.
Para prevenir vazamentos e manter a segurança, é indispensável que a área em que o botijão de gás for armazenado seja um local bem ventilado. A instalação deve ser realizada exclusivamente por um profissional qualificado, evitando improvisações com mangueiras ou conexões inadequadas. Durante a instalação, o botijão deve ser mantido na posição vertical e não deve ser deitado.
Bombeiros do MT orientam sobre cuidados em caso de vazamento de gás. Foto: CBM-MT
Outra maneira de prevenção é a verificação ou troca periódica dos equipamentos de gás. É recomendado que a mangueira seja trocada a cada 5 anos ou quando o prazo de validade expirar. Da mesma forma, o regulador também deve ser trocado a cada 5 anos. Além disso, a orientação é fazer checagens regulares nos equipamentos, utilizando uma solução de água com sabão para identificar se há bolhas e, consequentemente, vazamentos.
“Também é fundamental realizar treinamentos simples em casa simulando situações de vazamento de gás, orientando como agir de forma segura em casos de emergência. Além disso, é importante ensinar as crianças a não brincar com fogo ou com o botijão de gás, evitar deixar o fogão ligado sem supervisão e não mexer com fogo próximo ao botijão”, orienta o major BM Felipe.
Já em caso de vazamento, a orientação é fechar o registro do gás diretamente no botijão, abrir portas e janelas para ventilar o ambiente e não acionar nenhum aparelho elétrico. É preciso evitar remover equipamentos da tomada, desligar o padrão ou chave geral da residência.
Bombeiros do MT orientam sobre cuidados em caso de vazamento de gás. Foto: CBM-MT
Também não é seguro acionar luzes, usar o celular ou qualquer aparelho eletrônico nesse momento. “Qualquer faísca, até mesmo de um interruptor ou celular, pode servir como fonte de ignição e causar explosão em ambiente com gás acumulado”, afirma o major Saboia.
Caso o cheiro de gás no local for muito forte, exista risco de ignição ou se alguma pessoa estiver passando mal, é fundamental evacuar o local imediatamente. Na sequência, quando a pessoa já estiver do lado de fora da residência ou em uma área ventilada e segura, deve-se acionar o Corpo de Bombeiros Militar, através do número de emergência 193.
Seis em cada dez quilombolas vivem em área rural. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Diferentemente da população brasileira como um todo, em que a maioria das pessoas vive em áreas urbanas, a população quilombola habita majoritariamente regiões rurais: de cada dez quilombolas, seis vivem no campo.
A constatação faz parte de mais um suplemento do Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Do total de 203 milhões de brasileiros contabilizados pelo Censo 2022, apenas 12,6% moravam em áreas rurais. Já entre os 1,3 milhão de quilombolas, 61,71% viviam no campo. Isso representa 820,9 mil pessoas. Pouco mais de 509 mil (38,29%) moravam nas cidades.
O Censo 2022 é o primeiro em que o IBGE coleta informações específicas da população quilombola, de forma que não é possível fazer comparativos para saber se a proporção de quilombolas no campo tem aumentado, diminuído ou ficado estável ao longo do tempo.
“É um fator absolutamente novo, em termos de composição de grupos étnicos. A gente não vê isso se repetir em nenhum outro grupo. Os indígenas hoje têm a maior parte da população em contexto urbano”, afirma.
Quilombolas são descendentes de habitantes dos quilombos, comunidades que resistiam à escravidão. Para classificar uma pessoa como quilombola, o IBGE levou em consideração a autoidentificação dos questionados, não importando a cor de pele declarada.
A coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais, Marta Antunes, acrescenta que a presença maior dessa população em áreas rurais é um fator de raízes históricas “Tem a ver com o histórico da ocupação pela escravização e de como foi essa resistência organizada ao longo dos séculos”, disse.
Fernando Damasco ressalta a identificação das comunidades quilombolas com a questão rural “Na própria constituição do movimento social quilombola, a própria vinculação identitária associada a comunidades de ancestralidade negra, associada à opressão histórica sofrida, está profundamente vinculada à área rural”, pontua.
Arte para o Censo de Quilombolas. Arte Agência Brasil
Regiões e estados
O IBGE identificou que as regiões Norte e Nordeste apresentam proporção de quilombolas em áreas rurais superior à média nacional:
Brasil: 61,71%
Norte: 63,40%
Nordeste: 65,01%
Centro-Oeste: 31,96%
Sudeste: 47,68%
Sul: 45,62%
Entre as unidades da federação, as maiores proporções são:
Piauí: 87,87%
Amazonas: 84,92%
Maranhão: 79,74%
Na outra ponta figuram:
Distrito Federal: 2,95%
Rondônia: 18,39%
Goiás: 27,03%
Rio de Janeiro: 27,28%
Acre e Roraima não registram localidade quilombola, seja urbana ou rural.
Territórios delimitados
O censo traz também dados de população quilombola que vive em território oficialmente delimitado. Nessas localidades reconhecidas, 87,97% vivem em área rural. Já fora dos territórios delimitados,58,01% estão no campo.
O suplemento do Censo mostra ainda que a população quilombola, seja em área rural ou urbana, é mais jovem que a população geral do país.
A mediana – número que separa a metade mais jovem da metade mais velha da população – do país é 35 anos. Já a dos quilombolas é de 31 anos, sendo 32 para os que vivem na cidade e 29 para os que moram no campo.
Quilombolas em Rondônia se concentram no Vale do Guaporé. Foto: Divulgação/IBGE
O IBGE já havia relevado que os quilombolas enfrentam mais o analfabetismo que a população como um todo. O novo levantamento aprofunda a análise com dados relativos a campo e cidade.
Assim como na média do país a taxa de analfabetismo no campo (18,16% da população) é maior que na cidade (5,44%), entre os quilombolas o padrão se repete: 22,71% na área rural e 13,28% na urbana.
Para chegar à taxa de analfabetismo, o instituto calculou a proporção de pessoas com 15 anos ou mais de idade que não sabem ler e escrever pelo menos um bilhete simples.
Leia também:Taxa rondoniense de alfabetização dos quilombolas é a quarta maior do país. Veja a pesquisa completa AQUI.
Moradia
Ao contar quantas pessoas moram nos domicílios, foi possível identificar que a média de moradores em lares com ao menos uma pessoa quilombola é maior que a da população brasileira.
Quilombolas em Rondônia. Foto: Divulgação/IBGE
No Brasil, a média é de 2,79 morador por lar, variando de 2,76 em área urbana a 2,99 em rural. Já entre os quilombolas, a média é de 3,17, sendo 3,07 na cidade e 3,25 no campo.
Os pesquisadores identificaram também que na população brasileira que vive no campo, 4,26% dos moradores não tinham banheiro nem sanitário.
Em se tratando de quilombolas que viviam em área rural, esse percentual subia para 6,36%. A situação era pior ainda para os moradores de áreas rurais especificamente dentro de territórios quilombolas delimitados, chegando a 7,03%.
Os pesquisadores buscaram informações dos domicílios de acordo com as condições de abastecimento de água, destinação de esgoto e coleta de lixo.
Enquanto nas cidades brasileiras, 18,71% dos habitantes moram em domicílio com alguma forma de precariedade, essa proporção salta para 53,61% entre os quilombolas que vivem em áreas urbanas.
Quilombolas no Pará. Foto: Acervo/PMS
Já em relação à vida em área rural, a precariedade em domicílios atinge 87,20% da população brasileira e 94,62% dos quilombolas.
Foram considerados elementos de precariedade no saneamento: ausência de abastecimento de água canalizada até o domicílio proveniente de rede geral, poço, fonte, nascente ou mina; ou ausência de destinação do esgoto para rede geral, pluvial ou fossa séptica; ou ausência de coleta direta ou indireta por serviço de limpeza.
A pesquisa destaca que em relação ao acesso à água em áreas urbanas, a precariedade é quase quatro vezes maior entre a população quilombola (9,21%) que entre a população brasileira como um todo (2,72%). No campo essa diferença é 43,48% (quilombolas) contra 29,35% (média Brasil).
De acordo com a coordenadora Marta Antunes, diferenciar as condições de quilombolas entre áreas rurais e urbanas permite direcionar melhor políticas públicas para essas populações “A importância de separar urbano e rural, tanto para água quanto para esgotamento, tem a ver também com as soluções de infraestrutura diferenciadas em relação ao suprimento desses serviços e que são diferenciadas entre o rural e urbano”, aponta.
O gerente do IBGE Fernando Damasco enfatiza que políticas públicas para quilombolas têm que levar em consideração que é uma população “totalmente específica”, por ser majoritariamente rural, mas com grande contingente urbano. “Pensar a ação pública, pensar efetivamente soluções para os problemas que afetam essa população, significa dialogar com a realidade do mundo rural”, afirma.
“Eu [Estado] vou priorizar a política de crédito agrícola, habitação rural, saneamento rural, escolarização rural”, sugere.
Quilombolas no Pará. Foto: Acervo/PMS
“Ao mesmo tempo, não posso deixar de considerar que tenho pouco mais de três a cada dez quilombolas nas cidades. Isso implica também em políticas públicas urbanas para essa população, política de habitação, de acesso à renda, a emprego na cidade e por aí vai”, complementa.
O pesquisador indica ainda que é preciso aprofundar estudos sobre a mobilidade da população quilombola, como migração para áreas urbanas em busca de oportunidades de escolarização e renda, e transformações espaciais “Os territórios rurais que, muitas vezes, estão nas franjas das grandes cidades, com o avanço da urbanização, acabam se vendo engolidos pela situação urbana”, aponta.
“São dinâmicas que ocorrem, que afetam essa população e que são características e que precisam ser aprofundadas”, sugere Damasco.
Considerado como um sonho de todos os porto-velhenses, a reativação da EFMM se tornou uma realidade, isso conforme a constatação do diretor-presidente da ABPF, Marlon Ilg, que é engenheiro mecânico especializado em termodinâmica.
A presença ativa da ABPF no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi uma mobilização que partiu da Prefeitura de Porto Velho, que pretende tornar possível para o resgate da Locomotiva 18 como patrimônio que faz parte direta da construção e evolução da capital rondoniense.
Obras na Estrada de Ferro Madeira Mamoré — Foto: Yann Gustavo/Prefeitura de Porto Velho
De acordo com Marlon, a situação estrutural constatada na Locomotiva 18 é razoável, fator que garante a sua recuperação em um breve período, a exemplo de outras ferrovias que estão sob os cuidados da ABPF.
“Há um mês fizemos uma avaliação da condição da caldeira, hoje estamos fazendo uma inspeção mais criteriosa da parte rodante, que são as rodas, as molas, fazendo com que seja garantida a segurança operacional. Apresentaremos um relatório final indicando à Prefeitura o que precisa ser feito. O retorno da locomotiva é possível sim!”, destacou Marlon Ilg.
Representantes da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), estiveram em Porto Velho no mês e abril, com o objetivo de realizar estudos de viabilidade técnica visando a restauração e reativação da Locomotiva 18.
Representantes da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF): Foto: Hellon Luiz
A reunião contou com a participação do diretor da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária/Campinas-SP, Márlon Ilg, e também do membro diretor, James Ilg. Os representantes puderam ver de perto a Locomotiva 18, que atualmente está no Complexo Madeira-Mamoré.
Vale destacar que a missão ABPF é promover o resgate e a conservação do patrimônio histórico ferroviário brasileiro, disponibilizando os bens à visitação pública, desde que a conservação do bem não seja colocada em risco.
Um acervo histórico que remonta a construção do estado de Rondônia, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré se tornou sinônimo de abandono por décadas, porém, desde o início de 2025, tem sido acompanhado pela Prefeitura de Porto Velho, através do trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Indústria, Comércio, Turismo e Trabalho (Semdestur).
Litorina da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Foto: Governo de Rondônia/divulgação
De acordo com o secretário Paulo Moraes, o primeiro grande passo foi a reativação da lendária Litorina, que atualmente está à disposição da população de Porto Velho, sendo que, agora, o apito da locomotiva em funcionamento é a próxima meta de realização.
“A nossa Litorina está 100% funcionando aqui no complexo e agora o nosso sonho é ouvir de novo o apito do trem. Tenho certeza de que o prefeito Léo Moraes vai seguir firme nesse propósito, tudo na vontade de Deus”, relatou o secretário Paulo Moraes Júnior.
O relatório e o plano de ação deverão ser apresentados em reunião promovida entre a Prefeitura de Porto Velho e a ABPF.
Pátio da Estrada de Ferro Madeira Mamoré em 1910 — Foto: Luiz Brito/Divulgação
A Estrada de Ferro Madeira Mamoré foi inaugurada pela primeira vez em 1° de agosto de 1912. A construção da ferrovia fazia parte do tratado de Petrópolis selado com a Bolívia, em 1903, após a compra de território boliviano pelo Brasil, com o intuito de facilitar o transporte da borracha para o Oceano Atlântico. O ‘combinado’ no tratado era construir a ferrovia Madeira Mamoré em um prazo de quatro anos.
Após ser inaugurada, a EFMM deu lucro durante dois anos. Depois entrou em declínio devido à queda vertiginosa da participação brasileira no mercado da borracha. Isso porque a concorrência asiática oferecia um produto de qualidade e de mais fácil extração, afetando assim a exportação brasileira.
Estrada de Ferro Madeira Mamoré — Foto: Leandro Morais/Prefeitura de Porto Velho
Com 54 anos acumulando prejuízos, o ex-presidente do Brasil Humberto de Alencar Castelo Branco determinou a erradicação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré sendo substituída por uma rodovia.
Em 1972, a Ferrovia foi totalmente assumida pelo governo federal e desativada. Já em 2007, o monumento foi parcialmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan).
*Com informações da Prefeitura de Porto Velho e g1 Rondônia
No coração de Rondônia, à margem do rio Guaporé, que separa o Brasil da Bolívia, uma fortaleza circundada por uma muralha de sete metros guarda um pedaço importante da história do País há quase 250 anos. Construído em 1776, o Real Forte Príncipe da Beira, localizado no município de Costa Marques, já ficou por muito tempo esquecido, sendo encontrado abandonado e coberto de vegetação em 1914 pela expedição do marechal Cândido Rondon na região Norte do País.
Desde 1950, porém, o Forte conta com a proteção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que o reconheceu como Patrimônio Cultural Brasileiro. Além de tombado, o lugar também já foi oficialmente cadastrado como Sítio Arqueológico, o que é mais um motivo pelo qual o Estado brasileiro vem nesses 75 anos empreendendo diversas ações de preservação e promoção deste bem cultural junto à sociedade.
Entre as ações realizadas pelo Iphan a partir do tombamento do Forte, podem ser citadas a restauração parcial do conjunto formado pela poterna (como é chamada uma porta ou passagem secreta de uma fortificação) e latrinas, a estabilização emergencial da guarita leste e uma série de pesquisas arqueológicas conduzidas ao longo de anos, com resgate e salvamento de diversos vestígios que integram nosso patrimônio cultural.
Sítios arqueológicos: um bem de todos os brasileiros
As pesquisas arqueológicas no Real Forte Príncipe da Beira foram iniciadas em 2008, após a criação da superintendência do Iphan em Rondônia, em 2004. A partir dessas atividades, foram revelados achados históricos que incluem estruturas de edificações associadas à fortaleza, como paiol e estábulo; materiais variados, como louças portuguesas, vidros, metais e cerâmicas indígenas; e evidências de ocupação pré-colonial e afro-brasileira.
“Para que possamos ter acesso a esse patrimônio e a todo conhecimento que pode ser alcançado a partir dos estudos arqueológicos, é importante que as intervenções em sítios, como o do Real Forte Príncipe da Beira, só ocorram com a devida autorização”, pontua a arqueóloga do Iphan Ana Izabela Bertolo.
Ela lembra que apenas profissionais da arqueologia legalmente habilitados (conforme a Lei nº 13.653/2018, que regulamenta a profissão no Brasil) podem explorar e fazer pesquisa nos sítios, sendo necessária autorização prévia do Iphan, sem a qual toda intervenção será considerada crime contra o patrimônio cultural da União. O que não significa que o Iphan seja o único responsável pela preservação de um bem como este.
“O Iphan é responsável pela gestão do patrimônio arqueológico, mas sua preservação é um direito e um dever de todos, sendo competência comum da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios”, diz a superintendente do Iphan em Rondônia, Alyne Mayra Rufino dos Santos.
Segundo ela, mesmo o cidadão comum compartilha essa responsabilidade de proteção de bens arqueológicos, podendo dar contribuições fundamentais para o Instituto. “O cidadão pode entrar em contato conosco sempre que encontrar vestígios arqueológicos, garantindo que eles permaneçam no mesmo local onde foram encontrados, além de realizar denúncias quando houver destruição de sítios”, diz a superintendente. Ela ainda sugere “visitar instituições de guarda e museus, conhecer culturas diferentes e seus artefatos. Isso também é um importante passo para preservação”.
Foto: Reprodução/Iphan
Real Forte Príncipe da Beira
O Forte foi construído no século XVIII como estratégia defensiva das fronteiras entre Brasil e Bolívia, durante o período colonial, no contexto do Tratado de Madrid de 1750, firmado entre as coroas de Portugal e Espanha, para definir os limites entre as colônias sul-americanas pertencentes aos dois impérios.
As obras iniciaram em 20 de junho de 1775, com o lançamento da pedra fundamental de autoria inicial do engenheiro Domingos Sambucetti, que morreu de malária durante a obra, sendo substituído pelo Capitão José Pinheiro de Lacerda, que promoveu algumas modificações no plano original. A partir de 1782, o capitão engenheiro Ricardo Franco de Almeida e Serra assumiu a construção. Embora ainda incompleto, o Príncipe da Beira viria a ser inaugurado em agosto de 1783, pelo governador D. Luiz de Albuquerque de Meio Pereira e Cárceres.
Parcialmente construído com pedras do rio Guaporé, o Forte é considerado a maior edificação militar portuguesa fora da Europa e é o mais antigo bem cultural de Rondônia reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro.
Além da relevância histórica, o Forte também é parte importante da cultura local. Em 2024, a edificação sediou os festejos finais de Pentecostes, que fazem parte da Festa do Divino Espírito Santo, manifestação em processo de Registro como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Iphan. A festa ocorre há mais de 130 anos no Vale do Guaporé, cumprindo um trajeto fluvial de cerca de 50 dias de visitação a dezenas de comunidades ribeirinhas, entre elas a comunidade quilombola do Forte Príncipe da Beira.
Grão de café verde no município de Colniza. Foto: Christiano Antonucci/Secom MT
Pesquisadores em Mato Grosso estão desenvolvendo nanopartículas a partir de coprodutos da cafeicultura, como fruto inteiro do café verde, a casca e película prateada, ricos em compostos fenólicos, minerais e antioxidantes, visando a utilização na indústria farmacêutica e alimentícia.
A nanotecnologia é considerada a forma mais estável, eficaz e segura para essa aplicação, garantindo maior permeação cutânea e conservação das propriedades bioativas do composto.
A iniciativa permitirá a realização de testes para a produção massiva, além do desenvolvimento de formulações lipossomas, que são pequenas vesículas esféricas compostas por uma ou mais camadas de lipídios, semelhantes. Os lipossomas funcionam como transportadores de ingredientes ativos, melhorando sua permeação e eficácia na produção de cosméticos, sabonete líquido, água micelar, hidratante facial e hidratante para a área dos olhos.
Essa tecnologia visa potencializar a eficácia terapêutica e a segurança biológica do extrato, o que é essencial para sua utilização na indústria cosmética.
O projeto recebeu incentivo financeiro do Edital 001/2019/Centelha Bolsa Desenvolvimento Tecnológico e Industrial, do Governo do Estado, gerido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), e está sendo conduzido pela empresa Cafenólicos, coordenada pela pesquisadora farmacêutica doutora Wanessa Costa Silva Faria, com participação do discente em doutorado Luciano Carlos de Arruda.
Os resultados esperados incluem a padronização do processo de extração em larga escala, garantindo reprodutibilidade no rendimento e no teor de substâncias ativas. Além disso, busca-se encontrar fornecedores que atendam aos padrões de qualidade e ofereçam um preço acessível, possibilitando a produção industrial de um produto de alta qualidade.
O impacto esperado desse estudo vai além da indústria cosmética. O café verde, muitas vezes considerado um subproduto da cafeicultura, pode se tornar uma base para novos ingredientes farmacêuticos e alimentícios. Espera-se que a iniciativa também incentive a produção de cafés orgânicos, agregando valor à cadeia produtiva e facilitando a obtenção de selos de qualidade para os produtos derivados.
“A indústria farmacêutica tem demonstrado crescente interesse em compostos bioativos extraídos de vegetais, devido aos seus diversos benefícios à saúde, como ação antioxidante, antiobesogênica, anti-hipertensiva e anticancerígena. Estudos indicam que o café verde possui maior concentração desses compostos em comparação ao café maduro, tornando sua extração em larga escala um projeto promissor”, acrescentou Arruda.
Entre os principais objetivos do projeto, estão a prestação de serviços técnicos no desenvolvimento de nanoestruturas com extrato do café verde, a busca por orçamentos, a qualificação de fornecedores e a produção em larga escala dos extratos vegetais.
“Dessa forma, o projeto se posiciona como uma inovação estratégica para os setores cosmético e farmacêutico, promovendo sustentabilidade e aproveitamento integral do café verde”, destacou a coordenadora do projeto, doutora Wanessa Faria.
A docente do curso de Geografia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Prof.ª Dra. Susane Patrícia Melo de Lima, venceu o Prêmio José Aldemir de Oliveira, que reconhece as melhores teses defendidas na área da Geografia no Amazonas. A premiação é realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Amazonas (PPGEOG/Ufam). A tese foi defendida em 25 de janeiro de 2024.
Na obra, intitulada ‘A metropolização regional periférica aquém da metrópole: a região metropolitana de Manaus vista do lado de lá’, a docente evidencia questões fundamentais sobre a dinâmica metropolitana e as desigualdades socioespaciais que permeiam a cidade de Manaus.
Susane Melo sintetiza o desenvolvimento de serviços públicos, economia, novos estudos sobre urbanização, metropolização, além de enriquecer o campo acadêmico com novas práticas para o planejamento urbano. Susane organizou a tese sob orientação do Prof. Dr. Ricardo José Batista Nogueira.
“É uma honra que transcende a simples conquista acadêmica. É um momento de profunda gratidão e reflexão sobre a jornada percorrida até aqui, marcada por desafios, aprendizados e um compromisso sério com o rigor científico, com a pesquisa e a produção do conhecimento na Amazônia, sobre a Amazônia, por uma amazônida. Dou este destaque porque considero importante termos cada vez mais amazônidas falando sobre si, quando as leituras sobre nós partem de todas as direções, até por quem nunca pisou nosso chão”, disse a professora.
A tese evidencia, ainda, o caráter singular do processo de metropolização dos 13 municípios que compõe Manaus, com destaque sobre regiões periféricas, que traduzem as características metropolitanas a partir de relações globais, sem desconsiderar a regionalização.
As mudanças climáticas já são uma realidade no mundo. Entre agosto de 2023 a julho do ano passado, o desmatamento na Amazônia teve uma queda de 30,63% em relação ao período anterior (2022/2023), o que representa a maior em 15 anos, segundo monitoramento do Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (PRODES), projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que fiscaliza os noves estados amazônicos. Porém, mesmo com a queda, 6.288 km² foram afetados. A preocupação aumenta ainda mais com os focos de calor (queimadas) no bioma.
Com base em preocupações ambientais e na necessidade de adaptação às mudanças climáticas, será realizada, através do Projeto Solar Community Hub (SCH), a iniciativa ‘Quintais de Floresta: uma alternativa para adaptação e mitigação às mudanças climáticas’, pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Dell Technologies, Intel e Computer Aid, que será implementada na comunidade Boa Esperança, situada no município de Manicoré (a 332 quilômetros de Manaus), ao entorno da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Amapá.
Os “Quintais de Floresta” são nomes populares para os sistemas agroflorestais (SAFs), áreas estabelecidas nas comunidades para garantir a segurança alimentar, mas que integram o contexto de bioeconomia local. Além disso, os quintais estão ligados diretamente ao processo de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, pois garantem a conservação da biodiversidade, o armazenamento de carbono, melhoria na qualidade do solo e regulação do ciclo hídrico.
De acordo com Fabiana Cunha, gerente do Programa Educação para a Sustentabilidade da FAS, trabalhar o tema de mudanças climáticas entre os comunitários é uma iniciativa que parte do princípio de que o desenvolvimento de práticas ambientalmente responsáveis fortalece a sensibilização ambiental e promove qualidade de vida para as pessoas do campo, da floresta e das águas.
“É um trabalho que destaca a importância da biodiversidade na conservação da Amazônia e na sustentação das comunidades locais, possibilitando assegurar um futuro mais sustentável para as atuais e futuras gerações”, explica Fabiana.
Como vai funcionar
O projeto Solar Community Hub, situado na comunidade Boa Esperança, atua em quatro eixos, desde 2022: monitoramento socioambiental, educação, infraestrutura e saúde. O espaço é movido totalmente por meio de energia solar, fornecendo acesso a internet e tecnologia. O projeto beneficia não só a comunidade de Boa Esperança (AM), como também outras dez comunidades ribeirinhas, incluindo uma comunidade indígena formada pelos povos Mura, Tenharim e Apurinã.
O SCH oferece acesso a conectividade, educação digital e cursos de formação complementar voltados à profissionalização para as comunidades ribeirinhas e indígenas locais; atividades de sensibilização ambiental voltadas ao público infantil, a partir de materiais pedagógicos sobre a conservação da biodiversidade; atenção à saúde por meio de telemedicina e formação de agentes comunitários de saúde; e sistema de coleta e filtragem de água da chuva para fornecer acesso à água potável para a comunidade.
Neste novo ciclo dentro da proposta “Quintais de Floresta”, na área de educação, o projeto vai atuar na capacitação de professores para a temática de mudanças climáticas, incluindo ensino sobre suas causas, consequências e possíveis soluções. A partir disso, espera-se que os educadores consigam informar e motivar os estudantes a se tornarem agentes de mudança.
“Durante a formação de professores, será discutida a conexão entre tecnologia e educação ambiental, enfatizando a relevância de metodologias que promovam a reflexão e a autonomia dos alunos. O objetivo é capacitar os educadores a desenvolver projetos que envolvam a participação ativa dos alunos, levando em conta, por exemplo, a implementação de Sistemas Agroflorestais (SAF) coletivos na comunidade,” explica Iarima Lopes, educadora ambiental da FAS.
Em relação à saúde, serão realizadas várias atividades, como o mapeamento sobre hábitos alimentares e socioambientais da comunidade, webpalestras e teleorientações aos profissionais de saúde, bem como atendimentos psicológicos aos comunitários.
No eixo de infraestrutura, será instalado um sistema que envolve a adoção do processo de captação, armazenamento e reutilização da água da chuva, utilizando calhas e filtros. Esta proposta será direcionada para o ambiente escolar, pois já possui uma estrutura adequada para ser implementada. A partir disso, será possível o acesso à água potável, não apenas para uso comunitário, mas também para garantir a irrigação de espécies que serão introduzidas nos quintais.
De acordo com a proposta, dessa forma, será garantida a sustentabilidade do projeto, possibilitando o alcance de uma consciência ambiental através da experiência e incentivando a prática da agricultura sustentável.
Inteligência Artificial na conservação da biodiversidade
No eixo de monitoramento socioambiental, a proposta é capacitar jovens da comunidade para coletar dados locais usando tecnologia. O monitoramento visa validar dados de satélite sobre uso do solo, incentivar a participação ativa com treinamentos em gestão territorial e uso de drones, e implementar medidas para entender os impactos do desmatamento e focos de calor.
Como produto, será elaborado um painel Power Bi para demonstração e acompanhamento dos resultados e disseminação da informação. O painel permitirá uma análise mais aprofundada dos dados coletados, possibilitando uma melhor tomada de decisão por parte da equipe técnica.
Um importante aliado ao projeto, dentro do eixo de monitoramento, será o projeto “Curupira”, inovação de cientistas do Laboratório de Sistemas Embarcados (LSE), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Criada em 2023, a tecnologia usa Inteligência Artificial (IA) para fazer um monitoramento ambiental mais preciso. Com o intuito de transversalizar a tecnologia para o eixo de educação, o sistema será nomeado como “Uirapuru’’.
A FAS irá utilizar informações captadas pelo sensor, que deverá identificar as espécies da fauna presentes nessa área. A identificação das espécies será essencial para compreender a biodiversidade local, bem como, sensibilizar os comunitários a respeito da importância dessas espécies para a manutenção e equilíbrio do ecossistema ali presente.
Uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF-AC) determina que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) faça o georreferenciamento das áreas ocupadas pelas famílias extrativistas na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes. O órgão federal ajuizou a ação civil com pedido de liminar. Ao Grupo Rede Amazônica, o ICMBio informou que foi notificado e analisa o pedido.
O MPF pede que o ICMBio elabore, no prazo de cinco meses, um plano de delimitação das colocações com participação das associações comunitárias, núcleos de base e moradores, com a previsão do material necessário para a execução das atividades. Em caso de descumprimento, o MPF pede a aplicação de multa diária no valor de R$ 50 mil.
De acordo com o MPF, essas áreas são chamadas “colocações” e caracterizam-se pelo uso coletivo da floresta pelas famílias extrativistas que moram na unidade de conservação.
Ainda segundo o órgão federal, a ausência de delimitação precisa dos territórios ocupados contribui para conflitos entre moradores, dificulta a responsabilização por infrações ambientais e compromete o cadastramento correto das famílias beneficiárias.
A Resex Chico Mendes abriga cerca de 4.500 famílias e o MPF-AC destaca que o local enfrenta graves problemas de desmatamento, uso irregular da terra e fracionamento indevido das colocações, o que afeta diretamente os objetivos de conservação e sustentabilidade da unidade.
A ação ressalta também que a falta de georreferenciamento impede a aplicação das regras previstas no Plano de Utilização da Resex, como os limites para atividades agropecuárias e o uso sustentável dos recursos naturais.
Além disso, compromete a fiscalização e dificulta a implementação de políticas públicas, como a recuperação de áreas degradadas e a atribuição de responsabilidade por embargos ambientais.
Após a apresentação do planejamento, o instituto deverá concluir o georreferenciamento no prazo de até 24 meses e disponibilizar todas as informações em banco de dados público pela internet, sob pena de multa de diária de R$ 50 mil.
O órgão federal ressaltou que a delimitação georreferenciada é essencial para a efetiva gestão compartilhada da Resex, prevista em lei e que desde 2017 já havia feito a recomendação ao ICMBio, porém o conselho não foi acatado à época.
Combate pecuária de corte na Resex
Por conta do aumento no desmatamento na Resex, em Rio Branco, agentes do ICMBio deflagraram em abril deste ano, com o apoio da Polícia Federal (PF-AC), a Operação “Boi Fantasma”. A Rede Amazônica Acre acompanhou com exclusividade a ação que tinha como objetivo o combate a pecuária de corte irregular na reserva.
Os agentes detectaram inconsistências na declaração de rebanhos bovinos por imóveis rurais da unidade de conservação no Sistema de Defesa Agropecuária e Florestal (Sisdaf), que regula a criação de gado.
Projeto ‘Ópera em Rede’. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Aproximar crianças e jovens do universo da ópera, com apresentações culturais e atividades educativas voltadas à valorização da arte, da cultura e da sustentabilidade, é um dos objetivos do projeto ‘Ópera em Rede’, realizado da Fundação Rede Amazônica (FRAM).
A Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, localizada em Manaus (AM), foi palco da primeira ação do projeto. Com pocket shows de trechos de óperas famosas e minipalestras explicativas sobre esse estilo musical, os alunos ficaram encantados, muitos dos quais nunca haviam tido contato com esse tipo de espetáculo.
A quadra poliesportiva da escola foi transformada para receber a programação, enquanto na área externa, os estudantes puderam conhecer figurinos utilizados no Festival Amazonas de Ópera (FAO) e aproveitar espaços interativos e “instagramáveis”. Veja como foi: