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Parque convida público a escolher nome do novo morador do Mangal das Garças, no Pará

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Foto: Divulgação

Com uma postura altiva e um grande bico de cor vibrante, o mais novo morador do Mangal das Garças chegou para abrilhantar ainda mais o plantel de aves do Parque. Trata-se de um exemplar de Tucano-toco (Ramphastos toco), também conhecido por tucanuçu, considerado o maior dos tucanos. O animal passa por um período de quarentena e adaptação e logo será inserido nos projetos de educação ambiental do complexo zoobotânico. O nome do novo integrante será escolhido pelo público por meio de enquete nas redes sociais do Mangal.

A ave pertence a família ranfastídeos, que inclui tucanos e araçaris, os quais vivem em todo o Brasil central e partes da Amazônia. O Tucano-toco geralmente chega aos 56 centímetros e pesa 540 gramas. Com expectativa de vida de até 20 anos, esses animais têm como principal característica o longo bico amarelo-alaranjado, que pode alcançar até 22 centímetros.

O novo morador chegou ao Parque Zoobotânico Mangal das Garças por meio do Ideflor-bio, após entrega voluntária da família que o criava na Ilha do Marajó, ao órgão ambiental. O médico veterinário Camilo Gonzáles explica que ave é considerada jovem e passa por um período de quarentena e realização de exames.

O Mangal conserva outros quatro espécimes de tucanos e um aracari, com os quais o Tucano-toco será colocado em convivência para fins de readaptação e integração ao Parque. A ave também fará parte dos projetos de educação ambiental, nos quais o público poderá ver de perto e aprender mais sobre o modo de vida dos tucanos, além de saber curiosidades e garantir um registro com o animalzinho.

Foto: Divulgação

Curiosidades

Os tucanos-toco são muito inteligentes. No ritual de acasalamento, por exemplo, machos e fêmeas jogam caroços de frutas uns nos outros. Outra curiosidade é o grande bico, que apesar de parecer enorme e pesado, é constituído de tecido ósseo esponjoso que forma uma estrutura não maciça e areada, parecida com um favo-de-mel. Isso torna o bico mais leve e ajuda a não dificultar o voo. Geralmente se alimentam de frutos e também de ovos e pequenos vertebrados.

Ajude a escolher o nome do novo morador do Mangal

O Mangal quer a ajuda do público para a escolha do nome do novo morador. Será lançada uma caixinha de perguntas no perfil do Instagram do Parque para que os visitantes deixem sugestões de nomes para o bichinho. Para participar basta seguir o perfil @mangaldasgarcas e deixar a sugestão.

O Parque Zoobotânico Mangal das Garças é administrado pela Organização Social Pará 2000, por meio da Secretaria de Estado de Turismo e funciona de terça a domingo das 8h às 18h com entrada gratuita.

*Com informações da Agência Pará

Cartilha reúne pesquisa botânica de 30 espécies arbóreas da trilha principal da Funbosque

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Foto: Divulgação/Funbosque

A cartilha ‘Gigantes da Trilha: Árvores da trilha principal da Fundação Escola Bosque – Vol. 1’ é produto de um trabalho socioambiental e interdisciplinar, que contém a pesquisa botânica de 30 espécies arbóreas da trilha principal da escola localizada em Belém, no Pará, envolvendo a participação dos estudantes nas atividades para sua construção. A cartilha está disponível online na página principal do site da Funbosque.

O projeto foi elaborado pelos pesquisadores e engenheiros florestais Wanderson Silva e Ema Castaneira e teve início em outubro de 2023. Eles desejam que o material seja uma referência nas discussões técnicas, relativas à criação de uma área de proteção ambiental (APA) nas dependências da sede da Funbosque, assim como nos assuntos relativos à crise climática.

Iniciativas para uma nova Área de Proteção Ambiental

Ema Castaneira explica que a unidade sede da Funbosque ainda não possui classificação perante o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), regulamentada no ano 2000, segundo a Lei nº 9985 pelo Governo Federal, mas que pode adquiri-la após alguns procedimentos necessários, já que a legislação brasileira dá ao município competência para a criação.

O objetivo ao classificar a área segundo o SNUC é a preservação desse fragmento de floresta secundária e o desenvolvimento sustentável, a partir da proteção e da conservação de atributos bióticos, abióticos, estéticos e culturais, considerados essenciais para a qualidade de vida da comunidade. 

Foto: Divulgação/Funbosque

Estudantes como coautores

A execução do projeto fez parte de um plano de ação direcionado à rede escolar – para toda e qualquer disciplina que se adeque nos planos pedagógicos -, assim como, às práticas de percepção ambiental ou atividades relacionadas.

A cartilha contém desenhos dos ramos das espécies selecionadas, realizada com a colaboração de estudantes das turmas Ipê Rosa e Ipê Amarelo, ambas do 2º Ano do Ensino Médio Integrado – Técnico em Meio Ambiente, e a turma Boto, CII, 5° ano da unidade sede, alguns pré-avaliados por profissionais da equipe de psicopedagogia e saúde da escola, com indicativos de Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) e autismo. Dessa forma, a inclusão social e a tradição de representar os caracteres botânicos por meio de desenhos tiveram destaque no processo. 

Com o apoio das professoras Ray Silva e Rozi Azancort e da psicopedagoga Maria de Nazaré Silva, as atividades previamente definidas foram implantadas no cronograma pedagógico da formação técnica em meio-ambiente. Os jovens também tiveram participação no preparo do campo, junto aos pesquisadores, para se familiarizar com o material utilizado. Esse trabalho serve como estímulo para a iniciação científica no nível médio e de base para futuros projetos.

*Com informações da Funbosque

Rondoniense ganha concurso nacional de desenho com obra que representa ‘brasilidades’

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Desenho vencedor de Jhonatan Kallil. Foto: Jhonatan Kallil

Aos 17 anos, o estudante Jhonatan Kallil de Ji-Paraná (RO), venceu o Concurso Nacional de Desenhos durante a 21ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) de 2024. A obra apresenta referências da cultura e biodiversidade brasileira.

O trabalho de Jhonatan traz elementos emblemáticos culturais do país, como o vira-lata caramelo, chinelos de dedo, a fauna representada pela onça-pintada, capivara, mico-leão e boto rosa. A obra está atualmente exposta em Brasília (DF).

Jhonatan revelou que seu interesse pela arte começou na infância, quando escrevia e ilustrava histórias, além de fazer origamis. Ele começou a desenhar em 2019, após ser inspirado por artistas das redes sociais e depois aprimorou seu estilo. “Ganhar o concurso foi um misto de gratidão, alívio e orgulho”, disse.

Jhonatan se destacou não apenas pelo talento, mas também pela persistência. Segundo ele, depois de participar de outras edições do concurso sem chegar na final, ele decidiu tentar novamente.

Foto: Reprodução

“Sempre pensei que, se quero algo, vou fazer até alcançar o resultado que me deixe feliz”, declarou.

Jhonatan também é medalhista em várias olimpíadas de conhecimento, como de matemática e astronomia. O jovem acredita que desafios são oportunidades para aprender e crescer.

A obra de Jhonatan foi escolhida por votação popular entre 606 inscritos. O vencedor rondoniense ganhou uma viagem a Brasília, dispositivos eletrônicos, além de cartões postais com seu desenho.

*Por Gabriel Farias, da Rede Amazônica RO

Mochilas purificadoras de água são entregues em comunidade isolada pela seca na Zona Rural de Manaus

Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

Moradores da comunidade Bela Vista do Jaraqui, localizada a cerca de 40 km de Manaus (AM), receberam 30 mochilas-camelo que purificam água para consumo no dia 12 de novembro. A ação visa ajudar a população, que sofre com a severa estiagem na região, dificultando o acesso a água potável e alimentos.

O Amazonas vive a seca mais severa já registrada na história do estado. Segundo o boletim mais recente da Defesa Civil do Estado, divulgado na segunda-feira (11), são mais de 800 mil pessoas afetadas pelo fenômeno e prejuízos que já ultrapassam R$ 620 milhões em 2024. Todos os 62 municípios do estado seguem em estado de emergência.

Devido à estiagem, os moradores precisam caminhar por cerca de 30 minutos pela mata para chegar até a comunidade. Anteriormente, a área era inundada pelas águas do Rio Negro, o que permitia o acesso fácil da população local e visitantes.

Para ajudar a amenizar essas dificuldades, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) realizou a entrega de mochilas-camelo, equipamentos para captação, tratamento e armazenamento de até 15 litros de água. Essas mochilas-camelo são compostas por uma mochila, um filtro portátil e um suporte de parede, e têm sido usadas por centenas de famílias no Brasil para garantir o acesso à água potável.

O kit facilita o processo, permitindo aos moradores captar, transportar, armazenar e filtrar a água, tornando-a adequada para consumo. Segundo a superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da FAS, Valcleia Solidade, essa iniciativa busca proporcionar mais autonomia e qualidade de vida à comunidade, especialmente durante o período de estiagem.

Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

A superintendente também reforçou que a medida visa garantir o bem-estar dos moradores da comunidade, uma vez que o acesso a água contaminada pode acarretar em doenças.

“A gente sabe que um dos maiores vetores problemas de saúde, ele vem através da água, diarreia, essas coisas todas, então, essa tecnologia é uma tecnologia que ela é um preço acessível e ela pode atender essa demanda que é das famílias que estão morando de forma isolada”, explicou.

O pescador Raimundo, presidente da associação dos moradores da comunidade, afirmou que a entrega das mochilas-camelo é fundamental para garantir que os moradores tenham acesso a água de qualidade durante o período de seca.

Para os moradores que vivem da pesca e enfrentam a longa caminhada mencionada no início da matéria, a mochila-camelo será um utensílio essencial. Ela permitirá que possam se manter hidratados com água filtrada, garantindo a saúde e o bem-estar durante suas atividades, como no caso do pescador Maurício Dejacir.

“Às vezes é muito complicado depois que seca o rio aí. É um sofrimento bacana aí pro cara passar, né? Mas a gente vai enfrentando. Agora eu vou levar a mochila e tratar a água em casa e beber água”, finalizou o pescador.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM

Câmara Municipal aprova lei dos circuitos e rotas turísticas de Porto Velho

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Foto: Divulgação

A Lei N° 3.222, de 4 de Novembro de 2024 foi sancionada pela Câmara dos Vereadores e dispõe sobre os circuitos e rotas turísticas criados pela Secretaria Municipal de Indústria, Comércio, Turismo e Trabalho (Semdestur) de Porto Velho (RO). A lei tem por objetivo geral o desenvolvimento econômico do turismo por meio da valorização e divulgação da cultura, história e natureza da capital.

Leia também: 4 rotas turísticas para explorar em Porto Velho

A campanha promocional ‘O Melhor de PVH – Terra de Bravos Pioneiros’ foi criada pela equipe da Semdestur, composta por turismólogos, a partir de um ordenamento turístico que catalogou mais de 70 pontos turísticos em 17 circuitos e quatro rotas. O trabalho vem sendo desenvolvido desde 2021 e, para além da catalogação, já desenvolveu soluções inovadoras para a divulgação do turismo, como as placas de QR Code, aplicativo, site, walking tours, eventos dentro e fora de Porto Velho e redes sociais.

O legado da campanha promocional turística ‘O Melhor de PVH – Terra de Bravos Pioneiros’ foi registrado em lei, que também contempla mecanismos de criação e gestão de Destinos Turísticos Inteligentes, Circuitos e Rotas Turísticas, bem como o Turismo de Base Comunitária.

O objetivo é estabelecer as atividades já desenvolvidas pela Semdestur, registrar os circuitos e rotas turísticas já existentes, bem como estabelecer novas diretrizes para a operação de guias e agências de turismo.

Foto: Divulgação

O Turismo de Base Comunitária tem por objetivo a valorização das comunidades ribeirinhas e dos recursos naturais, estimulando o turismo de forma sustentável, respeitando a natureza e contribuindo para a geração de renda.

Sobre os Destinos Turísticos Inteligentes, a lei dispõe sobre a inovação no âmbito do turismo, garantindo sustentabilidade e conectividade entre pessoas, destinos, produtos e serviços. Todo o ecossistema local faz parte da experiência do turista, por isso as iniciativas públicas, privadas, comércio e demais serviços devem estar alinhados.

A lei dispõe, ainda, sobre as modalidades de turismo já em desenvolvimento pela Semdestur, como o Turismo Pedagógico, que proporciona o contato com a história e cultura locais para estudantes de todas as idades em Porto Velho. A lei busca, ainda, valorizar as atividades gastronômicas, culturais, eventos sazonais como carnaval e a festa junina.

Os Circuitos e Rotas mencionados na lei já são conhecidos pela população e contemplam áreas como aventura, religioso, rural, artes, ecológico, dentre outros. A lei versa sobre a possibilidade da criação de novos circuitos e rotas no futuro, conforme necessidade e viabilidade econômica. Detalhes sobre capacitação de guia de turismo e operação de circuitos e rotas por agências de turismo podem ser encontrados dos Artigos 5 ao 7 da lei. 

*Com informações da Prefeitura de Porto Velho

Grupo de estudos cria e-book que divulga cultura paraense em inglês

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O Grupo de Estudos de Professores de Línguas do Pará (Geplipa), do Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE) da Universidade do Estado do Pará (Uepa), lançou um e-book (livro eletrônico) gratuito voltado para professores de língua inglesa do Pará. Coordenado pela professora Erika Castro, o livro digital reúne atividades que integram o ensino de inglês com a rica cultura paraense, proporcionando uma experiência de ensino decolonial e reflexiva.

Confira o e-book na integra:

Desenvolvido esse ano como parte da disciplina de Estágio Supervisionado do curso de Letras – Língua Inglesa, o e-book foi criado pelos discentes do terceiro ano da Uepa, a partir de discussões sobre decolonialidade e educação crítica-reflexiva e intitulado Boca de Lobo – uma alusão ao famoso nó de atar redes. A obra é embasada em conceitos de Linguística Aplicada Crítica e Educação Linguística, com o intuito de valorizar as práticas culturais da região no processo de ensino da língua inglesa.

A iniciativa visa não apenas aprimorar o aprendizado do inglês entre os estudantes paraenses, mas também fortalecer o reconhecimento da identidade cultural local, permitindo que educadores incorporem elementos regionais em suas práticas pedagógicas.

Disponibilizado gratuitamente, o material é uma ferramenta acessível para todos os professores de inglês do estado, refletindo o compromisso do Geplipa em apoiar a formação de educadores com uma visão culturalmente consciente.

O acesso ao e-book também pode ser feito neste link. Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail: geplipa@gmail.com.

Foto: Divulgação

*Com informações da Uepa

Mil famílias de comunidades amazônicas no Peru recebem incentivos para conservação das florestas

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Foto: Divulgação/Agência Andina

Cerca de mil famílias de comunidades indígenas das regiões de Junín, San Martin e Ucayali, no Peru, recebem incentivos econômicos para a realização de atividades de conservação e restauração dos ecossistemas amazônicos, no contexto da estratégia “Gestão corporativa da biodiversidade”, implementada pelo Ministério do Meio Ambiente peruano (Minam).

Através desta experiência piloto, iniciada há 6 anos, estas atividades de recuperação ecológica tornam-se meios de subsistência para gerar rendimentos complementares para pequenos produtores que se dedicam à agricultura, pecuária ou ecoturismo.

Foto: Divulgação/Agência Andina

Isto surge da Plataforma Digital de Compensação pela Conservação no Peru, que envolve empresas comprometidas com a conservação do patrimônio natural e, ao mesmo tempo, contribui para a melhoria da qualidade de vida das populações locais.

Sobre esta intervenção setorial, William Llactayo, especialista da Direção Geral de Ordenamento Territorial e Gestão Integrada dos Recursos Naturais do Minam, disse que os projetos de restauração envolvem a recomposição de um conjunto de elementos-chave da biodiversidade, necessários para recuperar um ecossistema, e o conjunto de serviços que oferece pode gerar benefícios econômicos para a população.

Com o apoio técnico do Minam, esta iniciativa é desenvolvida pela Universidade Católica Sedes Sapientiae em aliança com a corporação Masbosques da Colômbia e com o financiamento da cooperação Suíça-SDC.

Espaço comum

Esta experiência de sucesso foi apresentada no Pavilhão do Peru na COP16, em Cali, onde especialistas nacionais trocaram conhecimentos com seus homólogos da Colômbia, com base nas práticas realizadas nos territórios amazônicos daquela zona fronteiriça.

O evento foi intitulado “Recuperação de ecossistemas em fazendas amazônicas: estratégia para restauração social do território, nas regiões de Junín, San Martin e Ucayali”.

Representantes do Serfor, da Universidade Santo Tomás e da organização Masbosques de Colômbia também participaram deste painel.


Foto: Divulgação/Agência Andina

*Com informações da Agência Andina

Atividades turísticas desordenadas ameaçam litoral paraense

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Fotos: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Nas águas do litoral paraense, onde o rio encontra o mar, há uma dança entre a preservação ambiental e a presença humana. Um compasso que se vê ameaçado com o avanço do turismo, que, se desordenado, pode transformar o paraíso em um cenário de degradação ambiental e conflitos sociais.

Com o objetivo de avaliar a contribuição das Unidades de Conservação para a gestão sustentável do turismo de sol e mar em praias do litoral paraense e entender qual o retorno social das atividades realizadas na região, Rubem Pessoa desenvolveu a pesquisa ‘A Importância das Unidades de Conservação na Qualidade Ambiental e Gestão Sustentável do Turismo no Litoral Amazônico, Pará, Brasil‘.

O estudo foi orientado pela professora Luci Cajueiro Carneiro Pereira e defendido no Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental, do Instituto de Estudos Costeiros do Campus de Bragança.

Apesar de ser uma forma de gerar renda na região das praias da Princesa (Ilha de Algodoal), de Ajuruteua (Bragança) e do Pesqueiro (Soure), quando realizadas de maneira desordenada, as atividades turísticas podem gerar mudanças no ambiente natural, as quais podem resultar em impactos irreversíveis dentro das comunidades receptoras, especialmente em áreas litorâneas.

Os planos de gestão, justifica o pesquisador, são necessários para garantir um equilíbrio sustentável entre o desenvolvimento econômico e a conservação do meio ambiente. Tais instrumentos englobam desde a regulamentação do uso do solo e da água até a promoção de práticas de turismo responsável, visando proteger as paisagens e os ecossistemas do litoral paraense para as gerações presentes e futuras.

Falta de planejamento gera desafios ambientais e sociais

A erosão costeira, a poluição das águas, a destruição de hábitats e a perda de biodiversidade estão entre os principais impactos observados no litoral paraense, fruto do turismo desordenado, e apresentados na pesquisa. De acordo com Rubem, as atividades turísticas feitas de forma não planejada tendem a provocar impactos negativos, capazes de gerar desequilíbrio no ambiente natural e nas próprias comunidades receptoras do turismo.

A praia de Ajuruteua, uma das citadas na tese, possui uma ocupação desordenada da região praial, inserida no ambiente de manguezais, com hotéis e residências que não seguem um plano de ocupação com foco nas características do local e na preservação do meio ambiente.

Impactos negativos afetam não apenas os moradores do entorno das praias, mas também a natureza e os turistas que visitam o lugar periodicamente. Os níveis de contaminação fecal na praia de Ajuruteua ocorriam principalmente durante o período de maré enchente, em virtude do lançamento direto de dejetos na praia, muitas vezes abaixo das pousadas, ou da presença de fossas irregulares dentro da zona de dunas, comprometendo a qualidade da água e a saúde dos banhistas. Essa situação não ocorre em Pesqueiro, principalmente em razão da gestão adequada, realizada pela Resex Marinha de Soure e pela comunidade.

O investimento insuficiente, a infraestrutura deficitária e a escassez de serviços básicos, aliados à presença de lixo, impactam tanto a comunidade quanto o turismo nas praias mencionadas.

Ações de proteção e gestão devem envolver comunidades

Ao estabelecer áreas protegidas, promover práticas de turismo responsável e envolver as comunidades locais na tomada de decisões, as Unidades de Conservação são aliadas importantes na proteção e gestão sustentável do litoral paraense.

O estudo de Rubem Pessoa destaca a necessidade de fortalecer essas áreas protegidas, garantindo que cumpram efetivamente sua missão de conservação e desenvolvimento sustentável.

Além disso, a comunidade local também pode se envolver no processo de gestão das praias para garantir um ambiente mais seguro e sustentável para os frequentadores.

“Todos os atores envolvidos ali precisam ser ouvidos, ser considerados em suas opiniões, em seus requerimentos em relação aos serviços, propostas e melhorias. Uma gestão participativa é integrar os órgãos políticos, de execução, de atuação seja do poder público ou privado, mas também ouvindo a comunidade local, porque é a que mais vai ser afetada pelas atividades turísticas. Esse é o caminho e o mecanismo para desenvolver uma atividade turística sustentável, com ganhos econômicos, com ganhos ecológicos e com qualidade social”, conclui.

Sobre a pesquisa

A tese ‘A Importância das Unidades de Conservação na Qualidade Ambiental e Gestão Sustentável do Turismo no Litoral Amazônico, Pará, Brasil‘ foi defendida por Rubem Manoel Coelho Pessoa, em 2020, no Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental (PPBA/IECOS), da Universidade Federal do Pará. A pesquisa teve a orientação da professora Luci Cajueiro Carneiro Pereira.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, edição 172, da UFPA, escrito por Evelyn Ludovina

Florestas em áreas degradadas queimam e ressecam mais o ambiente, expõe estudo

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Foto: Reprodução/Agência Brasil

Secas, queimadas e desmatamento fazem com que florestas absorvam mais água do solo como forma de sobreviver, tornando esses ambientes mais secos, suscetíveis ao fogo e diminuindo as chuvas nas regiões próximas. Os dados foram divulgados no artigo ‘Secas amplificam perdas de umidade do solo em florestas queimadas do Sudeste da Amazônia’, fruto do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD), projeto do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) realizado na Estação de Pesquisa Tanguro, que estuda as interações entre natureza e áreas agrícolas na fronteira entre Cerrado e Amazônia.

O artigo detalha como florestas enfraquecidas por queimadas e um clima adverso liberam menos água na atmosfera, o que pode deixar o regime de chuvas mais imprevisível, aumentando a temperatura e prejudicando a produção agrícola na região. As alterações ecossistêmicas afetam os serviços naturais desempenhados pelas florestas e impactam os modos de vida tradicionais dos povos e comunidades dessas áreas.

Pesquisa de longo prazo

O início da pesquisa se deu em 2010, a partir da implantação de sondas em poços de até nove metros de profundidade para monitorar a dinâmica da umidade do solo em duas florestas queimadas: uma anualmente e a outra a cada três anos, entre 2004 e 2010, e uma floresta intacta. A ideia foi analisar como a umidade do solo responderia a este crescimento da vegetação pós-incêndio.

Foto: Wesley Pontes/ SMC

Ainda, observou-se que a redução da umidade no solo durante a seca de 2015 foi mais severa nas partes queimadas com mais frequência. “Nas parcelas onde está ocorrendo a recuperação foi onde a redução da água foi intensificada. Uma das implicações desses resultados é que as florestas em fase de recuperação podem sofrer mais com a recorrência desses grandes eventos de estiagem”, completa.

Pré-instalação das sondas em trincheiras no solo. A: Vista de cima e ausência de sondas no momento da instalação. B: Vista de baixo com algumas sondas já instaladas. Fotos: Antonio Silveiro/IPAM

Para Silveiro, o estudo reforça a necessidade de parar o desmatamento para que o fluxo de umidade atmosférica se mantenha e recarregue a água no solo. Tanto as florestas — em recuperação e as intactas — quanto às áreas agrícolas, que também dependem da estabilidade desse fluxo de água.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Mariana Abuchain

Museu Kuahí investe na preservação da herança indígena do Amapá

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Antiga fachada do museu, antes da reforma em 2024. Foto: Reprodução/Secult-AP

O município de Oiapoque, no Amapá, abriga cerca de 6 mil indígenas, em 34 aldeias, vivendo em uma área de 520 mil hectares nas Terras Indígenas Uaça, Galibi e Juminã. Por esse motivo, os povos indígenas do Oiapoque possuem um lugar especial para a preservação de sua história e sabedoria: o Museu Kuahí.

O museu integra os múltiplos saberes das populações indígenas, promovendo respeito à sua identidade cultural e oferecendo atividades que mantem o intercâmbio entre as aldeias, instituições acadêmicas, museus nacionais e internacionais e organizações socioambientais.

Fundado em 2007, seu nome se refere tanto a um pequeno peixe, também denominado matupiri, presente nas águas de diversas regiões das Terras Indígenas do Oiapoque, quanto a um padrão gráfico símbolo entre alguns povos da região, utilizado na decoração de artefatos locais. “Kuahí”, em língua tupi-guarani, significa “olhar para o futuro”. 

As etnias Karipuna, Palikur, Galibi Marworno e Galibi Kalinã são representadas no museu, cujo objetivo é integrar as atividades culturais e manter viva a tradição desses povos.

Foto: Divulgação

O espaço possui loja, sala de teatro, áreas para exposições fixas, temporárias e audiovisuais, biblioteca , feira do agricultor, reserva documental, etnográfica e arqueológica, maloca e jardim.

Ao entrar no museu Kuahí o visitante se depara com mastros e bancos do Turé (dança típica). E nos outros ambientes pode ver o processo de construção de cuias e canoas, joias em miçanga e penas, potes de barro e muitas outras peças da cultura indígena do Oiapoque.

De acordo com a Secretaria de Cultura do Estado do Amapá (Secult), a iniciativa de criar o museu partiu das quatro etnias que habitam o extremo norte do Brasil, na fronteira com a Guiana Francesa. Além de mostrar e preservar a sua cultura, as etnias também buscam estreitar os laços com os moradores da cidade de Oiapoque.

Fachada do museu após revitalização da cobertura. Foto: Jhon Martins/GEA

*Com informações da Secult e do Governo do Amapá