O historiador Mário Ypriranga Monteiro enriqueceu a época com o lançamento a Historiografia do Amazonas com a obra Roteiro Histórico de Manaus, em dois volumes. Desde o ano de 1932, o pesquisador vinha dedicando-se ao tema. Foi a leitura do livro Ruas de Lisboa, comprada em umas de suas viagens à Europa, que motivou o escritor a debruçar-se ao ofício de investigar a história das ruas, praças e monumentos da nossa cidade.
Já naquela ocasião, residindo à rua Quintino Bocaiúva, entre Dr. Almino e Joaquim Nabuco, deu início ao trabalho somente interrompido quando foi nomeado professor primário em Santo Antônio de Borba. Retornando deu início as suas pesquisas de campo e gabinete.
Em 1945, publicou em fascículos o início do trabalho, com o título História das Ruas de Manaus. Com o lançamento da presente obra à época em dois volumes o autor consolidou seu intenso trabalho de pesquisa e ofereceu a sua cidade uma fonte inesgotável de informações de alamedas, logradouros, avenidas, bairros, becos, bicas, colônias, distritos, esquinas, igarapés, jardins, lagos, monumentos, praças, prédios, rampas, ruas, travessas e vielas. O autor, além de preciosas informações, deixou embalar o seu lado romântico e poético, destacando cada momento, belas poesias, provando desta forma seu eterno amor por Manaus.
A obra fez-se acompanhar de fotos das nomenclaturas e ricas biografias dos referidos patronos, a partir de sua origem até os dias atuais, transformando pequenos arabescos em grandes carpintarias literárias, ao exemplo deste poema:
“[ ] … Chamou-se em vida Eduardo Ribeiro. Mas foi um rio de harto cuadal: palácios, ruas, praças, roteiro. Do pensador que ele foi. Requeiro seu monumento na capital.”
Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
O escritor Mário Ypiranga Monteiro nasceu em Manaus no dia 23 de janeiro de 1909. Membro titular e ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Histórico Geográfico do Amazonas e que também foi presidente. Começou a escrever ainda aluno do então, Ginásio Amazonense Pedro II, hoje Colégio Estadual, em 1927. Escreveu e criou o Jornal O Estudante o qual dirigiu e mais tarde o 12 de Agosto.
Publicou diversos pontos amazônicos e também poesias, na revista O Malho e Fom-fom do Rio de Janeiro. Daí em diante, não mais parou de produzir, em constante colaboração aos jornais de Manaus. Dedicou-se durante toda sua vida, sobretudo, a história e ao folclore de Manaus.
Em 1930, a 12 de agosto foi líder espiritual da Revolução Estudantil que deu margem a transformação no plano politico do Estado. Professor e sociólogo respeitado, publicou mais de 150 obras. Alguns desses trabalhos tiveram repercussão nacional e internacional com tradução para o alemão, inglês, espanhol e italiano em revistas europeias e americanas.
O Colégio Amazonense D. Pedro II é considerado a instituição pública de ensino mais antiga da capital. Foto: Divulgação/SEC AM
Mário Ypiranga pertenceu a inúmeras instituições culturais e foi detentor de várias honrarias. Foi pesquisador em Ciências Sociais do IMPA, professor de Literatura Portuguesa e Brasileira em duas cadeiras na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Amazonas.
Com a história marcada pela riqueza das palavras passeou pelo mundo e especialmente entre nós. Não se pode ler ou falar da História do Amazonas sem buscar as obras referenciais do mestre Mário Ypiranga Monteiro.
Historiador, pesquisador, professor e escritor, foi ainda um observador da cidade como ninguém, sempre atento aos seus contrastes e procurou demonstrar e acompanhar o nosso progresso. Viu de forma positivo o aumento das faculdades particulares, o acesso à população à essa educação.
Tornou-se Bacharel em Direito, pela Faculdade de Direito do Amazonas, em 1946. Lecionou Geografia, Historia, Antropologia e Literatura Portuguesa. Sua participação no IMPA foi fundamental, foi membro do Patrimônio Histórico e Artístico do Amazonas. Foi professor honorário do Institut Humaniste, de Paris, França e da Phylo-Bizantine University, de Madrid, Espanha.
Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
*Matéria publicada no Jornal A Notícia no caderno de Visão. Sexta-feira, 11 de setembro de 1998.
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Sítio Arqueológico Tequinho é referência em pesquisas sobre geoglifos. Foto: Uêslei Araújo/Sema AC
Desenhos milenares, “tatuados” na terra, compostos por quadrados, círculos, retângulos e octógonos. O mistério ainda não revelado acompanha a história dos geoglifos, figuras esculpidas no solo há mais de dois mil anos. As estruturas, escavadas na terra e formadas por valetas, representam figuras perfeitas, de diferentes formas, sendo observadas na Amazônia Ocidental e, principalmente, no Acre.
Próximo a Rio Branco, capital do estado, algumas dessas construções, com grande potencial turístico, podem ser encontradas e visitadas. Em todo o estado, já foram identificados mais de mil geoglifos, mas apenas 462 foram registrados, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que tombou como patrimônio cultural do Brasil o geoglifo do Sítio Arqueológico Jacó Sá, em 2018.
Edmar Queiroz, filho de Jacó, mora na propriedade onde está localizado o sítio e conta como foi a descoberta.
“Eu cheguei aqui aos 9 anos e hoje estou com 75. São muitas teorias do que são esses geoglifos. Quando nós chegamos, brocamos tudo isso para fazer roçado, plantar milho, macaxeira e arroz. Foi quando eu vi essas valas, mas não fazia nenhum sentido para mim, nem para meu pai. Achamos que era obra da natureza”, relembra.
Queiroz diz ainda que o geoglifo foi descoberto após o professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Alceu Ranzi, sobrevoar a área e ver a estrutura. “No outro dia ele veio de carro pequeno e foi quando entrou aqui e começou a investigar o geoglifo. Depois disso, apareceram várias estruturas”, explica.
Edmar relata também que ele e o pai não perceberam que o solo havia sido retirado e colocado apenas do lado externo das valas, formando a mureta que delimita o sítio. “O barro do geoglifo foi tirado e jogado todo para fora da estrutura, nada para dentro. Ninguém sabe por quem foi feito, mas devia existir um maquinário, porque é como se fosse o seguinte: pegava o barro por dentro e subia para fazer o despejo, porque é mais alto”, detalha.
O proprietário conta que pessoas de diversos países já visitaram aquele sítio arqueológico e afirma que a maioria dos visitantes que recebe vêm por intermédio do Iphan.
Raimundo da Silva, conhecido como “Tequinho”, também é proprietário de uma terra no município de Rio Branco, onde foi encontrado um sítio arqueológico, batizado com o seu apelido.
O proprietário conta que identificou a estrutura após retirar o mato do lugar para plantação. “Depois que broquei, descobrimos que era um geoglifo. Desceu aqui um helicóptero e explicaram o que era. Desde então, muitos alunos vêm visitar e fazer pesquisas, também vêm turistas, e, sempre que posso, indico o local para os visitantes”, conta.
O local se tornou referência em pesquisa e visitas, pela proximidade com a capital e por se localizar em um ramal da Vila Pia, próximo à BR-317. “As portas estão abertas aos visitantes que queiram conhecer”, convida.
Severino Calazans
Aos 103 anos, Severino Calazans é proprietário da área com sítio arqueológico homônimo, também próximo à capital acreana. Morador da localidade há mais de 30 anos, narra que, assim como Edmar, quem explicou que a estrutura em sua propriedade era um geoglifo foi o professor Alceu Ranzi. “Seu” sítio arqueológico é cortado ao meio pela BR-317, o que também o torna de fácil acesso.
Severino conta que diversos turistas visitam o lugar. “Eu atendo direitinho. Toda vida tive respeito. O homem que não respeita não pode ser respeitado. Eles vêm, ficam um pouco e depois vou lá e fecho a porteira. Tenho uma documentação que diz que eu posso chamar qualquer polícia para me ajudar [em caso de desrespeito com a estrutura], mas eu não faço isso, eu falo para terem respeito pelo geoglifo”, relata.
O centenário conta que ainda se questiona como foram feitos e para que serviam os geoglifos. “Será que esse povo habitava aqui? Será que era cemitério? Tem essa dúvida que fica na nossa cabeça, porque a água fica longe daqui. Fica aquela dúvida sobre moradia. Ninguém sabe de nada até hoje”, diz.
Sítio Arqueológico Severino Calazans também recebe visitas de muitos turistas e pesquisadores. Foto: Uêslei Araújo/Sema AC
Tombamento e preservação
O superintendente do Iphan no Acre, Stênio Cordeiro, explica que o Sítio Arqueológico Jacó Sá foi tombado de forma representativa, com o objetivo de preservá-lo.
“A finalidade de preservar é identificar, estudar e ver a ocupação da Amazônia. Ficamos felizes, porque o Iphan também contribui com o potencial enorme para o turismo que o estado tem. O tombamento ajuda com a divulgação do geoglifo, e uma vez divulgado, há mais condições de preservá-lo, porque a sociedade vai nos ajudar a preservar um patrimônio histórico sobre a Amazônia. Outro ponto é que vamos ajudar na geração de trabalho e renda para o público do Acre, que é um estado riquíssimo em termos ambientais”, avalia.
Stenio Cordeiro explica que o geoglifo Jacó Sá foi tombado de forma representativa. Foto: Marcos Rocha/Sete Stênio ressalta ainda que, dos 462 geoglifos registrados, 56 se encontram em Rio Branco. “Temos outros geoglifos que estão sendo descobertos, mas o Iphan ainda não conseguiu catalogar, devido à dificuldade de acesso, porque é dentro da floresta, o que dificulta a chegada da equipe”, informa.
O gestor explica que o Iphan tem trabalhado para que os geoglifos sejam transformados em patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). “Quando o turista quer conhecer uma coisa de importância nacional, que é a Amazônia, ele busca os catálogos da Unesco. Estando lá como patrimônio da humanidade, isso favorece a visita aos geoglifos e quem ganha é o estado, com a visita dos turistas”, destaca.
O que dizem os pesquisadores
Arqueóloga do Iphan no Acre, Antônia Barbosa explica que os geoglifos são desenhos que foram escavados no solo, com dimensão real vista apenas do alto. A estudiosa aponta que ainda é necessário mais pesquisas sobre os sítios arqueológicos do estado, pois, dos 462 geoglifos registrados, pouco menos de 20 foram pesquisados. Apesar da pesquisa limitada, com as informações a que os pesquisadores já têm acesso, é possível fazer inferências.
“Podemos dizer que, por exemplo, esses sítios não foram construídos para defesa, nem para habitação. Podemos sugerir e levantar a hipótese que é mais aceita no meio científico, que esses sítios foram construídos para cerimônias, rituais e celebrações. Por isso têm esse formato geométrico e essa forma gigantesca, porque foram feitos para serem vistos do alto, pelos deuses”, ressalta.
Antônia destaca ainda que há pesquisas realizadas com os povos indígenas atuais, que explicaram que não entram em algumas dessas estruturas por considerarem o local sagrado.
O superintendente do Iphan no Acre reforça ainda que os pesquisadores concluíram, por meio de estudos, que as áreas, que foram construídas há mais de 2.500 anos, não eram locais de plantio ou moradia, pois são planos e longe de rios e igarapés. Atualmente, os estudos são realizados para entender como foram feitas as escavações desse tipo de geoglifo, com formas geométricas iguais.
Potencial turístico
Atuando na área há 20 anos, Antônia conta que os sítios arqueológicos no Acre são muito procurados, principalmente por turistas estrangeiros. “Eles vêm visitar esse nosso patrimônio, reconhecem, veem como uma estrutura monumental e ficam se questionando como podem ter construído uma estrutura dessa em meio à floresta”, ressalta.
“Nós temos o grande desafio de fazer com que as pessoas vejam que só estudando o passado é que a gente pode compreender o presente e pensar no futuro”, propõe.
Em outubro, após o lançamento, na plataforma Netflix, da segunda temporada da série Ancient Apocalypse, que aborda a importância dos geoglifos para a história dos povos da Amazônia, a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete) reuniu palestrantes de diversas instituições em discussões sobre os sítios arqueológicos com potencial turístico e de preservação ambiental.
O secretário da pasta, Marcelo Messias, reforça a importância dos sítios arqueológicos. “Os geoglifos são essenciais para a história da Amazônia e da humanidade e servem como um convite para que possamos vislumbrar o nosso passado, presente e futuro, contribuindo para a forma como vemos e pensamos os nossos modos de vida, cultura e preservação ambiental, além de se revelar como um potencial econômico, por meio do turismo, com a oferta de meios de transporte, alimentação, hospedagem, guias de turismo, acesso ao local e tantas outras possibilidades que enxergamos para os sítios arqueológicos”, destaca.
Localização e possível construção
A arqueóloga do Iphan, que acompanhou a equipe da Sete nas visitas aos geoglifos próximos a Rio Branco, explica a distribuição geográfica dos sítios: “Eles começam numa faixa da Bolívia, vêm pelo estado do Acre, passando por Rondônia e um pouquinho do Amazonas. Então abrangem toda essa parte leste do Acre, em vários formatos, quadrados, círculos, retângulos e muitas vezes formando um composto, associados com outras estruturas”.
A especialista relata que, para construir esses arranjos, foram necessárias várias pessoas, segundo os estudos. “Eles não possuíam técnicas e instrumentos de que dispomos hoje. Acreditamos que utilizaram equipamentos feitos de madeira para poder fazer essas obras gigantescas”, considera.
Sítios arqueológicos com geoglifos abertos à visitação nas proximidades de Rio Branco
Geoglifo Baixa Verde II: o sítio fica a 28 km saindo de Rio Branco, em direção a Boca do Acre, na margem direita da BR-317. A estrutura é composta por um quadrado e tem 120m de lado, com as trincheiras medindo em torno de 14,7m de largura e 1,5m de profundidade.
Geoglifo Severino Calazans: cortado pela BR-317, situa-se 4,5 km após o Baixa Verde II, situado à esquerda, em direção a Boca do Acre. É um quadrado com 230m de lado e trincheira com 12m de largura.
Geoglifo Jacó Sá: um dos mais famosos e reconhecidos mundialmente. Para chegar, basta seguir direto, 8 km ao norte do Sítio Severino Calazans, também na margem esquerda da BR-317. A estrutura é composta por dois quadrados, um deles contendo um círculo.
Geoglifo Tequinho: também famoso internacionalmente, está localizado 11 km à frente do Jaco Sá, próximo à entrada da Vila Pia, à direita, no Ramal do Pelé por 2,5 km. São dois grandes quadrados, com trincheiras triplas.
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública, com pedido de urgência, para que a Amazonas Energia e a União sejam condenadas a fornecer energia elétrica às comunidades indígenas de Tiririca, Marajá e Santo Antônio, no município de Novo Airão, no Amazonas.
A ação pede à Justiça Federal que determine à empresa e à União que providenciem, no prazo de 30 dias, a infraestrutura necessária para o fornecimento do serviço público essencial para as comunidades através da ligação à rede convencional ou de sistemas fotovoltaicos. A ação também pede o pagamento de R$ 50 mil para cada comunidade pela demora em fornecer energia às comunidades ribeirinhas.
Segundo o MPF, a ausência de energia elétrica nas comunidades mesmo depois de diversas solicitações de seus moradores e do Ministério Público Federal caracteriza omissão do poder público “com desrespeito aos direitos mais básicos das comunidades envolvidas, que estão sendo totalmente marginalizadas”, diz trecho da ação assinada pela procuradora da República Janaina Mascarenhas.
A procuradora também pontua que, além dos prejuízos comuns por não poderem usar eletrodomésticos, internet e serviços essenciais, as comunidades enfrentam problemas ainda maiores na época de estiagem, pois a população fica isolada com a seca dos rios.
Além disso, o MPF observa que o acesso à energia elétrica é essencial para a melhoria da condição de vida, redução da pobreza e aumento da renda familiar, acesso à educação e aos serviços de saúde, agindo como condutor do desenvolvimento social e econômico das famílias. “Ou seja, a exclusão do acesso à energia elétrica contribui para a estagnação de qualquer possível desenvolvimento das comunidades mais pobres e remotas”.
Realidade local
O município de Novo Airão possuía previsão de universalização de energia elétrica em 2021. O programa, conhecido como Luz Para Todos, tem por finalidade fornecer o atendimento com energia elétrica à população do meio rural e à população residente em regiões remotas da Amazônia Legal que não possuem acesso ao serviço público de distribuição de energia elétrica.
A Amazonas Energia informou sobre a possibilidade de realizar os atendimentos pelo programa, com fontes alternativas, como energia solar fotovoltaica, com previsão para 2025, porém sem definição de cronograma. A concessionária de energia informou então que o processo de liberação de recursos ainda está em fase de tramitação.
Conforme apuração do MPF, a implementação do programa nas comunidades de Novo Airão aguarda a assinatura do contrato de financiamento, que segue pendente pelo Ministério de Minas e Energia, por uma questão burocrática: a troca acionária da concessionária local. “Opções políticas não podem se sobrepor ao direito das comunidades terem acesso à energia elétrica”, reforça a ação.
Nesse sentido, o MPF lembra que o público-alvo do programa é, essencialmente, a população de áreas remotas da Amazônia, por isso, os argumentos no sentido de impossibilidade de fornecimento de energia elétrica por dificuldades logísticas de acesso não se sustentam. “O escopo do programa é, exatamente, atingir essas comunidades, de modo que as dificuldades logísticas são inerentes e já devem ser previamente consideradas pela Administração Pública”, alerta o MPF.
Sobre o caso
Em 2019, o MPF constatou a falta de energia elétrica ao visitar as comunidades no município. A partir disso, um inquérito civil foi instaurado para investigar o caso.
Quase seis anos depois, em 2024, os moradores informaram ao MPF que seguiam sem acesso à energia elétrica, com prejuízos no acesso aos serviços de saúde, educação e nas atividades de subsistência.
Ainda em 2024, durante reunião realizada com representantes comunitários e o MPF, foi informado que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) negou a licença para extensão de rede convencional de energia elétrica na região, justificando que havia um sítio arqueológico na área.
Localizada em Tocantins, na Ilha do Bananal, a Terra Indígena Parque do Araguaia é um dos mais importantes santuários ecológicos e culturais do Brasil.
Segundo o Governo, com cerca de 20 mil km2, a Ilha do Bananal é a maior ilha fluvial do mundo e fica em grande parte do ano submersa, ressurgindo a cada período de seca e trazendo, praticamente intocada, uma riquíssima biodiversidade – resultado do encontro entre a Floresta Amazônica e o Cerrado.
Um patrimônio cultural e ambiental
De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, aproximadamente 4.503 indígenas habitam a região. Eles pertencem às etnias Avá-Canoeiro, Iny Karajá, Javaé e Tapirapé. Ao todo, são cerca de 15 aldeias, com grupos que preservam suas tradições e modos de vida.
Os Avá-Canoeiros, conhecidos como “Cara-Preta”, se destacam pela postura de isolamento, rejeitando contato com a civilização e até mesmo com outras comunidades indígenas próximas. Os Karajás e Javaés são historicamente protegidos desde a criação do parque em 1959.
A Terra Indígena se sobrepõe ao Parque Nacional do Araguaia (PNA), criado antes mesmo da legislação atual sobre Unidades de Conservação (UC) e Terras Indígenas. Em 2006, 377.317 hectares da área foram delimitados como UC em regime de dupla-afetação, ou seja, áreas destinadas à preservação ambiental e à permanência tradicional dos povos indígenas.
Embora a visitação seja possível, ela requer contato prévio com as comunidades indígenas e o cumprimento das exigências legais. No entanto, o local ainda não está preparado para receber atividades de ecoturismo ou etnoturismo de forma estruturada. Atualmente, a principal atividade de visitação é a pesca, realizada de maneira controlada.
Entender como os processos geológicos e as mudanças no Rio Negro, ao longo dos anos, influenciaram na variedade de peixes miniaturas, espécies adultas que não ultrapassam 2,5 cm de comprimentos, foram a base de uma pesquisa científica apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvida no município de Iranduba (distante 27 km de Manaus).
Realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o estudo coordenado pelo doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, Marcelo Salles Rocha, constatou que em alguns lugares do Rio Negro, como nas depressões tectônicas (que são áreas mais baixas formadas por movimentos da terra), os peixes encontrados são diferentes daqueles que vivem em outros lugares do rio, o que sugere mudanças no rio ao longo do tempo, criando novas áreas para essas espécies de peixes viverem e evoluírem.
O estudo utilizou dados da biologia molecular de peixes e analisou a evolução biológica e geológica da sedimentação nas depressões tectônicas, em Graben (conhecida popularmente como fossa ou vale tectônico), em áreas do Paraná do Ariaú, Cacau Pirêra e Cachoeira do Castanho, no município de Iranduba, além de depósitos de barras fluviais associadas aos canais dos rios Negro e Solimões.
Foto: Marcelo Salles Rocha/Arquivo pessoal
Durante a pesquisa, foi descoberto que nas depressões tectônicas entre os rios Negro e Solimões, os peixes que ali vivem são diferentes dos peixes encontrados nos igarapés do Tupé e Tarumã Mirim, ambos na margem esquerda do Rio Negro. Esses igarapés desenvolveram-se em áreas geológicas mais antigas do Neógeno, e possuem substrato arenoso com extensa cobertura de detritos e folhiço, além de possuírem águas pretas e PH com valores próximos a 5.
Segundo o pesquisador, essas espécies devido ao seu tamanho possuem pouca mobilidade, como por exemplo quando comparadas às espécies grandes e migradoras como jaraqui e piraíba. Por terem baixa mobilidade e tamanho, grandes rios formam uma barreira para sua separação.
“Pelas análises genéticas pode-se estimar o tempo de separação das populações e identificar possíveis cenários passados. Até mesmo hipóteses dos rios atuando na separação das populações, uma vez isoladas pode ocorrer a formação de espécies novas”, disse Marcelo Rocha.
Outra descoberta foi que a espessura dos depósitos argilosos no Graben do Paraná do Ariaú pode ajudar na sua exploração pelas olarias da região, as quais usam a “lavra a céu aberto” para extrair a matéria prima, por meio de cavas rasas, que provocam impacto ambiental pela degradação de áreas superficiais.
Os sedimentos são de suma importância para o desenvolvimento socioeconômico do estado do Amazonas, pois fornecem matéria prima para o Polo Oleiro de Iranduba-Manacapuru, sendo utilizados na fabricação da cerâmica vermelha (principalmente telhas e tijolos).
Durante a Quaresma, período em que muitas pessoas optam por reduzir o consumo de carne vermelha, os peixes ganham destaque nas mesas brasileiras. Seja por tradição ou pela busca por uma alimentação mais leve e saudável, espécies amazônicas e o tradicional bacalhau tornam-se protagonistas dessa época do ano.
Além do sabor inconfundível, eles oferecem benefícios essenciais para a saúde e desempenham um papel importante na cultura gastronômica do país – especialmente no Amazonas, maior consumidor de peixes do Brasil.
Segundo dados da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), o consumo per capita de pescado no Brasil gira em torno de 10 kg por ano – abaixo dos 12 kg recomendados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que prevê um crescimento de 30% no consumo mundial de peixes na próxima década.
No Amazonas, estado que se destaca como o maior consumidor de peixes do país, o consumo médio é de 14 kg por pessoa ao ano, número que tende a crescer significativamente durante a Quaresma.
“O Norte do Brasil, e em especial a nossa região amazônica, são grandes apreciadores de peixes. O consumo de pescados na nossa região já é mais de 20% maior que no restante do Brasil no ano todo. E, durante o período da Quaresma, ele cresce ainda mais, tanto por conta da tradição do consumo do bacalhau quanto pela alta na procura de outras espécies, principalmente as da região amazônica, como alternativa ao bacalhau. É um consumo crescente até a Páscoa”, relata Sidnei Dutra, sócio proprietário do Grupo Engenho, que possui uma rede de oito negócios – dois deles restaurantes especializados em peixes: o Sagrado Peixe e o Restaurante Terra&Mar.
Esse aumento no consumo de peixes, especialmente o bacalhau e pescados regionais, reflete outra tendência, que é o incentivo à adoção de hábitos alimentares mais saudáveis não apenas durante a Quaresma, mas durante o ano todo.
Muita gente aproveita essa época do ano para adotar uma alimentação mais leve e nutritiva. E, para esse objetivo, os peixes são um grande aliado. “Esses hábitos começam por uma alimentação balanceada – à qual nutricionistas costumam incluir uma ampla base de carnes brancas, como o pescado”, lembra Sidnei.
E não à toa: os peixes são fontes ricas de proteínas de alta qualidade e ácidos graxos essenciais, como o ômega-3, que contribuem para a saúde do coração, do cérebro e do sistema imunológico. Estudos apontam que o consumo regular de peixes está associado à redução do risco de doenças cardiovasculares, além de auxiliar na prevenção de inflamações e na melhora da função cognitiva.
O bacalhau, por exemplo, é rico em proteínas e pobre em gorduras, sendo uma excelente opção para quem busca uma alimentação equilibrada. Além disso, é uma fonte importante de vitaminas do complexo B e de minerais, como o fósforo e selênio, essenciais para o metabolismo energético e a saúde óssea. Já espécies como o tambaqui, o pirarucu e o filhote são extremamente nutritivas e oferecem altos teores de ômega-3, cálcio e fósforo. O tambaqui, por sua vez, é um dos peixes mais consumidos da Amazônia e tem um equilíbrio ideal entre sabor e benefícios nutricionais.
Gastronomia
Além das qualidades nutricionais, os peixes também são ingredientes versáteis na gastronomia. O bacalhau, por exemplo, é a base de pratos icônicos da culinária portuguesa, como o Bacalhau à Brás e o Bacalhau com Natas, destaques do restaurante Terra&Mar, referência em culinária portuguesa e argentina na cidade.
Peixes amazônicos. Foto: Divulgação
Já os peixes amazônicos brilham em receitas tradicionais, como a Caldeirada de Tambaqui e a moqueca de Pirarucu, ou ainda uma apresentação especial do tambaqui, servido em uma “canoa” para ser compartilhado por até 10 pessoas no prato “Sagrado Peixe”, que leva o nome da mais recente inauguração do Grupo Engenho, restaurante especializado na culinária amazônica. O cardápio reúne os peixes mais apreciados no Amazonas e no Pará, como o pirarucu, a matrinxã e o jaraqui, além do filhote, tradicional no estado do Pará, que também faz parte do menu.
“Nossos restaurantes têm buscado sempre inovar, misturando criatividade e tradição para criar diferentes formas de preparo e de apresentação dos nossos peixes, e isso vem conquistando o paladar -e os olhares – dos clientes. Um dos nossos maiores sucessos é a Sagrada Matrinxã, onde a Matrinxã é assada na crosta de sal, o que garante muito mais suculência e sabor”, revelou Rogério Perdiz, outro sócio proprietário do grupo Engenho.
Localizado na Avenida Mário Ypiranga, 1309, Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus, o restaurante e padaria Terra & Mar é especializado em culinária portuguesa e argentina e oferece uma experiência completa aos seus clientes, desde o café da manhã até o jantar. Já o restaurante Sagrado Peixe Cozinha Regional funciona das 8h às 21h, oferecendo café da manhã, almoço e café da tarde. O espaço fica ao lado do Vitória Supermercados, na Avenida Cosme Ferreira, bairro Coroado.
Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br
No dia 20 de março, Dia Internacional da Felicidade, o MCI completou 7 anos. Sem fins lucrativos, o propósito do MCI é difundir o movimento de construção consciente de felicidade para pessoas e para empresas.
O objetivo do ser humano por detrás de tudo que faz é ser feliz, já disseram há dois mil anos Aristóteles e outros filósofos, inclusive Mokiti Okada, que tinha como grande ideal a felicidade para todas as pessoas. Ele defendia a ideia de que a missão do ser humano, como espécie, é criar este mundo feliz. Segundo ele, expressões como Paraíso Búdico, Reino dos Céus na Terra e Paraíso Terrestre, dentre outras similares, presentes, em várias crenças religiosas e filosóficas e em várias culturas, têm o mesmo significado: a da criação deste mundo feliz.
Mas como ser feliz em um mundo com tantos sofrimentos, com tantas dificuldades que cada um de nós enfrenta ao longo da vida?
A boa notícia é que ser feliz não significa não ter problemas ou não passar por sofrimentos. Isto vem sendo provado pela psicologia, desde 1998, quando Martin Seligmann assumiu a Associação Americana de Psicologia e criou um movimento que objetivava fazer com que a psicologia não se concentrasse apenas no tratamento de doenças, mas que se voltasse também para a exploração do potencial humano e para a felicidade. Este movimento recebeu o nome de psicologia positiva ou ciência da felicidade e, desde então, vem crescendo com muita rapidez, com a criação de vários centros de pesquisa nas principais universidades nos Estados Unidos, na Europa e em todo o mundo.
Também a neurociência evoluiu bastante neste período o conhecimento sobre o funcionamento do nosso cérebro e dos sistemas neurais, destacando-se a neuroplasticidade que, ao contrário do que se supunha, permite que os neurônios se multipliquem ao longo da vida, se desenvolvam e sejam educados. Além disso, houve um melhor entendimento de como funcionam os hábitos, os sistemas neurais de sobrevivência formado pelo sistema límbico (lute ou corra) e o comandado pelo córtex frontal, que dirige as nossas energias para a exploração de nosso potencial, favorecendo a criatividade, inovação e abertura de novas possibilidades.
O desenvolvimento do coaching em todo o mundo se deu de forma paralela e muito impulsionado por estes estudos. Como técnica, o coaching faz com que a pessoa busque explorar o seu maior potencial, construindo as suas próprias respostas e resgatando o conhecimento que traz dentro de si, o que já era defendido pelos filósofos socráticos. No processo, são enfatizados o autoconhecimento, a autonomia e o exercício de escolhas conscientes.
Assim, todo este conhecimento acumulado pela psicologia, neurociência e coaching, acrescidos a tudo que a filosofia já nos trouxera, nos permite afirmar que, sim, é possível criar felicidade conscientemente a partir do desenvolvimento de modelos mentais e de práticas que nos aproximam da felicidade.
Sabe-se hoje que apenas uma parte da felicidade depende de fatores externos, embora isto contrarie o senso comum. Um carro novo ou ganhar mais dinheiro gera mais felicidade temporariamente, assim como a dor pelas perdas de qualquer espécie. O “termostato da felicidade” logo faz com que nos acostumemos com eles e retornemos à nossa felicidade normal. Cada um de nós possui um nível de felicidade usual (também chamada de basal). A grande pergunta é: como aumentar a felicidade normal de cada um e de todos?
Os acontecimentos externos e a genética são responsáveis por uma parte de nossa felicidade, mas sobre eles nossa gestão é limitada e, em alguns casos, nula. Por outro lado, podemos investir na criação de modelos mentais e ações práticas que promovam a nossa evolução material, emocional e espiritual. É fácil perceber, e os estudos comprovam, por exemplo, que uma pessoa grata, altruísta e resiliente será mais feliz do que uma outra que vive reclamando, é egoísta e desiste diante das primeiras dificuldades.
É para isto que servem os princípios e exercícios de felicidade (em torno de 35) que compõem o Método MCI de Felicidade. Eles estão disponíveis gratuitamente na plataforma mcifelicidade.com.br. Nosso convite é claro. Vamos construir felicidade? Para você, para mim, para todos? O mundo precisa.
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.
Imagem: Reprodução/O Ensino de Brincadeiras e Jogos dos Povos Indígenas Apinajé
O livro ‘O Ensino de Brincadeiras e Jogos dos Povos Indígenas Apinajé’, de Miller Sorato Amorim de Souza e Ruhena Kelber Abrão, foi desenvolvido no âmbito do mestrado profissional em Educação Física (Proef) da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e aborda a importância dos jogos e brincadeiras dos povos indígenas, especialmente dos Apinajé, como fortes aliados no processo de ensino e aprendizagem nas aulas de Educação Física.
Na cartilha, os autores exploraram algumas dessas atividades, mostrando como podem ser inseridas nas aulas, com o objetivo de ajudar os professores a levar conteúdos que, além de divertidos, ajudam os alunos a conhecer e respeitar a cultura indígena.
Além disso, o material oferece dicas práticas para que os educadores possam adaptar as dinâmicas a diferentes faixas etárias e contextos escolares.
Os jogos e brincadeiras tradicionais dos Apinajé, habitantes do estado do Tocantins, não são apenas formas de diversão, mas ferramentas educacionais essenciais para o desenvolvimento físico, emocional e social das crianças. Essas práticas culturais ajudam a preservar e valorizar a tradição indígena, transmitindo saberes ancestrais e mantendo viva a identidade cultural desse povo.
A obra busca incentivar o aprendizado da cultura indígena não como uma obrigação curricular, mas como uma oportunidade de enriquecer a formação dos alunos.
A ‘pedra do guindaste‘ é a localização de um dos monumentos mais tradicionais de Macapá, capital do Amapá. Sobre ela, fica a estátua de São José, uma obra cheia de história e curiosidades. A data do padroeiro da capital e do estado é celebrada em 19 de março.
A figura histórica chama a atenção por estar dentro do rio Amazonas e de costas para a Fortaleza de São José de Macapá. Quando a maré desce, é possível ver toda a extensão da lendária pedra. Outro fator é que a figura não possui o menino Jesus nos braços, como usualmente retratada.
São José é considerado o santo dos navegadores e dos pescadores, fato que é especialmente relevante para a região do Amapá, banhada pelo Rio Amazonas, que possui uma forte tradição de pesca e navegação, além de ser o protetor das famílias e dos trabalhadores.
Estátua de São José
A obra foi feita pelas mãos pelo mestre de obras português/brasileiro Antônio Pereira da Costa e foi inaugurada no ano de 1958. Antônio é o responsável por muitas outras obras de grande relevância no estado, ele faleceu em 1983. A estátua é um símbolo histórico para os amapaenses.
“Antônio era um português escultor, engenheiro e arquiteto, chegou aqui na década de 50, trazido pelos americanos para a construção da base aérea do Amapá do Pará e desde então fixou residência por aqui e contribuiu com muitas obras, dentre ela o São José, trazendo matérias primas europeias como concreto armado com tintas”, disse o Sérgio guerreiro, bisneto do mestre Antônio Pereira da Costa.
Foto: Reprodução/Acervo da família
No ano de 1973, um navio colidiu contra a pedra do guindaste original. O impacto acabou quebrando a imagem de São José e a lançando no Rio Amazonas. O dono do navio arcou com os custos da restauração da imagem e um pilar de concreto foi erguido onde a pedra costumava ficar.
A pedra até antes da inauguração da imagem, na década de 40, era um local onde os barcos costumavam ser atracados, até a construção do trapiche. Ela servia também como um alvo para exercício de pontaria dos soldados.
Proposta de troca da imagem
Em 2017, uma proposta foi feita pela Associação Comercial e Industrial do Amapá (Acia), para substituir a imagem por uma maior. A imagem chegou a ser confeccionada pelo artista maranhense Lindomar Plácido e tinha cerca de 3 metros de altura.
O presidente da Acia levantou a proposta ao governo, pois segundo o mesmo, a imagem original estava deteriorada em razão do tempo e que, devido ao tamanho, a visão não é privilegiada da orla da cidade.
“No ano de 2017 tivemos um embate muito grande pra permanência dessa imagem […] primeiro que ela está atrelada a história do território na década de 60, 70 e a figura do mestre construtor”, disse Dinah tutyia, professora de arquitetura da Universidade Federal do Amapá (Unifap).
Familiares do Antônio Pereira interviram alegando que a imagem original deveria ser preservada, respeitando a memória do mestre de obras e a história do monumento com a pedra do guindaste.
“A minha família quer a garantia de que a imagem não será trocada e vamos buscar meios para que isso aconteça e fazer com que a estrutura seja resguardada, através de tombamento”, disse Lídia Costa, neta de Antônio, durante uma entrevista ao Grupo Rede Amazônica em 2017.
No mesmo ano, o presidente da Acia lamentou o ocorrido e disse que não queria causar transtornos ou polêmicas, apenas destacar a história amapaense. A solicitação de tombamento foi feita no ano de 2018.
Em 2025, Lídia contou que é um bom sentimento poder celebrar o dia de São José com a obra ainda em seu devido local e conservada. Além dessas, muitas outras obras feitas por Antônio devem ser preservadas no estado.
“Nós temos o hospital geral, nós temos a pediatria, nós temos maternidade nós temos várias obras construídas por ele. Dentre elas o Macapá Hotel, temos ainda várias casas que ficavam próximas ao palácio do setentrião, que também obra do nosso avô. Ele construiu todo entorno da praça do Barão do Rio Branco, os correios, a atual OAB. Dentre outras maravilhosas obras”, contou Lídia.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Ao final da série, a coluna destaca os importantes trabalhos dos pioneiros Antônio Sérgio Mello, Ozias Monteiro Rodrigues e Flávia Barbosa Grosso.
Antônio Sérgio Mello assumiu a Suframa em 26 de abril de 1999 até 13 de agosto do mesmo ano, transmitindo o ao sucessor Ozias Monteiro Rodrigues, no dia 31 de agosto, durante a 194 ª Reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS). Entre as suas principais ações destacam-se: estímulo às exportações; à integração com o Mercosul, Alca e Pacto Andino; à inserção do pólo industrial de Manaus no processo de globalização da economia; ao adensamento da cadeia produtiva visando a implantação de um pólo de componentes capaz de formar uma rede de fornecedores na região; à captação de novos investimentos para a Amazônia Ocidental, incluindo o Amapá, e à formação de capital intelectual na região. Durante a sua gestão, foi dada ênfase à interiorização do desenvolvimento, com investimentos em obras de infra-estrutura por meio de convênios com os governos estaduais e prefeituras na área de atuação da ZFM, bem como ao aproveitamento racional das potencialidades econômicas regionais, como fruticultura, piscicultura, turismo e bioindústria. A responsabilidade pela estruturação de um pólo de bioindústria na ZFM foi conferida ao Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), cujas obras civis tiveram início em agosto de 1999.
Ozias Monteiro Rodrigues, amazonense de Codajás, foi nomeado em 13 de agosto de 2001 para o cargo que já vinha ocupando interinamente desde 1998, como superintendente adjunto de Planejamento da Suframa. Seu programa de trabalho deu ênfase a ações importantes para o PIM com ênfase na promoção do desenvolvimento da Amazônia Ocidental, destacando-se a criação do Centro de Tecnológico do Pólo Industrial de Manaus – CT-PIM; o estímulo às exportações, o desenvolvimento das potencialidades regionais, a inauguração da sede do CBA; ações voltadas à atração de novos investidores para a Região, bem como a realização da I Feira Internacional da Amazônia – FIAM, em 2002, além de intenso programa de promoção comercial com a realização de viagens de prospecção de novos mercados a diversos países. Ficou no cargo até 09 de maio de 2003.
Flávia Skrobot Barbosa Grosso, funcionária de carreira da SUFRAMA foi nomeada em 9 de maio de 2003 e empossada dois dias depois. Amazonense, economista formada pela UFAM, concluiu pós-graduação em Planejamento do Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Foi a primeira servidora mulher na história da instituição a assumir o cargo e que permaneceu no comando da instituição por mais tempo, oito anos e seis meses. Durante sua gestão, o cenário econômico favorável do país e o aumento do nível de confiança de investidores propiciaram forte recuperação do PIM, o qual se consolidou como um dos parques fabris mais modernos e pujantes da América Latina, saltando de um faturamento de US$ 10 bilhões em 2003 para US$ 35 bilhões em 2010. Outra grande marca refere-se ao incremento da capacidade de geração de empregos diretos, quando alcançou 100 mil postos de trabalho. Nesse período a autarquia investiu mais de R$ 300 milhões em ações de interiorização do desenvolvimento com o objetivo de fortalecer as atividades econômicas em toda a área de atuação da Suframa (Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima e os municípios de Macapá e Santana, no Amapá). Esses recursos, oriundos da Taxa de Serviços Administrativos (TSA) arrecadadas junto às empresas incentivadas do Polo Industrial de Manaus, contribuíram para a viabilização de projetos de apoio à produção, infraestrutura econômica, turismo, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e capacitação de recursos humanos. Flávia Grosso foi substituída pelo economista e servidor de carreira da Suframa, Oldemar Ianck, que exerceu o cargo interinamente até outubro de 2011.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).