Foto: Ricardo Stuckert/PR
A Terra Indígena Capoto-Jarina, no Mato Grosso, é um território tradicionalmente ocupado pelo povo Kayapó, também conhecido como Mebêngôkre. Dentro dessa terra indígena fica a aldeia Piaraçu, onde vive o cacique Raoni Metuktire, uma das lideranças indígenas mais conhecidas do Brasil e com reconhecimento internacional.
A área possui mais de 630 mil hectares de extensão e abriga diversas aldeias que mantêm a cultura e os costumes do povo Kayapó. E, além dos Kayapó, também vivem na região grupos Tapayuna, que compartilham práticas culturais semelhantes e convivem de forma integrada.
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A demarcação oficial da Terra Indígena Capoto-Jarina ocorreu em 1984, após um longo processo de reconhecimento pelo governo federal. Desde então, o território é considerado um dos mais preservados da Amazônia Legal, com baixos índices de desmatamento e forte controle comunitário sobre as atividades internas.
Atualmente, segundo dados do instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que cerca de 1.600 indígenas vivam nas aldeias da TI Capoto-Jarina. A população local mantém uma organização social estruturada e segue tradições que envolvem rituais, danças, artesanato e um modo de vida voltado à sustentabilidade e à convivência harmônica com a floresta.
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Preservação ambiental e ameaças

A Terra Indígena Capoto-Jarina é uma das áreas mais preservadas da Amazônia brasileira. Dados recentes indicam que menos de 0,2% de sua cobertura florestal foi perdida entre 2008 e 2024, resultado de ações contínuas de vigilância e do uso sustentável dos recursos naturais. O território é considerado um exemplo de como a presença indígena contribui para a conservação ambiental.
Apesar do cenário de preservação da Terra Indígena Capoto-Jarina, a região enfrenta ameaças recorrentes, principalmente de incêndios florestais. Em 2024, grandes focos de fogo atingiram parte da terra indígena, destruindo roças, áreas de coleta de plantas medicinais e afetando a fauna local. Os incêndios foram combatidos por brigadistas indígenas com o apoio de instituições ambientais.
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Segundo o cacique Raoni, outra preocupação da TI é sobre as invasões de garimpeiros e madeireiros ilegais, que já tentaram se instalar na região em anos anteriores.
O cacique Raoni e outras lideranças reforçam constantemente a necessidade de proteger o território e de impedir qualquer tipo de exploração não autorizada. Patrulhas comunitárias percorrem as áreas de floresta e rios para monitorar possíveis invasões.
O trabalho de conscientização junto aos jovens Kayapó também tem sido fundamental para garantir a continuidade da proteção territorial. As novas gerações são instruídas sobre a importância da terra, da cultura e das práticas de autossutentabilidade que mantêm a comunidade viva.
Vida comunitária e autogestão indígena
Dentro da Terra Indígena Capoto-Jarina, as aldeias são organizadas de forma coletiva. As casas, geralmente feitas de madeira e palha, são dispostas em torno de uma grande praça central, onde ocorrem reuniões e celebrações. A língua Kayapó é amplamente utilizada, embora muitos também falem português para se comunicar com instituições externas.
A vida comunitária envolve o cultivo de alimentos como mandioca, milho, banana e batata-doce, além da caça e da pesca, que seguem regras tradicionais de equilíbrio com a natureza. As decisões sobre o uso dos recursos naturais são tomadas em conjunto, com a participação das lideranças e dos anciãos.
O Instituto Raoni, fundado por lideranças indígenas, tem papel importante na execução de projetos voltados à proteção do território, ao etnomapeamento e à valorização do conhecimento tradicional. O instituto também atua em campanhas contra o desmatamento e pela defesa dos direitos indígenas em todo o país.
Relações com o Estado e reconhecimento público
Durante períodos de crise, como os incêndios recentes, a comunidade na TI realiza ações coordenadas com órgãos ambientais e outras instituições de apoio. Brigadas indígenas e grupos de monitoramento garantem a resposta rápida e o controle do fogo em áreas de risco.
O cacique Raoni Metuktire, com idade próxima aos 90 anos, é seu principal representante, reconhecido mundialmente como símbolo da luta pela preservação da Amazônia e pelos direitos dos povos indígenas e tem participado de conferências internacionais, encontros com autoridades e campanhas em defesa do meio ambiente, incentivando as comunidades indígenas.
Em 2025, o cacique recebeu a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Aldeia Piaraçu, dentro da Terra Indígena Capoto-Jarina. Durante o encontro, lideranças indígenas discutiram temas como demarcação de terras, proteção ambiental e políticas de fortalecimento da cultura indígena.
O cacique Raoni também já recebeu diversas homenagens e condecorações por sua atuação, além de ser referência em pautas relacionadas ao combate ao garimpo ilegal, à defesa das florestas e à autonomia dos povos originários. Sua trajetória é marcada pelo diálogo com diferentes setores da sociedade, mantendo-se sempre como defensor da integridade do território indígena.
