Documentário revela trajetória histórica de Bernardo Cabral e sua colaboração ao país

Documentário pretende dar amplitude de maneira prazerosa e instigante à vida e obra do amazonense Bernardo Cabral.

Foto: Divulgação

Gravado em quatro cidades brasileiras (Manaus, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo), o documentário Bernardo Cabral, a palavra em ação‘ pretende dar amplitude de maneira prazerosa e instigante à vida e obra do amazonense Bernardo Cabral.

Feito ao longo de 2025, o documentário tem duração de 1h15m e foi produzido e dirigido por Alexandre Pina. Teve o incentivo da Lei do ICMS do Rio de Janeiro, com patrocínio institucional de Siqueira Castro Advogados, Nabor Bulhões Advocacia, CFOAB, Fecomercio e Rede Amazônica, além do apoio institucional da OAB-RJ.

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“O conceito de documentário clássico, cai como luva na obra de Bernardo Cabral. Deixar que o personagem em toda sua sofisticação intelectual e bom humor conduza é o fio que liga os arcos da história. A câmera é mera coadjuvante que segue de perto e se afasta para mostrar com detalhes e contextualizar os momentos em que o país pode se servir de um grande politico devoto da democracia. Com imagens de acervo para dar concretude aos depoimentos, a pesquisa torna-se uma grande força nesse filme sobre o mais importante ator ao lado de Ulysses Guimarães do processo de redemocratização do país”, descreve a produção do filme.

Conservar a contribuição de Bernardo Cabral

O objetivo do documentário é levar às próximas gerações uma história contemporânea e conservar as contribuições de Bernardo Cabral ao país. A direção conta com a sensibilidade de Alexandre Pena, documentarista brasileiro que começou a trabalhar com filmes em produção de biografias como ‘Barão de Mauá’ e ‘Guerra de Canudos’.

Alexandre estudou jornalismo no Rio de Janeiro e fez mestrado na Universidade Federal Fluminense. Já trabalhou em diversos emissoras e produtoras nacionais e internacionais com filmagem e direção de documentários. Implementou a TV Escola, TV Show Turca e fez produção para a TV Globo.

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Nos últimos oito anos dirigiu quatro documentários: ‘Rio de Malta’, sobre o fotógrafo de Pereira Passos, Augusto Malta; outro sobre Aiçor César Nunes e seu cinejornal Revista da Tela; um sobre acervos culturais no Brasil; e por último um filme sobre a participação dos advogados no processo constituinte de 1988.

O documentário terá uma sessão para convidados na Cinemateca do MAM no dia 6 de maio, às 18h, com a presença de Bernardo Cabral; do presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti; do ex-presidente do Conselho Federal da OAB, Felipe Santa Cruz; entre outros.

Quem é Bernardo Cabral?

José Bernardo Cabral nasceu em 27 de março de 1932, em Manaus (AM), onde transcorreu sua formação familiar e educacional, inclusive sua graduação em ciências jurídicas (1954). Graduou-se, também, em ciências contábeis (1950) e psicologia e serviço social (1958).

Foi delegado de Polícia em Manaus (1955) e promotor de Justiça em Itacoatiara (1955-56), também no Amazonas, onde ainda foi chefe do Departamento de Assistência e Previdência Social (1956) e procurador fazendário (1961).

Sua carreira política também se iniciou no Amazonas como secretário de Segurança Pública (1957), secretário de Interior e Justiça (1958 a 1959), chefe da Casa Civil (1959 a 1960) e, posteriormente, deputado estadual (1962 a 1966).

Eleito deputado federal em 1967, pelo estado em que nasceu, perfilou-se na oposição ao regime autoritário e ao movimento político-militar de 1964 (criticando a escalada de medidas governamentais correspondentes) até sua cassação em 1969, como parlamentar, e banimento como cidadão, baseados no Ato Institucional nº 5 de 1968 (editado pelo governo militar), pelo prazo de 10 anos. Nunca foi anistiado pelo regime.

Advogado militante, antes e depois de seu banimento político pelo autoritarismo militar em 1969, teve intenso ativismo social no interior da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da qual foi secretário-geral no período de 1979 a 1981 e seu presidente durante o período de 1981 a 1983, enquanto a entidade se tornava uma das principais lideranças da sociedade civil brasileira na resistência democrática e foi alvo de ataques terroristas contrários à distensão política entre o regime autoritário e seus opositores em curso.

Leia também: Senador José Bernardo Cabral: itinerário de vida exemplar

Documentário revela trajetória histórica de Bernardo Cabral e sua colaboração ao país
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Decorrido o prazo temporal (de 10 anos) do ostracismo político-proibitivo de direitos políticos e de todos os demais direitos correlatos imposto pelo regime autoritário, Bernardo Cabral se candidatou a deputado federal para as eleições legislativas que formariam a Assembleia Nacional Constituinte incumbida de escrever uma nova Constituição brasileira. Foi eleito pelo estado do Amazonas em 1986.

Na Assembleia Nacional Constituinte que funcionou de 1987 a 1988, foi eleito, por meio de disputa interna, à bancada parlamentar do PMDB, relator da Comissão (intitulada de Sistematização) onde convergiam as diversas propostas que tramitavam para a futura Constituição do país.

Posteriormente, com a intensificação das polarizações ideológicas e políticas na Assembleia Constituinte, tornou-se seu relator geral e, consequentemente, parecerista de todos os temas dos debates e articulador em todas as polêmicas relevantes do processo de elaboração da nova Magna Carta. Após a primeira sucessão presidencial democrática (e com voto direto pela população), com o fim do regime autoritário e a promulgação da Constituição de 1988, foi nomeado ministro da Justiça do governo de Fernando Collor de Mello (eleito em 1989). Esteve à frente do Ministério da Justiça por sete meses, abando-o em outubro de 1990.

Em 1994, tornou-se senador da República pelo estado do Amazonas, exercendo o mandato pelo Partido da Frente Liberal (PFL), cujo diretório amazonense presidiu. Encerrando-o em 2002, foi marcado pela articulação e relatoria de reformas constitucionais no campo do Poder Judiciário e correlatos (incluindo a criação do Conselho Nacional de Justiça).

Dentre dezenas de títulos e outras distinções que lhe foram outorgados, é Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO) em 2005, pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em 2009, pela Academia Brasileira de Filosofia em 2010 e é membro da Academia Brasileira de Direito e Economia, desde 2012.

É autor de dezenas de livros, especialmente sobre a região amazônica e legislação sobre recursos hídricos do país, além de centenas de pareceres jurídicos em revistas especializadas. Pela Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou a Magna Carta de 1988, publicou ‘Poder Constituinte: fonte legítima – soberania liberdade’.

Bernardo Cabral exerce a advocacia, ininterruptamente, desde 1969, no estado do Rio de Janeiro (ano e local onde se encontrava quando cassado pelo regime autoritário, o que lhe impôs, à época, restrições de mobilidade), e a consultoria da Presidência da Confederação Nacional do Comércio, desde 2003.

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