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Álbum de figurinhas com árvores mostra às crianças por que é importante preservar as florestas

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A Amazônia tem destaque na coleção com figurinhas de espécies de árvores. Foto: divulgação

A cinco meses da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro em Belém (PA), crianças da capital paraense irão receber um presente especial: o álbum de figurinhas “Árvores do Mundo”, uma iniciativa da Vale que une ludicidade e educação ambiental para falar sobre sustentabilidade de forma leve e descontraída.

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A ação tem como objetivo sensibilizar o público infantil sobre a importância da conservação da natureza e promover o engajamento local em torno da conferência, que reunirá líderes globais para discutir o futuro do clima no planeta. A distribuição dos álbuns e figurinhas será gratuita e começa no dia 14 de junho em Belém (PA).

O álbum, criado em parceria com a agência Africa Creative, ilustra 60 espécies de árvores representativas dos cinco continentes, sendo 10 delas em versões especiais com realidade aumentada. Ao escanear o QR Code com o celular, as crianças poderão ver imagens tridimensionais das árvores e acessar informações educativas sobre cada uma delas.

A Amazônia tem destaque na coleção com figurinhas de espécies de árvores icônicas como castanheira-do-pará, babaçu, sumaúma e seringueira. Também estão presentes árvores de países como Estados Unidos (sequoia-vermelha), China (jasmim-do-imperador), Canadá (bétula-amarela), França (plátano), Itália (choupo-branco), Japão (glicínia), entre outros.

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Distribuição gratuita e eventos nas Usinas da Paz

A distribuição dos álbuns e figurinhas será gratuita e começa no dia 14 de junho, com um evento de lançamento na Usina da Paz do bairro Jurunas, em Belém. Em seguida, a programação continua no dia 18 de junho na Usina da Paz do Bengui, e se encerra no dia 28 de junho na Usina da Paz da Cabanagem.

Durante os eventos, as crianças poderão participar de atividades como: apresentações culturais, brinquedo interativo “roleta da floresta”, que distribui figurinhas extras como prêmios, espaço instagramável para que os participantes se fotografem como se fossem figurinhas do álbum, e ainda vivenciar experiência de realidade virtual, conhecendo as ações de preservação ambiental desenvolvidas pela Vale na região amazônica.

As Usinas da Paz fazem parte do programa estadual Territórios Pela Paz (TerPaz), que promove inclusão social e cidadania em comunidades vulneráveis. Com mais de 70 serviços gratuitos, as unidades oferecem cursos profissionalizantes, reforço escolar, emissão de documentos, atividades esportivas e culturais, entre outros.

“O engajamento das novas gerações é essencial para que sejamos bem-sucedidos no combate às mudanças climáticas. A gente acredita que essa iniciativa conseguirá, de forma lúdica, despertar o interesse das crianças para um tema essencial nesse contexto, a preservação das florestas”, afirma Leandro Modé, diretor de Comunicação e Marca da Vale.

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A Vale na Amazônia

Atuando de forma sustentável na Amazônia há 40 anos, a Vale contribui com a proteção de 800 mil hectares do Mosaico de Carajás, no Pará, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As operações da companhia ocupam cerca de 3% do Mosaico. Na última década, a Vale investiu mais de R$ 1 bilhão em ações socioambientais, pesquisa & desenvolvimento e incentivo à cultura. Deste total, R$ 910 milhões foram voluntários.

Na Floresta Nacional de Carajás, onde fica a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo, estão catalogadas mais de 3 mil espécies de fauna e flora, além de 11 mil nascentes de água protegidas. Para proteger essa área, equipe de guardas florestais mantida pela Vale realiza patrulhamentos diários por terra, ar e água, além do combate a focos de incêndio. A atuação evitou, entre 2021 e 2024, 662 tentativas de atividades como garimpo ilegal, caça e pesca predatórias e extração de madeira.

Em 2019, a Vale se comprometeu com seis metas de sustentabilidade alinhadas à Agenda 2030 da ONU. Uma delas é a Meta Florestal Vale. A iniciativa prevê a recuperação de 100 mil hectares de áreas e a proteção de outros 400 mil hectares de florestas, além das fronteiras da companhia, até o final desta década. Esse compromisso voluntário vai além das exigências regulatórias, consolidando-se como uma estratégia inovadora de solução climática liderada pelo setor empresarial.

Cinco composições marcantes de Paulo Onça interpretadas por artistas consagrados

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Foto: Reprodução/Amazon Sat

O talento do compositor amazonense Paulo Onça ultrapassou as fronteiras do Amazonas e chegou aos palcos nacionais por meio das vozes de artistas consagrados da música brasileira e até internacionais.

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Com mais de quatro décadas de carreira e mais de 130 composições, Paulo Onça se destacou muito além do Amazonas e na Região Norte com seus trabalhos autorais, ao ter canções interpretadas por artistas renomados como Leci Brandão, Jorge Aragão, Exaltasamba, entre outros.

Leia também: Paulo Onça: o sambista amazonense de sucesso nacional

Confira cinco composições em que Paulo Onça participou e se tornaram sucesso por meio das vozes de artistas consagrados:

‘Feitio de Paixão’

Sem subornar teu coração, com feitio de paixão
Farei tudo pra ganhar tua confiança
Com a esperança de aprendiz
Juro que vou te fazer feliz

A música ‘Feitio de paixão’, nacionalmente conhecida na voz de Jorge Aragão, é uma composição feita em parceria entre Paulo Onça e Paulinho Carvalho. Esta é uma das canções de Jorge Aragão mais regravadas e também a obra mais tocada do artista nos últimos dez anos em rádios, shows, festas e sonorização ambiental no país. 

A canção foi gravada por Jorge Aragão em 1988, sendo uma das primeiras composições de Paulo Onça a ficarem em evidência no cenário nacional.

‘Ivete do Rio ao Rio’

“A grande Rio vem dar um banho de axé
Salve! Toda essa gente de fé
O tambor da invocada promete
Levanta a poeira Ivete”

A música ‘Ivete do Rio ao Rio’ é um samba-enredo da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio para o carnaval de 2017, que homenageou a cantora Ivete Sangalo. A letra da música conta a história da cantora, desde a sua infância no sertão baiano até a sua trajetória musical, incluindo a passagem pela Banda Eva e sua carreira solo. A música também foi regravada posteriormente pela própria Ivete Sangalo

Entre os nomes na composição desta música, além de Paulo Onça, estão: Alan Da Costa De Vasconcelos, Carlos Luiz Lima Rodrigues, Marco Aurelio De Oliveira Damas, Rubens De Andrade Junior, Wanderson Luis Pinto Artigliri. Detalhe, Onça aparece com seu nome de batismo: Paulo Juvêncio De Melo Israel.

‘Cartilha do amor’

“Eu bem quis acertar fiz de tudo pra ver
O jardim florescer nosso amor perfumar
Mas quem dera se a paz de repente pudesse voltar
E abraçar tudo aquilo de bom que ainda restou
Foram tantas lições….é a prova geral
Na cartilha do amor não se pode ser colegial”

Conhece esse trecho? A música ‘Cartilha do Amor’, escrita por Paulo Onça e Royce do Cavaco, conquistou o cenário nacional ao ser gravada pelo grupo Exaltasamba. Com uma letra que aborda de forma sensível e madura os desafios da vida a dois, a canção se destacou por sua mensagem direta e emocional, estando presente no álbum ‘Eterno Amanhecer’, de 1992.

‘É melhor refletir’

“Dá pra notar no teu olhar
Má impressão ficou de um amor assim
Foi um vendaval, mal deu pra desfrutar
Daquele amor que foi total, o que sobrou fez tanto mal
Não sei se errei, mas eu sei
Que tenho meu valor
Não há motivo pra tanto rancor”

‘É melhor refletir’ surgiu de outra parceria de Paulo Onça com Royce do Cavaco. O samba ficou conhecido nacionalmente na voz da cantora carioca Leci Brandão em 1989. A música está presente no álbum da artista ‘As coisas que mamãe me ensinou’.

Composição em italiano?

“Senza paura consegna sacra
Viene a mostrarti intenso desiderato
Viene il tempo piu viene
Con quel cocktail de belezza”

Além de português, Paulo Onça também se arriscou a compor em italiano. A canção ‘Consegna Sacra‘, gravada pelo grupo Duo Napolitano foi escrita em conjunto com o então desembargador no Amazonas, Flávio Pascharelli, amigo de Paulo Onça, de ancestralidades no país europeu.

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia

Quatro animais da Amazônia que são “infiéis”

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Fotos: Reprodução

O Dia dos Namorados é celebrado no dia 12 de junho no Brasil com muitas declarações de amor eterno. A fidelidade é um dos tópicos que envolvem essa relação, inclusive entre os animais amazônicos. Um exemplo clássico é a arara, que vive sua vida inteira ao lado do mesmo parceiro. Mas existe infidelidade no mundo animal?

Leia também: Amor na Floresta Amazônica: 5 animais que ensinam lições da natureza para o Dia dos Namorados

Na verdade, o conceito de “infidelidade” entre animais é diferente do sentido humano, pois para eles os sistemas de acasalamento se tratam de estratégias reprodutivas, para manter a espécie, sem necessariamente um vínculo romântico como ocorre entre seres humanos.

Por isso que alguns animais são monogâmicos, sim, mas boa parte segue a vida com múltiplos parceiros, sendo:

  • poliândricos: união em que uma só fêmea é ligada a dois ou mais machos ao mesmo tempo;
  • poligínicos: forma de poligamia em que um macho possui duas ou mais parceiras;
  • promíscuos: indivíduo que acasala com múltiplos parceiros.

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Assim, na Amazônia brasileira, muitos animais não seguem relações monogâmicas e acabam conhecidos por sua “infidelidade” que, na verdade, trata-se de uma estratégia evolutiva comum para aumentar o sucesso da sobrevivência da espécie:

Macaco-prego (Sapajus spp.)

O macaco-prego é um desses animais “infiéis”, pois seus sistemas de acasalamento são poligínico e promíscuo. As fêmeas acasalam com múltiplos machos durante o cio. Isso pode reduzir infanticídio, pois os machos não sabem quem é o pai.

Leia também: Conheça espécies de macacos que só são encontradas na Amazônia

Macaco-prego-castanho. Foto: Andra Waagmeester

Onça-pintada (Panthera onca)

Com um sistema de acasalamento do tipo promíscuo, tanto machos quanto fêmeas acasalam com múltiplos parceiros ao longo do tempo. A fêmea pode escolher o macho mais forte, mas copula com outros, e o macho vai embora após o acasalamento.

Leia também: Descubra 6 curiosidades sobre a onça-pintada

Onça-pintada. Foto: Emiliano Ramalho/Instituto Mamirauá

Jaçanã (Jacana jacana)

Esta ave tem um comportamento poliândrico. Como a fêmea é maior e mais territorial do que os machos, diferente da maioria das aves, ela acasala com vários machos dentro de seu território. E são eles os que constroem os ninhos e cuidam dos filhotes.

Leia também: Jaçanã, a ave que ‘anda’ sobre as águas

Foto: Divulgação/Agência Ambiental Pick-upau

Boto vermelho (Inia geofrensis)

Os botos amazônicos tem o sistema reprodutivo promíscuo, no qual machos e fêmeas acasalam com múltiplos parceiros. Um dos comportamentos interessantes é que os machos competem entre si para conseguir “conquistar” as fêmeas. E a fêmea cria o filhote sozinha por um longo período, de 2 a 3 anos.

Leia também: Entenda a diferença de comportamento entre os botos da Amazônia e se eles são mesmo “implicantes”

Boto-vermelho, também conhecido popularmente como boto cor-de-rosa. Foto: Reprodução/AMPA

Casal paraense mapeia águas nas fronteiras do país durante viagem de motocicleta

Casal percorre fronteiras do Brasil em motocicleta. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Para celebrar o Dia dos Namorados, Nesta quinta-feira (12), o Grupo Rede Amazônica conta a história do casal paraense Antonino Alves Brito, de 50 anos, e Maria José Brito, de 47 anos. Eles decidiram dar uma pausa na rotina e partir para uma aventura: viajar o Brasil inteiro em uma motocicleta. A parada da vez é o Amapá.

Eles já visitaram nove cidades do Brasil e pretendem percorrer mais de 15 mil quilômetros de fronteira terrestre e 7 mil quilômetros de fronteira marítima.

Maria é nutricionista e Antonino era secretário adjunto de educação na cidade em que morava. Mas, a rotina mudou quando o motociclista decidiu que era hora de juntar a paixão antiga pela estrada, com um projeto diferente e que contribuísse com melhorias para a sociedade.

“Como nós somos do Pará, de Parauapebas, aquilo ficou na minha cabeça. E viajar de moto é interessante porque tá só você, o capacete e a estrada. Então você tem muito tempo para pensar”, disse Antonino.

Leia também: Casal percorre a Amazônia a bordo de Kombi inspirada na Máquina de Mistérios de ‘Scooby-Doo’

A jornada do casal iniciou há 12 anos, apenas por diversão. Mas há 6 meses, os dois deram início à expedição ‘Água de fronteiras’, um levantamento sobre a qualidade das águas na fronteira do país. Ao final, um relatório será apresentado na COP30, que acontecerá em Belém este ano.

Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Quando Maria conheceu Antonino, ele já era um aventureiro das estradas. A mulher embarcou na aventura e seguiu com a criação do projeto em conjunto com o amado, movida pela pesquisa e pelo amor.

“Foi paixão também, por ser companheira dele […] São duas coisas bem importantes, o amor e confiança na pessoa. Isso me fez caminhar junto com ele e fazer esse trabalho, juntos”, disse.

Ele e a companheira se tornaram inseparáveis, enfrentando desafios e desfrutando de momentos incríveis em suas jornadas. Antonino falou que a companhia da esposa é indispensável nos momentos de pesquisa e aventura, o que torna todo o movimento ainda mais especial.

Os dois levam dos lugares onde passam, apenas as memórias um com o outro e as fotografias. As caixas na lateral da moto são o guarda-roupa do casal.

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Antonino contou ainda que muitos momentos foram vividos nas estradas. Apesar dos cenários lindos e marcantes como a passagem entre Paraguai e Uruguai, o casal já passou por momentos de sufoco na estrada.

“Passamos por um quase acidente no Nordeste em 2016. Por volta daquelas 18h, difícil de enxergar e chovendo […] muitos animais na pista. E naquele momento nós nos deparamos com três jumentos no meio da pista. Maria teve que gritar pra que eu pudesse despertar. Que eu tava vendo na realidade dois e eram três”, disse.

No Amapá, os aventureiros já visitaram Macapá, a cidade de Amapá, a Vila de Sucuriju, Calçoene, Oiapoque e Serra do Navio. O próximo destino é Santarém, no Pará.

Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

“A gente está gostando muito do estado. É muita riqueza natural, muita água, muita gente interessante para a gente conversar. Nós gostamos muito daqui, muito bacana. É muita área ambiental preservada também. Um dos estados da Amazônia Legal que menos foi explorado. Então isso é bem interessante”, disse.

No início da vinda ao estado do Amapá, o motociclista contou que algumas pessoas o desencorajaram. Ele disse que o coração chegou a apertar ao ouvir sobre as dificuldades na estrada.

A gente tem se surpreendido com algumas falas como: “É muito difícil, não vai lá, é muito complicado”. E a gente vai lá e é um negócio diferente, é bacana. A estrada estava tranquila”, explicou.

Leia também: Fusqueiro viajante visita os 217 municípios do Maranhão: “Precisa ter planejamento, gostar de viajar e ser desapegado”

Em um vídeo, o casal registrou o momento de ida à praia do Goiabal, no município de Calçoene. Nas imagens é possível ver que uma cachoeira se abriu no meio da estrada. O casal fica com receio de atravessar devido à força da água.

Mesmo não sendo da área, casal buscou se especializar em recursos hídricos. Os dois apresentaram o projeto em fevereiro à Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Casal segue viagem após visita ao Amapá. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

A Uepa fornece o apoio técnico-científico e orienta as análises hídricas com a utilização dos equipamentos corretos, para que o trabalho seja validado.

“O princípio foi apreensivo, por ser um projeto muito grande, abrangente, mas graças a Deus hoje eu fico muito feliz. Também estou estudando sobre recursos hídricos, fazendo uma especialização e isso está abrindo os olhos cada vez mais sobre a importância que tem a água para todos nós, sobre o nosso meio ambiente, que a gente deve tanto cuidar”, disse Maria.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Fraseologias demonstram “jeitinho paraense” de se expressar quando o assunto é namoro

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Foto: Reprodução/Design by Freepik

Se o paraense se apaixona, se casa, está interessado por alguém ou se é infiel, pode ter certeza de que ele tem um jeito bem específico de expressar isso. Quem nunca ficou ‘encegueirado’ ou ‘virou canoa’ por alguém? Ou tem um amigo que não pode namorar que já ‘quer se amigar’?

Na ciência, essas expressões são chamadas de “fraseologias”, construções linguísticas formadas por, no mínimo, duas palavras, que se instituem pelo uso, pela frequência e não pedem permissão da gramática normativa para existir.

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Uma forma de resistência, já que as fraseologias emergem de um contexto social que deve ser valorizado, como explica a professora Carlene Salvador, do curso de Letras-Língua Portuguesa, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus Belém (PA). A professora coordena o projeto de pesquisa ‘Banco de Dados fraseológicos do Pará’ e já reuniu mais de duas mil fraseologias no estado.

“Muitas vezes essas expressões nascem a partir de um grau de informalidade e se fazem entender completamente, com uma linguagem que chega na população, que a identifica, mas que são discriminadas pela norma culta. O que se percebe é que as fraseologias emergem independente do nível de formação do falante e algumas extrapolam a bolha de onde costumam emergir”, diz.

Quando o assunto é relacionamento, ela explica que o paraense tem formas específicas e objetivas de se expressar: “Fraseologismos são revestidos de dois troncos, a metáfora e metonímia. Então o falante vai buscar, nessas unidades, refletir como é o seu dia a dia, como são seus sentimentos, atividades no trabalho. Ele vai representar nessas unidades essa configuração mais regional, que é como a fraseologia representa parte da vida desse indivíduo, quando ele diz, por exemplo, “tu é canoa”, é porque a ponta da canoa é guiada por alguém que não está na ponta, mas atrás. O falante vai usar unidades que estão dentro do seu campo lexical”, diz.

Já outras fraseologias surgem como uma forma de fugir do comum e ser original.

“Algumas fraseologias da nossa região são muito relacionadas à sexualidade. E esse caráter metafórico eu vejo como um sentido de burlar um tabu, de ser direto em uma unidade que trata desse assunto. Há formas consideradas ‘mais sensíveis’ de falar sobre o ato sexual. Mas quando o paraense usa fraseologias ao invés de dizer “fazer amor”, por exemplo, é uma forma de sair do tabu”, diz.

Dependendo da região, algumas fraseologias são mais frequentes ou recebem influências de outros estados. “Existem expressões ditas em Belém que não são frequentes no sul do Pará e vice-versa. As comunidades linguísticas se comportam de forma diferente de acordo com a localização geográfica. O território implica no falar e na valorização da língua”, diz Carlene Salvador.

Leia também: Telezé: conheça gírias e expressões do vocabulário amazônico

Mesmo rica na forma de se expressar, a professora explica que na região Norte ainda há uma escassez de trabalhos na área fraseológica.

“Nós queremos institucionalizar essas fraseologias, estudá-las, colocá-las em dicionários. Essas expressões são deixadas à parte, porque são consideradas apenas como gírias. E não são simplesmente gírias, são nossa cultura. O estudo que estamos fazendo não é apenas uma contribuição para a linguística, mas uma valorização cultural da parte descritiva, não só normativa. É preservação da língua, daquilo que só tem aqui, e emergiu daqui”, diz a professora.

O projeto tem três fases: coleta, análise e catalogação. E 22 municípios já tiveram o mapeamento realizado.

Confira cinco fraseologias mapeadas no projeto:

“Tá encegueirado” – Muito apaixonado, que não enxerga mais nada além da pessoa amada

“Tu é muito canoa” – Gosta de estar sempre acompanhado do parceiro, o parceiro que guia as atividades

“Bora se amigar” – Se juntar, morar juntos

“Levaram a moleca do irmão” – Traição, infidelidade

“Tu já quer” – Se interessar por algo ou alguém

*Com informações da UFRA

Focos de calor no Amazonas têm nova queda: 37,5% em maio de 2025, informa Ipaam

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Monitoramento realizado pelo Ipaam no estado registrou queda dos focos de calor. Foto: Reprodução/Arquivo Ipaam

O Amazonas registrou uma queda no número de focos de calor em maio de 2025, de acordo com o Instituto de Proteção Ambiental do estado (Ipaam). O órgão informou que, do dia 1º até 31 de maio, foram identificados 25 focos de calor, enquanto no mesmo período do ano passado haviam sido registrados 40, o que representa uma redução de 37,5%.

Focos de calor são pontos de alta temperatura em um determinado local. São detectados por satélites de monitoramento e usados para identificar possíveis queimadas ou incêndios, mas não representam necessariamente um incêndio florestal.

Leia também: Registro de desmatamento e focos de calor cai no Amazonas em março, aponta Ipaam

O número de áreas desmatadas também apresentou uma redução. No último mês, foram identificados 9.649 hectares de desmatamento, enquanto no ano anterior o total foi de 12.229 hectares, resultando em uma diminuição de 21,09%.

A coordenadora do Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas (CMAAP), Priscila Carvalho, ressaltou a cautela na análise dos dados sobre focos de calor e destacou a cooperação entre os entes ambientais e as Forças de Segurança

“O Ipaam monitora as áreas desmatadas e acompanha os focos de calor, colaborando com os bombeiros na atuação e prevenção. A integração entre os órgãos ambientais e as autoridades competentes é fundamental para garantir a proteção da nossa floresta e a redução desses índices”, explicou.

Dados e multas

Os municípios que lideraram os registros de focos de calor em março foram, segundo o Ipaam:

  • Manicoré: 14
  • Autazes: 3
  • Iranduba: 2

Já em relação aos municípios com as maiores áreas desmatadas foram:

  • Apuí – 4.015 hectares
  • Lábrea – 1.342 hectares
  • Novo Aripuanã – 851 hectares

O desmatamento ilegal, conforme o Decreto Federal nº 6.514/2008, pode resultar em multas de R$ 5 mil por hectare ou fração da área afetada. Esse valor pode ser dobrado em caso de uso de fogo ou incêndios ilegais. Além disso, as áreas desmatadas podem ser embargadas e os equipamentos utilizados na prática ilegal podem ser apreendidos.

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Queimadas não autorizadas em áreas agrícolas, destinadas à renovação de pastagens ou cultivo, também são passíveis de autuação, com multas de R$ 3 mil por hectare, conforme o mesmo decreto.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Os hábitos franceses em Porto Velho do início do século 20

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Avenida Sete de Setembro, seus botequins, cafés, cinema, saraus, boemia, moda, poesia e um coreto em plena via pública. Foto: Autor desconhecido/CDH-RO

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Durante a Belle Époque Tropical (1871-1920), o francês era a língua da sofisticação, símbolo de cultura, arte, moda e gastronomia em todo o mundo. Em Porto Velho – assim como em Manaus e Belém –, esse refinamento europeu encontrou solo fértil, impulsionado pelo Ciclo da Borracha e a prosperidade da época, moldando costumes e comportamentos.

As mulheres adotavam vestidos ajustados com cinturas bem marcadas, mangas volumosas e adornos delicados, como rendas e bordados. O espartilho era indispensável, assim como a moda do “peignoir” e da anágua. Sombrinhas e bengalinhas complementavam os trajes femininos.

“Chegaram pelo último vapor, de Paris e Hamburgo, chapéus e enfeites os mais modernos para senhoras. Tem sempre um grande sortimento de toucas e véus para luto”. Foto: Reprodução/Acervo Alto Madeira

Já os homens preferiam vestimentas formais: calças justas, coletes, casacos refinados e “cravates”, sendo comum a venda de colarinhos avulsos. O chapéu era um item essencial para ambos os sexos, com modelos adornados para as mulheres e estilos europeus para os homens. As crianças também seguiam a tendência: os meninos vestiam fatinhos e “bonets”, enquanto as meninas ostentavam vestidos enfeitados com fitas e laços.

Essa atmosfera requintada fomentou o surgimento de modistas e alfaiates especializados em tecidos nobres. Acessórios como leques, bengalas e chapéus eram indispensáveis.

Entre ceroulas e discos para gramofone, a última moda para homens em Porto Velho. Foto: Reprodução/Acervo Alto Madeira

O estilo de vida também incluía perfumes sofisticados, cinema, instrumentos musicais e uma gastronomia refinada, elementos que promoviam uma valorização da vida e da autoestima.

Um dos reflexos desse cenário foi a loja Au bon marché, que comercializava perfumes, armarinhos e calçados. Seu nome era uma homenagem à Le Bon Marché de Paris, considerada uma das primeiras lojas de departamento do mundo e pioneira na transformação do varejo desde sua fundação em 1838. Inicialmente propriedade de Salin Bouez, a filial porto-velhense passou posteriormente para Abdon Jacob Atallah, consolidando-se como um ponto de referência na cidade.

Propaganda da época. Foto: Reprodução/Acervo Alto Madeira

Cafés à moda parisiense

O Café Central, embora administrado inicialmente por espanhóis, trazia fortes referências aos hábitos franceses e se destacava como o mais movimentado. Concorria com estabelecimentos igualmente requintados, como a Rivas – que combinava café e restaurante – e o Café Rio Branco, conhecido por suas exclusividades: sorvete, água gelada da marca Astra, proveniente de uma fonte paraense, o renomado café Moka e uma seleção de importados, incluindo avelãs, passas e outras iguarias exóticas.

Outro reduto de elegância e convívio era a Phenix, um botequim-cafeteria de origem portuguesa, que oferecia uma variedade de sabores e experiências. Seus frequentadores desfrutavam de bilhares, aperitivos finos, frios, frutas, mariscos, coalhada, queijos e requeijões mineiros, além dos irresistíveis doces de cupuaçu e araçá-do Pará. A atmosfera era enriquecida por música ao vivo todos os dias, interpretada por um terceto. O local mantinha ainda uma parceria estratégica com a empresa Fontinelle & Cia, de Manaus, que viabilizava a operação de um cinema, tornando a experiência ainda mais completa.

A elite porto-velhense também cultivava o gosto por eventos refinados. Reuniões privadas, conhecidas como soirées, eram comuns nas residências da cidade, oferecendo jantares requintados, vinhos selecionados e o popular creme de chocolate, verdadeira sensação da época. O termo francês soirée designa encontros sociais realizados à noite, onde música, dança, literatura, teatro e boas conversas fluíam naturalmente.

Além dos cafés e botequins, os bailes de máscara, à fantasia e de carnaval eram promovidos pelo Clube Internacional, celebrando o glamour e o espírito festivo da cidade. Concursos elegiam as donzelas mais belas de Porto Velho por meio de votos impressos em cupons fornecidos pelo jornal local. A música desempenhava papel fundamental nesses eventos, com a Orquestra Filarmônica de Santo Antônio marcando presença e enriquecendo as celebrações com suas apresentações memoráveis.

Esses cafés e encontros sociais não eram apenas espaços de convívio, mas verdadeiros cenários onde a sofisticação e o charme europeu se manifestavam, moldando um período de requinte e transformação cultural na nascente cidade, surgida em 1907 com a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e instalada, oficialmente, em 1914.

A chegada das bebidas e o florescimento do cinema

A boemia porto-velhense ganhou um novo encanto em 1912 com a introdução de duas marcas genuinamente manauaras: o Chope Amazonense e a Cerva XPTO. Essas bebidas rapidamente conquistaram os paladares da cidade. O responsável por apresentar essas novidades foi Carolino Corrêa, representante vindo de Manaus, que ajudou a consolidar a cultura da cervejaria na região.

O rótulo da famosa XPTO. Abreviação de “ΧΡΙΣΤΟΣ” (Christos), que significa “Cristo” em grego. Era também uma gíria equivalente a “Ok” em Portugal. A indústria foi adquirida pela Brahma em 1972. Foto: Reprodução/Blog do Rocha

Desde 1912, Porto Velho contava com o Cine Caripuna, inicialmente chamado Lé Cinéma, fundado pela influente Família Bouez. Já em 1917, a cidade viu crescer o prestígio do Cine Phenix, que se tornou a principal casa de espetáculos e também servia como auditório para apresentações musicais.

Equipado com tecnologia da empresa francesa Pathé Fréres, adquirida pela Fontinelle & Cia, de Manaus – parceira dos Irmãos Rosa –, o local mantinha uma sofisticada cafeteria e bar ao lado. Em seus salões, os concertos ao bandolim dos músicos Hormisdas Oliveira e João Pinto da Silva, em 1917, foram recebidos com grande entusiasmo.

Os irmãos Rosa. Foto: Divulgação

O envolvimento dos Irmãos Rosa no cenário cultural de Porto Velho foi marcante. Em 1923, inauguraram o Cine-Bar Rosa, vinculado ao Café Phenix, onde arrendaram equipamentos da Fontinelle, sediada em Manaus. O avanço continuou após a Belle Époque. Em 1925 surgiu o Cine-Bar Ypiranga, que além das projeções cinematográficas, abrigou o Grêmio Dramático Pela Pátria, fomentando eventos artísticos e encontros sociais. No mesmo ano, foi fundado o Cinema Avenida, ampliando as opções de lazer na sempre festeira cidade de Porto Velho.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Milton Cunha comanda programa em parceria com a UEA no Festival de Parintins 2025

Milton Cunha apresentará o programa ‘Toada do Milton’. Foto: Gustavo Rodrigues/Ascom UEA

Com imersão na tradição da maior festa folclórica a céu aberto do mundo, pela primeira vez Milton Cunha comandará um programa direto de Parintins, nos três dias do Festival Folclórico amazonense.

O programa ‘Toada do Milton’ será transmitido, ao vivo, da praça da Catedral, na ilha tupinambarana, com duração de 3 horas pelo canal oficial do YouTube da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), nos 3 dias do festival (27 a 29 de junho), com diversos quadros que foram pensados para regionalizar as entrevistas e transportar os convidados a uma viagem na história dos bumbás Caprichoso e Garantido, além de outros setores da cultura local.

Leia também: Milton Cunha: conheça o paraense com coração de carnavalesco

O projeto é realizado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com o Governo do Amazonas, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas e a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur).

Para o reitor da UEA, Prof. Dr. André Zogahib, a ação — que integra um projeto de extensão da universidade — no Festival de Parintins, vai movimentar o município durante a festa dos bumbás:

“É com muita honra que anuncio a presença do artista Milton Cunha que, além de ser carnavalesco, reconhecido e renomado nacionalmente, tem uma série de formações acadêmicas. Inclusive, ele é doutor, com pós-doutorado em diversas segmentações culturais na Universidade Federal do Rio de Janeiro, da qual ele, também, é professor. Então, o acadêmico Milton Cunha estará presente nesse grande movimento festivo e cultural que é o Festival de Parintins”.

Já Milton Cunha destaca que o programa proporcionará, ao público, uma série de visões, entrevistas, ângulos de pensamento sobre o espetáculo, porém fora do bumbódromo e no período da tarde.

“A alegria de voltar a Parintins e me deparar, novamente, com a opulência da manifestação dos bumbás, agora está acrescida desse orgulho de estar num projeto acadêmico popular que lança a luz sobre os outros horários da ilha. Feliz de estar participando disso, de levar para o Brasil essa riqueza de pensamentos sobre quem está ali no entorno do espetáculo dos bois. Será um espaço de outra fala, uma outra visão”, pontuou.

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O titular da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Caio André, destacou a participação da UEA na difusão do conhecimento: “A UEA é a nossa principal formadora no campo das artes (na Música, no Teatro, na Dança, nos produtores culturais). E trazer o Milton Cunha, que é referência na cultura popular brasileira, para que deixemos para gerações futuras um documentário registrado, e um programa maravilhoso, é algo que nos engrandece e fortalece a nossa identidade cultural. E tem tudo para dar certo”.

‘Toada do Milton’

Milton Cunha receberá os convidados em um estúdio que foi pensado para que, além dos telespectadores do canal, os visitantes da ilha também possam acompanhar, de perto, vivenciando o clima de festividade que invade Parintins no mês de junho e que, agora, fará parte do programa.

O programa, além de ser uma ferramenta que mostrará a importância da formação de pesquisa de extensão universitária no cotidiano do festival, servirá como base para a produção do terceiro pós-doutorado de Milton Cunha pelo Museu Nacional e Laboratório de Estudos do Discurso Imagem e Som (Labedis).

A UEA fará, na mesma estrutura do estúdio, uma exposição universitária com projetos desenvolvidos por professores, alunos e colaboradores da instituição durante os 25 anos de fundação da universidade.

*Com informações da UEA

Pesquisa aponta que marabaixo e tecnobrega são práticas culturais dominantes em Macapá

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Marabaixo é eleito principal evento cultural do estado. Foto: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo

Uma pesquisa nacional aponta que em Macapá, o marabaixo, technobrega, Fortaleza de São José e o açaí (na gastronomia) são as práticas culturais dominantes entre os moradores. O levantamento foi apresentado no dia 10 de junho, no Centro de Cultura Negra do Amapá.

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A pesquisa é feita pela Jleiva Cultura & Esporte, em parceria com o instituto Datafolha. Em Macapá, 600 pessoas a partir de 16 anos de diferentes regiões e níveis econômicos foram entrevistadas entre 19 fevereiro e 22 de maio de 2024.

Ao total , a pesquisa já realizou 19.500 entrevistas nas 26 capitais brasileiras. Os dados servem como um parâmetro para a melhor compreensão das culturas locais, que revelam as tendências e nova possibilidades para impulsão do setor cultural no estado.

João Leiva, que é o coordenador da pesquisa Cultura nas Capitais, explicou que as conclusões do levantamento mostram que houve queda no acesso à cultura no meio das pessoas mais velhas.

“Nos países desenvolvidos isso começa a acontecer a partir dos 60 ou 70 anos muitas vezes. No Brasil, isso começa a partir de 50 anos e isso bate com a questão das políticas culturais, porque boas partes dessas políticas são voltadas para os jovens”, disse.

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Dados das práticas culturais

O marabaixo foi o mais votado como o principal evento cultural de Macapá, por 21% da população. Dados superam o das festas juninas (10%), carnaval (8%) e outros eventos musicais (3%).

“Houve uma pesquisa séria sobre o setor cultural e eu fiquei muito feliz […] O marabaixo foi uma das culturas que mais cresceram. Para nós marabaxeiras, que têm esse pertencimento, que têm essa ancestralidade, só tenho a agradecer”, disse Elisia Congó, coordenadora do Centro de Cultura Negra Raimundinha Ramos.

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A Fortaleza de São José foi eleita o o espaço cultural mais visitado e o ritmo technobrega é a maior preferência local, com 17%. A porcentagem de preferência do ritmo é maior que a média nacional, de 1%.

Fortaleza de São José de Macapá. Foto: Camila Karina Ferreira

O açaí foi escolhido com o principal prato típico de Macapá, por 35% dos macapaenses. O número supera o de Belém, onde o prato foi apontado por 16% dos entrevistados.

Os dados coletados são usados no desenvolvimento de ações concretas e inclusivas, conforme às necessidades específicas dos diversos grupos avaliados.

*Por Isadora Pereira e Raylana Dantas, da Rede Amazônica AP

Negócio da floresta: mulheres ribeirinhas criam biojoias e geram renda local

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Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

“Somos a primeira marca que sai da comunidade do Carão. Eu quero que a marca seja referência da região amazônica”.

É dessa forma que a empreendedora Regina Ramos, uma mulher cabocla ribeirinha, fala da Sapopema Biojoias, um negócio inovador que utiliza matéria-prima da floresta para fabricação de acessórios de moda sustentável, garantindo geração de renda para seu território, principalmente para mulheres artesãs, e contribuindo para a proteção da Amazônia.

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A Sapopema atua na comunidade ribeirinha do Carão, localizada no município de Iranduba (a 27 quilômetros da capital amazonense) – Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, na Região Metropolitana de Manaus.

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mulheres ribeirinhas criam biojoias
Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

A ideia nasceu em 2017. Na época, Regina sofria com síndrome do pânico e ansiedade generalizada, além de ser mãe solo, enquanto o artesanato ajudava como terapia ocupacional. Ali, ela enxergou a oportunidade de iniciar o próprio negócio: a Sapopema.

“As pessoas [amigos, vizinhos] foram querendo comprar as peças, porque eram diferentes. Isso começou a ser minha fonte de renda”, explica a fundadora, designer e CEO do negócio.

Desde então, a empresa passou a fabricar colares, brincos, pulseiras e outros itens de moda sustentável, duráveis e que representam a essência do ribeirinho e do caboclo. Tudo isso a partir de elementos da floresta, como sementes, fibras naturais, frutos secos e outros elementos, que são extraídos de forma sustentável e sem qualquer agressão ao meio ambiente.

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Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

Segundo ela, os primeiros momentos foram desafiadores. Mesmo com um variado catálogo de produtos, Regina não tinha sucesso na hora de fidelizar clientes e não conseguia fazer muitas vendas.

Isso não é um cenário isolado, pelo contrário, muitos empreendimentos enfrentam essa realidade. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que 56,56% das startups brasileiras não possuem faturamento, o que resulta em uma falência precoce logo nos primeiros anos de operação. Há várias razões para isso, mas especialistas apontam que falta equilíbrio entre o produto/serviço oferecido e a demanda do mercado.

Em um determinado momento, Regina cogitou encerrar as atividades da Sapopema e fazer da fabricação de biojoias apenas uma renda extra ou somente uma terapia ocupacional. Mas o aceite recebido pela primeira Chamada de Negócios do “Lab de Impacto”, coordenado pelo Impact Hub, mudou tudo.

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Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

“Havia muitas portas fechadas enquanto biojoias. Queria migrar para um outro negócio que me desse mais autonomia, queria investir em turismo. Foi quando me inscrevi para o ‘Lab de Impacto’, porque queria migrar para este novo negócio. Quando me fizeram a proposta de continuar a Sapopema, eu fiquei um pouco receosa, mas fiz. Passei a investir mais em marketing, em estratégias de negócio e no processo de reconhecimento da marca. Ainda não terminou, estamos trabalhando nestes pontos”, enfatiza Regina

No decorrer de quatro meses, no Lab de Impacto, a Sapopema foi contemplada com formações especializadas, mentorias, conexões estratégicas com outros atores do mercado e um capital semente de R$ 30 mil para alavancar os resultados.

Ao longo da formação, a empreendedora da floresta viu as oportunidades, antes sem possibilidade, começaram a se abrir. Atualmente, o negócio possui mais de três mil seguidores no Instagram, exporta seus produtos para todo o Brasil e oportuniza renda para outras mulheres artesãs da comunidade. Além disso, o negócio já teve suas peças expostas em feiras e eventos nacionais e internacionais, conquistando quem acredita e valoriza os produtos da floresta.

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Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

“O valor da Sapopema está na essência originária que cada peça de moda carrega. Eu quero que seja uma marca referência da região amazônica. Meu foco principal é fazer com que seja a voz do Norte através da biojoia, a voz do ribeirinho através da biojoia”, finaliza Regina.

Mais sobre o Lab de Impacto

O Lab de Impacto é um programa de aceleração coordenado pelo Impact Hub Manaus. A iniciativa apoia negócios de impacto socioambiental nos nove estados da Amazônia Legal, oferecendo formação especializada, mentorias, conexões estratégicas e capital semente que varia entre R$ 30 mil e R$ 100 mil.

Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

Ao longo de três edições, o programa recebeu 319 inscrições de negócios em fase de Piloto ou MVP (Minimum Viable Product). Atualmente, mais de 20 iniciativas seguem ativas com apoio do Lab, atuando em setores como alimentação, piscicultura, gestão de resíduos, turismo e moda sustentável.

O Lab de Impacto é uma realização do Impact Hub Manaus, em parceria com a Bemol, Singulari Consultoria e Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA).