Home Blog Page 299

Fazenda Experimental em Mato Grosso adota coleira para detecção de doenças

0

A Fazenda Experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) é o espaço para o desenvolvimento de uma iniciativa que pode facilitar a detecção de doenças antes do agravamento de sintomas. O trabalho desenvolvido por pesquisadores russos será aplicado com a coleta de dados a partir de inteligência artificial em que uma coleira reúne dados dos animais e envia por meio de Wi-Fi para a nuvem, com acesso possível para pesquisadores em formato remoto.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Os indicadores medem doenças como mastite, brucelose, endometrite e leucose. “A coleira avalia parâmetros dos animais para detectar de forma precoce algumas doenças de cunho produtivo e infeccioso. Mato Grosso é o primeiro lugar no Brasil onde será testado com as vagas da fazenda experimental. Com a implantação será desenvolvida uma pesquisa para validação das informações com o acessório que será inserido nas vacas”, pontua o professor Emílio Azevedo, diretor da Fazenda Experimental. Ao todo serão implantadas 10 coleiras em vacas da Fazenda Experimental.

A mastite bovina consiste em uma patologia que reduz a produção e a qualidade do leite da vaca, enquanto a endometrite é uma inflamação uterina que pode ocorrer de forma aguda ou crônica, frequentemente associada a infecções bacterianas. Já a leucose bovina é uma doença infectocontagiosa causada por vírus também afetando a produção de leite. Por sua vez a brucelose é uma infecção provocada por bactérias que é transmitida de animais infectados para o ser humano. “Vai tanto nos ajudar como método diagnóstico a partir do funcionamento de forma efetiva, para os alunos pelo contato com a tecnologia, como também para a universidade porque vai dar uma repercussão”, analisa o docente.

Leia também: Estudo aponta que animais amazônicos podem utilizar adaptações genéticas para enfrentar mudanças climáticas

Das 10 coleiras a serem implantadas, com sensores e colares. O equipamento fica ao redor do pescoço das vacas para uma avaliação contínua. “É uma ferramenta a mais para o diagnóstico, lembrando que ela não substitui o médico veterinário. É uma ferramenta para detectar de forma precoce. A coleira promete a proposta e eles entraram em contato com a gente para testar”, relata o professor Emílio Azevedo. O funcionamento será com o envio de dados da coleira para a nuvem.

“No momento em que a vaca passa na ordenha há a leitura pela internet dos dados do animal, que encaminha para a nuvem que reúne os dados para a interpretação por meio de inteligência artificial. É um software que eu consigo controlar aqui da minha sala para interpretação e predizer qual a patologia que o animal tem”, finaliza o diretor da Fazenda Experimental sobre o projeto que tem indicadores para alertar sobre saúde e doenças das vacas em monitoramento.

*Com informações da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Projeto inovador do Mato Grosso apoia bioeconomia indígena

0

Projeto inovador do Mato Grosso apoia bioeconomia indígena. Foto: Felipe Abreu

Projeto inovador que integra ciência, tradição e desenvolvimento sustentável foi selecionado pela chamada Expedições Científicas da Iniciativa Amazônia+10, conforme divulgado em 2 de dezembro de 2024. Intitulado “Aproveitamento integral de frutos e tubérculos da região da Amazônia Legal – estratégia para fomentar a bioeconomia, resgate de costumes e redução da insegurança alimentar dos povos originários do estado de Mato Grosso”, a proposta está entre as 22 aprovadas (de um total de 191 submetidas), com apoio financeiro de aproximadamente R$ 76 milhões para todo o conjunto de projetos.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“Trata-se de uma iniciativa que enxerga os povos originários não como beneficiários, mas como protagonistas do desenvolvimento sustentável, respeitando sua autonomia, saberes e formas de organização”, ressaltou a coordenadora Maressa Morzelle. 

O foco do projeto está no aproveitamento integral de frutos e tubérculos nativos da Amazônia Legal, com ênfase em espécies ainda pouco exploradas pela cadeia produtiva convencional. “Ao valorizar os conhecimentos alimentares dos povos originários de Mato Grosso, o projeto busca resgatar práticas tradicionais, fomentar cadeias produtivas locais e, sobretudo, reduzir a insegurança alimentar em territórios indígenas, promovendo soluções de base comunitária e a bioeconomia sustentável”, explicou Morzelle.

De acordo com o pesquisador da Embrapa, Moacir Haverroth, a aprovação do projeto representa um avanço para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. “Estamos valorizando recursos naturais e culturais, ao mesmo tempo em que contribuímos com a segurança alimentar e a preservação dos costumes dos originários de Mato Grosso” enfatizou Haverroth.

Leia também: Projeto Ywy Ipuranguete é criado para conservação da biodiversidade em Terras Indígenas

Sobre o Projeto 

O projeto será implementado na Terra Indígena (TI) Tirecatinga, território multiétnico composto pelas etnias Terena, Paresí, Nambikwara, Manoki e Rikbaktsa, localizado no município de Sapezal, Noroeste de Mato Grosso. A escolha desse território visa não apenas potencializar os impactos do projeto, como também fortalecer o protagonismo dos povos indígenas na construção de tecnologias sociais e no uso sustentável dos recursos florestais. 

Projeto inovador do Mato Grosso apoia bioeconomia indígena. Foto: Felipe Abreu

Além disso, no decorrer do projeto, serão realizadas expedições científicas às terras indígenas selecionadas voltadas à ampliação do conhecimento sobre a sociobiodiversidade e a biodiversidade amazônica. A pesquisa está organizada em quatro frentes principais: 

  • Levantamento das espécies alimentares utilizadas pelos indígenas;
  • Análise da composição química de frutos;
  • Raízes e tubérculos consumidos localmente;
  • Estudo das propriedades tecnológicas de amidos e farinhas;
  • E a promoção do aproveitamento integral desses ingredientes em preparações típicas.

Entre as atividades previstas, segundo a coordenadora do projeto, destaca-se as oficinas e treinamentos com as comunidades, com o objetivo de incentivar práticas alimentares saudáveis, sustentáveis e conectadas aos saberes tradicionais. “Com isso, pretendemos contribuir para a redução da insegurança alimentar e fortalecer a identidade cultural das populações indígenas da Terra Indígena Tirecatinga”, ressaltou.

Além do trabalho de campo, o projeto também conta com um plano de comunicação que prevê ações de divulgação científica, comunicação participativa e presença na mídia. “Os resultados esperados vão ampliar o conhecimento sobre a sociobiodiversidade local e estimular o desenvolvimento territorial e tecnológico, sempre com foco na melhoria da qualidade de vida dos povos originários e na preservação dos recursos naturais”, destacou Irene Lôbo, coordenadora de comunicação da pesquisa e analista da Embrapa Alimentos e Territórios.

Leia também: Projeto visa integrar saberes indígenas com tecnologias de produção sustentável por meio de SAFs

Todo o trabalho será realizado em diálogo direto com as comunidades, com oficinas participativas, formação técnica local e estratégias para fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade. O projeto também prevê a inclusão dos seguintes representantes de povos indígenas na equipe de pesquisa: Cleide Adriana da Silva Terena, presidente da Associação Thuthalinansu, voltada para mulheres, Silmara Correia da Silva Terena e Suyani Katikitalosu Nambikwara Terena, todas integrantes da associação.

A aprovação do projeto reforça o papel estratégico da UFMT, UFG e Embrapa na promoção da bioeconomia, tema prioritário nas recentes agendas políticas da Amazônia Legal. “É um passo importante na consolidação de um modelo de desenvolvimento que respeita o bioma, valoriza a cultura local e promove segurança alimentar com soberania e justiça”, conclui a coordenadora.

Com duração prevista de 36 meses, o Projeto “Aproveitamento integral de frutos e tubérculos da região da Amazônia Legal – estratégia para fomentar a bioeconomia, resgate de costumes e redução da insegurança alimentar dos povos originários do estado de Mato Grosso” contará com o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). 

Os responsáveis

Projeto é da da UFMT, UFG e Embrapa, sob coordenação da Professora Dra. Maressa Caldeira Morzelle, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o projeto conta com a parceria do Pesquisador Dr. Moacir Haverroth, da Embrapa Alimentos e Territórios, e da Professora Dr. Tatianne Ferreira de Oliveira, da Universidade Federal de Goiás (UFG). A equipe multidisciplinar reúne profissionais das áreas de ciência dos alimentos, etnociência, agroecologia, comunicação e políticas públicas, compondo uma frente de pesquisa robusta e sensível aos contextos socioculturais da região. A coordenadora do Projeto destaca que o projeto valoriza os conhecimentos tradicionais e ancestrais, que compõem os saberes dos povos indígenas ainda preservados.

*Com informações da UFMT.

Aplicativo ajuda produtores rurais a gerenciar propriedades em Roraima

Sistema Faerr/Senar apresenta aplicativo que facilita o gerenciamento de propriedades rurais — Foto: Divulgação/Senar

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) lançou um aplicativo exclusivo para produtores que recebem Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) da entidade. Com a ferramenta, intitulada “Conecta Produtor”, é possível registrar gastos, acompanhar o desenvolvimento das lavouras, planejar ações futuras e manter um histórico completo da propriedade.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Vanilza dos Reis é uma das produtoras que utilizam o aplicativo. Na propriedade no PA Nova Amazônia, ela cultiva macaxeira, feijão e batata.

Além da macaxeira e do feijão, ela também cultiva milho verde, melancia, batata-doce e quiabo. Parte da produção é comercializada no município de Boa Vista, por meio de cooperativas e comércios locais. Ela disse sentir um aumento na produtividade, com a chegada da plataforma.

“Antes era mais trabalhoso, porque a gente fazia as anotações tudo no papel. Com o aplicativo, ele já me dá planilha, gráfico, todo o demonstrativo. É muito fácil”, diz Vanilza.

Leia também: O que fazer em Boa Vista em um dia? Confira roteiro para aproveitar a capital de Roraima

O Sistema Faerr/Senar lançou, nesta segunda-feira (14), em Roraima, o aplicativo Conecta Produtor — Foto: Divulgação/Senar

No aplicativo Conecta Produtor, o usuário tem acesso direto ao consultor técnico, ao planejamento da safra, às recomendações e aos dados financeiros.

Segundo o Senar, o aplicativo também foi pensado para facilitar a sucessão familiar, ou seja, a continuidade da atividade rural pelas próximas gerações.

“Se o pai e a mãe estão na propriedade hoje, o filho que assumir no futuro vai encontrar todo o histórico no aplicativo, de forma fácil, ágil e sem erros”, explica Amanda Torquato, superintendente do Senar em Roraima.

Leia também: 8 curiosidades sobre Boa Vista que você precisa conhecer  

Em todo o Brasil, mais de 100 mil produtores rurais já utilizam o Conecta Produtor, segundo o Senar. Em Roraima, são quase 200 usuários.

Apesar de gratuito, o acesso ao aplicativo é restrito a produtores que participam da ATeG. Para isso, é preciso solicitar o acompanhamento junto ao Senar.

“A aceitação foi muito boa. É rápido, ágil, está na palma da mão e é uma tecnologia que não tem mais volta”, afirma Amanda Torquato.

Por Naamã Mourão, Rede Amazônica — Boa Vista

Povo Rikbaktsa volta a extrair látex sem patrões e respeitando a mata

0

Povo Rikbaktsa volta a extrair látex. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No noroeste do estado de Mato Grosso, o povo indígena Rikbaktsa se organiza para retomar a produção de borracha, abandonada há pouco mais de uma década. A atividade é considerada uma alternativa para gerar renda para as aldeias e também para ajudar na preservação das seringueiras, consideradas as mães da floresta. 

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Os Rikbaktsa pretendem que os territórios indígenas voltem a fornecer a matéria-prima à empresa francesa Michelin, que realiza compras de borracha na Amazônia.  

Para os Rikbaktsa, a natureza deve ser cuidada, pois a floresta será deixada para os netos, bisnetos e todas as próximas gerações. Esse é o diferencial na hora da extração do látex, matéria-prima para a produção da borracha, das seringueiras. Nas terras indígenas, os ciclos da planta são respeitados, os cortes não são profundos e são feitas pausas na extração, para garantir que a planta se recupere.

Abundantes na região, as seringueiras, que podem viver mais de 200 anos, já foram motivo de disputa de território. Nas décadas de 1940, 1950 e 1960, o povo Rikbaktsa e os seringueiros viveram diversos conflitos. Mais recentemente, os indígenas passaram, eles mesmos, a produzir a borracha como forma de gerar renda. No entanto, os preços pouco atrativos, que chegavam a R$ 0,50 o quilo (kg), e a dificuldade de escoamento da produção fizeram com que abandonassem a prática.

Leia também: A queda da borracha na Amazônia

Povo Rikbaktsa volta a extrair látex. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Amazônia vive um novo ciclo da borracha para os povos extrativistas, com um novo olhar para o comércio, agora sem atravessadores ou “patrões”, e com foco na sustentabilidade. Um dos propulsores é o projeto Juntos pela Amazônia – Revitalização da Cadeia Extrativista da Borracha, composto por organizações nacionais, como a organização não governamental (ONG) Memorial Chico Mendes, por organizações internacionais e por empresas interessadas nesse comércio, como a Michelin, uma das líderes mundiais em produção de pneus. 

Nas terras indígenas do povo Rikbaktsa, é o projeto Biodiverso que presta apoio e faz a ponte com o Memorial Chico Mendes, que, por sua vez, conecta os territórios aos compradores. O projeto, patrocinado pela Petrobras, oferece também formação, educação ambiental e equipamentos, além de cuidar da logística do escoamento do produto.  

Os territórios chegaram a comercializar com a Michelin em 2008, produzindo 17 toneladas de borracha, de acordo com o Biodiverso. Agora, esses acordos estão sendo retomados e a intenção é que se tornem mais duradouros.  

Segundo o Biodiverso, a expectativa é que sejam comercializadas 90 toneladas de borracha nativa até 2027, considerando toda a área atendida pelo projeto, que engloba as TIs Erikpatsa, Japuíra, Escondido, Arara do Rio Branco, Aripuanã e Reserva Extrativista Guariba Roosevelt.

Leia também: Primeira borracha feita com látex 100% da Amazônia é lançada no Brasil

Povo Rikbaktsa volta a extrair látex. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Retomada da produção

Nas aldeias, a retomada dos contratos está chamando a atenção dos indígenas. Antigos produtores e também jovens estão interessados em garantir uma renda com a extração do látex.

Na aldeia Pé de Mutum, na TI Japuíra, Donato Bibitata, de 67 anos, é um dos indígenas que voltou a extrair o látex das seringueiras. Ele trabalhou com a produção da borracha há cerca de 15 anos e a deixou por conta dos baixos preços. Agora, diz que a produção ficou mais atraente.

Experiente, Donato Bibitata explica que é preciso cuidar das árvores, dar o tempo necessário para que se recuperem e não cortar muito fundo, para não “machucar” as plantas e reduzir o volume da produção.

“Tem que ter paciência, tem que ter dó também, não pode machucar muito. Se não, ela morre”, diz.

A ideia é que a atividade passe a atrair também os mais jovens, dando uma perspectiva de renda e futuro. “Tem muita seringueira aqui na nossa região. Nosso território aqui é rico de seringa, para tirar a borracha. Nós estamos intensificando [a produção], com mais gente, para que gere mais para os jovens, né?”, diz.

Perguntado sobre quantos anos vive uma seringueira, ele perde as contas.

“Cuidando bem, a seringueira vive mais que uma pessoa. Você cuidando bem, é uma coisa que faz a diferença. Seus netos continuam trabalhando. A gente fala para esses jovens de agora: a gente começa e, depois, vocês que vão terminar. São os jovens que estão crescendo e trabalhando. Se não machucar a seringueira, ela dura muito, vixe, mas dura”.

Donato Bibitata conta que teve uma infância dura. Foi uma das crianças indígenas que foram levadas para internatos católicos na década de 1960. Lá, ele conta que não podia falar na língua Rikbaktsa, apenas o português. “A gente aprendeu muita coisa boa e muita coisa ruim. A gente não tinha direito visitar mãe nem pai. Você tinha que falar só português. Se falasse a língua, a cultura, você apanhava”.

Quando terminou os estudos, o seringueiro voltou para o território indígena. Chegou também a ser professor municipal e, agora, aposentado, voltou a extrair o látex para garantir uma renda extra. 

Ao contrário de Donato Bibitata, Rogerderson Natsitsabui, 30 anos, é novato na atividade e está interessado em aprender. “Isso chamou nossa atenção, né?”, diz. “[Essa atividade] já vinha com meus pais, meus avós e isso também me motivou. Vou trabalhar para mim, estou necessitando e acredito que muitos jovens estão no mesmo barco, então isso vai fortalecer muito”, diz.

Rogerderson Natsitsabui conta, no entanto, que a extração do látex servirá apenas para complementar a renda, porque ele deseja cursar o ensino superior. O sonho é formar-se em direito, para advogar para a aldeia.

“Eu acredito que futuramente eu vou, se Deus quiser, ingressar numa faculdade. Para mim, isso é um avanço, mas eu nunca vou deixar o que eu aprendi aqui”, diz. “Meu foco desde quando eu comecei a participar de mobilizações sempre foi o direito. Eu nunca desisti disso”.

Leia também: J. A. Leite e Companhia – Memória importante do período do látex

Povo Rikbaktsa volta a extrair látex. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Oportunidades

Segundo o assessor de Mercados do Biodiverso, Renato Pereira, a extração de látex tem como objetivo “garantir que essas famílias de extrativistas indígenas permaneçam nas suas áreas, protegendo seus territórios, sendo guardiões dos seus territórios, trabalhando com a floresta de pé, agregando o valor produto”. Ele acrescenta:

“Aquilo que é extraído de uma maneira sustentável, tem mais valor”.

O projeto Biodiverso atua também na Reserva Extrativista (Resex) Guariba Roosevelt, onde também é feita a extração do látex. O principal comprador ali é a empresa francesa Veja, de calçados. Em 2024, nessa região, a produção chegou a 8,2 toneladas, comercializadas a R$ 15 por kg, chegando a um total de R$ R$ 123 mil para a Resex.

A intenção é que as TIs do noroeste do Mato Grosso sejam também beneficiadas e tenham comprador garantido. A partir de 2025, foi negociado inclusive um reajuste e o látex será comercializado a R$ 13 por kg para a Michelin, segundo o analista de sustentabilidade da ONG Memorial Chico Mendes Jhassem Siqueira. 

“Antes, a produção de borracha era uma produção explorada, associada a trabalho escravo, por conta de figuras como atravessadores e do próprio patrão. Então, esse novo paradigma que essas empresas estabeleceram é eliminar a figura do patrão e ter contato direto com as associações [das terras indígenas e extrativistas]. Retomaram com o que a gente chama de um preço justo, que elimina a figura do patrão”, diz Siqueira. 

A parceria entre o Biodiverso e o coletivo Juntos pela Amazônia deverá ser firmada ainda este ano, o que permitirá a formalização das vendas.

Povo Rikbaktsa volta a extrair látex. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Biodiverso

O projeto Biodiverso é desenvolvido pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) Pacto das Águas e tem como objetivo promover o uso sustentável da sociobiodiversidade, com povos indígenas e comunidades tradicionais no noroeste do estado de Mato Grosso, como estratégia para mitigar o aquecimento global e as mudanças climáticas pela defesa da conservação da floresta em pé.

O objetivo do Biodiverso é que o projeto possa dar suporte, ao todo, a 300 extrativistas na produção de 800 toneladas de castanha, 90 toneladas de borracha e 15 toneladas de óleo de copaíba com boas práticas de produção padronizadas e com assistência técnica periódica, até 2027. Com isso, espera-se garantir a conservação de 1,4 milhão de hectares no bioma amazônico.

O projeto é patrocinado pela Petrobras, como parte do Programa Petrobras Socioambiental. Segundo o gerente de projetos ambientais na área de responsabilidade social da Petrobras, Gregório Araújo, o programa apoia atualmente 170 projetos distribuídos em quatro eixos: florestas, oceano, educação e desenvolvimento econômico sustentável. As organizações da sociedade civil patrocinadas são selecionadas por meio de seleções públicas. 

“O projeto [Biodiverso] dialoga e dá uma resposta muito contundente em relação a soluções baseadas na natureza para o enfrentamento da mudança climática. Mostra que o a fala da Petrobrás não é descontextualizada, ela não é vazia, tem ações concretas, tanto do ponto de vista da operação, do ponto de vista da diversificação produtiva, quanto do ponto de vista dessas soluções mais difusas, é, que a gente faz com os projetos”, diz Araújo.  

*Com informações da Agência Brasil

Juruti vai receber trilha ecológica e turismo de base comunitária

0

Juruti vai receber trilha ecológica e turismo de base comunitária. Foto: Armando Leandro Ribeiro da Silva/divulgação

Os cinco mil hectares da Área de Proteção Ambiental (APA) Jará, localizada em Juruti, no oeste do Pará, terão uma trilha ecológica e um projeto de turismo de base comunitária. Um dos objetivos da iniciativa é gerar renda de forma sustentável para as comunidades locais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O projeto Promoção do uso público da APA Jará, realizado pelo instituto de pesquisa Imazon em parceria com a prefeitura de Juruti, prevê também ações de educação ambiental e um curso de comunicação para jovens difundirem informações sobre a APA Jará nas redes sociais.

Para o pesquisador do Imazon, Jeferson Figueira, as áreas protegidas são importantes ferramentas para a promoção da educação ambiental no município. “Além disso, a APA Jará promove serviços ecossistêmicos como a captura de carbono da atmosfera, guarda grande biodiversidade de fauna e flora e ainda pode ser um espaço de recreação e lazer para a população jurutiense, promovendo saúde e bem-estar”, explicou, em nota.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a função de uma ‘área de preservação permanente’?

Juruti fica no Oeste do Pará. Foto: Divulgação/Ascom PMJ

Figueira e a pesquisadora Jarine Reis, também do Imazon, apresentaram o projeto durante a reunião do conselho gestor da unidade de conservação, realizada no final de março. Na ocasião, foi estabelecido um cronograma das atividades que serão realizadas, incluindo a sensibilização das comunidades locais sobre o potencial do turismo de base comunitária, a abertura da trilha, a capacitação para os condutores da trilha e o curso de comunicação.

A previsão é que a trilha esteja concluída no fim de maio deste ano e que os cursos de capacitação de condutores ocorram em junho, para depois receber os turistas.

“Buscamos não apenas abrir as portas da APA Jará para visitantes, mas também fortalecer o vínculo entre nossa população e a riqueza natural que nos cerca”, disse a Secretária de Meio Ambiente de Juruti, Nayme Couto, em nota. A expectativa é que isso ajude a mobilizar as pessoas na defesa da APA frente a crimes ambientais como o desmatamento e a degradação florestal.

Leia também: Festribal: conheça festa que marca a disputa entre as tribos Munduruku e Muirapinima no Pará

Segundo a secretária, com a promoção do turismo sustentável, cria-se oportunidades para que a comunidade local compartilhe histórias, tradições e conhecimentos, ao mesmo tempo em que ocorre a proteção e valorização do patrimônio ambiental, além da geração de renda. “É um passo significativo para unir conservação e desenvolvimento comunitário, trazendo benefícios reais para todos nós”, acrescentou.

“Com a APA Jará, Juruti se destaca como um modelo de equilíbrio entre conservação ambiental e desenvolvimento sustentável. O projeto reforça a importância de parcerias entre sociedade civil, setor privado e poder público na construção de soluções eficazes para a proteção da Amazônia”, disse a pesquisadora Jarine, do Imazon. O projeto tem financiamento da Alcoa Foundation.

Confeitaria mineira cria ovo de Páscoa inspirado no rio Madeira

0

Ovo de Páscoa inspirado no rio Madeira — Foto: Cacau Mídia

O clássico ovo de Páscoa ganhou um toque amazônico e cheio de significado em uma confeitaria de Belo Horizonte (MG). Inspirada nas cores e nos sabores do rio Madeira, a criação mistura ingredientes típicos da região Norte com o tradicional chocolate.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo a empresária Luiza Santiago, a ideia surgiu a partir da escolha de quatro rios brasileiros impactados pelas mudanças climáticas. O rio Madeira chamou atenção especialmente após o relato emocionante de um artista de Rondônia, que descreveu a seca histórica no rio.

“[O artista] contou emocionado sobre a seca no rio, relatando como o Madeira é vigoroso e como o fato de ter chegado a 19 cm foi espantoso e triste”, contou Luiza.

Leia também: Chocolates indígenas oferecem novos sabores à Páscoa

Ovo de Páscoa inspirado no rio Madeira: Foto: Leandro Morais/Secom-RO

O ovo feito em homenagem ao Madeira carrega ingredientes que representam a riqueza da bacia amazônica: açaí, cupuaçu e cacau. O visual também fala por si: o verde vem do chocolate feito com folha de cacau, o lilás do açaí e o marrom do premiado chocolate 70% cacau.

“Junto desses três chocolates há pedacinhos de cupuaçu desidratado e de nibs de cacau [pedaços de amêndoas de cacau]. É um ovo bem complexo, com textura densa, assim como o rio Madeira”, completou Luiza.

De acordo com Luiza, ações como essa vão além do sabor e da estética. Para ela, a iniciativa pode despertar um olhar mais atento para a importância da natureza e da cultura local.

“Podemos inspirar outros negócios e pessoas a valorizar as riquezas da nossa sociobiodiversidade e não há como rastrear este impacto, mas este certamente existe”, disse.

Leia também: Conheça o cacau da Amazônia, matéria-prima do chocolate

Por que ovos e coelhos são símbolos da Páscoa?

Você já se perguntou o que o coelho e os ovos têm a ver com a Páscoa e a ressurreição de Jesus? A origem desses símbolos mistura lendas e tradições antigas.

Uma dessas versões, que tem sido disseminada ao longo dos séculos é a de que, Maria Madalena teria ido antes do amanhecer de domingo ao sepulcro de Jesus de Nazaré – crucificado, na sexta-feira – levando consigo material para ungir o corpo dele. Ao chegar ao local, teria visto a sepultura entreaberta.

Um coelho, que teria ficado preso no túmulo aberto na rocha, seria o primeiro ser vivo a testemunhar a ressurreição de Jesus. Por essa razão, ganhou o privilégio de anunciar a boa nova às crianças do mundo inteiro na manhã da Páscoa. É ele, portanto, o suposto portador do ovo de chocolate.

O ovo, por sua vez, é um símbolo de vida e renascimento. Povos da Antiguidade, como os romanos, propagavam a ideia de que o Universo teria a sugestiva forma oval. Na Idade Média, houve quem acreditasse que o mundo teria surgido dentro da casca de um ovo.

Logo, estabeleceu-se o hábito de presentear uns aos outros com ovos de galinha. Alguns historiadores especulam que essa tradição teria surgido entre os persas. Outros atribuem sua origem aos chineses.

“Muitos séculos antes do nascimento de Cristo, a troca de ovos no equinócio da primavera, comemorado no dia 21 de março no hemisfério Norte, era um costume que celebrava o fim do inverno”, explica o monsenhor André Sampaio Oliveira, doutor em Direito Canônico.

“Quando a Páscoa cristã começou a ser celebrada, o rito pagão de festejar a primavera foi integrado à Semana Santa. Os cristãos, então, passaram a ver no ovo um símbolo da ressurreição de Jesus.”

*Por Amanda Oliveira, g1 RO



‘Bacalhau da Amazônia’: aprenda a preparar o pirarucu seco, técnica tradicional usada por ribeirinhos

0

Bacalhau Amazônico — Foto: Rede Amazônica

Uma técnica antiga, criada a partir da necessidade de conservar alimentos em regiões sem acesso à energia elétrica, segue viva até hoje na rotina dos ribeirinhos da Amazônia: o preparo do pirarucu seco, também conhecido como “bacalhau da Amazônia”.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O processo, além de preservar o peixe por longos períodos sem refrigeração, ainda realça o sabor da carne, deixando-a mais intensa e saborosa. Com semelhanças ao famoso bacalhau português, essa forma de preparo virou preferência em muitas mesas da região.

O chef Pedro Bagattoli ensina o passo a passo de como realizar a técnica para usar o pirarucu em diversa receitas, confira:

Leia também: Pirarucu, o bacalhau amazônida é o rei dos rios

Por que o pirarucu?

O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo e é muito valorizado na culinária amazônica. Ele tem pouca espinha e uma carne firme e fibrosa, o que facilita o corte em mantas grossas e o preparo no processo de salga e secagem.

Pirarucu da Amazônia. Foto: Smithsonian

Como fazer o pirarucu seco

Ingredientes e materiais necessários:

  1. Mantas de carne de pirarucu (com até dois dedos de altura)
  2. Sal grosso em grande quantidade
  3. Local fresco, arejado e protegido de insetos (com telas finas)
  4. Ganchos ou cordas para pendurar o peixe

Leia também: Aprenda como preparar moqueca acreana com pirarucu e banana da terra

Passo a passo:

  1. Preparar o peixe: limpe bem o pirarucu e retire as escamas. Corte a carne em mantas com até dois dedos de altura, mantendo a pele.
  2. Salgar: cubra cada manta com bastante sal grosso, dos dois lados.
  3. Secar: pendure as mantas em um local fresco e ventilado, protegido com telas para evitar insetos. É importante que o peixe fique inclinado para escorrer todo o líquido durante o processo.
  4. Tempo de secagem: o peixe precisa secar de 20 a 30 dias. Ao final, a carne ficará bem rígida, com coloração amarelada e um cheiro forte, semelhante ao do bacalhau.
  5. Armazenamento: depois de completamente seco, o pirarucu pode ser guardado em embalagens bem fechadas, fora da geladeira, por meses.

Leia também: Versátil, pele de pirarucu manejado da Amazônia é utilizada na confecção de roupas e acessórios

Bacalhau Amazônico — Foto: Rede Amazônica

Como dessalgar e preparar o bacalhau da Amazônia

Antes de cozinhar, o pirarucu seco precisa ser dessalgado — assim como se faz com o bacalhau tradicional.

Passo a passo para dessalgar:

  • Corte o peixe em pedaços e coloque de molho em água fria, dentro da geladeira.
  • Troque a água três vezes ao dia.
  • O processo leva de 2 a 3 dias, dependendo da espessura das mantas.

Modo de preparo: Após o dessalgue, o pirarucu pode ser cozido inteiro ou desfiado, conforme a receita desejada. É comum refogar com alho, cebola, azeite ou manteiga, e outros temperos regionais, para dar sabor e umidade à carne.

Por g1 RO

Parque das Tribos: o maior conglomerado indígena não aldeado do Brasil

0

Celebração tradicional no Parque das Tribos. Foto: g1 AM

Em meio ao contexto urbano de Manaus, o Parque das Tribos resiste como um símbolo de preservação cultural. Localizada na Zona Oeste, a comunidade reúne cerca de 35 etnias que enfrentam os desafios de manter vivas as tradições indígenas. Mesmo em meio a agitação da cidade, costumes, ritos e idiomas são passados de geração em geração como forma de valorização da própria identidade.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Fundado em abril de 2014, o Parque das Tribos começou como uma ocupação organizada por diferentes indígenas, que hoje abriga 5 mil pessoas de 860 famílias, provenientes de diversas etnias da Amazônia e de outros estados do Brasil, como Roraima, Pará e Acre.

Um dos líderes do local, o cacique Ismael Munduruku, explicou que a comunidade não foi criada por uma única pessoa, mas sim por várias lideranças, que se mobilizaram para ocupar a área de 37 hectares.

“Nós temos outras comunidades indígenas dentro de Manaus, no entorno também, mas nós queríamos uma maior, uma que pudesse realmente se tornar um bairro, se tornar uma referência, onde a gente pudesse construir projetos, constituir família, criar raízes”, enfatizou Ismael Munduruku.

Leia também: Influenciadores ribeirinhos: conheça sete vozes da Amazônia que conquistam as redes sociais

Cacique Ismael Munduruku mora no Parque das Tribos. — Foto: Acervo pessoal

A diversidade étnica é uma das principais caracterísitcas do Parque das Tribos. Entre as etnias que vivem na comunidade há os Munduruku, Sateré-Mawé, Tikuna, Tucano, Baniwa, Tarianos, Dessanos, Curripaco, Wanano, Mura, Cambeba e Marubo.

Para os moradores, a preservação da cultura é um modo de vida. “Nós praticamos a nossa cultura aqui da mesma foram que fazíamos no interior, de onde viemos”, disse o cacique Ismael Munduruku.

Uma das bases dessa preservação é o ensino dos dialetos nativos. Cada povo mantém o idioma dos ancestrais, que são repassados para as novas gerações. Eliza Sateré, também liderança local, explica que esses ensinamentos acontecem no cotidiano familiar.

“Quando vamos pedir algo, como comida ou água, falamos na nossa língua. Em público, também usamos o nosso idioma para nos comunicarmos com nossos filhos de uma forma que os outros não saibam”, conta.

A culinária tradicional é outro elemento que ajuda na preservação cultural no Parque das Tribos. Pratos típicos, como a quinhapira, apelidada de “comida dos deuses”, são parte essencial das refeições.

“Eu gosto de comer quinhapira, que é como se fosse uma caldeirada. O acompanhamento é beiju [tipo de tapioca], que eu faço, e bastante pimenta”, enfatizou Helena do Carmem, da etnia Tariano.

Alguns disseram que preferem saborear o prato típico com a crocância da formiga saúva. A coleta dos insetos, conhecidas também como “tanajura”, é uma prática que se intensifica a partir de setembro.

Os moradores contaram que vasculham os formigueiros e assim que conseguem capturar o inseto os colocam em garrafas PET. Eles explicam que a formiga é rica em gordura natural e, misturada com farinha, a iguaria já pode ser saboreada.

Saiba mais: Quinhapira: conheça essa receita indígena prática e saborosa

Quinhapira é um dos pratos típicos mais consumidos no Parque das Tribos — Foto: g1 AM

Além da gastronomia, as tradições culturais são expressas em celebrações como a “Dança dos Mascarados” e as festas de santos, que unem a comunidade em momentos de devoção e alegria.

“Cada evento que a gente faz dentro da comunidade, a gente procura reunir as lideranças, procura reunir a maior quantidade de “parentes” que moram aqui, porque a cultura é bem diversificada. É uma mais linda que a outra. Então é um aprendendo com o outro e sempre um respeitando a cultura do outro. E essa convivência, essa união com eles nos fortalece cada vez mais”, afirmou Eliza Sateré.

A Maloca, construída em meio a comunidade, desempenha um papel central na preservação das tradições e funciona como um coração que pulsa a cultura dos povos nativos. Ismael Munduruku conta que é no espaço que ocorre os principais eventos sociais, políticos e religiosos do Parque das Tribos.

Lá, os diferentes povos indígenas, que vivem na comunidade, celebram as datas comemorativas, como o Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, e o Dia Internacional dos Povos Indígenas, em 9 de agosto.

Leia também: Cururu, Chorado, Mascarados: conheça danças que fazem sucesso em Mato Grosso

Desafios

Maloca desempenha um papel central na preservação das tradições — Foto: g1 AM

Apesar da comunidade ter acesso a água encanada e ter um uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para atendimento da população local e bairros adjacentes, o Parque das Tribos ainda enfrenta desafios na infraestutura, como educação, transporte e saneamento.

Na educação, Ismael Munduruku destaca a falta de uma escola que oferte o ensino médio. Outro desafio é a oferta escassa de linhas de transporte público que circulem pela região.

Ismael diz ainda que toda comunidade deseja oportunidades iguais para seus moradores e sonha com um local que, além de ser um símbolo da cultura indígena, também seja reconhecido como um lugar de conhecimento e desenvolvimento.

“Nós não queremos nenhum privilégio, só queremos ser medidos da mesma forma que o restante do nosso país. Queremos ter as mesmas oportunidades e queremos dar às pessoas daqui essa mesma oportunidade”, finalizou.

*Por Sabrina Rocha, g1 AM

Ministra destaca trabalho inédito na proteção dos povos indígenas

0

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara. Foto:Fábio Rodrigues Pozzebom

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, afirmou no dia dos povos indígenas que a pasta está fazendo um trabalho inédito na construção das ações para valorizar os povos indígenas no país. Em postagem nas redes sociais, a ministra celebrou o Dia dos Povos Indígenas, comemorado hoje.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Sonia destacou que, ao longo de 27 meses de governo, teve o desafio de “colocar de pé” um ministério para correr atrás de demandas que foram negligenciadas.

“Nem sempre é fácil, mas não tenho dúvidas da necessidade e urgência do que estamos fazendo. A cada 19 de abril, reforço minha certeza de que o que estamos fazendo aqui é algo inédito”, afirmou.

A ministra também agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por um ministério forte, representativo e atuante. “A existência de um ministério para os povos indígenas era uma coisa que poderíamos sonhar, mas era difícil pensar que seria concretizado. Fruto da nossa luta e reconhecimento do presidente Lula. completou a ministra.

Em postagem nas redes sociais, a ministra celebrou o Dia dos Povos Indígenas

Leia também: Desenho animado relata lenda do Povo Guajajara, do Maranhão, sobre início de seus rituais

Desafios

Em nota divulgada hoje (19), o Ministério dos Povos Indígenas apontou desafios para a proteção dos povos indígenas. A pasta direciona esforços para a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que será realizada em novembro, em Belém.

O ministério pretende apostar em negociações ambiciosas para consolidar o multilateralismo e a implementação de ações para proteger o meio ambiente e os segmentos sociais impactados pelas mudanças climáticas.

Em postagem nas redes sociais, a ministra celebrou o Dia dos Povos Indígenas

“O MPI e a presidência da COP30 vêm criando caminhos para que as vozes indígenas sejam mais escutadas e que suas demandas possam ser incorporadas com maior celeridade nas agendas e encaminhamentos da COP. A razão é que a COP 30 precisa proporcionar legados para além de apenas um evento na Amazônia”, destaca a pasta.

A busca de financiamento para apoio de organizações que atuam na defesa dos indígenas também é alvo das ações do ministério.

“Na agenda de ação, o MPI e o governo brasileiro estão engajados em anunciar novos mecanismos financeiros, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e a renovação da Promessa, onde países e setores da filantropia se comprometem em apoiar organizações indígenas e políticas indigenistas”, informou o ministério.

*Com informações da Agência Brasil

Governo quer conectar todas Unidades de Saúde Indígena até 2026

0

Indígenas. Foto: Fernando Frazão

O governo federal planeja interconectar todas as unidades de saúde indígena do Brasil até o fim de 2026, garantindo que todos os estabelecimentos públicos responsáveis pela atenção primária à saúde dos povos originários tenham acesso à internet de qualidade.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“Nosso objetivo é chegar até o final do ano que vem com a universalização da conectividade em todas as unidades de saúde indígenas do nosso país”, afirmou o secretário nacional de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba.

Segundo Weibe, melhorar a conectividade dos territórios permitirá, entre outras coisas, que o Poder Público implemente a infraestrutura de telessaúde nas comunidades, garantindo que os indígenas tenham acesso a médicos especialistas sem precisar deixar suas aldeias.

Leia também: PL que regulamenta profissões de agente indígena de saúde e de saneamento avança na Câmara

Secretário de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, informou  que mais de 700 pontos de conectividade já foram implementados. – Fernando Frazão/Agência Brasil

“Isso também nos permitirá expandir a tecnologia da telessaúde, com a qual podemos evitar as remoções de pacientes indígenas para fora dos territórios”, acrescentou o secretário.

Dos 34 atuais Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis), 19 já dispõem do serviço de consultas à distância, que utiliza internet banda larga do Programa Conecta Brasil, do Ministério das Comunicações. E que, segundo o MPI, reduz o deslocamento dos pacientes, que podem realizar exames de rotina e consultas com cardiologistas, oftalmologistas, dermatologistas, pneumologistas e outros especialistas a partir dos polos bases já devidamente equipados. Segundo a Sesai, a iniciativa tem potencial para beneficiar a mais de 781 mil indígenas.

Divididos estrategicamente por critérios territoriais, tendo como base a ocupação geográfica das comunidades indígenas, os Dseis são unidades gestoras descentralizadas do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). Cada um reúne um conjunto de serviços e atividades, prestadas por meio das Unidades Básicas de Saúde Indígenas (UBSIs), polos-bases e Casas de Saúde Indígena (Casais).

Leia também: Conheça quatro das principais lideranças indígenas da Amazônia

Comunicação

“Além de garantir a inclusão dos dados [clínicos] nos sistemas de informações [nacionais], a conectividade das unidades de Saúde é uma forma de permitir que os profissionais de saúde que vão atuar nestas localidades mantenham contato com seus familiares”, acrescentou Weibe Tapeba ao falar sobre a dificuldade de manter os profissionais não indígenas nos territórios distantes dos grandes centros urbanos.

“Temos territórios de difícil acesso, onde o recrutamento não é um processo fácil, pois o profissional precisa praticamente ficar morando no território por um longo período, às vezes, por meses. Por isso, temos buscado melhorar e garantir as condições de trabalho, incluindo a parte de infraestrutura”, garantiu o secretário.

Ele detalhou que mais de 700 pontos de conectividade já foram implementados e frisando que estas e outras iniciativas da pasta exigem maior aporte de recursos financeiros. “Assumimos a secretaria [em 2023, primeiro ano da atual gestão federal] em meio a um cenário de desmonte. Ainda durante a transição [entre os governos Bolsonaro e Lula], a proposta orçamentária enviada ao Congresso Nacional previa o corte de 59% do orçamento da Sesai. 

Conseguimos não só recompor o orçamento, como, nos dois primeiros anos, incrementamos o Orçamento em cerca de R$ 1 bilhão”, afirmou Weibe, detalhando que R$ 500 milhões foram aportados em 2023, e outros R$ 500 milhões em 2024, elevando para cerca de R$ 3 bilhões o total atualmente destinado ao subsistema do Sistema Único de Saúde (SUS).

“É o maior orçamento da saúde indígena de todos os tempos. Mesmo assim, temos uma demanda reprimida, um passivo, sobretudo em termos de infraestrutura, especialmente na área do saneamento básico”, admitiu o secretário, informando que cerca de 60% dos territórios indígenas no Brasil ainda não têm acesso à água potável.

“Há vazios assistenciais. Locais onde as ações de saúde são a [única ou das poucas] materialização da presença do Estado brasileiro. E com a quantia disponível, mantemos cerca de 22 mil profissionais de saúde indígena e todas as unidades de saúde indígena; investimos no sistema de saneamento e custeamos os contratos que os Distritos Sanitários Especiais Indígenas [Dseis] mantém, o que inclui horas-voos e locação de veículos [para transporte de pacientes, profissionais e suprimentos”, disse o secretário, apontando que uma redução do orçamento disponível poderia inviabilizar a prestação do serviço de saúde para a população indígena.

“Temos um estudo que aponta que para darmos conta do passivo e resolvermos os vazios assistenciais, especialmente na Amazônia, seriam necessários quase duas vezes mais recursos do que os que já vínhamos recebendo. A necessidade real seria de cerca de R$ 5 bilhões ou R$ 6 bilhões”, frisou Weibe.

Leia também: Cidades da Amazônia já podem aderir ao programa de controle do desmatamento

Atendimentos

De acordo com a Sesai, o número de atendimentos a indígenas, incluindo consultas médicas, vacinações, atendimentos odontológicos, entre outros serviços, vem aumentando ano após ano, tendo saltado de 9,18 milhões em 2018 para 17,31 milhões no ano passado.

Diante desse cenário, a Sesai tem buscado alternativas para otimizar a gestão e ampliar a assistência. “Começamos a reorganizar a secretaria, buscando apoio e parcerias com instituições; realizando termos de execução direta e TEDS [Termos de Execução Descentralizada] com universidades e com outras instâncias do governo brasileiro, além de acordos de cooperação técnica com instituições importantes”, concluiu o secretário.

*Com informações da Agência Brasil