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Conheça duas folhas nativas da Amazônia usadas em banhos energéticos

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Foto: Reprodução/Instagram-@aseviamao

Comer uva embaixo da mesa para atrair amor, pular sete ondas no réveillon para renovar as energias ou acender velas para fazer pedidos. Para algumas pessoas podem ser apenas superstições, mas para outras, são práticas carregadas de significado, fé e ancestralidade. Entre essas tradições, os banhos energéticos ocupam um lugar especial.

O banho de ervas é uma prática ancestral utilizada há séculos em diferentes povos e religiões, como o Candomblé e a Umbanda, e seu objetivo busca promover limpeza energética, proteção espiritual, equilíbrio emocional e fortalecimento da fé.

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A mãe de santo Jucélia de Yemanjá compartilha o uso de duas folhas nativas da Amazônia muito presentes nos banhos energéticos e de descarrego: o cipó-alho e o peão roxo. Confira:

Cipó-alho

O cipó-alho (Mansoa alliacea) é uma trepadeira nativa das florestas tropicais amazônicas, e seu nome popular vem do forte aroma de alho que suas folhas e ramos exalam quando são amassados ou triturados.

“Para fazer o banho de descarrego, eu uso muito o cipó-alho, para a gente trazer toda aquela descarga”, explica a mãe de santo.

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Banhos de ervas
O Cipó-alho é uma planta da vegetação nativa da Amazônia fácil de ser encontrada e utilizada em banhos energéticos. Foto: Carlos Alberto Moraes/Divulgação/Embrapa

Peão roxo

Outra planta citada por Jucélia é o peão roxo, um arbusto que pode chegar a até cinco metros de altura, com ramos e folhas arroxeadas e pilosas.

A planta possui seiva leitosa e tóxica, o que exige cuidado em seu manuseio, e flores da mesma tonalidade roxa.

Foto: Dick Culbert

“Muita gente não sabe para que serve, mas ele serve também para descarga, e pode ser encontrada na rua”, explica a mãe de santo. 

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Banhos energéticos

Antes de tomar os banhos, a mãe de santo alerta para a preparação espiritual e corporal que deve ser feita: 

“Na hora de fazer o banho, se for um banho de descarga deve se pensar em todas as negatividades que devem ser tiradas, depois tomar um banho comum do dia a dia, e em seguida realizar o banho atrativo, pois não adianta nada sem banho atrativo”.

De acordo com a mãe Jucélia, mesmo que você tome um banho atrativo deve procurar uma forma de conseguir aquilo que deseja atrair. “O banho traz as atrações, mas ele não vai bater na tua porta e dizer ‘tô aqui!’. Não é desse jeito, tem que procurar”, explicou.

Banho de descarrego 

Jucélia de Yemanjá explica que o banho mais comum é aquele que utiliza uma ‘tampinha’ de amônia diluída na água com sal grosso. Na preparação, deve-se macerar as folhas na água para retirar o sumo, misturar e deixar descansar uns minutinhos antes de se banhar. 

“Depois de misturar tudinho direitinho, se toma o banho do pescoço para baixo. Esse é um banho que todo mundo toma, porque é prático”, explicou. 

Banho atrativo 

Segundo a mãe de santo, existem diversos banhos atrativos, e neles se usam essências, ervas, grãos, como sementes de girassol, cravinho, folha de louro e canela.

“A gente pega essas folhas secas, faz uma fervura com elas, coa e espera esfriar. Esse banho se toma da cabeça para baixo”, explicou. 

*A entrevista completa com a mãe Jucélia de Yemanjá foi ao ar no programa Galeria, do canal Amazon Sat.

Aplicativo com jogo educativo é criado por professora e estudantes no Amazonas

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Professora e estudantes contaram com apoio do Governo do Amazonas. Foto: Juliana Viana Barbosa

Um projeto desenvolvido por estudantes do ensino fundamental no Amazonas criou um aplicativo que reúne conhecimentos das áreas de Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática e Linguagens.

O projeto foi estruturado de acordo com as competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e atendeu aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, especificamente aqueles relacionados à Educação de Qualidade (ODS 4); Indústria, Inovação e Infraestrutura (ODS 9); e Parcerias e Meios de Implementação (ODS 17).

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Intitulado ‘Uma jornada de inovação na Escola Municipal Professor Álvaro César de Carvalho: construção de um jogo educativo na plataforma MIT App Inventor’, o projeto foi coordenado pela pesquisadora, professora e mestre em Biotecnologia, Juliana Viana Barbosa de Souza, e apoiado pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), no âmbito do Programa Ciência na Escola (PCE).

A criação do aplicativo também auxiliou os alunos na preparação para a avaliação nacional do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Para a coordenadora, o app promoveu a inclusão digital e fortaleceu a autoestima e o protagonismo dos alunos.

“Ao integrar ciência e tecnologia à realidade amazônica, o projeto contribuiu para reduzir desigualdades educacionais, valorizar a cultura local e estimular a inovação social dentro da escola pública”, ressaltou Juliana Vieira.

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Aplicativo ‘Curumim QuizQuest’

O app ‘Curumim QuizQuest’ foi desenvolvido em Manaus na Escola Municipal Professor Álvaro César de Carvalho, e no Centro Integrado Municipal de Educação (Cime) Senador Artur Virgílio do Carmo Ribeiro Filho, instituições de ensino localizadas na Zona Leste da capital.

O app foi realizado com o uso da ferramenta MIT App Inventor, uma plataforma de código aberto do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e do Google, que permite a personalização de aplicativos, e interface gráfica que proporciona aos usuários a criação de aplicativos sem a exigência de conhecimento prévio em sistemas de programação.

A coordenadora Juliana Vieira explica que o aplicativo foi criado para ser intuitivo e de fácil navegação, e que a experiência da criação dessa ferramenta proporcionou aos estudantes no 9° ano do Ensino Fundamental uma introdução ao processo de desenvolvimento de futuros projetos científicos, incluindo conhecimentos sobre design experimental, coleta e análise de dados, e comunicação de resultados.

“Este projeto demonstrou que a escola pública amazônica pode ser um espaço de inovação e produção tecnológica. Além disso, consolidou uma rede colaborativa de professores e alunos, estimulando a continuidade de novas iniciativas de pesquisa e o fortalecimento da Formação Steam, com Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática”, detalhou a professora.

A expectativa é de que, a longo prazo, o uso do aplicativo possa continuar a auxiliar os estudantes no desempenho em sala de aula, contribuindo para o fortalecimento da cultura digital e da inovação pedagógica na Educação Básica.

Leia também: Lenda bororo de Mato Grosso vira jogo digital educativo

Aplicativo com jogo educativo é criado por professora e estudantes no Amazonas
Foto: Juliana Viana Barbosa

*Com informações da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas

Programa de Incentivo Florestal na Amazônia peruana permitirá desenvolvimento de projetos em cinco regiões

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Foto: Divulgação/Agência Andina

O Serviço Nacional de Florestas e Silvicultura (Serfor) no Peru lançou a convocatória do Programa de Incentivos Florestais (PIF Bosques), uma iniciativa que permitirá o cofinanciamento de negócios ligados a produtos e serviços florestais em cinco regiões amazônicas do país. Isso beneficiará produtores, concessionários, comunidades nativas, micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e indivíduos do setor florestal, informou o Ministério do Desenvolvimento Agrário, setor ao qual a Serfor está vinculada.

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Este programa é implementado através do Programa de Florestas Produtivas Sustentáveis ​​(BPS) da Serfor e inclui um fundo não reembolsável destinado ao fortalecimento das cadeias de valor florestal, segundo critérios de sustentabilidade, gestão responsável e acesso aos mercados.

“Por meio desse mecanismo, buscamos fortalecer a economia local e melhorar a qualidade de vida das famílias que vivem e trabalham nas florestas, promovendo o uso responsável e sustentável”, disse Daniel Rivera, coordenador executivo do BPS.

Linhas de financiamento

O programa de incentivo inclui três linhas de financiamento:

  • A primeira destina-se a empresas madeireiras e abrange a gestão florestal, o processamento da madeira, a certificação florestal e os serviços ecossistêmicos, com cofinanciamento até 1.250.000 soles e um prazo máximo de implementação de 24 meses.
  • A segunda linha de crédito promove negócios não madeireiros, ligados ao uso sustentável de frutos, resinas, sementes e outros produtos florestais, com cofinanciamento de até 850 mil soles, também por um período de 24 meses.
  • A terceira linha de crédito é voltada para o acesso ao mercado e busca facilitar a participação dos produtores em feiras, rodadas de negócios e atividades de marketing, com um incentivo de até 134.620 soles e um prazo de 12 meses.

Leia também: Quais são as áreas naturais protegidas com maior biodiversidade no Peru?

programa incentivo florestal peru
Programa de incentivo foca em sustentabilidade. Foto: Divulgação/Agência Andina

Produtores de províncias prioritárias nas regiões de Loreto, Madre de Dios, Ucayali, Junín e Pasco, onde o Programa de Florestas Produtivas Sustentáveis ​​promove iniciativas produtivas com foco na sustentabilidade, poderão se candidatar a este projeto.

Requisitos a serem cumpridos

Entre os requisitos para se candidatar estão ter uma ideia de negócio, possuir um RUC (Número de Identificação Fiscal) ativo e válido, comprovar a propriedade ou o direito de uso da floresta — por meio de um título de propriedade comunitária ou contrato de concessão florestal — e ter documentos de gestão florestal atualizados, bem como autorização para estabelecimentos de produtos florestais. 

A formação de uma aliança estratégica para fortalecer a proposta também é necessária. Um aspecto fundamental do processo é o cumprimento do requisito de área mínima, que pode variar de 10.000 a 20.000 hectares, dependendo do tipo de entidade requerente e do programa de financiamento. Essa área pode ser credenciada individualmente, em grupos ou consolidada, permitindo que diferentes partes interessadas colaborem no acesso ao incentivo.

As candidaturas serão submetidas online através da plataforma SELIF, facilitando assim a participação de zonas remotas. O prazo para apresentação de candidaturas ao programa de incentivo no Peru termina a 27 de fevereiro de 2026.

Para obter mais informações, entre em contato pelo e-mail comunicacionesbosques@serforbps.gob.pe ou consulte as Diretrizes do PIF Bosques nos canais oficiais da Serfor e da Midagri.

*Com informações da Agência Andina

Praia do Atalaia é a única no Norte que permite o tráfego de veículos na areia

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Localizado em Salinópolis, no Pará, o ponto turístico é o único da região Norte que permite o acesso de carros na faixa de areia, o que torna o local como um dos mais procurados do país. Foto: Alex Ribeiro/Agência Pará

Quando se fala em praia, logo vem em mente aquele cenário de beleza natural que as pessoas procuram para curtir as férias ou aproveitar o verão com a família. Sol, areia, mar, calor refrescante, ar limpo… o ambiente por si só já traduz a atmosfera relaxante proporcionada nesses locais.

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Você sabia que existe, no Brasil, uma praia que além de reunir todas essas características, permite a presença de veículos em sua orla? Sim, você não leu errado, carros e motos se misturam ao público que frequentam a Praia do Atalaia, localizada no município de Salinópolis, no estado do Pará.

Carros na praia?

Localizada no município de Salinópolis, a Praia do Atalaia é um dos principais pontos turísticos do Pará. A praia dispõe , por exemplo, de uma lagoa de água doce que chama atenção pela beleza natural que se estende por 20 quilômetros de extensão no litoral paraense.

No entanto, o maior diferencial desse ponto turístico é a entrada permitida de veículos automotores. O público pode montar a barraca e deixar o carro estacionado bem ao lado do local escolhido, numa faixa de areia que compreende seis quilômetros de comprimento.

Leia também: Pesquisadores analisam impacto ambiental do fluxo de pessoas e veículos nas areias das praias de Salinópolis

Pessoas, carros e barracas compõem o cenário da Praia do Atalaia. Foto: Maycon Nunes/Agência Pará

Numa espécie de “estacionamento”, os frequentadores posicionam veículos de todos os tipos e modelos em meio à praia, transformando a local num cenário que mistura a rotina agitada da cidade com o ambiente tranquilo da natureza.

Leia também: Água salgada na Amazônia: conheça cinco praias de mar que vale a pena visitar no Pará

Regras

A presença dos veículos na faixa de areia é permitida principalmente no período de maré baixa, que ocorre normalmente na alta temporada, no verão amazônico.

O local possui sinalizações para orientar os banhistas sobre as restrições de veículos em determinados horários e regiões, especialmente na maré alta, quando há o risco de atolamentos dos veículos.

Incidente envolvendo carro de banhista na Praia do Atalaia. Foto: Divulgação/Agência Pará

Outro exemplo de medida restritiva é o tráfego de carros na área conhecida como Ponta da Sofia, local onde ocorre a reprodução das tartarugas marinhas. A Praia do Atalaia abriga um dos principais sítios de desova de cinco espécies do animal, segundo o acordo com o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio).

Leia também: Infográfico – Saiba quantas e quais espécies de quelônios existem na Amazônia

Por conta disso, para proteger a faixa de areia durante a temporada reprodutiva das tartarugas ninjas, são instaladas estacas e placas informativas sinalizando os limites da área protegida, além de bandeiras coloridas para reforçar o bloqueio aos veículos.

Interdição se prolonga por três quilômetros da faixa de areia. Foto: Kaio Hudson/Ideflor-Bio

Divergências

Considerado o diferencial da Praia do Atalaia, a presença de veículos na faixa de areia ainda divide opiniões do público. Apesar de boa parte dos frequentadores enxergarem o fato como algo cultural, outros alegam que a ocupação motorizada na praia descaracteriza o local como um ambiente natural.

Em dezembro de 2022, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) ingressou com uma Ação Civil Pública com pedido de liminar para solicitar a proibição de entrada e permanência de veículos particulares nas faixas de areia das praias de Salinópolis.

O pedido, ajuizado pela 1ª Promotoria de Justiça de Salinópolis, pede que os veículos fiquem estacionados a 1 km de distância da entrada de acesso à praia, com exceção daqueles utilizados em serviços públicos essenciais como ambulâncias e viaturas.

O documento solicitava que a medida entrasse em vigor a partir de dezembro de 2024, sob multa de R$ 50 mil por dia em caso de descumprimento, especialmente em período de alta temporada.

O Portal Amazônia entrou em contato com o MPPA para saber sobre a vigência da ação, mas até o momento não obteve retorno, no entanto, o espaço segue aberto para atualizações.

Fiscalização do Detran/PA na faixa de areia que permite o trânsito de veículo na praia. Foto: Divulgação/Detran/PA

Patrimônio Cultural

Devido à sua importância para o turismo do Pará, a Praia do Atalaia foi declarada patrimônio cultural de natureza material e imaterial, paisagístico e ambiental do estado. Por meio da Lei nº 9.684/2022, aprovada pela Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), o ponto turístico recebeu o status de valorização do ponto turístico.

“A famosa praia do Atalaia é ponto de parada obrigatório aos que visitam Salinópolis e costuma atrair visitantes do pais inteiro que se deslumbram com a vasta faixa de areia firme que permite o acesso de veículos automotores. É unanimidade para todos que buscam a interação com a natureza sem abrir mão das comodidades da vida moderna”, pontuou a deputada Paula Gomes, autora do projeto de lei que tornou o local como Patrimônio cultural, de natureza material e imaterial.

Lei 9.684/2022, que declara o ponto turístico como patrimônio cultural de natureza material e imaterial do Pará. Foto: Reprodução/Diário Oficial do Pará

Rio Solimões seca em diferentes cidades do Amazonas mesmo em período de cheia

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Trechos do Rio Solimões apresentam recuo no nível das águas em diferentes municípios do interior do Amazonas. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

Mesmo em pleno período de cheia na Amazônia, trechos do Rio Solimões apresentam recuo no nível das águas em diferentes municípios do interior do Amazonas.

Os dados são da Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia (Proa Manaus) e foram monitorados no dia 30 de dezembro, mostrando um comportamento atípico dos rios da região.

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O período de cheia dos rios no Amazonas ocorre geralmente entre dezembro e junho, durante o inverno amazônico, quando o aumento das chuvas eleva gradualmente o nível das águas, com pico previsto entre maio e junho.

No entanto, após duas secas históricas em 2023 e 2024, o cenário no interior do estado segue diferente. Enquanto em Manaus o Rio Negro sobe normalmente, trechos do Solimões registram queda nos níveis.

  • Em Tabatinga, no Alto Solimões, o rio caiu de 8,44 metros em 21 de dezembro para 7,40 metros nesta terça.
  • Em Coari, no Médio Solimões, a redução foi de 13,38 metros para 13,25 metros.
  • Em Santo Antônio do Içá, o nível recuou de 10,44 metros para 9,08 metros, confirmando o padrão de baixa em diferentes pontos da calha do Solimões.

Comportamento do rio Solimões é atípico

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Rio Solimões na seca em 2024. Foto: Reprodução/Greenpeace

O comportamento atípico do rio Solimões está ligado a eventos extremos nos últimos anos. As secas consecutivas afetaram a recarga natural dos sistemas hídricos, e mesmo durante o período de cheia, os níveis ainda apresentam resposta irregular.

Entre os fatores que influenciam o fenômeno estão:

  • O inverno amazônico, com aumento do volume de chuvas;
  • Em condições normais, as chuvas elevam gradualmente os rios;
  • A atuação do fenômeno La Niña, que altera os padrões de precipitação na região;
  • Essa combinação provoca comportamentos distintos entre as diferentes bacias hidrográficas.

Em Manaus, o Rio Negro segue em alta, passando de 21,66 metros em 21 de dezembro para 21,98 metros no dia 30 de dezembro, evidenciando comportamento mais alinhado ao período chuvoso.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funcionam os processos de enchente e vazante dos rios?

*Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM

Pesquisa analisa saúde indígena e comunicação de risco no Brasil e na Bolívia

Aprovado pelo CNPq, o projeto busca avaliar as estratégias de comunicação em crises sanitárias nos dois países. Foto: Marcelo Seabra/Agência Pará

A Universidade Federal de Rondônia (UNIR) teve um projeto de pesquisa aprovado na Chamada Pública MCTI/CNPq nº 03/2025 – Pró-Amazônia, com foco no fortalecimento da saúde indígena a partir da comunicação de risco em crises sanitárias no Brasil e na Bolívia. A iniciativa busca contribuir para o aprimoramento das políticas públicas interculturais na Região Amazônica, considerando as especificidades socioculturais dois países envolvidos.

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Intitulada ‘Comunicação de risco em saúde indígena: experiências e aprendizados em crises sanitárias no Brasil e na Bolívia’, a pesquisa é coordenada pelo professor Allysson Martins, coordenador do MíDI – Laboratório de Mídias Digitais e Internet e docente dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCom) e em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente (PGDRA) da UNIR.

A equipe é formada por mais de dez pesquisadores de diferentes instituições de ensino superior, sendo seis brasileiros e três internacionais, reforçando o caráter cooperativo do estudo.

A proposta surge para preencher uma lacuna crítica na ciência e nas políticas públicas: a escassez de estudos sobre a efetividade da comunicação voltada aos povos tradicionais. Assim, a pesquisa articula as áreas de Comunicação e Saúde Coletiva para investigar como governos e comunidades reagiram à circulação de informações durante surtos da covid-19, dengue e zika.

Leia também: Ministério da Saúde e Instituto Mamirauá firmam acordo para fortalecer ações de saúde indígena no Amazonas

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Imagem: Divulgação

O estudo, que será executado de dezembro de 2025 até novembro de 2027, concentra-se na Amazônia Legal, região que abriga mais de 51% dos indígenas do Brasil, com o objetivo de entender como a adaptação cultural das mensagens institucionais sobre saúde pode impactar diretamente essa população, protegendo vidas.

“As barreiras linguísticas, culturais, territoriais e institucionais precisam ser consideradas nos processos estabelecidos nos dois países”, afirma Martins.

Desafio da comunicação em contextos interculturais

A comunicação de risco é uma ferramenta estratégica fundamental para mitigar danos em emergências sanitárias, sobretudo quando adequada às realidades dos envolvidos.

“A nossa hipótese é a de que abordagens que incorporaram saberes tradicionais, o uso de línguas nativas e a mediação com lideranças locais apresentam maior eficácia e adesão às medidas de prevenção”, explica o coordenador e pesquisador Allysson Martins.

Segundo Martins, durante a pandemia de covid-19, a ausência de campanhas culturalmente adaptadas resultou em taxas de infecção e mortalidade desproporcionalmente altas entre os povos indígenas. No Brasil, embora existam os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), eles ainda enfrentam desafios como o subfinanciamento e a dificuldade de integrar práticas tradicionais à medicina biomédica.

Leia também: Primeiro hospital de saúde indígena do Brasil começa a funcionar na Terra Yanomami

Saúde indígena. Foto: Karina Zambrana/SESAI

A pesquisa adotará um método de estudo de caso múltiplo, comparando a realidade brasileira com o modelo da Bolívia. Na Bolívia, o Modelo Intercultural Comunitário de Saúde (SAFCI) já institucionaliza a integração entre a medicina tradicional e o sistema estatal, promovendo campanhas em idiomas nativos e o uso de ervas medicinais.

“É possível que medidas como essa apresentem efeitos positivos que possam inspirar melhorias nas políticas públicas brasileiras”, disse o pesquisador.

A investigação prevê viagens de campo no Brasil e na Bolívia. Em âmbito nacional, as visitas devem ocorrer no DSEI Alto Rio Solimões, no Amazonas, e na SESAI – Secretaria de Saúde Indígena, vinculada ao Ministério da Saúde, em Brasília. Na porção internacional da Amazônia, a pesquisa deve se centrar na região de Beni, onde o diálogo intercultural foi priorizado durante a crise da covid-19.

Resultados para a sociedade e ciência

Além de publicações científicas em periódicos de alto impacto, o projeto prevê a entrega de diretrizes práticas para gestores públicos. A pesquisa propõe produzir materiais de devolutiva para as comunidades indígenas envolvidas, como vídeos, infográficos e cartilhas bilíngues.

O objetivo é subsidiar a formulação de políticas mais inclusivas e sensíveis às realidades locais, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente na redução das desigualdades e na promoção da saúde.

*Com informações da Universidade Federal de Rondônia

Estudo resgata história do ensino de música em Manaus

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Estudo possibilitou resgatar a história da Educação Musical na capital a partir do contexto histórico, artístico e socioeconômico. Foto: Lucyanne de Melo Afonso/Acervo pessoal

Divulgar a história do ensino de Música em Manaus durante o século XX foi o objetivo de um projeto que resultou na publicação de um livro, de um site do Laboratório de Educação Musical da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e na realização do Seminário de Educação Musical.

O projeto intitulado ‘Uma historiografia do ensino de música em Manaus no século XX: interfaces e conexões musicais, socioculturais e políticas’ foi coordenado pela pesquisadora Lucyanne de Melo Afonso, professora do curso de música da Ufam e doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia.

Apoiado pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), o projeto é amparado no âmbito do Programa de Apoio à Popularização e Divulgação para CT&I – PAPD/Fapeam, edital nº 014/2022.

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Segundo a coordenadora, o estudo possibilitou resgatar a história da Educação Musical na capital a partir do contexto histórico, artístico e socioeconômico da cidade em diferentes períodos. Ao longo do processo de construção da pesquisa, foram catalogadas informações de diversas fontes.

“Foram muitas informações nos jornais durante o século XX sobre professores de música, instituições de ensino da rede pública e privada, um levantamento de dados minucioso”, explicou Lucyanne de Melo.

Em Manaus, a disseminação da música ocorreu em diversas instituições, tanto públicas quanto privadas, por meio do ensino coletivo e individual em escolas especializadas. Lucyanne de Melo explica que a preservação da memória cultural é importante, pois pesquisar essas informações pode ajudar na construção do conhecimento na atualidade.

“A criação de uma nova cultura de pesquisa, de difusão e o desenvolvimento de novas produções tecnológicas têm um significado particular no contexto da Educação Musical em Manaus, pois o ensino não se restringe a uma prática instrumental, mas a toda uma inter-relação de saberes e de produção pedagógica, tecnológica, artística e científica”, ressaltou a professora.

Livro é resultado de estudo que resgata história do ensino de música em Manaus
Estudo também resultou em livro. Foto: Lucyanne de Melo Afonso/Acervo pessoal

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Estudo mostra influências

De acordo com o projeto, o ensino de Música entre 1900 a 1999, foi influenciado por questões como o ciclo da borracha, a segunda guerra mundial, a migração de nordestinos para os seringais da amazônia, a “política da boa vizinhança” entre Estados Unidos e América Latina, e a ditadura militar no Brasil.

O estudo trouxe, ainda, detalhes a respeito das intervenções na arte e no ensino de música. O projeto também relatou as leis da Educação que alteraram as práticas pedagógicas, a institucionalização do canto orfeônico nas escolas do Brasil, e a importância de instituições como o Instituto Afonso Penna e o Conservatório de Música Joaquim Franco. Além disso, abordou a criação da Faculdade de Artes da Ufam, e da Orquestra Amazonas Filarmônica.

O material pode ser acessado nos seguintes links: 

*Com informações da Fapeam

Nossa Senhora da Seringueira: a devoção mariana que atravessa a história do Acre

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Quadro de Nossa Senhora da Seringueira. Foto: Reprodução/ Facebook-@Arepublicabrasileira

A devoção a Nossa Senhora da Seringueira, padroeira do Acre, é marcada por fé, memória popular e está ligada a formação histórica do estado. Também conhecida como Nossa Senhora do Acre, uma imagem da santa é marcada por conflitos territoriais, ciclos econômicos e religiosidade popular. 

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A imagem está atualmente na Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, na capital Rio Branco. Situada às margens do rio Acre, a catedral se tornou referência arquitetônica e espiritual para os fiéis locais.

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Foto: D.Sicarius

De acordo com as informações da Academia Marial de Aparecida, a Catedral de Nossa Senhora de Nazaré começou a ser construída em 1948, quando Dom Júlio Mattioli, primeiro bispo do Acre, colocou sua pedra fundamental. As obras principais foram concluídas em 1958, e o projeto teve como inspiração a arquitetura italiana e o estilo romano-basilical, retratando inclusive cenas da Via-Sacra. 

Além disso, no interior da catedral, encontra-se um mausoléu onde repousam os restos mortais de Dom Júlio Mattioli e Dom Giocondo Maria Grotti. É nesse espaço que está preservado o quadro popularmente conhecido como Nossa Senhora da Seringueira, retratando a imagem da Virgem Maria com o menino Jesus em um dos braços e, na outra mão, um ramo de seringueira, árvore símbolo do Acre e elemento central do ciclo da borracha.  

Origem da imagem 

A origem do quadro é misteriosa, mas segundo a tradição oral mais conhecida entre os religiosos e historiadores locais, o quadro teria sido pintado por um indígena boliviano, que afirmava ter tido uma visão da Virgem Maria segurando um ramo da seringueira. O autor da pintura nunca foi identificado formalmente e teria deixado apenas as iniciais ‘L.P.’. 

Uma das narrativas mais conhecidas sobre a imagem remonta à Revolução Acreana. Relatos preservados na memória popular contam que tropas bolivianas teriam utilizado o quadro em uma falsa procissão religiosa como estratégia de guerra, escondendo atiradores por trás da tela. A intenção seria surpreender os combatentes brasileiros.

No entanto, o líder acreano Plácido de Castro, desconfiado da encenação, teria pedido perdão à Mãe de Jesus antes de ordenar o ataque. Os disparos atingiram a tela, marcas que, segundo os fiéis, ainda podem ser vistas na pintura.

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Nossa Senhora da Seringueira
Quadro de Nossa Senhora da Seringueira. Foto: Reprodução/ Facebook-@Arepublicabrasileira

Apesar desse conhecimento entre os religiosos, não existem documentos históricos que comprovem oficialmente nenhuma das versões sobre a origem do quadro ou seu uso durante o conflito. 

Peregrinação da imagem

Ao longo do século XX, a imagem peregrinou por diferentes locais, e após um período desaparecida teria permanecido anos no Rio de Janeiro, só retornando ao Acre em 1954. A imagem foi recebida com celebrações fluviais próximas à Gameleira, ficando posteriormente sob a guarda do Instituto Imaculada Conceição, e mais tarde, levada ao Parque Capitão Ciríaco, antes de ser finalmente devolvida à igreja. 

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Catedral de Nossa Senhora de Nazaré. Foto: Reprodução/ Facebook-@Arepublicabrasileira

Após um processo de restauração, a imagem foi oficialmente colocada em um lugar de destaque na Catedral Nossa Senhora de Nazaré no dia 1º de maio de 2016, com uma cerimônia presidida pelo bispo Dom Joaquín Pertiñez.

Nossa Senhora da Seringueira foi proclamada padroeira da Terceira República do Acre, e sua devoção é celebrada duas vezes ao ano, no dia 27 de janeiro, data que marca a Independência da Terceira República do Acre, e em 17 de novembro, quando se comemora a assinatura do Tratado de Petrópolis, que selou a incorporação definitiva do território ao Brasil

*Com informações do Santuário Nacional de Aparecida, da Academia Marial de Aparecida e da Rede Amazônica AC

Camarões são pequenos gigantes da biodiversidade amazônica

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Foto: Reprodução/ Guia Animal

Você sabia que os camarões, além de deliciosos, são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos? No estado do Pará, coração da Amazônia Oriental, um estudo revela uma incrível diversidade desses crustáceos.

A pesquisa de Miani Corrêa Quaresma e Jussara Moretto Martinelli Lemos reúne informações sobre a diversidade de camarões que habitam ambientes marinhos, estuarinos e de água doce nessa região, em que foram identificados 81 espécies de camarões, distribuídas em 17 famílias.

Leia também: Portal Amazônia responde: existe camarão de água doce?

As pesquisadoras publicaram um relato no site Conexões Amazônicas, parceiro do Portal Amazônia. Confira o texto completo:

camarões
Camarões das famílias Palaemonidae (representado pela espécie Macrobrachium acanthurus) e Penaeidae (representado pela espécie Xiphopenaeus kroyeri). Fonte: Lianos e colaboradores (2018) e Pereira (2023).

No Pará, as famílias Palaemonidae (com 27 espécies) e Penaeidae (com 12 espécies) se destacam, sendo amplamente estudadas dada sua importância ecológica e econômica. Essa importância é advinda tanto nos processos tróficos, como predadores que regulam a estrutura de comunidades aquáticas; como na economia, devido ao seu elevado valor comercial.

Como resultado, concluímos que a maioria dos camarões que habitam a Amazônia paraense possui um ciclo de vida ligado ao mar, visto que esses camarões migram para ambientes aquáticos com salinidade elevada, como estuários, manguezais e zona costeira, o que torna relevante a preservação desses ecossistemas.

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Essa relação dos camarões com a água salobra decorre do fato de muitas espécies viverem e se reproduzirem nesse tipo de ambiente, tornando esses ecossistemas aquáticos essenciais para a alimentação, o crescimento e a proteção contra predadores, pois oferecem esconderijos naturais e abrigo para os camarões jovens, reduzindo a predação por peixes e outras espécies. 

Pesca de camarão no estado do Pará. Foto: Miani Quaresma.

Os camarões mais abundantes, com destaque para Palaemonidae e Penaeidae, estão listados no “Livro Vermelho dos Crustáceos do Brasil: Avaliação 2010-2014”, publicação que atribui a cada espécie uma categoria de risco de extinção. A inclusão dessas espécies no Livro Vermelho auxilia estudos e políticas públicas voltadas ao manejo adequado desses crustáceos que são utilizados para fins econômicos e que habitam as águas amazônicas.

Destacamos, ainda, que a singularidade de espécies de crustáceos que habitam a Amazônia paraense é acentuada quando analisada junto à biodiversidade brasileira. No Brasil há 2,5 mil espécies de crustáceos registradas, de uma biodiversidade total aproximada de 68 mil. Dessa forma, ao se olhar somente a biodiversidade de táxons (que englobam diferentes espécies) de camarões que a Amazônia paraense abriga representa aproximadamente 3,2% da diversidade em relação a biodiversidade total de crustáceos, que habitam a extensa costa e bacias brasileiras.

Essa singularidade é advinda da fauna paraense e sua diversidade de habitats – desde as águas salobras dos estuários até os vastos rios amazônicos a qual criam ambientes únicos para uma rica variedade de camarões. Espécies como o camarão-da-Amazônia (Macrobrachium amazonicum), um dos crustáceos de água doce mais conhecidos, têm importância tanto ecológica quanto comercial, sustentando comunidades tradicionais que dependem da pesca artesanal.

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Ecossistemas costeiros, estado do Pará. Foto: Jussara Moretto Martinelli Lemos

Destacamos que as pesquisas sobre a história de vida das espécies presentes no estado do Pará são ainda insuficientes para compreender como esses crustáceos habitam a Amazônia e os ecossistemas tropicais. A maior parte dos estudos concentra-se em espécies de maior porte e com valor comercial, como o camarão-da-Amazônia.

Há uma carência de pesquisas voltadas para as fases iniciais do ciclo de vida dos camarões em ambientes naturais, bem como para aqueles que completam seu ciclo na zona pelágica (região oceânica habitada por organismos que não dependem do fundo do mar). Essa lacuna limita o entendimento da ecologia desses corpos d’água, entre outros aspectos.

Por que estudar os Camarões?

Além de sua relevância ecológica, os camarões são bioindicadores – espécies que ajudam a medir a saúde dos ecossistemas. Alterações na composição de suas populações podem indicar problemas ambientais, como poluição ou mudanças climáticas.

Embora nosso estudo tenha evidenciado a rica biodiversidade de camarões na Amazônia paraense, é fundamental reforçar a importância da conservação. A exploração predatória e a degradação dos habitats (como o desmatamento, assoreamento, poluição dos rios, mudanças no regime hidrológico, pesca predatória e alterações climáticas que alteram tanto o aumento da temperatura da água como as mudanças nos padrões de chuva), que colocam diversas espécies em risco, precisam ser cuidadosamente avaliadas.

Isso permitirá a implementação de políticas públicas e iniciativas de manejo sustentável, essenciais para proteger essa biodiversidade singular. Além disso, preencher as lacunas de conhecimento sobre os camarões amazônicos é fundamental para garantir a segurança alimentar das populações humanas que habitam as áreas costeiras da região. Esses crustáceos representam uma importante fonte de proteína para comunidades tradicionais, que dependem da pesca artesanal para sua subsistência e estão ameaçados pela introdução de espécies exóticas e invasoras.

Nosso estudo é um convite para conhecermos mais sobre os “pequenos gigantes habitantes” dos ecossistemas amazônicos e refletirmos sobre como podemos proteger a biodiversidade que sustenta o planeta.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Conexões Amazônicas, escrito por Miani Corrêa Quaresma e Jussara Moretto Martinelli Lemos

Drone permite monitoramento de mil hectares da floresta amazônica no Peru em três horas

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O drone VTOL WingtraOne é uma tecnologia de ponta de longo alcance, recentemente utilizada para monitorar uma concessão florestal em Madre de Dios. Foto: Divulgação/Osinfor

Com o drone VTOL WingtraOne — tecnologia de ponta e longo alcance —, a Agência Supervisora ​​de Recursos Florestais e Vida Selvagem (Osinfor), no Peru, elevou o monitoramento florestal a uma nova escala, conseguindo monitorar até 1.000 hectares em três horas e transformar imagens aéreas em evidências técnicas para a proteção florestal.

Recentemente, ela foi contratada para supervisionar 4.778,026 hectares em uma concessão florestal localizada no distrito de Iñapari, província de Tahuamanu, no departamento de Madre de Dios, uma área que apresenta desafios logísticos para o controle e monitoramento do uso da floresta.

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Equipado com sensores de alta precisão, o drone captura imagens aéreas com maior detalhe (ortomásicas), com resolução de até 0,7 centímetros por pixel, o que permite a identificação de áreas de desmatamento (clareiras) e amplia o campo de visão sobre estradas florestais, centros de coleta e outras infraestruturas associadas à implementação de planos de manejo, que nem sempre são visíveis em rotas tradicionais.

Imagem colorida mostra tela do drone WingtraOne VTOL usado no monitoramento florestal no Peru
Foto: Divulgação/Osinfor

Esta informação é fundamental para verificar se a utilização dos recursos florestais está a ser efetuada em conformidade com os planos de gestão aprovados, reforçando a base técnica das fiscalizações realizadas pela Osinfor nas áreas com títulos de propriedade.

Supervisão florestal

O impacto do drone VTOL WingtraOne reside não apenas no que ele vê, mas também na velocidade com que o faz. Enquanto outros drones precisam de cerca de 10 horas para cobrir 1.000 hectares, esta plataforma aérea consegue monitorar a mesma área em apenas três horas, atingindo uma taxa de cobertura de aproximadamente 330 hectares por hora.

“Graças a essa capacidade, uma supervisão que, com métodos convencionais, exigiria cerca de um mês de trabalho, pôde ser realizada em apenas seis dias, cinco dias de trabalho de campo e um dia de operação aérea, otimizando significativamente o uso do tempo e dos recursos institucionais ”, disse Maikol Justino Pinedo, supervisor florestal da Osinfor e piloto do drone VTOL.

Leia também: Jovens Yanomami aprendem a usar drones para mapear território e ajudar na fiscalização da floresta

Do voo de drones ao relatório técnico

As imagens capturadas durante o sobrevoo são processadas utilizando software especializado de fotogrametria para gerar ortomosaicos. Essas informações são então analisadas em sistemas de informação geográfica e integradas ao relatório de monitoramento florestal como evidência técnica.

O drone possui características que o tornam ideal para operar em grandes áreas de difícil acesso, como as predominantes na Amazônia peruana, permitindo uma cobertura de monitoramento ampliada sem depender de infraestrutura terrestre. Sua incorporação em julho de 2025 faz parte do processo de modernização da Osinfor, que utiliza drones no monitoramento florestal desde 2015.

A utilização desta tecnologia permite a otimização do tempo e dos recursos, facilita o acesso a áreas remotas e reforça a detecção de possíveis atividades ilegais, bem como o acompanhamento das alterações na floresta resultantes de intervenções de gestão florestal, tais como a abertura de clareiras em florestas primárias e a formação de florestas secundárias em diferentes estágios.

Com o VTOL WingtraOne, a Osinfor consolida um monitoramento florestal mais rápido, preciso e baseado em evidências, onde a floresta não é mais apenas inspecionada a pé, mas também analisada e protegida do ar, em prol do uso sustentável dos recursos florestais.

*Com informações da Agência Andina