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Parque Ecológico Municipal de Ji-Paraná: um refúgio de biodiversidade e lazer em Rondônia

Foto: Reprodução/ Facebook- Parque Ecológico Municipal de Ji-Paraná

O Parque Ecológico Municipal de Ji-Paraná, em Rondônia, é um dos espaços de preservação ambiental e de lazer para a população local e turistas. Com uma área de 98 hectares, o parque atua como um refúgio para a fauna e a flora nativas da Amazônia, ao mesmo tempo em que oferece uma variedade de atividades recreativas e educativas para seus visitantes.

O local é um exemplo de como a conservação da natureza e o convívio social podem coexistir em harmonia, contribuindo para a qualidade de vida na cidade e a conscientização ambiental.

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O Parque foi criado em 2001 através da Lei nº 1.091, de 14 de julho de 2001 com a finalidade de preservar a fauna, flora e a beleza natural, sendo revitalizado em 2018 e tornando-se sede da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Ji-Paraná (SEMEIA).

O espaço dispóe de 700 metros de passarela, onde é possível ver de perto diversas espécies de fauna e flora nativa, típicas de áreas úmidas. A entrada gratuita e o acesso facilitado incentivam a visitação, tornando-o um ponto de encontro para famílias, atletas e entusiastas da natureza.

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Ele representa um compromisso com o desenvolvimento sustentável, integrando áreas de floresta densa com estruturas projetadas para o uso público. A gestão do espaço afirma que objetiva equilibrar a proteção dos ecossistemas com a promoção de atividades que valorizam o contato com a natureza.

Biodiversidade e conservação

Parque Ecológico Municipal de Ji-Paraná é abrigo de diversos mamíferos. Foto: Reprodução/ Facebook- Parque Ecológico Municipal de Ji-Paraná

O Parque Ecológico de Ji-Paraná é um microcosmo da biodiversidade amazônica. Sua vegetação, composta por floresta densa e áreas de transição, serve de habitat para uma grande variedade de espécies animais. A presença de um lago no centro do parque, com aproximadamente 8 hectares, contribui para a diversidade de ecossistemas, atraindo aves aquáticas e outras formas de vida. A fauna local inclui mamíferos, répteis e uma avifauna diversificada, sendo um local propício para a observação de pássaros.

Além de proteger as espécies, o parque desempenha um papel na pesquisa e na educação ambiental. Escolas e universidades utilizam o espaço para estudos de campo, permitindo que alunos e pesquisadores observem de perto a dinâmica de um ecossistema preservado. As trilhas interpretativas, por sua vez, oferecem aos visitantes a oportunidade de aprender sobre as diferentes espécies de árvores e plantas, bem como a importância de cada uma para o equilíbrio ecológico. A conservação da área também ajuda a mitigar os efeitos das mudanças climáticas, atuando como um pulmão verde em meio à área urbana.

A gestão do parque informa que adota medidas rigorosas para garantir a integridade do ambiente. A fiscalização constante e campanhas de conscientização são ferramentas para prevenir a caça ilegal, o desmatamento e o descarte inadequado de lixo.

Foto: Reprodução/ Facebook- Parque Ecológico Municipal de Ji-Paraná

Lazer em Ji-Paraná

A infraestrutura do Parque Ecológico é planejada para atender a uma variedade de necessidades dos visitantes. Com uma pista de caminhada de 2.050 metros, o espaço é ideal para a prática de exercícios físicos. O anfiteatro, com capacidade para 500 pessoas, é utilizado para eventos culturais, palestras e atividades educativas. O parque também dispõe de uma lanchonete, banheiros e um grande estacionamento, garantindo comodidade e segurança.

O local é um ponto de encontro para a comunidade, que o utiliza para piqueniques, encontros familiares e atividades ao ar livre. As áreas de convivência são bem cuidadas, com bancos e espaços sombreados que proporcionam um ambiente agradável para o descanso e a contemplação.

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Foto: Reprodução/ Facebook- Parque Ecológico Municipal de Ji-Paraná

Equipe de vigilância e monitoramento está presente no parque. As atividades no parque são regulamentadas para garantir a preservação do ambiente e o respeito mútuo entre os usuários. A popularidade do parque reflete o crescente interesse da população por espaços que combinam a natureza com a conveniência da vida urbana.

Roraima lidera ranking nacional de áreas urbanas vulneráveis a enchentes, mostra estudo

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Imagem aérea de Boa Vista, capital do estado de Roraima. Foto: Juliana Dama/Rede Amazônica RR

Roraima é o estado brasileiro onde a maior proporção de área urbana está em situação de risco de enchentes. É o que mostra um levantamento do MapBiomas, plataforma que monitora o uso e a cobertura do solo no Brasil, divulgado no dia 4 de março.

Segundo os dados, ao todo, 9,1 mil hectares (46,4%) de toda a área urbanizada de Roraima está a menos de três metros de altura de um rio ou curso d’água. A faixa é considerada mais vulnerável a alagamentos e inundações.

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Em termos práticos, isso significa que quase metade das áreas com casas, ruas e infraestrutura urbana em Roraima estão em terrenos baixos e muito próximos de rios, o que aumenta significativamente o risco de serem atingidas por enchentes.

Os dados são referentes a 2024, ano mais recente da análise. O estado fica à frente do Rio de Janeiro, com 43%, e do Amapá, com 37,6% de área urbanizada vulnerável a enchentes.

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enchente em roraima
Enchente em cidade de Roraima. Foto: Divulgação/Secom-RR

Roraima em atenção e o cenário nacional

O pesquisador Edimilson Rodrigues, da equipe de mapeamento do MapBiomas, explicou que historicamente as cidades se estabeleceram junto aos corpos d’água, o que justifica o monitoramento de áreas nessas condições.

“Diante do aumento do número de eventos extremos e do conjunto de funções cumpridas por áreas de várzea e planícies alagáveis, é importante monitorar a expansão de áreas urbanizadas em margens fluviais buscando conservar o ambiente e a qualidade de vida da população”, esclareceu.

O levantamento analisou o crescimento das áreas urbanas no Brasil entre 1985 e 2024. No país como um todo, a área urbanizada em zonas de risco de enchentes cresceu 145% nas últimas quatro décadas, passando de 493 mil hectares para 1,2 milhão de hectares.

O avanço das cidades sobre áreas próximas a rios é um padrão histórico no Brasil, e que se torna cada vez mais preocupante com o aumento de eventos climáticos extremos, segundo o MapBiomas.

“A expansão das cidades tem que ser pensada no contexto do risco e das mudanças climáticas, que afetam a todos, mas, em especial, incidem de forma mais dramática em áreas mais sensíveis e vulneráveis”, destacou Mayumi Hirye, coordenadora do mapeamento.

O MapBiomas é uma iniciativa que reúne universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia para monitorar as mudanças no uso da terra no Brasil. Os dados são públicos e gratuitos.

*Com informações da Rede Amazônica RR

Atlas Arqueológico do Tocantins busca democratizar acesso às informações do estado

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Foto: Marco Antônio Gama/Governo do Tocantins

O arqueólogo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Rômulo Macêdo lançou, no dia 20 de fevereiro, o Atlas Arqueológico do Tocantins, livro de divulgação científica que apresenta um panorama da temática no estado.

A obra é fruto de uma pesquisa de quase 10 anos que reuniu e analisou publicações relacionadas ao patrimônio arqueológico do estado.

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Pensado para contribuir com ações de educação patrimonial, o Atlas apresenta de forma acessível o trabalho baseado em relatórios dos acervos do Iphan e em dados coletados em visitas de campo a sítios arqueológicos.

São mais de 150 páginas de fotos, tabelas, referências e muitos dados que estavam dispersos em repositórios nacionais e internacionais.

Leia também: Sítio Arqueológico Arraial Bom Jesus do Pontal é reconhecido como patrimônio cultural no Tocantins

atlas arqueológico do tocantins
Foto: Divulgação

Atlas representa acesso para história arqueológica de Tocantins

Segundo o autor, o conhecimento arqueológico produzido na região sempre esteve restrito a poucos, sobretudo em razão da baixa acessibilidade e da linguagem especializada dos relatórios técnicos.

“Com o lançamento do Atlas Arqueológico do Tocantins, estou realizando um sonho que me acompanha desde que cheguei ao estado, que é difundir os saberes sobre o patrimônio arqueológico a todos aqueles que se interessam por conhecer mais sobre nossos antepassados”, destaca Rômulo.

A obra teve patrocínio da Secretaria de Cultura do Tocantins, por meio de edital do Fundo Estadual de Cultura. Neste momento, o Atlas está disponível apenas em versão digital, para download gratuito AQUI.

*Com informações do Iphan

O porto peruano de Chancay e o comércio transfronteiriço pan-amazônico

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Terminal marítimo de Chancay. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Ponto alto da viagem da delegação da Associação Pan-Amazônia, no período de 16 a 21 de fevereiro, à Lima e ao Panamá, foi a visita ao complexo portuário de Chancay. Inaugurado pelo presidente da China, Xi Jinping, em novembro de 2024, o novo Porto, em alguns anos, poderá se transformar num dos mais importantes da América do Sul. O complexo está localizado a cerca de 70 km ao norte da capital peruana, Lima. Trata-se de um projeto superlativo, liderado pela companhia marítima estatal chinesa Cosco Shipping Company com investimentos totais estimados em US$ 3,4 bilhões (cerca de R$ 19,7 bilhões).

A infraestrutura contará, após concluída, com 15 embarcadouros, escritórios, serviços logísticos e um túnel com 2 km de comprimento construído sob a cidade de Chancay para o transporte de cargas sem perturbar os moradores. Trata-se, em síntese, de um megaporto que visa tornar-se o principal hub logístico entre a América do Sul e a Ásia. Com 18m de calado, opera grandes navios, reduzindo em até um terço o tempo de transporte. A movimentação foca em produtos agrícolas, eletrônicos e cargas gerais, com potencial de 1 milhão a 6 milhões de TEUs/ano. Além de desafogar o porto de Callao, atualmente o principal ponto de entrada e saída de mercadorias do Peru.

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Apenas para efeito comparativa, o Porto de Santos registrou um recorde histórico em 2025, movimentando 5,9 milhões de TEUs, o que representa uma alta de 7,7% em relação ao ano anterior; enquanto o Porto de Paranaguá, após movimentar 1,5 milhão de TEUs em 2024, registrou números recordes ao longo de 2025, ultrapassando movimentação de 1,6 milhão de TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés). O porto é descrito como “inteligente e sustentável” equipado com sistemas modernos de automação, inteligência artificial e monitoramento 5G.

Possui infraestrutura de última geração, incluindo guindastes automáticos e veículos elétricos autônomos. As operações de carga, descarga e trânsito interno são efetuadas eletronicamente sob o comando de 750 empregados, dos quais apenas 20 chineses. Um ponto preocupante: enquanto a infraestrutura interna do Porto é altamente segura e moderna, a área ao redor enfrenta crescentes riscos de segurança pública, particularmente em relação ao tráfico de drogas, ora severamente combatido.

Dentre as principais vantagens operacionais do complexo, segundo estudos técnicos da Cosco Shipping Company, destacam-se:

  • 1. Logística com o Brasil: O porto é visto como uma rota estratégica para exportações brasileiras (especialmente soja e carne do Acre/Centro-Oeste) para a Ásia, podendo reduzir em até 7 mil km a distância;
  • 2. Cargas: Inicialmente movimentando contêineres e, posteriormente, carga geral e a granel;
  • 3. Conectividade: Integra a iniciativa da “Nova Rota da Seda” (Belt & Road) da China, com alta tecnologia, automação e conexão com o sistema portuário peruano e
  • 4. Vantagens: Capacidade para receber os maiores navios do mundo (18.000+ TEUs), facilitando o comércio direto e reduzindo custos de frete.

A estimativa do governo peruana é de que a duração das viagens de cargueiros do Peru até a Ásia cairia de 40 para 28 dias.

Explica-se: Anteriormente, os produtos exportados pela América do Sul precisavam subir para o norte, até portos como Manzanillo, no México, onde ocorria o transbordo para que fossem enviados para a China. Com o novo porto, abre-se uma rota direta e mais rápida por meio do corredor rodo-fluvial Chancay-Paita-Yurimaguas Iquitos-Tabatinga, além de potencializar o comércio fronteiriço Peru/Brasil em setores como logística de transporte, telecomunicações, agronegócio – alternativa para exportações brasileiras (soja, carne, minérios) pelo Pacífico – e hidrocarbonetos, base da química orgânica e principal elemento do petróleo e gás natural. Além da vantagem em termos geográficos, o grande calado da baía de Chancay confere ao porto capacidade de receber os maiores navios do mundo.

Leia também: Pan-Amazônia lidera missão ao porto peruano de Chancay e Canal do Panamá

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Roraima atinge marca histórica de rebanho bovino com 1,3 milhão de cabeças de gado

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Rebanho bovino em Roraima. Foto: Divulgação/Aderr

O rebanho bovino de Roraima atingiu 1.291.065 cabeças em 2025, segundo dados da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr). O número consolida o avanço da pecuária e o trabalho do Governo do Estado nos últimos anos em reforçar o crescimento local do setor.

Entre os municípios com maior concentração de animais estão Mucajaí, com 162.270 cabeças; Amajari, com 145.834; Alto Alegre, com 122.896; Iracema, com 122.846; Rorainópolis; Caroebe, com 105.340; Caracaraí, com 104.884; Cantá, com 104.635; e Bonfim, com 102.953.

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Já os municípios de Boa Vista, São Luiz do Anauá, São João da Baliza, Pacaraima, Normandia e Uiramutã somaram, juntos, 187.340 cabeças no mesmo período.

O presidente da Aderr, Marcelo Parisi, atribui o crescimento do rebanho a fatores estruturais, como os investimentos do Governo de Roraima e o avanço da regularização fundiária.

“São fatores que garantem segurança ao produtor para investir, ampliar o rebanho e melhorar as condições produtivas da propriedade. Além disso, houve um avanço significativo na qualidade genética do nosso rebanho”, destacou.

Segundo Parisi, os produtores vêm investindo em inseminação artificial e na aquisição de touros de alta genética, o que contribui tanto para o aumento do número de animais quanto para a melhoria da produtividade.

“Com mais segurança jurídica e apoio institucional, o produtor consegue investir em pastagens de melhor qualidade e estruturar a propriedade para suportar um rebanho maior”, acrescentou.

Leia também: Pecuária cresce 85% em Roraima em sete anos, aponta Agência de Defesa Agropecuária

Gado em Roraima gera renda ao Estado. Foto: Divulgação

Controle sanitário e reconhecimento internacional bovino de Roraima

O crescimento da pecuária também se reflete na movimentação de animais. Em 2025, o Estado emitiu 190.720 GTAs (Guias de Trânsito Animal), documento obrigatório para o transporte de bovinos e fundamental para o controle sanitário da produção.

O reconhecimento sanitário tem sido outro marco importante para o setor. Em março de 2024, o Ministério da Agricultura reconheceu Roraima como livre de febre aftosa sem vacinação em âmbito nacional. Em maio de 2025, o mesmo status foi concedido pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal), ampliando as possibilidades de mercado.

rebanho bovino
Foto: Aderr

De acordo com o presidente da Aderr, a GTA é essencial para garantir rastreabilidade e segurança.

“O documento permite identificar a origem e o destino dos animais. Em caso de doença ou qualquer outra ocorrência, conseguimos rastrear por onde esses animais passaram e agir rapidamente para delimitar áreas e proteger o rebanho”, explicou.

Com avanços estruturais, segurança sanitária e melhoria genética, a pecuária roraimense consolida-se como um dos pilares do crescimento econômico do Estado.

*Com informações do Governo de Roraima

Artista de Roraima recebe prêmio nacional por obra dedicada a Davi Kopenawa

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A obra premiada da artista Alícia Bianca é “um profundo manifesto visual sobre a resistência amazônica e os impactos ambientais no território Yanomami”, segundo ela. Foto: Alicia Bianca/Rede Amazônica RR

artista plástica roraimense Alícia Bianca, de 19 anos, recebeu um prêmio nacional por uma obra dedicada e inspirada em Davi Kopenawa, xamã e um dos maiores líderes indígenas do país. Ela também é a imortal mais jovem da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (Alaca), com sede em Manaus (AM).

A obra premiada é um quadro pintado à mão, intitulada ‘A Ferida de Kopenawa’ e está entre as 19 produções selecionadas no concurso ‘Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!’. Como reconhecimento, Alícia vai receber R$ 2 mil.

“Queria valorizar a minha região, porque ela é a minha principal fonte de inspiração”, afirma Alícia.

Promovido pela Artigo 19, uma organização internacional de direitos humanos, o concurso selecionou produções ilustração, charge, cartum e fotografia. O resultado foi divulgado no dia 16 de fevereiro.

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‘Resistência amazônica’

Alícia conta que o quadro retrata a principal liderança indígena do povo Yanomami com um “profundo manifesto visual sobre a resistência amazônica e os impactos ambientais no território Yanomami”. Além disso, representa, por meio de Kopenawa, a luta dos povos originários.

Maior território indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares entre os estados do Amazonas e Roraima. A região vive invasões de garimpeiros há décadas e, nos últimos três anos, enfrenta os reflexos da atividade ilegal na saúde, na segurança, no modo de vida e no meio ambiente.

“O coração em chamas representa as queimadas, a fumaça nas terras indígenas. Ele está com o olho lacrimejando, simbolizando a dor. Os traços no rosto dele são pinturas com urucum”, explicou.

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A artista plástica retratou a luta de Davi Kopenawa. Foto: Alicia Bianca/Acervo pessoal

A obra foi produzida a partir de técnica mista, com lápis de cor e marcador artístico — recursos que a artista desenvolveu por meio da experimentação, processo que envolve a exploração de novas técnicas, materiais, ideias e formas de expressão.

“O objetivo foi provocar uma reflexão sobre os desafios climáticos em diálogo com a COP30, colocando o sofrimento dos povos originários no centro do debate global”, afirmou.

Artista já recebeu um prêmio para cada ano de vida

Alícia é artista autodidata e começou a desenhar aos 12 anos. Atualmente, cursa Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Roraima (UFRR) e ocupa a cadeira nº 329 da Alaca.

“Comecei com um caderno de caligrafia que minha avó me deu para treinar a letra. No verso das folhas, fazia desenhos”, relembrou.

Em sete anos dedicados à arte, Alícia recebeu 19 premiações regionais, nacionais e internacionais. É, de forma simbólica, um prêmio para cada ano de vida.

Entre os prêmios internacionais, ela venceu em 1º lugar no concurso internacional da Fédération Internationale des Véhicules Anciens (Fiva), uma competição voltada a veículos históricos, em Torino, na Itália. Também ficou em 5º lugar no concurso de ilustração A(R)RISCAR’21, em Portugal.

Para ela, as conquistas não são apenas troféus na estante, mas “lembretes de que a arte produzida no extremo Norte do Brasil tem potência, tem voz e consegue dialogar com o mundo”.

“Sinto que a juventude me dá uma liberdade de experimentação muito grande. Não tenho medo de errar, porque ainda estou descobrindo muitas camadas da minha própria arte. Por outro lado, ser reconhecida tão cedo me faz querer honrar cada vez mais o meu lugar de fala e a minha região”, destacou.

Alícia busca retratar Roraima em todos os trabalhos que produz. Desde que começou, criou cerca de 600 obras, muitas delas em homenagem a personalidades e elementos culturais do estado.

As artes da jovem já ilustraram edições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em Roraima, além de livros de ficção e materiais editoriais.

“Queria valorizar a minha região, porque ela é a minha principal fonte de inspiração. Quando viajo pelos lavrados de Roraima e vejo os buritizais, isso me inspira. É isso que quero mostrar por meio da arte”, concluiu.

Davi Kopenawa

Nascido por volta de 1955 (a data é incerta), Kopenawa é xamã e porta-voz dos Yanomami, povo ameaçado, principalmente, pela exploração ilegal do garimpo de ouro – atividade que se intensificou nos últimos anos e ameaça o povo que vive isolado geograficamente em Roraima e Amazonas.

Há mais de 30 anos, ele viaja pelo mundo em atos que defendem os direitos dos povos indígenas. Recebeu o apelido de “Dalai Lama da Floresta Tropical” e foi chave para o reconhecimento oficial do território Yanomami na Amazônia em 1992, depois de quase dez anos de luta.

Leia também: Para Davi Kopenawa “mudança climática significa pobreza e doença”

*Por Nalu Cardoso, Rânia Barros e Wellida Campos, da Rede Amazônica RR

Justiça acolhe pedidos do MPF e determina regularização de terras quilombolas no Marajó

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Comunidades quilombolas da Ilha do Marajó são priorizadas nos pedidos do MPF. Foto: Divulgação/TV Brasil

A Justiça Federal acolheu pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e determinou que a União e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apresentem, no prazo de 60 dias, relatório circunstanciado e atualizado do andamento individualizado de cada um dos processos administrativos para regularização de 14 comunidades quilombolas do arquipélago do Marajó, no Pará.

Os relatórios devem conter indicação objetiva das etapas já cumpridas e das pendentes, além de cronograma compatível com os prazos estabelecidos em sentença judicial.

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Segundo a sentença, os processos com Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) publicados devem ser concluídos em 24 meses e os processos que estão em fases anteriores à publicação do RTID devem ser concluídos em 48 meses.

A sentença também determinou à União que acompanhe os processos administrativos do Incra e se desincumba das etapas de sua responsabilidade em um prazo máximo de 12 meses da conclusão aos seus órgãos.

O MPF havia pedido o bloqueio de quase R$ 2,3 milhões para garantir o cumprimento da sentença. A Justiça Federal não acatou nesse momento o pedido, porém poderá determinar o bloqueio caso o cronograma não seja atendido pela União e Incra.

mulheres quilombolas em abaetetuba no pará
Mulheres quilombolas de Abaetetuba. Foto: Projeto Putirum

Leia também: Estudo revela 632 territórios quilombolas na Amazônia Legal

Atraso de regularização das terras quilombolas

Na ação, ajuizada em 2013, o MPF apontou que, das comunidades com processos de regularização em atraso, 12 estão no município de Salvaterra (Campina, Santa Luzia, Caldeirão, Deus Ajude, Pau Furado, São Benedito, Paixão, Salvar, São João, Bacabal, Rosário, Boa Vista), uma em Cachoeira do Arari (Gurupá) e uma em Curralinho (São José de Mutuacá).

Os processos de regularização dessas comunidades foram iniciados entre 2003 e 2007. Na ação, o MPF registrou que, no decorrer das investigações do caso, foi constatado que muitas vezes as terras invadidas pela crescente monocultura do arroz no Marajó se sobrepõem aos territórios quilombolas nunca regularizados.

Além de estabelecer prazos para a conclusão de processos de regularização, em 2018, na sentença, a Justiça também determinou que a União verificasse se eram suficientes os valores a serem repassados ao Incra para a conclusão de processos de regularização de áreas quilombolas que aguardavam solução havia mais de cinco anos.

Cumprimento Provisório de Sentença nº 1036023-28.2022.4.01.3900

*Com informações do MPF

Parintins recebe destaque do Ministério do Turismo por sua cultura e identidade

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Foto: Yuri Pinheiro/ Secom Parintins

A cidade amazonense de Parintins ganhou destaque em uma publicação do Ministério do Turismo. Segundo a publicação, é durante o verão amazônico, em julho, que as águas do Rio Amazonas baixam e apresentam praias fluviais que transformam a paisagem da região destacando a cidade como um dos destinos culturais mais marcantes do Brasil.

Localizada às margens do Rio Amazonas, no coração da Amazônia, a cidade combina natureza, tradição e identidade em uma experiência única para moradores e visitantes.

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Reconhecida internacionalmente pelo Festival Folclórico, Parintins foi fundada oficialmente em 1796 e tem origem ligada aos povos indígenas que habitavam a região, especialmente os tupinambás. Ao longo do tempo, consolidou-se como um importante polo cultural do Amazonas, onde tradição e contemporaneidade caminham juntas.

O nome Parintins remete a um povo indígena que habitava a ilha antes da colonização. Essa herança ancestral permanece viva na estética, nos rituais, nas narrativas e na relação simbólica que a população mantém com a floresta e as águas.

De julho a novembro, seu período de verão, Parintins revela praias fluviais que encantam moradores e visitantes. A Praia do Uaicurapá é uma das mais conhecidas, oferecendo banhos refrescantes, paisagens amplas e momentos de convivência em contato direto com a natureza.

Também é pelo Rio Amazonas que chegam turistas, mercadorias, histórias e influências culturais. O rio molda o cotidiano da cidade, define o tempo das cheias e das vazantes e transforma-se, no verão amazônico, em espaço de lazer, encontro e celebração.

Leia também: 3 coisas que você só encontra em Parintins, a “ilha da magia” 

Festival de Parintins: Amazônia em cena

O maior símbolo cultural da cidade é o Festival Folclórico de Parintins, realizado anualmente no Bumbódromo, tradicionalmente no último final de semana do mês de junho. O duelo entre os bois Garantido e Caprichoso transforma mitos, lendas e saberes amazônicos em um espetáculo grandioso de música, dança e artes visuais.

O festival é uma afirmação cultural. Elementos indígenas, ribeirinhos e caboclos ganham protagonismo, reforçando a Amazônia como centro de criação artística.

Festival Folclórico de Parintins
Bumbódromo de Parintins. Foto: Yuri Pinheiro/Secom Parintins

Ancestralidade e resistência cultural

A força cultural de Parintins está diretamente ligada às raízes indígenas e populares. Os rituais, grafismos, narrativas orais e personagens do festival dialogam com cosmologias ancestrais e reafirmam a importância dos povos originários na construção da identidade amazônica.

Essa ancestralidade também se manifesta no artesanato, na música regional e nas festas religiosas e populares que ocupam ruas, comunidades e beiras de rio ao longo do ano.

Foto: Eduardo Melo/Acervo SEC

Sabores de Parintins: tradição no prato

A culinária parintinense é um reflexo direto da vida ribeirinha. Peixes como tambaqui, tucunaré e pirarucu são preparados assados, fritos ou em caldeiradas. O tacacá é outro prato típico que atrai visitantes.

Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

Um convite para viver a Amazônia em sua forma mais autêntica

Parintins é uma experiência cultural e afetiva. Entre o vermelho e o azul dos bois, o brilho do rio e a força da ancestralidade, o visitante descobre uma Amazônia que canta, dança e se reinventa em sintonia com suas raízes.

Às margens do Rio Amazonas, Parintins convida o mundo a conhecer a floresta a partir de sua gente, de sua arte e de sua memória: uma Amazônia que pulsa cultura o ano inteiro e transforma tradição em futuro.

Imagem colorida mostra quatro cenas a respeito de Parintins - o rio Amazonas, os bois Caprichoso, Garantido e o comércio na cidade
Foto: Alessandra Serrão e MTur Destinos/ Ministério do Turismo

*Com informações do Ministério do Turismo

Mulheres que cultivam: a força das agricultoras familiares na zona rural e comunidades indígenas de Boa Vista

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Mulheres que inspiram. Foto: Reprodução/Prefeitura de Boa Vista

Com papel essencial no fortalecimento da agricultura familiar, a força da mulher marca presença nas lavouras todos os dias do ano, unindo cuidado, luta, dedicação e resiliência no campo. Em Boa Vista (RR), seja na zona rural ou nas comunidades indígenas do município, mulheres plantam, colhem e geram renda, garantindo sustento e dignidade às suas famílias.

Todo esse trabalho é feito com políticas públicas implantadas pela Prefeitura de Boa Vista. Até o momento, já foram investidos R$ 77 milhões no fortalecimento da agricultura familiar da capital. Para 2026, a previsão é de mais R$ 43 milhões destinados a novos investimentos no setor, ampliando o apoio aos produtores e produtoras, impulsionando o desenvolvimento rural.

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Força que vem da terra

No auge da pandemia, causada pelo Coronavírus, em 2020, Antônia Mourão saiu da cidade e foi para o PA Nova Amazônia I, zona rural de Boa Vista, buscando segurança e tranquilidade, já que estava em isolamento, respeitando as regras de prevenção. O tempo passou, a transmissibilidade do vírus caiu, a vacina chegou, mas Antônia e o esposo, Antônio Pacheco, já estavam habituados à rotina no campo.

“A gente começou plantando alguns pés de quiabo, produzindo bem pouco mesmo e agora, estamos ampliado. Hoje, cultivamos pimenta, quiabo, maxixe, abobrinha, batata-doce, milho, banana, macaxeira, goiaba, peixe, galinha e ovos. Trabalhar no campo exige força física e é preciso estar disposto a arregaçar as mangas. Tudo é fruto de muito suor, mas eu não me vejo mais fora daqui”, disse.

Guardando tradição

Nas comunidades indígenas, o papel feminino na agricultura é ainda mais simbólico. Além de cultivar a terra, as mulheres mantêm vivas técnicas tradicionais de plantio, cultivo e preparo, transmitidas de geração para geração. Jucirene Souza mora na comunidade Mauixe, região do Baixo São Marcos, com o esposo e filhos. Há 3 anos, a família decidiu intensificar o cultivo de mandioca para produção de farinha.

Jucirene tem ampliado o cultivo de mandioca. Foto: Diane Sampaio/PMBV

“Trabalho como merendeira em uma escola e aqui na roça com a minha família. Contamos com o sistema de irrigação da prefeitura para conseguir produzir mandioca o ano inteiro e assim não parar a produção de farinha. É uma correria sem fim, mas estamos conseguindo vencer e já estamos planejando ampliar a roça. Vamos aumentar o tamanho da área irrigada”, contou.

Leia também: Mandioca ou macaxeira: pesquisadora paraense explica as diferenças

Mandioca é utilizada na produção de farinha. Foto: Diane Sampai/PMBV

Desde a implantação do Plano Municipal do Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA), o apoio institucional alcançou 757 famílias chefiadas por mulheres. Os produtores contam com assistência técnica especializada, 149 máquinas e implementos, dentre tratores, caminhões, escavadeiras, drones agrícolas, colheitadeiras, patrola, dentre outros.

Frutas são produzidas na zona rural da capital. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Jornada dupla das mulheres agricultoras

Entre hortaliças, mandioca, frutas e legumes, a rotina das mulheres começa cedo. Antes mesmo do sol nascer, a maioria já está de pé, iniciando a dupla jornada, pois cuidar da produção e da família exige disciplina, coragem e capacidade de adaptação. Ter consciência de que o alimento que chega à mesa passa por mãos femininas que não desistem é reconhecimento à força que sustenta o campo.

mulheres inspiram na zona rural de boa vista
Mulheres se dividem entre cuidados com a família e trabalho no campo. Foto: Diane Sampaio/PMBV

*Com informações de Prefeitura de Boa Vista

Projetos fortalecem autonomia de mulheres em comunidades amazônicas

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Mulheres independentes inspiram. Foto: Rodolfo Pongelupe

O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, vai além de uma data simbólica de reconhecimento. Em territórios tradicionais da Amazônia, transformar essa celebração em oportunidades concretas de geração de renda, qualificação e liderança feminina é um desafio permanente.

Nesse contexto, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) tem desenvolvido iniciativas voltadas ao fortalecimento econômico e ao protagonismo de mulheres das florestas e rios amazônicos. As ações visam ampliar a independência financeira das participantes, aliando geração de renda, formação técnica e valorização dos saberes tradicionais.

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“Garantir autonomia econômica para as mulheres da região amazônica é oferecer ferramentas concretas para que elas possam empreender, gerar renda e fortalecer suas comunidades. Quando investimos em formação e valorizamos os conhecimentos locais, criamos caminhos reais de transformação social e desenvolvimento sustentável”, destaca a superintendente-geral adjunta da FAS, Valcléia Lima.

Entre as iniciativas está o ‘Laboratório de Empreendedorismo Feminino’, realizado em Manaus (AM), que integra o projeto Empreendedoras da Floresta, feito em parceria com a L’Oréal Fund for Women. A ação promoveu, em junho do ano passado, imersões formativas voltadas ao desenvolvimento de negócios sustentáveis e criativos.

Durante os encontros, as participantes tiveram acesso a oficinas sobre planejamento, inovação de produtos e modelagem de negócios, além de apresentarem seus projetos em formato de pitch para uma banca avaliadora. A proposta fortaleceu competências estratégicas e possibilitou a troca de experiências entre as participantes, ampliando a rede de contatos.

mulher é símbolo de inspiração em comunidades amazônicas
Foto: Rodolfo Pongelupe

“Pude aprender bastante e ter mais conhecimento sobre planejamento, precificação e sobre como organizar os produtos até à venda. Foi muito importante, porque a FAS e a L’oreál vem dando oportunidade para mulheres artesãs”, comentou Joana Oliveira, empreendedora do grupo Formiguinhas do Saracá, localizada na comunidade Saracá (distante cerca de 60km de Manaus, via fluvial), numa das atividades do projeto.

No campo da qualificação técnica, a FAS também desenvolve o projeto ‘Elas Reparam’, em parceria com o Consulado da Mulher (ação social que tem a Whirlpool, dona da Brastemp, Consul e KitchenAid, como principal mantenedora). A iniciativa capacita mulheres de Unidades de Conservação (UCs) em manutenção de eletrodomésticos, como geladeiras, máquinas de lavar, micro-ondas e aparelhos de ar-condicionado.

Além de abrir uma nova alternativa de renda dentro das próprias comunidades, o projeto reduz custos com deslocamentos até centros urbanos para consertos. Antes, muitos equipamentos eram inutilizados ou descartados por falta de assistência técnica local. Com a capacitação, as participantes passam a oferecer o serviço na própria região, fortalecendo a economia comunitária e promovendo maior estabilidade financeira para suas famílias.

FAS: projetos para mulheres

Outra frente é a ‘Jornada de Empregabilidade e Carreira’, uma iniciativa da FAS em parceria com o Amazonas Shopping, voltada a mulheres em situação de vulnerabilidade social que desejam avançar na vida profissional. Realizada em novembro, a formação ofereceu um espaço estruturado de aprendizado, com atividades focadas no desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais (hard e soft skills).

A programação beneficiou dezenas de mulheres, com orientações práticas sobre elaboração de currículo, participação em entrevistas e preparação para processos seletivos.

“Ao investir em formação empreendedora, qualificação técnica e fortalecimento de redes locais, contribuímos para que mulheres amazônidas ampliem sua renda e assumam papéis estratégicos na economia comunitária. Em territórios onde são guardiãs da floresta e da cultura, promover independência econômica também significa fortalecer a sustentabilidade da Amazônia”, finaliza Valcléia Lima.

*Com informações da FAS