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Construtores de sonhos: saiba como é o trabalho dos cenógrafos no FAO

O trabalho dos cenógrafos no FAO. Georgia Massetani. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

Quem assiste a um espetáculo de ópera geralmente se encanta com as vozes poderosas, os figurinos deslumbrantes e a grandiosidade da música. Mas por trás do brilho do palco existe um trabalho minucioso, artesanal e intenso: a cenografia.

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saiba como é o trabalho dos cenógrafos
Detalhes da cenografia ‘As Bodas de Fígaro’. Foto: Divulgação

Leia também: Festival Amazonas de Ópera: conheça o trabalho dos cenógrafos do espetáculo

É nesse cenário — literalmente — que atua a cenógrafa Georgia Massetani, que há 15 anos contribui com o Festival Amazonas de Ópera (FAO), em Manaus (AM).

Neste ano, Georgia está à frente de dois cenários principais, além de ter contribuído com a direção de arte de alguns concertos. “Mesmo em apresentações menores é importante que os objetos de cena estejam presentes. Isso ajuda o público a perceber como eles se relacionam com a movimentação cênica”, destaca.

Confira a importância deste trabalho para o FAO:

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

Festival Amazonas de Ópera: conheça o trabalho dos cenógrafos do espetáculo

Festival Amazonas de Ópera. Foto: Michael Dantas/SEC AM

Quem assiste ao Festival Amazonas de Ópera se encanta com as vozes poderosas, os figurinos deslumbrantes e a grandiosidade da música. Mas por trás do brilho do palco existe um trabalho minucioso, artesanal e intenso: a cenografia.

É nesse cenário — literalmente — que atua a cenógrafa Georgia Massetani, que há 15 anos contribui com o Festival Amazonas de Ópera (FAO), em Manaus (AM).

“Quem vê de fora não imagina o trabalho que dá. Não é só o talento dos cantores que faz o espetáculo acontecer, tudo compõe a experiência, inclusive o cenário”, revelou Georgia. Como cenógrafa residente, ela participa desde a concepção até os acabamentos dos cenários. Em algumas produções, também assina o projeto cenográfico completo.

Festival Amazonas de Ópera
Cenografia é uma parte importante no Festival Amazonas de Ópera. Foto: Marcio James/SEC AM

Neste ano, Georgia está à frente de dois cenários principais, além de ter contribuído com a direção de arte de alguns concertos. “Mesmo em apresentações menores é importante que os objetos de cena estejam presentes. Isso ajuda o público a perceber como eles se relacionam com a movimentação cênica”, destaca.

Leia também: Ópera em Rede retorna em 2025 com ações de inclusão cultural e ambiental

Da pesquisa ao palco

O processo criativo começa meses antes da estreia. “Nosso trabalho começa com uma pesquisa junto à diretora cênica, neste caso a Juliana Santos. Estudamos o libreto, buscamos imagens, textos, referências literárias e visuais. A ideia é entender o que a diretora quer comunicar através daquele cenário”, conta Georgia.

Ela mistura pesquisas acadêmicas e visuais, com especial apreço por livros e bibliotecas. “Gosto de equilibrar o digital com o físico. Livros me dão uma profundidade que às vezes não encontro na internet”, explicou a cenógrafa.

Festival Amazonas de Ópera
O cenário dá uma vida diferente para o Festival Amazonas de Ópera. Foto: Esley Cavalcante/FAO

Com as referências em mãos, começa o esboço pictórico. Para Georgia, a imagem ilustrativa é essencial. “Como já trabalhei com ilustração, preciso visualizar bem o que quero comunicar. Essa imagem me ajuda a pensar na temperatura da cena, nas intenções cênicas”, disse.

Depois dessa fase, entra o trabalho técnico, feito com o auxílio de assistentes. “Eu foco mais na parte artística e deixo a parte mais técnica — como vistas, cortes, plantas — com meus assistentes”, afirmou.

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Um exército nos bastidores

A criação de um cenário de ópera envolve uma equipe extensa e diversa. “Acredito que envolvemos cerca de 60 pessoas, ou até mais. Temos pintores, escultores, aderecistas, tapeceiros, costureiros, marceneiros, serralheiros… Todos eles são fundamentais para dar vida ao cenário”, disse.

Festival Amazonas de Ópera
Georgia Massetani, cenógrafa do Festival Amazonas de Ópera. Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

A cenógrafa destaca o crescimento profissional que o festival proporcionou para a equipe local ao longo dos anos. “Em 25 anos de festival, muitos profissionais foram se formando aqui mesmo, desenvolvendo um conhecimento técnico muito potente”, contou.

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Desafios

Como em qualquer produção de grande porte, os desafios são muitos — e variam a cada edição. Georgia afirma que a máquina operística nunca é fácil.

“Sempre há algo novo, mas isso também nos amadurece. Trabalhar com pessoas tão diferentes exige delicadeza, paciência e empatia. No final, a magia do teatro quase sempre vence”, afirmou.

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Festival Amazonas de Ópera
Foto: Marcio James/SEC AM

Uma das dificuldades recorrentes é a obtenção de materiais. Mas Georgia vê isso como uma oportunidade de inovação: a cenógrafa afirma que sempre conseguem encontrar os materiais em Manaus ou pensam em alternativas. Para ela, isso alimenta a criatividade. Quando algo falta, sempre encontram uma solução.

E quanto aos imprevistos? Ela diz que sempre acontecem, embora não se lembre de um específico, mas uma lenda urbana chama a sua atenção. “Ah, dizem que tem fantasminhas no teatro! Quando trabalhamos à noite para dar retoques, até brincamos com isso”, comentou, rindo.

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A beleza que o público não vê

Enquanto os aplausos ecoam pelo Teatro Amazonas, Georgia e sua equipe seguem nos bastidores, dando forma aos sonhos encenados no palco. São essas mãos invisíveis que constroem os mundos fantásticos onde a música ganha corpo e cor.

“É um trabalho coletivo, sensível, de muito empenho. E é uma alegria poder contribuir para essa experiência tão intensa que é a ópera”.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

Peru cria estratégias para conservar e proteger o macaco-barrigudo-de-cauda-amarela

Foto: Reprodução/Agência Andina

No âmbito da gestão de áreas naturais protegidas (ANP), no Peru, são priorizadas estratégias de conservação para o macaco-barrigudo-de-cauda-amarela (Lagothrix flavicauda), espécie endêmica das florestas montanhosas. Esses ecossistemas são geridos pelo Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernanp), entidade pertencente ao Ministério do Meio Ambiente (Minam).

“Esses são espaços essenciais para garantir a conservação da espécie, bem como a proteção dos territórios que sustentam sua sobrevivência, especialmente em regiões como Amazonas e San Martín, onde os PNAs funcionam como polos de conservação e conectividade ecológica”, disse Marco Arenas, Diretor Geral de Diversidade Biológica do Sernanp.

Leia também: Espécie que se acreditava estar extinta há quase 100 anos, hoje só vive no Peru

Nesse sentido, Arenas disse que o Ministério está participando da formulação do Plano de Ação Específico para a Conservação do Macaco-barrigudo-de-cauda-amarela e seu Habitat (PEAC), em coordenação com os governos regionais da área onde a espécie vive, o Serviço Nacional de Florestas e Vida Selvagem (SERFOR), o Sernanp e a organização Yunkawasi. Isto, em conformidade com a Lei nº 32.100.

Desde a entrada em vigor desta disposição legal, o setor do Meio Ambiente realizou cerca de uma dezena de ações de capacitação e assistência técnica para os governos regionais de La Libertad, San Martín, Huánuco e Amazonas, enfatizando a formulação de projetos de investimento público para recuperar a diversidade biológica e os serviços ecossistêmicos que impactam a proteção do macaco-barrigudo-de-cauda-amarela.

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As ações de conservação estão alinhadas com a Meta 4 do Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que promove a recuperação de espécies ameaçadas, bem como com os objetivos da Estratégia Nacional de Diversidade Biológica 2050 liderada pelo Minam, que estabelece ações específicas para prevenir extinções e recuperar populações criticamente ameaçadas.

“Com a organização Yunkawasi, estamos consolidando mecanismos de cooperação. Em breve, será assinado um acordo para ampliar o escopo das ações de apoio à conservação da vida selvagem no país”, afirmou. Desta forma, contribui para o cumprimento das metas nacionais de biodiversidade para 2030 e dos compromissos assumidos pelo Peru em nível internacional.

Foto: Reprodução/Agência Andina

O macaco peludo de cauda amarela é encontrado no Santuário Nacional da Cordilheira de Colán, na Reserva Comunal Chayu Nain, na Zona Reservada do Río Nieva, no Parque Nacional do Río Abiseo e na Floresta de Proteção Alto Mayo; e em diversas áreas regionais como Vista Alegre – Omia, Bosques de Shunté e Mishollo; e a Cordilheira da Escalera.

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Além disso, em Junín, está em tramitação a proposta da Área de Conservação Regional San Cristóbal de Pucutá – Menkori, onde a espécie também é encontrada.

O setor Meio Ambiente continuará promovendo uma abordagem territorial, participativa e multissetorial para a conservação do macaco-barrigudo-de-cauda-amarela, que aparece na lista internacional de primatas ameaçados de extinção.

“É uma espécie prioritária tanto pelo seu valor ecológico quanto pelo seu potencial de gerar desenvolvimento local sustentável”, observou Arenas.

*Com informações da Agência Andina

Feliz Dia das Mães, Maria Portuguesa!

Maria Moreira aos 90 anos. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Delicada e meiga que só ela, Maria Moreira Gomes foi a Maria Portuguesa do Mercado Adolpho Lisboa, em Manaus, e seu sotaque não negava. É amazonense registrada portuguesa, dizia ela, rindo na preciosa lucidez dos seus 99 anos na época, com a mesma euforia de uma criança que comemorava dois. E uma diferença singular: no seu aniversário tinha cachaça, vinho e cerveja. Quem a viu, não imaginava que na criatura frágil (pura aparência) já vivia uma barbeira, mateira, chofer de praça, carregadora de mercado, empregada doméstica a uma respeitável vendedora de plantas medicinais e verduras.

Dona Maria Portuguesa era sinônimo de festa, de luz, de gente que não nasce todo dia, uma raridade que se preocupava em dar lições, porque era a própria cartilha. “Também bonita só eu mesmo”, dizia.

Uma beleza que não tinha o peso de seus 99 anos, mas a leveza de tê-los completados sem deixar que as rugas viessem de graça, por caprichos da vida. Ela, ao contrário, foi caprichosa. Rodou a baiana extremamente feliz, feliz de impressionar e contar cada história de sua vida.

O trabalho era a vida

A conhecida Maria Portuguesa era de acordar cedo, às 4 da manhã, para ir ao mercado Adolpho Lisboa vender as plantinhas medicinais que ela mesma cultivava no seu quintal. Detalhe importante: Dona Maria jamais tomou remédio de médicos. Sua pequena fonte de mucuracaá, cala-a boca, sangue de cristo, Jiboia, mão-aberta, samandaru e outras, garantiram a cura para males do corpo, se bem que isso era difícil acontecer. No mercado, ela só não ia na Sexta-feira Santa. E lá passava toda a manhã. Depois do mercado, Dona Maria Portuguesa tomava uma cachacinha ou cerveja ou vinho (preferência devida a terra natal) e depois almoçava.

Ela cuidava das plantas da casa; criava uma neta de 19 anos, a Jussara, desde recém-nascida; reclamava da rua em péssimo estado, que era a Travessa Dr. Machado, entre a Major Gabriel e Joaquim Nabuco; assistia novela (mas não gostava dos beijos e abraços); torcia pelo Flamengo (uma paixão) e pelo Nacional. Vivia, enfim, uma vida quieta e alegre em que misturava a umbanda com catolicismo. Devota de São Sebastião e Nossa Senhora da Conceição, tinha as entidades preto velho e caboclo guerreiro como guias. Lago Grande, do qual estava afastada de trabalhos pela idade.

Maria Portuguesa do Mercado Adolpho Lisboa. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Mas era uma lago mesmo

Não tinha nome melhor para guia da vida Maria Portuguesa do que Lago Grande. Haja trabalho, haja lago de trabalho para essa que foi uma pequena notável do tempo do tostão, que passou pelas pesadas profissões e venceu todas. Um orgulho: em 1925 tirou a carta de Chofer de Praça fazendo todos os testes e naturalmente aprovada com louvor.

Foi mateira, carregadora de banana nas madrugadas do mercado e empregada doméstica. Aliás, sua mocidade poderia ser medida pelo prazer que lembra os bailes do Luso Sporting Clube, Nacional Futebol Clube, Atlético Rio Negro, onde namorava e dançava sem parar.

A vida de Maria Portuguesa, diante de tudo que passou, foi uma nuvem de chuva que veio molhar o campo para a semente de sua própria vida. Ajudou a criar 13 irmãos, cinco filhos e uma neta que ela chamava de “minha Jussara”.

Dar os parabéns para a trajetória de vida de Maria Portuguesa era virar o copo, porque segundo ela, virar o copo era sinal de vida.

Naquela época, para ir ao mercado, ela atravessava um beco esburacado que não lhe desanimava. Foi uma mãe severa e cuidadosa com seu trabalho.

E diante da insistente pergunta sobre a fórmula que a fez passar dos 100 anos, sem usar óculos e com um olhar 43 que era de fazer inveja ao roqueiro RPM, uma lucidez tão viva quanto as vinagreiras que cultivava, respondeu: trabalho.

Esse trabalho não produziu riqueza maior que o amor com que ajudou seus filhos e netos a se arrumarem no mundo e formar a base de toda a vida de Maria Portuguesa.

A fisionomia urbana de Manaus do período em que viveu Maria Moreira Gomes reflete bem o espírito da sociedade que aqui floresceu em fins de 1800 e início de 1900. Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte

Por todos os filhos, netos e bisnetos que não fizeram parte da vida de Maria Portuguesa, a gente quer tomar emprestado um espaço debaixo dessa nuvem de chuva que vai fertilizar a terra. E o dia das mães é ninguém melhor que Dona Maria, que foi frágil como os primeiros raios de sol e depois forte como o próprio sol, para sintetizar o sentimento para com as mães.

Ela que fez tudo na vida para sobreviver, precisava ser mãe de uma geração que não aprendeu a delicada arte de alegria. E nem soube contar rugas como prêmio aos seus 101 anos de poesia. A simples poesia de ser a vida de Maria Portuguesa.

Seu falecimento foi notícia no Jornal do Comércio

A tradição de trabalhar no Mercado Adolpho Lisboa passou para os filhos, tendo um dos netos permanecido até hoje com a concessão de um box no mercado.

“… Noticiado no Jornal do Comércio de quinta–feira, do dia 02 de junho de 1988: Mercado para com a morte de dona Maria portuguesa. Foi um dia de luto no Mercado Adolpho Lisboa. Os feirantes que trabalham na parte interna do mercado encerraram o atendimento ao meio-dia, para prestar a última homenagem a Tia Maria Portuguesa que morreu na madrugada de ontem, vinte dias após completar 101 anos de idade. Foi enterrada às 14h, no Cemitério São João Batista. Ela era a mais antiga verdureira do Mercado Adolpho Lisboa.”

“… Foi noticiado no Jornal A notícia, no dia 02 de junho de 1988: Morre uma das figuras mais tradicionais. Dezenas de pessoas, entre amigos e colegas de trabalho acompanharam ontem, o enterro da centenária dona Maria Moreira Gomes, conhecida como Maria Portuguesa, querida e admirada por todos, que no dia a dia costumava ir ao mercado para trabalhar.

Maria Portuguesa morreu ontem, em sua residência, às 15h, por complicações trazidas pela idade. Ela completou, no último dia 10 do mês passado 101 anos. Para os amigos que levaram ao último adeus, só havia uma coisa a dizer sobre Maria Portuguesa: O seu exemplo de luta e de perseverança no dia a dia, buscando sempre o trabalho de feirante, desde os primórdios tempos do Mercado Municipal.

Agraciada com uma banca de n. 07, no Mercado Municipal, após a reforma na gestão do Prefeito Jorge Teixeira, Maria só de trabalho tinha 67 anos que lhe tornaram popular a todos que no dia a dia frequentavam o mercado. Para quem a conheceu, Maria não vendia somente verduras e plantas medicinais, vendia também todo o seu conhecimento sobre o Mercado Municipal, pois sabia de todos os momentos históricos do local e, dos áureos tempos em que como sempre relembrava os filhos, a comida era farta quando tinha tartaruga, a carne e o peixe. Maria trabalhou até 100 anos. No ano passado, em maio, seu centenário foi comemorado por todos os colegas do mercado e pelas autoridades. Como a idade já não lhe permitia os excessos teve que parar, mesmo contra sua vontade. Continuava lúcida e sempre relembrando suas andanças. Trazida sempre pelo carma de feirante e, em casa, segundo seu filho Antônio Mattos, Maria dedicava-se a criar galinhas e patos, em seu quintal, quase sempre para dar de presente a algum amigo.

Por duas vezes, foi condecorada a mãe do ano, em 1986 e 1987, numa homenagem feita pela Rádio Difusora. Sua popularidade, como sempre, lhe rendia homenagens daqueles que sempre a apontavam no Mercado Municipal.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Portal Amazônia responde: o que são sítios arqueológicos?

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Monolitos que formam o Sítio Arqueológico de Calçoene (AP) com provável função ritualísitca e de observação astronômica. Foto: Reprodução/Iphan

Simbolizando determinado momento histórico de uma região, os sítios arqueológicos são locais onde se encontram vestígios de presença humana e que apresentam relevância científica para a compreensão da história da humanidade.

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De acordo com Hosenildo Gato Alves, mestre em história pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), sítios arqueológicos são lugares que testemunham a história de sociedades antigas.

“São espaços de memória que o historiador estuda para tentar reconstruir e interpretar o modo de vida de sociedades antigas”, afirmou o historiador.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 27 mil sítios arqueológicos oficialmente registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e 10.197 estão localizados na Amazônia.

Leia também: Amazônia concentra maior número de sítios arqueológicos do Brasil

Esses sítios arqueológicos são divididos em simples e complexos. Os simples são aqueles onde a presença humana é detectada por meio de instrumentos de pedra lascada e pinturas rupestres.

Os mais complexos são aqueles onde é perceptível a presença humana por meio de cidades abandonadas que são museus a céu aberto, e instrumentos líticos, principalmente a cerâmica.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reforça: “são considerados sítios arqueológicos os locais onde se encontram vestígios positivos de ocupação humana, os sítios identificados como cemitérios, sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento, ‘estações’ e ‘cerâmicos’, as grutas, lapas e abrigos sob rocha. As inscrições rupestres ou locais com sulcos de polimento, os sambaquis e outros vestígios de atividade humana também são considerados sítios arqueológicos. Por meio dos bens arqueológicos é possível identificar conhecimentos e tecnologias que indicam anos de adaptação humana ao ambiente, além da produção de saberes tradicionais brasileiros. Qualquer nova descoberta deve ser comunicada, imediatamente, ao Iphan”.

Leia também: Conheça três sítios arqueológicos na Amazônia que são considerados patrimônio cultural do Brasil

Sítios arqueológicos localizados na Amazônia: 

Sítio arqueológico do Marajá (PA)

Localizado na Ilha de Marajó, no estado do Pará, o Sítio Arqueológico de Marajó possui sítios funerários e sambaquis, que são montes de conchas que foram construídos por povos antigos para fins funerários.

Sítio arqueológico Pedra Pintada (RO)

Situado no distrito de Cocais, 1070 m no nível do mar, e reconhecido pela Unesco em 2005, o sítio possui 122 pinturas feitas com pigmentos minerais e está aberto a visitação particular.

Parque arqueológico do Solstício (AP)

Localizado na área rural de Calçoene, a quatro horas de Macapá, o conjunto de rochas possui um círculo formado por 127 blocos de granito. O parque recebe esse nome já que durante o solstício de inverno, o sol se alinha com uma das rochas e não projeta sombra alguma.

Leia também: Rochas milenares eram usadas como calendário solar por povos indígenas: conheça o Stonehenge da Amazônia, no Amapá

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Amazonas promove pela primeira venda legal de quelônios manejados em Carauari

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Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas

O Amazonas vive um momento histórico para a bioeconomia e o desenvolvimento sustentável. No dia 9 de maio, o município de Carauari (a 788 quilômetros de Manaus) promoveu a primeira venda legalizada de quelônios manejados por comunidades tradicionais.

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“É motivo de muita alegria pra gente ter uma feira para reconhecer o trabalho de conservação que é feito por esses homens e mulheres. É um esforço de proteção à natureza e, especialmente, de proteção das pessoas que preservam e ninguém sabe fazer isso melhor do que eles”, disse o governador Wilson Lima.

O comércio de quelônios, inédito no estado, é resultado direto de mais de quatro décadas de esforço coletivo para a conservação das espécies na região, em especial, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, gerida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

Leia também: Ciência e conhecimento tradicional: aliança fortalece a conservação de quelônios da Amazônia

Primeira venda legalizada de quelônios manejados.
Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas

Devido aos trabalhos de monitoramento a área – que também inclui a Reserva Extrativista (Resex) do Médio Juruá, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) -, é reconhecida por concentrar uma das maiores abundâncias e diversidades de quelônios de água doce do Brasil.

Apenas em 2024, por exemplo, foram mais de 8,6 mil ninhos monitorados, resultando em mais de 361 mil filhotes de quelônios protegidos e devolvidos à natureza. Foi a garantia de aumento das populações de quelônios ao longo dos anos que tornou possível o manejo comunitário. É o que explica o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira.

“A proposta dessa atividade é conservar as populações desses animais, garantindo sua sobrevivência a longo prazo e, ao mesmo tempo, permitindo que as comunidades locais possam gerar renda sustentável. É um salto gigante que damos na materialização da bioeconomia na prática, onde a conservação da natureza caminha lado a lado com a valorização e a melhoria da qualidade de vida das pessoas”, destacou Taveira.

Leia também: 5 projetos de soltura de quelônios que preservam a espécie na Região Norte  

Primeira venda legalizada de quelônios manejados.
Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas

Dia de festa para Francisco Mendes, conhecido como “Bomba”, um dos primeiros ribeirinhos a se dedicar inteiramente para a atividade. “Foi um sonho que a gente teve há muito tempo e hoje, graças a Deus, está sendo realizado. É um privilégio para todos os monitores do Médio Juruá, porque é mais uma renda que vai surgir para as comunidades”, completou.

Leia também: Santuário para quelônios: conheça o Refúgio de Vida Silvestre Tabuleiro do Embaubal

Do risco predatório ao manejo sustentável

Quelônios como a tartaruga-da-Amazônia e o tracajá sempre foram parte importante da cultura alimentar dos povos ribeirinhos. Porém, por muitos anos, a captura predatória e o comércio ilegal ameaçaram a sobrevivência dessas espécies. Foi então que as comunidades passaram a agir.

Primeira venda legalizada de quelônios manejados.
Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas

Desde os anos 1980, comunitários do Médio Juruá realizam o monitoramento voluntário dos tabuleiros de desova e acompanham os ninhos até a eclosão dos ovos. O trabalho segue a metodologia do projeto pé-de-pincha, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

“Esse é um momento esperado a muito tempo para os comunitários. Representa o fruto desse esforço deles na conservação e do conhecimento tradicional somado ao conhecimento científico. Ao longo dos últimos seis anos a gente veio descobrindo junto com eles a forma de trabalhar, de criar esses quelônios, para poder chegar nesse momento tão especial da venda legal”, disse o coordenador do Programa pé-de-pincha, Paulo Andrade.

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Apoio legal

Essa trajetória de conservação foi oficialmente reconhecida pelo estado em 2017, com a publicação das resoluções nº 25 e 26, do Conselho Estadual de Meio Ambiente do Amazonas (Cemaam). Respectivamente, as normativas estabeleceram áreas prioritárias para proteção de quelônios e normatizaram a criação legalizada de um pequeno percentual dos filhotes protegidos, para fins de comercialização sustentável. Essa regulamentação abriu caminho para uma nova fase: a do manejo legal como estratégia de conservação e geração de renda.

Primeira venda legalizada de quelônios manejados.
Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas

Em 2019, as comunidades do Xibauazinho, Manariam e Vila Ramalho receberam autorização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para implementar o manejo comunitário experimental de quelônios, por meio da Associação dos Moradores Agroextrativistas da RDS Uacari (Amaru).

“Esse modelo garante a conservação da espécie e valoriza o conhecimento tradicional. Essas comunidades atuam há muitos anos na proteção dos tabuleiros [praias onde os quelônios desovam] e agora colhem os frutos de um trabalho sério e comprometido com a sustentabilidade”, destacou Gustavo Picanço, presidente do Ipaam.

Agora, em 2025, os frutos desse trabalho estão sendo comercializados durante a feira, que reúne mais de 1 mil quelônios legalizados, todos com lacres e recibos oficiais, vendidos a R$ 20 o quilo. A ação beneficia diretamente 50 famílias e deve gerar uma renda estimada em R$ 80 mil, movimentando a economia local com responsabilidade socioambiental.

Leia também: 4,9 mil filhotes de quelônios são devolvidos à natureza em reserva no Amazonas

Primeira venda legalizada de quelônios manejados.
Primeira venda legalizada de quelônios manejados. Foto Jamile Alves/Sema Amazonas

Além da Sema, Ipaam, ICMbio, Ufam e Amaru, a atividade também recebe apoio do Ministério do Meio Ambiente, por meio do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), da Associação de Moradores e Usuários da Reserva Extrativista do Médio Juruá (Amecsara) e do Instituto Juruá.

*Com informações da Agência Amazonas

Inpa faz oferta pública para licenciamento de 30 pacotes tecnológicos

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Foto: Victor Mamede/Inpa

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

De acordo com a Assessoria de Comunicação da instituição, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) lançou em março deste ano um pacote de Oferta Tecnológica para o setor produtivo com 30 patentes e pedidos de registros junto ao INPI. A oferta de soluções tecnológicas a startups, empresas, associações e outras organizações busca fortalecer a inovação e a pesquisa científica e tecnológica no setor produtivo e contribuir com o desenvolvimento socioeconômico sustentável da Amazônia.

De acordo com a titular da Coordenação de Gestão da Inovação e Empreendedorismo do Inpa (Cogie), Deuzanira Santos, a oferta tecnológica é um instrumento que viabiliza o licenciamento exclusivo de tecnologias protegidas pelas Instituições Científica, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), como é o caso do Inpa, permitindo que empresas interessadas no desenvolvimento e comercialização dessas tecnologias estejam em condição de igualdade de concorrência. “As tecnologias disponíveis se concentram em dez áreas, como alimentos e bebidas, produtos sustentáveis, dispositivos médico-hospitalares, agrotech, cosméticos e fármacos”, afirmou.

Um passo fundamental para desmistificar os produtos de laboratório afastados do mercado consumidor. Enfim, a definitiva aproximação do trinômio ensino-pesquisa-iniciativa privada tendo em vista viabilizar oferta tecnológica por meio de patentes de titularidade do Inpa em parceria com outras instituições e empresas, sendo a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) a principal parceira deste importante centro de pesquisas da Amazônia. Três instituições se destacam como co-titulares de patentes com o Inpa: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para o diretor do Inpa, Henrique Pereira, sobre a “oferta tecnológica realizada em 2024 foram disponibilizadas 23 patentes e quatro softwares, quase metade do portfólio institucional. Com essa nova rodada, será a primeira vez, em 20 anos de existência do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do instituto que o Inpa terá 100% do portfólio ofertado. No Inpa, a Cogie é responsável pela gestão da inovação institucional e corresponde ao NIT institucional”. Fruto da primeira oferta tecnológica realizada no fim de 2024, a Cogie dispõe hoje de seis propostas de licenciamento em andamento. Uma delas, diz respeito à transferência tecnológica da primeira patente ligada à zerumbona (substância extraída do gengibre amargo Zingiber zerumbet), o extrato purificado que pode ser aplicado no desenvolvimento de fármacos. As outras cinco referem-se a tecnologias de alimentos e equipamentos para secagem de frutos amazônicos.

Informes da Ascom/Inpa acrescentam que, “direcionado a tecnologistas, pesquisadores e demais servidores do Inpa e parceiros, o Inpa também promoveu em abril passado, no Auditório do Bosque da Ciência, o Workshop Prestação de Serviços Técnicos Especializados pelas ICTs”, evento realizado sob a coordenação da Cogie, buscou oferecer conhecimentos para capacitar servidores do Inpa na prestação de serviços técnicos especializados para impulsionar a inovação nos setores produtivos e na sociedade.

Santos salienta que “a iniciativa está amparada no Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, disciplinado pela Lei 13.243, que busca desmistificar a percepção de que a instituição não poderia oferecer tais serviços. É ainda, ao que frisou, uma forma de incentivar os servidores do Inpa a aplicarem seus conhecimentos em prol do desenvolvimento sustentável da região. Ou seja, “o evento, em síntese, teve como objetivo apresentar as possibilidades trazidas pelo Marco Legal de CT&I, mostrando como o Inpa pode prestar serviços que promovam a inovação em empresas de diversos portes como startups, grandes empresas, produtores da agroindústria e até mesmo pessoas físicas”.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Sentiu cheiro de gás? Bombeiros do Mato Grosso orientam sobre cuidados em caso de vazamento

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Bombeiros do MT orientam sobre cuidados em caso de vazamento de gás. Foto: CBM-MT

Um simples cheiro de gás dentro de casa pode ser o primeiro sinal de um perigo grave: vazamentos que podem levar a explosões, incêndios e até intoxicações. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) alerta a população sobre como agir diante de vazamento e quais práticas devem adotar para evitar acidentes.

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O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), comumente conhecido como gás de cozinha, é composto pelos gases propano e butano, além da adição de um composto de enxofre. Por isso, o principal sinal de que há um vazamento de gás é o cheiro forte semelhante a enxofre ou a ovo podre.

O major BM Felipe Mançano Saboia, diretor-adjunto da Diretoria Operacional (DOP) do CBMMT, explica que, além do cheiro característico, há outros indícios que podem sinalizar a presença de um vazamento. Entre eles, o surgimento de bolhas ao aplicar água com sabão nas válvulas, ruídos ou chiados, chama amarelada ou fraca, principalmente, em botijões novos ou pouco utilizados. Além disso, dores de cabeça repentinas podem indicar a presença de gás no ambiente.

cheiro de gás
Bombeiros do MT orientam sobre cuidados em caso de vazamento de gás. Foto: CBM-MT

Por isso, conforme o major, é importante se atentar aos sinais de que o botijão, o regulador ou a mangueira podem estar danificados.  A orientação é verificar a existência de:

  • Fissuras, rachaduras ou ressecamento na mangueira;
  • Mangueira fora do prazo de validade; 
  • Regulador com ferrugem ou folga; 
  • Cheiro de gás constante, mesmo com o fogão desligado.

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Como prevenir e evitar vazamentos?

Para prevenir vazamentos e manter a segurança, é indispensável que a área em que o botijão de gás for armazenado seja um local bem ventilado. A instalação deve ser realizada exclusivamente por um profissional qualificado, evitando improvisações com mangueiras ou conexões inadequadas. Durante a instalação, o botijão deve ser mantido na posição vertical e não deve ser deitado.

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Bombeiros do MT orientam sobre cuidados em caso de vazamento de gás. Foto: CBM-MT

Outra maneira de prevenção é a verificação ou troca periódica dos equipamentos de gás. É recomendado que a mangueira seja trocada a cada 5 anos ou quando o prazo de validade expirar. Da mesma forma, o regulador também deve ser trocado a cada 5 anos. Além disso, a orientação é fazer checagens regulares nos equipamentos, utilizando uma solução de água com sabão para identificar se há bolhas e, consequentemente, vazamentos.

“Também é fundamental realizar treinamentos simples em casa simulando situações de vazamento de gás, orientando como agir de forma segura em casos de emergência. Além disso, é importante ensinar as crianças a não brincar com fogo ou com o botijão de gás, evitar deixar o fogão ligado sem supervisão e não mexer com fogo próximo ao botijão”, orienta o major BM Felipe. 

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Em caso de vazamento, o que fazer?

Já em caso de vazamento, a orientação é fechar o registro do gás diretamente no botijão, abrir portas e janelas para ventilar o ambiente e não acionar nenhum aparelho elétrico. É preciso evitar remover equipamentos da tomada, desligar o padrão ou chave geral da residência. 

cheiro de gás
Bombeiros do MT orientam sobre cuidados em caso de vazamento de gás. Foto: CBM-MT

Também não é seguro acionar luzes, usar o celular ou qualquer aparelho eletrônico nesse momento. “Qualquer faísca, até mesmo de um interruptor ou celular, pode servir como fonte de ignição e causar explosão em ambiente com gás acumulado”, afirma o major Saboia.

Caso o cheiro de gás no local for muito forte, exista risco de ignição ou se alguma pessoa estiver passando mal, é fundamental evacuar o local imediatamente. Na sequência, quando a pessoa já estiver do lado de fora da residência ou em uma área ventilada e segura, deve-se acionar o Corpo de Bombeiros Militar, através do número de emergência 193.

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Quando o CBMMT deve ser acionado?

Os bombeiros militares devem ser acionados nas seguintes situações:

  • Quando houver vazamento forte, com risco de explosão; 
  • Se alguém estiver passando mal; 
  • Se houver fogo ou fumaça perto do botijão;
  • Se o morador não conseguir controlar o vazamento.

*Com informações do Corpo de Bombeiros do Estado de Mato Grosso

Seis em cada dez quilombolas vivem em área rural, revela Censo do IBGE

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Seis em cada dez quilombolas vivem em área rural. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Diferentemente da população brasileira como um todo, em que a maioria das pessoas vive em áreas urbanas, a população quilombola habita majoritariamente regiões rurais: de cada dez quilombolas, seis vivem no campo. 

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A constatação faz parte de mais um suplemento do Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Do total de 203 milhões de brasileiros contabilizados pelo Censo 2022, apenas 12,6% moravam em áreas rurais. Já entre os 1,3 milhão de quilombolas, 61,71% viviam no campo. Isso representa 820,9 mil pessoas. Pouco mais de 509 mil (38,29%) moravam nas cidades.

O Censo 2022 é o primeiro em que o IBGE coleta informações específicas da população quilombola, de forma que não é possível fazer comparativos para saber se a proporção de quilombolas no campo tem aumentado, diminuído ou ficado estável ao longo do tempo.

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Seis em cada dez quilombolas vivem em área rural
Roça sustentável em comunidades quilombolas do Maranhão. Foto: Reprodução/Embrapa

O instituto já havia divulgado dados sobre a quantidade de quilombolas brasileiros e condições socioeconômicas, tais como pior acesso ao saneamento. A novidade desta divulgação é o retrato que separa a população quilombola em áreas urbanas e rurais. De acordo com o gerente de Territórios Tradicionais e Áreas Protegidas do IBGE, Fernando Damasco, o resultado foi uma “descoberta”.

“É um fator absolutamente novo, em termos de composição de grupos étnicos. A gente não vê isso se repetir em nenhum outro grupo. Os indígenas hoje têm a maior parte da população em contexto urbano”, afirma.

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Raízes históricas

Quilombolas são descendentes de habitantes dos quilombos, comunidades que resistiam à escravidão. Para classificar uma pessoa como quilombola, o IBGE levou em consideração a autoidentificação dos questionados, não importando a cor de pele declarada.

A coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais, Marta Antunes, acrescenta que a presença maior dessa população em áreas rurais é um fator de raízes históricas “Tem a ver com o histórico da ocupação pela escravização e de como foi essa resistência organizada ao longo dos séculos”, disse.

Fernando Damasco ressalta a identificação das comunidades quilombolas com a questão rural “Na própria constituição do movimento social quilombola, a própria vinculação identitária associada a comunidades de ancestralidade negra, associada à opressão histórica sofrida, está profundamente vinculada à área rural”, pontua.

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Seis em cada dez quilombolas vivem em área rural
Arte para o Censo de Quilombolas. Arte Agência Brasil

Regiões e estados

O IBGE identificou que as regiões Norte e Nordeste apresentam proporção de quilombolas em áreas rurais superior à média nacional:

  • Brasil: 61,71%
  • Norte: 63,40%
  • Nordeste: 65,01%
  • Centro-Oeste: 31,96%
  • Sudeste: 47,68%
  • Sul: 45,62%

Entre as unidades da federação, as maiores proporções são:

  • Piauí: 87,87%
  • Amazonas: 84,92%
  • Maranhão: 79,74%

Na outra ponta figuram:

  • Distrito Federal: 2,95%
  • Rondônia: 18,39%
  • Goiás: 27,03%
  • Rio de Janeiro: 27,28%

Acre e Roraima não registram localidade quilombola, seja urbana ou rural.

Territórios delimitados

O censo traz também dados de população quilombola que vive em território oficialmente delimitado. Nessas localidades reconhecidas, 87,97% vivem em área rural. Já fora dos territórios delimitados, 58,01% estão no campo.

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População e alfabetização

O suplemento do Censo mostra ainda que a população quilombola, seja em área rural ou urbana, é mais jovem que a população geral do país. 

A mediana – número que separa a metade mais jovem da metade mais velha da população – do país é 35 anos. Já a dos quilombolas é de 31 anos, sendo 32 para os que vivem na cidade e 29 para os que moram no campo.

Seis em cada dez quilombolas vivem em área rural
Quilombolas em Rondônia se concentram no Vale do Guaporé. Foto: Divulgação/IBGE

O IBGE já havia relevado que os quilombolas enfrentam mais o analfabetismo que a população como um todo. O novo levantamento aprofunda a análise com dados relativos a campo e cidade. 

Assim como na média do país a taxa de analfabetismo no campo (18,16% da população) é maior que na cidade (5,44%), entre os quilombolas o padrão se repete: 22,71% na área rural e 13,28% na urbana.

Para chegar à taxa de analfabetismo, o instituto calculou a proporção de pessoas com 15 anos ou mais de idade que não sabem ler e escrever pelo menos um bilhete simples.

Leia também: Taxa rondoniense de alfabetização dos quilombolas é a quarta maior do país. Veja a pesquisa completa AQUI.

Moradia

Ao contar quantas pessoas moram nos domicílios, foi possível identificar que a média de moradores em lares com ao menos uma pessoa quilombola é maior que a da população brasileira.

Seis em cada dez quilombolas vivem em área rural
Quilombolas em Rondônia. Foto: Divulgação/IBGE

No Brasil, a média é de 2,79 morador por lar, variando de 2,76 em área urbana a 2,99 em rural. Já entre os quilombolas, a média é de 3,17, sendo 3,07 na cidade e 3,25 no campo.

Os pesquisadores identificaram também que na população brasileira que vive no campo, 4,26% dos moradores não tinham banheiro nem sanitário. 

Em se tratando de quilombolas que viviam em área rural, esse percentual subia para 6,36%. A situação era pior ainda para os moradores de áreas rurais especificamente dentro de territórios quilombolas delimitados, chegando a 7,03%.

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Precariedade no saneamento

Os pesquisadores buscaram informações dos domicílios de acordo com as condições de abastecimento de água, destinação de esgoto e coleta de lixo.

Enquanto nas cidades brasileiras, 18,71% dos habitantes moram em domicílio com alguma forma de precariedade, essa proporção salta para 53,61% entre os quilombolas que vivem em áreas urbanas.

Quilombolas no Pará
Quilombolas no Pará. Foto: Acervo/PMS

Já em relação à vida em área rural, a precariedade em domicílios atinge 87,20% da população brasileira e 94,62% dos quilombolas.

Foram considerados elementos de precariedade no saneamento: ausência de abastecimento de água canalizada até o domicílio proveniente de rede geral, poço, fonte, nascente ou mina; ou ausência de destinação do esgoto para rede geral, pluvial ou fossa séptica; ou ausência de coleta direta ou indireta por serviço de limpeza.

A pesquisa destaca que em relação ao acesso à água em áreas urbanas, a precariedade é quase quatro vezes maior entre a população quilombola (9,21%) que entre a população brasileira como um todo (2,72%). No campo essa diferença é 43,48% (quilombolas) contra 29,35% (média Brasil).

De acordo com a coordenadora Marta Antunes, diferenciar as condições de quilombolas entre áreas rurais e urbanas permite direcionar melhor políticas públicas para essas populações “A importância de separar urbano e rural, tanto para água quanto para esgotamento, tem a ver também com as soluções de infraestrutura diferenciadas em relação ao suprimento desses serviços e que são diferenciadas entre o rural e urbano”, aponta.

Leia também: Projeto de vacinação em regiões ribeirinhas e quilombolas do Amapá é premiado em Congresso Nacional

Políticas públicas

O gerente do IBGE Fernando Damasco enfatiza que políticas públicas para quilombolas têm que levar em consideração que é uma população “totalmente específica”, por ser majoritariamente rural, mas com grande contingente urbano. “Pensar a ação pública, pensar efetivamente soluções para os problemas que afetam essa população, significa dialogar com a realidade do mundo rural”, afirma.

“Eu [Estado] vou priorizar a política de crédito agrícola, habitação rural, saneamento rural, escolarização rural”, sugere.

Quilombolas no Pará. Foto: Acervo/PMS

“Ao mesmo tempo, não posso deixar de considerar que tenho pouco mais de três a cada dez quilombolas nas cidades. Isso implica também em políticas públicas urbanas para essa população, política de habitação, de acesso à renda, a emprego na cidade e por aí vai”, complementa.

O pesquisador indica ainda que é preciso aprofundar estudos sobre a mobilidade da população quilombola, como migração para áreas urbanas em busca de oportunidades de escolarização e renda, e transformações espaciais “Os territórios rurais que, muitas vezes, estão nas franjas das grandes cidades, com o avanço da urbanização, acabam se vendo engolidos pela situação urbana”, aponta.

“São dinâmicas que ocorrem, que afetam essa população e que são características e que precisam ser aprofundadas”, sugere Damasco.

*Com informações da Agência Brasil

Locomotiva 18: Reativação está perto de se tornar realidade em Porto Velho

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Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Foto: Divulgação

No dia 5 de maio, uma equipe técnica da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) deu início a mais uma fase dos procedimentos de vistoria e confecção de relatório para a viabilidade da reativação da lendária Locomotiva 18, pertencente ao complexo histórico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho.

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Considerado como um sonho de todos os porto-velhenses, a reativação da EFMM se tornou uma realidade, isso conforme a constatação do diretor-presidente da ABPF, Marlon Ilg, que é engenheiro mecânico especializado em termodinâmica.

A presença ativa da ABPF no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi uma mobilização que partiu da Prefeitura de Porto Velho, que pretende tornar possível para o resgate da Locomotiva 18 como patrimônio que faz parte direta da construção e evolução da capital rondoniense.

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Locomotiva 18
Obras na Estrada de Ferro Madeira Mamoré — Foto: Yann Gustavo/Prefeitura de Porto Velho

De acordo com Marlon, a situação estrutural constatada na Locomotiva 18 é razoável, fator que garante a sua recuperação em um breve período, a exemplo de outras ferrovias que estão sob os cuidados da ABPF.

“Há um mês fizemos uma avaliação da condição da caldeira, hoje estamos fazendo uma inspeção mais criteriosa da parte rodante, que são as rodas, as molas, fazendo com que seja garantida a segurança operacional. Apresentaremos um relatório final indicando à Prefeitura o que precisa ser feito. O retorno da locomotiva é possível sim!”, destacou Marlon Ilg.

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Estudos da ABPF

Representantes da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), estiveram em Porto Velho no mês e abril, com o objetivo de realizar estudos de viabilidade técnica visando a restauração e reativação da Locomotiva 18.

Locomotiva 18
Representantes da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF): Foto: Hellon Luiz

A reunião contou com a participação do diretor da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária/Campinas-SP, Márlon Ilg, e também do membro diretor, James Ilg. Os representantes puderam ver de perto a Locomotiva 18, que atualmente está no Complexo Madeira-Mamoré.

Vale destacar que a missão ABPF é promover o resgate e a conservação do patrimônio histórico ferroviário brasileiro, disponibilizando os bens à visitação pública, desde que a conservação do bem não seja colocada em risco.

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Do abandono ao retorno

Um acervo histórico que remonta a construção do estado de Rondônia, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré se tornou sinônimo de abandono por décadas, porém, desde o início de 2025, tem sido acompanhado pela Prefeitura de Porto Velho, através do trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Indústria, Comércio, Turismo e Trabalho (Semdestur).

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Litorina da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Foto: Governo de Rondônia/divulgação

De acordo com o secretário Paulo Moraes, o primeiro grande passo foi a reativação da lendária Litorina, que atualmente está à disposição da população de Porto Velho, sendo que, agora, o apito da locomotiva em funcionamento é a próxima meta de realização.

“A nossa Litorina está 100% funcionando aqui no complexo e agora o nosso sonho é ouvir de novo o apito do trem. Tenho certeza de que o prefeito Léo Moraes vai seguir firme nesse propósito, tudo na vontade de Deus”, relatou o secretário Paulo Moraes Júnior.

O relatório e o plano de ação deverão ser apresentados em reunião promovida entre a Prefeitura de Porto Velho e a ABPF.

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Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

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Pátio da Estrada de Ferro Madeira Mamoré em 1910 — Foto: Luiz Brito/Divulgação

A Estrada de Ferro Madeira Mamoré foi inaugurada pela primeira vez em 1° de agosto de 1912. A construção da ferrovia fazia parte do tratado de Petrópolis selado com a Bolívia, em 1903, após a compra de território boliviano pelo Brasil, com o intuito de facilitar o transporte da borracha para o Oceano Atlântico. O ‘combinado’ no tratado era construir a ferrovia Madeira Mamoré em um prazo de quatro anos.

Após ser inaugurada, a EFMM deu lucro durante dois anos. Depois entrou em declínio devido à queda vertiginosa da participação brasileira no mercado da borracha. Isso porque a concorrência asiática oferecia um produto de qualidade e de mais fácil extração, afetando assim a exportação brasileira.

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Estrada de Ferro Madeira Mamoré — Foto: Leandro Morais/Prefeitura de Porto Velho

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Com 54 anos acumulando prejuízos, o ex-presidente do Brasil Humberto de Alencar Castelo Branco determinou a erradicação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré sendo substituída por uma rodovia.

Em 1972, a Ferrovia foi totalmente assumida pelo governo federal e desativada. Já em 2007, o monumento foi parcialmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan).

*Com informações da Prefeitura de Porto Velho e g1 Rondônia