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À espera do básico: usina em Altamira ainda não promoveu serviços de universalização do saneamento

Caminhão-pipa em operação de reabastecimento no Reassentamento Urbano Coletivo (RUC), em Altamira (PA). Foto: Reprodução/Acervo da pesquisa

O desenvolvimento urbano na cidade de Altamira, no Pará, impulsionado, em grande parte, pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, coexiste com os constantes desafios básicos no saneamento. O megaprojeto de Belo Monte trouxe grandes promessas de desenvolvimento para a região, entre elas, a universalização do saneamento básico na cidade.

No entanto a realidade pós-implementação da usina revela uma complexa teia de avanços e falhas que impediram o cumprimento integral dessa promessa.

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O tema é investigado na dissertação de mestrado ‘Consequências da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte para o saneamento básico na cidade de Altamira’, de Beatriz da Silva Martins, engenheira sanitarista e ambiental e mestra em Biodiversidade e Conservação pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte é uma das maiores do mundo, e Altamira, embora não sediando diretamente a usina, foi impactada significativamente devido à sua localização estratégica, que facilitava a logística de acesso à obra e a chegada de pessoas. Para mitigar os impactos, foram estabelecidas condicionantes socioambientais que incluíam a universalização do saneamento básico na área urbana de Altamira.

O objetivo era preparar a cidade para o aumento populacional decorrente do empreendimento, dar conta da demanda histórica por saneamento para os residentes da cidade e acomodar o crescimento populacional das próximas décadas. Os investimentos de mais de R$ 480 milhões foram aplicados na implantação de tubulações, construção e ampliação de estações de tratamento de água e esgoto.

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Usina Hidrelétrica de Belo Monte
Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A pesquisa de Beatriz baseia-se em dados de 2010 e 2022 e oferecem um retrato detalhado do avanço na cobertura do saneamento em Altamira.

No abastecimento de água, houve uma ampliação notável do acesso à rede geral, passando de 21,5% dos domicílios, em 2010, para 55,4%, em 2022. Contudo a presença de poços ainda é significativa, sendo utilizada por 43,2% da população, em 2022, contra 77,1%, em 2010.

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O dado surpreendeu a pesquisadora:

“Para a instalação do empreendimento, era necessário desativar os poços e a população ter acesso ao serviço público de água. Mas, ainda assim, em 2022, na nossa pesquisa, verificamos uma porcentagem significativa de pessoas que ainda possuem poços em suas residências como principal fonte de abastecimento de água. Isso implica o quê? Elas estão utilizando essa fonte que pode estar contaminada devido à mudança na dinâmica do lençol freático em decorrência da construção de Belo Monte”.

Nos Reassentamentos Urbanos Coletivos (RUCs), a cobertura da rede pública é alta (99%), mas a dependência de caminhões-pipa e a irregularidade no abastecimento persistem, com 6,1% dos domicílios recebendo água por apenas algumas horas do dia e 15,2%, em alguns dias da semana.

Beatriz também destaca esta problemática: “Outra descoberta significativa foi a questão da utilização de caminhões-pipa, principalmente nos reassentamentos urbano coletivos, que deixam evidentes as lacunas no serviço de abastecimento de água disponibilizado para a população diretamente impactada pela usina Hidrelétrica de Belo Monte”.

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Foto: Reprodução/Movimento dos atingidos por barragens

Em relação ao esgotamento sanitário, a cobertura da rede geral teve um avanço expressivo, saltando de 1,9%, em 2010, para 81,8%, em 2022. No entanto 16,8% dos domicílios em Altamira ainda utilizam fossas sépticas ou rudimentares, sendo essa prática mais comum nos bairros não pertencentes aos reassentamentos (20,5%). A persistência do uso de fossas, especialmente as rudimentares, pode levar a problemas de saúde pública, por exemplo, via contaminação cruzada com os poços de abastecimento de água, e à contaminação do meio ambiente.

Quanto à coleta de resíduos sólidos, a desativação do lixão a céu aberto e a construção de um aterro sanitário em Altamira são inegavelmente avanços positivos. Em 2022, 97,8% dos domicílios eram atendidos pelo serviço de limpeza pública. No entanto a pesquisa revelou uma disparidade na frequência da coleta: “O serviço de coleta é mais irregular nas zonas periféricas, especialmente nos reassentamentos urbanos que nós estudamos”. Enquanto mais de 60% dos domicílios nos demais bairros têm coleta diária; nos RUCs, nenhum domicílio tem, e 27% reportam irregularidade no serviço.

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O calcanhar de Aquiles da Princesinha do Xingu

A dissertação aponta a governança como o “calcanhar de Aquiles” do saneamento em Altamira. A falta de um cadastro oficial da rede de distribuição de água dificultou o monitoramento e o planejamento da expansão do sistema. Além disso, a população de Altamira já possuía um histórico de descontentamento com os serviços públicos de abastecimento de água, resultando em queixas sobre a baixa qualidade, rede limitada e interrupções frequentes. Isso levou muitos moradores a desativarem suas ligações com a rede pública e optar por poços.

Moradores de palafitas em lagoa do bairro Jardim Independente I, em Altarmira (PA). Foto: Reprodução/Minitério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

A indefinição das responsabilidades entre o empreendedor (Norte Energia) e a gestão do município, especialmente quanto às ligações intradomiciliares, criou um “jogo de empurra”, inviabilizando a universalização dos serviços. A transição lenta dos serviços para a Prefeitura de Altamira, que só assumiu integralmente em 2022, foi um fator determinante para os desafios atuais.

O legado de Belo Monte

Altamira oferece lições valiosas para futuros projetos de infraestrutura de grande porte na Amazônia. O que fica após Belo Monte, segundo a pesquisa, inclui saldos positivos, como a desativação do lixão e a instalação de um aterro sanitário, mas também negativos, como o não acesso de muitas famílias à rede de água e à continuidade do uso de fossas.

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Para o futuro de Altamira, Beatriz aponta: “Os próximos passos poderiam ser relacionados a parcerias entre o município e as instituições de ensino, e a trazer a população para a discussão”.

A sugestão para mediar os conflitos é um investimento em educação ambiental, de maneira que as campanhas de educação para a sociedade civil possam viabilizar mais esclarecimentos para a população, principalmente com relação àquela parcela que oferece resistência às mudanças. O desafio de Altamira continua exigindo uma gestão municipal mais eficiente e a participação ativa da comunidade para alcançar a tão esperada universalização do saneamento básico.

Sobre a pesquisa 

Consequências da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte para o saneamento básico na cidade de Altamira foi defendida por Beatriz da Silva Martins no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação, em 2024, sob orientação do professor Miquéias Freitas Calvi e coorientação do professor Igor Cavallini Johansen.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, edição 176, escrito por Luiza Amâncio

Posicionamento da Norte Energia

Após a republicação do conteúdo acima, a Norte Energia emitiu uma nota de posicionamento sobre a abordagem:

Ao Portal Amazônia

Sobre a matéria “À espera do básico: usina em Altamira ainda não promoveu serviços de universalização do saneamento”, publicada no portal em 14 de janeiro de 2026, a Norte Energia, empresa concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte, informa que a condicionante do empreendimento referente ao saneamento em Altamira foi totalmente concluída.

Em 2010, menos de 10% dos moradores da área urbana de Altamira tinham acesso à água tratada. No entanto, devido aos compromissos assumidos no licenciamento ambiental de Belo Monte, a Norte Energia construiu 610 km de redes de água e esgoto, englobando, além de Altamira, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio e Anapu.

A companhia foi, inclusive, além das suas obrigações, ligando 19 mil domicílios à rede de abastecimento de água, o que não estava previsto. Os números incluem os 3.850 imóveis construídos pela companhia em seis novos bairros. Devido às ações estruturantes, a cobertura dos serviços de saneamento na área urbana de Altamira chegou, em 2018, a 92% da população da área urbana.

O repasse do sistema à Prefeitura de Altamira aconteceu em 01 de janeiro de 2023, por meio da celebração do Termo de Compromisso entre a companhia e a Prefeitura e Altamira em 26 de julho de 2022. A partir daí, o município assumiu toda a responsabilidade sobre o sistema, não cabendo mais à Norte Energia responder pela expansão dele, decorrente do crescimento populacional.

Destacamos, também, a construção de quatro aterros sanitários nos municípios de Altamira, Brasil Novo, Anapu e Vitória do Xingu.

Desde 2010, a Norte Energia investiu cerca de R$ 8 bilhões em ações socioambientais. A construção do sistema de água e esgoto está entre as ações realizadas com esses recursos, assim como a construção e reforma de escolas, unidades de saúde, hospitais, pontes, estradas e prédios públicos, como o da sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas.

Altamira-PA, 15 de janeiro de 2026“.

DNIT anuncia modernização do monitoramento da fauna silvestre na BR-319

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Foto: Reprodução/Ministério dos transportes

Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), no âmbito do contrato de gestão ambiental da BR-319, rodovia que liga os estados do Amazonas e Rondônia, tem realizado atividades que visam acompanhar a presença e o deslocamento de espécies ao longo da área de influência do empreendimento, contribuindo para a mitigação de impactos ambientais associados à infraestrutura rodoviária.

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O monitoramento é realizado por meio da instalação de câmeras-trap, dispositivos eletrônicos com sensor de movimento, em pontos estratégicos às margens da rodovia, como passagens de fauna subterrâneas ou suspensas e bueiros adaptados.

A iniciativa permite o registro sistemático de diferentes espécies, entre elas a anta (Tapirus terrestris), a jaguatirica (Leopardus pardalis), o gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), além de pacas, cutias, quatis, tamanduás, iraras, esquilos e aves silvestres, evidenciando a diversidade da fauna presente na região.

Leia também: Preservação: programa do DNIT registra fauna da BR-319

DNIT monitora a fauna silvestre
Foto: Reprodução/ Associação dos Mineradores da Serra Azul

As estruturas implantadas no âmbito da gestão ambiental têm papel fundamental na redução do risco de atropelamentos de animais e na manutenção da conectividade ecológica entre os habitats, promovendo maior segurança viária e contribuindo para a conservação da biodiversidade.

Os registros obtidos indicam a efetividade das medidas adotadas e subsidiam o aprimoramento contínuo das ações ambientais.

Leia também: Monitoramento da fauna no Médio Xingu indica saúde dos ecossistemas da região

Foto: Reprodução/Agência Pará

O coordenador-geral de Meio Ambiente do DNIT, João Felipe Lemos Cunha, destaca que as informações geradas pelo monitoramento realizado no âmbito da gestão ambiental da BR 319/AM são consolidadas em ferramentas de inteligência de dados.

“Os registros da fauna são sistematizados e analisados por meio de ferramentas de “businnes inteligence”, o que permite acompanhar os resultados das ações ambientais e aprimorar continuamente as estratégias de proteção. Somente em 2025, mais de 7,5 mil animais foram avistados e registrados na região”, explicou.

Com a consolidação e análise dos dados ambientais, o DNIT reafirma seu compromisso com o desenvolvimento da infraestrutura rodoviária de forma responsável, integrando critérios ambientais às atividades de implantação, operação e manutenção da BR-319.

*Com informações do Ministério dos Transportes

Do Chuí ao Oiapoque: caminhada histórica fortalece a Rede Nacional de Trilhas

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Ao chegar ao Oiapoque (AP), Johan foi recebido por Waldemar Justo, gestor do ICMBio e diretor na Rede Brasileira de Trilhas. Foto: Divulgação/ICMBio

O francês Johan Grondin, aos 47 anos, realizou ao fim do último ano um grande sonho: cruzar o Brasil de ponta a ponta, de Sul ao Norte, especificamente do Chuí (RS) ao Oiapoque (AP). Este será o maior corredor ecológico da América Latina, conectando cerca de 34 Unidades de Conservação (UCs) federais.

Foram 9.100 quilômetros, passando por diversos biomas brasileiros, mapeando a futura Trilha Oyapoque x Barra do Chuí. Em seu périplo, ele contou com apoio de servidores dos parques e reservas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), bem como de voluntários da Associação Rede Brasileira de Trilhas.

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No dia 23 de fevereiro de 2024, quando saiu de seu destino na Barra do Chuí levando somente o necessário, seu único objetivo era realizar a travessia unindo dois pontos extremos do país. Não havia qualquer planejamento ou prazo de chegar ao destino, uma trilha inédita, que não havia sido percorrida por ninguém.

Seu destino se cumpriu no dia 20 de dezembro, mantendo a simplicidade que marcou todo o percurso. Foram quase dois anos de caminhada, 22 meses, auxiliando os Ministérios Turismo (MTur) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ao qual o ICMBio se vincula, a mapear rotas estratégicas da grande trilha que será inaugurada em breve.

Um objetivo pessoal que se conecta com os trabalhos do Instituto, especialmente pela Coordenação-Geral de Uso Público e Serviços Ambientais (GGUP) do ICMBio, que articula, em nível governamental, iniciativas para estruturar e ampliar projetos de trilhas de longo curso no Brasil. O movimento ganhou reconhecimento legal em 2018, com a publicação da Portaria Conjunta MMA/MTur nº 407, que instituiu a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade – Rede Trilhas, inserida no Programa Nacional de Conectividade de Paisagens.

“Do Oiapoque ao Chuí”

A Trilha foi concebida para funcionar como um corredor natural que conecta centenas de Unidades de Conservação, muitas delas federais, espalhadas pelos biomas brasileiros.

“Trechos já estruturados, como a Trilha Amazônia Atlântica no Pará, cruzam reservas extrativistas federais e demonstram como essa grande rota pode integrar áreas protegidas ao longo do território nacional”, explica o diretor de Áreas Protegidas do MMA, Pedro Menezes.

A política pública tem por objetivo unir trilhas já existentes com a implementação de novas trilhas, criando um corredor verde contínuo que também possa ser usado pela fauna. Hoje já existem mais de 7000 km implementados e sinalizados com as pegadas pretas e amarelas que são a marca registrada da Rede Trilhas. Mapear essas conexões, em alguns lugares, entretanto, ainda era um desafio.

“A pernada de Johan foi pioneira, pois, se a façanha de conectar os dois extremos do litoral brasileiro já havia sido feita no século passado por Sérgio Rondelli, sempre seguindo a beira do mar, agora realizou-se uma rota diferente, conectando trilhas já implementadas pela Rede Trilhas e alternando litoral e interior, praias e montanhas”, afirma Carla Guaitanele, coordenadora-geral da GGUP/ICMBio.

Leia também: “Do Caburaí ao Chuí”: conheça o verdadeiro extremo norte do Brasil

O Arroio Chuí é um pequeno curso d’água localizado na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, sendo o ponto extremo sul do Brasil. Foto: Divulgação

O percurso: biomas e adaptação

A caminhada começou pelo litoral do Rio Grande do Sul, um território moldado pelo encontro entre o vento, o mar e a areia. Foram cerca de 700 quilômetros de praias, muitas vezes isoladas, como a Praia do Cassino, a maior praia em extensão do mundo, onde o horizonte parece não ter fim. Nesse bioma costeiro, o clima muda rápido e impõe respeito.

Do litoral, a travessia avançou para as áreas de clima úmido e relevo elevado, cortando a Serra da Mantiqueira, cadeia montanhosa que se estende por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde a vegetação é densa e o frio e a neblina contrastam com o cenário anterior.

Ao entrar no Cerrado, o caminhar ganhou outro ritmo. Considerado o “berço das águas”, o bioma mescla campos abertos, árvores retorcidas e uma biodiversidade que resiste ao fogo e à seca. A travessia exigiu atenção e adaptação, preparando o corpo e a mente para o maior desafio da jornada: a Caatinga.

Na Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, Johan enfrentou seu maior teste de resiliência. O calor intenso, escassez de água e as longas distâncias entre povoados exigiram mais do que força física, mas equilíbrio emocional e persistência.

Na etapa final, o cenário foi amazônico. Na Ilha do Marajó (PA), onde a Amazônia encontra o oceano, foram cerca de 500 quilômetros atravessando grandes fazendas, sob o sol intenso. Entre campos alagáveis e vegetação exuberante, Johan dividiu o caminho com a fauna local: búfalos, cobras e aves, que fazem parte da dinâmica natural da ilha.

Leia também: Confira a localização de nove trilhas para aproveitar na Amazônia

oiapoque (AP)
A Ponte Binacional Franco-Brasileira atravessa o rio Oiapoque, ligando as cidades de Oiapoque, Brasil, e São Jorge do Oiapoque, na Guiana Francesa. Foto: Divulgação/Fecomércio Amapá

“Tudo consiste em se adaptar, senão você não consegue atravessar. Para uma caminhada assim, você não precisa se preparar. O corpo e a mente acabam se adaptando”, indica Johan Grondin.

Agora, depois de chegar ao Oiapoque, o caminhante tem planos de escrever um livro relatando sua experiência e cogita conectar o Brasil de Leste a Oeste, desde o Cabo Branco (PB) à Serra do Divisor (AC).

A Rede Brasileira de Trilhas

A Rede é a principal política pública de áreas protegidas do Brasil. Ela conecta UCs e fragmentos florestais, formando corredores ecológicos que ajudam na manutenção de processos ecológicos e na conectividade da fauna e flora.

Essa política inovadora une lazer, conservação e desenvolvimento econômico, tendo as trilhas de longo curso como estratégia de conexão entre pessoas, flora e fauna.

Marcos internacionais fortalecem a agenda das trilhas

No último ano, 2025, no Congresso Mundial da Natureza da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), realizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, as trilhas foram reconhecidas oficialmente como uma ferramenta vital para a conservação da natureza.

Enquanto isso, no Brasil, mas ainda no campo internacional, o projeto da Trilha Amazônia Atlântica, a maior trilha sinalizada da América Latina, foi inaugurado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) em Belém, Pará, como uma iniciativa para promover a conservação, a bioeconomia e o turismo de base comunitária na região.

*Com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

Dicionário multimídia preserva identidade linguística e cultural do povo Ye’kwana

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Foto: Divulgação/MNPI

O povo indígena Ye’kwana agora conta com uma ferramenta para a preservação de sua identidade linguística e cultural: o Dicionário Multimídia da Língua Ye’kwana. O material foi consolidado em novembro de 2025, como resultado de um processo de pesquisa e documentação linguística realizado pelo Projeto Salvaguarda do Patrimônio Linguístico e Cultural de Povos Indígenas Transfronteiriços e de Recente Contato na Região Amazônica.

O projeto de cooperação técnica internacional é firmado pelo Museu Nacional dos Povos Indígenas (MNPI), órgão científico-cultural da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

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A ferramenta é resultado do trabalho do Subprojeto Ye’kwana que integra o Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas (ProDoclin). A devolutiva do produto desenvolvido pelo subprojeto aconteceu na comunidade Waichannha (Waikás), do povo indígena Ye’kwana, na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima.

A pesquisa e documentação da língua Ye’kwana pelo ProDoclin para o dicionário teve início em 2019 com o trabalho do subprojeto que, ao longo de seis anos, contou com a consultoria de pesquisadores indígenas Ye’kwana e produziu mais de 1.400 verbetes multimídia, incluindo palavras e expressões da língua originária Ye’kwana. 

A iniciativa faz parte do projeto de cooperação técnica internacional entre o Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), a Funai, por meio do MNPI, e a Unesco, que visa a salvaguarda do patrimônio linguístico de povos transfronteiriços (que vivem em mais de um país) e de recente contato na Amazônia. 

Leia também: Tecnologia social: conheça a plataforma com sete Dicionários para Línguas Indígenas

Povo Ye’kwana dicionário multimídia foto divulgacao mnpi
Oficinas ensinaram como acessar o dicionário. Foto: Divulgação/MNPI

Atividades de campo para criação do dicionário

Foram realizadas oficinas formativas com professores das escolas estaduais Waikás (Alto Alegre), Apolinário Gimenes (comunidade Fuduuwadunha) e Mötaaku (comunidade Kudaatanha), em Roraima., para uso do dicionário As atividades foram coordenadas  pela pesquisadora linguista Isabella Coutinho, responsável pelo subprojeto, e pelo pesquisador Ye’kwana Edmilson Estevão Magalhães.

O foco das oficinas foi o treinamento para o uso da plataforma Japiim, desenvolvido especialmente pelo projeto e que permite o acesso ao dicionário multimídia Ye’kwana em dispositivos móveis mesmo em áreas sem conexão à internet. A plataforma também hospeda mais de 14 dicionários multimídia de línguas indígenas produzidos.

Atendendo a uma demanda das lideranças indígenas e da Associação Wanassedume Ye’kwana (Seduume), foi  produzido um vídeo tutorial na língua Ye’kwana. Gravado na sede da associação em Boa Vista, em Roraima, o material audiovisual detalha as funcionalidades da plataforma Japiim. O objetivo é facilitar a disseminação do conhecimento para além das salas de aula, alcançando famílias e jovens em diferentes contextos comunitários.

A conclusão dos trabalhos reforça a missão institucional da Funai, por meio do MNPI, em apoiar processos participativos de documentação que garantam que as línguas indígenas permaneçam vivas e integradas às novas tecnologias de informação. 

Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas 

O ProDoclin surgiu no antigo Museu do Índio (atual MNPI) em 2008, como uma resposta estratégica à vulnerabilidade de diversas línguas indígenas no Brasil. O programa foi desenhado para criar um acervo digital de alta qualidade, utilizando tecnologia de ponta para registrar não apenas palavras, mas cantos, narrativas, rituais e conhecimentos tradicionais.

Ao longo de quase duas décadas, o ProDoclin tornou-se uma referência internacional em metodologia colaborativa, onde o indígena deixa de ser apenas objeto de estudo para se tornar o pesquisador de sua própria cultura.

Entre os diversos povos já beneficiados pelas ações de documentação do programa, estão os povos indígenas do Xingu, como os Kuikuro e Kalapalo, assim como os Karajá, Xavante e Kayapó,  e os da Amazônia e Nordeste,  Incluindo os Baniwa, Ashaninka, Maxakali, Krahô e, mais recentemente, os grupos de recente contato e transfronteiriços, como os Ye’kwana e Korubo.

Leia também: Considerada extremamente vulnerável, língua indígena Moré-Kuyubim ganha dicionário multimídia

Pluralidade  linguística 

O Brasil convive com uma pluralidade linguística ainda desconhecida por grande parte da população. São 391 povos e 295 línguas indígenas faladas, de acordo com dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa atualizada em outubro de 2025, mostra que a população indígena passou de aproximadamente  897 mil para quase 1,7 milhão de pessoas, das quais 74,51% declararam seu pertencimento étnico em 2022. 

Para a Funai, os números reforçam a necessidade de uma atuação integrada entre União, estados, Distrito Federal e municípios para assegurar o acesso dos povos indígenas a todos os serviços ofertados pelo Poder Público.

A autarquia lembra que todos os entes da federação devem atuar na promoção e proteção dos direitos dos povos indígenas, considerando, entre outros pontos, que o Censo 2022 aponta a presença indígena em 4.833 municípios. Segundo a pesquisa, São Paulo é o estado com o maior número de povos indígenas identificados pelo Censo — 271 ao todo. Em seguida, destacam-se o Amazonas, com 259, e a Bahia, com 233. 

*Com informações da Funai

Amazonas registra menor número de alertas de desmatamento em oito anos

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Canal do Livramento na foz do Rio Amazonas. Foto: Divulgação / Setrap

O Amazonas fechou 2025 com o menor número de alertas de desmatamento em oito anos. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram 2.798 registros, o menor índice desde 2017. O resultado representa queda de 28% em relação a 2024, quando houve 3.897 alertas.

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Entre os municípios, Apuí teve o maior número de alertas em 2025: 543. Em seguida aparecem Lábrea (334) e Boca do Acre (232). Na área desmatada, Apuí também liderou, com 18,5 mil hectares. Lábrea registrou 12,2 mil e Novo Aripuanã, 6,4 mil hectares.

A área desmatada também caiu em 2025. Foram 72 mil hectares, contra 79 mil no ano anterior — redução de 9,4%. É o menor índice desde 2018 e confirma a tendência de queda registrada no estado desde 2023.

Realização do monitoramento no Amazonas

O monitoramento é feito diariamente pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), que usam as informações para orientar ações de combate e definir políticas ambientais.

Leia também: Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés e segurança hídrica

Amazonas registra menor número de alertas de desmatamento em oito anos
Desmatamento no Amazonas. Foto: Divulgação / Embrapa

O Ipaam aplicou R$ 271,9 milhões em multas ambientais em 2025. Desse total, R$ 179,3 milhões foram por desmatamento ilegal. Em 2024, o valor havia sido menor: R$ 194 milhões, sendo R$ 106 milhões ligados ao desmatamento.

O órgão explica que os valores das multas não significam arrecadação imediata, já que muitos processos ainda passam por defesa ou recurso. O dinheiro efetivamente recolhido vai para o Fundo Estadual do Meio Ambiente (Fema), administrado pela Sema, que financia projetos de proteção ambiental no Amazonas.

*Com informações do Governo do Amazonas

Amazônia colombiana reduziu desmatamento em cerca de 25% entre janeiro e setembro de 2025

Foto: Divulgação

A Amazônia colombiana registrou uma redução de 25% no desmatamento acumulado estimado entre janeiro e setembro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, segundo o Boletim Trimestral de Detecção Precoce do Desmatamento nº 44 do Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (Ideam) colombiano.

Segundo o relatório, estima-se que 36.280 hectares foram desmatados durante os três primeiros trimestres de 2025, em comparação com aproximadamente 48.500 hectares registrados no mesmo período do ano anterior, confirmando uma tendência sustentada de redução do desmatamento no bioma amazônico.

As maiores áreas estimadas de desmatamento concentraram-se nos meses de janeiro (14.250 hectares) e fevereiro (9.503 hectares), enquanto maio registrou o menor impacto, com apenas 54 hectares desmatados, refletindo tanto as variações sazonais quanto a implementação de ações de controle e contenção no território.

Da mesma forma, quatro departamentos foram responsáveis ​​por 98% do desmatamento estimado na Amazônia colombiana em 2025: Meta e Caquetá, com 31% cada; Guaviare, com 24%; e Putumayo, com 12%, o que demonstra uma alta concentração territorial do fenômeno.

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amazônia
Rio Putumayo, na Colômbia. Foto: Daniel Acosta/Pixabay

O boletim destaca que as maiores reduções cumulativas foram registradas em Meta (-6.750 hectares), Caquetá (-4.734 hectares) e Guaviare (-1.499 hectares). Em contrapartida, Putumayo apresentou um aumento líquido estimado de desmatamento de +1.569 hectares, reforçando a necessidade de ações diferenciadas e direcionadas, em consonância com o Plano Integral de Contenção do Desmatamento.

De fato, o Governo Nacional fortaleceu as ações de restauração ecológica, o envolvimento de gestores ambientais e extensionistas, a implementação de acordos voluntários de conservação, a promoção de cadeias produtivas sustentáveis ​​e manejo florestal sustentável, bem como o apoio a 5.562 famílias beneficiadas pelos incentivos econômicos do programa Conservar Paga.

Os alertas persistem no arco noroeste da Amazônia Colombiana

Embora os resultados acumulados demonstrem os esforços contínuos de coordenação institucional e gestão territorial com o objetivo de conter o desmatamento, o Boletim nº 44 alerta que o comportamento do fenômeno é influenciado por variações climáticas, entre outros fatores, o que exige a manutenção e o reforço das ações nos períodos e territórios de maior pressão.

Especificamente, durante o terceiro trimestre de 2025 (julho a setembro), a Ideam identificou o impacto da transição entre o fim da estação chuvosa e o início da estação seca, um período em que as pressões sobre a floresta se intensificam.

Nesse contexto, foram identificados quatro Núcleos de Detecção Precoce de Desmatamento, localizados no arco noroeste da Amazônia colombiana, nas áreas de Guaviare, Meta, Caquetá e Putumayo:

Cuemaní – Cartagena del Chairá (Caquetá)

Trata-se do núcleo mais relevante, associado a pastagens para apropriação indevida de terras, expansão da pecuária extensiva insustentável e aumento da infraestrutura rodoviária não planejada, inclusive em áreas da Reserva Florestal da Segunda Lei e em áreas próximas ao Parque Nacional Natural da Serranía de Chiribiquete.

Yaguará II – Calamar (Guaviare)

Essa área central afeta principalmente a Reserva Indígena Llanos del Yarí – Yaguará II e setores do Parque Nacional Natural Serranía de Chiribiquete, com dinâmicas de colonização induzidas por estradas ilegais e expansão de pastagens.

Puerto Caicedo – Puerto Asís (Putumayo)

Nessa região, predomina a expansão de cultivos ilícitos, combinada com processos subsequentes de conversão de pastagens.

Puerto Guzmán (Putumayo)

A pecuária extensiva e a apropriação de terras predominam nesta área, com impactos em reservas indígenas e áreas florestais estratégicas.

Em conclusão, o desmatamento na Amazônia colombiana diminuiu 25% no período cumulativo estimado entre janeiro e setembro de 2025. No entanto, o monitoramento mostra que as principais pressões que historicamente impulsionaram esse fenômeno, principalmente de origem antropogênica, persistem. Essas pressões estão associadas à conversão de terras para pastagens, à pecuária extensiva insustentável e à expansão de infraestrutura de transporte não planejada. No departamento de Putumayo, essa dinâmica é ainda agravada pela expansão de cultivos ilícitos, enquanto, em menor escala, também são registrados impactos relacionados à extração ilegal de madeira e à mineração ilegal.

Em casos excepcionais, foram identificadas causas naturais, como movimentos de massa associados a chuvas extremas, em setores do Parque Nacional Natural da Serranía de Chiribiquete e na Reserva Andoke de Aduche.

Por fim, o Governo apela à responsabilidade partilhada dos cidadãos e das entidades territoriais para reforçar a justiça ambiental, prevenir as queimadas a céu aberto, a exploração madeireira indiscriminada e as alterações não autorizadas na cobertura vegetal, e avançar na proteção e recuperação das florestas do país, em conjunto com as comunidades que habitam e cuidam do território.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia

Marcelo Barbosa Peixoto: um período construtivo na maçonaria amazonense

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Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto, da GLOMAM Amazonas. Foto: Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

A maçonaria tem sua origem no trabalho. Foi criada com a finalidade de construir e aperfeiçoar todos aqueles que tem e tiveram a oportunidade de se aprofundar em um de seus templos. Naturalmente encontrando a possibilidade de se tornarem homens justos, perfeitos sob o olhar do Grande Arquiteto do Universo.

Quem quer que ainda creia nos altos desígnios do homem sobre a face da terra, quem quer que ainda não tenha todo descrito da ação civilizadora nos destinos da humanidade, quem quer ainda não tenha tornado em absoluto em diferente ao movimento gerador que as conquistas do espírito humano vão operando no mundo maçônico, retirando-os dos preconceitos de todas as origens e libertando-os de outros que possam existir, impregnado de direito e de justiça, cuja, alma crer e faz o coração sentir que, a igualdade, a fraternidade e a liberdade não podem e não devem desaparecer do sentimento maçônico.

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O Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto, maçom de personalidade simpática e o homem com a mais completa encarnação da bondade e austero na condução do primeiro malhete da GLOMAM. Bem nascido no seio de uma família tradicional, nasceu em Manaus no dia 17 de janeiro de 1968. São seus pais, Renan Corrêa Peixoto e a senhora Maria Regina Barbosa Peixoto.

Recebeu as letras do primeiro e segundo grau no antigo Colégio Ida Nelson, começou a trabalhar muito cedo na companhia de seu pai, mas, tinha em mente uma qualificação universitária. O que concluiu o curso de Bacharel em Administração no dia 28 de agosto de 1993, profissão herdada da orientação paterna logo vai fazer o curso em Comércio Exterior de Logística pela Faculdade Aduaneiras, em 1997, no Estado de São Paulo. Em seguida, fez o curso de Comércio Exterior de Classificação Fiscal pela mesma faculdade.

O Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto, recebeu a primeira luz maçônica, no dia 10 de julho de 1993, na Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.º2. Foi elevado ao Grau de Companheiro, no dia 3 de março de 1994, foi Exaltado no dia 18 de junho de 1994 e tornou Mestre Instalado no dia 20 de agosto de 2013. Venerável Mestre da Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.º2, no dia 20 de agosto de 2013. A busca pelo conhecimento maçônico o levou a buscar filosofismo tendo sido Exaltado no Grau Maçom do Santo Arco Real Capítulo Ocasional Amazonas, no dia 10 de setembro de 2016. Instalado no Santo Real Arco Grau 3, 2 e 1, Principal Capítulo Amazonas, no dia 10 de setembro de 2016.

Renan Peixoto, Marcelo Barbosa Peixoto e o irmão Hamilton Mourão à época Vice-Presidente da República. Foto: Acervo pessoal

Um autêntico e dedicado à causa maçônica a frente dos destinos da GLOMAM, pertence a este Grupo de Trabalhadores da Arte Real que continua contribuindo para o bem-estar da família maçônica. O Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto vem desempenhando suas funções de forma exemplar e apesar dos parcos recursos da GLOMAM, jamais se recursou a atender aos necessitados e o que nos impressiona é sua simplicidade, cuja, principal característica, é dá apoio as lojas especialmente as do interior do estado, em um desdobramento contínuo de atividades em prol do crescimento do simbolismo maçônico.

Ele de certo, ocupa lugar na primeira fila e como combatente marca sempre na vanguarda de pé e a ordem com uma participação efetiva e dedicada. Legado passado pelo seu pai tornou-se estudioso dos ensinamentos da Arte Real e conhecedor de nossa legislação o que permite entender a seriedade do seu trabalho.

Como um bom soldado da Arte Real não poupa esforços para ser útil aos seus irmãos e às lojas jurisdicionadas. Cercado por um conselho de veneráveis, procura de todas as formas exprimir o conceito de que a maçonaria não é apenas um motivo de encontro entre irmãos, mas sobretudo, um trabalho voltado, aos menos favorecidos consagrando grande soma de suas energias ao bem-estar da instituição.

Ao ser humano foi dado o desafio de navegar as agitadas águas do tempo. Viver é vencer as provações que a existência nos impõem cotidianamente e cumprir com altivez e dignidade a travessia, inclusive ajudando seus irmãos também a atravessar. Afinal, o que é a vida se não vencer a distância e os limites? E depois retornar a fonte originária de onde a correnteza da vida brota e onde reúnam os mistérios da providência divina e maçônica. Compreender esse milagre e esse enigma é condição indispensável para uma existência enriquecedora e feliz, especialmente para aqueles que fazem o bem.

Marcelo Barbosa Peixoto um maçom onde tantas vezes ajoelhou-se em oração ao Grande Arquiteto do Universo. Por isso, sempre coube a ele a tarefa muitas vezes árdua, porém, sensível de agasalhar nos desvãos do seu mundo interior, todos os motivos, todos os sonhos, todas as crenças que se urde essa tecitura de amor a arte real, desbastando carinhosamente com seu cinzel de rosário a pedra bruta.

A Instituição Maçônica, cuja origem é motivo ainda hoje de paciente perquirição, ensejando as mais diversas opiniões muito especialmente das pessoas que não à conhecem. Todas elas, porém, demonstrando o caráter universalista da ordem, sempre se constituiu em tema apaixonante da apreensão e da inteligência humana e, Marcelo Barbosa Peixoto tem como referência um dos mais estudiosos da nossa ordem seu pai, Renan Peixoto.

Marcelo Barbosa Peixoto: um período construtivo na maçonaria amazonense
Foto: Acervo pessoal

Difícil por certo, será a sua conceituação uniforme, uma vez que, o seu processo de expansão e evolução acompanha os fatos que se desenrolam entre os homens, gerando motivações civilizadoras. Podemos afirmar também, que a maçonaria é uma instituição universal inspiradora da mais perfeita tolerância pelas crenças individuais.

Adotando desde seus primórdios a trilogia de liberdade, igualdade e fraternidade, tem consagrado na luta dos povos oprimidos a sua maior ação. É de fato uma instituição universal filosófica e humanitária, demonstrando dessa forma que é um organismo sempre em desenvolvimento e em condições de contribuir para o bem da humanidade e é neste seguimento que Marcelo Barbosa Peixoto mais se destacou levando ao mundo a contribuição da maçonaria em plena floresta amazônica.

Se pretendem fazer silenciar a sua voz, para afirmar que ele não se dedicou aos preceitos da maçonaria em plena floresta amazônica, fiquem convencidos de que sua vida está marcada na história da maçonaria amazonense, afinal, para o homem, bastará consagrar-se nos anais de sua vida e ter lutado por uma causa nobre.

Meu bom irmão Marcelo Barbosa Peixoto como bom soldado da arte real, entregar-te sua vida para ser útil aos seus irmãos e a toda às lojas de nossa jurisdição. Procurar-te de todas as formas exprimir o conceito de que a maçonaria não é apenas um motivo de encontro entre os irmãos, mas sim, um trabalho voltado aos menos favorecidos. Direcionar-te grande soma de sua energia ao bem-estar da GLOMAM.

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Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Minam publica projeto para desenvolvimento e operação de créditos de biodiversidade no Peru

Artesanato é uma medida sustentável. Foto: Divulgação/Agência Andina

O Ministério do Meio Ambiente (Minam), do Peru, ordenou a publicação do projeto “Diretrizes para o planejamento e operação de projetos de crédito de biodiversidade”, com o objetivo de disponibilizar ao público um guia para o desenvolvimento de projetos de crédito de biodiversidade no país.

O planejamento regulatório, formalizado pela Resolução Ministerial nº 00352-2025-MINAM, está enquadrado no Objetivo 19 do Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que estabelece o aumento, até 2030, dos recursos financeiros de todas as fontes para a implementação de estratégias nacionais de biodiversidade, por meio de instrumentos de financiamento inovadores, como os créditos de biodiversidade.

Internacionalmente, este mercado encontra-se em fase inicial, com mais de 50 metodologias em desenvolvimento e diversos planos-piloto em curso. Neste contexto, o MINAM apresenta um conjunto de diretrizes para promotores de projetos, desenvolvedores e demais partes interessadas, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de medidas ambientalmente sustentáveis ​​e tecnicamente rigorosos.

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projetos para sustentabilidade no Peru
Projetos sustentáveis ajudam a manter a mata do Peru. Foto: Divulgação/Agência Andina

Estrutura do projeto

O documento está estruturado em torno de quatro eixos principais: a abordagem conceitual dos créditos de biodiversidade; os princípios para garantir sua integridade; a identificação de áreas prioritárias para a operação das propostas; e diretrizes específicas para seu planejamento e implementação.

Essas diretrizes abordam aspectos como tipos de projeto, modalidades de intervenção, definição da linha de base, monitoramento dos impactos na biodiversidade, salvaguardas, prevenção de duplicação e repartição de benefícios.

Da mesma forma, o projeto propõe definir um crédito de biodiversidade como uma unidade ou certificado negociável, que representa um resultado positivo e mensurável para a biodiversidade, gerado por um plano registrado e apoiado por métricas científicas verificáveis.

Esta proposta está disponível para consulta pública até 16 de janeiro de 2026, no site do Minam, através do seguinte link. Comentários e contribuições podem ser enviados por escrito ou para o endereço de e-mail serviciosecosistemicos@minam.gob.pe.

*Com informações da Agência Andina

IIAP produz mais de 2,8 milhões de alevinos para fortalecer segurança alimentar na Amazônia peruana

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Foto: Reprodução/Governo do Peru

O Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), órgão do Ministério do Meio Ambiente, encerrou 2025 com um resultado que impacta diretamente o cotidiano de milhares de famílias amazônicas. Durante o ano, a instituição produziu e distribuiu 2,86 milhões de alevinos de peixes nativos, superando sua meta anual de 2,22 milhões em 29% e fortalecendo a segurança alimentar em comunidades rurais e indígenas.

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Graças a esse esforço, 2.843 famílias em 503 comunidades indígenas e rurais agora têm peixes em seus tanques familiares. As iniciativas ocorreram em 83 distritos e 28 províncias nos estados de Loreto, Ucayali, San Martín, Madre de Dios, Amazonas, Huánuco, Cusco e Puno — territórios onde o acesso a proteínas e renda estável é difícil.

A produção foi focada em espécies de alto valor para as comunidades. O paco liderou as entregas com 1,23 milhão de alevinos, seguido pela gamitana com 949.190 e pelo boquichico com 654.850. Essa seleção permitiu uma resposta às condições locais e aos hábitos de consumo de cada região.

O projeto também teve como foco as mulheres. Um total de 816 mulheres receberam alevinos para seus tanques, fortalecendo seu papel na economia familiar e na tomada de decisões produtivas dentro da comunidade.

Leia também: IIAP realiza estudo para determinar fluxos de gases do efeito estufa em floresta de Loreto, no Peru

IIAP investe em produção de alevinos no Peru
Foto: Reprodução/Governo do Peru

Treinamento do IIAP

Além da distribuição de peixes, o IIAP focou no conhecimento. Ao longo do ano, foram realizados 58 cursos práticos de gestão da aquicultura, com a participação de 1.855 produtores. Destes, 789 eram mulheres que agora possuem mais ferramentas para garantir uma piscicultura eficiente e sustentável.

Os benefícios são projetados para o curto e médio prazo. A colheita estimada ultrapassa 1.122 toneladas métricas de peixe, com um valor econômico superior a S/16,83 milhões. Isso significa mais alimentos, maiores rendimentos e melhores oportunidades para as famílias beneficiárias.

Com esses resultados, o IIAP confirma que a aquicultura rural não produz apenas peixes, mas também bem-estar, autonomia e esperança para as comunidades mais vulneráveis ​​da Amazônia peruana, e deixa uma base sólida para dar continuidade ao trabalho em 2026.

*Com informações do IIAP

BBB 26: Marciele Albuquerque e Lívia Christina, as representantes da cultura no Norte

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Fotos: Reprodução/Instagrans oficiais de Marciele e Livia

As dançarinas Livia Christina e Marciele Albuquerque entraram na Casa de Vidro do Norte no dia 9 de janeiro como parte da dinâmica de escolha do grupo Pipoca para o Big Brother Brasil 2026 (BBB 26). Mas a disputa por uma vaga no reality show da TV Globo não é a primeira que elas travam entre si.

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De lados opostos no Festival Folclórico de Parintins, elas representam personagens típicos da festa amazonense protagonizada pelos bois Caprichoso e Garantido. Nesta disputa, Marciele, a Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso, foi escolhida para entrar no jogo com 54,55% dos votos contabilizados neste domingo (11).

A escolha pela representantes de uma das festas mais populares do Amazonas, mostra que o trabalho feito pela antecessora de Marciele no BBB, a também cunhã-poranga Isabelle Nogueira, do rival Garantido, deixou marcas positivas e uma curiosidade do público para ver mais. Isabelle participou do BBB 24 e foi uma das responsáveis por apresentar ao Brasil a grandiosidade do festival parintinense.

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Marciele Albuquerque, a cunhã-poranga do Caprichoso

Marciele Albuquerque
Foto: Reprodução/Instagram-marciele.albuquerque

E, assim como a antecessora, Marciele Albuquerque é cunhã-poranga, mas do Boi Caprichoso. Definida como “moça bonita, sacerdotisa, guerreira e guardiã”, a cunhã-poranga representa a mulher mais bela da aldeia.

A personagem, no festival, simboliza a mulher indígena forte, guerreira e conectada à natureza, sendo expressão de beleza, coragem e espiritualidade.

Durante as apresentações no Festival de Parintins, a cunhã-poranga encanta o público com dança intensa, força corporal e expressividade cênica, sempre acompanhada de narrativas que exaltam a cultura indígena.

Sua presença no espetáculo reforça o protagonismo dos povos originários e a valorização da identidade indígena amazônica.

Marciele é indígena do povo Munduruku e natural de Juruti (PA), o que a faz levar para a arena uma vivência diretamente ligada à ancestralidade que representa.

Ela é dançarina e digital influencer, tem 32 anos e vive em Manaus há 16 anos. Filha mais velha de quatro irmãos, atualmente mora um dos irmãos e uma prima.

Livia Christina, a Rainha do Folclore do Garantido

Muito além da rivalidade “bovina”, Lívia também representa a cultura amazônica. Ela representa o item ‘Rainha do Folclore’ do Boi Garantido, personagem que simboliza a essência das tradições populares amazônicas.

Em cena, ela reúne danças, ritmos e elementos que traduzem o imaginário do povo da floresta, conectando lendas, rituais e manifestações culturais profundamente enraizadas na região.

No Festival de Parintins, a Rainha do Folclore tem a missão de conduzir o público por esse universo simbólico, valorizando a cultura indígena, ribeirinha e cabocla.

Natural da Baixa do São José, em Parintins, Lívia Christina construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao Boi Garantido. Sua história no boi vermelho e branco começou no corpo de dança Garantido Show Parintins, espaço onde se destacou pelo talento e pela entrega cênica.

Ao longo da carreira, disputou por dois anos o posto de Porta-Estandarte, figurando entre os principais nomes da agremiação.

*Com informações da Rede Amazônica AM e da Imprensa Globo