O governo federal desenvolveu na Terra Indígena Yanomami um projeto que une criação de peixes, roças com plantio de mandioca, batatas, arroz e criação de galinha. A iniciativa é desenvolvida na comunidade Sikamabiu e foi inaugurada oficialmente no dia 2 de fevereiro de 2026.
Chamada de unidade demonstrativa, a iniciativa visa fortalecer a segurança alimentar no território, que está há três anos em situação de emergência, e foi desenvolvida como resposta à grave crise humanitária enfrentada pelos povos Yanomami e Ye’kwana, causada pelo garimpo ilegal na região.
Sikamabiu fica na região do Baixo Mucajaí, no Sul de Roraima, dentro do território Yanomami. Na localidade, vivem ao menos 400 indígenas, distribuídos em cerca de 30 famílias. A maioria é do povo Xiriana (ou Xirixana), subgrupo dos Yanomami.
O polo com sistemas de piscicultura, criação de aves e o plantio de lavouras tradicionais será o primeiro de uma série de oito que devem ser implantados no território ainda neste ano. Estão previstas iniciativas em comunidades das regiões de Surucucu, Homoxi, Xitei, Lasasi, Ajarani, Olomai e Uxiu. O cuidado com as roças, os galinheiros e os tanques de peixes será de responsabilidade dos próprios indígenas.
O investimento para a implementação do projeto é de R$ 1,8 milhão, com recursos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A execução é feita pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com apoio logístico da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR) participa da parceria com aulas e formação em piscicultura. Ao todo, 34 indígenas foram capacitados e ficaram responsáveis pelo cultivo e pela multiplicação do conhecimento na comunidade.
Plantio de subsistência na Terra Indígena Yanomami. Foto: Bruno Mancinelle/Casa de Governo
Além disso, no âmbito da piscicultura, o projeto tem o apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), que atuou na construção dos açudes de criação dos peixes. Os tanques são feitos de geomembrana – uma espécie de manta sintética impermeável, o que garante maior eficiência e durabilidade na criação de peixes.
Nesta segunda, a cerimônia de inauguração do polo deve ter a presença do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, da presidente da Funai, Joênia Wapichana, aa diretora substituta da Casa de Governo, Cleide de Souza, a secretária nacional de Aquicultura do MPA, Fernanda de Paula, e de outras autoridades do governo federal.
Terra Yanomami
Com quase 10 milhões de hectares, a Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil em extensão territorial. Localizado no Amazonas e em Roraima, o território abriga 31 mil indígenas, que vivem em 370 comunidades.
O povo Yanomami é considerado de recente contato com a população não indígena e se divide em seis subgrupos de línguas da mesma família, designados como: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma.
Terra Yanomami. Foto: Ascom | MPI
O território está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, a partir da posse de Lula (PT), começou a criar ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e cestas básicas. Além de enviar forças de segurança a região para frear a atuação de
Roiti Metuktire, 35 anos, carrega no sangue a luta coletiva pela proteção do seu território, a Terra Indígena Kayapó, situada no norte de Mato Grosso. Das dezenas de netos de Raoni Metuktire, maior liderança indígena, ele está entre os três que assumiram diretamente o legado tio-avô em levar a luta pela terra adiante.
Há alguns anos, Roiti trabalha para que sua região seja conservada e as tradições de seus antepassados mantidas. Para isso, coordena o Núcleo de Gestão e Proteção Territorial do Instituto Raoni, que desde a sua fundação, em 2001, capta recursos e estrutura ações para proteger a floresta e a vida que se encontra nela.
Roiti embarcou em uma jornada de conhecimento que é compartilhada diariamente com as cinco comunidades que compõem o território e tem tido bons resultados.
Terra Indígena Capoto-Jarina, no Mato Grosso. Foto: Reprodução/Instagram-@minpovosindigenas
Hoje, a terra indígena Capoto-Jarina, no norte de Mato Grosso, região do Xingu, tornou-se referência em gestão e proteção territorial. Segundo Roiti, é reconhecida entre as populações indígenas como a mais protegida das cinco comunidades que compõem a terra indígena Kayapó.
Isso devido à ausência de ilícitos ambientais e de desmatamento ativo, com sistemas robustos de monitoramento e vigilância, forte articulação comunitária e diálogo internacional consolidado.
Como tudo começou
Na cultura Kayapó, a floresta, a água, os animais e todos os seres vivos não são recursos, mas condições essenciais de existência.
“No mundo indígena, tudo vem da floresta. A gente caça, planta, busca o alimento. Se isso é tirado, o indígena praticamente morre, porque nossa cultura não é baseada na compra, mas na relação com o território”, explica Roiti.
Terra indígena Kayapó. Foto: Divulgação/Polícia Federal
As mudanças no entorno da terra indígena Kayapó começaram a afetar diretamente o cotidiano dos indígenas no interior do território, algo que os mais velhos vinham percebendo. Foi em 2009, em um grande incêndio, que acendeu o alerta: o fogo estava mais intenso e mais frequente do que em outros períodos.
Sem acesso à tecnologia ou a dados climáticos na época, as lideranças passaram anos tentando entender o que estava acontecendo. A busca por parcerias, a partir de 2014, deu início a estruturação de uma área específica de monitoramento territorial, incorporando ferramentas tecnológicas e aproximando o conhecimento tradicional de sistemas modernos de análise ambiental.
Virada com a tecnologia
A formação de jovens passou a ser central nessa estratégia. Roiti saiu do território em 2019 para estudar e nesse movimento passou a enxergar de forma mais clara os impactos do avanço do agronegócio e da lógica predatória ao redor da terra indígena Kayapó. Onde antes havia floresta, hoje predominam grandes áreas de soja.
Ao retornar, sua luta tornou-se pessoal. Pai de três filhos, ele vê na proteção do território uma responsabilidade com o futuro.
“Quero que meus filhos possam dizer: essa é minha casa, é aqui que minha família existe, é daqui que vem o nosso alimento. Quero que eles vivenciem o que a gente viveu com a caça e a pesca, mas também que tenham acesso aos dois mundos”, afirma.
O trabalho no Instituto Raoni o aproximou mais do objetivo. Em 2017, a organização implementou, com o apoio do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o Sistema de Observação e Monitoramento da Amazônia Indígena (SOMAI) na terra indígena Kayapó.
O sistema monitora desmatamento e ameaças em terras indígenas, como o aumento da seca, a imprevisibilidade das chuvas, por exemplo. Integra conhecimentos científicos e tradicionais para a conservação ambiental.
A comunicação no território também passou por uma transformação profunda. Se até 2019 o diálogo entre as aldeias era majoritariamente por rádio, hoje, de acordo com Roiti, cerca de 90% da terra indígena Kayapó se comunica via internet. Isso facilitou o acesso à informação sobre mudanças climáticas, desmatamento e legislação ambiental, além de aproximar jovens das decisões coletivas.
Hoje, a implementação das brigadas de incêndio é considerada essencial para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Em 2024, apesar de todos os esforços, o território perdeu cerca de 17% de sua área para o fogo, de acordo com um levantamento do Greenpeace Brasil.
Em resposta, as comunidades passaram a investir em SAFs (Sistemas Agroflorestais). Reutilizam áreas já degradadas, evitam novos desmatamentos e reduzem o uso do fogo nas roças. Os resultados têm sido positivos, inclusive na recuperação de solos empobrecidos após anos de queimadas.
Terra indígena Kayapó. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
“Nosso objetivo é proteger o que resta de mata e floresta para que não apenas os povos indígenas possam viver nela, mas para manter um equilíbrio do qual todos os povos dependem”, diz Roiti.
Ainda assim, há desafios e obstáculos na implementação. Segundo Metuktire, o diálogo com anciãos e mulheres anciãs exige sensibilidade e persistência. Muitas práticas tradicionais dos kayapós exigem o uso do fogo, como a coleta de mel, a obtenção de penas para o artesanato ou a preparação do terreno para as roças.
A solução encontrada, de acordo com o coordenador, tem sido o manejo integrado, com queima prescrita e acompanhamento dos brigadistas. Além do diálogo ativo com os mais velhos para evitar ruídos e explicar a importância de não usar o fogo indiscriminadamente, mas aguardar os dados do monitoramento para agir.
Dessa forma, o respeito à cultura permanece e, ao mesmo tempo, incêndios de grandes proporções são evitados. O coordenador relata ter conseguido que cerca de 60% da comunidade se conscientizasse.
“A comunidade Capoto-Jarina se tornou um modelo de gestão de proteção do território. A nossa experiência tem sido procurada por outros territórios que desejam adaptar metodologias e alcançar feitos semelhantes”, explica Rioti.
O trabalho se destaca pela participação ativa de mulheres, jovens e lideranças, pelo respeito aos mais velhos e pela união de uma família ancestral que segue orientando decisões coletivas.
Essa pode ser a chave para garantir a floresta viva, prova que tradição e inovação podem caminhar juntas. “Acredito que como representação de uma liderança jovem, antigamente, para os mais velhos, a luta era feita com contos, pinturas, caça. Hoje, para nós, é tecnologia, papel, boa comunicação”, conclui Roiti.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia
A Foz do Amazonas fica na Margem Equatorial brasileira. Foto: Enrico Marone/Greenpeace
O vazamento de 15 mil litros de fluido ocorrido durante a perfuração exploratória de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial Brasileira, completa um mês nesta quarta-feira (4). A operação, realizada pela Petrobras, segue paralisada desde o incidente e as causas ainda não foram esclarecidas pela empresa estatal.
A atividade exploratória, iniciada em outubro de 2025, divide opiniões colocando, de um lado, aqueles que enxergam a medida como promissora para a soberania energética do Brasil, e, do outro, quem classifica o ato como uma ameaça grave à biodiversidade amazônica. Com o vazamento de fluido no dia 4 de janeiro, os debates esquentaram novamente.
A equipe do Portal Amazônia reuniu pontos dessa discussão e o que dizem órgão nacionais, entidades ou comunidades envolvidos nessa ação exploratória.
Bacia sedimentar Foz do Amazonas fica na Margem Equatorial brasileira. Foto: Divulgação Petrobras
Localizada entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte, a Margem Equatorial Brasileira é uma região litorânea considerada “a nova fronteira do petróleo”. A área é dividida em cinco bacias, onde cada uma delas possui blocos exploratórios que são ofertados ou concedidos para estudos de exploração.
Um desses blocos é o FZA-M-059, situado a 500 km da foz do Amazonas e a 175 quilômetros da costa do Amapá. A 2.800 quilômetros de profundidade, o bloco é visto como uma reserva potencial de petróleo e há alguns anos vem sendo alvo de um debate acirrado entre ambientalistas e setores dos órgãos federais favoráveis à exploração.
Isto porque, em 2013, o bloco foi arrematado para a empresa estrangeira BP Energy. No entanto, a petrolífera enfrentou diversos entraves durante o processo de licenciamento ambiental junto ao Ibama. Diante disso, a empresa optou por desistir, em 2020, de operar o bloco.
Interessada, a Petrobras começou as tratativas para assumir a concessão dos blocos exploratórios, algo conquistado em abril de 2021, quando a estatal assinou o acordo de transferência do bloco.
O Bloco FZA-M-59 fica localizado a 500 km da Foz do Amazonas e está a 2.800 quilômetros de profundidade. Arte: Agência Petrobrás
Petrobras
Após assumir os direitos de concessão de seis blocos exploratórios da Margem Equatorial, incluindo o FZA-M-059, a Petrobras iniciou uma saga para obter o licenciamento ambiental junto ao Ibama. Os dois primeiros pedidos, em 2021 e 2023, foram indeferidos pela autarquia federal.
Em 2024, a empresa recebeu outra negativa do Ibama, desta vez sendo alertada a respeito das inconsistências técnicas no projeto e ausência de estudos sobre os impactos potenciais da exploração na região.
Sonda de perfuração NS-42, responsável pela perfuração do poço exploratório no bloco FZA-M-059. Foto: Agência Petrobras
Mas no dia 20 de outubro de 2025, a estatal recebeu a autorização do Ibama para iniciar a pesquisa exploratória de petróleo na Margem Equatorial. A operação iniciou imediatamente após a emissão da licença e permitiu apenas a perfuração para constatar a promessa do combustível no bloco FZA-M-059. Caso seja confirmada a presença de petróleo, a estatal precisará de uma nova licença para continuar com a exploração.
Críticas
Na época, a licença do Ibama concedida à Petrobras levantou uma série de críticas por parte de organizações de movimentos ambientalistas, povos indígenas, quilombolas e pescadores artesanais residentes na região da bacia sedimentar Foz do Amazonas.
Os manguezais ocupam uma área de 8 mil km² entre os estados do Pará e Maranhão. Foto cedida pelo Núcleo de Estudos em Manguezais – Nema/UERJ
Para o grupo, a ação exploratória oferece graves riscos ao meio ambiente, já que a região da Foz do Amazonas é considerada sensível devido a sua biodiversidade, composta pelo maior cinturão de manguezais do mundo (ocupa uma área de 8 mil km² e corresponde a mais de 80% dos mangues do país) e os recifes de corais que se estendem por 1.350 quilômetros ao redor da costa brasileira.
A ausência de estudos de impacto mais confiáveis e a falta de consulta aos povos indígenas e comunidades tradicionais, conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), também foram outros apontamentos feito pelo ambientalistas.
Além disso, pescadores temem que a exploração na Foz do Amazonas possa afetar a economia local, já que a região é uma das mais produtivas.
Pescador protesta contra a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Foto: Divulgação GTA
O Ministério Público Federal (MPF) chegou a ingressar, em junho, com uma ação na Justiça Federal do Pará pedindo a suspensão do leilão de 172 blocos de petróleo e gás, sendo 47 deles na Foz do Amazonas, pela falta de medidas previstas na legislação socioambiental, mas teve o pedido rejeitado. O órgão recorreu da decisão no último dia 24 de outubro.
Por outro lado, o governo brasileiro considera a Margem Equatorial brasileira com potencial energético para ser o novo “pré-sal”. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a região representa “o futuro da soberania energética” e que os investimentos podem chegar a R$ 300 bilhões nas próximas décadas e potencial de arrecadação em torno de R$ 1 trilhão.
Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é um dos defensores da exploração do petróleo na bacia da Foz do Amazonas. Foto: Ricardo Botelho/MME
Segundo levantamento do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a exploração na Foz do Amazonas teria potencial de produzir 1,1 milhão de barris por dia, a partir de 2029.
Outros estudos apontam que a estimativa total de reservas na região pode alcançar 10 bilhões de barris – atualmente, o Brasil 16,8 bilhões de barris comprovados).
Para o ministério, a exploração na região da Foz do Amazonas tiraria o Brasil da dependência petrolífera estrangeira a partir de 2030.
Vazamento
No dia 4 de janeiro de 2026, cerca de 15 mil litros de fluido sintético vazaram para o oceano durante as atividades exploratórias da Petrobras no bloco 59 da Foz do Amazonas. O vazamento aconteceu em duas tubulações de apoio que ligam a sonda de perfuração ao poço Morpho.
Em nota, a Petrobras informou a atividade foi interrompida logo após a identificação do vazamento e reforçou que o líquido não oferece perigo ao meio ambiente.
“A perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. As linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo. Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A Petrobras adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. O fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas”, cita a empresa.
Vazamento interrompeu as operações exploratórias de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas. Foto: Click Petróleo e Gás
Fiscalização, multa e retomada
A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) chegou a suspender as atividades na plataforma e anunciou a realização de duas auditorias, uma de 2 a 7 de fevereiro e outra nos dias 9 a 13 do mesmo mês. No entanto, após a primeira fase de inspeção, a ANP autorizou a retomada da perfuração exploratória.
“Considerando as análises técnicas realizadas e as medidas mitigadoras propostas pela Petrobras, concluiu-se não haver óbice (empecilho) ao retorno das atividades de perfuração no referido poço, a partir do recebimento deste ofício”, afirmou, em nota, a ANP.
Porém, a volta da operação ficou condicionada à alguns obrigações por parte da Petrobras como “a troca de todos os elementos de vedação usados nas conexões da tubulação por onde passam os fluidos e treinamento de todos os trabalhadores envolvidos no procedimento”.
Além disso, o Ibama aplicou uma multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras após o vazamento do fluido no mar. O órgão alegou que a substância contém componentes classificados como de risco médio para a saúde humana e deu um prazo de 20 dias para o pagamento da multa ou apresentação de defesa administrativa.
O que dizem?
Ibama:
“A emissão da licença ocorre após rigoroso processo de licenciamento ambiental, que contou com elaboração de Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), realização de três audiências públicas, 65 reuniões técnicas setoriais em mais de 20 municípios dos estados do Pará e do Amapá, vistorias em todas as estruturas de resposta à emergência e unidade marítima de perfuração, além da realização de uma Avaliação Pré-Operacional, que envolveu mais de 400 pessoas, incluindo funcionários e colaboradores da Petrobras e equipe técnica do Ibama“.
Petrobras:
“A Petrobras atendeu a todos os requisitos estabelecidos pelo Ibama, cumprindo integralmente o processo de licenciamento ambiental. Como última etapa de avaliação, a companhia realizou, em agosto, um simulado in loco, denominado Avaliação Pré-Operacional (APO), por meio do qual o Ibama comprovou a capacidade da Petrobras e a eficácia do plano de resposta à emergência. A companhia segue comprometida com o desenvolvimento da Margem Equatorial brasileira, reconhecendo a importância de novas fronteiras para assegurar a segurança energética do país e os recursos necessários para a transição energética justa”.
Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia:
“A Margem Equatorial representa o futuro da nossa soberania energética. O Brasil não pode abrir mão de conhecer seu potencial. Fizemos uma defesa firme e técnica para garantir que a exploração seja feita com total responsabilidade ambiental, dentro dos mais altos padrões internacionais, e com benefícios concretos para brasileiras e brasileiros“.
Cacique Edmilson, da aldeia Galibi, em Oiapoque (AP):
“A gente tá muito preocupado, desde quando começamos a ouvir sobre a exploração de petróleo, tirou nosso sossego, porque nosso território fica muito próximo da costa do Amapá, e nosso território é a nossa mãe, daqui que a gente tira nossa sobrevivência, do nosso território“.
Angela Barbarulo, gerente jurídica do Greenpeace Brasil:
“O licenciamento do Bloco FZA-M-59 atropelou requisitos fundamentais previstos na legislação ambiental brasileira e em tratados internacionais dos quais o país é signatário. A anulação da licença de operação é urgente, uma vez que ela foi concedida sem estudos que identifiquem e mitiguem adequadamente os riscos e impactos socioambientais“.
Toya Manchineri, coordenador-geral da Coordenção das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab):
“Nenhuma decisão que impacte a vida e os territórios indígenas pode ser tomada sem ouvir quem há milênios cuida da Amazônia. Autorizar a exploração de petróleo na Foz do Amazonas sem esse diálogo é mais um ato de violação e desrespeito aos povos indígenas, que pagam a conta pelas ações do Estado e da iniciativa privada, que só estão preocupados com o lucro acima da vida“.
*Com informações do Greenpeace Brasil, MME e Petrobras
O corte de 17% no orçamento para fiscalização e prevenção de incêndios florestais em 2026 é um sinal de alerta, afirma a diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Ane Alencar.
A pesquisadora defende que a política de combate e prevenção aos incêndios florestais no Brasil deve ser uma agenda progressiva, de construção permanente. Para isso, os investimentos devem ser constantes para evitar crises estruturais, principalmente em momentos de emergência climática.
“Pode parecer que, se você tem um ano mais quente ou mais seco, precisa de mais recursos. Mas, na verdade, é preciso manter o básico funcionando para que a prevenção ocorra. Quando chega um ano mais crítico, é importante que essa base esteja sólida para não lidar com uma situação de desestruturação, falta de recursos ou ausência de engajamento comunitário”, explica Alencar.
Entre as prioridades, a diretora destaca o fortalecimento das brigadas comunitárias, que atuam tanto no uso ordenado e responsável do fogo, quanto na resposta rápida aos focos de incêndio.
O aparelhamento da infraestrutura e o fortalecimento da comunicação, segundo a diretora, são fundamentais para manter o funcionamento das ações de manejo do fogo.
Queimadas. Foto: Divulgação/Secom AC
Crédito extraordinário não é soluçãopara os incêndios
A previsão do orçamento da Lei Orçamentária Anual (LOA) para fiscalização do meio ambiente e prevenção de incêndios florestais em 2026 foi de R$495,8 milhões, R$101 milhões a menos que no ano passado.
Com o atual cenário, o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) reabriu crédito extraordinário de R$ 53,6 milhões para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
O valor será dividido entre R$ 40,4 milhões para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e R$ 13,1 milhões para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ambos para o enfrentamento a incêndios florestais e desmatamento.
Foto: Reprodução/Greenpeace
“O crédito extraordinário é uma tentativa de remediar a insuficiência do orçamento que foi planejado. Mas isso não impacta no corte que foi feito de fato. O que é preocupante é que os incêndios são tratados no orçamento como um problema agudo, e não como um problema crônico”, explica Jarlene Gomes, pesquisadora do IPAM.
Segundo ela, quando o dinheiro é destinado em caráter emergencial, sua finalidade se torna apenas para o combate, o que provoca falha na prevenção. Por isso, o recurso deve ser melhor planejado, principalmente para a prevenção, que é essencial na contenção dos grandes incêndios.
As pesquisadoras apontam que as medidas de prevenção e combate impactam diretamente em políticas de restauração ambiental, pagamentos por serviços ambientais como o REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal), bioeconomia, manejo florestal e até na produtividade do agronegócio.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia
O projeto Esperançar foi realizado na Resex Chico Mendes, localizada no extremo oeste da Amazônia brasileira, abrangendo cerca de 930 mil hectares. Foto: Aurelice Vasconcelos
Em dezembro de 2025, instituições iniciaram a implementação do Projeto Esperançar, na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no estado do Acre, que busca a integração entre as agendas de meio ambiente e cultura, tendo em vista a valorização dos modos de vida de povos e comunidades tradicionais e ampliação de ações de cultura em sus territórios.
O projeto é realizado no escopo do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ministério da Cultura (MinC), Instituto Chico Mendes (ICMBio) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O ACT visa identificar e valorizar os modos de vida, a diversidade cultural e a gestão socioambiental dos povos e comunidades tradicionais que vivem em Unidades de Conservação (UCs) de Uso Sustentável e Territórios Tradicionais.
A iniciativa ‘esperançar’ prioriza o incentivo à participação social na salvaguarda dos saberes tradicionais e no fortalecimento do Turismo de Base Comunitária (TBC) nas UCs federais, tendo a Resex Chico Mendes como espaço do projeto-piloto.
Na avaliação da secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT/MMA), Edel Moraes, a parceria reforça o compromisso do governo federal com a justiça socioambiental e a valorização das culturas tradicionais.
“A integração entre cultura e meio ambiente é o caminho para a proteção dos direitos das populações cujas formas de viver historicamente protegem os recursos da natureza”, destaca.
A chefe da Divisão de Turismo de Base Comunitária do ICMBio, Ana Carolina Barradas, explica que a escolha da Resex, incluindo a cidade de Xapuri, tem um forte valor simbólico.
“Esse território guarda a história e o legado de Chico Mendes, líder seringueiro, reconhecido como Herói da Pátria e Patrono do Meio Ambiente Brasileiro. Ele foi uma referência mundial na luta socioambiental e o criador das Reservas Extrativistas, uma política pública inovadora que valoriza o papel dos povos da floresta e das águas na conservação da natureza”, coloca.
Construção da Casa Tradicional do Seringueiro, realizada pelo projeto esperançar. Foto: Reprodução/Universidade Federal do Acre
Ainda segundo Barradas, o ACT e o Projeto Esperançar consideram experiências relevantes em curso em outras reservas extrativistas. Ele destaca como exemplo o levantamento de referências culturais realizado na Resex Marinha da Baía do Iguape, na Bahia, que serviu de base metodológica para a iniciativa, além das ações previstas para a Resex Marinha da Lagoa do Jequiá, em Alagoas.
Possibilidade de aplicação a outros territórios
Apesar de ter um foco inicial no Acre, a chefe da Divisão avalia que esse acordo tem alcance nacional.
“A partir das parcerias e dos potenciais identificados, o ACT também permite incluir ações e projetos em outros territórios tradicionais e unidades de conservação, sempre seguindo o plano de trabalho e respeitando a legislação vigente”, conclui.
Oficina de Construção da Casa Tradicional da Família Seringueira: Encontro de Mestres e Jovens Extrativistas com Saberes e Fazeres Tradicionais, realizada na Resex em agosto, através do projeto esperançar. Foto: Allen Ferraz/UFAC
O Projeto Esperançar deve ser implementado na Resex Chico Mendes pelas instituições signatárias do ACT até 2028, e contempla três eixos de atuação:
Fortalecimento das Organizações Comunitárias
Educação, Patrimônio Cultural e Comunicação
Sociobiodiversidade e Geração de Renda
Entre as atividades previstas no primeiro eixo estão:
capacitações em gestão territorial, socioambiental e patrimonial nas associações, organizações comunitárias e comunidades tradicionais do território;
apoio à elaboração de planos de ação e projetos;
fortalecimento do senso comunitário de identidade territorial, cultural e pertencimento;
apoio à realização de trocas de experiências com foco nas ações do ACT entre povos e comunidades tradicionais;
e a formação de Agentes Socioambientais e de Cultura para atuação no território, com equilíbrio de gênero e geracional.
No segundo eixo, as ações do esperançar concentram-se na formação e no fortalecimento das comunidades tradicionais, articulando TBC com as agendas climática, socioambiental e cultural.
Estão previstas a realização de cursos, oficinas e formações; a elaboração de inventários culturais e mapeamentos participativos; o desenvolvimento do Sistema de Informações Geográficas da Resex; a produção e curadoria de conteúdos que valorizem as histórias locais, as expressões culturais e a realidade socioambiental.
Casa Tradicional da Família Seringueira foi inaugurada à época, por meio do projeto esperançar. Foto: Allen Ferraz/UFAC
Além disso, também está previsto o fortalecimento das redes de comunicação comunitária e das capacidades em comunicação; o levantamento participativo de referências culturais; a construção de calendários de eventos locais para apoio ao TBC; o registro de histórias de vida de guardiões dos saberes tradicionais e da biodiversidade; o mapeamento e fortalecimento de instituições e pontos de cultura; e a elaboração do plano do Museu Território Tradicional da Resex Chico Mendes, em parceria com a Casa de Chico Mendes e o município de Xapuri.
No terceiro eixo, o projeto esperançar foca o planejamento, a governança e o fortalecimento do TBC na Resex. As ações incluem a elaboração do Plano Estratégico de TBC; apoio a iniciativas comunitárias na UC; construção participativa de uma proposta de norma nacional para o TBC, baseada nas experiências do ACT e no respeito aos seus sujeitos; a consolidação da governança da Trilha Chico Mendes, sua reestruturação e ampliação; a implantação de pontos de apoio aos visitantes e o incentivo a encontros e trocas de experiências, com destaque para a participação de jovens e mulheres extrativistas e de outros povos e comunidades tradicionais, voltados à formação e à economia da sociobiodiversidade.
*Com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodversidade
Começou a notar o aparecimento de algumas bolhas na pele, dor e sensação de queimação em regiões específicas do corpo? É bom ficar em alerta, pois pode ser “cobreiro”. Esse é o nome como a herpes-zóster, doença viral de pele que atinge pessoas que nunca tiveram catapora ou não foram imunizadas contra ela, é popularmente conhecida.
Na oitava reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia segue com a ajuda da médica generalista Júlia Edwirges para aprender mais sobre o “cobreiro”, doença comum no Brasil e que cerca de 94% dos adultos lidam com ela por toda a vida.
O que é o cobreiro?
Conhecida como cobreiro, a Herpes-zóster é uma doença contagiosa provocada pelo vírus Varicela-Zóster (VVZ ou Herpesvírus humano tipo 3), o mesmo responsável pela varicela, popularmente chamada de catapora.
Vírus Varicela-Zóster é causador da herpes-zóster e da catapora. Imagem: Reprodução/Fapes
O vírus causador de cobreiro permanece latente por toda a vida e costuma ser reativado em pacientes com mais de 50 anos, idosos e pessoas com quadro de baixa imunidade devido à quimioterapia e radioterapia.
Jovens com níveis altos de estresse também podem desenvolver a doença. Por outro lado, crianças e bebês raramente manifestam cobreiro, embora seja possível ocorrer a infecção.
Transmissão
Não é possível “pegar” o cobreiro, e sim contrair o vírus Varicela-Zóster. Seu contágio se dá através do contato direto de uma pessoa para outra infectada pelo VVZ, através do líquido que sai das pequenas bolhas (vesículas). Em casos raros, o vírus também pode ser transmitido por meio de secreções respiratórias.
A partir daí, para quem nunca teve catapora, o vírus desenvolverá primeiro a doença, que geralmente ocorre na infância e depois fica inativa, já que não é possível ter catapora duas vezes. Porém, se a pessoa infectada já teve catapora, mas não se vacinou, o herpes-zóster é reativado e o indivíduo para a apresentar a doença.
Sintomas
O principal e mais conhecido sintoma do cobreiro as pequenas bolhas preenchidas de líquido que se formam numa determinada região do corpo. Elas se restringem a um lado do corpo e surgem frequentemente na cintura, peito, abdômen e costas. Isso acontece porque o vírus do cobreiro afeta sempre um nervo próximo da medula espinhal.
Bolhas preenchidas de líquidos na pele são os sintomas característicos da herpes-zóster. Foto: Reprodução/Site Tua Saúde
No entanto, antes do aparecimento das bolhas, o indivíduo pode sentir coceira, dor intensa nos nervos e formigamento no local onde se desenvolve o cobreiro. Febre, mal-estar e dor de cabeça também são outros sintomas comuns do cobreiro que podem surgir antes das lesões na pele.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do cobreiro é clínico, onde o/a dermatologista ou clínico geral avalia os sintomas, verifica o histórico de saúde do paciente (se já teve catapora ou se já se vacinou) e observa as características das lesões.
Confirmado o cobreiro, o médico especialista indica o uso de medicamentos antivirais, que podem acelerar a recuperação e prevenir complicações.
Além disso, remédios analgésicos também podem ser prescritos pelo médicos para reduzir o desconforto provocado pelas dores provenientes da doença.
Lavar as bolhas com água e sabão neutro, usar roupas confortáveis para preservar a região lesionada e colocar um pano úmido e gelado também são alguns dos cuidados recomendados para ajudar no alívio da dor e irritação da pele.
A forma de prevenir a Herpes-Zóster é por meio da aplicação de vacinas como a Tetravalente viral (que protege contra o sarampo, caxumba, rubéola e varicela) e a vacina Varicela, que são indicadas no calendário de vacinação infantil.
Existe também dois tipos de vacina contra a doença: a Shingrix, indicada para quem tem mais de 50 anos ou pessoas com mais de 18 anos com risco aumentado para herpes zoster; e a Zostavax, para quem tem mais de 50 anos e como rotina para pessoas acima de 60 anos.
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) firmaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) voltado ao fortalecimento do monitoramento hidrológico e climático na região amazônica. Com o documento, as instituições ampliam a parceria para o compartilhamento de dados hidrológicos e prognósticos climáticos.
Atualmente, o SGB e o INPA já realizam troca de informações no âmbito do Sistema de Alerta Hidrológico.
“O acordo vem justamente para oficializar essa grande parceria com o Inpa, que colabora com os boletins e prognósticos climáticos. O instituto reúne informações, que nos ajudam a compreender o cenário climático e transmitir esse conhecimento para a sociedade”, destacou a pesquisadora do SGB e Superintendente Regional de Manaus, Jussara Cury.
O Inpa contribui com prognósticos climáticos e análises meteorológicas, enquanto o SGB é responsável pela análise do cenário das bacias monitoradas por meio do acompanhamento das cotas fluviométricas, elaboração de gráficos das estações representados em hidrogramas, além dos modelos de previsão, gerando os boletins hidrológicos semanais.
Segundo com o pesquisador do Inpa Renato Senna, a união entre duas instituições é fundamental para gerar resultados positivos para a sociedade.
“É muito importante para o Instituto ter seu trabalho integrado aos órgãos operacionais, tornando nossas pesquisas úteis à segurança e ao desenvolvimento das comunidades amazônicas. Esse documento representa a formalização de anos de parceria institucional, cooperando na divulgação de informações relevantes para a segurança, a economia e o desenvolvimento da Amazônia Ocidental”, afirmou.
O acordo também abre oportunidade para pesquisas conjuntas, treinamento de pessoal e estímulo à publicação técnico-científica nas áreas de hidrologia, climatologia e geociências. O acordo tem vigência de cinco anos, podendo ser prorrogado, e não prevê transferência de recursos financeiros entre as instituições.
O expressivo público, que frequenta diariamente o novo Mercado de São Brás, consolidou o espaço como um dos mais disputados pelos músicos paraenses. Foto: Divulgação/Assessoria Arthur Espíndola
Desde que foi inaugurado, em setembro de 2025, o novo Mercado de São Brás se tornou um polo gastronômico e de lazer para belenenses e turistas. Por lá, passam diariamente cerca de 5 mil pessoas nos dias úteis, com esse número dobrando aos fins de semana. O novo ponto turístico de Belém conta com 54 bares e restaurantes e 29 lojas que vendem os mais de diversos produtos.
Além de movimentar o setor gastronômico da cidade, o Mercado de São Brás abriu as portas e fomenta outra cena cultural de Belém: a da música. Com um número expressivo de pessoas visitando o espaço diariamente, tocar no Mercado de São Brás virou sinônimo de visibilidade para músicos e bandas de Belém.
O músico Gaba Melo é um dos artistas que se apresenta no Mercado de São Brás. Seus shows estão impulsionando a sua carreira. Foto: Victor Matheus
Um dos nomes que integram essa cena é o do músico Gaba Melo, de 25 anos, residente artístico do Mercado de São Brás. Ele se apresenta duas quartas-feiras por mês no espaço. Com cinco anos de carreira nas noites de Belém, Gaba desenvolve um projeto solo de voz e violão, com repertório voltado ao pop rock internacional. Para ele, o Mercado representa uma grande oportunidade de fortalecimento do cenário musical da cidade.
“O mais interessante do Mercado é que ele funciona de segunda a segunda, e todos os dias há música ao vivo. Isso abraçou bastante a nossa classe de músicos, porque abriu um leque de opções, com artistas de vários estilos musicais”, avalia.
Segundo Gaba, realizar shows no Mercado de São Brás ampliou significativamente o alcance do seu trabalho. Acostumado a se apresentar em casas noturnas específicas do circuito pop rock, ele destaca que o perfil diverso do público do Mercado possibilita que sua música chegue a pessoas que dificilmente o conheceriam em outros espaços.
“Eu costumo tocar em casas muito específicas de pop rock, e no Mercado é um ambiente muito diverso. O público que me assiste lá possivelmente não me conheceria se eu não estivesse tocando nesse espaço”, explica.
Essa diversidade já trouxe resultados concretos para a carreira do músico: “Tem pessoas que me viram tocando lá e me contrataram para eventos fechados. Outra questão interessante é que músicos costumam tocar principalmente aos fins de semana, e o Mercado, funcionando de segunda a segunda com música ao vivo, movimenta a nossa vida financeira, ao tocarmos também durante a semana”.
O músico canta pop rock internacional e diz que ao tocar no Mercado alcança um público diverso das casas noturnas em que está acostumado a se apresentar. Foto: Divulgação
Artista paraense de trajetória consolidada, Arthur Espíndola é um dos nomes que já passou diversas vezes pelo palco do Mercado de São Brás. Em dezembro de 2025, o músico se apresentou todas as segundas-feiras com o projeto “Samba das Mangueiras”, que chegou a reunir cerca de 4 mil pessoas em uma única apresentação, confirmando a força do espaço como ponto de encontro musical em Belém.
“Me apresentar no Mercado teve bastante importância para que esse projeto tenha dado certo”, destaca o artista. Com 15 anos de carreira, Espíndola mescla no repertório composições autorais e clássicos do samba brasileiro.
Mesmo já reconhecido no cenário local e nacional, o cantor avalia que as apresentações no Mercado de São Brás impulsionaram ainda mais sua carreira.
“Eu percebia nos shows que muitos turistas vinham falar comigo, passaram a me seguir nas redes sociais e a comentar nos meus posts. O Mercado é uma grande vitrine para os artistas”, observa.
Para Espíndola, o impacto do espaço vai além da visibilidade. Segundo ele, o Mercado também cumpre um papel econômico importante. “Além de gerar emprego para diversos músicos, porque é um equipamento extremamente burocrático, mostra o trabalho de diferentes artistas da nossa terra para um público muito grande que circula no espaço todos os dias”, completa.
Artista paraense consagrado, Arthur Espíndola diz que se apresentar no Mercado de São Brás foi fundamental para consolidar o seu projeto “Samba das Mangueiras”. Foto: Assessoria Arthur Espíndola
Ao longo da semana se apresentam no Mercado de São Brás 54 músicos e 17 DJs, que embalam o público com uma ampla variedade de ritmos, como brega, tecnobrega, forró, pop rock, carimbó, marcante, MPB, entre outros.
As apresentações ocorrem, simultaneamente, sempre a partir das 18h30, reforçando o caráter democrático e plural da programação cultural. O espaço também busca sempre variar os profissionais que se apresentam semanalmente por lá.
Para o administrador do Mercado de São Brás e servidor da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon), pasta responsável por administrar o espaço, Franklin Nahum, o local cumpre um papel estratégico na valorização da música local. “Esse é o ponto turístico mais importante de Belém e uma verdadeira vitrine para os músicos locais”, destaca.
Para Espíndola, além da visibilidade, tocar no Mercado gera emprego para diversos músicos e fomenta a economia da música belenense. Foto: Assessoria Arthur Espíndola
Nahum explica ainda que a proposta do Mercado de São Brás é garantir espaço para o maior número possível de artistas. “Basta o músico se dirigir à administração do Mercado, que nós avaliamos a possibilidade de encaixe na agenda de shows. Um exemplo disso foi um músico que pediu para dar uma ‘canja’ de 15 minutos; o público gostou e, na outra semana, nós o chamamos para fazer um show inteiro no Mercado”, relata.
Assim, o novo Mercado de São Brás vai além de sua vocação histórica e comercial e reafirma-se como um território vivo de cultura, onde gastronomia, música e convivência se encontram, fortalecendo identidades e revelando talentos da cena artística paraense.
A importância da adoção de hábitos rigorosos de higiene na manipulação de alimentos é reforçada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de Rondônia para evitar infecções graves que podem levar a internações hospitalares. Práticas comuns do cotidiano, muitas vezes consideradas inofensivas, estão entre as principais causas de doenças transmitidas por alimentos (DTAs) no estado.
Um dos erros mais frequentes apontados pelos especialistas é a lavagem de carnes cruas, especialmente o frango. Segundo a nutricionista da Sesau, Adriana Herrig de Castro, a prática é um importante vetor de contaminação cruzada.
“Ao lavar o frango na pia, a água não elimina as bactérias, pelo contrário, espalha microrganismos, como a Salmonella, pela bancada, torneira e utensílios. O único método seguro para eliminar esses agentes é o cozimento em temperaturas adequadas”, explicou.
Além da manipulação das carnes, a higienização de vegetais também exige atenção. A recomendação técnica é que frutas, verduras e legumes sejam lavados em água corrente e, em seguida, sejam imersos em solução clorada: uma colher de sopa de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, por 15 minutos, garantindo a eliminação de parasitas e bactérias.
10 hábitos de higiene na cozinha que protegem a saúde:
Lavar as mãos antes de manipular e consumir os alimentos: utilizar água e sabão, especialmente antes de iniciar o preparo e após manusear alimentos crus. Antes de fazer as refeições, também lavar bem as mãos;
Não lavar carnes cruas na pia: o cozimento adequado é o único método seguro para eliminar bactérias como a salmonella;
Separar alimentos crus dos alimentos prontos para consumo: evitar o contato direto para reduzir o risco de contaminação cruzada. Por exemplo, não corte salada na tábua em que cortou carnes;
Utilizar tábuas e utensílios diferentes: dar preferência aos utensílios específicos para carnes cruas e outros para alimentos já higienizados ou que já foram cozidos;
Higienizar corretamente utensílios e superfícies: lavar com água e detergente após cada uso e manter as bancadas de sua cozinha sempre limpas;
Manter a geladeira limpa e organizada: a limpeza periódica evita a proliferação de microrganismos e odores indesejáveis;
Armazenar os alimentos de forma adequada: utilizar recipientes fechados e respeitar as orientações de refrigeração;
Respeitar o prazo de validade dos alimentos: nunca consumir produtos vencidos ou com sinais de alteração (por exemplo: embalagem estufada, enferrujada ou amassada);
Cozinhar bem os alimentos: certificar-se de que carnes, ovos e outros alimentos estejam completamente cozidos;
Higienizar frutas, verduras e legumes antes do consumo: lavar em água corrente e utilizar solução clorada para a desinfecção.
As infecções alimentares ocorrem após o consumo de alimentos ou água contaminados por bactérias, vírus ou parasitas. O quadro clínico pode variar de leve a grave, dependendo do agente causador e do estado de saúde da pessoa (idosos, gestantes, crianças e pessoas com imunidade comprometida têm maior risco).
Os sintomas mais comuns incluem:
náuseas e vômitos persistentes;
dores e cólicas abdominais;
diarreia, que pode ser acompanhada de muco ou sangue;
febre e calafrios;
e sinais de desidratação, como boca seca e sede excessiva.
Onde buscar atendimento
A orientação para a população é observar a gravidade dos sintomas para buscar o local adequado:
Casos leves: pacientes com poucos episódios de diarreia ou vômitos, sem febre alta, devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência.
Casos moderados a graves: se houver febre persistente, sinais de desidratação, prostração ou se o paciente fizer parte de grupos de risco, como crianças, idosos e gestantes, a recomendação é buscar as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ou serviços de pronto-socorro.
O secretário de Estado da Saúde, Jefferson Rocha, ressaltou que buscar atendimento médico é essencial para o diagnóstico correto e para evitar o agravamento do quadro clínico, como casos de desidratação severa e outras complicações.
“A prevenção começa em casa, mas diante do surgimento de sintomas é fundamental procurar uma unidade de saúde”.
O Instituto Mamirauá disponibilizou duas novas cartilhas voltadas ao fortalecimento do manejo sustentável do pirarucu na Amazônia. Os materiais, intitulados “Boas Práticas de Manipulação do Pirarucu” e “Contagem e Censo Populacional de Pirarucu”, já estão disponíveis para acesso no site institucional.
A iniciativa, coordenada pelo Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, tem como objetivo reforçar boas práticas sanitárias, técnicas de manipulação do pescado e metodologias atualizadas de contagem da espécie, beneficiando diretamente comunitários e comunitárias que atuam no manejo, além de pesquisadores e instituições parceiras.
As cartilhas “Boas Práticas de Manipulação do Pirarucu” e “Contagem e Censo Populacional de Pirarucu”, nesta 2ª edição, passaram por atualizações que tornaram os conteúdos mais claros, didáticos e alinhados às práticas atuais do manejo da espécie. A nova versão tem uma maior fidelidade às práticas realizadas em campo e maior respaldo técnico e científico.
De acordo com Ana Claúdia Torres Gonçalves, Coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, as cartilhas atualizadas são ferramentas estratégicas para fortalecer a governança e promover o desenvolvimento territorial nas Reservas Extrativistas de Auati-Paraná e Baixo Juruá.
Os materiais contribuem para a qualificação técnica das comunidades envolvidas no manejo sustentável, reduzindo a dependência de assessorias externas e ampliando a autonomia local.
Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá
Ao todo, 10 mil cartilhas foram impressas, e terão uso direcionado. A cartilha de Contagem e Censo Populacional será utilizada como material de apoio em cursos sobre aplicação da metodologia de contagem do peixe, previstos para 2026, junto aos manejadores das Reservas Extrativistas de Auati-Paraná e Baixo Juruá, além de atender demandas de outras instituições ao longo do ano.
Já a cartilha de Boas Práticas de Manipulação dará suporte às oficinas de boas práticas sanitárias e de gestão e uso das tecnologias sociais da Unidade Flutuante de Recepção e Pré-Beneficiamento de Pirarucu (UFRPP), previstas para ocorrer em 2026 na Reserva Extrativista do Baixo Juruá.
Realizadores do edital do manejo de pirarucu
Desenvolvidas pelo Instituto Mamirauá, com patrocínio do Fundo Vale, no âmbito do projeto Sustenta.Bio, a produção e a criação das cartilhas envolveram manejadores(as), pesquisadores e integrantes do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).