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No Curral do Caprichoso – Dona Dora, a guardiã do Curral Zeca Xibelão

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Em meio à correria dos preparativos para o Festival Folclórico de Parintins, quando o Curral Zeca Xibelão, do boi Caprichoso, se transforma no verdadeiro quartel-general da Nação Azul e Branca, uma figura se destaca não apenas pela experiência, mas pela dedicação e respeito que inspira: Auxiliadora Pereira da Silva, conhecida carinhosamente como Dona Dora. Aos 75 anos, ela é mais que diretora do curral do Boi Caprichoso, é sua guardiã.

Natural de Parintins, Dona Dora carrega o Caprichoso no sangue desde antes de nascer. Ela conta que sua história com o touro negro começou ainda na barriga da mãe.

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Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

“Ela já era Caprichoso, então eu já nasci Caprichosa. Ou seja, desde criança brincava nos antigos ensaios, quando o curral era no Urubuzal, sob o comando do lendário Seu Luís Gonzaga. A gente brincava lá, ensaiava. A minha vida sempre foi o Caprichoso”, afirma Dora.

A história de dona Dora se mistura com a evolução do próprio curral. Ela começou como servente na escolinha, ainda nos tempos em que funcionava no Estádio Sagrado. Com o tempo, foi ganhando espaço, respeito e responsabilidade.

Hoje, é a diretora do espaço que concentra boa parte das operações da associação folclórica: desde logística, figurinos, atendimento aos sócios e até o setor social. “Tudo que precisam, vêm atrás de mim. Chave, sala, figurino, ensaio. Aqui a gente resolve”, brinca.

Mais do que trabalhar, dona Dora vive o boi. Seu olhar firme e sorriso constante refletem a paixão que move sua rotina. Quando questionada sobre as dificuldades do cargo, responde sem hesitar:

“A parte mais difícil? Acho que não tem. Porque eu gosto de tudo que eu faço aqui dentro. Eu amo estar aqui”.

Apesar da longa trajetória, dona Dora ainda se emociona como uma torcedora novata. Para ela, não há momento mais marcante do que ver o troféu de campeão chegar ao curral: “É quando a emoção explode. A gente vê que todo o esforço valeu a pena. É uma felicidade que não dá para explicar”.

Testemunha viva das transformações do Festival de Parintins, ela celebra a visibilidade que o evento ganhou com a era digital.

“Hoje, com a internet, o mundo inteiro tá vendo o boi. E ainda vai crescer muito mais. Eu convido quem não conhece a vir, porque é uma festa maravilhosa, até melhor do que o Carnaval do Rio de Janeiro”, assegura, com brilho nos olhos.

Conselheira, costureira e diretora do Curral. Dora desempenha vários papéis. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

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No vaivém dos ensaios, confecção de alegorias e ajustes finais, dona Dora segue firme, orientando, costurando, resolvendo problemas e, sobretudo, mantendo viva a chama do Caprichoso.

Ela não veste apenas a camisa do boi: costura sua própria história na memória do Festival. E como toda guardiã, garante que cada detalhe do curral siga no compasso exato da paixão azulada.

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

No Curral do Garantido – Élio Siqueira usa dança como instrumento de afirmação cultural

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

No coração da Baixa da Xanda, um dos redutos mais tradicionais do Boi Garantido em Parintins (AM), nasceu uma paixão que atravessa décadas e se traduz em arte no Festival Folclórico mais emblemático do Brasil. Aos 48 anos, Élio Siqueira é coreógrafo e instrutor de dança, e hoje ocupa um dos cargos de maior responsabilidade dentro da associação folclórica: a coordenação geral do núcleo cênico-coreográfico do Garantido.

A relação de Élio com o Boi vem desde a infância. “Aqui em Parintins tudo é respirar boi, é respirar arte. Eu morava perto da Baixa da Xanda, e quando o Boi passava na Alvorada, a gente corria pra ver, mesmo sem poder acompanhar de perto por sermos curumins. Ficávamos só admirando. Foi ali que tudo começou”, relembra com carinho.

Inspirado por cenas que ainda carrega na memória, Élio menciona com emoção a toada ‘Compadre de Fogueira’, de Helen Veras, lançada em 2012. “Ela fala exatamente dessa sensação de quando o boi está na rua, dançando ao redor da fogueira… é muito forte. Traz à tona minha infância, minha conexão com o boi”, destaca.

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Mas transformar sentimento em movimento não é uma tarefa simples. “A gente tem tudo pronto na cabeça: 6, 7, 8… Mas quando vamos repassar para os corpos dos bailarinos é diferente. Não são dançarinos profissionais. São voluntários da comunidade. E isso exige paciência, sensibilidade, tempo”, explica Élio, que hoje ensaia com sua equipe tanto no Curral Lindolfo Monteverde quanto na arena do Bumbódromo.

Apesar dos desafios, os momentos de emoção são muitos. Para ele, alcançar a nota máxima com um trabalho bem executado é o ápice.

“A gente fala que para o artista bastam os aplausos. Mas aqui é competição, e a nota também representa a sensação de dever cumprido. É a consagração do que foi sonhado e construído”, destaca o coreógrafo.

Élio também é um dos fundadores do tradicional grupo ‘Garantido Show’, criado em 1996 e considerado uma escola de talentos do Garantido. “Todos os coreógrafos que atuam hoje passaram por lá. E eu, junto com o Pedro Evangelista, somos os únicos da formação original que permanecem no grupo até hoje. Ano que vem completamos 30 anos de história”, contou.

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Foto: Reprodução/Instagram

Quando questionado sobre o que o Boi Garantido representava em sua vida, Élio foi direto: “Realização.”

“Pode parecer clichê falar de amor. E é amor também. Mas o Boi é onde a gente realiza sonhos, abre portas, transforma a vida. É por meio dele que eu cresci como artista, como pessoa, e me conecto todos os anos com o que há de mais verdadeiro em mim”, diz.

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No Curral do Garantido – Netto Barbosa, o artista por trás das gigantes alegorias

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Em Parintins, quando o Festival Folclórico se aproxima, o Curral Lindolfo Monteverde se transforma em um verdadeiro quartel-general. É no galpão das alegorias que vibra o coração do espetáculo cênico que toma conta do Bumbódromo. Lá, em meio a ferros, isopor e tintas, atua o artista plástico Netto Barbosa, de 32 anos, um dos principais nomes por trás das impressionantes criações visuais do bumbá vermelho e branco.

A movimentação no galpão durante a retirada da alegoria que representa a lenda indígena Tapiraiauara já mostrava a dimensão do trabalho. Com 23 metros de altura e composta por nove módulos, a estrutura é resultado de um trabalho coletivo que envolveu mais de 20 profissionais, entre soldadores, escultores, pintores e artesãos.

“Esse é, sem dúvida, um dos maiores projetos que estou executando junto com a minha equipe”, afirma Netto, com brilho nos olhos.

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Responsável por liderar a execução das alegorias, Netto detalhou o processo criativo. “Recebemos o conceito da Comissão de Arte. A partir disso, elaboramos uma maquete, planejamos as esculturas e começamos a execução no barracão, escultura de ferro, isopor, revestimento, pintura, decoração. É um processo longo e muito intenso”.

Netto, que cresceu imerso na cultura do boi-bumbá, carrega a paixão pelo Garantido no sangue. “Sou garantido, com certeza. Toda a minha família é. Meus pais são sócios fundadores. Tenho certeza que eles estão felizes vendo o resultado do nosso trabalho”, contou.

Netto acompanhou o translado de sua obra para o Bumbódromo de Parintins. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

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Mesmo exausto pela maratona de dias sem dormir, o artista se sente recompensado:

“É cansativo demais, mas quando a gente vê a reação da galera, o sorriso do torcedor vermelho e branco, tudo vale a pena”, afirmou Netto, se emocionando ao observar a grande figura do Tapiraiauara.

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No Curral do Caprichoso – Robson Costa, o coreógrafo paraense que une carimbó e boi-bumbá

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Imagine amar tanto uma festa cultural, que você atravessa estados, organiza um grupo com mais de 50 integrantes e, todos os anos, encara a jornada até a Ilha Tupinambarana para viver tudo intensamente. É isso que faz o coreógrafo paraense Robson Costa, responsável por levar o grupo de dança ‘Carimbó do Pará’ de Santarém para o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, onde se apresenta ao lado do boi Caprichoso, especialmente no item 15: Figura Típica Regional.

Com sorriso fácil e bom humor, o coreógrafo faz alguns ensaios no Curral Zeca Xibelão, reduto da nação azul e branca, e logo desconstrói a ideia de distância. “A gente sabe que é bem perto, né? Santarém está no Pará, Parintins no Amazonas, mas o coração bate no mesmo ritmo”, brincou.

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A relação entre Robson e o Festival começou há mais de oito anos, com um convite do amigo Jair Almeida para integrar o corpo de dança do Caprichoso. Desde então, seu grupo tornou-se parte essencial da cena coreográfica da agremiação.

“Nós atuamos no item Figura Típica Regional e é uma responsabilidade que a gente assume com muito carinho e seriedade”, explica.

Robson trabalha com itens oficiais do Caprichoso. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Do carimbó ao boi-bumbá

Levar a identidade cultural do carimbó para dentro da arena do Bumbódromo é um dos grandes desafios e, ao mesmo tempo, um dos principais encantos do trabalho de Robson. “É um entrelaçar de movimentos, ritmos e tradições. São culturas diferentes, mas que se completam dentro desse grande espetáculo que é o Festival”, destaca.

Apesar da distância, das dificuldades logísticas e dos desafios de adaptação às demandas do boi, Robson não se abala: “É tudo muito cauteloso, exige atenção e entrega. Mas no final, sempre conseguimos apresentar algo grandioso. O importante é manter o espetáculo vivo e autêntico”.

Emoção que atravessa fronteiras

Treinar o grupo no curral do Caprichoso é, segundo Robson, uma experiência única. “Dançar aqui dentro e depois no Bumbódromo é emoção pura, arrepia. A gente sente a realização tomando forma a cada ensaio, a cada gesto”, diz, com os olhos brilhando de entusiasmo.

Para ele, estar presente no Festival de Parintins é mais do que uma participação artística, é uma jornada emocional que se renova a cada ano.

“Desde pequeno acompanho o festival. Quem ama cultura, vive isso intensamente. E co00m o Caprichoso, a gente cria uma relação de amor mesmo. É isso que define minha trajetória aqui: amor”, declarou.

Parte da equipe “Carimbó do Pará”. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

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Transformações e intercâmbio cultural

Ao longo dos anos, Robson testemunhou várias mudanças no festival. Segundo ele, a principal transformação foi o fortalecimento do intercâmbio cultural. “Os grupos que compõem o espetáculo vêm de diferentes lugares do Brasil. Isso aproxima pessoas, une tradições e enriquece ainda mais o Festival. É lindo ver essa troca acontecendo, ano após ano”, ressalta.

Em meio aos desafios e superações, Robson Costa é hoje uma ponte viva entre o Pará e o Amazonas, entre o carimbó e o boi-bumbá. Sua história representa o espírito colaborativo e apaixonado que faz do Festival de Parintins um dos maiores espetáculos culturais do Brasil.

E para Robson, em uma palavra, o que o Boi representa?

“Amor. Simples assim”.

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No Curral do Garantido – Alessandro Oliveira conta histórias da Amazônia por meio dos figurinos

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Na oficina agitada do Curral Lindolfo Monteverde, entre tecidos, penas e estruturas coloridas, uma figura se destaca pelo olhar atento e pelas mãos que transformam ideias em arte: Alessandro Oliveira, figurinista do Boi da Baixa do São José, em Parintins. Aos 32 anos, ele é responsável por criar as indumentárias de quatro importantes itens da apresentação vermelha: a Cunhã-Poranga (Isabelle Nogueira), a Rainha do Folclore (Lívia Christina), o Pajé (Adriano Paketá) e o Apresentador (Israel Paulain).

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Com um sorriso tímido, mas um orgulho evidente, Alessandro compartilha que sua história no Festival de Parintins começou cedo.

“Trabalho no festival desde os 16 anos. No Garantido mesmo, entrei em 2017, na transição para 2018. Desde então, venho trilhando esse caminho com muito respeito à cultura e à tradição do boi”, contou.

O trabalho de Alessandro vai muito além de costurar figurinos: ele realiza verdadeiras transformações. “A parte mais difícil do meu trabalho são essas mudanças. Cada figurino precisa se transformar na arena, contar uma história viva diante do público”, explicou. Ele especifica que essas transformações exigem criatividade, técnica e, principalmente, muito planejamento e articulação com os demais artistas e setores do bumbá.

Lidar com prazos apertados, alinhar equipes e garantir que tudo funcione no ritmo intenso do festival faz parte da rotina dentro do Lar do Garantido.

“Graças a Deus, consigo administrar bem a minha equipe e ainda manter um diálogo constante com a direção do boi. Tudo flui porque todos aqui compartilham o mesmo objetivo: emocionar o público”, falou Alessandro.

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Entre os muitos momentos marcantes de sua trajetória, um em especial permanece vivo em sua memória: a primeira vez que assinou um figurino principal. “Foi em 2018, na segunda noite do festival. O item era o Pajé, representado à época pelo André Nascimento. O figurino era inspirado em cobras. Ver aquilo ganhando vida na arena foi emocionante demais”, relembrou, com brilho nos olhos.

Ao longo dos anos, Alessandro testemunhou a evolução do Festival de Parintins. Para ele, a principal mudança está na visibilidade que o evento conquistou. “A cada edição, o festival cresce. Este ano, então, a atenção do Brasil inteiro parece estar voltada para Parintins. É uma alegria ver nossa cultura amazônica ganhando reconhecimento nacional”, afirmou.

A equipe de Alessandro enfrenta uma verdadeira maratona antes do Festival de Parintins. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Quando questionado sobre o que sente ao vestir o Boi Garantido com sua arte, Alessandro não hesita:

“Gratidão. Porque o Festival de Parintins é uma vitrine gigante. A gente trabalha duro o ano inteiro, e quando chega o festival, é como ver nossa alma dançando na arena”, diz.

No mundo encantado dos bumbás, onde tudo se transforma em magia e tradição, Alessandro Oliveira é um dos artistas que dão vida ao espetáculo. Seus figurinos não apenas vestem personagens: eles contam histórias, emocionam e reforçam a grandiosidade de um festival que emociona a Amazônia.

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No Curral do Caprichoso – Amaury Vasconcelos e a alma azul na loja oficial do Bumbá

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

No coração do Curral Zeca Xibelão, onde os tambores não param e os ensaios ganham ritmo acelerado na contagem regressiva para o Festival Folclórico de Parintins, no fim do mês de junho, um outro tipo de agitação toma conta de um dos espaços mais visitados do reduto azul e branco: a loja oficial do Boi Caprichoso. A loja se tornou ponto de encontro para quem busca levar consigo uma lembrança da magia do boi preto.

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À frente desse espaço que une arte, identidade cultural e economia criativa está Amaury Vasconcelos. Compositor apaixonado pelo Caprichoso e gestor dedicado, Amaury assumiu há seis anos a missão de conduzir a operação das lojas oficiais do boi, tanto em Parintins quanto na capital amazonense, Manaus.

“Faço parte da gestão do Boi nessa área comercial. Sou responsável pelas lojas oficiais, que têm como objetivo levar ao cliente final um pedacinho da arte parintinense, seja no artesanato ou na criação de uma camisa feita por nossos designers e pintada pelos artistas da terra”, explica.

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

A loja oficial é mais do que um ponto de venda, é uma vitrine viva da criatividade local. Cada peça, seja uma camiseta estampada, um colar artesanal ou uma toalha bordada, carrega consigo a essência do Caprichoso e o talento dos artistas que dão vida às alegorias, aos figurinos e à musicalidade do festival.

Segundo Amaury, esse é o diferencial que encanta visitantes de todo o Brasil e do mundo. “É gratificante receber essas pessoas. A gente consegue compartilhar um pouco do nosso conhecimento sobre o Bumbá com quem vem encantado conhecer a nossa cultura”, diz.

Mesmo diante dos desafios logísticos impostos pela geografia amazônica, Amaury mantém a qualidade como prioridade. “Muita coisa vem de fora – São Paulo, Rio Grande do Norte, Santa Catarina -, passa por Manaus até chegar aqui. A logística é complicada, mas a gente dá um jeito porque o padrão Caprichoso exige excelência”, afirma.

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Além de ser um elo entre os artistas e o público, Amaury vê na loja uma extensão de sua paixão pelo Boi. “O Caprichoso me inspira todos os dias. Como compositor, ele me inspira musicalmente. E na loja, ele me inspira a buscar sempre o novo, produtos diferentes, tecnologias novas. É essa inspiração que nos move a manter o padrão Caprichoso de qualidade”, resumiu com orgulho.

Quando perguntado sobre como definiria, em uma palavra, o amor que sente pelo Boi Caprichoso, a resposta vem rápida e certeira:

“Inspiração”.

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O que você vai ser quando crescer?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Há quanto tempo não fazem a você esta pergunta? Provavelmente, fizeram várias vezes, como fizeram a mim, quando era criança. As respostas mais comuns para as crianças da minha época costumavam ser: médico, engenheiro, advogado, jogador de futebol… sempre se referindo a profissão que elas pretendiam seguir. Ou seja, o que elas iriam Fazer e não Ser. A pergunta mais correta então seria: o que você quer fazer quando crescer? Ser e Fazer não são a mesma coisa, não é mesmo?

Sobre o que você ainda quer ser, ou se tornar, o que você responderia hoje?

Como adultos somos capazes de diferenciar verbos como Ter, Fazer e Ser, mas há situações em que eles se confundem. Na base da pirâmide de Maslow, está a satisfação das necessidades básicas, diretamente relacionadas ao Ter. A sociedade de consumo, com todas as suas virtudes e defeitos, nos mantém por muito tempo na esfera do Ter, muito além das necessidades básicas. Incorporamos desejos que não são originariamente nossos e os transformamos em necessidades. Somos estimulados a crer que o nosso mérito está relacionado a termos coisas, que viram símbolos de conquistas, de competência e até de valor. Nesta faixa, valemos o que temos. Há pessoas que se situarão aí até o fim de suas vidas. É um tipo de crença que não permite liberar o nosso maior potencial e está fortemente relacionada ao apego, seja a pessoas, a objetos, ao dinheiro ou ao poder. No nível do Ter, a felicidade pode ser muito frágil.

Já a dimensão do Fazer, nos traz um outro tipo de gratificação. Aqui, o importante é a construção. É a energia própria dos empreendedores e muitos tipos de realizações são geradas a partir destas pessoas. Idealistas costumam ser capazes de grandes esforços em nome de algo em que acreditam. Artistas podem almejar a criação e a manifestação de seus sentimentos acima de qualquer outra coisa. Na esfera do Fazer também podemos encontrar a ilusão do movimento, um outro tipo de crença, a do estar sempre fazendo algo, ocupando o tempo com alguma coisa, mesmo que, ao final, não seja o que nos fará feliz.

É na esfera do Ser que se encontram as nossas maiores possibilidades de construir a felicidade. Aqui vale o antigo conselho de Sócrates: “Conheça-te a ti mesmo”, um importante passo para responder à pergunta: “o que você quer ser?”. Ou seja, qual é o ponto A em que você se encontra hoje e qual é o ponto B desejado? Processos de coaching frequentemente fazem uso desta lógica. A jornada do autoconhecimento, quando aprofundada, nos permite intuir a nossa missão, seja de vida, de um papel que exercemos ou de uma atividade a realizar. Nos possibilita também desenvolver um propósito, algo que nos move interiormente e a deixar um legado, fruto do que construímos ao longo do caminho.

Quando refletimos sobre o que queremos ser, somos estimulados a ser melhores pessoas, mesmo que não sejamos más pessoas. Sempre há o que evoluir. Podemos ainda ser mais gratos, mais altruístas, mais resilientes, mais desapegados e, no conjunto, mais felizes.

Pessoalmente, a esta altura da vida, tenho ainda muito a me tornar. Espero ainda ter tempo para crescer no Ser, muito além do que poderia Fazer ou Ter.

E você? O que deseja ainda se tornar? O que você deseja Ser e ainda não é?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Entenda como o Centro Cultural de Parintins incentiva a arte e cria uma nova geração de talentos

O Bumbódromo também funciona como centro cultural. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

O Centro Cultural de Parintins, mais conhecido como Bumbódromo, não é apenas a casa que recebe o embate anual entre Caprichoso e Garantido, mas também a casa em que muitos artistas se formam. Isso porque o Centro abriga o Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, a primeira unidade mantida pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, fora da capital Manaus.  

Centro Cultural de Parintins
O Bumbódromo também funciona como centro cultural. Foto: Secom/AM

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Segundo o turismólogo do Liceu, Jair Almeida, em pouco mais de uma década, o local já transformou a realidade dos parintinenses. Entenda como funciona:

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Passaporte Parintins: acompanhe a experiência feita para ajudar os visitantes da ilha da magia; vídeo

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Esta em Parintins para o Festival Folclórico e quer conhecer outros pontos da cidade, mas não sabe por onde começar? A Estação do Turismo tem uma forma de ajudar: com o Passaporte Parintins, uma ação do Governo do Amazonas, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur).

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Passaporte Parintins
Passaporte Parintins. Foto: Clarissa Bacellar

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É um roteiro simples que inclui 8 pontos turísticos da ilha da magia para conhecer em pouco mais de uma hora. Veja como é:

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Veja quais lendas, mitos, figuras e rituais o Caprichoso levou para o bumbódromo no 58° Festival de Parintins

Foto: Aguilar Abecassis/SEC-AM

Todos os anos, o Festival Folclórico de Parintins celebra a rica herança cultural da Amazônia. Em 2025, na 58ª edição da festa, o boi-bumbá Caprichoso leva para a arena a participação ativa de representantes dos povos originários, que reforçam a autenticidade das narrativas apresentadas e valorizam a ancestralidade da cultura amazônica, sob o tema ‘É tempo de retomada’.

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Veja quais lendas, mitos, figuras e rituais foram apresentadas ao público nesta edição:

1ª noite – 27 de junho: Amyipaguana, retomada pelas lutas

Lenda amazônica – Yurupari: da demonização à retomada indígena

Imagem: Reprodução/Revista Caprichoso 2025

Na primeira noite do Festival Folclórico de Parintins 2025, o Boi Caprichoso leva para a arena do Bumbódromo um território de afirmação indígena e espiritual com o tema central ‘Yurupari: Da Demonização à Retomada Indígena’.

Yurupari deriva do nheengatu yuru (boca) e pari (armadilha para peixe) e foi historicamente distorcido pelos missionários cristãos, que o demonizaram como forma de enfraquecer a religiosidade indígena e forçar a conversão ao cristianismo. No entanto, longe da figura demoníaca atribuída por interpretações coloniais, Yurupari é, para os povos Dessana, Baniwa, Tariana e Tukano, uma entidade sagrada ligada aos ciclos da natureza e da vida coletiva.

O Caprichoso propõe a ‘desdemonização’ do personagem, devolvendo-o ao seu papel espiritual e simbólico original. Ao som das toadas e com a força das alegorias, o boi denuncia o processo de apagamento histórico promovido pelo ‘livro preto’, a Bíblia nas mãos de seus intérpretes colonizadores, e celebrou Yurupari como expressão legítima indígena.

A luz e a sombra são imanentes à vida, partilham do mesmo corpo, da mesma energia, nem bem, nem mal, posto que não se anulam ou rivalizam, como quer a religião dos não-indígenas. Sob as bênçãos do kumu Rogério Marinho Tukano, o Legislador será revelado ao mundo em sua faceta ancestral.

Figura Típica Regional: Majés, As Senhoras Da Cura

Imagem: Reprodução/Revista Caprichoso 2025

A figura típica regional da noite traz ao centro do espetáculo as Majés, mulheres indígenas que carregam e compartilham saberes milenares de cura.

Parteiras, benzedeiras, erveiras e conselheiras, essas mulheres são as guardiãs do ventre do mundo, o corpo sagrado da Terra, e com suas mãos, elas mantêm vivas as tradições que curam o corpo e o espírito.

Leia também: Quem são as Majés? Caprichoso homenageia mulheres da floresta no Festival de Parintins 2025

Ritual Indígena – Ritual Tupinambá, a retomada da verdade originária

Imagem: Reprodução/Revista Caprichoso 2025

Encerrando a apresentação, o Caprichoso resgata um dos rituais mais mal compreendidos da história indígena, o rito de antropofagia Tupinambá.

Supostamente, no rito de antropofagia Tupinambá, este povo devorava os guerreiros considerados virtuosos, corajosos, dignos, com o intuito de absorver suas virtudes. O cativo era humilhado, amarrado pela cintura e, após isso, morto e cozido para ser consumido e ter suas virtudes assimiladas, por meio do corpo do prisioneiro de guerra, as qualidades dos considerados ‘grandes guerreiros’ passariam a ser parte dos Tupinambá que fizessem parte deste ritual antropofágico.

A verdade originária para os Tupinambá, é de que o Manto sustenta este povo e fala por intermédio de seus ‘parentes’. Esse manto era usado apenas pelos pajés, quando precisavam se comunicar com a ancestralidade, e na arena, o Caprichoso ecoa o clamor por justiça e reparação, reforçando a luta pela restituição dos bens sagrados dos povos originários.

2ª noite – 28 de junho: Kizomba, retomada pela tradição

Figura típica regional: Marandoeiros e marandoeiras da Amazônia

Imagem: Reprodução/Revista Caprichoso 2025

Marandoeiros significa contadores de histórias da Amazônia. Contar essas histórias se configura como um dos hábitos mais prazerosos do cotidiano de quem vive nos interiores da Amazônia, já que nas noites enluaradas, os mais jovens se reúnem para ouvir os mais velhos que, por meio das suas falas, revivem ‘causos’ de encantamentos e encantes, fatos históricos marcantes como grandes cheias ou severas estiagens.

O Boi de Parintins homenageia os contadores/as de história como Tia Dora, Seo Dray, o pedreiro, Adolfo Lourindo, Julita Cid, Mestre Waldir Viana, Marujo Marina, dona Siloca, Coracy, dentre tantos e tantas relicários da contação ancestral, em forma de versos, de história ou por meio do tambor.

Lenda Amazônica: Sacaca Merandolino, o encantado de Arapiuns

Imagem: Reprodução/Revista Caprichoso 2025

Na segunda noite de espetáculo, a Lenda Amazônica a ser apresentada emerge do reconhecimento da importância da memória de um povo, como ato de resistência. 

Contam os antigos que quando Merandolino inalava o seu fumegante tauari e mergulhava nas águas do Arapiuns, os peixes de todas as espécies o ladeavam e assistiam seu engeramento numa imensa serpente que deslizava nas profundezas das águas entre botos, arraias e poraquês, para boiar em outras comunidades para fazer uso do seu dom de curar.

Merandolino tornou-se encantado, recebendo a missão de ser o eterno guardião das águas escuras do rio Arapiuns, um rio de águas e direitos. E hoje, quando alguém tenta profanar suas sagradas águas, logo surge uma luz azul anunciando que ele está vindo.

Ritual Indígena: Musudi Munduruku, a retomada dos espíritos

Imagem: Reprodução/Revista Caprichoso 2025

O povo indígena Munduruku ficou historicamente conhecido pela sua tradição guerreira que se estendeu por todo o Vale do Rio Tapajós, na chamada “Mundurukânia”. Donos de uma rica cosmogonia, os Wuy Jugu acreditam em espíritos de seres que habitam o ar, a água, o mundo subterrâneo e que permanecem vivos mesmo após a morte física.

O Boi Caprichoso escolheu trabalhar a retomada dos espíritos Munduruku, como forma de resistência da vida na floresta. Por não estar dentro do território politicamente demarcado pelo estado brasileiro, o local de descanso dos guerreiros Munduruku foi corrompido descaradamente, com a construção da hidrelétrica Teles Pires.

3ª Noite – 29 de junho: Kaá-eté – Retomada
pela vida

Lenda Amazônica: Waurãga e os Wauã-kãkãnemas

Imagem: Reprodução/Revista Caprichoso 2025

Waurãga é uma entidade sagrada da floresta amazônica, reverenciada como a “mãe de todas as mães da mata”. Segundo o mito contado por anciãs do povo Maraguá, ela surge em defesa da floresta sempre que o território é ameaçado por ações predatórias, como garimpo e desmatamento. Waurãga sente o cheiro da destruição e responde com fúria, convocando os Wauã-Kãkãnemas, espíritos encantados da mata que se manifestam por meio dos animais, para lutar pela justiça.

Esse mito será levado à arena pelo Boi Caprichoso por sua conexão com os povos indígenas da Amazônia e pelo simbolismo da luta pela preservação. A história de Waurãga representa a resistência da floresta viva e dos saberes ancestrais, diante da ganância e destruição provocadas pelos homens, já que sempre que houver ameaça, ela se levanta, com sua força espiritual para proteger a Amazônia.

Figura típica regional – O seringueiro da Amazônia

Imagem: Reprodução/Revista Caprichoso 2025

O seringueiro é uma figura essencial na história da Amazônia, especialmente quando se fala em resistência e convivência harmônica com a floresta. Representado por nomes como Chico Mendes, ele é visto como um herói das matas, por ter lutado pela preservação ambiental e pelos direitos dos povos da floresta. 

O Caprichoso resgata essa memória reforçando a importância dos seringueiros como parte fundamental da construção da identidade amazônica.

Esses trabalhadores, muitos deles vindos do Nordeste, misturaram-se aos povos originários, e viviam do extrativismo do látex, em condições muitas vezes semelhantes à escravidão. Dorothy Stang, Zé Cláudio e outros também fazem parte dessa resistência, mantendo viva a semente plantada por Chico Mendes.

Ritual indígena – Ritual de cura Yawanawá

Imagem: Reprodução/Revista Caprichoso 2025

O ritual de cura Yawanawá é uma prática espiritual conduzida pelos pajés (Rumeya) desse povo indígena que vive às margens do Rio Gregório, no Acre. O processo começa quando o pajé, avisado em sonhos sobre a enfermidade de alguém, inicia uma cerimônia chamada mariri, reunindo a comunidade em círculo para fortalecer a cura, e durante o ritual, elementos da floresta como kambô (veneno da rã), rapé, ayahuasca e tabaco são usados em comunhão com seres espirituais.

O momento mais sagrado acontece quando o pajé entra em transe e realiza o Shuanka, retirando o mal do corpo do doente. Esse conhecimento ancestral é passado oralmente e representa a “medicina da floresta”, que vai além do físico, tocando o espiritual. 

O Caprichoso encena esse ritual para valorizar os saberes indígenas e reafirmar a importância da preservação cultural e espiritual dos povos originários da Amazônia.