As Superintendências do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Pará e no Amazonas estão organizando uma série de oficinas de escuta social com a população como parte do processo de candidatura dos Teatros da Amazônia – o Theatro da Paz, em Belém (PA), e o Teatro Amazonas, em Manaus (AM) – a Patrimônio Mundial Cultural, título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A ação marca uma etapa fundamental no processo, que exige a participação ativa da sociedade.
“Todo o processo de reconhecimento desses teatros como patrimônio mundial exige a escuta da sociedade. E chegou o momento de ouvir a população diretamente”, explica a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos.
Embora a data exata ainda esteja em definição, as oficinas já estão sendo planejadas com participação das secretarias de Cultura estaduais e municipais envolvidas, reunidas recentemente em uma reunião especial para alinhar os detalhes da mobilização.
Teatro Amazonas. Foto: Divulgação/Arquivo Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas
O formato previsto para as oficinas contempla um dia inteiro de escuta, focado nos pontos centrais relacionados aos dois teatros. A convocação para participação será feita via formulário online, que será disponibilizado no portal do Iphan e das secretarias envolvidas na candidatura.
As contribuições coletadas nas oficinas serão essenciais para a construção do roteiro da vistoria que será realizada por uma consultora da Unesco, que visitará os Teatros da Amazônia no segundo semestre de 2025. A escuta social garantirá que as vozes locais estejam refletidas no processo e nas diretrizes de preservação e valorização desses espaços.
Theatro da Paz. Foto: Maycon Nunes/Agência Pará
O reconhecimento internacional dos Teatros da Amazônia representa não apenas um marco simbólico, mas também um passo importante para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à cultura e à memória da região.
A candidatura foi oficialmente apresentada em janeiro de 2025 à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), por meio de um dossiê elaborado pelo Iphan, em parceria com o Ministério da Cultura (MinC), o Ministério das Relações Exteriores (MRE), e as secretarias de Cultura do Pará, do Amazonas e das prefeituras de Belém e Manaus.
O processo está em fase de avaliação e seguirá até julho de 2026, quando será julgado na 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial. Até lá, estão previstas diversas ações, incluindo a visita técnica de representante do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), entidade ligada à Unesco, que avaliará in loco os teatros no segundo semestre de 2025.
Em junho, quando o mundo celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, no dia 5, o lançamento do projeto SUS na Floresta reforça a urgência de integrar saúde pública e conservação ambiental na região mais biodiversa do planeta. O projeto é executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) com parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fundo Vale e Umane, e gestão parceira do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS).
A iniciativa vai levar acesso qualificado à Atenção Básica de Saúde para comunidades remotas no interior do Amazonas, com soluções sustentáveis e tecnológicas ajustadas aos preceitos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Por meio da construção de cinco pontos de apoio à saúde e a assessoria técnica para o desenvolvimento da Saúde Digital nos municípios parceiros, fortalecendo a oferta de teleatendimentos integrados ao SUS, o projeto atenderá diretamente mais de 6.700 pessoas nos municípios de Carauari, Itapiranga, Novo Aripuanã, Eirunepé e Uarini, beneficiando principalmente moradores das Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uacari, Juma, Mamirauá e Uatumã, e Reserva Extrativista (Resex) Rio Gregório – territórios onde floresta em pé e vida saudável devem caminhar juntas.
“O SUS na Floresta é mais do que um projeto. É uma proposta concreta de como levar saúde de qualidade a quem vive nos lugares mais remotos da Amazônia profunda, com tecnologia, inovação e escuta ativa das comunidades. É um modelo com alto potencial de replicabilidade em outras regiões da Amazônia Legal”, destaca Valcléia Lima, superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da FAS.
Saúde como ferramenta de justiça socioambiental
O projeto nasce em um contexto preocupante: a precariedade e a falta de acesso aos serviços de saúde em áreas rurais e ribeirinhas da Região Norte. Segundo dados oficiais, há menos de 11 médicos para cada 10 mil habitantes na região, número bem abaixo da média nacional. Ao mesmo tempo, são esses territórios que mantêm a floresta preservada e contribuem diretamente para o equilíbrio climático do planeta.
Fortalecer o SUS nesses locais significa não apenas cuidar de pessoas, mas também proteger os guardiões da floresta e valorizar modos de vida sustentáveis. A proposta articula atendimento presencial com telessaúde, por meio de tecnologia de ponta, capacitação de profissionais locais e construção de estruturas físicas.
O líder comunitário da comunidade Ubim, localizada na Resex Rio Gregório, em Eirunepé, Francisco Erly, de 24 anos, celebra a chegada do projeto:
“Vai ser ótimo, porque vai facilitar muito, porque muitas vezes têm consultas que dá pra fazer aqui [na comunidade]. Quando a gente precisa de acesso ao médico, a gente se desloca da comunidade para a cidade. [Agora,] com um ponto de telessaúde para nós vai melhorar bastante”.
Além da infraestrutura e do suporte tecnológico, o projeto oferece apoio técnico para gestão de telessaúde e ações de educação permanente para profissionais de saúde, visando à sustentabilidade das ações pelos próprios municípios após o término do projeto.
Os atendimentos serão realizados por profissionais vinculados às Secretarias Municipais de Saúde, integrados à estratégia nacional de Saúde da Família. Isso garante que os novos polos de saúde estejam inseridos na lógica de territorialização do cuidado — fortalecendo vínculos, respeitando saberes tradicionais e promovendo saúde com base na realidade de cada território.
A prática utiliza cães treinados como facilitadores terapêuticos, contribuindo para o desenvolvimento físico, emocional, cognitivo e social dos participantes. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Nesta quinta-feira, 12, as crianças atendidas pelos dois centros de referência para a educação especial em Boa Vista receberam a visita do Grupo Tático Municipal (GTAM), da Guarda Civil Municipal. A ação apresentou uma turminha de quatro patas por meio do novo programa educacional de cinoterapia, também conhecida como Terapia Assistida por Cães.
A prática utiliza cães treinados como facilitadores terapêuticos, contribuindo para o desenvolvimento físico, emocional, cognitivo e social dos participantes. Em Boa Vista, a iniciativa faz parte do Programa Alice Terapia Animal Educacional (PATAE) — primeira instituição reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) por capacitar profissionais voltados ao bem-estar animal e à atuação dos animais em contextos de serviço, intervenção e companhia.
Nesta primeira ação, 12 guardas civis municipais de Boa Vista participaram de uma formação teórica sobre a cinoterapia e logo fizeram a primeira atividade prática junto às crianças do Centro Municipal Integrado de Educação Especial (CMIEE), no bairro dos Estados, e do Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (CETEA), bairro São Vicente.
A visita foi marcada pela interação carinhosa com os cães Faísca (da raça Border Collie), Mel e Théu (ambos Poodles), que encantaram os pequenos com demonstrações de afeto e estímulo. Além de trazer sorrisos, a atividade promoveu um ambiente de acolhimento e estímulo ao desenvolvimento das crianças.
Ao final, cada criança ainda recebeu um certificado de participação no programa, celebrando esse momento especial. Quem adorou a visita dos novos amiguinhos de quatro patas foi Pietro Rafael Cunha, de 13 anos, aluno do CMIEE.
“Gostei muito de conhecer o Faísca. Achei ele muito fofo e ainda deixou eu fazer carinho. Dá até vontade de levar ele para casa”, contou, sorridente.
Pietro Rafael Cunha, de 13 anos, conheceu o Faísca da raça Border Collie. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
A psicóloga Juscyelly Pereira é mãe da Allana Cellyny, de 8 anos, que é atendida há cerca de 10 meses no CETEA. Ela conta que tem um pet em casa, o João Apolo, e acredita que a chegada do programa com cães terapêuticos só vem a somar no desenvolvimento das crianças.
“Os animais ensinam as crianças a ter mais cuidado, responsabilidade, além de proporcionar uma troca emocional de carinho e afeto. Em muitos casos, eles até ajudam a acalmar as crianças durante crises. Acredito que será um programa maravilhoso, tanto para minha filha quanto para os demais alunos acompanhados pela unidade”, afirmou.
Equipe da Guarda Civil Municipal é a primeira no Brasil a receber a capacitação
Segundo Emi Parente, fundadora do PATAE, esse é o primeiro grupo de guardas civis municipais no Brasil a receber esse tipo de capacitação. Ela destaca a importância de unir o cuidado humano com a sensibilidade animal.
“É uma honra estar em Boa Vista formando essa equipe da Guarda Municipal. Acreditamos no poder da conexão entre humanos e animais para transformar vidas. Esses agentes agora também são pontes de afeto, inclusão e educação, levando mais amor, empatia e consciência sobre o papel dos animais em nossa sociedade. Eles auxiliam não só na saúde emocional, mas até em quadros graves, como o tratamento de doenças como o câncer”, afirmou Emi.
O planejamento de atendimentos será elaborado em parceria com as gestoras das unidades educacionais. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Planejamento das atividades
Segundo o coordenador do GTAM, Gilberto Lopes, o programa será estruturado por meio de um planejamento de atendimentos com cronograma definido, elaborado em parceria com as gestoras das duas unidades educacionais. A proposta é, após essa primeira etapa, ampliar visitas assistidas a outras escolas da rede municipal, além de hospitais e atendimentos clínicos.
“Selecionamos 12 guardas civis municipais para atuar nesse projeto. O mais gratificante é ver, já nesse primeiro contato, como as crianças reagem positivamente à presença dos animais. Eu tenho um filho atípico e sei o quanto esses momentos fazem a diferença. Além disso, recebemos uniformes e um transporte exclusivo, o que garante a mobilidade adequada dos cães e reforça a identidade visual do projeto”, destacou o coordenador.
A diretora do CETEA, Sandra Nobre, avalia a chegada do programa como positiva, pois oferece um novo suporte terapêutico aos alunos dos dois centros de educação especial.
“Estamos muito felizes com essa parceria com a Guarda Civil Municipal. A cinoterapia traz a possibilidade de desenvolver a empatia nas crianças, além de trabalhar estímulos sensoriais e proporcionar uma interação diferenciada. Essa abordagem contribui também para o desenvolvimento motor e cognitivo dos alunos, ampliando ainda mais os resultados das terapias já feitas nas unidades”, destacou.
Qualquer tutor interessado pode se voluntariar com seu pet no programa de Cinoterapia. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Quer fazer parte da turminha do Faísca?
Para integrar essa “turminha de quatro patas”, os cães passam por uma triagem criteriosa. Primeiro, verifica-se se estão acostumados a ambientes públicos, se não apresentam reatividade a outros animais ou a pessoas e, sobretudo, se demonstram disposição e alegria — requisito essencial para as atividades, já que o foco é a interação lúdica com as crianças. A partir dessas brincadeiras, conteúdos pedagógicos e habilidades socioemocionais são estimulados de forma natural.
Nesta primeira turma, os cães pertencem aos próprios integrantes do GTAM. Porém, qualquer tutor interessado pode se voluntariar com seu pet: basta procurar a equipe do programa na sede da Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública (SMSOP). O animal será avaliado e, se aprovado, participará de um treinamento específico para atuar nas visitas terapêuticas junto à comunidade.
Ritual de boas-vindas na aldeia Ulupuwene marca parceria entre indígenas e pesquisadores. Foto: Celso Viviani
Em uma roça de mandioca na aldeia Ulupuwene, no Alto Xingu, estado de Mato Grosso, um ancião do povo Waurá espeta na terra estacas retiradas de diferentes variedades de mandioca, bem perto uma da outra. De cada uma brotam folhas e raízes. Quando crescem e formam arbustos, as plantas cruzam entre si. A técnica de cultivo estimula a produção de sementes de novas variedades da planta, evitando o empobrecimento genético típico das plantas clonadas, segundo estudo publicado em março na revista Science.
“A mandioca foi domesticada por povos indígenas há cerca de 6 mil anos na borda sul da Amazônia, que hoje corresponde aos estados de Rondônia e Mato Grosso”, conta o etnobiólogo Fábio Oliveira Freitas, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Recursos Genéticos e Biotecnologia, que coordenou uma equipe de pesquisadores de oito países.
A planta se tornou tão central na alimentação que foi sendo difundida na forma de estacas (partes do caule), desde antes do período colonial, por meio de trocas entre comunidades vizinhas, desde o sul dos Estados Unidos até a parte meridional da América do Sul.
Os pesquisadores chegaram a essa conclusão a partir da análise do genoma de 282 amostras de mandioca domesticada (Manihot esculenta) e selvagem (Manihot flabellifolia) de coleções vivas de instituições de pesquisa ou de roças tradicionais, além de DNA extraído de coleções de herbários e artefatos encontrados em sítios arqueológicos. Além disso, usaram dados genômicos de 291 amostras de estudos anteriores, totalizando 573 genomas analisados.
“Muitos agricultores tradicionais, indígenas ou não, identificam as plantas que brotam de sementes e as deixam crescer”, relata Freitas. Se tiverem as qualidades que procuram – como um tamanho mais avantajado da raiz tuberosa ou um teor maior de amido –, passam a usá-las como fonte de estacas, que formam clones idênticos à planta-mãe. Segundo ele, o arbusto pode cruzar com espécies selvagens, que vivem nas cercanias das roças, incrementando a variabilidade no genoma.
“A clonagem fez com que todos os pés de mandioca das Américas tenham os mesmos marcadores genéticos de parentesco, como se fossem irmãos”, afirma o biólogo britânico Robin Allaby, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, um dos autores do artigo. Em conversa com Pesquisa FAPESP, ele destacou que o padrão difere de culturas como o milho, que forma linhagens distintas.
“O estudo faz uma análise genética abrangente da mandioca, confirmando padrões genéticos que foram observados em estudos mais restritos”, avalia o etnobiólogo Nivaldo Peroni, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que não participou do estudo.
“No entanto, poderia ter ressaltado com mais ênfase a importância das comunidades tradicionais não indígenas na geração de diversidade – não apenas na Amazônia, mas em outros lugares do Brasil e das Américas”.
Segundo Peroni, existem mais de 7 mil variedades de mandioca, criadas por comunidades com preferências próprias na hora de selecionar as plantas. O pesquisador tem estudado a origem e a circulação de variedades no contexto das comunidades tradicionais brasileiras e destaca que agricultores de origem açoriana que vivem na costa atlântica do centro-sul do país, como no estado de Santa Catarina, aprenderam a plantar mandioca com povos indígenas locais.
“No Sul predominam variedades extremamente brancas, refletindo o desejo de produzir algo parecido com a farinha de trigo da Europa”, acrescenta Peroni. No litoral do estado de São Paulo, ele encontrou mais de 50 variedades no município de Cananéia e mais de 30 em Ubatuba, com características próprias – muitas delas geradas a partir da brotação de sementes em roças e quintais de comunidades caiçaras.
O ancião Kuratu Waurá monta uma casa de Kukurro fincando estacas de mandioca. Foto: Celso Viviani
Por ser um alimento rico em nutrientes e de fácil reprodução e transporte, o tubérculo se tornou um dos principais itens da dieta indígena e parte da alimentação de 1 bilhão de pessoas no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Freitas e Allaby visitaram a aldeia Ulupuwene diversas vezes entre 2018 e 2023 para investigar o cultivo tradicional da mandioca, coletar amostras das variedades e entrevistar os moradores. “É uma técnica única, dominada por poucas famílias”, relata Freitas, que estuda a agricultura dos Waurá desde 1997.
Depois de preparar a roça, os indígenas formam montes de terra afofada, para facilitar a colheita do tubérculo, e espetam ramos que representam elementos da lenda que rodeia a produção da mandioca. O conjunto de estacas, eles chamam de casa de Kukurro, deus representado pela lagarta que come as folhas da mandioca. O crescimento da planta seria fortalecido pelos cantos rituais para Kukurro. As sementes formadas por essa mistura de plantas são uma fonte importante de variedade genética e costumam ficar dormentes até que o fogo, usado para limpar o terreno antes do plantio da roça, estimule sua germinação a partir do ano seguinte.
“As mulheres desempenham um papel crucial nesse processo”, ressalta a bióloga Carolina Levis, da UFSC, que não participou do estudo. “Elas costumam ser as principais responsáveis por cuidar das roças. São curiosas e deixam crescer as plantas novas, observando suas características.”
“Os Waurá são bastante seletivos”, acrescenta Freitas. “Escolheram quatro variedades originadas por sementes no período de nossas visitas, mas descartaram todas por avaliar que não tinham características novas.” Se a planta é aprovada, eles a batizam e incorporam à coleção viva da aldeia.
O vídeo Casa de Kukurro, produzido pela Embrapa em 2019 e disponível no YouTube, mostra o ritual que acompanha o plantio. Os Waurá não se incomodam com as lagartas que comem as folhas da mandioca: na mitologia da aldeia, é Kukurro que se alimenta e assim cuida das plantas. As mudas que nascem de sementes são chamadas kukurromalacati e são consideradas plantas que caem do céu.
“Identificamos 19 variedades de mandioca-brava em Ulupuwene”, relata Allaby. Segundo os pesquisadores, ao contrário das variedades conhecidas como aipim, macaxeira ou mandioca-doce, esse tipo de tubérculo pode ser letal se não for processado para a eliminação do ácido cianídrico, que tem efeito tóxico. “É preciso descascar a raiz, ralar e prensar a polpa, ferver para o ácido cianídrico evaporar e pôr o polvilho ao sol para secar”, relata Freitas. O polvilho é usado para fazer biju, principal item da alimentação Waurá ao lado do peixe.
Ao se casarem, as mulheres costumam levar a coleção de plantas de sua família até o marido e seguem trocando as plantas quando voltam para visitar os parentes. “O casamento pode ser interétnico e envolver grandes distâncias, aumentando a circulação de estacas”, acrescenta Levis.
“O estudo mostra o quão importante é a agricultura de pequena escala para a segurança alimentar”, afirma Allaby. Segundo ele, das 20 variedades de banana que existem no Brasil, só a nanica, que está se deteriorando geneticamente e pode desaparecer em questão de décadas, resiste ao transporte de navio até a Europa. “Os indígenas conhecem muito mais sobre a lavoura da mandioca do que nós”, reconhece. Segundo ele, a casa de Kukurro é uma técnica que pode ajudar a rejuvenescer, do ponto de vista genético, a diversidade da mandioca e de outras plantas e representa um exemplo marcante de como a ciência acadêmica tem a ganhar no intercâmbio com a ciência dos povos indígenas e tradicionais.
A construção de hidrelétricas no rio Madeira — um dos mais importantes da Amazônia e parte da região do Interflúvio Madeira-Purus — impactou drasticamente os padrões migratórios da dourada (Brachyplatystoma rousseauxii), um dos maiores peixes de água doce do mundo, muito apreciado na culinária amazônica.
A dourada é conhecida por realizar migrações de longa distância, percorrendo até 12 mil quilômetros entre as áreas de desova, na parte alta do rio Madeira, e os berçários no estuário do rio Amazonas. Essa jornada é essencial para o ciclo de vida da espécie, que depende da conectividade entre os rios para se reproduzir e crescer.
A construção das barragens de Jirau e Santo Antônio, em 2011 e 2012, alterou significativamente essa dinâmica. Utilizando a análise da microquímica dos otólitos — estruturas localizadas no ouvido interno dos peixes —, pesquisadores observaram uma drástica redução no número de indivíduos que retornam às áreas de desova após a construção das hidrelétricas.
Antes das barragens, 79% dos peixes apresentavam o comportamento de “retorno natal” (homing), ou seja, voltavam para desovar no mesmo local onde nasceram. Após a construção, essa proporção caiu para apenas 5%. A maioria dos peixes (95%) passou a ser considerada residente, permanecendo no rio Madeira durante todo o ciclo de vida.
Essa mudança de comportamento tem implicações ecológicas relevantes: os peixes residentes apresentaram um crescimento menor em comparação aos migratórios, o que indica que a falta de acesso às áreas de berçário no estuário do Amazonas pode comprometer o desenvolvimento da espécie.
Os dados foram publicados na revista Conservation Letters, no artigo intitulado “Quantitative impacts of hydroelectric dams on the trans-Amazonian migrations of goliath catfish” (“Impactos quantitativos das barragens hidrelétricas nas migrações transamazônicas da dourada”, em tradução livre).
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana (IIAP) — instituições associadas à Aliança Águas Amazônicas —, entre outras. Eles concluem que é necessário restaurar a conectividade do rio para garantir a conservação da dourada.
A construção de passagens eficientes para peixes é apontada como medida crucial para que esses animais possam completar seu ciclo de vida e para assegurar a manutenção da biodiversidade na bacia amazônica. Veja imagens e saiba mais sobre a espécie aqui.
Referência: Hauser, M., Doria, C. R. C., Pécheyran, C., Ponzevera, E., Panfili, J., Torrente-Vilara, G., Renno, J. F., Freitas, C. E., García-Dávila, C., & Duponchelle, F. (2024). Quantitative impacts of hydroelectric dams on the trans-Amazonian migrations of goliath catfish. Conservation Letters, 17, e13046. https://doi.org/10.1111/conl.13046
Constituição Federal possui versão em nheengatu. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
“Purãga ara” quer dizer bom dia em nheengatu, idioma originado do tronco linguístico tupi com influência do português. Já foi o mais falado na Amazônia e ainda é usado por um total estimado entre 6 mil e 30 mil indígenas e ribeirinhos, principalmente no Brasil, Colômbia e Venezuela.
Para aprender essa língua, agora há dois aplicativos. O primeiro, Nheengatu App, foi lançado em 2021, com o apoio da Lei Aldir Blanc e da Secretaria de Cultura do Pará. Elaborado por Suellen Tobler Almeida, graduada em tecnologia de análise de sistemas, como parte de seu mestrado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), contém exercícios, imagens, áudios e canções.
Os alunos Vitor Bandeira e Gustavo Pacheco, da equipe que desenvolveu o trabalho. Foto: Reprodução/Insper
O segundo, anunciado este ano, foi uma encomenda da IBM, concretizada pelo engenheiro da computação Tiago Fernandes Tavares e por um grupo de alunos do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).
Ainda sem site, o aplicativo integra tradutores, dicionários e corretores ortográficos para facilitar a produção de textos no idioma indígena. Saiba mais AQUI.
Nos dois casos, os desenvolvedores apresentaram as versões preliminares para indígenas voluntários, em busca de sugestões.
A Amazônia tem destaque na coleção com figurinhas de espécies de árvores. Foto: divulgação
A cinco meses da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro em Belém (PA), crianças da capital paraense irão receber um presente especial: o álbum de figurinhas “Árvores do Mundo”, uma iniciativa da Vale que une ludicidade e educação ambiental para falar sobre sustentabilidade de forma leve e descontraída.
A ação tem como objetivo sensibilizar o público infantil sobre a importância da conservação da natureza e promover o engajamento local em torno da conferência, que reunirá líderes globais para discutir o futuro do clima no planeta. A distribuição dos álbuns e figurinhas será gratuita e começa no dia 14 de junho em Belém (PA).
O álbum, criado em parceria com a agência Africa Creative, ilustra 60 espécies de árvores representativas dos cinco continentes, sendo 10 delas em versões especiais com realidade aumentada. Ao escanear o QR Code com o celular, as crianças poderão ver imagens tridimensionais das árvores e acessar informações educativas sobre cada uma delas.
A Amazônia tem destaque na coleção com figurinhas de espécies de árvores icônicas como castanheira-do-pará, babaçu, sumaúma e seringueira. Também estão presentes árvores de países como Estados Unidos (sequoia-vermelha), China (jasmim-do-imperador), Canadá (bétula-amarela), França (plátano), Itália (choupo-branco), Japão (glicínia), entre outros.
A distribuição dos álbuns e figurinhas será gratuita e começa no dia 14 de junho, com um evento de lançamento na Usina da Paz do bairro Jurunas, em Belém. Em seguida, a programação continua no dia 18 de junho na Usina da Paz do Bengui, e se encerra no dia 28 de junho na Usina da Paz da Cabanagem.
Durante os eventos, as crianças poderão participar de atividades como: apresentações culturais, brinquedo interativo “roleta da floresta”, que distribui figurinhas extras como prêmios, espaço instagramável para que os participantes se fotografem como se fossem figurinhas do álbum, e ainda vivenciar experiência de realidade virtual, conhecendo as ações de preservação ambiental desenvolvidas pela Vale na região amazônica.
As Usinas da Paz fazem parte do programa estadual Territórios Pela Paz (TerPaz), que promove inclusão social e cidadania em comunidades vulneráveis. Com mais de 70 serviços gratuitos, as unidades oferecem cursos profissionalizantes, reforço escolar, emissão de documentos, atividades esportivas e culturais, entre outros.
“O engajamento das novas gerações é essencial para que sejamos bem-sucedidos no combate às mudanças climáticas. A gente acredita que essa iniciativa conseguirá, de forma lúdica, despertar o interesse das crianças para um tema essencial nesse contexto, a preservação das florestas”, afirma Leandro Modé, diretor de Comunicação e Marca da Vale.
Atuando de forma sustentável na Amazônia há 40 anos, a Vale contribui com a proteção de 800 mil hectares do Mosaico de Carajás, no Pará, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As operações da companhia ocupam cerca de 3% do Mosaico. Na última década, a Vale investiu mais de R$ 1 bilhão em ações socioambientais, pesquisa & desenvolvimento e incentivo à cultura. Deste total, R$ 910 milhões foram voluntários.
Na Floresta Nacional de Carajás, onde fica a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo, estão catalogadas mais de 3 mil espécies de fauna e flora, além de 11 mil nascentes de água protegidas. Para proteger essa área, equipe de guardas florestais mantida pela Vale realiza patrulhamentos diários por terra, ar e água, além do combate a focos de incêndio. A atuação evitou, entre 2021 e 2024, 662 tentativas de atividades como garimpo ilegal, caça e pesca predatórias e extração de madeira.
Em 2019, a Vale se comprometeu com seis metas de sustentabilidade alinhadas à Agenda 2030 da ONU. Uma delas é a Meta Florestal Vale. A iniciativa prevê a recuperação de 100 mil hectares de áreas e a proteção de outros 400 mil hectares de florestas, além das fronteiras da companhia, até o final desta década. Esse compromisso voluntário vai além das exigências regulatórias, consolidando-se como uma estratégia inovadora de solução climática liderada pelo setor empresarial.
O talento do compositor amazonense Paulo Onça ultrapassou as fronteiras do Amazonas e chegou aos palcos nacionais por meio das vozes de artistas consagrados da música brasileira e até internacionais.
Com mais de quatro décadas de carreira e mais de 130 composições, Paulo Onça se destacou muito além do Amazonas e na Região Norte com seus trabalhos autorais, ao ter canções interpretadas por artistas renomados como Leci Brandão, Jorge Aragão, Exaltasamba, entre outros.
Confira cinco composições em que Paulo Onça participou e se tornaram sucesso por meio das vozes de artistas consagrados:
‘Feitio de Paixão’
“Sem subornar teu coração, com feitio de paixão Farei tudo pra ganhar tua confiança Com a esperança de aprendiz Juro que vou te fazer feliz“
A música ‘Feitio de paixão’, nacionalmente conhecida na voz de Jorge Aragão, é uma composição feita em parceria entre Paulo Onça e Paulinho Carvalho. Esta é uma das canções de Jorge Aragão mais regravadas e também a obra mais tocada do artista nos últimos dez anos em rádios, shows, festas e sonorização ambiental no país.
A canção foi gravada por Jorge Aragão em 1988, sendo uma das primeiras composições de Paulo Onça a ficarem em evidência no cenário nacional.
‘Ivete do Rio ao Rio’
“A grande Rio vem dar um banho de axé Salve! Toda essa gente de fé O tambor da invocada promete Levanta a poeira Ivete”
A música ‘Ivete do Rio ao Rio’ é um samba-enredo da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio para o carnaval de 2017, que homenageou a cantora Ivete Sangalo. A letra da música conta a história da cantora, desde a sua infância no sertão baiano até a sua trajetória musical, incluindo a passagem pela Banda Eva e sua carreira solo. A música também foi regravada posteriormente pela própria Ivete Sangalo
Entre os nomes na composição desta música, além de Paulo Onça, estão: Alan Da Costa De Vasconcelos, Carlos Luiz Lima Rodrigues, Marco Aurelio De Oliveira Damas, Rubens De Andrade Junior, Wanderson Luis Pinto Artigliri. Detalhe, Onça aparece com seu nome de batismo: Paulo Juvêncio De Melo Israel.
‘Cartilha do amor’
“Eu bem quis acertar fiz de tudo pra ver O jardim florescer nosso amor perfumar Mas quem dera se a paz de repente pudesse voltar E abraçar tudo aquilo de bom que ainda restou Foram tantas lições….é a prova geral Na cartilha do amor não se pode ser colegial”
Conhece esse trecho? A música ‘Cartilha do Amor’, escrita por Paulo Onça e Royce do Cavaco, conquistou o cenário nacional ao ser gravada pelo grupo Exaltasamba. Com uma letra que aborda de forma sensível e madura os desafios da vida a dois, a canção se destacou por sua mensagem direta e emocional, estando presente no álbum ‘Eterno Amanhecer’, de 1992.
‘É melhor refletir’
“Dá pra notar no teu olhar Má impressão ficou de um amor assim Foi um vendaval, mal deu pra desfrutar Daquele amor que foi total, o que sobrou fez tanto mal Não sei se errei, mas eu sei Que tenho meu valor Não há motivo pra tanto rancor”
‘É melhor refletir’ surgiu de outra parceria de Paulo Onça com Royce do Cavaco. O samba ficou conhecido nacionalmente na voz da cantora carioca Leci Brandão em 1989. A música está presente no álbum da artista ‘As coisas que mamãe me ensinou’.
Composição em italiano?
“Senza paura consegna sacra Viene a mostrarti intenso desiderato Viene il tempo piu viene Con quel cocktail de belezza”
Além de português, Paulo Onça também se arriscou a compor em italiano. A canção ‘Consegna Sacra‘, gravada pelo grupo Duo Napolitano foi escrita em conjunto com o então desembargador no Amazonas, Flávio Pascharelli, amigo de Paulo Onça, de ancestralidades no país europeu.
O Dia dos Namorados é celebrado no dia 12 de junho no Brasil com muitas declarações de amor eterno. A fidelidade é um dos tópicos que envolvem essa relação, inclusive entre os animais amazônicos. Um exemplo clássico é a arara, que vive sua vida inteira ao lado do mesmo parceiro. Mas existe infidelidade no mundo animal?
Na verdade, o conceito de “infidelidade” entre animais é diferente do sentido humano, pois para eles os sistemas de acasalamento se tratam de estratégias reprodutivas, para manter a espécie, sem necessariamente um vínculo romântico como ocorre entre seres humanos.
Por isso que alguns animais são monogâmicos, sim, mas boa parte segue a vida com múltiplos parceiros, sendo:
poliândricos: união em que uma só fêmea é ligada a dois ou mais machos ao mesmo tempo;
poligínicos: forma de poligamia em que um macho possui duas ou mais parceiras;
promíscuos: indivíduo que acasala com múltiplos parceiros.
Assim, na Amazônia brasileira, muitos animais não seguem relações monogâmicas e acabam conhecidos por sua “infidelidade” que, na verdade, trata-se de uma estratégia evolutiva comum para aumentar o sucesso da sobrevivência da espécie:
Macaco-prego (Sapajus spp.)
O macaco-prego é um desses animais “infiéis”, pois seus sistemas de acasalamento são poligínico e promíscuo. As fêmeas acasalam com múltiplos machos durante o cio. Isso pode reduzir infanticídio, pois os machos não sabem quem é o pai.
Com um sistema de acasalamento do tipo promíscuo, tanto machos quanto fêmeas acasalam com múltiplos parceiros ao longo do tempo. A fêmea pode escolher o macho mais forte, mas copula com outros, e o macho vai embora após o acasalamento.
Esta ave tem um comportamento poliândrico. Como a fêmea é maior e mais territorial do que os machos, diferente da maioria das aves, ela acasala com vários machos dentro de seu território. E são eles os que constroem os ninhos e cuidam dos filhotes.
Os botos amazônicos tem o sistema reprodutivo promíscuo, no qual machos e fêmeas acasalam com múltiplos parceiros. Um dos comportamentos interessantes é que os machos competem entre si para conseguir “conquistar” as fêmeas. E a fêmea cria o filhote sozinha por um longo período, de 2 a 3 anos.
Casal percorre fronteiras do Brasil em motocicleta. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
Para celebrar o Dia dos Namorados, Nesta quinta-feira (12), o Grupo Rede Amazônica conta a história do casal paraense Antonino Alves Brito, de 50 anos, e Maria José Brito, de 47 anos. Eles decidiram dar uma pausa na rotina e partir para uma aventura: viajar o Brasil inteiro em uma motocicleta. A parada da vez é o Amapá.
Eles já visitaram nove cidades do Brasil e pretendem percorrer mais de 15 mil quilômetros de fronteira terrestre e 7 mil quilômetros de fronteira marítima.
Maria é nutricionista e Antonino era secretário adjunto de educação na cidade em que morava. Mas, a rotina mudou quando o motociclista decidiu que era hora de juntar a paixão antiga pela estrada, com um projeto diferente e que contribuísse com melhorias para a sociedade.
“Como nós somos do Pará, de Parauapebas, aquilo ficou na minha cabeça. E viajar de moto é interessante porque tá só você, o capacete e a estrada. Então você tem muito tempo para pensar”, disse Antonino.
A jornada do casal iniciou há 12 anos, apenas por diversão. Mas há 6 meses, os dois deram início à expedição ‘Água de fronteiras’, um levantamento sobre a qualidade das águas na fronteira do país. Ao final, um relatório será apresentado na COP30, que acontecerá em Belém este ano.
Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
Quando Maria conheceu Antonino, ele já era um aventureiro das estradas. A mulher embarcou na aventura e seguiu com a criação do projeto em conjunto com o amado, movida pela pesquisa e pelo amor.
“Foi paixão também, por ser companheira dele […] São duas coisas bem importantes, o amor e confiança na pessoa. Isso me fez caminhar junto com ele e fazer esse trabalho, juntos”, disse.
Ele e a companheira se tornaram inseparáveis, enfrentando desafios e desfrutando de momentos incríveis em suas jornadas. Antonino falou que a companhia da esposa é indispensável nos momentos de pesquisa e aventura, o que torna todo o movimento ainda mais especial.
Os dois levam dos lugares onde passam, apenas as memórias um com o outro e as fotografias. As caixas na lateral da moto são o guarda-roupa do casal.
Antonino contou ainda que muitos momentos foram vividos nas estradas. Apesar dos cenários lindos e marcantes como a passagem entre Paraguai e Uruguai, o casal já passou por momentos de sufoco na estrada.
“Passamos por um quase acidente no Nordeste em 2016. Por volta daquelas 18h, difícil de enxergar e chovendo […] muitos animais na pista. E naquele momento nós nos deparamos com três jumentos no meio da pista. Maria teve que gritar pra que eu pudesse despertar. Que eu tava vendo na realidade dois e eram três”, disse.
No Amapá, os aventureiros já visitaram Macapá, a cidade de Amapá, a Vila de Sucuriju, Calçoene, Oiapoque e Serra do Navio. O próximo destino é Santarém, no Pará.
Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
“A gente está gostando muito do estado. É muita riqueza natural, muita água, muita gente interessante para a gente conversar. Nós gostamos muito daqui, muito bacana. É muita área ambiental preservada também. Um dos estados da Amazônia Legal que menos foi explorado. Então isso é bem interessante”, disse.
No início da vinda ao estado do Amapá, o motociclista contou que algumas pessoas o desencorajaram. Ele disse que o coração chegou a apertar ao ouvir sobre as dificuldades na estrada.
A gente tem se surpreendido com algumas falas como: “É muito difícil, não vai lá, é muito complicado”. E a gente vai lá e é um negócio diferente, é bacana. A estrada estava tranquila”, explicou.
Em um vídeo, o casal registrou o momento de ida à praia do Goiabal, no município de Calçoene. Nas imagens é possível ver que uma cachoeira se abriu no meio da estrada. O casal fica com receio de atravessar devido à força da água.
Mesmo não sendo da área, casal buscou se especializar em recursos hídricos. Os dois apresentaram o projeto em fevereiro à Universidade do Estado do Pará (Uepa).
Casal segue viagem após visita ao Amapá. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
A Uepa fornece o apoio técnico-científico e orienta as análises hídricas com a utilização dos equipamentos corretos, para que o trabalho seja validado.
“O princípio foi apreensivo, por ser um projeto muito grande, abrangente, mas graças a Deus hoje eu fico muito feliz. Também estou estudando sobre recursos hídricos, fazendo uma especialização e isso está abrindo os olhos cada vez mais sobre a importância que tem a água para todos nós, sobre o nosso meio ambiente, que a gente deve tanto cuidar”, disse Maria.