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Pobres também escravizavam indígenas no Vale do Madeira

Selfridge Jr. mediu a extensão do Rio Madeira, principal afluente do Rio Amazonas. Arte: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O então povoado de Santo Antônio do Rio Madeira — hoje parte de Porto Velho (RO) — localizava-se na margem leste do Rio Madeira, a 661 milhas da foz, segundo medição feita em 1879 sob a supervisão do comandante Thomas Oliver Selfridge Jr. (1836–1924), da Marinha dos Estados Unidos. À frente do navio Enterprise, ele liderava uma missão para investigar e mapear a região amazônica.

“Situados quase inteiramente nos trópicos, os rios Amazonas, Negro e Madeira compõem a mais perfeita rede hidrográfica de qualquer país do mundo”, escreveu Selfridge, que mais tarde se tornaria almirante.

Durante a primeira tentativa de construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, o comandante fez registros detalhados sobre aspectos econômicos, sociais e demográficos da região, que era considerada “escassamente habitada”. De acordo com o censo oficial de 1875, o Pará tinha menos de 12 mil habitantes, o Amazonas cerca de 30 mil e o Mato Grosso, 60 mil. Os dados excluíam a população indígena, que não era contabilizada. Em média, havia apenas um habitante para cada 72 milhas quadradas.

Até a introdução da navegação a vapor no Amazonas, em 1854, a comunicação entre o Pará e o interior era esporádica, feita por pequenos veleiros que levavam até seis meses para completar o percurso.

Segundo Selfridge, apenas 25 anos antes o rio Madeira era povoado quase exclusivamente por “índios selvagens”. Em 1749, uma grande expedição portuguesa foi enviada de Belém rumo às minas de Mato Grosso, pelo rio Guaporé, passando pelo Madeira.

Arte: Divulgação

O ‘Boom’ da borracha e os ‘brasileiros preguiçosos’

O que impulsionou a colonização do Vale do Madeira foi a qualidade superior da borracha nativa e sua crescente demanda mundial. “Com base nas melhores informações que consegui reunir, há atualmente cerca de 12 mil pessoas às margens do Rio Madeira — incluindo portugueses, brasileiros, negros e índios domesticados — todos envolvidos na produção de borracha”, afirmou o comandante.

Selfridge avaliava que dificilmente haveria crescimento populacional se o preço do látex não aumentasse significativamente para “estimular os brasileiros preguiçosos a ampliar sua produção”.

Segundo ele, a ocupação da região se estendia por até 15 milhas a partir do rio, com estradas rudimentares que levavam às seringueiras. Para ampliar a produção, os nativos precisavam adentrar o interior da floresta — o que gerava temor de ataques indígenas e exigia esforços físicos que, nas palavras do comandante, “eram evitados pelo brasileiro indolente”.

Indígenas: cativeiro

Até meados do século 19, a população do Madeira era composta majoritariamente por povos indígenas — especialmente das etnias Mura e Caripuna — que viviam da caça, ainda que esta fosse escassa.

No entanto, a presença dos colonizadores mudou a dinâmica local. Selfridge relata que não eram apenas os investidores, seringalista e donos de embarcavas que tinham o ímpeto escravocrático. Ele afirma que, “em cada cabana de um trabalhador brasileiro, há uma ou mais famílias indígenas que, embora aparentemente livres, realizam tarefas como buscar água e cortar lenha”. Isso revela que também os pobres submetiam indígenas à servidão, em um tipo de cativeiro informal e não legalizado.

O termo “tapuia” era utilizado para se referir a indígenas de etnia desconhecida no Baixo Amazonas, os quais, segundo o comandante, eram “industriosos e inteligentes”. Eram preferidos como tripulantes dos vapores da região, em detrimento de brancos ou negros. “As meninas se destacam como serviçais, são hábeis com a agulha e frequentemente criadas desde a infância nas casas de brasileiros das elites”.

Selfridge descreve os povos originários do Madeira como “muito superiores, em aparência, aos nossos índios norte-americanos”, elogiando sua disposição em adotar os costumes europeus, seu cuidado com a higiene e “a beleza singular das mulheres”.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Aves resgatadas passam por treinamento de voo no Bosque dos Papagaios

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Ao fim do processo, os animais serão entregues ao Ibama. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Compromisso com a restauração do equilíbrio ambiental, o trabalho de reintrodução de animais silvestres à natureza necessita de planejamento. Diante disso, aves resgatadas abrigadas no Bosque dos Papagaios, bairro Paraviana, passam por treinamento de voo, uma das etapas essenciais no processo de reabilitação.

Atualmente, 48 aves estão no equipamento municipal, dentre elas, arara, papagaio, periquito, maitaca, mariana e tucano. Onze delas passam pelo treinamento, sendo 6 araras e 5 papagaios, com a possibilidade de retorno ao meio ambiente. De acordo com o diretor do bosque, Luciano Ibiapina, a preparação de soltura desses animais garante uma reintegração segura ao ecossistema.

“A preparação de soltura desses animais garante uma reintegração segura ao ecossistema”, disse o diretor do bosque, Luciano Ibiapina. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

“Aves com a musculatura prejudicada passam por treinamento semanalmente aqui no bosque. O objetivo é fortalecer os músculos das asas para sustentar o corpo do animal durante voos longos. A gente tem aves que já recuperaram 50% da capacidade de voo e a meta é atingir 100% para que estejam prontos para soltura no fim do ano, reintegrando-os de forma eficiente e sem intercorrências”, disse.

Ao término do treinamento, os animais são entregues ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Com isso, os profissionais mapeiam e programam a reintegração das aves aptas a retornarem para a natureza.

O treinamento de voo é uma das etapas essenciais de reabilitação. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Funcionamento do Bosque dos Papagaios

Com exceção das segundas-feiras, feriados e pontos facultativos, o horário de funcionamento do bosque é das 8h às 18h em dias úteis. Aos fins de semana, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Vale ressaltar que no local não é permitido entrar com animais domésticos, alimentar os animais, entrar com bebida alcoólica, consumir alimentos nas trilhas, fumar e descartar resíduos de forma irregular.

O bosque funciona de terça à domingo, em horário comercial. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Passaporte Parintins guia visitantes para conhecerem principais pontos turísticos da cidade

Passaporte Parintins. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

A disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido no Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, atrai milhares de pessoas que buscam conhecer de perto a festa popular. Mas muito além do Bumbódromo, a principal atração da festa, por se tratar do local onde a disputa ocorre, Parintins possui uma rota turística rica e cheia de atrativos.

📲 Acompanhe os especiais do Portal Amazônia no Festival de Parintins

Passaporte Parintins. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Passaporte Parintins. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Foi pensando em como fazer o turista, ou até mesmo o parintinense, conhecer outros locais da cidade, que foi criado o ‘Passaporte Parintins‘, disponibilizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur).

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A ação acontece na Estação do Turismo, instalada no complexo Turistódromo, na Avenida Amazonas, em frente a praça da Catedral Nossa Senhora do Carmo.

“Mais um ano que desembarcamos na ilha e, para esse ano, estamos com a Estação do Turismo e contamos com 20 parceiros do Governo do Amazonas, para acolher o visitante que chega, como o Procon, o Cetam, entre outros. E para ele ano é claro que temos também o nosso queridinho, o tão esperado passaporte. São oito pontos que o visitante precisa ir, pegar o carimbo e retornar ao turistódromo pra pegar o brinde”, comenta a vice-presidente da Amazonastur, Laena Porto. A ação também conta com a parceria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Circuito 2025

Na edição de 2025, a entrega começou no dia 26 e segue até dia 29. O Passaporte indica os principais atrativos turísticos da cidade e, por meio de carimbos personalizados, o público faz o percurso os coletando, para no fim receber um brinde.

Passaporte Parintins. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

O circuito deste ano inclui:

  • Estação do Turismo,
  • Bumbódromo,
  • Catedral de Nossa Senhora do Carmo,
  • Praça Digital,
  • Mercado Municipal Leopoldo Neves,
  • Universidade do Estado do Amazonas (UEA/Estande),
  • Panavueiro Fest
  • e Porto da cidade.
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

A primeira parada do circuito é no próprio complexo, onde o turista pode retirar o primeiro carimbo na Estação do Turismo, espaço de atendimento bilíngue da Amazonastur, que conta com serviços como foto personalizada, totem de informação turística e distribuição gratuita de materiais promocionais.

Na praça o visitante também encontra a Catedral de Nossa Senhora do Carmo (na Avenida Amazonas, s/n – Centro) e no entorno também estão o estande da UEA e o Panavueiro Fest (na Avenida Clarindo Chaves, ao lado da Catedral).

Outro atrativo próximo é o Mercado Municipal Leopoldo Neves (na rua Benjamin da Silva – Centro) e, ao lado, a Praça Digital Cristo Redentor (na rua Caetano Prestes, 1 – Centro). Próximo destes está o Porto da cidade.

Por fim, o roteiro encerra no Bumbódromo (na avenida Nações Unidas, s/n – Centro). Depois de pegar todos os carimbos, o visitante deve retornar ao Turistódromo para retirar seu brinde exclusivo.

Brindes. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Lembrando que a distribuição do Passaporte Parintins segue até domingo (29/06) com quantidade limitada, sendo de 9h30 e 14h30. Já no domingo, somente às 9h30h.

Confira o trajeto: Veja quais pontos fazem parte do Passaporte Parintins em 2025; Fotos

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Veja quais pontos fazem parte do Passaporte Parintins em 2025; Fotos

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

A disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido no Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, atrai milhares de pessoas que buscam conhecer de perto a festa popular. Mas muito além do Bumbódromo, a principal atração da festa, por se tratar do local onde a disputa ocorre, Parintins possui uma rota turística rica e cheia de atrativos.

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Pensando em como fazer o turista, ou até mesmo o parintinense, conhecer outros locais da cidade, que foi criado o ‘Passaporte Parintins’, disponibilizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur).

Na edição de 2025, a entrega começou no dia 26, na Estação do Turismo, instalada no complexo Turistódromo, na Avenida Amazonas, em frente a praça da Catedral Nossa Senhora do Carmo.

O Passaporte indica os principais atrativos turísticos da cidade e, por meio de carimbos personalizados, o público faz o percurso os coletando, para no fim receber um brinde.

O circuito deste ano inclui:

  • Estação do Turismo,
  • Bumbódromo,
  • Catedral de Nossa Senhora do Carmo,
  • Praça Digital,
  • Mercado Municipal Leopoldo Neves,
  • Universidade do Estado do Amazonas (UEA/Estande),
  • Panavueiro Fest
  • e Porto da cidade.

A distribuição do Passaporte Parintins segue até domingo (29/06) com quantidade limitada, sendo de 9h30 e 14h30. Já no domingo, somente às 9h30h.

Confira os pontos selecionados para este ano no percurso:

Depois de pegar o Passaporte Parintins, que já vem carimbado com o Turistódromo, o público pode iniciar o percurso por onde achar melhor. Um dos pontos é a Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Não muito longe é possível encontrar três pontos próximos: o primeiro deles é a Praça Digital. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Bem ao lado, o segundo local é o Mercado Municipal. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
O terceiro ponto pegando esta rota é o Porto. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Voltando, o estande da UEA fica ao lado da Catedral. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
E “colado” à UEA é possível pegar o carimbo na área do Panavueiro Fest. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Nesta rota, o último local foi o Bumbódromo. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Ao retornar para o Turistódromo e entregar o Passaporte na Estação do Turismo, se recebe o carimbo final, validando para a escolha do brinde. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Brindes são entregues no fim do roteiro após a validação de todos os carimbos. O público escolhe o que gostar mais. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Estande abre para a distribuição do Passaporte Parintins 9h30 e 14h30. Já no domingo (29), somente às 9h30. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Festival de Parintins 2025: ‘Toada do Milton’ abre programação exaltando a população parintinense

Fotos: Daniel Brito e Jacqueline Nascimento/UEA

Ao lado da Catedral de Nossa Senhora do Carmo e do Bumbódromo – os dois maiores templos religiosos e culturais de Parintins –, o estúdio de vidro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) iniciou, nesta quinta-feira (26/6), a transmissão, ao vivo, do programa “Toada do Milton”. A revista eletrônica comandada pelo artista Milton Cunha será exibida até domingo (29/6), pelo canal oficial da UEA, no YouTube, das 14h30 às 18h30.

Leia também: Projeto ‘Parintins para o mundo ver’ conta com transmissão do Amazon Sat; veja a programação

Além das redes sociais da UEA, o público poderá acompanhar o programa pelo canal do Amazon Sat e Portal Amazônia, que transmitirão, na integra, a revista eletrônica para o Amazonas e mais outros quatros estados: Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Boa Vista (RR). O portal G1 Amazonas também fará a exibição do “Toada do Milton”.

O start do programa foi dado pelo reitor da UEA, prof. Dr. André Luiz Nunes Zogahib, que participou da abertura, por vídeo, diretamente de Londres. Em seguida, o secretário de Cultura do Amazonas, Caio André, confirmou a presença no estúdio da UEA para falar da grandiosa produção para o festival de Parintins e, também, parabenizar a universidade por mais essa ação que contribui para difundir e fortalecer a cultura do Amazonas.

“É com muita honra que anunciamos a presença do artista Milton Cunha que, além de carnavalesco e comunicador, é pesquisador do Laboratório de Estudos do Discurso, Imagem e Som (Labedis), motivo pelo qual foi escolhido pela UEA para colaborar com esse projeto acadêmico. Então, como acadêmico e bolsista da UEA na categoria extensionista visitante, Milton Cunha está presente nesse grande movimento festivo e cultural que é o Festival de Parintins.”, completou André Zogahib.

Leia também: Milton Cunha celebra cultura popular amazonense durante o Festival de Parintins

Projeto acadêmico

O programa “Toada do Milton”, além de ser uma ferramenta que mostrará a importância do ensino, pesquisa e extensão universitária no cotidiano do festival, destacará a produção e difusão da cultura e do conhecimento e expressão folclórica da universidade para a região Norte, por meio de um grande pesquisador. Servirá como base para a produção do terceiro pós-doutorado de Milton Cunha, pelo Museu Nacional e Laboratório de Estudos do Discurso Imagem e Som (Labedis).

No escopo das atividades do projeto, a UEA, por meio de sua Editora, produzirá uma obra a partir dos discursos, imagens e sons captadas durante o programa. O livro, que será parte do terceiro pós-doutorado de Milton, terá como título: “Opera Cabocla: narrativas dos bumbás Caprichoso e Garantido”, a ser lançado ainda em 2025.

Programa “Toada do Milton”

A atração conta com diversos quadros que foram pensados para regionalizar as entrevistas e transportar os convidados a uma viagem na história dos bumbás Caprichoso e Garantido, além de outros setores da cultura Tupinambarana.

Milton Cunha receberá os convidados em um estúdio que foi pensado para que, além dos telespectadores do canal, os visitantes da ilha também possam acompanhar, de perto, vivenciando o clima de festividade que invade Parintins no mês de junho e que, agora, fará parte do programa “Toada do Milton”.

O projeto Parintins de 2025 marca a presença da UEA, com expressão nacional, a partir da participação de Milton Cunha, ícone da cultura nacional e um estudioso das festas populares do Brasil.

Conheça alguns dos quadros que dão o tom irreverente e amazônico ao “Toada do Milton”: “Estouro da Boiada“, “Miolo dos Bois“, “Tô Brocado“, “Berrante Histórico“, “Mugido do Boi“, “Mecenas“, “Acredite Se Quiser“, “Criador e Criatura“ e “Universidade Cabocla“.

Assista o primeiro:

Editora UEA

No primeiro dia do “Toada do Milton”, a UEA lançou a história da cunhã Isabelle Nogueira. Em outra, a obra celebra o legado das lendas do boi Caprichoso. Na história, Cunhã sai de uma sala de aula e embarca, com seus amigos Manu e Gerson, sua mãe Jaqueline e a arara Jackson, em uma viagem de barco rumo ao Festival de Parintins. Pelo caminho, o grupo vive aventuras que celebram os mitos, os saberes do povo da floresta e os encantos da Amazônia, em uma narrativa que mescla coragem, fantasia e tradição.

Com ilustrações marcantes e linguagem acessível, a HQ busca dialogar com leitores de todas as idades, despertando o interesse pelas raízes culturais da região, por meio de uma estética cuidadosa que transporta o leitor para a Parintins, a Ilha da Magia.

Do lado azul, a Editora UEA também apresentou a obra organizada por Diego Omar, professor da UEA, além de Thayron Rangel e Roberto Sena. O livro é resultado de trabalho iniciado no Centro de Documentação e Memória do Boi-bumbá Caprichoso. A obra reúne, em palavras e imagens, as lendas que encantaram o público nas apresentações do Caprichoso no Festival de 1996, resgatando parte essencial do legado artístico e da memória cultural amazônica.

*Com informações da UEA

3 cursos no Liceu de Parintins que incentivam artistas no Festival Folclórico

3 cursos no Liceu de Parintins que incentivam artistas. Arte: Jorel Carter

Localizado no Centro Cultural de Parintins – Bumbódromo, o Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro incentiva a arte e o legado dos parintinenses para o mundo. O local recebe o embate anual entre Caprichoso e Garantido, mas também é a casa em que muitos artistas se formam.

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Esta é a primeira unidade do liceu mantida pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, fora da capital Manaus.

Segundo o turismólogo do Liceu Parintins, Jair Almeida, em pouco mais de uma década o liceu já transformou a realidade dos parintinenses, pois investe na formação de toda uma geração que mantém viva a chama dos bois-bumbás. Confira alguns dos cursos mais procurados oferecidos pela escola de artes:

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3 cursos no Liceu de Parintins que incentivam artistas. Arte: Jorel Carter
3 cursos no Liceu de Parintins que incentivam artistas. Arte: Jorel Carter

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Kaçauerés e paikicés: as “formigas humanas” do Festival de Parintins

Fotos: Reprodução/Sites oficiais

Paikicés e Kaçaurés são os nomes dados aos trabalhadores responsáveis por mover as gigantescas alegorias do Festival Folclórico de Parintins dos bois Caprichoso e Garantido, respectivamente. Embora pouco reconhecidos, esses homens são essenciais para a magia que se desenha na arena do Bumbódromo.

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No boi Garantido, esses trabalhadores são chamados de Kaçauerés, termo que vem da língua Nheengatu e significa ‘formiga’. Já no boi Caprichoso, eles recebem o nome de Paikicés, palavra de origem Munduruku que pode ser traduzida como ‘formiga de fogo’. 

Ambas as denominações remetem a imagem da formiga por um motivo especial: assim como os insetos são capazes de carregar objetos muito maiores que seu próprio corpo, os trabalhadores movimentam as imensas estruturas cenográficas que encantam o público durante as apresentações.

Kaçauerés trabalhando no translado de alegorias. Foto: Reprodução/Facebook-Boi Garantido

O termo e a função surgiram oficialmente em 1990, quando a complexidade das alegorias cresceu e se tornou necessário organizar um grupo específico para o translado dessas estruturas. Hoje, mais de 100 homens se inscrevem, com cerca de um mês de antecedência, para atuar na função.

Apesar de não serem considerados itens oficiais da disputa, os Kaçauerés e Paikiscs são parte vital do item 16,  alegoria, garantindo que tudo esteja posicionado no tempo e local certos, e do item 21, pois além de tudo são responsáveis por manter a organização do Conjunto Folclórico.

Paikicés trabalhando no translado de alegorias. Fotos: Arleison Cruz/Site oficial Boi Caprichoso




Parintins vive a emoção das filas: torcedores enfrentam sol para garantir lugar no espetáculo

Fotos: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Com o calor da Amazônia, o som das toadas e o espírito do Festival Folclórico de Parintins no ar, as filas para a galera dos bois Caprichoso e Garantido voltaram a se formar oficialmente nesta sexta-feira (27), após liberação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM). A espera, para muitos, é sinônimo de paixão, resistência e entrega total à tradição que move a ilha Tupinambarana.

Leia também: Primeiros da fila: torcedores se organizam para conseguir lugar na Galera do Festival de Parintins

Do lado azul

A fila azulada ganhou vida com a presença de Juliangela Souza, de 48 anos, que há mais de três décadas acompanha o Festival e, há mais de dez anos, participa da galera do Caprichoso. Na cidade desde o dia 17, ela não esconde a emoção e a devoção pelo boi da estrela na testa.

“Cheguei dia 12 em Parintins, e tô aqui na fila desde o dia 17. Isso aqui é a minha vida. Podem me chamar de louca, mas sou louca pelo Caprichoso. Há 31 anos brinco boi e sempre torcendo por esse preto perfeito. Não tem palavra pra definir esse amor”, declarou, emocionada.

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Parintins vive a emoção das filas
Juliangela Souza conseguiu a tão sonhada vaga na fila da primeira noite do Festival de Parintins. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Mais atrás, entre os quase 200 torcedores que já ocupavam o espaço, estava o mineiro Nathan Lopes, analista de sistemas que hoje trabalha em Manaus e decidiu realizar o sonho de assistir ao Festival pela primeira vez.

“Sempre gostei da cultura popular, das tradições brasileiras. Desde que me mudei pro Amazonas, em 2023, escolhi o Caprichoso como meu boi. Hoje, tô aqui, enfrentando o calor, mas feliz por viver essa experiência”.

Nathan também garantiu uma vaga no Bumbódromo. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Do lado vermelho

Do outro lado da disputa, a vibração da galera do Boi Garantido também tomou conta da fila vermelha. Entre cantos, bandeiras e muita animação, Vitória Santos se destacou pelo entusiasmo e pelo amor declarado ao boi do coração na testa.

“Todo ano eu venho. Se eu não vier, eu passo mal, fico até com febre! O Garantido é acolhimento, é carinho, é emoção. Vale a pena enfrentar tudo pra sentir essa energia. A gente ama mesmo”, disse a jovem, que aguardava com um grupo de amigos.

Vitória se emociona ao falar sobre o Garantido. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Na mesma sintonia, a aposentada Edna Magalhães, torcedora fervorosa do Garantido, não mediu palavras para expressar o sentimento. “Pode me chamar de masoquista, eu gosto é de sofrer pelo meu boi! Vou ficar o dia inteiro nesse sol porque isso me fortalece, me dá energia. O Garantido é amor demais!”, disse, rindo.

Ela também comentou sobre a reestruturação da fila, após intervenção do MP-AM, que retirou as formações anteriores e estabeleceu novos critérios de acesso.

“Achei necessário, porque tem gente que vem só pra vender lugar. Mas ainda precisa melhorar. Podia ter pulseira, organização melhor, pra gente não passar 12, 14 horas aqui. Mas tá valendo, o importante é ver o Garantido brilhar”, sugeriu.

Edna contagiava pessoas próximas a ela. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Mesmo com os ajustes, a expectativa para a primeira noite de apresentações é alta dos dois lados. A emoção compartilhada entre Caprichoso e Garantido transcende rivalidade: une os brincantes em um só sentimento de pertencimento e paixão.

Água para os brincantes

Durante os três dias do Festival Folclórico de Parintins, a Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), em parceria com o Governo do Estado, promove a ação “Água nas Torcidas” para garantir a hidratação do público que enfrenta as longas horas de espera sob o forte calor da Ilha Tupinambarana.

Entrega de água para os brincantes. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Coordenada por Marcus Pelodan, a iniciativa prevê a distribuição de 100 mil copos de água por dia nas filas das torcidas dos bois Caprichoso e Garantido.

“A Cosama vem atuando para minimizar os impactos do calor intenso que faz aqui em Parintins. Sabemos que as filas começam a entrar apenas às 18h, então nosso papel é garantir o acesso à água de qualidade, oferecendo hidratação tanto para os turistas quanto para os brincantes e moradores”, explicou Pelodan.

A ação reforça o compromisso do Governo do Amazonas em oferecer mais conforto e segurança para quem participa da maior festa folclórica do estado, que atrai milhares de pessoas todos os anos.

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Rituais indígenas: descubra 6 personalidades que já vivenciaram experiências com povos originários

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Alok durante ritual indígena. Foto: Reprodução/ Youtube Brasil Filmes

Os rituais indígenas são práticas ancestrais que fazem parte da cultura e da espiritualidade dos povos originários. Esses ritos são cerimônias que expressam a relação dos indígenas com a natureza, e que marcam a mudança de um indivíduo ou de um grupo de uma situação social para outra. Muitos desses rituais estão relacionados às mudanças de estações, como por exemplo os ritos de iniciação, os ritos matrimoniais, os funerais e outros.

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Eles muitas vezes contam ou recriam um mito, promovendo uma espécie de retorno a um tempo onde os seres humanos, animais e plantas se comunicavam entre si. As populações indígenas acreditam que esta comunicação deve se dar de maneira mediada e é indispensável para a produção de pessoas e da própria sociedade. 

Com toda a força cultural e espiritual que envolve os rituais, muitas pessoas buscam por eles, seja pela curiosidade quanto pela busca de conhecimento. Inclusive alguns artistas, tanto brasileiros quanto internacionais, já participaram de alguns desses ritos. Confira:

Fábio Assunção

Durante o Carnaval de 2019, o ator Fábio Assunção optou por um retiro espiritual na aldeia Morada Nova, do povo Shanenawa, localizada no Acre. Conhecida por receber pessoas em busca de cura, especialmente aquelas que enfrentam dependência química, a aldeia se tornou um ponto de referência para práticas tradicionais de saúde e espiritualidade indígena.

Na ocasião, Fábio participou de um ritual de purificação conduzido pelos próprios Shanenawa. O tratamento é realizado com o uso do chá de ayahuasca, bebida ancestral também conhecida como Santo Daime, e envolve experiências sensoriais intensas provocadas por suas propriedades alucinógenas.

Para os indígenas, a ayahuasca tem poder de cura tanto para doenças físicas, como câncer e barriga d’água, quanto para distúrbios psíquicos, como depressão e dependência química.

Leia também: Xamanismo na Amazônia: indígenas esclarecem dúvidas e como lidam com popularidade do tema

Foto: Reprodução

Alok 

Em 2021, o DJ Alok se aventurou em uma difícil jornada até a tribo Yawanawá, localizada na aldeia Mutum, no coração da Floresta Amazônica. A comunidade indígena fica localizada em uma região de difícil acesso e a viagem até lá dura cerca de 8 horas de voadeira (tipo de embarcação amazônica). 

O vídeo publicado no canal do Youtube da Brasil Filmes, acompanha o artista na que para ele “foi a melhor jornada da sua vida’’. A viagem, que até então era apenas de trabalho, tornou-se uma verdadeira imersão cultural, em que o DJ participou do ritual Ayahuasca e do ritual de Kambô. 

O ritual do Kambô é realizado com o objetivo de promover a limpeza do organismo, nele a toxina de uma perereca é retirada e aplicada em pequenas queimaduras na pele geralmente feitas nos braços ou nas pernas. Após a aplicação a pessoa apresenta reações como vermelhidão, náuseas, vômitos e até desmaios. 

O artista, ao recobrar a consciência, descreveu a experiência como uma sensação de quase morte. 

Leia também: Com representantes do Acre, Alok lança álbum que exalta sonoridade indígena brasileira

Rituais
Alok durante ritual indígena. Foto: Reprodução/ Youtube Brasil Filmes

Gretchen

O terceiro casamento da cantora Gretchen, com Esdras de Souza, contou com um ritual indígena realizado na Ilha do Marajó, no Pará. O ritual de pajelança aconteceu com a autorização de entidades espirituais que guiam o pajé responsável pela cerimônia. 

A pajelança é um ritual realizado em busca de proteção e cura, muitas vezes visa limpar o ambiente do mal ou proteger os indivíduos de influências negativas. No ritual, o pajé bebe uma espécie de bebida afrodisíaca, conhecida como tafiá, e evoca espíritos de ancestrais ou de animais da floresta. 

Casamento de Gretchen na Pajelança. Foto: Reprodução/ Instagram-Gretchen

Lana Del Rey

Em sua passagem pelo Brasil em 2023, a cantora Lana Del Rey visitou a comunidade indígena Tatuyo, em Manaus, e participou de um ritual com dança.

O ritual, também conhecido como Maloca do Tuchaua Pinot, é uma apresentação de aproximadamente 40 minutos que celebra festas de colheita, caça e pesca e inclui a participação de visitantes.

Leia também: Lana Del Rey dança em comunidade indígena na Amazônia; assista

Lana Del Rey participando do ritual de dança. Foto: Reprodução/ Instagram Cunhã Poranga.

Ed Staford 

O aventureiro e explorador britânico Ed Stafford, em sua passagem pelo Amazonas, participou do ritual da Tucandeira na aldeia Ponta Alegre, localizada na região do Rio Andirá.  

Ed é conhecido por entrar para o Livro dos Recordes – o Guinness – como a primeira pessoa a andar por toda a extensão do Rio Amazonas. Além disso, ele apresenta programas nos canais fechados.

O ritual da Tucandeira é uma cerimônia ancestral que simboliza a passagem dos meninos para a vida adulta. Mais do que um simples desafio físico, o rito é um verdadeiro teste de coragem, resistência e força espiritual, já que durante a iniciação, os jovens vestem luvas feitas de palha ou folhas, onde são colocadas dezenas de formigas tucandeiras e com as mãos enluvadas, eles devem suportar a dor por aproximadamente 15 minutos, sem demonstrar fraqueza.

Foto: Reprodução/Barreirinha em Destaque

Segundo a tradição Sateré-Mawé, as picadas funcionam como uma forma de imunização natural, protegendo o corpo e fortalecendo o espírito.

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Richard Rasmussen 

Em 2011, o biólogo e apresentador brasileiro Richard Rasmussen também participou do ritual da Tucandeira. Em vídeo publicado em seu canal do Youtube, Richard compartilha como foi vivenciar a experiência mais dolorosa de sua vida, na tribo Sateré Mawé, nas proximidades de Manaus.

Rituais
Richard durante ritual da tucandeira. Foto: Reprodução/ Instagram-Richard Rasmussen

Na tribo Sateré, os indígenas homens começam a praticar o ritual aos 8 anos e seguem até o casamento. As crianças não são obrigadas, porém ao realizarem o ritual pela primeira vez tem a obrigação de realizá-lo até o casamento como um sinal de respeito.

Após o ritual, o biólogo foi encaminhado ao hospital onde passou por exames e fez uso de medicações para dor. 

Tacacá doce ou salgado? Em Parintins, banca conquista rivais dos bois com receita ‘neutra’

Entre o vermelho e o azul, tradição familiar mantém receita que agrada todos os gostos. Foto: Matheus Castro, Rede Amazônica AM

Em Parintins, a rivalidade não fica só entre os bois Caprichoso e Garantido. Ela ultrapassa o Bumbódromo e invade a feira, o porto, as conversas de calçada — e até a cuia de tacacá. Por lá, a tradicional iguaria amazônica — que leva jambu, camarão, goma e tucupi — ganha versões que despertam debates: tem quem prefira o tacacá salgado, puxado no alho e no tucupi concentrado, e quem defenda com fervor o tacacá mais adocicado.

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No meio dessa disputa culinária, há quem prefira não tomar partido. É o caso do seu Manoel Garcia, servidor público e vendedor de tacacá no porto da cidade. Há mais de 40 anos, ele serve o caldo quente, acompanhado de goma e jambu, com uma receita que resiste ao tempo — e aos gostos variados.

“Meu tacacá é neutro. Não puxa pra doce, nem pra salgado. Vai bem com todo mundo”, diz seu Manoel, entre uma cuia e outra, sob o olhar atento de uma das filhas, que já aprende o ofício. A tradição, ali, é passada de pai para filho, como uma herança viva da cidade.

“Nós começamos aqui com a minha mãe e estamos aqui há muito tempo. Hoje, tenho minha esposa ao meu lado, além da minha filha e netos. O nosso segredo é tratar o nosso cliente com respeito e atender a todos sem distinção nenhuma — seja Caprichoso ou Garantido, seja quem gosta de tacacá doce ou salgado”.

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Entre cuias, histórias e gerações, banca de tacacá conquista paladares sem entrar na disputa dos bois. Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

A neutralidade no tempero não significa falta de sabor. Pelo contrário: o equilíbrio conquistado ao longo das décadas atrai moradores e turistas que querem provar um tacacá raiz, feito com respeito aos ingredientes e à história local.

“O segredo está no tucupi, sumo extraído da mandioca. Aqui, ele não é azedo nem adocicado. E isso também vem do fornecedor. Temos o mesmo fornecedor há muito tempo, o que colabora para mantermos a nossa tradição. Mas, para quem quer algo mais adocicado, nós também fornecemos adoçante. E tem muita gente que pede”, ressaltou.

Em tempos de festival, quando Parintins pulsa em ritmo acelerado e tudo parece ser azul ou vermelho, é na banca do seu Manoel que muita gente encontra um ponto de paz — e um tacacá que une, em vez de dividir. Ele até tem cadeiras para ambos os públicos.

E, olha, tem gente que chega na ilha e já desembarca pensando no caldo. A aposentada Luzia Araújo chegou na ilha nesta segunda (23) e já visitou a banca do seu Manoel.

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“Eu vinha no barco pensando nisso, pensando nesse tacacá maravilhoso. E assim que desembarcamos, deixei a mala no hotel e vim tomar. Eu amo isso aqui”, falou.

O pensamento foi o mesmo do funcionário público Sandro Teixeira. “Eu já conhecia esse tacacá porque já tomei outras vezes quando vim à cidade, e cheguei pensando nele. Descemos da lancha e já viemos tomar”, finalizou.

Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM