Imersão na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, em 2024, foi um passo para a realização do mapeamento das bioindústrias. Foto: Divulgação
Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais (PPGCFA), da Universidade Federal do Tocantins (UFT), participam de um projeto para fortalecer a bioeconomia na Amazônia Legal. A iniciativa é resultado de uma cooperação técnica firmada em 2024 entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
O projeto mapeia indústrias que atuam na região com foco em bioprodutos, extrativismo, agricultura familiar, tecnologias verdes e insumos naturais.
Ao longo do processo, foram identificados cerca de 11 mil empreendimentos nos nove estados da Amazônia Legal, revelando a diversidade das cadeias produtivas da sociobiodiversidade, além de lacunas e oportunidades estratégicas para impulsionar a bioeconomia regional.
Na primeira fase, a equipe reuniu dados secundários. Agora, a pesquisa entra na etapa de coleta de dados primários, diretamente com os empreendedores.
Essa fase é essencial para refinar o diagnóstico, com informações sobre produtos, processos produtivos, desafios como acesso a crédito e infraestrutura e potencialidades locais.
O mestrando Gustavo Ferreira Amaral, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais, destacou o papel da Universidade na iniciativa.
“A Universidade Federal do Tocantins tem um papel central nesse processo, não apenas por ser uma instituição de ensino e pesquisa, mas por ser um dos pilares do ecossistema de ciência, tecnologia e inovação voltado à bioeconomia no estado. A UFT forma profissionais, desenvolve tecnologias, abriga incubadoras e é ponte entre o conhecimento científico e a realidade das comunidades e empreendimentos locais protagonizados por mulheres, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultura familiar”, afirmou.
Gustavo também destacou a importância da atuação da universidade em iniciativas que contribuem para modelos de desenvolvimento mais sustentáveis:
“Projetos como este mostram como a universidade pode e deve ser protagonista na transição para modelos de desenvolvimento mais sustentáveis e inclusivos, especialmente em territórios como o Tocantins, que estão entre biomas estratégicos e guardam uma biodiversidade única. Participar dessa iniciativa tem sido uma experiência transformadora e reafirma o potencial que temos em construir soluções a partir da própria Amazônia Legal”.
Fotografia aérea da usina de biometano de Manaus. Foto: CTTR Amazônia
Capital do estado do Amazonas, Manaus,é uma das cidades brasileiras que mais gera resíduos sólidos, com uma produção diária de 1 kg por habitante. Segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o problema do lixo não é exclusivo do município amazonense mais populoso: o estado como um todo apresenta um dos maiores índices de uso de lixões, com quase 92% de suas cidades descartando seus detritos dessa forma. Em estados como São Paulo e Santa Catarina, a taxa não chega a 3%.
A prática resulta em um acúmulo de resíduos poluentes que, além de criar problemas socioeconômicos e logísticos, contamina o solo em territórios amazônicos, acendendo diversos alertas ambientais.
A transição energética, agora, pode ter a solução.
Atualmente, o mesmo lixo que preocupa especialistas no Amazonas pode se tornar um importante aliado na corrida nacional contra as emissões poluentes, graças à futura operação do Centro de Tratamento e Transformação de Resíduos (CTTR) Amazonas. Com estrutura inaugurada em 2024, o CTTR de Manaus é a primeira usina de biometano do estado.
A instalação buscará transformar o material descartado pelo ser humano em biometano, chamado de “gás verde” por seu alto potencial de descarbonização. A captura desse energético gasoso vem da decomposição da matéria orgânica — uma vez coletado, o metano é convertido em biogás, que depois é purificado até chegar em sua versão final. Estima-se que o elemento emita até 2,5 vezes menos CO2 do que o gás natural.
O empreendimento deve iniciar as operações em 2028, data prevista para a transferência da gestão de tratamento dos resíduos para o novo aterro sanitário vinculado ao centro de tratamento. A futura produção diária de gás verde é estimada em 80 mil m³, o suficiente para abastecer 179 mil residências, segundo projeções de representantes do setor. Quando alcançar pleno funcionamento, o centro terá a capacidade de produzir 41 milhões de m³ de biometano por ano.
O biometano e o gás natural têm estruturas moleculares semelhantes, o que os aproxima em termos de infraestrutura de distribuição. Isso torna o gás produzido pelo CTTR um elemento estratégico para os esforços nacionais de descarbonização — uma meta que segue desafiadora. “O metro cúbico de biometano reduz 90% das emissões de gás carbônico caso substitua o gás natural. O número pode ser ainda maior se a substituição envolver o diesel. É uma molécula energética muito valiosa”, diz o economista Gustavo Soares, pós-doutorando na área de Bioenergia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista à Mongabay.
A iniciativa manauara pode atrair a atenção do mundo em 2025. Isso é possível à medida que as discussões sobre transição energética aumentam a meses da COP30, marcada para o próximo mês de novembro em Belém, outra capital do Norte brasileiro. No embalo da cúpula do clima da ONU, a região amazônica pode encontrar caminhos para aliar dois pilares importantes de desenvolvimento: sustentabilidade e soberania energética.
Mas, para atingir esse objetivo, o debate ambiental em fóruns globais deve ser plural, uma vez que “o problema não é só a floresta [amazônica]”, diz Pedro Maranhão, presidente da Abrema.
“O Brasil ainda possui 3 mil lixões [a céu aberto]. São muitas fontes de água contaminadas, em sua maioria pela falta de uma destinação correta do lixo. É preciso que se fale sobre o tratamento de resíduos sólidos e do gás verde”.
Um raio-x do biometano no Amazonas
Os resíduos sólidos são a principal fonte do biometano produzido no Amazonas — mas não a única. Segundo Vinícius Magno, chefe de Energia do Instituto Conecthus, à frente de projetos tecnológicos para impulsionar o desenvolvimento sustentável em Manaus, há outras duas alternativas que podem abastecer o setor de biogás de forma eficiente.
“As vísceras do peixe são uma poderosa matéria-prima para a produção de biometano. Podem ser consideradas o segundo [melhor insumo]”. O engenheiro diz que o estado pode se beneficiar da piscicultura por se destacar nacionalmente no setor. Em 2024, apenas a produção do tambaqui (Colossoma Macropomum), um dos peixes mais tradicionais da Amazônia, superou 17 mil toneladas, de acordo com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam).
O ramo de biogás conta com outro aliado: a cana-de-açúcar. “Os resíduos da indústria açucareira também servem para se produzir biometano e buscar a descarbonização”, diz Magno. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o estado produziu quase 358 mil toneladas de cana somente em 2023. Parte dessa estrutura produtiva está localizada no município de Presidente Figueiredo, a 125 km de Manaus, onde operam empresas do ramo de bebidas alcoólicas. A proximidade entre o pequeno município e a capital poderia facilitar a destinação das sobras de cana para o CTTR.
A matriz energética de Manaus é abastecida primordialmente pelo gás natural produzido em Coari, município que fica a cerca de 363 km. O gás que vai para a capital é levado por um gasoduto — e por ser de fluxo contínuo, não pode ser armazenado.
Magno diz que esse modelo de distribuição traz alguns riscos. “Se houver algum tipo de interrupção na produção em Coari, o gasoduto para. Isso diminui a geração de energia elétrica. O Polo Industrial de Manaus, que precisa de gás natural para funcionar, pode deixar de operar”. A crise desencadeada por um eventual quadro de abastecimento pode ir além da capital: segundo a Agência Amazonas, em 2024 houve um consumo recorde dessa fonte de energia fóssil em todo o estado.
Diante dessa realidade, o engenheiro diz que a produção de biometano pode criar uma solução dupla, aliando práticas de descarbonização a futuras “reservas energéticas de segurança”.
O engenheiro Vinícius Magno, do Instituto Conecthus, no laboratório que estuda o biometano. Foto: Adriana Amâncio
Segundo o especialista, a insegurança energética é ainda maior fora de Manaus. O estado tem 62 municípios e não há um padrão na estrutura de energia — muitos contam com sistemas isolados, o que mantém cidades inteiras sem acesso a linhas de transmissão. Os casos mais críticos são detectados em regiões extremas do território estadual, no norte e no sul. “Cerca de 89% dos municípios amazonenses estão fora do Sistema Elétrico Nacional”, diz Magno. Mais ainda, a maior parte dessas cidades depende da atividade de 121 usinas termelétricas, por sua vez altamente dependentes da queima de combustíveis, como o diesel. Para piorar, essa dinâmica, naturalmente poluente, é afetada em períodos de estiagem.
“Quando os rios secam, é inviável abastecer as termelétricas. Muitos municípios ficam descobertos [de fornecimento elétrico]. Ao mesmo tempo, [esses mesmos locais] produzem resíduos que, se transformados em biometano, podem ajudar a descarbonizar o setor, além de aumentar a confiabilidade energética nessas regiões”, diz Magno.
Apesar das perspectivas positivas, representantes da categoria trazem uma visão pragmática. “Não vamos concorrer com o petróleo. Nós [o setor do biometano] somos parte integrante do processo de transição energética. O biometano é o agente de descarbonização do gás [vindo do] petróleo”, diz Hugo Nery, presidente da Marquise Ambiental, empresa de soluções ambientais responsável pela administração do CTTR.
Para Nery, ainda que o biometano seja uma “excelente alternativa”, o gás verde não poderá, sozinho, tornar-se um agente substituto dos combustíveis fósseis.
Ao menos, por enquanto.
Da coleta do lixo ao processo de distribuição: o caminho do gás verde
A produção do biometano começa com a coleta dos resíduos sólidos. Esse material chega aos aterros ainda misturado, reunindo a matéria orgânica com sobras de papel, metal e plástico. A primeira etapa consiste na separação do que de fato é orgânico — processo fundamental para descontaminar o gás antes de sua distribuição. Essa “limpeza” é necessária à medida que parte dos resíduos pode conter resquícios de medicamentos, inseticidas ou outros produtos químicos contaminantes.
No futuro, o processo pode ser facilitado caso os resíduos cheguem aos aterros já separados, otimizando o tempo, reduzindo custos e potencializando a produção.
Há, no entanto, um longo caminho a ser percorrido. O volume de biometano desejado pelo setor só se tornará viável em 2031, pelo menos três anos após o início das atividades do CTTR. Esse é o período necessário para que a empresa acumule uma quantidade suficiente de biogás a ser convertido em biometano. Concluída essa etapa, é previsto que a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) leve o produto ao cliente final. Em 2025, o centro e a Cigás já discutem a construção de um gasoduto extra que insira o biometano na rede de distribuição que está em funcionamento.
Outros avanços ambientais indiretos são previstos no processo. Além da estrutura produtiva de biogás, a planta de Manaus contará com um sistema de osmose reversa, que transforma o chorume — líquido que resulta da decomposição de matéria orgânica — em água de reúso. “Com o uso de nanotecnologia, o chorume será transformado em água desmineralizada, que pode ser utilizada na limpeza de equipamentos industriais, por exemplo. A usina deve produzir cerca de 1 mil m³ de água de reúso por dia”, diz Thiago Levy, diretor comercial da Marquise Ambiental.
Estrutura do CTTR destinada à água desmineralizada que vem do tratamento do chorume. O líquido escuro que sai do lixo é filtrado por nanotecnologia, gerando água de reúso. Foto: Adriana Amâncio
O que ainda falta para iniciar a produção
Localizado a 40 km da região central de Manaus, o CTTR ocupa uma área de 140 hectares, antes utilizada por uma rede de extração ilegal de areia. Diante dos possíveis impactos ambientais dessa atividade, o terreno passou por um processo de restauração florestal antes do início das obras.
O CTTR já possui licenciamento ambiental para operar. Ainda depende, no entanto, que a prefeitura transfira a administração da coleta de lixo e o tratamento dos resíduos para o aterro sanitário vinculado à usina. Esse aterro, o principal da capital, atingiu o tempo de vida útil em janeiro de 2024, após 40 anos de operação — mas, em vez de ser desativado, conseguiu autorização para operar até 2028.
A assessoria de imprensa da Marquise Ambiental, futura administradora do CTTR, informou que “todas as etapas do processo foram fiscalizadas por técnicos do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), com laudos independentes e pareceres emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas que atestam a legalidade, viabilidade e segurança ambiental do empreendimento”.
Ainda segundo a assessoria, em respeito ao Código Florestal do Brasil, foi estabelecida uma distância de 200 metros entre o perímetro da usina e o Igarapé do Leão, um importante curso hídrico que deságua no Rio Tarumã-Açu, um dos principais afluentes do Rio Negro. O tópico é sensível, uma vez que a construção de estruturas de armazenamento de lixo próximas ao igarapé já foi tema de denúncias por parte do poder público em anos recentes.
A Mongabay entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para entender o que falta para a assinatura do contrato que transfere o tratamento dos resíduos para o aterro da CTTR Amazonas. A reportagem também perguntou se o contrato que confere à prefeitura o direito de administrar os resíduos será cumprido até 2028 — ou se os prazos podem ser modificados, de forma a acelerar o início da produção de biometano.
Já o Ipaam foi questionado sobre os riscos, caso existam, que as obras do CTTR impõem à qualidade da água do igarapé. Até o fechamento deste material, o instituto e a prefeitura não haviam respondido às perguntas enviadas por e-mail.
A Marquise Ambiental, por sua vez, aposta em sua experiência no setor para levar o projeto adiante. A empresa participou da criação da GNR Fortaleza, primeira planta de biometano das regiões Norte e Nordeste. Com sete anos de operação, a unidade localizada na capital cearense é responsável por 31,6% do biometano produzido no Brasil e fornece 15% de todo o gás consumido no estado do Ceará. A produção utiliza os resíduos sólidos vindos de Fortaleza e Caucaia.
Área impermeabilizada da CTTR Amazonas que receberá camadas de argila, depositadas sob os resíduos sólidos. A estrutura é utilizada para evitar que o lixo entre em contato direto com o solo. Foto: Adriana Amâncio
Brasil tem cenário favorável para expandir produção, mas desafios seguem
Segundo o painel dinâmico de produtores de biometano da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, a produção de biogás no Brasil em 2024 foi de 81,5 milhões de m³. Para o economista Gustavo Soares, os números são animadores, sobretudo ao se considerar a vasta biodiversidade e base agrícola sólida do país — cujas sobras podem “alimentar” essa estrutura.
Os setores de etanol, resíduos sólidos e agropecuária estão entre os maiores potenciais fornecedores de matéria-prima para a produção de biometano. No médio prazo, para que a estrutura de biogás se beneficie dessa oferta de resíduos, o investimento em logística e infraestrutura será fundamental para superar desafios, diz Soares.
“Há também um grande potencial [de uso para a indústria de biometano] no esterco animal, considerando a grande população utilizada do Brasil. Os bois, no entanto, estão no pasto, o que gera desafios econômicos e biológicos”.
Para ele, iniciativas de incentivo aos biocombustíveis serão cruciais para a expansão do setor. Entre elas está a RenovaBio. Criada em 2017, a medida se baseia em compromissos climáticos internacionais de redução de gases poluentes e exige que empresas distribuidoras de combustíveis comprem os Créditos de Descarbonização (CBIO). O título corresponde a uma tonelada de carbono que deixa de ser emitida para a atmosfera.
Outra ação com potencial de fomento é o Combustível do Futuro, programa que promove a transição para fontes de energia mais limpas e renováveis. A partir dela, as distribuidoras de combustíveis devem comprar anualmente uma quantidade de biometano suficiente para descarbonizar sua matriz em cerca de 1% — parte de uma meta que busca incorporar 10% de gases verdes ao gás natural disponível no mercado brasileiro.
“O objetivo é descarbonizar o setor de combustíveis fósseis e valorizar a característica ambiental do biometano. Grandes emissores [de gases poluentes], como as indústrias química e siderúrgica, além das empresas [produtoras] de alumínio, serão obrigadas a alcançar uma meta de descarbonização. O biometano é uma excelente alternativa”, diz Soares.
Eficiência energética pode potencializar ganhos do biometano
A adoção de energias renováveis é um passo importante para redução das emissões em escala mundial. Felipe Barcellos, especialista em biometano do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), vai além: para ele, essa tendência pode ser potencializada se for aliada à eficiência energética.
Em resumo, “eficiência energética” significa produzir mais com menos recursos — como iluminar o mesmo número de ambientes de uma casa com menos lâmpadas, consumindo menos eletricidade.
Para Barcellos, essa pode ser a chave para a otimização. “É importante que tanto as usinas que buscam produzir biometano quanto os aparelhos eletrônicos que vão consumir essa energia sejam modelos eficientes — demandando menos biometano [de forma geral]. Esse é o melhor dos mundos: combinar biometano, energia renovável e eficiência energética”.
O pesquisador diz que essas práticas favorecem a cultura de consumo consciente e, no longo prazo, podem reduzir as pequenas emissões que fazem parte do ciclo natural do biometano. “O biometano é um gás verde que tem CO2 de origem neutra. Porém, como todo gás queimado, ele emite outros gases poluentes em pequena quantidade. Com a eficiência energética, esse impacto também pode ser reduzido.”
A reportagem visitou as instalações do CTTR Amazonas a convite da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Adriana Amâncio
Após seis anos de pausa, o Festival Folclórico de Codajás retorna no Amazonas. Nos 1º e 2 de agosto, o município de Codajás se transformou no palco da 12ª edição de um dos mais tradicionais eventos culturais da região. O tema, ‘O resgate e a valorização da cultura popular codajaense’, vai de encontro a busca do evento em 2025: reforçar a identidade cultural local.
A proposta é fortalecer a identidade local por meio da arte, da tradição e da participação ativa da comunidade. O evento conta com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e do Conselho Estadual de Cultura, além de ter apoio do Governo Federal, através da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
Organizado pelo Instituto Puxirum de Educação e Cultura — organização local dedicada à educação, inclusão e valorização da cultura amazônica — e sob a coordenação do produtor cultural Mário Fernando da Silva Santos, o evento conta com novidades, como o 1º Concurso Municipal de Quadrilhas de Bairro.
“Este evento é mais do que uma festa: é um movimento de resistência cultural, um espaço onde os bairros mostram sua força criativa, suas cores, suas vozes. Dessa maneira, reforçamos a importância do puxirum, ou seja, da construção coletiva para fazer cultura no Amazonas”, afirmou Mário Fernando, coordenador geral do projeto.
Fotos: Divulgação
Além de ser um momento importante de celebração cultural, o festival também tem impacto direto na economia local. Para Silvio Barros, coordenador de produção, o evento beneficia diversos setores.
“O festival é importante e necessário, pois além de celebrar nossa cultura popular, ainda movimenta a economia do município de Codajás. É um projeto onde todos ganham: os artistas, os comerciantes e a comunidade”, destacou.
Fotos: Divulgação
Durante os dois dias de festival em 2025, com entrada gratuita, o público acompanha uma programação diversificada, que inclui:
Apresentações das Quadrilhas Juninas Eldorado e Rosa de Anil
Evento precede a 4ª Marcha das Mulheres Indígenas. Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Acervo Agência Brasil
Brasília sedia, entre os dias 4 e 6 de agosto, a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. Com o tema ‘Mulheres Guardiãs do Planeta pela cura da Terra’, o evento tem a expectativa de reunir cerca de 5 mil mulheres indígenas dos seis biomas brasileiros na capital federal. Durante o encontro, serão entregues pelo Governo Federal políticas públicas específicas e diferenciadas com foco nesse público.
A Conferência é coordenada pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e pelo Ministério das Mulheres (MMulheres), e tem o apoio da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA).
As ministras dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e das Mulheres, Márcia Lopes, participam da abertura do evento, na segunda-feira (4), na Tenda da Plenária.
O evento é realizado após sete etapas regionais prévias para ampla consulta e colaboração de mulheres indígenas de todas as regiões do país às políticas públicas propostas.
Durante os três dias de evento, das 9h às 19h, serão realizados debates divididos em cinco eixos temáticos:
Direito e Gestão Territorial,
Emergência Climática,
Políticas Públicas e Violência de Gênero,
Saúde,
e Educação e transmissão de saberes ancestrais para o bem viver.
Ao final, as demandas e propostas das mulheres indígenas participantes serão entregues ao Governo Federal. No encerramento da Conferência, está prevista a entrega de um pacote de políticas públicas com foco nas mulheres indígenas pelo Governo Federal.
A Conferência Nacional das Mulheres Indígenas precede a realização da IV Marcha das Mulheres Indígenas, que será realizada no dia 7 de agosto. Com o lema ‘Nosso corpo, nosso território: somos as guardiãs do planeta’, o movimento pretende ter, como produto final, um plano nacional de políticas públicas para mulheres indígenas. São esperadas pelos menos 5 mil mulheres de cerca de 100 etnias para a marcha até o Congresso Nacional, onde está previsto ato político cultural, às 14h.
A mobilização para a marcha começou neste sábado (2). Este é o maior encontro de mulheres indígenas do Brasil, que ocorre a cada dois anos, em Brasília.
Com programação até 8 de agosto, o evento contará com mesas temáticas e atos públicos, além da Conferência Nacional.
Momento decisivo
Para os organizadores, a marcha ocorre em um momento decisivo, já que o presidente Lula tem até o dia 8 de agosto para sancionar ou vetar o projeto de lei que reduz exigências para o licenciamento ambiental no país. Conhecido como ‘PL da devastação’, a nova Lei de Licenciamento Ambiental pode impactar diretamente povos tradicionais por, entre outros, excluir a participação de órgãos como a Funai em projetos que afetam territórios não homologados.
No centro da marcha há também um apelo por direitos iguais para mulheres indígenas em áreas como saúde, educação e oportunidades econômicas.
Silvana Terena, da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, ressalta que mulheres indígenas que vivem em contexto urbano em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, participarão pela primeira vez da marcha e desejam somar experiências e apresentar reinvindicações com as lideranças que vivem nos territórios.
“A importância de levar a nossa voz, falar das nossas pautas, as nossas necessidades e as nossas representatividades. Essa é a importância desse grande ponto de liderança, as mulheres que representam o nosso Brasil. Nós somos a matriz cultural deste país”, destaca.
A primeira marcha de mulheres indígenas aconteceu em 2019 e reuniu mais de duas mil mulheres de diferentes povos, territórios e biomas. Na última edição, em 2023, mais de seis mil mulheres indígenas se reuniram em Brasília, segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.
Projeto da ponte entre Brasil e Bolívia. Foto: Divulgação/Ministério dos Transportes
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) anunciou que o Consórcio Mamoré venceu a licitação para a construção da ponte binacional que vai ligar Guajará-Mirim (RO) à cidade boliviana de Guayaramerin.
O processo licitatório estava suspenso pelo Tribunal de Contas da União (TCU) desde outubro do ano passado. Segundo o DNIT, o valor da obra foi fixado em R$ 421 milhões.
A licitação, publicada no Diário Oficial da União em novembro de 2023, inclui a elaboração dos projetos básico e executivo, além da construção da ponte, dos acessos e do complexo de fronteira. A estrutura, com 1,22 km de extensão, vai passar sobre o rio Mamoré.
A construção da ponte faz parte de um acordo centenário entre Brasil e Bolívia para a integração dos países, e integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) do Governo Federal.
A assinatura foi feita na sede do Ministério dos Transportes, em Brasília (DF). Estiveram presentes representantes do governo da Bolívia, o prefeito de Guayaramerín e parlamentares de Rondônia.
“Tendo uma empresa vencedora, ela terá a responsabilidade de elaborar o projeto e de, em até seis meses, iniciar as obras. O período previsto para a execução das obras é de 2 anos e meio a 3 anos. É uma obra que vai integrar o desenvolvimento do Norte do Brasil, do Centro-Oeste também, ao desenvolvimento da Bolívia e criar um corredor capaz de chegar ao Chile e ao Peru, que vai ser muito importante para a integração regional”, explica o ministro Renan Filho.
Além da importância estratégica para o Brasil, que passará a contar com um corredor logístico para o oceano Pacífico, a ponte também tem potencial de impulsionar as trocas comerciais com Rondônia.
Da Bolívia, o Brasil poderá importar principalmente lítio, usado em baterias e produtos usados na agricultura, como destacou o ministro de Obras Públicas da Bolívia.
A estrutura terá 1,22 km de extensão sobre o rio Mamoré e integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), com investimento de R$ 421 milhões.
Perguntas frequentes sobre a Ponte Binacional
1. Qual empresa venceu a licitação da ponte entre Brasil e Bolívia?
O Consórcio Mamoré foi o vencedor da licitação para construir a ponte binacional.
2. Qual será o custo total da obra?
O valor da construção foi fixado em R$ 421 milhões, incluindo projeto básico, executivo, acessos e complexo de fronteira.
3. Onde será construída a ponte?
A ponte ligará Guajará-Mirim, em Rondônia (Brasil), à cidade boliviana de Guayaramerín, cruzando o rio Mamoré.
4. Qual é a extensão da ponte?
A estrutura terá 1,22 km de extensão sobre o rio, com previsão de acessos terrestres adicionais.
5. Quando as obras devem começar?
A empresa vencedora tem até seis meses para iniciar as obras após a assinatura do contrato.
6. Qual é o prazo estimado para conclusão?
A previsão é de 2 anos e meio a 3 anos para a conclusão total da ponte.
7. Qual a importância estratégica da ponte?
A ponte criará um corredor logístico entre Brasil, Bolívia, Chile e Peru, facilitando exportações e integração regional.
8. Quais produtos o Brasil poderá importar da Bolívia?
Principalmente lítio, sal para o gado e produtos exóticos agrícolas, segundo o governo boliviano.
9. A obra faz parte de algum programa federal?
Sim, integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) do Governo Federal.
Ilha do Combu. Foto: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias
Durante as férias, conhecer novos lugares é quase um item obrigatório no checklist de qualquer turista. No entanto, quando os visitantes vão embora, é a população local que precisa lidar com o volume de lixo nos pontos turísticos, aumentando pelo descarte irregular de embalagens e outros resíduos.
Com o crescente interesse pelo contato com a natureza e por atividades ao ar livre, destinos com áreas verdes e paisagens naturais têm ganhado destaque nas férias de brasileiros e estrangeiros. De acordo com dados do Ministério do Turismo, em parceria com a Embratur e a Polícia Federal, o Pará recebeu 10.659 turistas internacionais entre janeiro e maio de 2025, um aumento de 27% em relação ao mesmo período de 2024, quando o estado registrou 8.388 visitantes.
Embora o turismo impulsione a economia local, segundo a professora Maria Ludetana Araújo, do Programa de Pós-Graduação em Rede Nacional para o Ensino das Ciências Ambientais (Proficiamb), o aumento no fluxo de visitantes também traz desafios, como superlotação, maior produção de resíduos e impactos negativos ao meio ambiente.
“Parece que o lixo não incomoda ninguém. Nem esteticamente, nem pelo mau cheiro. Mas, quando as chuvas chegam, tudo se mistura. Continuamos de olhos vendados diante da necessidade de uma ação responsável no cuidado com o nosso lixo”, alerta a docente.
O controle e a gestão das atividades ecoturísticas envolvem todos os responsáveis: poder público, empresários, profissionais e o próprio turista. A mudança de comportamento da população é essencial.
“É preciso fiscalização e monitoramento, com a presença de basquetes ou contêineres apropriados nos espaços públicos. Campanhas permanentes com informações simples e claras são fundamentais. É possível formar grupos para implementar composteiras urbanas em locais e alturas que não atraiam animais. As pessoas precisam olhar com mais carinho para os espaços que ocupam e que esperam ser cuidados”, completa Ludetana Araújo.
Diante desse cenário, o ecoturismo se apresenta como uma alternativa sustentável, pois, além de valorizar o patrimônio natural, promove práticas de baixo impacto e respeito às comunidades locais, conciliando lazer com preservação ambiental.
Para Silvia Cruz, professora da Faculdade de Turismo (Factur), do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (Icsa/UFPA), especialista em Turismo Sustentável, qualquer prática ecoturística precisa estar alinhada à educação e à sensibilização, tanto do visitante quanto da comunidade local.
“Os empreendimentos de ecoturismo estabelecem regras, como a não utilização de plásticos, o zoneamento ecológico e econômico da área visitada, o aproveitamento responsável dos recursos naturais e culturais; técnicas de regeneração; monitoramento e controle da capacidade de carga; além de outras atitudes comprometidas com a responsabilidade socioambiental”, explica.
Nesse contexto, o Turismo Comunitário Sustentável (TCS) surge como uma alternativa viável, ao colocar as comunidades locais no centro da atividade turística e buscar gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais.
A proposta alia a preservação ambiental ao fortalecimento de comunidades que dependem do turismo para sobreviver.
“O TCS tem como princípios a sustentabilidade, a participação e as práticas coletivas. É um modelo de gestão administrado por coletivos, como de mulheres, quilombolas, indígenas e ribeirinhos. Sua prática está imbuída dos princípios do desenvolvimento sustentável, da conservação e do uso responsável dos recursos socioambientais. Afinal, sem esses recursos, não há como desenvolver o Turismo Comunitário Sustentável”, conclui a professora.
Onde fazer Turismo Comunitário Sustentável em Belém
Uma mostra em cartaz em São Paulo revela um acervo inédito de fotografias familiares do povo indígena da etnia Paiter Suruí, que vive entre os estados de Rondônia e Mato Grosso.
A exposição ‘Paiter Suruí, Gente de Verdade’ narra a história e o cotidiano desta etnia, ao exibir mais de 900 imagens feitas em sua maioria pelos próprios indígenas desde os anos 1970.
Foi nessa época que as câmeras chegaram ao território da Terra Indígena Sete de Setembro e passaram a ser utilizadas pela população local.
O acervo de fotografias analógicas das famílias indígenas exibido na exposição documenta o dia a dia no território, aniversários, casamentos, batizados e competições esportivas, além dos desafios decorrentes dos contatos com os não indígenas.
A curadora da exposição Lahayda Poma destaca o ineditismo e a beleza do material da mostra, como um grande álbum de família, composto de registros informais e pessoais do povo Paiter Suruí.
As imagens do acervo histórico estavam armazenadas nas casas das famílias, guardadas em álbuns, caixas e estantes das diferentes aldeias do território indígena.
Agora, a história, as tradições, os afetos, o cotidiano e a resistência do povo Paiter Suruí são narrados a partir de seus próprios vídeos e fotografias, reunidos pelo Coletivo Lakapoy, um grupo pioneiro de audiovisual indígena.
A curadora Lahayada conta que a mostra reúne ainda entrevistas, objetos artesanais e fotos contemporâneas. A exposição fica em cartaz no Instituto Moreira Salles, na Avenida Paulista, até 2 de novembro. A entrada é gratuita.
Pai atípico e legislador comprometido com a causa da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o deputado estadual Roberto Cidade (UB), presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), comemorou a entrega do primeiro Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAIC) TEA do Estado.
O CAIC Doutor José Contente, entregue no dia 28 de julho, funciona no bairro Jorge Teixeira, zona Leste, e irá atender de forma 100% gratuita crianças de até 11 anos e 6 meses de idade, de demais zonas da cidade.
Fruto de indicação do parlamentar (Requerimento nº 511/2025), o espaço de inclusão é destinado ao tratamento e acompanhamento de crianças e adolescentes com o transtorno. Este é a primeira, de três unidades previstas, que atenderá o público infantojuvenil com TEA. Cidade também destinou parte de suas emendas para a adequação dessas estruturas.
“Sem dúvida, é crucial estabelecer um objetivo social ao nosso trabalho. E implementar projetos como este é um desses meios. É imprescindível considerarmos as necessidades específicas de pessoas atípicas e criar oportunidades para que se desenvolvam. Elas só querem e precisam de suporte para que isso ocorra. Na Aleam, estamos sempre atentos a essa pauta, por isso estamos aqui comemorando essa primeira entrega e já na espera das próximas. Além disso, na Assembleia Legislativa teremos um espaço dedicado às crianças e adolescentes com TEA, onde poderemos oferecer nossa contribuição”, afirmou o presidente.
Janice Nery de Lira, mãe do Michael Cauã Nery de Lima, de 12 anos, reconheceu e agradeceu ao deputado Cidade pelo trabalho destinado às pessoas com TEA.
“Em nome das famílias e mães da zona Leste, expresso minha gratidão ao deputado Roberto Cidade por sua dedicação. Ele também é pai atípico e compreende as necessidades das nossas crianças. Agora, elas passam a receber o suporte necessário pertinho de casa. Agradeço ao deputado Roberto e ao governador Wilson Lima, pois essa iniciativa representa uma importante proteção para as crianças e também para as famílias”, disse.
O deputado-presidente confirmou, ainda, a inauguração do Centro de Inclusão Sensorial para o segundo semestre deste ano. O espaço, que funcionará dentro das dependências do Legislativo Estadual, irá ofertar terapias e atendimentos direcionados para crianças e adolescentes com TEA e Síndrome de Down.
“Estamos concluindo as instalações do Centro Sensorial da Aleam e, ainda no segundo semestre deste ano, ele estará em funcionamento. Inicialmente, serão 200 vagas para servidores do Legislativo e seus dependentes, mas nossa expectativa é de que esse número seja ampliado, gradativamente, para o público em geral posteriormente. Esse será um trabalho social enorme. Não somos a primeira Assembleia do país com essa oferta, mas seremos a primeira da região Norte. Sabemos das dificuldades de mães e pais atípicos para oferecer os atendimentos necessários e para nós da Aleam, é motivo de muita alegria poder ter um espaço como o que teremos aqui”, declarou o deputado.
7O Centro de Inclusão Sensorial irá oferecer atendimento médico ambulatorial, acompanhamento com nutricionistas, terapias ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, odontólogos e demais especialistas necessários à fisiologia da recuperação motora.
O Governo do Pará deu um importante passo na preservação de seus patrimônios naturais ao regulamentar, por meio do Decreto nº 4.613, publicado no Diário Oficial do Estado, a implantação da Cota de Proteção Ambiental (CPA). A medida busca garantir recursos permanentes para a conservação das 29 Unidades de Conservação (UCs) estaduais, sob responsabilidade do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio).
A Cota de Proteção Ambiental é um instrumento jurídico que permite a captação de recursos junto a pessoas físicas e jurídicas interessadas em contribuir com a proteção da biodiversidade. Cada cota representa um hectare de floresta preservada e tem validade de 15 anos.
De acordo com o decreto, a CPA pode ser adquirida em duas modalidades:
Compensatória: permite a regularização de passivos de reserva legal, conforme previsto no Código Florestal Brasileiro. O valor é de R$ 100 por hectare ao ano, com opção de pagamento único de R$ 900, representando um desconto de 40%.
Não compensatória: voltada a contribuições voluntárias sem fins de regularização ambiental, com custo de R$ 60 por hectare.
Foto: Reprodução/Emergência Indigena
Controle
De acordo com o estabelecido, além de garantir a regularidade ambiental do adquirente enquanto vigente o contrato, a CPA será acompanhada por um sistema informatizado que permitirá o controle e a rastreabilidade das cotas, assegurando total transparência ao processo. O sistema será integrado às plataformas estaduais de gestão ambiental.
A adesão é totalmente digital e pode ser feita por meio do site do Ideflor-Bio. Após preencher um formulário com os dados do comprador, escolher a modalidade e a quantidade de hectares desejada, e anexar, quando necessário, o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o sistema emite um boleto e, após o pagamento, gera um certificado digital de comprovação da aquisição da CPA.
Os recursos serão direcionados ao Fundo Estadual de Desenvolvimento Florestal (Fundeflor) e utilizados em ações de criação, manutenção e restauração das Unidades de Conservação, fortalecendo a política ambiental paraense diante dos crescentes desafios da conservação ecológica na Amazônia.
A medida se insere no esforço do Pará em se posicionar como referência nacional em soluções inovadoras de financiamento para a proteção ambiental, envolvendo a sociedade civil e o setor privado na defesa ativa das florestas.
A pesquisa foi realizada entre junho e agosto de 2024 e avaliou 158 indivíduos Yanomami com exames completos de visão, incluindo medida de acuidade visual, tonometria e avaliação fundoscópica, na CASAI-Y, em Boa Vista. Ao todo, foram realizadas quatro visitas para concluir o estudo, que envolveu a Maria Christina Ferreira como médica oftalmologista, duas auxiliares de oftalmologia que realizaram os exames objetivos, quatro alunos da Universidade Estadual de Roraima (UERR) e também o auxílio de intérpretes da CASAI.
Foto: Universidade Federal de Roraima
A autora do artigo, Maria Christina Ferreira, explica que esta é a primeira avaliação sistemática da saúde ocular entre os Yanomami. “O estudo evidencia uma alta prevalência de deficiência visual evitável, fortemente relacionada à falta de acesso a serviços oftalmológicos e a recursos básicos de correção visual, como óculos. Os resultados apontam para a necessidade urgente de ações estruturadas e culturalmente adequadas para o enfrentamento da deficiência visual em populações indígenas”, comenta.
Na época, Maria era mestranda do PROCISA e destaca que a ideia do estudo surgiu após perceber que faltavam dados sistematizados sobre saúde ocular dos povos originários e, principalmente, dos Yanomami.
“Eles [os yanomami] são uma população única, pois têm recente contato, alta mobilidade, difícil acesso, especificidades culturais ímpares. Como oftalmologista e pesquisadora da UFRR, percebi a urgência de conhecer as características e riscos à saúde ocular dos Yanomami e não apenas por razões acadêmicas, mas principalmente para subsidiar políticas públicas e garantir o direito à saúde integral para essas comunidades”, explica a pesquisadora.
Foto: Universidade Federal de Roraima
Como desdobramento técnico da pesquisa, foi desenvolvido um conjunto de tabelas adaptadas para o diagnóstico de baixa visão em populações indígenas, permitindo a ampliação do rastreio e da classificação de casos mesmo em contextos de infraestrutura limitada. Essas ferramentas tem o objetivo de apoiar profissionais da saúde na identificação precoce de comprometimentos visuais nessas populações e contribuir para políticas públicas mais eficazes.
“Trabalhar com populações indígenas exige uma abordagem ética, com sensibilidade cultural e criatividade logística. Utilizamos uma metodologia que envolveu a validação de uma amostra de conveniência, utilizando a Casai como base, devido às dificuldades logísticas de acessar a Terra Yanomami. Ocorreram muitos desafios, desde a aprovação ética e as autorizações institucionais, até a realização dos exames em um ambiente com barreiras linguísticas e costumes específicos, mas esses desafios foram enfrentados com muito diálogo, respeito e apoio das instituições envolvidas. Fiz muitos amigos pelo caminho e fiquei muito feliz com o nosso resultado”, revela ainda Maria Christina sobre como foi o processo de realização da pesquisa.
Devido ao ineditismo e importância do estudo, o artigo foi publicado na prestigiada revista internacional The Lancet Regional Health – Americas.A pesquisadora comenta sobre a alegria de ter um estudo da UFRR tendo esse reconhecimento internacional.
Foto: Universidade Federal de Roraima
“É uma emoção imensa. Esse foi um trabalho que nasceu em sala de aula, das discussões durante as aulas do PROCISA, a partir de um compromisso com a ciência e de um cuidado com as populações indígenas. O fato dele ser reconhecido internacionalmente é algo que vai muito além do mérito acadêmico.
Vejo isso como uma conquista coletiva da UFRR, dos professores, dos pesquisadores envolvidos, dos profissionais da saúde indígena e, sobretudo, da generosidade dos Yanomami, que confiaram em nós. Mostra que é possível produzir ciência na Amazônia, dentro das melhores práticas reconhecidas pela comunidade internacional, com impacto ampliado e resultados que podem melhorar a vida dessas populações”, afirma ainda.
O estudo “Prevalence of Blindness and Visual Impairment Among Yanomami Indigenous People in the Brazilian Amazon Region: A Cross-Sectional Observational Study at CASAI-Y” é fruto da dissertação de mestrado da Dra. Maria Christina Chagas Ferreira com a coautoria dos pesquisadores e professores da UFRR, Marcos Antonio Pellegrini e Bianca Jorge Sequeira, e desenvolvido dentro do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PROCISA/UFRR).
*Com informações da Universidade Federal de Roraima