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Tripas mirins dos bois de Parintins querem seguir tradição; protagonismo pode surgir com a nova geração

Foto: Divulgação

Esbanjando muita fofura e carisma, os tripas mirins tem se tornado cada vez mais presentes em eventos bovinos tanto na capital amazonense, Manaus, como em seu berço de origem, na ilha de Parintins. A garotada que tem mostrado cada vez mais gostar do item 10 do Festival Folclórico, em que uma pessoa traz movimento ao boi, tem mostrado também que “brincar de boi” é algo não só para os adultos, é também coisa de criança.

As crianças que tem aderido a este item tem demonstrado interesse e talento ao se apresentarem com suas mini indumentárias e evoluções performáticas que as destacam como verdadeiros itens mirins.

O Portal Amazônia conversou com alguns desses itens que já tem demonstrado que uma nova geração de tripas, no Caprichoso e no Garantido, tem se dedicado a dar vida aos bois com força e dedicação, e com a vontade de ir mais longe: se tornarem um item oficial e dar vida ao seu boi no Bumbódromo de Parintins.

Leia também: Quanto pesa um boi-bumbá? Saiba como é a preparação dos tripas para dar vida ao item 10 no Festival de Parintins

Tripas mirins do Caprichoso: do DNA ao protagonismo

Nonato Júnior, o Nonatinho, é declarado “fã número 1” do atual tripa do Caprichoso, Alexandre Azevedo. Além de fã ele carrega consigo uma carga genética muito forte: é tataraneto do fundador do Caprichoso, Roque Cid.

O pai de Nonatinho, Raimundo Nonato Matos Cid, conta que a primeira apresentação pública do filho brincando de boi aconteceu em um evento paroquial em Manaus, no bairro São José. “Eu achava que ele não iria aguentar, mas ele foi lá e deu conta do recado, dançou igual o tripa, e de lá pra cá foi só evoluindo. Mandei fazer um boi do tamanho dele para evoluir com mais segurança”, lembra o pai.

O músico Hamilton Azevedo Júnior lembrou a primeira vez que viu Nonatinho. Sem saber que ele era tataraneto de Roque Cid, o músico viu no menino uma capacidade impressionante de trazer movimentos ao boi.

“Lá na igreja do São José onde eu toco, tem o boi mirim com todos os itens. Mas um dia me chamaram pra tocar em uma praça que estava sendo inaugurada lá na comunidade e a mulher que me chamou disse que lá tinha um Caprichoso. Então eu já nem me preocupei em providenciar o boi. Quando eu cheguei lá, eu vi um menino pequeno, na época tinha uns três anos, dançando com um boizinho que era de tala. Eu fiquei impressionado”, destacou Hamilton.

Foto: Nathalie Brasil

Outro tripa do Caprichoso que tem chamado atenção é na verdade uma tripa. Sim, uma menina. Heloiza Zumaeta é a primeira tripa mulher a se apresentar como item mirim do Caprichoso. A mãe até brinca que sonhava em ver sua filha como um outro item – como a sinhazinha ou cunhã-poranga.

“Eu sempre levei ela e o irmão dela pro “bar do boizinho” e ela sempre gostou. Aí eu tive um dia a curiosidade de perguntar: ‘filha que item você gostaria de ser?’ e ela disse ‘mãe eu quero ser tripa, me dá um boi de presente?’. Eu sempre sonhei em ver uma filha cunhã, uma sinhazinha, uma rainha do folclore, algo assim. Mas aí eu encomendei um boizinho de presente no aniversário de nove anos e daí ela seguiu como tripa. Uma cunhada minha até brinca que ela quer ser é protagonista”, contou Cristiane Zumaeta.

Cristiane Zumaeta sempre levou a filha pra brincar de boi como tripa. Foto: Hector Muniz/Portal Amazônia

Tripas mirins do Garantido: admiração e dedicação

E do lado vermelho do Festival de Parintins também tem quem goste de ser “tripinha”. Um desses jovens talentos que sonha em ser tripa do Garantido é o Benjamin Gael, de 8 anos, que tem marcado presença em vários eventos em Manaus como tripa mirim do boi do coração vermelho.

O pai, Carlos André, tem sempre acompanhado o filho. Ele disse que ser tripa mirim foi algo muito natural na vida do Benjamim.

“Desde que ele era muito criança, ele pediu naturalmente de mim e da mãe dele que comprássemos um boizinho. Ele ganhou então um boi Garantido da avó dele, menor, e era algo que ele sempre brincou. Conforme ele foi crescendo o boi foi ficando pequeno. Então como vimos que era algo natural dele e fomos arrumando outros boizinhos conforme ele ia crescendo”, destacou Carlos André.

Carlos André, pai do Benjamim Gael, acompanha o filho em todas as apresentações. Foto: Hector Muniz/Portal Amazônia

Também do lado encarnado, outro torcedor obstinado é o tripa mirim Ângelo Aguiar. Do elenco do bumbá, a admiração é por Batista Silva e Denildo Piçanã. No caso de Ângelo, escolher o boi preferido foi um ato totalmente involuntário. “Eu aprendi as danças com o meu pai, que era tripa do Boi Caprichoso, mas a minha escolha foi pro Garantido”, revela.

Há quase dois anos, a escolha do pequeno artista ganhou rumos profissionais. “Foi no aniversário da madrinha dele, apaixonada pelo Garantido, que ele pegou um boizinho que tinha em casa e evoluiu. O pai dele postou no Instagram, o Hamilton viu e começou a chamá-lo para participar dos eventos”, revela a mãe, Patrícia Santos, que é torcedora do Caprichoso.

E a rivalidade?

Que a rivalidade entre os dois bois de Parintins existe isso é um fato. As provocações, sátiras, entre outras peças de apresentações, fazem parte da disputa. Mas entre as crianças, o músico Hamilton Azevedo Júnior garante que as apresentações os tripas mirins é sadia.

“Em momento algum a gente incentiva a rivalidade, até porque eles são crianças. E é legal ver que eles só querem se divertir. É muito diferente dos adultos”, afirmou o músico.

Leia também: Tupi, Estrelinha e Mineirinho: conheça os bois mirins do Festival Folclórico de Parintins

A produtora de eventos Socorro Andrade, responsável por alguns eventos de apresentação de itens mirins, como os tripas mirins em Manaus, garante que não há rivalidades: “É até lindo de se ver, porque sendo de lados opostos é possível até ver um incentivando o outro”.

Foto: Divulgação

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia

Troféu do Festival de Parintins celebra união dos bois: ‘Sincretismo Cultural’

Troféu Sincretismo Cultural. Foto: Aguilar Abecassis/SEC AM

Além de conquistar o título de campeão do 58º Festival Folclórico de Parintins, o boi vencedor também terá seu nome marcado no troféu Sincretismo Cultural, para celebrar o grande campeão da disputa entre os bois Caprichoso e Garantido.

A peça foi apresentada no dia 21, durante o sorteio da ordem das apresentações do festival. Criado pelo artista parintinense Lucijones Cursino, do CriArt’s Atelier, o troféu foi confeccionado com materiais sustentáveis.

Confira a ordem de apresentação das três noites:

Sexta-feira (27):
Abre
: Garantido; Encerra: Caprichoso

Sábado (28):
Abre
: Caprichoso; Encerra: Garantido

Domingo (29):
Abre
: Caprichoso; Encerra: Garantido

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O design do troféu faz referência ao Bumbódromo de Parintins e aos bois Caprichoso e Garantido, além de estampar as placas com os anos em que cada bumbá conquistou o título do festival, desde 1966.

Leia também: Você sabe qual a origem do Festival Folclórico de Parintins?

Para o secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa, Caio André, o troféu é mais uma peça importante que vai abrilhantar o festival.

“Ele traz história de vitória dos bois e, sobretudo, confeccionado com material sustentável que reforça nosso compromisso com nossa floresta, com o meio ambiente, que é algo levado pelos bois para dentro da arena. Tenho certeza que todos os visitantes, turistas e mesmo quem mora e vive o festival aqui de Parintins, vai gostar muito do troféu”, enfatizou.

Parintinense Lucijones Cursino, o criador do troféu Sincretismo Cultural. Foto: Aguilar Abecassis/SEC AM

Segundo Lucijones, a concepção inicial era desenvolver uma escultura no formato da cabeça de um boi. No entanto, ao longo do processo criativo, e com o apoio na criação de Silvio Pinto Júnior, surgiu a ideia de incorporar o Bumbódromo, por ser o palco oficial da disputa entre os bois.

“A primeira ideia que eu tive foi justamente a cabeça do boi, sem a parte do Bumbódromo. Resolvemos incluí-lo porque é ali que acontece a grande disputa, por isso os dois bois estão surgindo de dentro do Bumbódromo”, explicou o artista.

De acordo com ele, o troféu simboliza a união cultural promovida pelo Festival de Parintins. Por esse motivo, recebeu o nome de Sincretismo Cultural.

“O que eu quis transmitir com esse troféu foi essa união de culturas. Chamamos de Sincretismo Cultural justamente por representar a fusão de crenças, raças e ideologias. Essa foi a principal mensagem que buscamos expressar nesse trabalho”, destacou.

Foi de Silvio a ideia de colocar o registro de cada ano da disputa e a marca de cada bumbá vencedor, com pequenas medalhas com os títulos de campeão conquistados ao longo dos anos.

“A ideia partiu justamente por conta da quantidade de títulos que os bois sempre falam. Então, achei que seria uma curiosidade interessante todos saberem, e nada melhor que criar um troféu que pudesse exaltar os bois, por isso, a cabeça do boi na direção da arquibancada de cada galera, no bumbódromo. Foi criado as placas dos anos que cada um foi campeão, assim como quando teve empate e as lives”, explicou Silvio.

Parintinense Lucijones Cursino, o criador do troféu Sincretismo Cultural. Foto: Aguilar Abecassis/SEC AM

Entre os materiais utilizados na elaboração estão componentes recicláveis, como o PVC. “É muito importante para o artista parintinense ter a oportunidade de mostrar seu trabalho. É um privilégio fazer parte do Festival e estar presente na história ao lado dos bois”, finalizou Lucijones.

Exposição

O troféu Sincretismo Cultural ficará em exposição a partir desta segunda-feira (23/06), na abertura das atividades na Estação da Cultura, na Praça da Catedral.

*Com informações da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC AM)

Projeto ‘Parintins para o mundo ver’ conta com transmissão no Amazon Sat; veja a programação

Projeto ‘Parintins para o mundo ver’. Foto: Isabelle Lima/Amazon Sat

O canal Amazon Sat celebra a força da cultura popular com o projeto ‘Parintins Para o Mundo Ver’. Com uma programação especial realizada na ilha da magia, entre os dias 21 e 30 de junho serão exibidos flashes, programetes e programas que mergulham no universo parintinense.

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Projeto 'Parintins para o mundo ver'
Foto: William Marques

Leia também: A emoção das filas: torcedores enfrentam sol para garantir lugar no espetáculo

No dia 23 de junho acontece a exibição do programa Ponto Alto, especial em Parintins, às 20h (hora Manaus) mostrando um panorama da cidade com depoimentos de quem entende: seus moradores.

Entre os dias 24 e 30 de junho serão exibidos os programetes que exploram a arte, a cultura, a segurança em torno do evento, serviços disponibilizados pelo Governo na cidade e ainda um dos momentos mais aguardados – além da disputa dos bois Caprichoso e Garantido – a festa dos visitantes.

E tem mais! A programação ganha um brilho diferente e bem animado no dia 28 de junho, 12h30, com a exibição do programa Galeria em uma edição que mostra os bastidores da preparação de Parintins para o 58° Festival Folclórico.

Projeto 'Parintins para o mundo ver'
Foto: William Marques

Além disso, de 26 a 29 de junho, o público poderá acompanhar ao vivo o programa ‘Toada do Milton’, das 14h30 às 18h30 (horário de Manaus). Com apresentação de Milton Cunha, a exibição do programa no Amazon Sat será uma retransmissão do canal da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Diversos quadros serão realizados com o intuito de debater sobre o Festival Folclórico de Parintins como os itens julgados, participação do público, artistas locais e trabalhadores da cultura.

”Vai ser um quadro bem diversificado, onde o Milton vai comandar tudo e a transmissão acontecerá de uma forma diferenciada. Não é a transmissão das noites da arena, é o que acontece na cidade de Parintins durante o dia e que tem um movimento gigante de conexões com o festival”, afirmou o professor do departamento de arte e cultura da UEA, João Fernandes.

Leia também: Visita mediada pelo Bumbódromo: entenda como funciona e o que vai encontrar

Canais oficiais do Amazon Sat

A cobertura completa da festa em Parintins pode ser acompanhada pelas redes sociais do Amazon Sat e do Portal Amazônia, além dos canais oficiais do Amazon Sat: 

  • Manaus/AM: 44.1
  • Porto Velho/RO: 22.1
  • Rio Branco/AC: 31.1
  • Macapá/AP: 29.1
  • Boa Vista/RR: 23.1
  • Parintins/AM: 46.1

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Frequência de paz ou frequência de guerra?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Não sei se você é abalado pelo noticiário da nova guerra. Também não sei se é uma nova guerra ou uma nova fase dela. Alguns dizem que a terceira grande guerra já começou. Convivemos com tantas guerras que, às vezes, elas podem cair em um lugar comum, como se fossem algo normal. Quando se inicia uma guerra? Certamente não é no primeiro bombardeio, mas, se fosse, ele já teria acontecido há algum tempo.

Pessoalmente, o noticiário dos últimos dias tem me tocado. As imagens podem parecer de videogames, mas são cidades reais, habitadas por pessoas de carne e osso. Não consigo deixar de me questionar sobre a irracionalidade de seres humanos que ocupam posições de liderança tão importantes. Quem deu a eles a autoridade de nos colocar em risco? Todo o mundo em risco? Algumas pessoas os colocaram onde estão, mas o risco é de todos. As ações e reações deles são humanas ou animalescas, no seu pior sentido? Quanto vale uma única vida? E milhões ou bilhões de vidas?

Minha mente me traz para o nosso dia a dia. No checkout, em um hotel, eu me sinto agredido e desrespeitado pelo tipo de atendimento. Faço valer os meus direitos? Deixo passar como se nada tivesse acontecido? Em uma ou em outra alternativa, estaria eu alimentando a violência? Por todos os lados, é impressionante a quantidade de conflitos, de discussões e de agressões. A violência é uma característica intrínseca do ser humano?

Mokiti Okada que, dentre outros estudos, pesquisou a saúde humana, afirma que todos nós apresentamos um tipo de febre na área da nuca e do pescoço, decorrente de um processo de purificação gradual de toxinas acumuladas. Essa febre, segundo ele, é imperceptível, mas nos mantém em um estado de constante irritação e propensos ao conflito. Sabemos que a irritação tem poder de irradiação e pode afetar muitas pessoas — nossos cônjuges, filhos, subordinados, pares, clientes e todos com quem convivemos ou influenciamos. Se ocupamos a posição de liderança de um país ou mesmo de uma empresa, podemos gerar danos incalculáveis.

Donald Trump declarou nestes dias que ainda não sabe o que vai decidir. Não sabe se vai atacar o Irã, mas diz que sua paciência está no fim. Como assim? A paz do mundo dependerá de seu estado emocional? Há ainda o primeiro-ministro de Israel e do outro lado, o aiatolá iraniano que ameaça com “danos irreparáveis para os EUA”, caso se envolva no conflito. Até onde eles podem ir, sem colocar em risco todos nós?

Voltando ao atendimento do hotel, ele me irrita, mas me contenho. Em seguida, a cobrança exagerada da tarifa dinâmica do aplicativo me faz sentir extorquido. Em seguida, o assento que havia reservado no voo é arbitrariamente modificado, sem qualquer explicação. Nesse momento, eu já estava em “modo guerra”, pronto a reagir a qualquer nova agressão (qualquer incômodo). Estaria eu, naquele momento, em uma frequência de atração de conflitos? Ou seria a tal febre que me fazia desejar cada vez mais fazer justiça com as próprias mãos?

A reflexão sobre o processo que acontecia em mim mesmo me fez, conscientemente, reagir de uma melhor maneira aos acontecimentos externos, sob os quais tenho uma limitada influência. Não tenho gestão sobre eles, mas posso tentar ter sobre mim mesmo. Nesse caso, parece que deu certo. A consciência me fez sair da frequência dos conflitos e da irritação. Muito rapidamente, tudo mudou e voltei a tratar bem o mundo e a ser mais bem tratado por ele. Sinto que, com isso, contribuo com uma frequência de paz, que também tem poder de irradiação.

Reflito, assim, que, na minha esfera de ação, influencio o todo, para o bem ou para o mal, o que me ensina novas coisas sobre guerras que nunca se encerram ou sobre a terceira grande guerra que nem sabemos se já começou. Antes que alguém diga: como é possível falar em felicidade em um mundo de tantas guerras, grandes e pequenas, me antecipo. É justamente por isso que precisamos construir felicidade conscientemente. O mundo, mais do que nunca, precisa.

E você? Como está lidando com as suas próprias guerras? No que você está influenciando a atmosfera do mundo? Frequência de paz ou frequência de guerra?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Reflorestamento com mudas cobre solo acima da meta em Mato Grosso, mas diversidade ainda é baixa

Foto: Gabriel Faria

Uma avaliação feita após oito anos de instalação de diferentes estratégias de restauração de reserva legal na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), mostrou que em áreas com plantio de mudas a cobertura do solo pelas copas já superou os indicadores determinados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) para aferir o êxito na revegetação. Porém, no que diz respeito à quantidade de regenerantes e a diversidade de espécies, o cenário observado ainda é insuficiente.

A Sema-MT estabelece três parâmetros que devem ser alcançados em até 20 anos para avaliação de sucesso na recomposição florestal em áreas com mais de quatro módulos fiscais. O primeiro é a cobertura do solo gerada pela copa das árvores com mais de dois metros de altura, que deve ser superior a 80% com espécies nativas. O segundo é a densidade de regenerantes com o mínimo de 3 mil indivíduos por hectare. O terceiro diz respeito à riqueza da diversidade, com ao menos 20 espécies diferentes entre os indivíduos regenerantes.

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O pesquisador da Embrapa Florestas (PR) Ingo Isernhagen ressalta que a avaliação foi feita faltando 12 anos para o prazo final para atingir os parâmetros. Porém, os dados já são indicadores importantes considerando-se que se trata de uma área experimental.

“Este é o único experimento com esse nível de monitoramento e com essa idade que tenho conhecimento em Mato Grosso. É importante termos esses parâmetros para se pensar em possíveis intervenções para contribuir para o alcance dos indicadores definidos pela Sema. Mas não quer dizer que se deixarmos de mexer não vai acontecer nada”, avalia o pesquisador.

Aprimorando parâmetros ambientais

Tanto a legislação brasileira que trata sobre a proteção da vegetação nativa, conhecida como Novo Código Florestal Brasileiro (Lei Federal nº 12.651/2012), quanto o Decreto Estadual nº 1.491/2018 que aborda os Programas de Regularização Ambiental (PRA) definidos após análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) são recentes. No caso de Mato Grosso, os parâmetros adotados pela Sema se basearam nos poucos estudos existentes até então, alguns deles em outros biomas. Dessa forma, resultados da pesquisa conduzida na Embrapa Agrossilvipastoril podem contribuir para melhorias nos parâmetros adotados.

Experimento de recomposição de reserva legal na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop. Foto: Gabriel Faria

“Nosso estudo vem somar ao que a Sema vem recebendo de relatórios das áreas já em recuperação. É mais um tijolinho do conhecimento. É um lugar em que conseguimos analisar com mais critérios, de forma mais controlada, o caminhar desse processo de construção no alcance dos indicadores. É salutar que a Sema avalie agora ou daqui a alguns anos e faça alguma adequação que seja necessária”, sugere Isernhagen.

O estudo completo pode ser conferido na publicação “Avaliação de indicadores de monitoramento em experimento de recomposição florestal de Reserva Legal na Amazônia Meridional, médio norte do Mato Grosso”, disponível para download AQUI.

Como foram feitos os experimentos

Os ensaios sobre restauração de reserva legal da Embrapa Agrossilvipastoril foram instalados em 2012 com o objetivo de gerar informações sobre as diferentes técnicas de adequação ambiental para a região médio-norte de Mato Grosso, considerando a possibilidade de uso econômico das áreas com produção de bens madeireiros e não madeireiros.

Foram feitos tratamentos utilizando plantio de mudas, plantio direto de sementes ou semeadura à lanço e ainda a regeneração natural por meio do isolamento da área. Foram usadas espécies nativas com diferentes propósitos, tanto considerando serviços ecossistêmicos quanto produção de frutos, essências e madeira. Conforme permite a lei, em um dos tratamentos com mudas também foi usado o eucalipto, que é uma espécie exótica, sendo uma fonte de renda a médio prazo que poderia compensar gastos com a recuperação da área. Na avaliação feita aos oito anos conforme parâmetros da Sema-MT só os tratamentos com plantio de mudas foram acompanhados.

Retirada de toras de eucalipto plantado em um dos tratamentos com plantio de mudas. Foto: Gabriel Faria

Os diferentes métodos utilizados

Para se definir a área de cobertura do solo pela copa foram usados diferentes métodos, como forma de comparar os resultados de cada um deles. Além do método recomendado pela Sema, com observação a cada metro em uma parcela de 25m x 2m, foi utilizado o densiômetro de copa e quatro aplicativos gratuitos para esse fim: GLAMA Aplication, Canopy Capture, Canopy App e Canopy Cover Free. A leitura do densiômetro é subjetiva, por isso recomenda-se que uma mesma pessoa faça a avaliação de todos os talhões como forma de manter um padrão. Já os aplicativos utilizam a câmera do celular para calcular a área coberta.

“A percepção em campo é que, de forma geral, a aplicação dos métodos de detecção de cobertura de copa arbórea com o uso dos aplicativos, embora rápida, mostrou-se bastante sensível às variações de luminosidade geradas, por exemplo, pela passagem de nuvens e mesmo a movimentação das copas das árvores”, explica Ingo Isernhagen justificando o alto desvio padrão encontrado na leitura dos aplicativos.

Para todos os tratamentos avaliados, o aplicativo GLAMA e o protocolo Sema foram os que apresentaram os maiores valores de cobertura de copa.

Entre os tratamentos avaliados, aquele que teve menor percentual de cobertura de copa foi justamente aquele com eucalipto. Isso ocorreu tanto pela retirada de árvores no primeiro desbaste feito, quanto pela mortalidade de alguns indivíduos devido ao ataque de formigas.

Regenerantes

A avaliação aos oito anos mostrou que a área experimental da Embrapa Agrossilvipastoril ainda está longe de atingir o indicador estipulado pela Sema-MT aos 20 anos no que diz respeito aos regenerantes. O tratamento que teve maior número de regenerantes teve 1.083 indivíduos por hectare, enquanto o que teve menor número só foram encontrados 483 indivíduos em um hectare.

No que diz respeito à riqueza da diversidade, os dois tratamentos com melhor desempenho possuem dez espécies e o pior desempenho possui apenas cinco espécies.

Esses resultados parciais levam à discussão sobre possíveis intervenções na área, como podas de árvores para maior entrada de luz no sub-bosque, plantio de novas mudas ou semeadura.

“Estamos articulando com potenciais parceiros em busca da viabilização de recursos para insumos e mão-de-obra que possibilitem fazer as intervenções para termos cenários com e sem intervenção ao longo do tempo”, explica Diego Alves Antônio, engenheiro florestal e analista da Embrapa.

Há ainda a possibilidade de os oito anos da avaliação serem pouco tempo para a evolução desses indicadores. Isernhagen lembra que nos próximos anos haverá morte de árvores de ciclo mais curto, como embaúbas, abrindo clareiras e que a serrapilheira depositada seguirá melhorando as condições químicas e físicas do solo. Há também a tendência de maior circulação de animais dispersores de sementes com o bosque formado.

“Nosso objetivo é trazer contribuições para os produtores que precisam recuperar suas áreas, quer seja apenas para atingir os parâmetros exigidos pela Sema, quer seja para obter renda com a exploração econômica de madeira, frutos e essências produzidas na área recuperada”, declara Isernhagen.

Além dos três parâmetros determinados pela Sema-MT, também está sendo avaliado no experimento o aporte de carbono no solo. Uma pesquisa futura, realizada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), irá avaliar o estoque de carbono na biomassa das árvores.

Sub bosque ainda com poucos indivíduos regenerantes. Foto: Gabriel Faria

Restauração em rede

Há décadas a Embrapa imprime esforços visando à restauração de ambientes degradados, que geraram dezenas de projetos para este fim. Em um trabalho recente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), iniciado em 2024, e intitulado Florestas Produtivas, a Embrapa Florestas tem contribuído por meio dos Sistemas Agroflorestais de Referência e sua viabilidade financeira, que visam à mitigação da fome e mudanças climáticas. Esses sistemas agroflorestais estão sendo adaptados às realidades locais e começaram a ser implantados primeiramente no Bioma Amazônia, em assentamentos no Pará e no Maranhão, e seguirão pelo Cerrado, Mata Atlântica, e demais biomas, integrando ações.

Outra ação importante a ser realizada pela Embrapa para recuperar ecossistemas degradados, aliando conservação ambiental e produção agrícola sustentável consistirá no resgate de projetos bem-sucedidos antigos que foram, no entanto, descontinuados com o passar do tempo. Ambos enfatizam a necessidade de viabilidade econômica e inclusão social, garantindo que as soluções sejam aplicáveis em larga escala. Com a organização desses dados e sua disponibilização em rede, será possível integrar as diversas tecnologias já criadas pela Embrapa.

Leia também: Presença de fauna em área de recuperação comprova papel fundamental do reflorestamento na Amazônia

“Estamos chamando este trabalho de restauração produtiva e vamos começar com três estados, Pará, Maranhão e Mato Grosso, para, justamente, em Unidades de Referência Tecnológica (URTs) restaurar áreas degradadas com viés de produção, e utilizar vários métodos e tecnologias já consagrados, pela Embrapa. Com boa gestão, terão produção elevada, mantendo o solo conservado, água limpa, evitando erosão, que vão agregar mais valor e renda àquela propriedade, com a comercialização dos seus produtos. Estes vão gerar as informações com coeficientes técnicos e indicadores financeiros que gerarão subsídios para auxiliar políticas públicas, e assim para ganhar escala. Esse é o viés social, que envolve mais famílias”, explica Marcelo Arco-Verde, chefe-geral da Embrapa Florestas.

Buscando articular pesquisadores e iniciativas como estas, surgiu há menos de um ano o RestauraBio, uma rede colaborativa dentro da Embrapa, que atua no mapeamento de projetos antigos e na estruturação de novos, como as Unidades de Referência Tecnológica (URTs). “A rede é uma facilitadora, integrando projetos como Florestas Produtivas e o resgate de dados antigos. Sua governança ainda está em construção, mas seu papel é vital para evitar a fragmentação do conhecimento”, frisa Arco-Verde.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Em assembleia da Fecomércio, Governo do Amazonas anuncia novos investimentos, crescimento econômico e mais empregos

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Foto: Reprodução/Sedecti

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Na segunda-feira, 16, a Fecomércio-AM realizou a 6ª Reunião de Diretoria da entidade. Na oportunidade, o presidente da FecomércioAM, Aderson Frota, anunciou os últimos dados do Painel da Economia do Amazonas, elaborado pela entidade sobre o desempenho da atividade comercial, da construção civil e de serviços em 2025. Destaque à geração de empregos em que o setor responde 384.689 postos de trabalho, 68,4% de um universo superior a 562 mil postos. Seguido pela indústria (142,4 mil ou 25,3% do total), 30,1 mil da construção civil (5,4%) e 4,7 mil (0,9%) do setor agropecuário.

Em relação à arrecadação do ICMS no mesmo período, os resultados são igualmente positivos para o setor. O Painel da Fecomércio, consolidando dados da Sefaz/Am, mostra que o comércio e serviços mantêm a liderança, respondendo por 52,12% da arrecadação ante 47,88% do setor industrial. Quanto ao PIB estadual, dados do IBGE e Sedecti revelam que o setor responde por 44,44% do total, a indústria por 36,04%, enquanto os impostos e a agropecuária, respectivamente, por 15,86% e 3,66%. Diante de tais indicativos, Aderson Frota entende que o setor precisa de mais apoio do governo, advertindo que, mesmo sem projeções definitivas concretas, todos precisamos estar preparados para o enfrentamento dos efeitos da próxima estiagem, independentemente de sua dimensão.

O evento contou com a presença do governador Wilson Lima, que apresentou os resultados de desempenho alcançados pela economia estadual em relação ao PIB, faturamento e geração de empregos relativos ao período 2024/2025. Na oportunidade, anunciou a adoção de medidas visando dar maior suporte ao setor comercial, com destaque para o enfrentamento de eventuais impactos da enchente deste ano, que vem mantendo comunidades interioranas debaixo d’água, assistência social aos flagelados e estímulos às economias locais. Dentre as medidas imediatas, ressaltou a antecipação do pagamento da primeira parcela do 13º salário dos servidores estaduais, que vai injetar R$1,5 bilhão na economia. Cerca de 82 mil servidores ativos, além de aposentados e pensionistas, serão beneficiados.

Dados apresentados pela Fecomércio.

O governador anunciou também o repasse de R$225 milhões, de janeiro a maio, por meio do Auxílio Estadual Permanente, em favor de milhares de famílias afetadas pela cheia, recursos que igualmente contribuirão para o fortalecimento das atividades de comércio locais. Além do mais, objetivando mitigar eventuais impactos financeiros de nova estiagem, Wilson Lima determinou à Sefaz estudar a ampliação dos prazos para recolhimento de tributos tendo em vista aliviar a carga tributária e garantir a manutenção dos empregos. “Importante termos esse contato, mostrar o que o governo está fazendo e mais uma vez se colocar à disposição para enfrentar, principalmente, os extremos climáticos, a exemplo do que aconteceu em 2023 e 2024, anos em que enfrentamos secas severas, mas, a partir do diálogo pudemos amenizar o sofrimento do empresário e, também, dar melhores oportunidades para o consumidor”, destacou o governador do Estado.

A semana se fechou com a solenidade comemorativa dos 154 anos da Associação Comercial do Amazonas (ACA) realizada na última quarta-feira, 18, no auditório da FIEAM, quando foi empossado o novo terço da Diretoria Plena (2025–2028) e procedida a entrega da Medalha Mérito Empresarial J.G. Araújo aos homenageados deste ano: o secretário Serafim Corrêa, da Sedecti; a professora Michele Aracaty, presidente do Corecon AM/RR e os comerciantes Daniel Rodrigues Siqueira, Francisco Zumaeta Ramirez e Jorge de Souza Lima, presidente da Assembleia Geral da entidade. Segundo o presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, “a entidade segue firme, representando milhares de empresas — pequenas, médias e grandes — com o mesmo propósito de quando nascemos: unir forças para transformar realidades e gerar crescimento econômico para todos”.

CODAM

O governador Wilson Lima anunciou, na terça-feira, 17, durante a 314ª Reunião do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam), a aprovação de 36 projetos industriais com demanda de investimentos da ordem de R$1,29 bilhão e geração de 1.957 postos de trabalho. Ao presidir o encontro, Wilson Lima ressaltou a importância de um ambiente seguro para atrair investidores. “Estamos garantindo segurança jurídica e estimulando o setor produtivo. O Amazonas só cresce se houver retorno e confiança para quem investe”, afirmou.

Foto: Reprodução/Sedecti

De acordo com o secretário Serafim Corrêa, da Sedecti, o Polo Industrial de Manaus (PIM) segue como motor da economia estadual com faturamento, de janeiro a abril de 2025, US$12,9 bilhões, mantendo a média de 131,6 mil empregos diretos. Para 2025, os investimentos previstos no setor somam US$9,3 bilhões. Por outro lado, dados da Sedecti dão conta de que entre 2019 e 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas cresceu 56%, saltando de R$108,1 bilhões para R$169,6 bilhões. No mesmo período, o faturamento do PIM aumentou 95% e o número de empregos subiu 37%.

Além dos projetos aprovados no Codam, o Estado recebe investimentos estratégicos em áreas como energia e mineração, com destaque para o complexo industrial da Eneva, que se encontra à frente de projetos de exploração de gás e petróleo em Itacoatiara e Silves, com geração de mais de 1.000 empregos diretos projetados. Há a salientar que a Petrobras continua incrementando prospecções de petróleo em reservas on-shore, em terra firme, com previsão de 600 novas contratações em Coari e Tefé. Enquanto a Potássio do Brasil, dados divulgados pela empresa, já investiu mais de US$230 milhões em investimentos prospectivos visando a exploração das reservas de silvinita em Silves.

De acordo com informes da Sedecti, o PIM registrou faturamento de US$37,5 bilhões no acumulado de janeiro a dezembro de 2024, um crescimento de 6,4% em relação aos US$35,2 bilhões faturados no mesmo período de 2023. Entre os setores, os bens de informática lideraram com 23,03% do faturamento total, seguidos pelo setor eletroeletrônico (18,01%), duas rodas (17,89%) e termoplástico (14,78%); metalúrgico, químico e outros representaram, respectivamente, 9,89%, 8,83% e 7,56% do total. Os principais produtos fabricados no PIM incluem motocicletas (14,7%), televisores (11,5%), celulares (7,2%), placas e componentes eletrônicos (6,9%), garrafas e embalagens de vidro (5,9%) e aparelhos de ar-condicionado (6,1%). Em 2024, a média anual de mão de obra efetiva do Polo era de 123.489 trabalhadores. Há de se salientar que a evolução do emprego no setor industrial mostra crescimento constante nos últimos anos.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

‘Bumbá Arco-íris’: Boi Rasgadinho é um dos bois da diversidade parintinense; saiba qual é o outro

Boi Rasgadinho. Foto: Reprodução/Facebook/Bumbá Rasgadinho

A história do Boi Rasgadinho surgiu no sigilo. Em 2010, um grupo de amigos, que alugava a quadra da Escola João Bosco, em Parintins (AM), para jogar vôlei, aproveitava o momento para brincar e dançar como itens dos bumbás famosos, Caprichoso e Garantido. Aos poucos, a brincadeira ganhou um novo sentido e passou a ser uma festa.

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Boi Rasgadinho. Foto: Reprodução/Facebook/Bumbá Rasgadinho

No início, o evento acontecia em uma chácara. De acordo com Shirley Marinho, parte do grupo não era assumido como LGBTQIA+, então, o evento acontecia de maneira sigilosa. “Para frequentar as festas do Rasgadinho, as pessoas precisavam receber um convite e não era permitido o uso de telefones dentro da chácara. Afinal, algumas pessoas não eram assumidas para a sociedade”, contou.

Evolução

Aos poucos e com a evolução do grupo, realizaram a primeira festa oficial do Boi Rasgadinho. A partir de então, os eventos de um dos bumbás da diversidade passaram a acontecer com maior frequência, principalmente, para angariar fundos visando o desenvolvimento da agremiação.

O Rasgadinho é um bumbá que carrega as cores lilás e branca como predominantes. Ele tem o corpo em forma humana e na testa possui uma borboleta pintada nas cores do arco-íris. Já o nome surgiu de uma brincadeira entre os amigos que gostavam de “se rasgar”, daí o nome ‘Rasgadinho’.

“Tudo surgiu de uma brincadeira, que evidencia a luta da comunidade LGBTQIA+. Os bumbás da diversidade são leves e divertidos. Que o mundo possa aprender com as nossas agremiações”, detsacou Shirley.

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Boi Boiola, o “boi da Grelhação”: conheça um dos bumbás da diversidade em Parintins; saiba qual é o outro

Boi Boiola. Foto: Reprodução/Facebook-Boi Boiola

Criado em 2004 e batizado de Boi Boiola, o boi rosa choque nasceu da vontade de um grupo de amigos LGBTQIA+ de fazer parte do maior espetáculo a céu aberto da Amazônia, o Festival Folclórico de Parintins. Com batom, salto alto, cílios longos e muita irreverência, o Boi Boiola desfila pela Ilha Tupinambarana levantando a bandeira da inclusão. 

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No ano da criação, o espaço dentro dos bois oficiais, Caprichoso e Garantido, ainda era marcado por padrões rígidos de beleza, masculinidade e representação cultural. Sentindo-se à margem desse universo, Tarcísio Gonzaga e seus amigos decidiram dar vida ao que se tornaria o primeiro boi LGBTQIA+  da história da cidade.

“Surgiu como uma festa particular, mas os meus amigos acabaram sugerindo que abrisse para o público. No início, ficamos temerosos com represálias, porém, o boi Boiola conquistou as pessoas e vem crescendo a cada dia”, declarou Tarcísio.

Conhecido como “Boi da Grelhação”, o Boi Boiola possui reinterpretações de todos os itens de avaliação do Festival Folclórico de Parintins. Dentre os itens reinterpretados estão a Rainha do Folclore, a Cunhã-poranga, a Porta-estandarte, a Lenda gay, e o boi bumbá de batom, cílios e salto alto.

Boi Boiola, em Parintins, celebra a diversidade. Foto: Reprodução/Facebook-Boi Boiola

Toadas

A base das apresentações do Boi Boiola são as paródias: versões desconstruídas das toadas dos bois oficiais do festival reescritas com temas que envolvem o universo LGBTQIA+, enfrentamento ao preconceito e celebração da diversidade.

Curral Mundo Rosa

O curral do boi está localizado na chácara Mundo Rosa, na comunidade Aninga, em Parintins. Lá são realizadas as festas, os ensaios e as lives promovidas pela associação do Boi.

Além disso, o espaço também funciona como uma escola artística e de cidadania, pois é onde os integrantes compartilham entre si saberes que vão da maquiagem ao figurino, passando por corte, costura, design e coreografia. 

Criado como uma forma de resistência, o boi boiola hoje simboliza inclusão, liberdade e afeto, provando ano após ano que a cultura é mais rica quando se acolhe.  

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Véu da Noiva: a nova área de conservação regional de Ucayali, na Amazônia peruana

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Foto: Reprodução/Serfor Peru

O governo do Peru aprovou a criação da Área de Conservação Regional (ACR) Velo de la Novia (Véu da Noiva), localizada em Padre Abad e Boquerón, na província de Padre Abad, no departamento de Ucayali. Essa área recebeu apoio do Serviço Nacional de Florestas e Vida Silvestre (Serfor) por estar localizada em um ecossistema frágil.

Nos últimos meses, a Serfor coordenou esforços para atender às solicitações de governos regionais para declarar Áreas de Conservação Agrícolas (ACRs) em ecossistemas frágeis.

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Esse procedimento não estava incluído no protocolo de ação multissetorial assinado por cinco ministérios, que estabelece a estrutura de gestão para esses ecossistemas. Por isso, o Serfor coordena os mecanismos administrativos e regulatórios necessários como parte de um processo de desenvolvimento conjunto com o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernanp), o Ministério do Meio Ambiente (Minam) e outras instituições peruanas.

O ACR e o frágil ecossistema são categorizados como zona de proteção e conservação ecológica de acordo com o zoneamento florestal do departamento de Ucayali e constituem áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade.

Leia também: Ucayali é destaque no combate à extração ilegal de madeira no Peru

Modelo de gestão abrangente

O modelo de gestão abrangente para ecossistemas frágeis promovido pela Serfor busca a coordenação com as partes interessadas locais que detêm concessões de conservação, concessões de ecoturismo, concessões de exploração de recursos não madeireiros e agora também com as ACRs.

Esta é a segunda ACR (Área de Conservação Regional) declarada em menos de um mês, com o apoio do Serfor, em ecossistemas frágeis. Em 6 de junho, por meio do Decreto Supremo 010-2025-MINAM, o Poder Executivo também aprovou a criação da Área de Conservação Regional Medio Putumayo Algodón, no departamento de Loreto.

Região de importância ambiental

O ecossistema da área do Véu da Noiva é composto por florestas de baixa montanha, florestas de terraços altos e florestas de montanha, e abriga uma riqueza de flora e fauna nativas, bem como espécies ameaçadas de extinção e endêmicas.

Foto: Reprodução/Serfor Peru

A Cachoeira Véu da Noiva é uma das principais atrações turísticas desta parte do país, e seus arredores são compostos por florestas úmidas e flora e fauna abundantes. Esta área abrange 14.399,75 hectares. Sua criação foi formalizada por meio do Decreto Supremo 011-2025-MINAM , publicado na seção de normas legais do Diário Oficial El Peruano.

*Com informações da Agência Andina

Roraima tem pior índice de democracia ambiental da Amazônia Legal, aponta estudo

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Roraima tem pior índice de Democracia Ambiental entre os estados da Amazônia Legal. Foto: Caíque Rodrigues/Arquivo Rede Amazônica RR

Roraima é o estado da Amazônia Legal que menos oferece proteção a defensores ambientais, acesso à justiça, informação e participação da população na definição de políticas públicas, de acordo com o novo Índice de Democracia Ambiental (IDA). O estudo mapeou todos os nove estados da região e foi divulgado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e a Transparência Internacional – Brasil no último dia 16.

O estado teve a pior nota geral da região: 20,8 pontos de um total de 100. Ele é seguido pelo Acre, que registrou 26,5, e pelo Tocantins, que apresentou 30. O Mato Grosso teve a melhor pontuação, 48,3.

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O desempenho de Roraima foi classificado como ruim ou péssimo em todas as categorias do estudo. O índice mais crítico foi em relação a proteção para denunciantes, com apenas 0,8 pontos. De acordo com os pesquisadores, isso reflete “fragilidades institucionais e de políticas públicas”.

A Amazônia Legal é uma área delimitada em 1953 por lei federal com o objetivo de criar políticas para o desenvolvimento socioeconômico da região. É formada por nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e por parte do Maranhão, num total de 772 municípios.

Dividido nas categorias de “Acesso à Informação Ambiental”, “Acesso à Justiça Ambiental”, “Acesso à Participação” e “Proteção de Defensores Ambientais”, o IDA mede o grau de compromisso das instituições públicas com a democracia ambiental e a proteção de direitos na região.

A maior pontuação de Roraima foi registrada na categoria de acesso a informação, que avalia se dados ambientais relevantes estão disponíveis e acessíveis ao público, com 39,4 pontos. Nas outras foram:

  • Acesso a Justiça ambiental: 29 pontos;
  • Acesso a participação: 13,7 pontos;
  • Proteção de defensores: 0,8 pontos.
Foto: Vanessa Lima/Rede Amazônica

No âmbito estadual, a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Roraima (Femarh) disponibiliza uma plataforma com dados sobre multas aplicadas, autos de infração, licenças ambientais, de embarcação, pesca, autorizações de queimadas e de Cadastro Ambiental Rural. Além de orçamentos e boletins hidroclimáticos, de qualidade do ar e de focos de calor.

Há ainda um Grupo de Trabalho Social da Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação para a construção conjunta de espaços de governança e participação da sociedade. O objetivo é coordenar, discutir e consolidar o processo de concepção dos planos, programas e projetos, além de apoiar consultas públicas junto às comunidades roraimenses.

De acordo com o governo, a Polícia Militar também atua na proteção e prevenção ambiental por meio da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipa), com operações de repressão e atividades de cunho educacional voltadas para o cuidado com o meio ambiente.

Recomendações

Segundo o estudo, nenhum estado da Amazônia Legal foi avaliado com índice bom. Com 64,8 pontos, a União foi o único ente avaliado desta forma.

Para a coordenadora do Programa de Integridade Socioambiental da Transparência Internacional, Olivia Ainbinder, os resultados são preocupantes e demonstram um longo caminho para garantir o acesso à informação, participação e à Justiça, além da proteção de defensores na Amazônia.

“Em especial no ano em que o Brasil sedia a COP do Clima, esperamos que o diagnóstico contribua para que governos e demais instituições avaliadas realizem reformas e para que a sociedade demande mudanças”, disse Olivia.

O estudo ainda indica que as instituições públicas adotem medidas de urgência na Amazônia Legal. São elas:

  • Fortalecimento dos programas de proteção a defensores e defensoras ambientais nos níveis federal e estadual na Amazônia, com recursos adequados, e garantia de participação social, capacitação e protocolos de atuação das forças de segurança;
  • Disponibilização de informações ambientais essenciais em temas como exploração florestal, licenciamento, pecuária, regularização ambiental e fundiária, garantindo sua atualização, completude e formato reutilizável;
  • Criação e reforço de estruturas especializadas em meio ambiente, questões fundiárias e de povos indígenas e comunidades tradicionais no Judiciário, Ministério Público, Defensorias e polícias, com capacitação de seus membros e iniciativas de Justiça itinerante;
  • Aprimoramento de instrumentos de participação social em temas ambientais, como conselhos e audiências públicas, com inclusão, equilíbrio de representação e ampla divulgação das atividades.

*Com informações da Rede Amazônica RR