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Software da UFMA que contribui para a expansão segura da economia do hidrogênio recebe registro do INPI

Desenvolvimento do software Risk Vision. Imagem: divulgação

Desenvolvido no Núcleo de Pesquisa BAITES, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o software RISK Vision surgiu no âmbito do Programa de Recursos Humanos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (PRH–ANP).

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Criado pelo aluno de Engenharia Química Gabriel Câmara Cavalcanti, o projeto foi desenvolvido para unir a modelagem computacional avançada e algoritmos inteligentes afim de identificar vazamentos em ambientes de armazenamento de hidrogênio. O software RISK Vision atua com rapidez e precisão no diagnóstico do problema.

Essa tecnologia contribui diretamente para a expansão segura da economia do hidrogênio, considerada um dos eixos estratégicos da transição energética global  e um dos pilares para a construção de um futuro mais sustentável.

software RISK Vision

Para Dennys Correia, representante do PRH, a tecnologia demonstra grande relevância e possibilidade de uso na indústria. 

“Pensando no mercado, trata-se de uma ferramenta com enorme potencial de aplicação industrial, especialmente, em um contexto de transição energética em que o hidrogênio surge como vetor limpo e estratégico para o futuro da matriz energética. O RISK Vision contribui diretamente para garantir a integridade operacional de plantas industriais, reduzir riscos de acidentes e otimizar processos de monitoramento contínuo, favorecendo a sustentabilidade e a competitividade do setor”, explicou ele. 

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Segundo Gabriel Câmara, a ideia do software surgiu de uma necessidade prática observada durante sua pesquisa.

“Em minha pesquisa para a criação de um modelo de predição focado na identificação de possíveis áreas afetadas por um vazamento de gás, surgiu a necessidade de um programa. Esse software deveria ser capaz de reconhecer a nuvem de gás nas imagens das simulações e, então, delimitar as áreas em que ela estava presente, a fim de construir meu banco de dados com as regiões afetadas”, destacou.

O professor Elmo de Sena Ferreira, orientador do projeto, ressaltou a importância do apoio institucional para a sua concretização.“Sem o financiamento do PRH 54 UFMA, esse software não teria sido desenvolvido em um curto prazo de tempo”.

Colaboração que gera resultados

O PRH–ANP, responsável pelo apoio financeiro e estrutural ao projeto, tem como missão formar profissionais qualificados para enfrentar os desafios tecnológicos e regulatórios do setor energético. De acordo com Dennys Correia, o programa tem papel estratégico na aproximação entre Universidade e indústria. 

“O PRH-54 é um programa estratégico da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em parceria com a UFMA e a FAPESP, voltado à formação de recursos humanos altamente qualificados e ao estímulo à pesquisa aplicada em áreas ligadas à transição energética, petróleo, gás e biocombustíveis. Na UFMA, o programa atua fortalecendo o ecossistema de inovação tecnológica e de transferência de conhecimento”.

Em amarelo são tanques de armazenamento de gás de hidrogênio. A imagem colorida, que é a simulação do vazamento de hidrogênio formando uma nuvem), é capturada automaticamente. E a região que ela atinge a planta industrial é identificada e calculada. Foto: divulgação

Dennys ressalta ainda que o resultado obtido com o RISK Vision simboliza o propósito central do programa. “Desenvolvido no âmbito do PRH, o trabalho une formação acadêmica sólida, pesquisa de ponta e inovação tecnológica, refletindo o compromisso da UFMA com a geração de soluções de alto valor agregado para o país”. 

Com o avanço do processo de patente e o reconhecimento conquistado, o RISK Vision se consolida como uma inovação maranhense de alcance nacional, exemplificando, de forma concreta, como a integração entre pesquisa universitária e produção tecnológica pode impulsionar o desenvolvimento sustentável no país.

Registro de Propriedade Industrial

Em outubro deste ano, o trabalho do discente resultou em uma importante conquista, com a concessão do registro de patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A medida garante proteção legal ao código-fonte e às inovações técnicas do software, fortalecendo o potencial de transferência tecnológica e parcerias corporativas.

Para Gabriel, o reconhecimento marca um avanço decisivo no desenvolvimento do projeto: “O registro concedido pelo INPI é crucial, pois confere ao RISK Vision segurança jurídica e valor comercial. Ele nos garante a prova legal e incontestável da autoria do código-fonte e protege a confidencialidade da tecnologia. Comercialmente, transforma o programa em um ativo intelectual valorizado, elevando nossa credibilidade em negociações e permitindo explorar com total segurança jurídica”.

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Próximos passos

As próximas etapas envolvem o aprimoramento contínuo da ferramenta e a busca por parceiros comerciais. Dessa forma, a equipe vai apresentar o RISK Vision no Congresso Nacional da Associação Brasileira de Risco (ABRISCO), que será realizado no Rio de Janeiro, entre os dias 17 a 19 de dezembro deste ano. “Durante o congresso, buscaremos empresas interessadas na aplicação da tecnologia”, ressaltou Elmo. 

Além disso, o aprimoramento contínuo também faz parte dos planos futuros como uma forma de aumentar a sua relevância e utilidade industrial, como apontou Gabriel Câmara:

“Buscamos melhorar a precisão nas medições e na delimitação de corpos. Além disso, pretendemos adicionar novas funcionalidades, como a capacidade de análise em imagens 3D, visto que, até o momento, a visão e o processamento do programa são realizados apenas em espaço 2D”. 

Créditos da pesquisa

O sistema foi desenvolvido pelo discente do curso de Engenharia Química Gabriel Câmara Cavalcanti, sob orientação do professor Elmo de Sena Ferreira Júnior. O software RISK Vision foi desenvolvido nas instalações do Núcleo de Pesquisa BAITES, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o software é a mais recente inovação tecnológica surgida no âmbito do Programa de Recursos Humanos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (PRH–ANP).

*Com informação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

COP30: o que revelou a primeira semana de negociações e o que o planeta pode esperar

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COP30 acontece em Belém (PA) até dia 21 de novembro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Por Olímpio Guarany*

A primeira semana da COP30, em Belém do Pará, deixou claro que esta não é apenas mais uma conferência do clima. É um encontro marcado pela urgência, pela pressão dos povos da floresta e pela expectativa global de que a Amazônia seja, finalmente, tratada como peça estratégica para o futuro climático do planeta.

Negociações intensas e sinais de avanço

Os primeiros dias foram marcados por negociações intensas em torno de três eixos centrais: adaptação, financiamento climático e implementação de compromissos já assumidos pelos países.

Embora divergências persistam — especialmente entre países em desenvolvimento e grandes emissores — houve avanços importantes.

O debate sobre sistemas integrados de dados climáticos ganhou força, com governos e instituições defendendo plataformas unificadas que permitam monitoramento mais preciso e respostas rápidas a eventos extremos. Esse ponto foi reforçado pelo governador do Amapá, Clécio Luís, que destacou a importância de informações confiáveis para tomadas de decisão.

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Amazônia no centro das discussões

Pela primeira vez em uma COP realizada dentro da própria Amazônia, o território deixou de ser apenas “símbolo” e se tornou protagonista. Em mesas redondas, plenárias e encontros paralelos, pesquisadores, lideranças indígenas, governos subnacionais e organizações da sociedade civil pressionaram por mais recursos para conservação e para o fortalecimento das cadeias da sociobioeconomia.

O anúncio de novos aportes ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre — com investimentos bilionários já confirmados por países parceiros — reforçou a narrativa de que florestas não podem mais ser vistas apenas como patrimônio local, mas como infraestrutura climática global.

Belém Pessoas na Blue Zone COP30 Foto Bruno Peres Agência Brasil
Pessoas na Blue Zone (Zona Azul) na COP30 em Belém (PA). Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O que está em jogo na segunda semana

A partir de agora, a COP entra na fase mais complexa: garantir que as promessas saiam do papel. Os itens mais sensíveis ainda estão sobre a mesa, como:

• metas mais ambiciosas de redução de emissões,
• compromissos financeiros de longo prazo,
• regulamentação para mercados de carbono,
• mecanismos de compensação para países afetados por perdas e danos.

Ao mesmo tempo, a expectativa é que a conferência entregue resultados concretos para povos tradicionais, comunidades ribeirinhas e populações que vivem na linha de frente da crise climática — justamente quem menos contribuiu para o aquecimento global.

O que o planeta pode esperar

O mundo observa Belém com a esperança de que esta COP seja lembrada como a COP da Implementação. Depois de décadas de alertas científicos e metas não cumpridas, o planeta precisa de decisões corajosas, financiamento contínuo e estratégias que valorizem regiões essenciais, como a Amazônia, que mantém o clima global em equilíbrio.

A primeira semana mostrou que há disposição política, mobilização social e esforços multilaterais importantes. Agora, falta o passo decisivo: transformar discursos em ações efetivas.

Se isso acontecer, Belém poderá entrar para a história como o ponto de virada em que a humanidade decidiu enfrentar a crise climática com seriedade — e com a floresta como parceira, não como vítima.

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Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). Atualmente é apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.

*O conteúdo é responsabilidade do colunista

Desmatamento deixa Amazônia mais seca e mudanças climáticas globais a esquentam

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O desmatamento é responsável por quase 75% da redução das chuvas na estação seca da Amazônia. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Estudos recentes indicam que o clima na Amazônia Legal está se tornando mais quente e menos úmido neste século, especialmente na época de maior estiagem, entre o segundo e o terceiro trimestres do ano. Um artigo coordenado por pesquisadores brasileiros, publicado em setembro na revista científica Nature Communications, não só confirmou essa tendência como deu um passo além.

Calculou o peso relativo dos dois fatores principais que provocam a elevação da temperatura máxima e a diminuição de chuvas na estação seca: o desmatamento da maior floresta tropical do planeta e as mudanças climáticas globais.

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Segundo o trabalho, o desflorestamento é a alteração que mais reduz a pluviosidade na Amazônia enquanto o aquecimento planetário, alimentado pela emissão de gases de efeito estufa, é a causa que mais contribui para a alta dos termômetros.

“Desenvolvemos uma modelagem estatística que nos permitiu discriminar quanto do aumento da temperatura máxima e da redução de chuvas na Amazônia se deve ao desmatamento regional e quanto é induzido pelo aquecimento global na estação seca”, diz o físico Marco Franco, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), autor principal do artigo.

Ambos os fenômenos afetam as temperaturas e as chuvas na Amazônia durante todo o ano, mas nas equações concebidas pelos pesquisadores essa influência é mais acentuada e visível nos três meses de maior estiagem. “Por isso, focamos nosso trabalho especificamente no período mais seco.” Em diferentes setores da Amazônia, a estação seca abrange uma trinca de meses distinta. Em alguns, é de junho a agosto. Em outros, de julho a setembro.

De acordo com o artigo, entre 1985 e 2020 houve uma redução média de 21 milímetros (mm) na precipitação na estação seca da Amazônia. A derrubada de florestas foi responsável por 74,5% dessa queda (15,8 mm) e as mudanças climáticas globais por 25,5% (5,2 mm). Na questão das temperaturas máximas, o peso dos dois fenômenos é exatamente o oposto. Dos 2 graus Celsius (ºC) de aumento médio da temperatura máxima durante esse período de 35 anos, o trabalho atribui 83,5% dessa elevação (1,67 ºC) ao aquecimento global e 16,5% à supressão de vegetação (0,33 ºC).

Entre o primeiro e o último ano considerados pelo trabalho, a área de vegetação suprimida na Amazônia Legal dobrou: subiu de 10,9% do total em 1985 para 21,3% em 2020. Nesse mesmo intervalo, a concentração atmosférica de dióxido de carbono (CO2), o principal gás de efeito estufa, fenômeno que é o motor das mudanças climáticas globais, aumentou em aproximadamente 20%.

É esperado que o avanço do desmatamento reduza a pluviosidade e eleve as temperaturas na Amazônia. A floresta tropical emite gases que são importantes para o processo de formação dos núcleos de condensação na atmosfera, as sementes das nuvens que geram chuvas (ver Pesquisa FAPESP nº 285). Por isso, é comum os estudiosos do clima dizerem que a Amazônia produz a sua própria chuva, além de parte da umidade transportada para outras regiões do país.

desmatamento na amazônia - exploração ilegal
Foto: Felipe Werneck/Ibama

Também é bem conhecido o efeito de aquecimento que a supressão de vegetação provoca em áreas que perderam cobertura vegetal. “A contribuição do trabalho é ter desenvolvido uma abordagem que possibilitou separar os efeitos do desmatamento, uma alteração regional, dos impactos das mudanças climáticas, um fenômeno global”, comenta o meteorologista Luiz Augusto Machado, do Instituto de Física (IF) da USP, coordenador da equipe que fez o estudo.

21 mm de chuvas deixaram de cair todo ano na Amazônia na estação seca entre 1985 e 2020 em razão do desmatamento.

A diminuição no volume de chuvas na estação seca pode parecer pequena, ainda mais em uma região como a Amazônia, onde o total da pluviosidade anual frequentemente passa de 2 mil mm.

“Por ocorrer na estação mais seca, quando a floresta fica mais fragilizada com o estresse hídrico, essa diminuição de 21 mm nas chuvas, embora pequena em termos absolutos, tem grande impacto sobre a região”, comenta Machado.

Uma redução desse nível durante os meses mais úmidos não teria maiores consequências e passaria quase despercebida.

Os valores destacados no artigo são uma média para os meses de maior estiagem na Amazônia Legal, que abarca todo o bioma da floresta amazônica e setores do Cerrado e do Pantanal. A região é enorme, com cerca de 5,2 milhões de quilômetros quadrados (km2), que correspondem a 59% do território brasileiro.

Para calcular os impactos do desmatamento e das mudanças climáticas globais sobre essa imensidão de terra, o artigo dividiu a Amazônia Legal em 29 segmentos de floresta menores, de aproximadamente 90 mil km2. As análises foram feitas em cada um desses segmentos, que cobrem cerca de metade da área da Amazônia Legal, e também para a região como um todo.

Nas porções com mais área desmatada (quase 30% da floresta foi removida nesses trechos), a redução de chuvas ao longo dos 35 anos chegou a 50 mm na estação seca, mais do que o dobro da verificada em toda a região. “Nessa estação, entra menos água do oceano Atlântico na Amazônia e a floresta preservada assume um papel ainda mais importante para gerar chuva do que nos meses mais úmidos”, observa a bioquímica Luciana Gatti, coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que não participou do novo estudo.

Leia também: Mais de 90% do desmatamento da Amazônia é para abertura de pastagem, informa MapBiomas

O artigo empregou dados sobre o desmatamento fornecidos pelo MapBiomas, iniciativa da sociedade civil que atua como uma rede colaborativa de mais de 70 organizações não governamentais (ONG), universidades e startups de tecnologia. “Contribuímos com a série histórica de mapas anuais sobre a cobertura e o uso da terra da Amazônia”, explica a ecóloga Julia Shimbo, coordenadora científica do MapBiomas, também coautora do artigo.

Os autores principais do estudo preferiram trabalhar com os dados do MapBiomas em vez de usar as informações do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Inpe, que fornece a taxa oficial de desflorestamento divulgada anualmente pelo governo brasileiro. A maior resolução espacial do MapBiomas, que é capaz de observar cortes na vegetação em áreas de até 30 metros, pesou nessa escolha. O padrão de pluviosidade na Amazônia adotado no trabalho foi obtido a partir da dados de múltiplos satélites da Missão Global de Medição de Precipitação (GMP).

Outra conclusão interessante do estudo foi que o clima da floresta tropical não responde de forma linear à perda de vegetação nativa. No início do processo de desflorestamento, quando a quantidade de vegetação original suprimida se situa entre 10% e 40% do total, os impactos climáticos dessa alteração aparecem mais rapidamente. “Ainda estamos dentro dessa faixa inicial de desmatamento quando olhamos para a situação atual da Amazônia como um todo”, diz Franco.

No artigo, os autores ainda projetam como deverá ser o clima na Amazônia em meados da próxima década. Se o ritmo de desmatamento da floresta tropical se mantiver constante por mais 10 anos, o aumento da temperatura máxima na estação seca chegará a 2,64 oC e a redução de chuvas a 28,3 mm em 2035, sempre em relação aos valores de base de 1985.

Projeto: Centro de Pesquisa e Inovação de Gases de Efeito Estufa – RCG2I (nº 20/15230-5); Modalidade Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE); Convênio/Acordo BG E&P Brasil (Grupo Shell); Pesquisador responsável Julio Romano Meneghini (USP); Investimento R$ 25.376.639,63.

Artigo científico: FRANCO, M. A. et al. How climate change and deforestation interact in the transformation of the Amazon rainforest. Nature Communications. 2 set. 2025.

A reportagem acima foi publicada com o título “Sufoco duplo” na edição impressa nº 356, de outubro de 2025.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Marcos Pivetta

Maranhão leva à COP30 modelo inédito que alia mulheres, terra e floresta

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Foto: Reprodução/Embrapa

O governo do Maranhão apresentou na Conferência do Clima (COP30), em Belém (PA), uma experiência inédita que une titulação de terras, igualdade de gênero e preservação da floresta.

O programa Terra para Elas, coordenado pelo Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma) e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema), foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e apoiado financeiramente pelo Governo do Canadá, consolidando o estado como referência em governança fundiária e inovação social na Amazônia.

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Açaizais nativos do Maranhão
Açaizais nativos do Maranhão. Foto: Reprodução/Embrapa

Durante o painel, o governador Carlos Brandão destacou que o Maranhão transformou a regularização fundiária em instrumento de inclusão e sustentabilidade.

“Desde o início do nosso governo, elegemos a regularização fundiária como prioridade. Só através do título da terra o produtor, a agricultora ou a comunidade tradicional têm segurança jurídica para viver e produzir. Quando a mulher recebe o título, ela se torna guardiã da floresta”, afirmou.

Inclusão e segurança jurídica

O Terra para Elas é o primeiro projeto da América Latina voltado à titulação de terras de mulheres quilombolas e agricultoras familiares, integrando renda, preservação e autonomia.

O governador destacou o impacto direto da política: “Em três anos, passamos de 500 para 10 mil títulos de terra por ano. Já distribuímos 18 mil e seguimos avançando para garantir paz no campo e dignidade às famílias rurais”.

O secretário Pedro Chagas ressaltou que a estratégia ambiental e fundiária do Maranhão caminha lado a lado. “O Iterma entrega o título, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a segurança jurídica da terra, abrindo caminho para crédito e sustentabilidade. Não dá para fazer gestão ambiental sem saber quem é o dono daquele pedaço de chão”, afirmou.

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Monitoramento por satélite

O presidente do Iterma, Anderson Ferreira, explicou que o programa inova ao adotar monitoramento com imagens de satélite e inteligência artificial.

“O Estado reconhece a área, entrega o título e, durante dez anos, fará o acompanhamento remoto do uso da terra. Assim, garantimos que o beneficiário cumpra o papel social e ambiental do território”, disse.

O sistema permitirá rastrear o uso da terra e corrigir irregularidades sem necessidade de visitas a campo, reduzindo custos e aumentando a precisão da política pública. Para Brandão, o modelo mostra que “é possível conservar a floresta e gerar renda ao mesmo tempo, com responsabilidade e tecnologia”.

Parcerias e reconhecimento internacional

A Coordenadora-Residente das Nações Unidas no Brasil, Silvia Rucks, afirmou que o programa simboliza o avanço da justiça climática.

“Quando uma mulher recebe um título de terra, toda a comunidade se fortalece. Terra para Elas mostra que apostar no protagonismo feminino é criar caminhos sustentáveis que duram além de qualquer ciclo político”, destacou.

Leia também: Mulheres são protagonistas do extrativismo na Amazônia

Roça sustentável do Maranhão. Foto: Divulgação

O embaixador do Canadá no Brasil, Emmanuel Kamarianakis, anunciou nova contribuição ao fundo que financia a iniciativa. “O Canadá reconhece o esforço do Maranhão em se reconciliar com comunidades historicamente excluídas. Este é um passo concreto para romper ciclos de pobreza e exclusão, protegendo florestas e fortalecendo o desenvolvimento sustentável”, afirmou.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também participou do painel, ressaltando a importância de políticas que combinem segurança alimentar, bioeconomia e regularização fundiária, citando o Maranhão como exemplo de que é possível concretizar essas iniciativas.

Referência na Amazônia

O secretário-executivo do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, Marcelo Brito, ressaltou o caráter pioneiro da experiência maranhense.

Projeto de babaçu realizado com mulheres no Maranhão. Foto: Divulgação

“Este projeto une inclusão social, equidade de gênero e bioeconomia. Quando o estado decide fazer justiça social, o que se diz às comunidades é: vocês não precisam mais se esconder — sua sobrevivência está garantida por direito e por lei”, afirmou.

Encerrando a apresentação, o governador Brandão destacou o reconhecimento internacional conquistado pelo estado. “O Maranhão está mostrando ao mundo que bons projetos atraem bons investimentos. Nossa missão é fazer bem feito, com seriedade e resultados. Assim, garantimos futuro para o povo e para a floresta”, concluiu.

*Com informações da Secom MA

Marcha pelo Clima: 70 mil vão às ruas de Belém e pedem atenção de negociadores da COP30

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Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Máscaras de Chico Mendes e do cacique Raoni. Alegoria de boitatá. Carros de som alternando entre discursos políticos, ritmos de carimbó e brega. A Marcha Mundial pelo Clima ocupou neste sábado (15) as ruas de Belém (PA) com uma amostra expressiva da diversidade cultural e social do povo amazônico.

Leia também: Por que Belém? Entenda como a capital paraense se tornou sede da COP30

Segundo os organizadores, pelo menos 70 mil pessoas estiveram presentes na manifestação, que saiu do Mercado de São Brás, no centro histórico, até a Aldeia Cabana. Um trajeto de aproximadamente 4,5 km feito sob um sol forte de 35°C.

Nada mais representativo para um ato que teme a falta de decisões efetivas de combate à emergência climática na 30° Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).

A marcha foi organizada por integrantes da Cúpula dos Povos e da COP das Baixadas, e teve a participação de representantes de organizações de todos os continentes, de povos tradicionais e das comunidades paraenses.

“Estamos aqui com todos os povos do mundo e movimentos sociais para um grito de alerta sobre as ameaças e os ataques aos territórios, e contra defensores e defensoras dos direitos humanos e do meio ambiente. Precisamos que órgãos oficiais e a ONU reconheçam que, para ter transição justa, é preciso proteger quem protege a floresta”, disse Darcy Frigo, do Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH) e da comissão política da Cúpula dos Povos.

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Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

“Queremos expressar todas as demandas que têm surgido durante a Cúpula dos Povos. Queremos denunciar as falsas soluções para as mudanças climáticas, como fundos de financiamento para florestas. Pedimos para não explorarem petróleo na Amazônia e para não proliferar os combustíveis fósseis em todo o mundo”, disse Eduardo Giesen, coordenador na América Latina da Global Campaign to Demand Climate Justice.

As ministras do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, subiram no carro principal da marcha para manifestar apoio ao ato pelo clima. Marina destacou o caráter mais popular da COP que é realizada no Brasil.

“Depois de outras COPs, em que as manifestações sociais ocorriam apenas dentro de espaços oficiais da ONU, no Brasil, no Sul Global, em uma democracia consolidada, podemos ocupar as ruas. A COP30 permite o encontro das periferias, das águas, das cidades, dos campos, das florestas. Lugares que enfrentam as mudanças do clima. Em que pesem nossos desafios e contradições, temos que fazer um mapa do caminho para transição justa e encerrar a dependência dos combustíveis fósseis”, disse Marina.

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Força cultural

Um dos exemplos das tradições locais de cultura e organização social presentes no ato em Belém foi o Arraial do Pavulagem, grupo que divulga a música popular paraense e amazônica, misturando elementos regionais. O coordenador do Pavulagem, Júnior Soares, entende que é impossível falar de tradições culturais urbanas, sem abordar os extremos climáticos.

“Nós temos 38 anos de construção desse grupo e das apresentações de rua na região de Belém. E as condições ambientais do lugar onde a gente vive sempre foram importantes para nós. Estamos na marcha com uma representação dos nossos brincantes, nos somando a essa luta para pedir um olhar especial do mundo pela Amazônia e para os povos que vivem aqui”, disse Soares.

Marciele Albuquerque, indígena Munduruku, ativista e cunhã-poranga do Boi Caprichoso, foi às ruas para defender a demarcação de terras dos povos tradicionais como política climática.

“A marcha é central para as nossas demandas, porque tem povos, vozes e línguas do mundo inteiro. Uma diversidade cultural muito grande para mostrar a nossa força tanto nas ruas como para o mundo. Nós estamos no centro de todas as discussões na COP30 aqui em Belém, defendendo as pessoas que vivenciam a Amazônia e que pagam pelas consequências climáticas das quais não são responsáveis”, disse Marciele.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Na marcha deste sábado, chamou a atenção uma cobra de 30 metros, com a frase: “Financiamento direto para quem cuida da floresta”. A escultura é resultado de um trabalho coletivo de 16 artistas de Santarém, criada em 15 dias de produção, e apoiada pelo movimento Amazônia de Pé. Construída em parceria com a Aliança dos Povos pelo Clima, a obra apoia a campanha “A gente cobra”, que exige o financiamento direto para as populações que vivem na floresta amazônica.

Leia também: Cúpula dos Povos exige soluções reais e alerta para risco de injustiça climática em Belém

Movimentos sociais

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) trouxe a demanda social por moradia, relacionada aos problemas climáticos. Segundo Rud Rafael, coordenador nacional do MTST, a questão ambiental tem ganhado cada vez mais centralidade nas pautas do movimento.

“Não tem como pensar mais a questão da moradia, sem pensar a questão ambiental. A gente teve no Rio Grande do Sul, por exemplo, um evento climático extremo que impactou mais de 600 mil pessoas. Não tem como pensar mais a questão da moradia só pelo déficit habitacional, quando cada evento climático extremo gera milhares e, às vezes, milhões de impactados. A ideia é colocar a periferia no centro das soluções”, disse Rud.

O ato contou com manifestantes de diferentes organizações internacionais. Kwami Kpondzo, de Togo, na África, veio como representante da Global Forest Coalition, e defendeu a união de todos os movimentos populares como forma de lidar com os problemas ambientais globais.

“Estamos aqui para dar apoio às pessoas impactadas pelas mudanças climáticas, pela degradação florestal, pela mineração, pelo desmatamento. Queremos nos posicionar na marcha contra o capitalismo e o colonialismo. Estamos muito felizes porque as pessoas juntas têm poder e são capazes de mudar esse sistema que destrói o nosso planeta”, disse Kpondzo.

Povo quer ser ouvido

O povo espera e exige ser ouvido nas negociações climáticas da COP30. Esse foi o recado dado pelos movimentos sociais e comunidades de todo o mundo que participaram da Marcha. 

Entre as principais reivindicações da manifestação estavam a extinção dos combustíveis fósseis, o fim do financiamento público ao agronegócio, a demarcação de terras indígenas e quilombolas e a retirada dos invasores desses territórios.

Artur Colito, da coordenação estadual do Movimento de Atingidos por Barragens no Pará, afirmou que as negociações climáticas oficiais precisam considerar as ideias e anseios dos movimentos populares.

“As soluções climáticas ela vem de quem já defende as florestas, de quem já protege os biomas, de quem está nos territórios, e muitas vezes é atacado por essas falsas negociações, ou negociações que têm muito mais interesses corporativos do que interesses de fato de preservação do meio ambiente. A gente fala que defender a Amazônia é defender a vida. Já tem pessoas, comunidades tradicionais, indígenas, originários, quilombolas, entre outras, que estão se organizando”.

O Movimento Negro Unificado também participou da Marcha dos Povos pelo Clima. O grupo ressaltou que as consequências da crise climática atingem principalmente as populações que vivem em locais de risco, majoritariamente negras. Marcelino Conti, coordenador estadual do movimento, também lembrou que os povos quilombolas, assim como os indígenas, são os principais responsáveis por proteger as áreas de floresta e mata nativa.

“Aonde tem quilombo não tem garimpo. Onde tem quilombo não tem madeireiro. Não tem desmatamento. A gente não precisa de uma COP30 pra ensinar pra gente como é que a gente vai preservar essa floresta. Eles estão aqui pra fazer um mercado. Transformar nossa floresta numa mercadoria e monetizar em cima disso. Nós estamos há duzentos anos protegendo essa floresta. Os negros que vieram pra cá escravizados”.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Leia também: COP30: Aquecimento acelera enquanto resiliência do sistema terrestre diminui, indica relatório

A quilombola Daniele Abreu, da comunidade Bandeira Branca em Inhangapi, no Pará, ressaltou que os territórios quilombolas estão sendo afetados pela pressão da atividade agropecuária extensiva.

“Lá no nosso quilombo, estamos tentando preservar a reserva que ainda existe. Porque muitos rios estão secando. Peixes estão morrendo. Na minha região, são os fazendeiros que estão derrubando, fazendo desmatamento, sem pensar que isso tá degradando o meio ambiente e acabando com a vida dos animais, dos peixes e da floresta”.

A Marcha dos Povos pelo Clima em Belém foi marcada por uma forte presença de povos originários, tanto do Brasil quanto de outros países. Taywade Juruna, da comunidade indígena do Pacajaí, alertou que o território em que seu povo vive já sofre consequências tanto da crise climática quanto de empreendimentos econômicos instalados na região.

“A nossa comunidade é afetada diretamente. Porque lá, foi construído o Belo Monte. Essa questão climática afetou diretamente lá ainda mais. O nosso rio lá secou. Lá não tem piracema mais, não tem igapó. Os peixes lá acabaram. É dizer que nós existimos, resistimos e não queremos mais esses empreendimentos que matam, que destroem o nosso meio ambiente”.

A manifestação pelas ruas de Belém começou por volta das 10h no Mercado São Brás e encerrou perto do meio-dia na Aldeia Amazônica. Os participantes permaneceram no local de encerramento ainda por muitas horas em atividades de protesto.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Rafael Cardoso; e pela Rádio Agência Nacional, escrito por Daniel Ito

Amazon Sat Agro explora inovação e negócios da 44ª edição da Expoferr Show

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Foto: Willame Sousa

O programa Amazon Sat Agro, do canal Amazon Sat, terá uma edição especial voltada para a 44ª Exposição-feira Agropecuária de Roraima (Expoferr Show 2025). Sob o comando de Patrick Motta Filho, o especial mostrará todos os detalhes do maior evento de negócios agropecuários da região Norte, que ocorre de 4 a 8 de novembro no Parque de Exposição Dandãezinho, em Boa Vista. A estreia é no dia 17, às 18h30 (horário de Manaus/AM).

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O jornal do agronegócio terá conteúdos especiais produzidos diretamente do evento e com duração de uma hora. Para acompanhar é só sintonizar os canais do Amazon Sat em:

  • Amazonas (44.1),
  • mapá (29.1),
  • Rondônia (22.1),
  • Roraima (23.1)
  • e Acre (31.1).

“Vamos mostrar tudo sobre a Expoferr, os bastidores do evento, movimentação econômica, linhas de crédito disponíveis, as inovações e o empreendedorismo no agro, tudo o que rolou durante os dias do evento. Normalmente, o Amazon Sat Agro tem 30 minutos, mas como a exposição é um celeiro de conteúdos interessantes, vamos repetir o que fizemos em 2024 com a edição especial de uma hora”, afirmou o jornalista e apresentador Patrick Motta Filho.

Expoferr Show 2025
Foto: Willame Sousa

Motta afirmou que a Expoferr Show representa um leque de oportunidades para o mundo do agronegócio e destacou a importância de mostrar o evento para todo o Brasil:

“A Expoferr é um evento que, além de levar entretenimento para as famílias, também leva muita oportunidade para produtores rurais, que podem vender seus produtos e fazer uma renda extra. Alguns fecham parcerias com cooperativas de crédito para o seu negócio, outros conseguem o tão sonhado título da terra. É um evento que permite que produtores alcancem progresso e é muito bom fazer parte disso, levar essa informação pra quem nos acompanha. É importante que as pessoas saibam que um evento como esse existe e a oportunidade que elas podem ter ao participar da Expoferr”.

O coordenador de jornalismo do canal, Lemmos Ribeiro, destaca ainda que o programa é uma forma de mostrar a riqueza cultural da Amazônia: “Nossa proposta é conectar os amazônidas cada vez mais a sua própria cultura, mas também mostrar ao mundo o quão vasta é a cultura amazônica”.

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

25 diretrizes para enfrentar crise climática são aprovadas por parlamentares durante a COP30

Parlamentares de 47 países assinam documento formulado durante a COP30. Foto: Claudio Araújo/ALEPA

A União Interparlamentar (UIP) aprovou na sexta-feira (14), 25 diretrizes para enfrentar a crise climática. O documento foi discutido por parlamentares de 47 países reunidos na Assembleia Legislativa do Pará, durante a Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP30).

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Os parlamentares afirmam que o aquecimento global é uma ameaça existencial. Segundo o texto, os impactos atingem as seguranças alimentar, hídrica e energética; as infraestruturas nacionais; os sistemas financeiros; e, sobretudo, os direitos humanos.

O relator da reunião parlamentar na COP30, senador Humberto Costa (PT-PE), destacou o papel dos Legislativos no financiamento climático e no monitoramento das metas.

“Defendemos transparência orçamentária, monitoramento rigoroso das metas de mitigação e financiamento adequado para que países em desenvolvimento cumpram seus compromissos”, afirmou.

Transição energética

O documento recomenda uma transição energética justa e inclusiva, com redução de subsídios aos combustíveis fósseis — petróleo, carvão e gás natural — e crescimento do uso de energias renováveis.

Outro eixo é o fortalecimento dos planos de adaptação climática, com atenção especial às populações mais vulneráveis a eventos extremos.

As diretrizes incluem ainda:

  • ações climáticas para reduzir desigualdades;
  • valorização dos conhecimentos dos povos indígenas e comunidades tradicionais;
  • uso do risco climático nas decisões públicas;
  • ampliação do papel dos bancos multilaterais de desenvolvimento;
  • reconhecimento do ecocídio como crime internacional;
  • proteção de defensores do meio ambiente.
25 diretrizes para enfrentar crise climática são aprovadas por parlamentares durante a COP30 - alepa
Reunião para definir diretrizes foi realizada na Alepa. Foto: Reprodução/Agência Pará

Atuação dos Parlamentos

O senador Humberto Costa afirmou que os Parlamentos precisam ampliar a cooperação internacional.

“Os Parlamentos devem definir leis que garantam a implementação das contribuições climáticas e fiscalizar a ação dos governos, inclusive o financiamento”, disse.

Integrante do comitê-executivo da UIP, o deputado Claudio Cajado (PP-BA) ressaltou que os eventos climáticos extremos exigem debate suprapartidário.

“Quando reunimos parlamentares do mundo inteiro, trocamos experiências, ideias e críticas. Discutiremos em cada Parlamento o que foi debatido aqui”, afirmou.

O documento final com as diretrizes também aborda o incentivo à pesquisa, à inovação e ao uso da inteligência artificial para enfrentar a crise climática; a ampliação da proteção da biodiversidade; e ações para combater a desinformação climática.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias

Cúpula dos Povos exige soluções reais e alerta para risco de injustiça climática em Belém

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Visão panorâmica do Rio Guamá, que recebeu a barqueata da Cúpula dos Povos. Foto: Zé Netto/Cúpula dos Povos

Enquanto o Palácio das Nações Unidas se prepara para receber chefes de Estado e negociadores da COP30, movimentos sociais e comunidades de base do Brasil e do mundo se articulam de forma autônoma na Cúpula dos Povos Rumo à COP 30.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a Cúpula do Clima? 

Realizado em Belém, o encontro se consolida como a voz de quem está na linha de frente da crise climática, confrontando uma agenda oficial que, historicamente, privilegia o mercado e interesses corporativos em detrimento da vida e dos territórios.

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Barqueata, manifestação que abriu a Cúpula dos Povos.
Foto tirada durante a Barqueata, manifestação que abriu a Cúpula dos Povos. Foto: Ewerton Gomes

Leia também: Barqueata reúne movimentos sociais em Belém durante a COP30

O diagnóstico elaborado pela Cúpula é enfático: a crise climática é, antes de tudo, uma crise de injustiça: racial, social, de gênero e colonial. Para os movimentos, se a COP30 não incorporar a agenda popular, correrá o risco de se tornar mais uma arena de validação de “falsas soluções”.

O alerta recai especialmente sobre o foco em mecanismos de mercado, como a financeirização da natureza, e sobre a ausência de responsabilização pela dívida ecológica acumulada pelos países do Norte Global e pelas grandes corporações. Sem mudanças profundas, afirmam, a Amazônia e demais biomas seguirão submetidos ao avanço do racismo ambiental e à impunidade corporativa.

Imagem registrada na Barqueata, realizada no dia 12 de novembro, durante o manifestação que abriu a Cúpula dos Povos. Foto: Divulgação / Cúpula dos Povos

O enfrentamento passa por romper com o extrativismo insustentável e garantir uma transição energética realmente justa, inclusiva e popular.

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Seis eixos estratégicos

• Territórios e Maretórios Vivos: Defesa da demarcação de terras, da soberania alimentar e do reconhecimento da Natureza como sujeito de direitos.

• Reparação Histórica: Enfrentamento ao racismo ambiental, às falsas soluções e exigência de que a Dívida Ecológica seja paga.

• Transição Justa, Popular e Inclusiva: Superação da era dos combustíveis fósseis e construção de uma democracia energética pautada por saberes populares.

• Contra as Opressões: Articulação em defesa da democracia, do internacionalismo dos povos e contra a extrema-direita e os fundamentalismos.

• Cidades Justas e Periferias Urbanas Vivas: Combate ao racismo ambiental urbano e defesa da democratização do acesso a saneamento e energia.

• Feminismo Popular: Centralidade das mulheres nos territórios e defesa inegociável dos direitos sexuais e reprodutivos.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é a Cúpula dos Povos?

Carta Final

O ápice da mobilização será a construção da Carta Final da Cúpula dos Povos, documento que não se limita ao caráter protocolar. A carta nasce como uma ferramenta popular de pressão política internacional, reunindo denúncias, propostas e exigências dos movimentos sociais globais.

Imagem registrada na Barqueata, realizada no dia 12 de novembro, durante o manifestação que abriu a Cúpula dos Povos. Foto: Divulgação / Cúpula dos Povos

Forjado nas lutas e nos debates dos territórios, o texto funcionará como um mandato popular destinado a pressionar governos, corporações e a própria Organização das Nações Unidas (ONU) a romper com negociações climáticas formais e avançar rumo à Justiça Climática e ao Bem Viver.

A mensagem é direta: as soluções para a crise não nascerão das salas fechadas das COPs, mas do poder e da articulação dos povos.

No encerramento da Cúpula, em 16 de novembro, a Carta de Declaração dos Povos, construída por integrantes de mais de 1.100 entidades e movimentos de 62 países, será entregue ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30. Há expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteja presente na ocasião.

*Com informação da Ascom Operativo Nacional da Cúpula

Bumbá Beat: trio amazonense lança série de toadas eletrônicas; confira!

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Bumbá Beat é formado pelos músicos Viktor Judah (produtor musical), Pedro Kanan (cantor e percussionista) e João Serrão (charango e flautas). Foto: Demi Brasil/Dan Stump 

Formado pelos músicos Viktor Judah, Pedro Kanan e João Serrão, o trio Bumbá Beat propõe uma nova experiência sonora para o universo da toada, combinando tradição, tecnologia e identidade amazônica.

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O Bumbá Beat nasce do encontro entre a cadência da Marujada de Guerra e as atmosferas eletrônicas da música pop contemporânea.

O resultado é uma sonoridade retrofuturista, que mantém o peso rítmico da tradição e o projeta em novas frequências. 

Leia também: Conheça os currais em que os bois Caprichoso e Garantido produzem a magia do Festival Folclórico de Parintins

Sonoridade que une tambores e máquinas

Disponível nas plataformas de áudio o primeiro single da série Bumbá Beat, estreia com a faixa #1 – Kananciuê”, uma releitura retrofuturista do clássico composto por Ronaldo Barbosa em 1995 para o Boi-Bumbá Caprichoso.

A releitura de “Kananciuê” faz uso intenso de percussões típicas do boi-bumbá, acompanhadas por charango e flautas, que ganham novas dimensões ao se misturarem a sintetizadores e texturas digitais.

Mais do que um experimento musical, o projeto nasce da interseção entre as muitas Amazônias. Foto: Demi Brasil/Dan Stump 

“A série Bumbá Beat foi pensada por nós três. A gente se reuniu para realizar esse desejo de trazer o boi-bumbá para uma roupagem mais atual, unindo elementos modernos do pop, mas também resgatando a cadência dos anos 90 do Caprichoso, trazendo um olhar retrofuturista para essas toadas que apaixonaram tanta gente”, explica Pedro Kanan.

A Amazônia que pulsa entre o tambor e o beat

Mais do que um experimento musical, o projeto nasce da interseção entre as muitas Amazônias, da florestal à urbana, e de como elas dialogam no imaginário e na arte de seus criadores. 

O Bumbá Beat reflete a Amazônia que se reinventa nas cidades, nas misturas culturais e nas novas linguagens musicais, sem perder o elo com suas raízes.

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“Temos um profundo respeito pela tradição do boi-bumbá. Esse projeto é resultado do impacto que o Caprichoso teve na nossa musicalidade e concepção artística, misturado com outras referências que chegam nessa Amazônia urbana, que é uma das muitas Amazônias. Buscamos essa conexão entre o ancestral e o contemporâneo”, destaca João Serrão.

O grupo se propõe a expandir as possibilidades da toada para além dos limites do Festival de Parintins, transformando o boi-bumbá em fonte de influência para outras estéticas musicais.

O grupo ‘Bumbá Beat’ se propõe a expandir as possibilidades da toada para além dos limites do Festival de Parintins. Foto: Demi Brasil/Dan Stump 

“O Bumbá Beat é esse espaço que criamos para fazer misturas e ampliar o alcance da toada fora do festival. O projeto não vem mostrar como o boi-bumbá pode ser influenciado por referências de fora, mas sim como essas referências podem ser influenciadas pelo boi-bumbá e desvendar o que podemos esperar dessas outras estéticas quando colocadas em função da toada”, afirma Viktor Judah.

Tradição em movimento

Trinta anos após o lançamento de “Kananciuê”, o Bumbá Beat revisita esse marco sonoro da música amazonense. Com a fusão entre o peso dos tambores e os beats eletrônicos, o trio reafirma que a tradição não é estática, ela pulsa, se move e se mistura, como o som, como o povo, como a própria Amazônia.

O Bumbá Beat é uma série musical criada pelos artistas amazonenses Viktor Judah, Pedro Kanan e João Serrão.
O Bumbá Beat é uma série musical criada pelos artistas amazonenses Viktor Judah, Pedro Kanan e João Serrão. Foto: Demi Brasil/Dan Stump 

O projeto

O Bumbá Beat é uma série musical criada pelos artistas amazonenses Viktor Judah, Pedro Kanan e João Serrão, dedicada a reinterpretar clássicos do boi-bumbá de Parintins sob uma ótica contemporânea. Com uma estética que une o peso da marujada às texturas eletrônicas da música pop mundial, o projeto busca traduzir o diálogo entre o ancestral e o moderno, refletindo a pluralidade da Amazônia Urbana.

Defensoria Pública e Sema assinam protocolo para implementação do Cinturão Verde em Manaus durante a COP30

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O cinturão verde contribui para a redução da temperatura local. Foto: Rafael Aleixo/g1 Amapá

Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) firmaram no dia 13 de novembro, um Protocolo de Intenções para viabilizar a implementação do projeto Cinturão Verde em Manaus

Saiba mais: Cinturão verde: o escudo natural contra o calor e a expansão urbana

A assinatura ocorreu no estande das Defensorias do Brasil, na Green Zone, área dedicada ao diálogo com a sociedade civil. Para o defensor público-geral do Amazonas, Rafael Barbosa, o momento é simbólico. “Estamos discutindo justiça climática, que está diretamente ligada à justiça social”, afirmou. 

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Assinatura de Protocolo de Intenções Cinturão Verde - Defensoria Pública e Sema.
A assinatura ocorreu no estande das Defensorias do Brasil, na Green Zone, área dedicada ao diálogo com a sociedade civil. Foto: Thamires Clair

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Barbosa destacou que o apoio da Sema deve acelerar a execução da proposta. “A parceria surge em um momento crucial para o Cinturão Verde e deve contribuir para a definição das áreas beneficiadas pela iniciativa. A secretaria possui técnicos que atuam diretamente com esse tipo de análise”, ressaltou. 

O protocolo também foi assinado pelo secretário da Sema, Eduardo Taveira, que enfatizou a importância de políticas que garantam direitos aos agricultores familiares e ajudem a frear o avanço urbano desordenado em Manaus. 

“A partir de agora, serão identificadas as áreas-piloto, delimitados os territórios e definidas as prioridades para a implementação”, explicou. 

O projeto

O Cinturão Verde é um projeto estruturante da Defensoria, desenvolvido em parceria com o Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA/USP) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

A iniciativa busca promover a sustentabilidade ambiental por meio da segurança fundiária, fortalecendo comunidades rurais e contribuindo para um planejamento territorial mais equilibrado. 

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O Cinturão Verde é um projeto estruturante da Defensoria, desenvolvido em parceria com o Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA/USP) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Foto: Thamires Clair

“A assinatura do memorando de intenções pelo Estado do Amazonas através da Secretaria do Estado do Meio Ambiente é extremamente importante porque o projeto Cinturão Verde tem apontado juntamente com a academia a necessidade da construção de soluções estruturantes para um problema complexo que é a insegurança fundiária”, afirma o titular da Defensoria Pública Especializada em Direitos Coletivos (DPEIC), defensor Carlos Almeida Filho. 

“O apontamento que nós fazemos é que a necessidade de construção de política pública se torna agora muito mais concreta com a entrada do Estado nesse processo. Já temos alinhamento inclusive para estabelecer um plano de trabalho tão logo se encerra a COP e com as parcerias que estamos construindo ao longo dos meses podemos apresentar projetos pilotos para demonstrar a sustentabilidade do nosso modelo”, completa o defensor público.

Ao longo da COP30, a Defensoria tem ampliado articulações com instituições públicas, privadas e organizações internacionais para viabilizar o projeto. A programação inclui palestras e mesas-redondas com pesquisadores, especialistas e representantes da sociedade civil. 

Assinatura de Protocolo de Intenções Cinturão Verde – Defensoria Pública e Sema. Foto: Thamires Clair

Proposto pela Defensoria Pública do Amazonas, o Cinturão Verde visa impulsionar políticas públicas voltadas à regularização fundiária, ao fortalecimento da agricultura familiar e à proteção ambiental. 

A iniciativa parte da premissa de que garantir direitos a quem vive e produz no meio rural é essencial para combater a expansão urbana irregular e preservar o equilíbrio ecológico da região.

Cinturão verde

Um cinturão verde é uma faixa de vegetação preservada, geralmente composta por árvores nativas, que exerce funções ecossistêmicas fundamentais. De acordo com especialistas, essas áreas contribuem para a redução da temperatura local, oferecem sombra natural e melhoram a qualidade do ar. Além disso, agem como barreiras contra a expansão urbana descontrolada, protegendo ecossistemas frágeis e importantes para o equilíbrio climático.

Em tempos de mudanças climáticas e urbanização acelerada, os cinturões verdes se destacam como ferramentas estratégicas para tornar as cidades mais resilientes, sustentáveis e saudáveis. Mais do que áreas de sombra e frescor, são patrimônios naturais que merecem atenção e preservação.

*Com informação da DPEAM