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Ovo de Páscoa com 52 quilos criado por empresário de Rondônia chega à R$ 35 mil

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O recheio do ovo de Páscoa é de pistache, sabor que se tornou o carro-chefe da confeitaria. Foto: Reprodução/Flakes Brazil

Um empresário de Rondônia ganhou destaque nas redes sociais ao produzir um ovo de Páscoa gigante de 52 quilos. Avaliado em cerca de R$ 35 mil, o doce leva aproximadamente quatro dias para ser concluído.

O recheio é de pistache, sabor que se tornou o carro-chefe da confeitaria Flakes. A casca utiliza cerca de 20 quilos de chocolate, enquanto o interior soma 30 quilos de brigadeiro e creme de pistache, além de camadas crocantes.

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Além do ovo de Páscoa, confeitaria aposta em produtos gigantes

A criação é de Leonardo Borges, que possui confeitarias em Porto Velho e São Paulo. A ideia de investir em produtos de grande porte surgiu no Natal de 2023, quando a confeitaria lançou panetones gigantes e percebeu a procura por itens exclusivos e de alto valor agregado.

Leia também: Tendência de 2026, ovo de Páscoa em fatias ganha sabores regionais em Rondônia

Leonardo Borges e ovo de páscoa gigante de R$35 mil Foto: Reprodução Flakes Brazil
Foto: Reprodução/Flakes Brazil

Desde então, a proposta foi expandida para outras datas comemorativas, como a Páscoa. Segundo Borges, os doces gigantes são pensados para consumo coletivo, especialmente entre famílias e empresas.

Apesar da repercussão, esses produtos representam uma parcela menor das vendas. Os ovos tradicionais custam a partir de R$ 140, enquanto versões maiores, com cerca de 8 quilos, podem chegar a R$ 5 mil.

O processo de produção é totalmente artesanal e envolve etapas como a preparação do molde, a temperagem do chocolate e o descanso entre as camadas, motivo pelo qual os itens são feitos apenas sob encomenda.

*Por Raíssa Fontes, da Rede Amazônica RO

Estudo une sabor e valor nutricional ao chocolate amazônico

Investigação envolveu a colaboração de pesquisadores da Unesp, da Embrapa e das universidades federais de Rondônia e do Amazonas. Fotos: Edilaine Istéfani Franklin Traspadini

O chocolate produzido na Amazônia é reconhecido internacionalmente por seu sabor único. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que ele pode ganhar ainda mais valor. A análise indica que práticas de pós-colheita, como a fermentação das amêndoas da fruta, aliadas à escolha adequada do cultivar podem unir qualidade nutricional e sabor ao chocolate, ampliando o potencial de mercado do produto.

“Diferente da soja, do milho e do trigo, que são pagos pela quantidade, o cacau é um dos poucos produtos agrícolas que é muito mais remunerado pela qualidade. Nesse estudo vimos que é possível que o cacau amazônico ganhe nessas duas vertentes. Por isso, no estudo, selecionamos o melhor cultivar e as melhores formas de pós-produção para obter qualidade nutricional e de sabor”, afirma Renato de Mello Prado, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp, em Jaboticabal, que coordenou a pesquisa.

Leia também: Conheça o cacau da Amazônia, matéria-prima do chocolate

O estudo, apoiado pela FAPESP, foi realizado na Estação Experimental Frederico Afonso, pertencente à Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), em Rondônia, onde os pesquisadores avaliaram nove clones de cacau sob dois sistemas de pós-colheita: grãos fermentados, como no processo tradicional de chocolate, e grãos pré-secos, sem fermentação.

A investigação envolveu a colaboração de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa de Porto Velho), Universidade Federal de Rondônia (Unir, campus Rolim de Moura) e Universidade Federal do Amazonas (Ufam, campus Humaitá).

“A fermentação é um processo importante na produção do chocolate. Sem ela, a amêndoa não desenvolve a cor e o aroma que conhecemos, mas há um custo nutricional importante nesse processo”, conta Edilaine Istéfani Franklin Traspadini, bolsista de pós-doutorado da FAPESP.

“Por isso, sugerimos a criação de blends que combinem grãos fermentados e não fermentados, como uma estratégia para equilibrar o sabor e o valor nutricional. Essa estratégia pode aumentar o valor do cacau amazônico no mercado de chocolates, seguindo uma abordagem bem parecida com o que tem sido feito no setor de café”, diz.

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chocolate criado em rondônia sem leite e gluten
Foto: Reprodução

Combinações geram novos chocolates

Os resultados mostraram que a fermentação das amêndoas de cacau reduz mais de 95% dos açúcares e quase 50% dos taninos (responsáveis pelo sabor adstringente), além de diminuir compostos fenólicos e antocianinas (antioxidantes naturais), enquanto aumenta aminoácidos, atividade de enzimas antioxidantes e minerais como potássio e magnésio. Já o cacau não fermentado retém níveis significativamente maiores de minerais como o fósforo e o cálcio, elementos fundamentais para a saúde óssea e cardiovascular.

“Por isso defendemos a necessidade de uma combinação entre uma base fermentada para dar a cor marrom e a textura aveludada, enquanto uma porcentagem de amêndoas não fermentadas entraria como uma injeção de antioxidantes e minerais, criando o equilíbrio entre sabor e saúde”, conta.

Pela primeira vez, foi identificada a presença de glicina betaína e prolina nas amêndoas. Essas moléculas têm o papel de defender a planta contra o estresse oxidativo no campo e servem como um antioxidante poderoso para o corpo humano. “Elas funcionam como verdadeiros protetores celulares, o que pode transformar o cacau amazônico em um superalimento”, destaca Mello.

A análise também mostrou variação entre os cultivares estudados. O clone CCN 51 apresentou um perfil equilibrado, independente se fermentado ou não fermentado. Já o clone EEOP 63 se destacou pela maior produtividade, e o EEOP 96 manteve altos teores de fenólicos e antocianinas quando os grãos não eram fermentados, sugerindo maior vocação para produtos alternativos ao chocolate tradicional, como nibs, ingredientes de bebidas e snacks saudáveis.

“Não é que exista um único clone ideal que deve ser difundido na região. Pelo contrário, o interesse está em combinar diferentes blends para cada finalidade. Por isso a importância desse estudo sobre seleção genética e manejo pós-colheita entre produtores amazônidas de cacau”, finaliza Traspadini.

O artigo Fermentation and clone selection modulate the biochemical and nutritional profile of cocoa beans grown in the southwestern Amazon pode ser lido em: nature.com/articles/s41598-025-27795-z.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Maria Fernanda Ziegler

Onça-pintada é flagrada mordendo câmera instalada por pescador em trilha em Rondônia

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O registro da onça foi feito no distrito de Jaci-Paraná, em Porto Velho. Foto: Reprodução/Instagram-fabio_baca

Essa é mais uma daquelas histórias de pescador que parecem invenção, mas dessa vez tem prova em vídeo. O pescador Fábio Baca registrou uma cena surpreendente: uma onça-pintada aparece bem de perto nas imagens, mexendo e até mordendo a câmera instalada no caminho da pescaria. O registro foi feito no distrito de Jaci-Paraná, em Porto Velho, e chamou atenção nas redes sociais:

Ao Grupo Rede Amazônica, Fábio contou que colocou a câmera para observar os animais que circulam perto do lago onde costuma pescar. O que ele não esperava era descobrir que uma onça-pintada também passava por ali. Quando voltou, percebeu algo estranho: o pote onde a câmera estava guardada aparecia mordido e arranhado. A confirmação só veio depois, ao assistir às imagens já em casa.

“Quando fui buscar, o potinho da câmera estava mordido, mas eu não tinha percebido na hora. Eu fui para casa e quando eu olhei as imagens que eu vi. Que a onça tinha visto tinha mordido a câmera enfim ela fica dentro de um pote de sorvete para evitar que a água da chuva caia diretamente sobre ela e aí esse pote de sorvete estava todo arranhado tinha marca de unha e marca de dente”, explicou.

Segundo ele, a onça provavelmente sentiu o cheiro e ficou curiosa com aquele objeto diferente em seu território, se aproximando para investigar. O que mais impressionou o pescador foi o fato de o local não ser tão isolado quanto se imagina.

“O ponto curioso é que é um não é um local desabitado assim é um fragmento florestal pequeno bem pequeno, eu não imaginava que teria uma onça ali numa um fragmento tão pequeno e tão próximo de casos de fazendas. Então é uma mensagem de que tem muito mais do que a gente imagina em locais é que a gente sequer pensa que poderia ter não”, disse.

O registro da onça foi feito no distrito de Jaci-Paraná, em Porto Velho. Foto: Reprodução/Instagram-fabio_baca
Foto: Reprodução/Instagram-fabio_baca

Não foi a primeira onça no caminho do pescador

Essa não foi a primeira surpresa do tipo. Fábio já havia registrado, anteriormente, uma onça-parda na mesma região, que também demonstrou incômodo com a presença da câmera. Agora, ao retornar ao local, acabou tendo um encontro ainda mais raro, mesmo que só pelas imagens.

“A reação foi uma reação de entusiasmo, porque é uma filmagem muito difícil de ser vista, tenho conhecidos que tem mais de dez câmeras que filmam há muitos anos e ainda não conseguiram fazer o registro da onça, e eu ali era a terceira vez que ela armava a câmera e a segunda onça que eu registro”, disse.

Saiba mais: Onça é flagrada ‘reclamando’ de câmera instalada na floresta, em Rondônia

Mesmo depois de encontrar duas onças, ele diz que vai continuar frequentando o local.

“Se eu vou ter coragem de voltar lá? Sim, inclusive já voltei e já armei a câmera lá de novo, mas não consegui registrar a onça de novo, mas enquanto a gente estava lá retirando a câmera que a gente armou, quando a gente foi retirar a câmera a gente escutou ela esturrando, então a gente pegou a câmera, tava eu e um amigo, a gente pegou a câmera e saiu embora”, afirmou.

*Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO

Beiradão avança em processo de reconhecimento como patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan

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Foto: Divulgação/SEC-AM

O Palacete Provincial, em Manaus (AM), recebeu o ato que formalizou a entrega do pedido de registro do Beiradão como patrimônio cultural imaterial brasileiro ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no dia 31 de março. A ação foi realizada pelo Instituto Beiradão do Amazonas e reuniu artistas, representantes do poder público e apoiadores da cultura popular amazônica.

A iniciativa dialoga com ações já desenvolvidas pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, que apoia o fortalecimento do Beiradão enquanto expressão cultural viva no estado.

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Durante o evento, também foi lançado o DVD do 1º Festival do Beiradão do Amazonas, reunindo registros de apresentações e manifestações que evidenciam a força do movimento cultural no estado. A programação marcou um momento simbólico para os chamados “beiradeiros” e para a consolidação de políticas públicas de valorização da cultura ribeirinha.

Mais do que um gênero musical, o Beiradão foi destacado ao longo do encontro como um complexo cultural que envolve práticas como dança, religiosidade, festejos comunitários, futebol, culinária e saberes tradicionais, presentes no cotidiano das populações ribeirinhas.

Leia também: Beiradão é declarado patrimônio cultural imaterial do Amazonas

Reunião - beiradão amazonas
Foto: Gabi Vitim / Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Beiradão é símbolo da cultura regional

Presidente de honra do Instituto, Hadail Mesquita ressaltou o caráter histórico do momento e a construção coletiva que levou à formalização do pedido.

“Hoje é um dia histórico, não só para o Beiradão, mas para a cultura do nosso estado. A gente já vem nessa construção há anos. Agora, com esse trabalho, a gente dá entrada no inventário para que o Beiradão se torne patrimônio nacional. É uma vitória dos beiradeiros e dos amazonenses”, afirmou Hadail Mesquita.

O processo de solicitação foi acompanhado da entrega de listas de assinaturas reunidas ao longo de diferentes ações, como o Festival do Beiradão e atividades realizadas em parceria com instituições como a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O material será encaminhado para análise técnica, dando início à construção do dossiê de registro.

A superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiros, destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento de políticas públicas culturais.

“Esse é um processo importante porque, além do reconhecimento, ele contribui para a construção de políticas públicas, com orçamento e direcionamento, garantindo que esse bem continue existindo para as próximas gerações”, explicou.

O evento também relembrou avanços já conquistados, como o reconhecimento da manifestação cultural como patrimônio cultural imaterial do Amazonas e a criação do Dia Estadual do Beiradão, celebrado em 3 de outubro.

Com a mobilização de artistas, instituições e do público, o movimento agora avança para uma nova etapa, buscando ampliar o reconhecimento e a preservação de uma das manifestações mais representativas da identidade cultural amazônica.

*Com informações da Agência Amazonas

Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira: lazer e sustentabilidade em Porto Velho

Foto: Jhon Silva/Prefeitura de Porto Velho

O Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira, localizado no final da Avenida Prefeito Francisco Chiquilito Erse (antiga Rio Madeira), a cerca de 15 quilômetros do centro de Porto Velho, em Rondônia, é um espaço de natureza preservada que reúne mais de 390 hectares de floresta amazônica. O parque oferece contato direto com a biodiversidade e atividades para todas as idades, com opções de lazer e educação ambiental. 

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Criado pelo Decreto Municipal nº 3.816, em 1989, na área do antigo Projeto Fundiário Alto Madeira, o espaço passou a receber oficialmente o nome atual em 2019, após aprovação da Lei nº 2.623 pela Câmara Municipal.

O parque é administrado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) e desempenha papel fundamental na conservação ambiental e na promoção de práticas sustentáveis.

Contato com a natureza e atividades ao ar livre

Entre os principais atrativos do parque natural estão as trilhas ecológicas, como a trilha a pé e a trilha suspensa, que permitem uma imersão na floresta amazônica. Além disso, o espaço conta com áreas de convivência que incluem playground coberto, espaço para piqueniques, tirolesa, internet gratuita e pontos de água potável.

Leia também: 5 bosques para se aproximar da natureza na região amazônica

trilha do Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho

De acordo com a prefeitura de Porto Velho, a trilha a pé possui cerca de 3 quilômetros de extensão, e é realizada aos finais de semana e feriados, com acompanhamento de agentes ambientais, em grupos limitados de 30 pessoas, que recebem orientações e equipamentos de segurança antes do percurso.

Já a trilha suspensa, possui aproximadamente 900 metros de extensão, e é elevada em meio à vegetação, proporcionando uma caminhada segura e uma visão diferenciada da floresta. 

Safari ecológico 

O Safari Ecológico também é uma das principais atividades realizadas dentro do parque natural. O passeio é feito em veículos UTV (Utility Task Vehicle), e oferece uma experiência de contato direto com a biodiversidade local. 

Leia também: 6 parques nacionais na Amazônia que são fontes de pesquisa e ecoturismo

Foto: Leandro Morais/Prefeitura de Porto Velho

Realizada de forma gratuita, a trilha acontece normalmente aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h, com passeios de 15 à 20 minutos conduzidos por guias treinados que repassam informações sobre o ambiente natural. É necessário confirmar se o serviço está disponível de acordo com a temporada.

Foto: Jhon Silva/Prefeitura de Porto Velho

Educação ambiental e acervo biológico

Ainda de acordo com a prefeitura de Porto Velho, o Museu do Acervo Biológico se destaca por seu viés educativo, reunindo mais de 150 itens entre espécies da fauna amazônica preservadas por técnicas de taxidermia e conservação úmida. 

Viveiro municipal incentiva preservação

Outro destaque é o viveiro municipal, que abriga cerca de 26 mil mudas de mais de 70 espécies nativas e frutíferas da Amazônia, como o açaí, a acerola, o cupuaçu e o jambo.

Os visitantes podem retirar gratuitamente até 50 mudas por CPF, mediante cadastro, como forma de incentivar o plantio e a preservação ambiental dentro e fora do parque, segundo a gestão municipal.

Viveiro do Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira. Foto: Jhon Silva/Prefeitura de Porto Velho

Funcionamento e acesso ao parque

O parque está aberto para visitação pública de terça-feira a domingo, das 8h às 17h, incluindo feriados, e a entrada é gratuita. Segundo a prefeitura da cidade, o Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira é um dos principais patrimônios naturais de Porto Velho.

Bois-bumbás Caprichoso e Garantido iniciam lançamentos oficiais de toadas de 2026; ouça

Fotos: Reprodução/Spotify Boi Bumbá Caprichoso e Boi Bumbá Garantido

Com ‘Brinquedo que canta seu chão’ e ‘Parintins: Portal do Encantamento’, os bois-bumbás Caprichoso e Garantido, respectivamente, começam a temporada bovina de 2026 lançando as toadas que vão embalar a competição do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas.

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O boi Caprichoso já lançou sete músicas do álbum desde o início de março e, agora, tem lançado as coreografias para elas.

Já o boi Garantido lançou o álbum completo, com 18 músicas. Além do recém-lançado álbum, o boi realiza um evento na Cidade Garantido, em Parintins, para a divulgação das toadas, além do anúncio da nova Sinhazinha da Fazenda.

Leia também: Confira as toadas que fizeram sucesso no Amazonas

Consumo de peixe na Semana Santa reforça tradição e impulsiona cadeia produtiva no Pará

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Foto: Divulgação/Fapespa

Durante a Semana Santa, o consumo de peixe ganha ainda mais força no Pará, unindo tradição religiosa e um dos hábitos alimentares mais marcantes da população amazônica. O período, considerado um dos mais importantes para o setor, também evidencia a relevância econômica da cadeia produtiva do pescado no Pará.

Dados do Boletim Agropecuário Paraense 2025, da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) mostram que o Pará vive um momento de expansão na produção aquícola. Em 2023, o Estado produziu cerca de 16,3 mil toneladas de pescado, resultado de um crescimento expressivo ao longo da última década, com taxa média anual de 14,6%, acima da média nacional.

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Esse avanço contribui diretamente para atender à demanda elevada em períodos como a Semana Santa, quando o consumo de peixe aumenta devido à tradição cristã de substituição da carne vermelha, especialmente na Sexta-Feira Santa. 

O boletim da Fapespa também revela que a cadeia do pescado no Pará é ampla e diversificada, envolvendo comércio, produção e indústria. Em 2024, o Estado registrou 391 estabelecimentos formais ligados à atividade pesqueira, com predominância do setor comercial, responsável por cerca de 63% desses empreendimentos.

Belém lidera esse cenário, concentrando 35,3% dos estabelecimentos, o que reforça seu papel como principal centro de distribuição e comercialização de pescado no Estado.

A aglomeração de empresas é fundamental para garantir o abastecimento durante períodos de alta demanda, como a Semana Santa, quando feiras, mercados e supermercados registram aumento significativo no fluxo de consumidores.

“De acordo com o IBGE, o paraense possui um consumo médio anual de 11 kg por pessoa, e segundo informações do setor pesqueiro esse consumo tende a aumentar em até 30% impulsionado pela tradição católica de abstinência de carne vermelha no período de Semana Santa”, destaca o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac), Márcio Ponte.

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Produção em alta e protagonismo do tambaqui

A aquicultura tem sido um dos principais motores desse crescimento. Nesse cenário, o tambaqui lidera com folga a produção estadual, representando 59,4% do total, com cerca de 9,9 mil toneladas produzidas em 2023.

pesquisa com o peixe tambaqui
Tambaqui é um dos peixes mais populares na Amazônia. Foto: Siglia Souza/Embrapa

Outras espécies, como tambacu/tambatinga e tilápia, também contribuem para diversificar a oferta, fortalecendo o mercado interno e garantindo variedade ao consumidor, especialmente em datas sazonais.

“Vale destacar que o Pará é um dos maiores consumidores de peixes do Brasil, que cresceu quase 15% em 2023, acima da média nacional. Portanto, o Boletim Agropecuário Paraense 2025 traz um panorama de todas as culturas, nas quais a produção aquícola está em destaque. Ademais, o estudo aponta caminhos para tomadas de decisão em políticas públicas e investimentos privados, sendo uma das mais importantes fontes de informação atualizadas sobre o setor agropecuário paraense, às vésperas da Semana Santa.  Nós que vivemos no Pará temos um estado campeão na produção de peixes, e assim, não deve faltar o sagrado pescado na mesa da família paraense em 2026”, conclui o professor Márcio Ponte.

Leia também: Nível de estresse em tambaqui cultivado o faz mudar de cor, mostra estudo

Produção de peixes

Municípios como Paragominas, Marabá e Altamira se destacam como polos produtivos aquícolas, ampliando a capacidade de oferta e ajudando a manter o abastecimento regular mesmo em períodos de pico de consumo.

No Pará, o consumo de peixe não é apenas sazonal, mas culturalmente enraizado. Ainda assim, a Semana Santa funciona como um catalisador desse hábito, intensificando as vendas e movimentando toda a cadeia produtiva, do produtor ao comerciante.

Com uma estrutura produtiva em expansão e forte tradição alimentar, o estado se consolida como um dos principais polos pesqueiros do país. Nesse contexto, a Semana Santa não apenas reafirma costumes religiosos, mas também evidencia o papel estratégico do pescado na economia e na cultura paraense.

“Esse estudo da Fapespa mostra claramente a força da cadeia produtiva da pesca e da arquicultura paraense, e nos mostra que precisamos de ainda mais infraestrutura e investimentos, coisa que o nosso governo vem fazendo ao longo dos últimos oito anos, buscando fortalecer ainda mais essa cadeia produtiva que emprega muitas pessoas e é especialmente importante para a população ribeirinha do nosso estado”, avalia o presidente da Fapespa, Marcel Botelho.

*Com informações da Fapespa

MPF recomenda suspensão imediata da certificação e venda de créditos de carbono no Pará

Ação civil pública em andamento que discute irregularidades no processo inviabiliza a continuidade da certificação, aponta o órgão. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

O Ministério Público Federal (MPF) expediu um ofício à Secretaria da Arquitetura para Transações REDD+ (ART) recomendando a suspensão imediata do processo de certificação e de qualquer autorização de venda de créditos de carbono do Estado do Pará. O órgão argumenta que esta certificação só pode ter continuidade após a conclusão da ação civil pública ajuizada pelo MPF em 2025, em que aponta irregularidades no sistema jurisdicional de REDD+ do Pará e no Contrato de Compras de Reduções de Emissões (ERPA).

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O ofício é uma manifestação oficial a título de comentário público, dentro do prazo aberto pela ART para a submissão do Estado do Pará ao Padrão TREES (The REDD+ Environmental Excellence Standard) para fins de certificação e geração de créditos de carbono. A ART anunciou oficialmente a aceitação dos documentos submetidos pelo Pará e a abertura do prazo para comentários públicos em 18 de fevereiro de 2026.

Sobre a ação do MPF

A demanda judicial apresentada pelo MPF visa a declaração de nulidade do ERPA firmado com a organização Emergent Forest Finance Accelerator Inc. e a suspensão da elegibilidade do Estado para o mercado de carbono.

A ação destaca que houve violação da Lei Federal 15.042/2024, que proíbe qualquer tipo de venda antecipada de créditos de carbono de programas jurisdicionais referente a período futuro. O MPF argumenta que a pactuação de preços fixos e quantidades de reduções de emissões antes da sua efetiva verificação e certificação é uma prática ilegal na legislação brasileira.

Leia também: Empresas criam plataforma para mapear créditos de carbono na Amazônia

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Foto: Reprodução/MPF

Na ação, o MPF também ressalta que o processo de consulta às populações indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais não foi concluído, conforme é exigido pela Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ou seja, a assinatura do contrato, que estabelece condições comerciais para ativos ambientais provenientes de territórios tradicionais, ocorreu sem a necessária consulta prévia, o que torna o processo nulo.

A ausência de um sistema de aninhamento consolidado e a existência de diversos projetos privados em territórios tradicionais no Pará, segundo a ação, também inviabilizam a garantia da integridade das reduções jurisdicionais neste momento, gerando risco de dupla contagem e violação de direitos de usufruto de terceiros.

Diante do exposto, o MPF recomenda à certificadora ART-TREES:

  • A suspensão imediata do processo de certificação dos créditos de carbono do Estado do Pará e de qualquer autorização de venda até o desfecho da ação civil pública em andamento; e
  • A incorporação do ofício como comentário oficial no registro público da certificadora, a fim de conferir transparência aos investidores e compradores sobre a insegurança jurídica e a litigiosidade que envolvem o projeto.

Ação Civil Pública nº 1025858-14.2025.4.01.3900: Consulta processual

*Com informações do MPF

Entre o açaí e o caranguejo: estudo sobre bioeconomia no Pará analisa cadeias produtivas

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Estudo é focado na realidade da Reserva Extrativista Marinha de Mocapajuba. Foto: Jorge Alexandre Melo da Silva/Acervo pessoal

No litoral paraense, comunidades que vivem da pesca, do açaí e do extrativismo mostram, na prática, o que significa bioeconomia. O doutorando da Universidade Federal do Pará (UFPA), Jorge Alexandre Melo da Silva, mergulha na realidade da Reserva Extrativista Marinha de Mocapajuba (PA) para entender como esses modos de vida geram renda e sustento às famílias ao mesmo tempo em que contribuem para a conservação da floresta.

Selecionado na edição de 2025 do Programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro, por meio do Programa Fonseca de Liderança, do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF na sigla em inglês), ele busca usar seus dados para fortalecer a governança local e a sociobiodiversidade na área protegida federal.

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Localizada no município de São Caetano de Odivelas, a reserva extrativista (Resex) com cerca de 21 mil hectares, entre a Amazônia e o oceano, reúne 25 comunidades que dependem diretamente da natureza para viver.

São cinco cadeias produtivas principais: a pesca, o caranguejo, o açaí, o mel e o cultivo de ostras. Essas atividades, parte do cotidiano das famílias, estão no centro da economia local, e profundamente conectadas ao ambiente.

“A minha pesquisa procura entender como as comunidades que vivem dentro da reserva extrativista, dessa especificamente, utilizam esses recursos naturais para garantir sua renda e sustento. E como essas atividades podem contribuir para fortalecer a bioeconomia e também para a conservação da sociobiodiversidade dessas regiões”, resume Jorge.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre economia verde e bioeconomia?

estudo sobre bioeconomia no pará - funbio
Comunidade participa do estudo. Foto: Jorge Alexandre Melo da Silva/Acervo pessoal

Três eixos do estudo

O estudo se organiza em três eixos principais: as cadeias produtivas locais, as políticas públicas (quais são, se são eficazes, como é acessada pelos extrativistas e quais suas barreiras e deficiências) e a governança, tanto institucional quanto comunitária.

Para levantar esses dados, Jorge fará diversas visitas à reserva extrativista, nas quais conversa com moradores, pescadores, as lideranças comunitárias e os representantes de associações locais, como a Auremoca (Associação da Reserva Extrativista Mocapajuba)

“Eu tenho contato direto com esses representantes, e é muito importante, porque me permite compreender melhor a realidade das pessoas que vivem nesse território, suas experiências, desafios, e também as oportunidades relacionadas às atividades produtivas desenvolvidas nesta região”, diz o doutorando, que também tem participado de reuniões como a do Conselho Deliberativo da Resex.

estudo sobre bioeconomia no pará - funbio
Foto: Jorge Alexandre Melo da Silva/Acervo pessoal

Todo conhecimento levantado pelo pesquisador durante o estudo será traduzido em uma cartilha socioprodutiva, disponível e acessível aos comunitários. O propósito é sistematizar esses saberes tradicionais aliado à pesquisa científica, documentar as práticas, as dinâmicas e desafios das comunidades. 

Um dos gargalos já identificados por Jorge para o estudo é o acesso a dados e documentos necessários para ter acesso às políticas públicas. Por isso, transformando ciência em solução, o doutorando irá montar ainda um site com um banco de dados gerido pela associação de moradores.

“Para além da pesquisa acadêmica, acredito que esse trabalho pode contribuir para valorizar a sociodiversidade da região, fortalecer as iniciativas de bioeconomia e apoiar a conservação dos recursos naturais da Amazônia. Sempre, é claro, respeitando os conhecimentos e as práticas tradicionais das comunidades que vivem nessa reserva”, pontua.

*Com informações da FUNBIO

Geógrafos reconhecem que o Brasil tem, sim, montanhas; inclusive na Amazônia

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Vista a partir de ponto próximo ao topo do pico da Neblina, no Parque Nacional do Pico da Neblina, Amazonas (Amazônia). Foto: Fabio Colombini

Mesmo com picos de quase 3 mil metros (m) de altura, o Brasil tem ou não tem montanhas? Até há pouco tempo, para uns tinha, para outros, não. A dúvida parece ter chegado a um fim. Depois de seis anos de debates, análises de mapas e levantamentos de campo, um grupo de geógrafos e geólogos coordenado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) chegou a um consenso: o Brasil tem, sim, montanhas.

As brasileiras são geologicamente bem mais antigas do que as mais conhecidas, como o Himalaia e os Andes, e já bastante desgastadas pela erosão. Seu reconhecimento poderia incentivar o turismo, promover a conservação da biodiversidade e reforçar o alerta contra o risco de deslizamentos de terra em suas encostas íngremes.

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Os especialistas responsáveis por essa reclassificação já divulgaram vários estudos regionais e o IBGE ainda deve publicar um mapa reunindo as montanhas do Brasil. Definidas como formas de relevo agrupadas com pelo menos 300 m de altura em relação às áreas vizinhas, com topos aguçados e encostas íngremes, elas despontam em 14 estados, de Roraima a Santa Catarina, da Paraíba a Mato Grosso. No Rio de Janeiro, ocupam um terço do território, embora as áreas maiores estejam na Bahia, em Minas Gerais e no Ceará.

Algumas são mais exibidas, como o Dedo de Deus, na região serrana do Rio de Janeiro, e extensas partes elevadas das serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço. Outras são menos pujantes, como as que abrigam os bairros do Alto da Boa Vista, na região da Grande Tijuca, zona norte da cidade do Rio de Janeiro e de Campo Grande, na zona oeste. Outras ainda, na Amazônia, estão cobertas por uma floresta impenetrável.

Não é só a altitude que define uma montanha. A forma conta muito. O monte Roraima, por exemplo, mesmo com 2.810 m, não é uma montanha; por ter um topo aplainado, é classificado como um planalto. O conceito, apoiado em critérios internacionais, também exclui morros isolados, como o Pão de Açúcar, também no Rio, com 396 m; o pico do Cabugi, com 590 m, no Rio Grande do Norte; ou o espigão da avenida Paulista, em São Paulo, com 13 km de comprimento e até 830 m de altitude.

Como em Angra dos Reis e Paraty, no Rio de Janeiro, os municípios paulistas de Ubatuba e Santos, Ilhabela e ilha do Cardoso (pertencente ao município de Cananéia) abrangem largas faixas de montanhas, com as estreitas planícies costeiras a seus pés. Ilhabela e ilha do Cardoso são inteiramente formadas por montanhas, de acordo com a nova terminologia do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo (SBCR).

Ainda este ano, o IBGE deverá apresentar publicamente o mapa de relevo do país elaborado pelo SBCR, agora com as montanhas, como parte da comemoração de seus 90 anos de fundação (ver Pesquisa FAPESP nº 245). Será uma síntese dos estudos realizados nos últimos anos. A primeira parte da nova terminologia, com as cinco formas básicas de relevo, também chamadas de primeiro táxon, foi publicada em abril de 2023 na Revista Brasileira de Geografia. O segundo táxon, com uma visão essencialmente geológica, deve sair nos próximos meses e o terceiro, com descrições detalhadas de cada forma de relevo, em 2027.

Esse movimento representa uma retomada de um conceito antigo. “A ideia de que o Brasil tem montanhas, com registros de mais de 50 anos, se perdeu, porque se assumiu que no Brasil, como em outros países, elas se formariam apenas em áreas de orogênese ativa [regiões onde as forças internas da Terra continuam atuando para formar montanhas], como resultado da colisão de placas litosféricas [litosfera é a camada sólida mais superficial da Terra]”, comenta a geógrafa do IBGE Rosangela Botelho, do Comitê Executivo Nacional do SBCR.

O engenheiro civil Luiz Flores de Moraes Rego (1896-1940), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), tratou delas no livro Ensaio sobre as montanhas do Brasil e suas gênesis (Editora Revista do Clube Militar, 1931), apresentando-as como o resultado de processos geológicos muito antigos. O geógrafo Aziz Ab’Saber (1927-2012), também da USP, detalhou essa ideia, que se mostrou válida, no livro Formas de relevo (Funbec/Edart, 1975).

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“As montanhas jovens como os Andes, os Alpes e o Himalaia, que começaram a se formar entre 120 milhões e 50 milhões de anos atrás, estão associadas a áreas de convergência de placas”, comenta o geólogo Celso Dal Ré Carneiro, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que participou da redefinição dos conceitos do relevo brasileiro.

“No caso do Brasil”, ele prossegue, “as montanhas atuais se originaram de vários processos geológicos. Algumas delas são resquícios de cadeias montanhosas que existiram no território brasileiro, também formadas pela convergência de placas antigas”. Como atualmente apenas as bordas da América do Sul sofrem a compressão de placas litosféricas, a hipótese mais aceita, segundo ele, é que as montanhas brasileiras resultam do soerguimento – a subida – da litosfera, provocado por forças que atuam no manto terrestre.

“Há 480 milhões de anos, o Brasil tinha cadeias tão altas quanto o Himalaia, que hoje atinge mais de 8 mil m, mas se desgastaram com o tempo e a erosão”, diz Carneiro. Uma delas se alongava por quase 1.500 km, do sul do atual estado do Tocantins ao sul de Minas Gerais (ver Pesquisa FAPESP nº 122).

Não é apenas o desgaste. Há também o deslocamento das montanhas. Carneiro e o geólogo Fernando Almeida (1916-2013) concluíram que, há 70 milhões de anos, houve uma intensa movimentação vertical de grandes blocos da crosta na região da serra do Mar. “Foi mais ou menos como se cortássemos um pão comprido em fatias e as deslocássemos, umas para cima, outras para baixo”, compara Carneiro. “Esse processo, cujas causas ainda são desconhecidas, formou um grande protoplanalto que era muito mais extenso do que os atuais planaltos Paulistano e de Paraibuna. Desde então, a erosão incessante continua a provocar o recuo das escarpas da grande serra.”

Segundo ele, a serra do Mar deve ter se formado sobre uma grande falha geológica conhecida como Falha de Santos, que passa aproximadamente pelo meio da grande ilha de São Sebastião, a 50 km a leste da atual posição da serra, como detalhado em um artigo de junho de 1998 na Revista Brasileira de Geociências. Pesquisas mais recentes, com base na análise do desgaste de rochas, indicam que as escarpas da serra do Mar se deslocam para oeste a uma velocidade de 1 centímetro a cada 100 anos, em consequência da erosão (ver Pesquisa FAPESP nº 300).

O debate sobre as montanhas despontou durante um congresso de geografia física realizado em junho de 2019 em Fortaleza, Ceará. Em uma das mesas-redondas, em que se discutiam as novas tecnologias de mapeamento do relevo, Botelho, da plateia, pediu a palavra e, sem grandes pretensões, comentou: “Estamos discutindo o mapeamento automático, mas antes precisaríamos criar um sistema de classificação de relevo, parecido com os que já existem para o solo e os seres vivos. A nomenclatura ainda tem muitas divergências”.

O comentário agitou o auditório lotado. Por fim, os participantes concordaram em formar uma comissão para implementar uma metodologia de classificação do relevo brasileiro, sob a coordenação do IBGE, em colaboração com especialistas do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), da União da Geomorfologia Brasileira (UGB) e de universidades. Na primeira reunião, três meses depois, formaram nove grupos de trabalho, cujos participantes deveriam rever os termos e conceitos do relevo. Cerca de 70 geógrafos e geólogos participam desse trabalho.

Foi assim que, no primeiro nível de classificação, o termo depressão, usado para designar relevos planos com inclinação suave, que cobriam 60% do território nacional, foi considerado impreciso e substituído por superfícies rebaixadas, que designam terrenos mais baixos que os vizinhos. “Toda depressão é uma superfície rebaixada, mas nem toda superfície rebaixada é depressão”, diz Botelho. Os conceitos de planalto, tabuleiros e planície, os outros três dos cinco termos básicos do primeiro nível da classificação do relevo, não sofreram modificações (ver infográfico).

Geógrafos reconhecem que o Brasil tem, sim, montanhas; inclusive na Amazônia
Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP

Cada grupo de trabalho conferia em campo as definições nos mapas – nem sempre as descrições batiam com a realidade. Em agosto de 2023, Botelho participou de uma expedição ao maciço do Urucum, no município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, com 1.065 m de altitude, fonte de minério de ferro e manganês explorado por uma mineradora. “Vendo de baixo, temos a falsa impressção de que é um platô, mas, subindo e andando lá em cima, vimos que tem cristas”, ela conta. Assim, o que era um planalto, por causa do topo supostamente plano, tornou-se uma montanha, por sinal, a única do estado.

Outras expedições caracterizam o Ceará como o estado mais montanhoso do Nordeste, por abrigar os maciços de Meruoca, Baturité e Pereiro, além das serras das Matas e do Machado. Na Paraíba, destacou-se a serra do Teixeira, com o pico do Jabre, o mais alto do estado, com 1.208 m. Por sua vez, Pernambuco exibe o pico do Papagaio, com 1.260 m, na serra do Triunfo, que funciona como um oásis no sertão, com clima subúmido e temperaturas abaixo de 14 graus Celsius (ºC) em junho.

Áreas de risco

Botelho ressalta que o reconhecimento das montanhas evitará que cada geógrafo adote uma terminologia própria e poderá incentivar não apenas o turismo, mas também as políticas de conservação da biodiversidade e as medidas de prevenção de desastres. Os deslizamentos de terra são mais comuns nessas áreas, como em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo (RJ), que, em janeiro de 2011, causaram 900 mortos; em São Sebastião (SP), em fevereiro de 2023, com 64 mortos, e em Juiz de Fora, em fevereiro, com 60 mortos.

Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP

“As encostas das montanhas já sofreriam deslizamentos naturais, por causa de declividade. A ocupação pela agricultura e pelas cidades acelera esse processo e torna a tragédia previsível. A pergunta não é se, mas quando vai acontecer”, comenta a botânica Rafaela Campostrini Forzza, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no Parque Nacional do Descobrimento, em Prado, Bahia. “As montanhas são ambientes únicos, com uma riqueza biológica imensa, que deveriam ser mais bem preservadas.”

Expedições na Amazônia

Explorando as paisagens das alturas desde a adolescência, Forzza participou de duas grandes expedições científicas às áreas altas e mais isoladas da Amazônia: uma entre 2011 e 2014, à serra do Aracá e ao pico da Neblina, no Amazonas, e à serra Grande e ao monte Caburaí, em Roraima, da qual resultou o livro Expedições às montanhas da Amazônia (Andrea Jakobsson Estúdio, 2015); e outra à serra do Imeri, no norte do Amazonas, próximo à fronteira com a Venezuela, com altitude de até 2.450 m (ver Pesquisa FAPESP nos 259 e 324).

“Se nas áreas planas já é difícil entrar, porque a floresta é muito poderosa e te engole, trabalhar nas mais altas exige condições físicas e psicológicas ainda mais robustas”, ela relata. “No Imeri, choveu todos os dias, fazia muito frio, estávamos acampados sobre um lamaçal, com lama até o joelho e a roupa sempre molhada. Mas é muito gratificante”.

Além de abrigarem espécies únicas de plantas e animais, as montanhas na Amazônia guardam exemplares de uma flora antiga, já extinta em outros lugares. Em 2011, no alto de um dos picos da serra dos Órgãos, em Petrópolis, o botânico Gustavo Martinelli, também do JBRJ, encontrou touceiras da espécie de bambu mais rara do mundo, Glaziophyton mirabile, que representa a ligação entre as que ocuparam os dois lados do Atlântico.

“As adaptações ao ambiente montanhoso são fantásticas”, ele observou, com um exemplo: as sementes da bromélia-imperial (Alcantarea imperialis), exclusiva da região de Petrópolis, têm extensões semelhantes a âncoras que lhes permitem se agarrarem, germinarem e crescerem sobre paredões de rocha. À medida que crescem, as raízes acumulam detritos e água de chuva que servirão para fixar outras plantas.

Como Forzza, Martinelli encontrou espécies novas de plantas desde que, há 50 anos, começou a subir pela região serrana do Rio, onde seu pai tinha um sítio. Não parou mais. Em 2006, integrou um grupo da Organização das Nações Unidas (ONU) para incentivar a conservação de ambientes montanhosos, já que também são fontes de água para os moradores das cidades. Tentou influenciar o governo federal a implementar essa conservação, mas não conseguiu. No final de 2025, aos 73 anos, percorreu as serras das Confusões e da Capivara, no Piauí.

Como em outros países, as paisagens montanhosas do Brasil passam por transformações decorrentes da ocupação humana, da construção de estradas e da elevação da temperatura. As mudanças facilitam a expansão de cultivos agrícolas, como o de pinheiros na serra do Cipó, em Minas Gerais, e de espécies invasoras. Plantas e insetos, répteis e mamíferos migram para áreas mais altas – se o clima se tornar ainda mais quente, talvez não tenham para onde ir, alertam os pesquisadores.

Artigos científicos

ALMEIDA, F. F. M. de e CARNEIRO, C. D. R. Origem e evolução da serra do Mar. Revista Brasileira de Geociências. v. 28, n. 2. jun. 1998.
Comitê Executivo Nacional do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo. Breve estado da arte do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo (SCBR): Contribuições de e para a sociedade científica geomorfológica. Revista Brasileira de Geografia. v. 67, n. 2, p. 212-27, 2022.
FARIA, A. P. Classificação de montanhas pela altura. Revista Brasileira de Geomorfologia. v. 8, nº 2. jul.-dez. 2005.

Livros
AB’SABER, A. N. Formas de relevo: Texto básico. São Paulo, Funbec/Edart. 1975.
BOTELHO, R. G. M. et al. Excursões técnicas: Pelas montanhas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: IBGE. 2023.
BOTELHO, R. G. M. e SILVEIRA, R. M. P. Excursões técnicas: Adentrando a planície pantaneira. Rio de Janeiro: IBGE. 2024.
BOTELHO, R. G. M. et al. Excursões técnicas: Guia de campo da I Reunião de Classificação do Relevo Planaltos do Estado do Paraná. Rio de Janeiro: IBGE. 2024.
COELHO, M. A. N. (org.) Expedições às montanhas da Amazônia. Rio de Janeiro: Andrea Jakobsson Estúdio, 2015.
IBGE. Províncias estruturais, compartimentos de relevo, tipos de solos e regiões fitoecológicas. Rio de Janeiro: IBGE, 2019.
MARTINELLI, G. Campos de Altitude. Rio de Janeiro: Editora Indez. 1996.
REGO, L. F. de Moraes. Ensaio sobre as montanhas do Brasil e suas gênesis. Rio de Janeiro: Revista do Clube Militar. 1931.
SALES, V. C. et al. Excursões técnicas: Montanhas e planaltos da Borborema, superfície sertaneja e inselbergs da Paraíba. Rio de Janeiro: IBGE, 2025.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Carlos Fioravanti