Home Blog Page 143

25% das mortes infantis no mundo estão ligadas à poluição do ar, alerta relatório

0

O estudo mostra que, todos os anos, centenas de milhares de crianças morrem devido à poluição. Foto: Divulgação

Um novo relatório da Zero Carbon Analytics revela o impacto letal da poluição do ar sobre crianças ao redor do mundo, com efeitos especialmente graves nos países em desenvolvimento. Baseado em dados do Global Burden of Disease (GBD), o estudo mostra que, todos os anos, centenas de milhares de crianças morrem devido à poluição, enquanto milhões sobrevivem com danos permanentes à saúde. Esses efeitos são intensificados por vulnerabilidades econômicas e barreiras estruturais, como infraestrutura precária, práticas insustentáveis de uso do solo e dependência de combustíveis fósseis.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“A poluição do ar é uma agressão invisível que corrói silenciosamente o futuro das crianças”, alerta o pneumologista brasileiro Felipe Saddy. “Partículas, gases tóxicos e oxidantes inflamam seus pulmões, comprometem o desenvolvimento pulmonar, aumentam o risco de infecções e agravam a asma. Na gestação, o ar poluído ameaça o feto, elevando riscos de parto prematuro e baixo peso ao nascer”.

25% das mortes de crianças no mundo estão ligadas à poluição do ar
Poluição em Manaus. Foto. Filipe Jazz/TCE-AM

O levantamento

Segundo o levantamento intitulado “Structural dependencies perpetuate disproportionate childhood health burden from air pollution” (“Dependências estruturais perpetuam o fardo desproporcional da poluição do ar sobre a saúde infantil”), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos no mundo estão relacionadas à poluição do ar, e crianças morrem em taxas até seis vezes maiores que adultos por causa da exposição.

A poluição começa a afetar ainda no útero e pode causar doenças crônicas ao longo da vida. As comunidades mais pobres são as mais impactadas, devido a vulnerabilidades estruturais e dependências econômicas de combustíveis fósseis.

Tanto a poluição atmosférica externa quanto a doméstica causam sérios danos à saúde pública — provocando doenças crônicas e cardiovasculares, problemas respiratórios, câncer e até déficits cognitivos. Para ilustrar isso, o relatório analisa quatro estudos de caso: África do Sul, Brasil, Nigéria e Bangladesh e identifica fontes de poluição como geração de energia a carvão, incêndios florestais, cozinhas domésticas com combustíveis sólidos, emissões industriais e tráfego urbano.

Poluição no Estado do Acre. Foto: Andryo Amaral/Rede Amazônica AC

O Brasil

No Brasil, em 2021, quase 1.600 crianças morreram por causas ligadas à poluição do ar — quase quatro crianças menores de cinco anos por dia. A poluição externa, causada por incêndios florestais e queima de biomassa, é um dos principais fatores. Incêndios são uma emergência recorrente de saúde pública: na Amazônia e regiões centrais, 60% da população está exposta a níveis inseguros de poluição do ar, com crianças pequenas e idosos sendo os mais afetados.

Secas impulsionadas pelas mudanças climáticas, somadas a práticas insustentáveis de uso da terra — principalmente desmatamento e queima de biomassa ligados à produção de carne bovina e soja — prolongam a temporada de incêndios e aumentam sua intensidade. A fumaça de queimadas percorre centenas de quilômetros, das áreas rurais da Amazônia até grandes cidades como São Paulo, provocando picos de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Durante a temporada de incêndios de 2024, as internações por doenças respiratórias aumentaram 27,6% em todo o Brasil em relação a 2023, elevando o custo do atendimento em aproximadamente US$ 2,2 milhões. Em São Paulo, o número de crianças hospitalizadas por doenças respiratórias aumentou cerca de 77% em setembro de 2024.

imagem colorida mostra fumaça geradas por queimadas cobrindo a cidade de manaus em 2023
Poluição em Manaus. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM

Além dos danos respiratórios, os incêndios florestais representam riscos graves à saúde pré-natal e ao desenvolvimento infantil. A exposição materna à fumaça durante a gestação aumenta a probabilidade de parto prematuro em 41% no Sudeste e 5% no Norte, e de baixo peso ao nascer em mais de 18% no Sul.

A exposição a PM10 e monóxido de carbono também está associada a menores pesos ao nascer em São Paulo, além de aumentar as chances de defeitos congênitos, como anomalias respiratórias e do sistema nervoso. Em crianças em idade escolar, níveis elevados de PM2,5 e NO₂ prejudicam o desempenho acadêmico, sendo que alunos de escolas públicas são mais expostos do que os de escolas privadas, devido à proximidade com rodovias e áreas de incêndio.

O relatório alerta que esses impactos na saúde infantil são consequências diretas de um modelo de exportação baseado na conversão de terras para agricultura industrial, em que os preços das commodities raramente refletem os danos à saúde e ao clima nas regiões produtoras. Dentre as soluções estão padrões rigorosos de produção livre de desmatamento, rastreabilidade completa das cadeias produtivas e financiamento climático internacional, que apoiem a produção sustentável e a proteção das florestas.

“As crianças nos países mais pobres enfrentam taxas de mortalidade por poluição do ar até 94 vezes maiores do que nas nações ricas. Isso não é apenas uma questão ambiental — é uma questão de justiça. As mais jovens e vulneráveis estão pagando o preço por sistemas que não criaram. Romper esse ciclo exige ação global e transição para energia limpa, e não a continuidade de subsídios aos combustíveis fósseis”, alerta Joanne Bentley-McKune, pesquisadora principal do relatório.

*Com informação da Zero Carbon Analytics

Aleam aprova Projeto de Lei Complementar que atualiza valores de isenção do ITCMD

0

Foto: Danilo Mello/Aleam

Por unanimidade, os deputados da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) aprovaram, no dia 21 de outubro, o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 9/2025, encaminhado por meio da Mensagem Governamental nº 98/2025. A proposta altera a Lei Complementar nº 19/1997, que institui o Código Tributário do Estado do Amazonas, atualizando os valores de isenção do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).

O presidente da Aleam, deputado Roberto Cidade (União Brasil), destacou que a atualização dos valores representa uma medida de justiça fiscal e sensibilidade social.

“Elevar o limite de isenção para heranças de até R$ 1 milhão é modernizar a legislação e tornar os processos de doação e sucessão mais simples e equilibrados. Essa decisão demonstra o compromisso da Assembleia Legislativa em proteger o patrimônio das famílias amazonenses e garantir uma tributação mais justa e adequada à realidade atual”, afirmou o parlamentar.

Leia também: Aleam aprova projetos que reforçam proteção infantojuvenil e valorizam a cultura

Mudanças no ITCMD

Entre as principais alterações no Código Tributário do Estado, o texto estabelece que, a partir de 2026, heranças de até R$ 1 milhão estarão isentas do imposto — atualmente o limite é de R$ 400 mil.

Outra mudança que beneficia a população diz respeito às doações em vida, cujo limite de isenção passará de R$ 50 mil para R$ 150 mil por ano, por pessoa beneficiada. Além disso, imóveis de até R$ 1 milhão poderão ser doados em vida, a cada cinco anos, também por pessoa beneficiada, sem cobrança do imposto.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

De acordo com a Mensagem Governamental nº 98/2025, a ampliação dos limites de isenção e a consequente redução da carga tributária contribuem para a proteção do patrimônio das famílias, facilitando processos de sucessão e doação. A medida promove mais justiça fiscal e reduz o peso dos tributos em momentos de reorganização patrimonial.

A proposta tem caráter social relevante, ao assegurar que a transmissão de bens e direitos ocorra de forma menos onerosa, especialmente para famílias de classe média e de menor renda no Amazonas.

Portal Amazônia responde: o que é banho de cheiro?

0

Mercado Ver-o-Peso dispõe de dezenas de fragrâncias para todos os dias de problemas ou situações de vida. Foto: Paula Lourinho/Agência Belém

Você, amazônida, com certeza já recorreu ao banho de cheiro para renovar as energias, afastar a negatividade e atrair coisas boas. Essa prática, uma espécie de água misturada com algumas folhas, ervas e perfumes naturais, é uma tradição nos estados da região amazônica e vista como uma forma de proteção à alma e purificação da espiritualidade.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Mas, afinal, o que é o banho de cheiro? O que isso significa? De onde vem esse ritual? O Portal Amazônia conversou com Glacy Ane Araújo de Souza, doutora em Antropologia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), para explicar tudo sobre essa prática oriunda dos povos originários e até hoje se faz presente no cotidiano regional.

O que é banho de cheiro?

De acordo com Glacy, o banho de cheiro é uma prática centenária que consiste num ritual cultural, espiritual e medicinal feita com ervas, flores e perfumes naturais, visando a pureza, o cuidado e a conexão espiritual.

“Trata-se da manipulação de ervas aromáticas da região amazônica, por vezes até essências cheirosas, que visam o equilíbrio espiritual e energético das pessoas. O banho de cheiro é uma prática popular muito comum nos terreiros de religiões de matriz africana, bem como no interior da Amazônia, em que se costuma realizar os banhos para proteção ou ainda para chamar espíritos”, explica a antropóloga.

Origem

A doutora detalha que o banho de cheiro surgiu na região amazônica, especialmente no Pará, e sua origem se remete ao conhecimento dos povos originários e de origem africana e a mescla com as influências trazidas pelos portugueses.

“Os povos originários e de origem africana sempre praticaram o banho de cheiro em seus rituais de religiosidades e crenças ancestrais. No Pará, bem como em outros Estados da Amazônia, essa tradição se somou ao conhecimento do colonizador português entre os séculos XVIII e XIX na conjunção de novas ervas e aquelas provenientes da floresta. Dessa forma, o banho de cheiro assume uma prática local de proteção e equilíbrio”, conta a antropóloga.

Leia Mais: Aroma do Pará: perfumes tradicionais que atraem amor, sorte e dinheiro

No Mercado Ver-o-Peso, em Belém, os banhos de cheiro são uma tradição no espaço público, com dezenas de erveiras oferecendo potes de vidros com inúmeros desejos para quem visita o local. Os pedidos são dos mais diversos: “Chama Dinheiro”, “Amansa Corno”, Afasta Chifre” e “Pega Rapariga” são alguns dos exemplos dessas fragrâncias.

Como se prepara o banho de cheiro?

A preparação do banho de cheiro começa com a seleção das ervas. As erveiras, como são popularmente conhecidas, são as mulheres responsáveis pela produção do banho e que possuem amplo conhecimento sobre plantas, cascas e raízes medicinais da flora amazônica. Elas selecionam e colocam as ervas para maceração, que é o ato de deixar os ingredientes de molho em água ou líquido aromático para liberar seus sucos e aromas.

“Antes do preparo do banho de cheiro, a erveira costuma se preparar espiritualmente, principalmente na evitação do álcool e cigarro. Grande conhecedora na manipulação das plantas energéticas, ela seleciona as ervas aromáticas que serão utilizadas e costuma macerar as folhas em água limpa. Lembrando que há ervas que precisam ser fervidas em seu preparo, depois se coa o banho e armazena em potes de barro”, explica Glacy.

erveira prepara banho de cheiro em Belém
Erveira no Mercado Ver-o-Peso. Foto: Paula Lourinho/Agência Belém

Tipos de ervas

A antropóloga reforça que as ervas são selecionadas conforme a necessidade ou situações de vida: atrair prosperidade, afastar energias negativas, proteção espiritual, dentre outras.

“O banho de cheiro possui algumas variações na Amazônia e também atendem a situações da vida como amarração de casais, lavagem da cabeça para o preparo espiritual ou mesmo banho atrativo e de proteção. E para cada uma dessas situações, são usadas ervas diferenciadas para o propósito a que se destina espiritualmente”, salienta.

Ervas são os elementos principais de um banho de cheiro. Foto: Reprodução/Agência Belém

Algumas das principais ervas indicadas para o banho de cheiro, segundo Glacy, sao:

  • Chega-te a mim
  • Manjericão
  • Vindicá
  • Patchouli
  • Arruda
  • Alfazema

Simbologia

O banho de cheiro representa uma tradição bem forte na região Norte do Brasil. Em Belém, no Pará, a prática é comum durante o Círio de Nazaré e nas festas juninas.

Relembre: Dicas de Beth Cheirosinha diretamente de Belém

Nas religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda, os banhos servem de conexão com os orixás e a purificação da espiritualidade. Entre os povos indígenas, as ervas são usadas para a ligação com o mundo natural, seus deuses e os fenômenos da natureza.

“De modo geral, o banho de cheiro carrega a ancestralidade dos povos da Amazônia e produz uma conexão espiritual associada à Natureza. Ele reflete a energia ancestral passada de geração em geração e a sabedoria dos mais velhos até os dias de hoje”, finalizou Gracy, que desde 2001 trabalha com temas relacionadas à afrorreligiosidades, magia, povos e comunidades tradicionais.

*Por Dayson Valente, para o Portal Amazônia

Entre o verde da floresta que resiste e o cinza da cidade que cresce: o crescimento de Manaus

0

Vista aérea mostra o limite entre a Reserva Florestal Adolpho Ducke e o bairro Cidade de Deus, em Manaus. Foto: Michael Dantas

Mesmo com o concreto, Manaus, que completa 356 anos nesta sexta-feira (24), ainda respira floresta. Entre avenidas movimentadas e bairros em expansão, a capital amazonense abriga áreas verdes que resistem ao tempo e à expansão da cidade.

Leia também: Manaus 356 anos: sete lugares para visitar no Centro Histórico à pé

Esses espaços mantêm viva a conexão da cidade com a Amazônia e lembram, a cada pedaço de mata preservada, que a capital amazonense nasceu no coração da floresta.

Um exemplo desse contraste pode ser visto na região do bairro Cidade de Deus, onde uma vista aérea mostra o limite entre a Reserva Florestal Adolpho Ducke e parte da comunidade. Veja foto acima.

Além de embelezar a paisagem, as áreas verdes ajudam a regular a temperatura, servem de abrigo para animais e oferecem aos moradores um refúgio de contato direto com a natureza.

Em meio ao aumento das queimadas e do desmatamento no estado, o verde que sobrevive dentro dos limites urbanos representa mais do que um cenário bonito: é um símbolo de resistência ambiental e identidade manauara.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45,78% dos domicílios urbanos de Manaus estão em vias públicas com arborização. A capital ocupa a 2.107ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros nesse quesito.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Entre o verde da floresta que resiste e o cinza da cidade que cresce: o crescimento de Manaus
Cidade precisa investir na preservação da Amazônia para o futuro. Foto: Adriano Liziero/Museu da Amazônia

Mesmo assim, Manaus está entre as cidades com maior cobertura vegetal do país, ocupando o 7º lugar no Ranking Nacional de Áreas Verdes, divulgado em dezembro de 2024.

Entre os locais que ajudam a contar essa relação entre cidade e floresta estão:

  • Museu da Amazônia (Musa) — com trilhas, torres de observação e viveiros de espécies nativas;
  • Bosque da Ciência — espaço de educação ambiental e pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa);
  • Praias e flutuantes do Tarumã — que seguem atraindo visitantes e pesquisadores.

MUSA: um pedaço de floresta no coração da cidade

O Museu da Amazônia (Musa), localizado na Zona Norte, abriga 1 km² de floresta primária dentro da Reserva Adolpho Ducke, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O espaço, considerado o maior fragmento de mata preservada em área urbana no país, foi cedido pela União em 2011 e se tornou referência em educação ambiental e turismo científico.

Entre as atrações estão viveiros de orquídeas e bromélias, aquários, jardins sensoriais e o lago das vitórias-amazônicas. O Musa também abriga exposições sobre os povos originários, os ecossistemas amazônicos e até animais pré-históricos.

O ponto mais procurado pelos visitantes é a torre de observação de 42 metros, que permite ver o dossel da floresta — o topo das árvores — e oferece experiências ao nascer e ao pôr do sol. O museu possui ainda sete trilhas que levam o público a caminhar por dentro da mata.

O local ganhou projeção internacional com a visita do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a Manaus, em 2024.

Foto: Janailton Falcão/Amazonsatur

Leia também: O que fazer em Manaus em um dia?

Bosque da Ciência: lazer e aprendizado sobre a Amazônia

Criado em 1995, o Bosque da Ciência ocupa 13 hectares na zona Centro-Sul e integra o complexo do Inpa. O espaço alia lazer e educação ambiental, despertando o interesse do público pela pesquisa científica e pela conservação da natureza.

Pelas trilhas educativas, os visitantes têm contato com a fauna e a flora amazônica e podem conhecer atrações como os tanques de peixes-boi, viveiro de ariranhas, orquidário, casa da madeira e o “abraço da morte”, estrutura que reproduz o entrelaçamento das raízes de árvores da floresta.

...
Foto: Jamile Alves/Acervo/Rede Amazônica AM

Tarumã: refúgios naturais

Na zona Oeste, o bairro Tarumã reúne flutuantes e praias de água doce que se tornaram destinos populares entre os manauaras.

Durante o verão amazônico, as margens dos rios Tarumã-Açu e Tarumã-Mirim atraem banhistas, turistas e empreendimentos voltados ao ecoturismo.

Mesmo com os desafios do crescimento urbano, as áreas naturais de Manaus seguem resistindo — lembrando que a cidade nasceu e continua a viver em meio à floresta.

Ranking Nacional de Áreas Verdes

Manaus já foi conhecida como “Cidade Verde”, título que refletia a forte presença da floresta dentro do perímetro urbano. Mas a realidade atual é diferente: a capital amazonense enfrenta uma redução significativa das áreas de vegetação urbana nas últimas duas décadas.

De acordo com dados do MapBiomas, Manaus caiu para o 7º lugar no Ranking Nacional de Áreas Verdes Urbanas, com uma cobertura que passou de 28% em 2003 para 22% em 2023.

Leia também: 10 lugares para conhecer a história de Manaus

O levantamento mostra que as cidades brasileiras têm, em média, 11% de vegetação urbana. Entre as capitais, Rio Branco (AC) lidera proporcionalmente, com 32,8%, enquanto o Rio de Janeiro (RJ) concentra a maior área absoluta, com 12.961 hectares.

Das 27 capitais brasileiras, 19 ganharam cobertura vegetal ao longo dos últimos 20 anos, enquanto oito perderam, entre elas Manaus, que luta para equilibrar crescimento urbano e preservação ambiental.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM

Museu Goeldi recupera obra rara furtada há mais de 15 anos

0

Esquerda para direita: Sônia Dias, Nilson Gabas Jr., Cledson Silva e Berenice Bacelar exibem a obra devolvida. Foto: Janine Valente

A terceira obra rara mais antiga do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) retornou à Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna, em Belém (PA), no dia 17 de outubro. Após o furto identificado pela instituição em 2008, iniciou-se uma cooperação internacional e interinstitucional que permitiu recuperar “De India utriusque re naturali et medica”, em 2024, na cidade de Londres (Reino Unido).

De autoria do médico e naturalista holandês Guilherme Piso e com publicação em Amsterdã, em 1658, o livro foi entregue em cerimônia presidida pelo diretor da instituição, Nilson Gabas Júnior, e pelo delegado da Polícia Federal, Cledson Silva.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O ato ocorreu no Salão de Leitura da biblioteca do Museu Goeldi, localizada no Campus de Pesquisa, no bairro da Terra Firme, e contou com a presença de servidores da unidade de pesquisa pioneira na Amazônia.

Nilson Gabas Júnior destaca a importância da obra: “É uma obra monumental, construída a partir de observações do autor durante sua atuação na colônia holandesa. Essa obra descreve a flora, a fauna e algumas práticas médicas indígenas no território brasileiro. É uma das primeiras e mais relevantes obras sobre a história natural e medicina tropical do Brasil. O retorno dessa obra à nossa coleção é fundamental. É símbolo de um patrimônio que transcende séculos de história e conhecimento”.

A quinta das 60 obras desaparecidas foi localizada em Londres (Reino Unido) e reúne pesquisas científicas realizadas na região nordeste do Brasil, então colônia holandesa administrada por Maurício de Nassau. Foto: Foto: Janine Valente

O delegado Cledson Silva ressalta que “a Polícia Federal fica orgulhosa em realizar esta entrega. Por meio da cooperação interinstitucional e internacional, a gente consegue viabilizar a entrega desta obra e trazer ao Museu Goeldi”.

Leia também: Pesquisador do Museu Goeldi é um dos 10 cientistas com mais descobertas de aranhas no mundo

Obras recuperadas

Escrita em latim, a publicação reúne pesquisas científicas sobre história natural, geografia, meteorologia e etnologia. Ela foi impressa pelo editor holandês Louis Elsevier, fato que confere ainda mais raridade ao exemplar. As duas primeiras obras mais antigas do acervo são datadas de 1554 e outra de 1628.

A obra entregue nesta manhã faz parte de um conjunto de 60 publicações furtadas do Museu Goeldi. Quatro delas foram entregues à instituição pela Polícia Federal, em 2024 (veja lista abaixo).

A Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna possui 350 mil exemplares, entre eles, 4 mil obras raras. Referência nas áreas de Antropologia, Arqueologia, Botânica, Ciências da Terra, Ecologia, Linguística e Zoologia, a Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna atende o público especializado, de caráter acadêmico e científico. O acervo é composto por livros, periódicos, folhetos, separatas, mapas, CDs, fotografias, filmes, fitas e microfilmes.

Berenice Bacelar, curadora de obras raras e recém-aposentada, se sente gratificada com o momento. Foto: Janine Valente

Participaram da solenidade, a coordenadora substituta do Serviço de Biblioteca do Museu Goeldi, Sônia Dias, e as bibliotecárias Berenice Bacelar e Geisa Dias, curadora de obras raras recém-aposentada e a nova curadora, respectivamente.

“É gratificante. Estou saindo e estou recebendo uma das mais importantes obras. Obra raríssima, sobre um pedaço do Brasil que não era Brasil, era Holanda. Um pedaço do Brasil que teve desenvolvimento muito grande através de pesquisadores que foram trazidos por Maurício de Nassau. Os autores são médicos, mas, não são só médicos. São antropólogos, arqueólogos, botânicos, zoólogos. Um com 26 anos, o outro com 28”, descreve Berenice.

Segurança reforçada

Nilson Gabas Júnior ressalta que, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), logo após a identificação do furto, “foram realizados investimentos estruturais robustos em segurança e conservação do acervo da Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna, hoje considerada uma das mais seguras do país”.

Entre as principais medidas adotadas, ela destaca a construção de uma sala-cofre, com acesso restrito à curadoria e à direção da biblioteca; a adoção de sistema eletrônico de controle de acesso e monitoramento contínuo, registrando todas as atividades no interior e entorno da sala; a implantação de um sistema de climatização e refrigeração para garantir temperatura e umidade estáveis, essenciais à preservação de materiais sensíveis; e o uso de monitoramento ambiental 24 horas e sistema de combate a incêndio, assegurando proteção integral ao acervo.

“Essas ações garantem que as obras raras do Museu Goeldi sejam preservadas com eficiência, segurança e durabilidade, assegurando às futuras gerações o acesso a um patrimônio bibliográfico de valor incalculável, testemunho vivo da história científica e cultural do Brasil e da Amazônia”, assegura o diretor.

Obras raras devolvidas ao Museu Goeldi

  • Título: Rerum medicarum nove hispanieae thesaurus, seu plantarum, simalium, mineralium
  • Ano de publicação: 1628
  • Autor: Francisco Hernandez
  • Resgate: 2014, em Nova York, Reino Unido
  • Título: Reise in Chile, Peru und auf dem Amazonenstrome
  • Ano de publicação: 1836
  • Autor: Eduard Poeppig
  • Resgate: 2023 em Buenos Aires, Argentina
  • Título: Delectus florae et faunae brasiliensis jussu et auspiciis
  • Ano de publicação: 1820
  • Autor: Johann Christian Mikan
  • Resgate: 2024 em São Paulo, Brasil
  • Título: Simiarum et vespertilionum Brasiliensium species novae
  • Ano de publicação: 1823
  • Autor: Johann Baptist von Spix
  • Resgate: 2024 em Londres, Reino Unido
  • Título: De Indiae utriusque re naturali et medica
  • Ano de publicação: 1658
  • Autor: Guilherme Piso
  • Resgate: 2024 em Londres, Reino Unido

*Com informações do Museu Goeldi

Com 391 etnias e 295 línguas indígenas, saiba quais possuem maior abrangência na Amazônia Legal

0

Cena do filme sobre crença da etnia Tikúna, ‘Yo’ í e I’pi‘. Foto: Divulgação/Rejicars

Dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram a existência de 391 etnias, povos ou grupos indígenas no Brasil. Do total da população indígena em 2022 (1.694.836 pessoas), 74,51% declararam etnia, sendo as etnias mais populosas Tikúna (74.061), Kokama (64.327) e Makuxí (53.446). No Censo de 2010, havia um total de 896.917 indígenas e 305 diferentes etnias.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Já com relação aos idiomas, o Censo identificou 295 línguas indígenas, com 474.856 falantes de dois anos ou mais de idade. As três línguas com maior número de falantes são: Tikúna (51.978), Guarani Kaiowá (38.658) e Guajajara (29.212), mas a pesquisa captou línguas faladas por grupos menores e até por uma única pessoa. Em 2010, foram identificadas 274 línguas entre os indígenas de cinco anos ou mais.

As informações fazem parte do Censo Demográfico 2022: Etnias e línguas indígenas – Principais características sociodemográficas – Resultados do universo.

Os dados podem ser acessados no portal do IBGE e em plataformas como o SIDRA, o Panorama do Censo e a Plataforma Geográfica Interativa (PGI). Veja o resumo dos dados AQUI.

Marta Antunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais e Grupos Populacionais Específicos do IBGE, salienta que a importância desta divulgação reside no retrato da diversidade da população indígena no país. “O Brasil, quando você olha para outros países da América Latina, tem essa diversidade étnica e linguística. Esse quantitativo expressivo de etnias, esse quantitativo expressivo de línguas faladas”, comenta.

“Ao mesmo tempo, a gente teve esse grande aumento da população indígena entre 2010 e 2022, de quase 90%. Então, havia muita curiosidade: quem são esses indígenas?”.

Quantidade de etnias registradas nos Estados da Amazônia Legal

EstadoNúmero de etnias
Amazonas259
Pará222
Mato Grosso195
Rondônia180
Maranhão 122
Roraima117
Tocantins109
Acre80
Amapá52 (único que apresentou redução; antes eram 55)

Leia também: Amazonas e Roraima se destacam com maiores índices de população indígena

10 principais etnias presentes na Amazônia Legal (mais populosas)

  1. Tikuna (AM + Colômbia e Peru): 74.061 pessoas
  2. Kokama (AM + Colômbia e Peru): 64.327 pessoas
  3. Makuxi (RR + Guiana e Venezuela): 53.446 pessoas
  4. Terena (MT): 44.667 pessoas
  5. Guajajara (MA): 38.244 pessoas
  6. Mura (AM): 36.347 pessoas
  7. Baré (AM + Venezuela): 35.218 pessoas
  8. Munduruku (AM, PA): 32.896 pessoas
  9. Sateré-Mawé (AM): 28.774 pessoas
  10. Xavante (MT): 25.360

A etnia Tikúna tinha o maior quantitativo de indígenas, com 74.061 pessoas, seguida pela etnia Kokama, com 64.327 pessoas, e a Makuxí, com 53.446 pessoas. Por outro lado, 21 etnias, povos ou grupos indígenas apresentaram menos de 15 pessoas.

Leia também: Festa da Moça Nova: conheça o ritual de iniciação das mulheres Tikunas

Os Kokama são um dos principais exemplos de amplo crescimento de seu quantitativo entre 2010 e 2022. Os aperfeiçoamentos metodológicos do Censo 2022 e os processos de reafirmação identitária nos últimos anos tornaram os Kokama a segunda etnia mais populosa registrada no levantamento.

Segundo Fernando Damasco, “habitantes do rio Amazonas, no lado peruano, e no rio Solimões, no lado brasileiro, os Kokama estão localizados principalmente fora de Terras Indígenas reconhecidas e em áreas urbanas. Além disso, têm um histórico de migração nas últimas décadas, principalmente proveniente do Peru. Nos últimos anos, fortaleceram suas formas de organização comunitária, com reinvindicações pelo acesso a direitos fundamentais. Com essa mobilização e as melhorias que efetuamos no levantamento, o retrato desse grupo no Brasil foi aperfeiçoado, reafirmação étnica, somado à migração e à melhoria da captação nas cidades”.

Analisando as 29 etnias mais populosas (com mais de 10 mil pessoas), o maior percentual de pessoas residindo em Terra Indígena é da etnia Yanomami/Yanomán, com 94,34% de sua população nesta situação, seguida da Guajajara, com 80,28% e da Xavante, com 79,5%. A etnia com menor percentual vivendo em Terra Indígena é a Pankará, com apenas 0,13%.

Línguas indígenas mais faladas na Amazônia Legal

  1. Tikúna (AM + Colômbia e Peru)
  2. Guajajara (MA)
  3. Xavante (MT)
  4. Yanomami (AM, RR + Venezuela)
  5. Sateré-Mawé (AM)
  6. Nheengatu (Língua geral)
  7. Munduruku (AM, PA)
  8. Tukano (AM + Colômbia e Venezuela)

Os resultados do Censo mostram também o aumento do número de línguas indígenas faladas ou utilizadas no domicílio por pessoas indígenas de dois anos ou mais. Em 2010, eram 274 e, em 2022, 295 línguas. As quatro línguas com maior número de falantes são: Tikúna (51.978); Guarani Kaiowá (38.658); Guajajara (29.212); e Kaingang (27.482).

terra indígena da etnia yanomami
Terra Indígena Yanomami. Foto: Leonardo Prado/PGR

Entre 2010 e 2022, dentro das Terras Indígenas, houve um aumento de falantes de língua indígena entre as pessoas indígenas de cinco anos ou mais, passando de 293.853 para 433.980 falantes. Contudo, percentualmente, ocorreu uma redução entre 2010 (37,35%) e 2022 (28,51%).

“O avanço do português nas Terras Indígenas é um destaque dos resultados desse Censo. O principal fator é certamente a necessidade crescente de uso do português em necessidades da vida social, como estudo e trabalho, muitas vezes com deslocamento para áreas urbanas, ou com avanço da urbanização sobre as Terras Indígenas”, aponta.

“A ausência de políticas educacionais específicas que garantam o ensino em línguas indígenas contribui decisivamente para esse cenário. Fatores históricos são relevantes, pois em muitas situações, por racismo e discriminação, os indígenas foram obrigados a deixar de utilizar as suas línguas no cotidiano e em espaços públicos, substituindo-as pelo português, o que impacta também o uso no domicílio. Apesar disso, esse Censo revelou também que, apesar da ampliação do uso do português, houve crescimento de falantes de línguas indígenas, seja por razões demográficas, seja pelo fortalecimento do uso das línguas pelos indígenas, por meio de ações de revitalização e de fomento da educação bilíngue”, completa Fernando Damasco.

O Censo permitiu a declaração de até três línguas indígenas por pessoa, revelando regiões com forte multilinguismo, como o Alto Rio Negro, o Norte do Pará e o Parque do Xingu. A análise etária mostra que os falantes exclusivos de línguas indígenas são majoritariamente jovens, o que pode indicar potencial de continuidade.

Cultura Tikúna

Selecionado pelo Museu do índio (MI) pela Chamada de Projetos Culturais 2019 e fruto do projeto Ngē’tüügücü, o filme Yo’ í e I’pi, lançado em 2020, conta a história do nascimento de Yo’í e Ipi, heróis do Povo Ticuna.

Yo’í é quem pesca o povo Ticuna de dentro das águas do igarapé do Évare, mas o filme conta uma parte anterior da história em que surpreendentemente Yo’í , Ipi, Aicuna e Mowatcha nascem do joelho de Ngutapa.

O enredo teve seu roteiro construído a partir de entrevistas com os mais velhos. A realização do filme ajuda a fortalecer da cultura da etnia. A iniciativa foi realizada pela Rede de Jovens Indígenas Comunicadores do Alto Rio Solimões (Rejicars) e filmada durante a Oficina de Audiovisual na comunidade Umariaçu II, no Amazonas.

*Com informações do IBGE, ISA e Museu do Índio

Manaus 356 anos: sete lugares para visitar no Centro Histórico à pé

0

Nos últimos anos, o Centro Histórico de Manaus (AM), especialmente a área próxima ao Porto, tem passado por um processo de revitalização. Muito mais do que a modernização, o reconhecimento da cultura manauara tem ganhado destaque, principalmente nas redes sociais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Quem já conhece o comércio local, as ações culturais, agora também pode observar a história da cidade com mais atenção. Andar pela região se torna uma nova forma de reconhecer – ou conhecer – uma parte da história de Manaus, que completa 356 anos em 2025, neste 24 de outubro.

Assim, que tal aproveitar para passear por alguns locais do Centro Histórico que revelam um novo lado do coração popular da cidade?

1. Casarão da Inovação Cassina de Manaus

O passeio começa na Rua Bernardo Ramos. Para quem chega, a primeira opção é, de cara, conhecer a Casa de Inovação Cassina, o primeiro marco do Polo Digital de Manaus e centro de tecnologia e criatividade no Brasil. Com 1.586 m² e quatro andares, o espaço conta com salas de reuniões, laboratórios, áreas multifuncionais e um café com vista para o Rio Negro.

O edifício, construído em 1896 e em ruínas desde 1960, teve suas fachadas restauradas para preservar a estética original e a técnica construtiva com gesso pigmentado de arenito vermelho, única na cidade.

O projeto arquitetônico, assinado pelo belga Laurent Troost, transformou o casarão histórico em um ambiente de coworking. A obra venceu o Prêmio Oscar Niemeyer de Arquitetura Latino-Americana 2022 e simboliza os ciclos econômicos de Manaus, da era da borracha à economia digital atual.

Leia também: Memórias: conheça a história de algumas ruas históricas de Manaus

Manaus Histórica
Casarão da Inovação Cassina. Foto: Reprodução/Prefeitura de Manaus

2. Praça Dom Pedro II

Ao sair do Casarão, já se depara com a Praça Dom Pedro II, que foi construída por volta de 1852 e já teve diversos nomes, como Largo do Pelourinho, Largo do Quartel e Praça da República. Durante o início do século XX, era considerada a principal praça da cidade, destacando-se por seu coreto em estilo Belle Époque e um chafariz de ferro fundido e bronze.

O local também abriga o Paço da Liberdade, cuja construção iniciou em 1874 e foi concluída entre 1876 e 1878. Tombado como Patrimônio Histórico Municipal em 1956, o edifício passou a ter proteção especial do Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico do Amazonas (CEDPHA) em 1980.

Leia também: 3 fontes decorativas que fazem parte da história artística de Manaus

Praça Dom Pedro II. Foto: Ingrid Anne /Manauscult

3. Palácio Rio Branco

Atravessando a praça, logo mais a frente, é possível conhecer o Palácio Rio Branco, ou Centro Cultural Palácio Rio Branco, que foi construído entre os anos de 1905 e 1938. Em estilo eclético, foi projetado com a finalidade de abrigar a Chefatura da Polícia, porém nunca serviu a este fim.

Após a conclusão da obra, foi sede da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, que ali instalou sua sede somente 34 anos depois, na década de 1970.

Em 2000, o Poder Legislativo, através de comodato, cedeu o edifício ao Governo do Estado para a criação de um Centro Cultural voltado aos estudos da história política do Amazonas. O Palácio mantém ainda o Gabinete do Presidente da Assembleia Legislativa. Localiza-se na Praça Dom Pedro II.

Leia também: 10 lugares para conhecer a história de Manaus

Palácio Rio Branco. Foto: Mario Oliveira/Divulgação

4. Paço Municipal

Seguindo o passeio, a próxima parada é no Paço Municipal, também conhecido como Paço de Liberdade. O prédio já foi sede do governo do Amazonas, residência oficial dos presidentes provinciais e dos governadores e, em 1917, passou a ser sede da Prefeitura.

Hoje, abriga o Museu da Cidade de Manaus, inaugurado em 24 de outubro de 2018, com oito salas de visitação que retratam a vida cotidiana, a identidade e a cultura de gerações passadas. O paço data de 1871, quando foi lançada a pedra fundamental.

Leia também: De volta ao passado: Museu de Manaus resgata história da capital Amazonense

Paço Municipal. Foto: Reprodução/Prefeitura de Manaus

5. Centro Cultural Óscar Ramos

Voltando a seguir caminho pela Rua Bernardo Ramos, a próxima pausa é no Centro Cultural Óscar Ramos. O espaço fica nas casas 69 e 77, que figuram entre as residenciais mais antigas da cidade. 

O Centro é uma homenagem ao artista amazonense Óscar Ramos, com exposição permanente: pinturas, escritos, figurinos, produções, desenhos de moda do artista e objetos pessoais, como mobílias e capas de LPs.  O local funciona de terça a domingo, das 9h às 17h, com entrada gratuita (verificar disponibilidade).

Centro Cultural Óscar Ramos. Foto: Reprodução/Prefeitura de Manaus

6. Mirante Lúcia Almeida

Seguindo mais um pouco, encontra-se o mirante Lúcia Almeida, que foi inaugurado em outubro de 2024. O local atrai turistas que buscam conhecer parte da orla de Manaus com vista para o rio Negro e conta com o primeiro skyglass de uso público: são quase 40 metros quadrados de piso, somando oito peças de vidro laminado translúcido de 43 milímetros na varanda principal.

Em funcionamento das 7h à 0h, para as operações comerciais, o espaço recebe shows, mostras, exposições e atividades voltadas ao público desde infantil até terceira idade.

Leia também: Manaus é reconhecida como uma das melhores cidades para se visitar na América Latina

Mirante Lúcia Almeida. Foto: Reprodução/Prefeitura de Manaus

7. Píer Turístico Manaus 355

O fim da jornada para quem vem à pé do Centro de Manaus é o Píer Turístico Manaus 355, que está integrado ao Mirante Lúcia Almeida através de um atracadouro flutuante de 12m por 80m e três pontes de ligação, oferecendo uma experiência diferente para visitantes e operadores do setor turístico.

Operações turísticas (sob consulta) chegam e partem do píer, que funciona durante o ano todo, na cheia ou na seca. Ele é um ponto de partida e de chegadas para diversas experiências amazônicas. Podendo ser, inclusive, o início da jornada inversa desse passeio por parte do Centro Histórico de Manaus, para quem chega em alguma embarcação na cidade.

Leia também: Píer turístico ‘Manaus 355’: atrativo ganhou nome em alusão ao aniversário da cidade

Píer Manaus 355. Foto: Reprodução/Prefeitura de Manaus

Racing Club Amazonense: o primeiro time amador de futebol de Manaus

0

Ilustração do Racing Club Amazonense, o primeiro time de futebol amador de Manaus. Arte: Lúcio Izel

Considerado o esporte mais popular do mundo, o futebol surgiu no século XIX através dos ingleses, que criaram as primeiras regras dessa prática esportiva e espalharam a modalidade por todo o planeta. No Brasil não foi diferente, com a chegada do inglês Charles Miller com a bola em 1894 no país. Mas você sabia que o primeiro time de futebol do Amazonas foi fundado em Manaus por um maranhense?

Leia também: Futebol na Amazônia #1: saiba quais são os principais times e campeonatos que movimentam o Amazonas

Em comemoração ao aniversário de 356 anos de Manaus, o Portal Amazônia conversou com o historiador Gaspar Vieira Neto, que detalhou a história do Racing Club Amazonense, o primeiro time de futebol da cidade, criado em 1906 e responsável pela popularização e início da aceitação do esporte no Amazonas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo Gaspar, o idealizador da primeira agremiação esportiva em Manaus foi José Conduru Pacheco, jovem maranhense que residia na cidade e que conheceu o futebol em Belém, no Pará. Lá, ele se encantou pelo esporte e voltou à capital amazonense disposto a consolidar aquela modalidade no estado, que naquela época tinha o ciclismo e turfe (corridas de cavalo) como as principais práticas de lazer existentes.

E quem foi José Conduru?

Membro de uma tradicional família do Maranhão, José Conduru Pacheco era um jovem profissional bem sucedido, cuja família tinha ramificações em Manaus e também no Pará. Segundo as pesquisas de Gaspar, o maranhense aproveitou uma viagem de navio e chegou em Belém, onde conheceu o futebol, modalidade até então desconhecida por ele, mas uma verdadeira paixão entre os belenenses.

“Conduru passou a apreciar os jogos entre os times de Belém, que já eram em bom número, e se deixou contagiar pela vibração do público e das partidas, se apaixonando por aquele esporte. Ele resolveu voltar para Manaus e assim que desembarcou na capital amazonense, decidiu fazer algo inédito até então: fundar um clube de futebol na cidade”, afirma o historiador.

Leia também: Primeira partida de futebol do Brasil aconteceu na Amazônia; descubra onde

O futebol no Amazonas

Gaspar conta que, em 1906, o futebol já era praticado no Amazonas pelos ingleses há pelo menos três anos, na extinta praça Floriano Peixoto, no bairro Cachoeirinha. No entanto, o esporte era desconhecido por grande parte dos amazonenses.

“Em 1903, os ingleses costumavam, aos finais de tarde, realizar seus jogos na Praça Floriano Peixoto, no bairro da Cachoeirinha. Eles formavam seus times provisórios e começavam suas disputas, sob os olhares curiosos dos nativos, vendo aqueles britânicos se esbaldarem em busca de uma bola de couro, entre chutes e cabeçadas.
Porém, os ingleses não se mostravam dispostos a divulgar o futebol para os manauaras e só aceitavam membros de sua nacionalidade a jogarem as partidas”, relata o historiador.

Naquela época, segundo o historiador, o futebol já era uma das modalidades preferidas no Rio de Janeiro e São Paulo, as duas principais cidades do país, e também na Bahia. Na região Norte, o futebol já era praticado em Belém do Pará, com registros de sua prática datados no ano de 1896.

A primeira reunião

Encantado pelo futebol, José Conduru desembarcou em Manaus e convidou um grupo de amigos para uma reunião, que aconteceu no bar Itatiaya, que ficava situado entre as ruas Municipal (atual Avenida 7 de Setembro) e Marechal Deodoro.

Lá, o maranhense anunciou a intenção de fundar um clube dedicado ao futebol, ideia que teria sido recebida com muito entusiasmo pelos presentes no local.

Leia Mais: Você sabia que o primeiro time indígena de futebol do Brasil é paraense?

À direita, Bar Itatiaya, local onde foi fundado o Racing Club Amazonense. Cartão postal datado de 1918.

“Todos os demais se agradaram da brilhante ideia, e após a palestra de alguns rapazes, um deles, provavelmente Conduru, disse: o futebol traz o melhor dos benefícios salutares a qualquer cidadão. Precisamos da união que nos liga, fundar um clube nesse gênero e mantê-lo com o ríspido da nossa força de vontade”, conta Gaspar.

Após este discurso, segundo o pesquisador, todos os presentes concordaram com a proposta de Conduru, formando assim, naquele dia 13 de maio de 1906, o Racing Club Amazonense. O nome do time teria sido motivado pelo Racing Club de Paris, clube de futebol da França que era um dos principais da Europa.

Uniforme do Racing Club Amazonense. Arte: Sérgio Mello

Formação do clube

No dia 14 de maio, a Praça de São Sebastião foi o local escolhido para o anúncio do primeiro clube de futebol do Amazonas. Em frente ao Teatro Amazonas, Conduru e amigos começaram a discursar sobre a importância dos esportes na vida das pessoas e a introdução do futebol. Com a participação de 16 sócios, foi instalada ali a primeira agremiação daquele esporte no estado, onde, na ocasião, ocorreu também a “primeira” partida do time.

“Um dos sócios, ao ver uma barraca de vendas, umas bolinhas do jogo de crianças chamado pim-pam-pum, se apossou de uma delas e passou, junto com os sócios, a jogar futebol na praça durante horas. Aquilo causou risadas e curiosidades de quem assistia. Pode-se dizer que esta atividade foi o primeiro bate-bola não oficial do Racing”, pontua Gaspar.

Após aquela “pelada”, os sócios marcaram para o dia seguinte um novo encontro, agora para a escolha das cores do uniforme e a eleição de sua primeira diretoria. Numa reunião intensa, realizada na casa de Deodoro Freire, os sócios definiram o preto e branco como as cores do time, com o uniforme constituído de camisa branca com listras verticais pretas e calção branco. Votaram, também, pela organização estrutural do clube e a posição dos membros na equipe.

Primeiras dificuldades

Já fundado, o clube começou enfrentou as suas primeiras dificuldades como a ausência de uma sede, equipamentos e o principal objeto do futebol: a bola. Como Manaus não possuía estabelecimentos comerciais com esses apetrechos, Gaspar revela que José Conduru usou da sua estabilidade financeira para comprar os materiais diretamente do continente europeu.

“Conduru tirou dinheiro do próprio bolso para encomendar várias bolas da Europa, assim como outros utensílios. Em pouco tempo, um navio aportou na cidade com os materiais pedidos, fazendo a alegria dos membros do Racing”, frisa.

Já com a “pelota”, os jogadores começaram a treinar na praça Floriano Peixoto, que ficava no então bairro Cachoeirinha, entre as avenidas Canaçari (atual Carvalho Leal) e as ruas Borba e Canutama (atual Santa Isabel). Atualmente, no local da praça, hoje existe o Hospital Geral do Exército de Manaus – HGeM.

Local da extinta praça Floriano Peixoto, no bairro Cachoeirinha. Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte

O local, segundo Gaspar, acabou se tornando a sede provisória do Racing Club. Inicialmente, os treinos aconteciam entre os próprios membros do clube (titulares e reservas) e posteriormente contra times provisórios de ingleses. Em 1909, o clube enviou uma petição à prefeitura solicitando o direito permanente do logradouro e recebeu parecer favorável, transformando a praça Floriano Peixoto em sede definitiva.

“A primeira sede social do clube foi instalada na residência de número 16 da Vila Georgette, na rua Henrique Martins, e depois se mudou para a casa dos irmãos Armando e Alcebíades Antongini, na rua Saldanha Marinho, número 62. A partir de 1909 o clube passou a contar com uma sede de campo, no entorno da Praça Floriano Peixoto”, relembra o historiador.

Leia também: Conheça três peculiaridades de estádios de futebol construídos na Amazônia

Confrontos

Em 18 de abril de 1907, um cidadão chamado Luiz Paulino fundou outro pioneiro clube do futebol amazonense: o Sport Football Manaós. Com sede numa casa na rua 24 de Maio, o time foi o responsável, junto com o Racing, pelo primeiro confronto entre clubes distintos de futebol local. A partida, anunciada com pompa pela imprensa, aconteceu em 16 de junho daquele ano, na Praça Floriano Peixoto, e que terminou com vitória por 8 x 2 por um dos times.

Partida entre Racing e Sport Football Manaós, na praça Floriano Peixoto. Ao fundo, a escola Euclides da Cunha. Ilustração: Lúcio Izel

“Devido a falta de alguns jogadores, as equipes se formaram com jogadores misturados dos dois times. E foi assim que seguiram muitos outros jogos dos times, mas infelizmente o Sport Football Manaós durou apenas alguns meses e foi extinto logo depois”, conta Gaspar.

Em setembro, surgia um outro novo clube denominado Sport Club de Manaós, que deu origem à primeira rivalidade da história do futebol amazonense. Racing e o clube recém-criado duelaram pela primeira vez no dia 22 daquele mês, e a partida terminou empatada em 2 x 2.

Tal confronto foi fundamental para incluir o futebol no lazer dos amazonenses, que começaram a se sentir atraídos pelo esporte – aceitação facilitada pelo declínio do ciclismo em Manaus e a consequente extinção do Velódromo.

Consolidação

Waldemiro Carvalho e Pedro Ricevich, jogadores do Racing Club Amazonense em 1910. Foto: Reprodução do periódico esportivo ‘O Sport’
Ciclista Stoessel, fundador e atacante do Racing Club. Foto: Reprodução/Manaus de Antigamente

A partir de então, o Racing começou a crescer em importância no cenário futebolístico e social de Manaus, além de incentivar, nos anos seguintes, a criação de outros clubes como o Brasil Football Club e o Manaós Athletic.

Com sede permanente e campo oficial na praça Floriano Peixoto, o clube passou a se dedicar à outras práticas esportivas como o remo, a natação e o atletismo.

O Racing foi o clube responsável também por revelar os primeiros craques da história do futebol local como o goleiro Horizonte Ramos e o atacante Alberto Balalai.

Deodoro Freire, que atendia pelo pseudônimo de Stoessel, era um dos maiores ciclistas do Amazonas e também foi fundador e jogador do Racing Club.

Extinção

Em 1912, o Racing passou por uma crise financeira que afetou os seus sócios e isso acabou culminando com o enfraquecimento do clube. Sem forças, o pioneiro e tradicional clube do futebol baré fechava as suas portas.

“O Racing foi o maior responsável em difundir, impulsionar e tirar o futebol do anonimato no Amazonas, numa época de muita dificuldade em seus primeiros anos de existência. Falta de materiais apropriados, concorrência com outras modalidades, desconhecimento do público e da imprensa, mas ele cumpriu a sua missão em popularizar e consolidar a história do futebol amazonense”, reforça Gaspar.

Quanto ao seu fundador, Gaspar conclui: “Ele voltou ao Maranhão, onde viria a falecer de causas naturais na cidade de São Bento, em 1917”.

Estudantes criam maquiagem natural inspirada na cultura indígena Wajãpi

Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP

Um projeto desenvolvido por estudantes da Universidade Federal do Amapá (Unifap) uniu tradição em inovação ao criar uma linha de maquiagem natural inspirada na cultura indígena Wajãpi. A ideia é apresentada na Semana Nacional da Ciência e Tecnologia no Amapá, realizada no Sebrae, em Macapá, até dia 22 de outubro.

Leia também: Terra Indígena Wajãpi: a resistência na floresta do Amapá

Após pesquisas, o grupo conheceu o kusiwa, padrão gráfico corporal usado pelos indígenas e reconhecido como patrimônio cultural do Brasil. O símbolo inspirou os alunos a desenvolver um blush multifuncional, feito com ingredientes amazônicos.

Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP

A estudante Laís Tavares, de 22 anos, encontrou na tradição regional uma fonte de inspiração para o projeto acadêmico. Ao observar como as comunidades locais utilizam ingredientes naturais, ela e os colegas decidiram incorporar esse saber popular na pesquisa.

“É muito interessante porque, para eles, é uma forma de proteção para o corpo. Então a gente acabou se inspirando nisso. A gente tem que valorizar os ingredientes da nossa região. Isso também valoriza a cultura do povo que trabalha com isso”, conta a estudante.

Estudantes criam maquiagem natural inspirada na cultura indígena Wajãpi
Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP

Composição da maquiagem

O produto tem como base o urucum, corante natural típico da região, além de vitamina E e óleo de pracaxi, que possuem propriedades hidratantes, anti-inflamatórias e cicatrizantes. Segundo os estudantes, a tecnologia farmacêutica utilizada garante melhor absorção dos ativos e maior estabilidade da formulação.

“A indústria farmacêutica usa muitos produtos sintéticos, que na maioria das vezes, fazem bastante mal à pele com o tempo. Então a gente achou que seria uma oportunidade muito interessante de utilizar produtos naturais e se diferenciar no mercado, que utiliza muitos produtos de origem do petróleo”, conta.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP

*Por Crystofher Andrade, da Rede Amazônica AP

Comunidades indígenas na Amazônia recebem projeto para ampliar o acesso à água potável

Foto: Divulgação/SGB

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), realizam projeto que contribuirá para ampliar o acesso à água para consumo humano em 45 comunidade indígenas do Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, na área de abrangência do Distrito Sanitário Especial Indígena – Porto Velho (DSEI/PVH). O trabalho será realizado até 2027.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A parceria, por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado com a SESAI, prevê a realização de levantamentos hidrogeológicos e geofísicos para identificar áreas com potencial para a perfuração de poços tubulares, garantindo fontes seguras e sustentáveis de abastecimento de água. Essa ação faz parte do Programa Nacional de Saneamento Indígena (PNSI), do Ministério da Saúde e beneficiará mais de 1,2 mil indígenas. 

A diretora-presidente do SGB, Sabrina Góis, reforça a importância dessa ação em parceria com o Ministério da Saúde: “Essa é mais uma iniciativa que mostra como o conhecimento que geramos chega diretamente até as pessoas, melhorando a qualidade de vida em todo o Brasil. Nosso papel é apoiar o governo federal com ciência de qualidade”.

Garantir o acesso à água potável por meio de poços tubulares profundos nas comunidades é essencial para o saneamento, consequentemente, saúde e qualidade de vida das populações indígenas. Entre os principais benefícios estão o fornecimento de fontes de água com soluções definitivas, a diminuição de doenças por veiculação hídrica e a redução da mortalidade infantil.

“A missão do SGB, de gerar e disseminar conhecimento geocientífico com excelência, está intimamente alinhada aos objetivos desse projeto, que busca integrar saberes e práticas para um impacto positivo nas comunidades atendidas”, ressalta a diretora de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB, Alice Castilho.

O geólogo do Distrito Sanitário Indígena Porto Velho, Rodrigo Tokuta, reforça a importância da parceria institucional para atender as políticas de saneamento e saúde:

“Estreitar parcerias com instituições que são referência nas suas áreas, como é o caso do SGB, é muito importante para produzir resultados com maior qualidade e celeridade. Em meio às discussões de crise climática e crises hídricas, em escala regional, é essencial ter uma maior confiança nos projetos que são elaborados para ter soluções definitivas para as populações beneficiadas”.

Leia também: Praias de Manaus recebem monitoramento da qualidade da água; entenda como funciona

Estudos do projeto que já foram concluídos

Até o momento, já foram concluídas três etapas de campo do projeto – em julho, agosto e setembro -, abrangendo 18 comunidades indígenas. No Amazonas, as ações contemplaram as comunidades Taboca, Bela Vista II, Juí e Paranã-Pikahu, no município de Humaitá.

Em Mato Grosso, os trabalhos ocorreram na Rio Azul, em Rondolândia. Já em Rondônia, os levantamentos abrangeram Poção, em Guajará-Mirim; Nova, Jamari e Jamari II, em Governador Jorge Teixeira; Kassupá, Karipuna e Caracol, em Porto Velho; além de Cajuí, Figueira, Estaleiro, Poção, Murumuru e Formigueir, em Alta Floresta D’Oeste.

Ao todo, foram executados 6,8 mil metros de linhas de caminhamento elétrico. “Na Aldeia Caracol (RO), por exemplo, os resultados obtidos mostram o potencial de aplicação do método geofísico para a locação de poços tubulares, onde é possível observar uma tendência de baixos valores de resistividade a partir dos 15 metros de profundidade, indicando a presença de água subterrânea (zona saturada) adequada para locação de poços”, explica o geofísico do SGB Alexandre Lago, coordenador do projeto pela Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica (DISEGE).

Levantamentos geofísicos e hidrogeológicos

Os levantamentos são realizados com técnicas avançadas de eletrorresistividade, método geofísico que permite identificar a presença de água subterrânea a partir da aquisição de dados de resistividade elétrica do solo e das rochas.

Com esse trabalho, é possível identificar áreas potenciais sem a necessidade de realizar perfurações antecipadas, o que contribui para reduzir impactos ambientais e otimizar recursos, evitando que sejam feitas perfurações em áreas com baixo potencial.

Próximos passos 

Comunidades indígenas na Amazônia recebem projeto para ampliar o acesso à água potável
Foto: Divulgação/SGB

As próximas etapas do projeto incluem levantamentos em outras aldeias até 2027, quando está prevista a conclusão do trabalho. Após as coletas em campo, os dados serão processados e analisados pelas equipes técnicas para compor relatórios técnicos de cada aldeia. Esse documento servirá de base para futuras ações de abastecimento hídrico nas comunidades.

O projeto conta com equipes formadas por hidrogeólogos, geofísicos e geólogos, das diretorias de Hidrologia e Gestão Territorial (DHT) e de Geologia e Recursos Minerais (DGM), além da Residência de Porto Velho (REPO).

*Com informações do SGB