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Estudo cartográfico destaca territórios de matriz africana em Manaus

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Estudo também está alinhada ao recém-formulado Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 18. Foto: Alonso Júnior 

Um projeto de mapeamento iniciado em Manaus (AM) pretende tornar visível a atuação sociocultural e ambiental dos terreiros de Candomblé, Umbanda e templos de religiões de matriz africana da capital amazonense. A iniciativa integra o estudo Cartografia da Resistência e do Cuidado, desenvolvido em parceria entre o Atlas ODS Amazônia, Universidade Federal do Amazonas, Instituto Acariquara e o Instituto Ganga Zumba.

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A ação também está alinhada ao recém-formulado Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 18 (ODS 18), voltado à proteção dos povos e comunidades tradicionais, que busca reconhecer os terreiros como agentes ativos de cuidado, cultura e justiça ambiental na Amazônia urbana.

Saiba mais: ODS: exemplos buscam diminuir desigualdade social na Amazônia

Estudo cartográfico destaca territórios de matriz africana em Manaus
Estudo cartográfico destaca territórios de matriz africana. Foto: Alonso Júnior 

Plataforma colaborativa de saberes e territórios

O estudo prevê a criação de uma plataforma digital de cartografia participativa, alimentada pelas próprias comunidades de terreiro. O espaço reunirá informações georreferenciadas sobre localização, práticas culturais, impacto social e estratégias coletivas de cuidado.  

O estudo prevê a criação de uma plataforma digital de cartografia participativa. Foto: Alonso Júnior 

Segundo o coordenador técnico do Atlas ODS Amazônia, Dr. Danilo Egle, o objetivo é produzir dados que sirvam de base para políticas públicas, pesquisas e ações de fortalecimento institucional. “Estamos falando de territórios que cuidam, alimentam, acolhem e preservam saberes ancestrais em meio à cidade”, explica Egle.

As informações coletadas serão sistematizadas em relatórios públicos e painéis interativos, com previsão de lançamento da plataforma para o início de 2026.

Fé, memória e pertencimento

Além da parte técnica, o projeto inclui oficinas, rodas de conversa e escutas comunitárias com lideranças religiosas e moradores das áreas mapeadas.  As atividades garantem que os próprios terreiros conduzam suas narrativas e definam como apresentar seus territórios e modos de vida.

“Esse projeto nasce do nosso próprio chão, da nossa necessidade de existir com dignidade e sermos reconhecidos como guardiões de saberes, memórias e cuidados. Ao mapear esses territórios, estamos dizendo em alto e bom som que nossa presença importa”, afirma o sacerdote do culto tradicional de Ifá e membro do Instituto Ganga Zumba, Donté Luiz de Badé.

Referência

Entre os territórios que inspiram o projeto, eventos como o Balaio da Oxum, que chega aos 10 anos em 2025, se destacam como símbolos de resistência e fé coletiva. Criado em Manaus, o Balaio surgiu como um ato de fé e resistência, reunindo povos de terreiro, comunidades tradicionais e movimentos sociais em torno da arte, da espiritualidade e da luta ambiental.  As pautas centrais do evento incluem a defesa dos rios amazônicos, o reconhecimento das águas como fonte de vida e a valorização das contribuições culturais dos povos de terreiro, conectando-se às agendas globais de sustentabilidade e espiritualidade.

A sacerdotisa Agonjaí Nochê Flor de Navê, do Templo de Tambores de Mina Jejê-Nagô Xwê Ná Sin Fifá, destaca a importância de respeitar a visão ancestral presente em cada ação do Balaio.  “Colocar o olhar religioso e o olhar de pessoas negras é bem difícil. Por isso, é essencial falar sobre o respeito pela natureza, porque para nós, sem a folha, a gente não vive, não existe orixá”, afirma. “O Balaio é conduzido por essa casa. A gente joga, consulta e faz tudo isso para encaminhar as coisas. É o orixá que mostra o caminho”, completa.

Cuidar é resistir

O vínculo entre o Balaio e o projeto Cartografia da Resistência e do Cuidado reflete a essência das religiões afro-brasileiras: cuidar como forma de existir. O estudo reconhece esses espaços como guardiões ambientais e culturais, essenciais à construção de cidades mais justas e sustentáveis. 

O estudo prevê a criação de uma plataforma digital de cartografia participativa. Foto: Alonso Júnior 

A iniciativa aposta na articulação com políticas públicas e instituições acadêmicas, inclusive junto ao sistema ONU (Organização das Nações Unidas), para reforçar a pauta do reconhecimento das religiões de matriz africana como parte do patrimônio cultural imaterial da Amazônia urbana.

Uma agenda para o futuro

Ao adotar os parâmetros do ODS 18, o estudo contribui para consolidar uma agenda pública voltada à proteção dos territórios tradicionais e ao fortalecimento dos saberes ancestrais. A expectativa é que, com a plataforma e os relatórios, surjam novas políticas que garantam segurança territorial, sustentabilidade e visibilidade às comunidades. 

O Balaio da Oxum, com sua trajetória de uma década, simboliza o que o projeto Cartografia da Resistência e do Cuidad busca registrar: a persistência da fé, o poder da coletividade e a defesa da vida.

Ampliação dos negócios da TV Lar: uma visão de futuro percebida nos detalhes

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A TV Lar Aleixo, dentro da Colônia Antônio Aleixo, em Manaus. Da esquerda para a direita: Pirulito, José Lindoso e Onias Bento. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

No decorrer dos dez primeiros anos, apesar de todas as dificuldades do início da empresa, as vendas da TV Lar, em Manaus, mostravam-se bastante favoráveis, com parcimônia e dedicação sendo que tudo levava a crer que o futuro seria promissor.

A bem da verdade, podemos afirmar que todo esse progresso veio com a criação da Zona Franca de Manaus. Também é verdadeiro afirmar que novos estabelecimentos comerciais começaram a surgir e que um grande número de imigrantes passou a investir na área comercial. Nesse momento, as empresas que já vinham atuando no mercado começaram a assumir nova postura empresarial, adequando-se ao momento.

Embora o comércio de Manaus ainda mantivesse o vínculo e as raízes no interior do estado, com empresas aviadoras, a cidade começava a mudar sua estrutura física, quando o grande centro comercial passou a ter suas casas residenciais transformadas em comércio.

Também é relevante afirmar que a chegada desse progresso comercial, e consequentemente financeiro, acabou por nos trazer um grande prejuízo para o patrimônio arquitetônico, pois não havia por parte dos governos estadual e municipal uma politica de preservação, o que provocou a descaracterização dos velhos casarões e sobrados das principais ruas de centro, em nome da modernidade comercial.

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No decorrer do ano de 1977, exatamente no mês de agosto, a Importadora TV Lar amplia sua estrutura física e comercial e abre o Shopping Boulevard. O centro urbano de outrora, voltando para a hinterlândia, já não existia mais, sendo apenas um passado não muito distante que ficara para trás.

Esse vínculo foi perdido porque o interior se tornara decadente e sua economia era extremamente deficitária, tornando-se inviável, e a cidade começava a absorver a modernidade, principalmente na área de eletrônica e o Distrito Industrial, por sua vez, oferecia empregos e provocava o êxodo rural.

Manaus avançava no processo da globalização que passou a refletir a cara do caboclo do Amazonas, provando ser este capaz de montar os mais minúsculos e sofisticados objetos eletrônicos que eram oferecidos no parque industrial e no mundo, tendo recebido as influências e os estilos dos grandes nacionais e internacionais, com os produtos a entrar de formar avassaladora.

Apesar de todos os percalços do interior do estado, a filha da Joaquim Nabuco atendia uma clientela expressiva dessa demanda, muito especialmente do município de Manacapuru. A empresa chegou a ter um funcionário sediado naquela cidade, que efetuava as vendas e trazia os pedidos para Manaus e a empresa promovia o faturamento e a posterior entrega do produto.

Com o passar do tempo, comprovou-se ser viável abrir uma filial na cidade de Manacapuru, tendo isso ocorrido no mês de abril de 1979 e tendo como primeiro funcionário o próprio vendedor de outrora, senhor Francisco Silva. Dessa forma expandia-se a vida comercial na hinterlândia.

Procurando um caminho para ser útil

É extremamente verdadeiro afirmar que ética é a ciência da conduta humana e que toda conduta humana tem um objetivo, como por exemplo a paz e o bem-estar social de uma comunidade, progresso material e espiritual, promovendo a felicidade terrena aos seus semelhantes.

O destino da sociedade e em especial de grupos menores, inclusive empresarial é procurar destacar a felicidade individual de cada pessoa e os valores que lhes modela o caráter, tornando essa sociedade igualitária, modelando algo que traga benefício e um projeto de vida perseguindo pelos indivíduos e principalmente pela sociedade como um todo.

TV Lar Aleixo. Na foto: Onias Bento e José Lindoso. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Leia também: Edna Frazão Ribeiro: a primeira Miss Amazonas e sua cidade de Manaus

O projeto de vida pessoal de cada um não acontece de forma isolada. Ele definitivamente vai se afirmando a partir de um emaranhado de elementos morais, culturais e principalmente religioso. Portanto, fazer seu semelhante feliz, pouco a pouco vai modelando o caráter dos indivíduos.

O êxodo rural rompeu as antigas formas de viver em pequenas comunidades, culturalmente enraizadas, muitas vezes criando o individualismo sistemático no anonimato das grandes cidades.

O homem José Azevedo rompeu a tradição de isolamento de uma comunidade que, pela sua condição social e infectocontagiosa, viveu por muitos anos alienada da possibilidade de obter bens materiais, por falta de crédito no comércio, por falta de transporte coletivo regular e pela própria condição do portador de hanseníase. A partir disso, passou a oferecer de bem e de felicidade o que se compra nos bons e ornamentados salões dos shoppings center e grandes magazines.

Amor ao semelhante, no entanto, não pode ser comprado em lojas bonitas e determinadas camadas sociais da comunidade se retraem pelo seu estado de saúde, porém, ela permanece contribuindo com o desenvolvimento social.

Em Manaus tínhamos a Colonia Antônio Aleixo, que era habitada pelos nossos irmãos portadores de hanseníase, muitos deles clientes assíduos da Importadora TV Lar. O contato direto de José Azevedo com essas pessoas e a sensibilidade de oferecer mais oportunidade a eles, inclusive dando emprego, levou a empresa a instalar-se na Colônia Antônio Aleixo, dentro da própria comunidade, na Rua Getúlio Vargas, s. n°. No mês de outubro de 1980, a loja foi inaugurada, tendo funcionado durante quatorze anos.

Mais tarde, com a desativação do Hospital Colônia, com a invasão de moradores de outras áreas, tornou-se um bairro, hoje já ligado ao Zumbi e a partir daí a diretoria achou-se por bem transferir a loja para a Cidade Nova, na Avenida Max Teixeira, n.° 3200, Cidade Nova I.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras (AAL) e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Número de focos de queimadas no Amapá em 2025 é o menor dos últimos três anos, diz CBM

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A queda nos registros de queimadas é atribuída a ações de monitoramento, fiscalização e campanhas de conscientização realizadas pelas forças de segurança do Estado. Foto: Divulgação/GEA

Amapá registrou 387 focos de queimadas até 29 de outubro de 2025, o menor número dos últimos três anos, segundo o Corpo de Bombeiros Militar (CBM). A queda foi de mais de 80% em relação a 2023.

Esses focos são pontos de calor identificados por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e indicam a presença de fogo em áreas de vegetação.

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Eles ajudam a monitorar e medir, em tempo real, a ocorrência de queimadas e incêndios florestais.

Confira os números dos últimos anos:

  • 2025 (até 29 de outubro): 387 focos
  • 2024: 2.014 focos
  • 2023: 2.552 focos

A queda nos registros é atribuída a ações de monitoramento, fiscalização e campanhas de conscientização realizadas pelas forças de segurança do Estado.

“O resultado vem do esforço conjunto das equipes em campo. Investir em prevenção, tecnologia e conscientização traz resultados reais e protege vidas, comunidades e o meio ambiente”, disse Cézar Vieira, secretário de Justiça e Segurança Pública.

Em 2025, o Corpo de Bombeiros registrou 265 ações de combate direto a incêndios florestais e realizou 1.214 atividades preventivas, como palestras e instruções. As ações alcançaram cerca de 21.365 pessoas — número maior que os 13.990 atendidos em 2024.

As margens das rodovias estão entre os pontos que mais preocupam os bombeiros.

Número de focos de queimadas no Amapá em 2025 é o menor dos últimos três anos, diz CBM
Foto: Divulgação/GEA

Queimadas ainda preocupam, mas ações integradas combatem

No domingo (26), um incêndio de grandes proporções às margens da rodovia AP-070 causou um acidente e afetou o tráfego perto da comunidade Abacate da Pedreira.

Testemunhas relataram que a fumaça tomou conta da pista e obrigou motoristas a parar no acostamento.

O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Pelsondré Martins, afirmou que as equipes atuam de forma integrada, com ações de combate e educação ambiental nas áreas mais afetadas.

“Os resultados vêm de investimentos contínuos, ações educativas e da presença constante das equipes da Operação Amapá Verde. Essa atuação tem sido essencial para reduzir os focos de queimadas, principalmente nas áreas mais vulneráveis”, destacou o coronel.

A Operação Amapá Verde começou em 21 de agosto e vai até dezembro. A iniciativa é dividida em 12 ciclos, com troca de equipes a cada 10 dias.

Leia também: ‘Amapá Verde’: operação de prevenção e combate a queimadas na Amazônia durante estiagem

O Corpo de Bombeiros mantém bases em Laranjal do Jari, Mazagão, Ferreira Gomes, Pedra Branca do Amapari, Tartarugalzinho, Amapá e Itaubal — regiões com maior risco de queimadas.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Populações da Amazônia e Mata Atlântica receberão mais de R$2 bilhões para produção sustentável

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Comunidade produtora de açaí, localizada em Acará (PA), é atendida pelo Hub de Sociobioeconomia do banco. Foto: William Pinto Alves Seixas

As populações da Amazônia e da Mata Atlântica brasileiras terão acesso a R$ 2 bilhões em financiamentos para iniciativas ligadas à sociobioeconomia, modelo que une conservação ambiental, valorização dos saberes tradicionais e inclusão social. Desse total, 3.500 famílias de comunidades tradicionais devem ser beneficiadas com potencial de crédito de R$ 200 milhões.

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A disponibilização de crédito é parte da atuação do Hub Financeiro da Bioeconomia do Banco do Brasil (BB), que já tem unidades físicas em Manaus (AM), Belém (PA) e em Ilhéus (BA), e possui capilaridade em todo o território brasileiro. O Hub Norte atende toda a região da Amazônia Legal e o Hub Nordeste atende as comunidades do bioma Mata Atlântica. Todas as unidades devem alcançar R$ 5 bilhões em financiamentos até 2030.

Os espaços oferecem atendimento físico e digital, assistência técnica e soluções financeiras adaptadas às realidades específicas. Agentes de crédito especializados em sociobioeconomia atuarão diretamente nas comunidades tradicionais, promovendo educação financeira e inclusão produtiva.

Este trabalho será um dos destaques apresentados pelo banco em eventos paralelos durante a COP 30, em Belém (PA), e poderá ser conhecido também no estande do Banco do Brasil, na Zona Verde.

imagem colorida de vista aérea da orla de belém do pará, na Amazônia, onde será realizada a cop 30 em novembro
Belém (PA). Foto: Reprodução/Agência Pará

Os esforços dialogam com o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) , coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), uma vez que um dos eixos mais estratégicos do planejamento é a sociobioeconomia, que busca integrar comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares, mulheres e jovens às cadeias produtivas sustentáveis.

Leia também: Governo anuncia ampliação de investimentos em pesquisa na Amazônia visando a COP3

Outras ações na Amazônia

Por meio de acordo firmado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Verde para o Clima (GCF), o Banco do Brasil destinará US$250 milhões ao Programa BB Amazônia. A iniciativa visa ampliar o acesso ao crédito para até 11,7 mil empreendimentos locais, incluindo cooperativas, agricultores familiares e negócios liderados por mulheres.

De acordo com o vice-presidente de Negócios de Governo e Sustentabilidade Empresarial do BB, José Ricardo Sasseron, a instituição faz busca ativa pelas comunidades ribeirinhas, extrativistas e indígenas: “Não esperamos que os projetos venham até o banco. Nós vamos até eles”.

O BB também firmou parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), com objetivo de implementar um programa de apoio a povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

A iniciativa fomenta o desenvolvimento socioeconômico sustentável e valoriza a cultura deste grupos, incentivando a comercialização de produtos da sociobioeconomia, como artesanato, e desenvolvendo projetos de recuperação de terras degradadas.

*Com informações da COP30 Brasil

Zé Bolo Flô: poeta andarilho, ambulante e símbolo cultural de Cuiabá

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Parque Estadual Zé Bolo Flô é uma homenagem ao poeta andarilho. Foto: Reprodução/Google Maps

José Inácio da Silva, conhecido popularmente por Zé Bolo Flô, era um compositor e poeta que andava nas ruas da cidade de Cuiabá (MT). Foi um andarilho, nos anos de 1970 e 1980, considerado por muitos como ícone da cultura da cidade. Seu nome popular é devido as suas vendas de bolos e flores no bairro cuiabano Baú. 

Zé Bolo Flô
Foto: Francisco das Chagas Rocha/Acervo pessoal

Zé vendia bolos e flores no centro da cidade, entrava nas missas e festejos religiosos oferecendo seus produtos, para conseguir se sustentar pelas ruas. O poeta escrevia para as pessoas e em troca pedia uma refeição.

Ficou assim conhecido, segundo relatos, porque gritava pelas ruas quais produtos estava vendendo: bolos e flores.

Utilizava roupas humildes, muitas delas doadas por pessoas que acompanhavam seu trabalho nas ruas.

No fim de sua vida, ele foi considerado louco e o internaram no hospital psiquiátrico Adauto Botelho. 

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Homenagem para Zé Bolo Flô

Pela sua relevância histórica, o ambulante teve seu nome registrado em um parque estadual na cidade de Cuiabá como homenagem. 

Leia também: Parques estaduais no Mato Grosso são opções de lazer ao ar livre

Localizado na região do Coxipó, em Cuiabá, o Parque Estadual Zé Bolo Flô possui uma área de 66 hectares e  leva o nome do poeta. 

É um parque arborizado, de mata fechada e com trilhas de passeio. Tem ligação com o Bioma Cerrado e parte da Amazônia.

Foto: Reprodução/Secom MT

Conheça seis personalidades enterradas no Cemitério dos Inocentes em Porto Velho

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No cemitério dos Inocentes em Porto Velho existem muitas personalidades enterradas. Foto: Wesley Pontes

O Cemitério dos Inocentes é um dos mais antigos de Porto Velho. Construído em 1915, o local conta atualmente com mais de 35 mil pessoas sepultadas, a maioria em jazigos e gavetas. Dentre os enterrados no local, estão políticos, religiosos, comerciantes, médicos e intelectuais.

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Dentre os milhares que ‘descansam eternamente no local’ existem personalidades que possuem sua relevância histórica, em diferentes momentos, durante a evolução do Estado de Rondônia. Conheça seis:

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Emanuel Silvestre Amarante

Conhecido como Major Amarante. Militar do Exército Brasileiro, engenheiro, geógrafo, cartógrafo, explorador e sertanista, ele seria genro do patrono de Rondônia, Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Major Amarante também contribuiu para a instalação de linhas telegráficas junto com Rondon e teria morrido em 1929, aos 49 anos de idade.

personalidades enterradas no Cemitério dos Inocentes
O jazigo do sertanista carioca em Porto Velho. Major Amarante contribuiu para a instalação de linhas telegráficas com Marechal Cândido Rondon. Foto: Reprodução

Vespasiano Ramos

Intelectual e muito famoso na época, inclusive sendo homenageado com nome de rua, outro personagem que está sepultado no Cemitério dos Inocentes é o poeta maranhense Joaquim Vespasiano Ramos. O poeta morreu em 1920, após ter passado por seringais na região de Ariquemes, onde contraiu malária, mas a causa da morte teria sido tuberculose.

O poeta morreu em 1920, após ter passado por seringais na região de Ariquemes. Foto: José Carlos

Miguel Chakian

Natural da Síria, importante comerciante, outro homenageado com nome de rua na cidade, também se encontra sepultado ali e tem um dos jazigos mais suntuosos. Conforme registrado na história, o sírio chegou a Porto Velho no ano de 1917. Um dos filhos dele, chamado Thomaz Miguel Chakian, foi prefeito de Porto Velho e suplente de deputado federal por Rondônia.

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George João Resky

George João Resky, que fundou o antigo Cine Teatro Resky, instalado próximo a Praça Marechal Rondon, no Centro Histórico de Porto Velho. Reske Faleceu em 13 de março de 1963, com 83 anos de idade.

George João Resky, que fundou o antigo Cine Teatro Resky. Foto: Wesley Pontes

Carnavalesco Manoel Mendonça

No caso do sepultamento do empresário e carnavalesco Manoel Mendonça, o Manelão, fundador da Banda do Vai Quem Quer, o administrador conta que ocorreu um fato completamente atípico no cemitério. No momento do enterro, Manelão foi homenageado pelos amigos com muita música, as famosas marchinhas que marcaram época nos desfiles da banda.

Leia também: Conheça a história de cinco personalidades acreanas representadas em estátuas públicas

Manelão morreu no dia 28 de fevereiro de 2011, aos 62 anos de idade. O túmulo dele está localizado próximo à entrada do cemitério, do lado esquerdo. “O momento era de tristeza, mas as homenagens transformaram o sepultamento dele num momento festivo”, afirma o administrador do cemitério.

Raimundo Alves Monteiro

Próximo à sepultura de Manelão, está o túmulo de Raimundo Alves Monteiro, mais conhecido pelo apelido de Beleza. Homem simples, mas muito conhecido pelo público católico, ele trabalhava como zelador na Catedral do Sagrado Coração de Jesus e, por muitos anos, foi o responsável por tocar o sino e chamar a população a assistir à missa.

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O Cemitério dos Inocentes fica localizado na rua Almirante Barroso, bairro Mocambo, na região central de Porto Velho.

*Superintendência Municipal de Comunicação de Porto Velho (SMC)

Três histórias inusitadas de cemitérios da Amazônia

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Foto: Reprodução/UFPA

O Dia de Finados, celebrado no dia 2 de novembro, é realizado desde o século V, após a Igreja Católica escolher um dia do ano para rezar por todos os mortos. A data marca, no Brasil, uma alta movimentação nos cemitérios, uma vez que muitos familiares aproveitam o momento para visitar seus entes queridos que já morreram. Na Amazônia não seria diferente, mas diferente mesmo são alguns deles.

Leia também: Fatos curiosos e peculiares sobre os cemitérios na Amazônia

Conheça – ou relembre – fatos sobre alguns construídos na Amazônia que são inusitados:

A ilha cemitério

Localizado nas margens do Rio Negro, o Cemitério Nossa Senhora da Conceição das Lages, é um dos que estão localizados na Zona Rural de Manaus, no Amazonas. Ele está localizado na Ilha Visconde de Mauá, no bairro Mauazinh, e foi fundado em 1906. O local possui espaço para mais de 1.900 sepulturas, distribuídas em uma área de 21.840 m², segundo informações da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), tendo recebido mais de 1.920 inumados.

Isolado em uma ilha com aproximadamente 40 metros de altura, o acesso para pode ser feito apenas por meio fluvial, geralmente em período de cheia do rio, por meio de lanchas que vão até o local. 

Saiba mais: Conheça o cemitério construído em uma “ilha” na Amazônia

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Foto: Robervaldo Rocha / Acervo Semcom

Museu, parque…?

Transformado em parque em 2023, um cemitério no Pará se tornou verdadeiro espaço cultural. Trata-se do Parque Cemitério Soledade, em Belém. Nele, o visitante consegue passear através da memória da capital paraense.

Com influências do romantismo, neoclássico, neogótico e neobarroco, em 1964 ele foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio arquitetônico, urbanístico e paisagístico. Foi o primeiro tombamento de um cemitério no Brasil.

Em mais de 170 anos de existência, foram sepultadas mais de 30 mil pessoas, em grande parte vítimas das epidemias de febre amarela e cólera, que marcaram o século XX. Hoje, o Parque possibilita múltiplos usos para o culto religioso, passeio, pesquisa, educação patrimonial, entre outros.

Saiba mais: Parque Cemitério Soledade: patrimônio histórico é espaço vivo de cultura e aprendizado

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Foto: Reprodução/UFPA

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A cidade que não pode ter cemitério!

Um município amazônida possui uma característica tão única que não é possível construir um cemitério no local. Pesquisadores afirmam que o problema é o tipo de solo da cidade, por possuir uma substância chamada Caulim, um tipo de minério composto por silicatos hidratados de alumínio. O minério impede que os corpos se desintegrem. 

Este município é Pacaraima, em Roraima. A cidade tem 8.025,045 km² de área territorial e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma população de pouco mais de 20 mil pessoas. A cidade fica no extremo norte do Estado, na fronteira com a Venezuela. Com 920 metros de altitude é considerada a cidade mais alta da Região Norte do Brasil.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: por que Pacaraima não pode ter cemitério?

Foto: Reprodução/Instituto de Pesquisas Tecnológicas (SP)

Cemitério dos Inocentes guarda parte da história de Porto Velho e do Brasil

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O escritor Vespasiano Ramos foi sepultado em 1916 no cemitério dos inocentes. Foto: José Carlos

No dia 2 de novembro, o Brasil celebra o Dia de Finados, data em que milhões de pessoas visitam os túmulos de familiares e amigos para homenagear suas memórias. Em Porto Velho, os moradores se preparam para fazer dessa data, um momento de lembrança e respeito.

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Entre os cemitérios públicos da capital rondoniense, o Cemitério dos Inocentes se destaca pela sua relevância histórica. Localizado na região central, o espaço vem se consolidando também como um ponto de turismo de memória, atraindo visitantes interessados em conhecer os túmulos de figuras marcantes da história local e nacional.

Leia também: Parque Cemitério Soledade: patrimônio histórico é espaço vivo de cultura e aprendizado

Em Porto Velho, os moradores se preparam para fazer dessa data, um momento de lembrança e respeito. Foto: José Carlos

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A história

O Cemitério dos Inocentes é um dos mais antigos da cidade. Construído em 24 de janeiro de 1915, o local foi inaugurado três meses após a criação oficial do município, no dia 2 de outubro do ano anterior, pelo então superintendente municipal Fernando Guapindaia de Souza Brejense, cargo equivalente ao de prefeito.

Na época, Major Guapindaia, militar reformado do Exército Brasileiro, teria prometido que o nome da primeira pessoa a ser sepultada ali, também seria o nome do local. Como os primeiros corpos enterrados naquele espaço teriam sido de duas crianças gêmeas, o local ganhou o nome de Cemitério dos Inocentes.

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Cemitério dos Inocentes
O local foi inaugurado três meses após a criação oficial do município, no dia 2 de outubro do ano anterior, pelo então superintendente municipal Fernando Guapindaia de Souza Brejense. Foto: José Carlos

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O nome “Inocentes”

O nome “Inocentes” remete aos primeiros sepultamentos realizados no local — de duas crianças, que inspiraram a denominação. Ao longo dos anos, o cemitério passou a abrigar os restos mortais de personalidades importantes, como Major Amarante, George Resky, a ornitóloga Emilie Snethlage, Mãe Esperança, que dá nome à maternidade municipal e Vespasiano Ramos, o escritor é um dos principais nomes da Região Norte do país que que marcou a história da literatura em Rondônia.

Saiba mais: Rondoniense de coração: conheça a trajetória do poeta Vespasiano Ramos

O escritor é um dos principais nomes da Região Norte do país que que marcou a história da literatura em Rondônia.

De acordo com o secretário executivo de Turismo, Alekis Palitot, valorizar o Cemitério dos Inocentes é reconhecer a própria história da cidade.

“Neste cemitério estão sepultados muitos nomes da nossa cultura local, como a Mãe Esperança. O Cemitério dos Inocentes faz parte não apenas da história de Porto Velho, mas também da história do Brasil e do mundo”, destacou Palitot.

Sepulturas

Atualmente, estão sepultadas cerca de 35 mil pessoas, a maioria em jazigos e gavetas. Segundo relatos dos servidores que trabalham no local, o Cemitério dos Inocentes foi criado para resolver um impasse. É que a direção do histórico Cemitério da Candelária, construído no início de 1900, só permitia o sepultamento de trabalhadores da lendária Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Por conta disso, a população sepultava seus familiares em uma área localizada nas imediações da atual Vila da Eletronorte, na zona Sul, onde funcionava como cemitério clandestino.

Em 2025, a expectativa da Prefeitura é de que mais de 20 mil pessoas visitem os cemitérios públicos de Porto Velho no final de semana, reforçando o significado de respeito, fé e memória que marca o Dia de Finados.

*Com informação da Superintendência Municipal de Comunicação de Porto Velho (SMC)

Magia, rituais e ancestralidade: a vida das bruxas contemporâneas do Amapá

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Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

A imagem da bruxa como uma mulher malvada, de nariz pontudo e caldeirão borbulhante, ainda povoa o imaginário popular. Mas, no Amapá, essa figura ganha novos significados. Longe dos estereótipos, as chamadas ‘bruxas modernas’ são pessoas que praticam a Wicca — uma religião contemporânea politeísta baseada na conexão com a natureza, no autoconhecimento e no respeito à diversidade.

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Entre elas, estão a grã-sacerdotisa Samara Oliveira de 38 anos, ou Aislin Acy, e Everaldo Terceiro de 48 anos, que adotou o nome espiritual Galdax Sokarh.

O casal se conheceu por meio da Wicca e está junto desde 2013. Pais de duas filhas pequenas, eles compartilham a rotina entre família, estudos e rituais da tradição.

Samara é psicanalista clínica e começou a praticar a Wicca em 2000, após um trabalho escolar de ensino religioso.

“Comecei a estudar, me aprofundar, e nunca mais parei. A Wicca entrou na minha vida como um resgate. Foi como se eu tivesse reencontrado um lugar onde já estive, uma memória espiritual que voltou. A religião me trouxe ferramentas para olhar para mim mesma, para entender minhas luzes e minhas sombras. Não é só sobre magia, é sobre mergulhar fundo, se reconhecer e se transformar. Desde então, ela tem sido meu caminho, minha prática e minha cura”, disse.

Everaldo é servidor público e contou que o interesse pela prática começou ainda quando era criança, após se deparar com um tarô.

“É um caminho de estudo, de prática e de desconstrução. A imagem da bruxa como algo ruim foi construída por uma sociedade que não aceitava o diferente. Mas aqui, a bruxaria é cura, é acolhimento, é reconexão com a natureza e com quem somos de verdade”, contou Everaldo.

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Sobre a ‘Wicca’

A Wicca é uma religião oficialmente reconhecida na década de 1950, quando a bruxaria deixou de ser crime na Inglaterra. Desde então, se espalhou pelo mundo como uma prática espiritual que valoriza a liberdade, a inclusão e o respeito aos ciclos da vida.

Foi nesse período que Gerald Garder, ocultista e escritor britânico escreveu o primeiro livro sobre o tema, apresentando a Wicca como a ‘religião da Grande Mãe’.

A prática, antes marginalizada, passou a ser vista como uma forma legítima de espiritualidade, ligada principalmente à natureza e energia feminina.

bruxas wicca contemporâneas do Amapá
Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Com a onda de movimentos culturais e sociais, como o Woodstock nos Estados Unidos, a Wicca se espalhou e passou a atrair pessoas em busca de liberdade, inclusão e reconexão com as raízes ancestrais.

Para os praticantes, ela representa um espaço de acolhimento, onde cada indivíduo pode se reconhecer fora dos padrões patriarcais e construir a própria jornada espiritual.

“A Wicca abraça minorias e pessoas que não se encaixam nos padrões da sociedade patriarcal. É uma filosofia de liberdade, mas também de responsabilidade. Você pode fazer o que quiser, desde que não machuque ninguém — nem a si mesmo”, diz Everaldo.

Ela e o marido fazem um estudo profundo sobre a religião, e já passaram por diversos rituais em outras partes do Brasil.

Bruxas Wicca possuem rituais marcados por elementos da natureza

Os rituais wiccanos são marcados pela presença dos quatro elementos — água, fogo, terra e ar — e por símbolos como o cálice e o caldeirão, que representa o útero da Deusa.

“O caldeirão é o início e o fim de tudo. Ele carrega a energia da criação e da transformação”, explica Samara.

O único grupo de pagãos no estado é o ‘Amapagão’, fundado em 2013 por Samara e atualmente possui pelo menos 20 integrantes. São dois tipos principais de celebrações:

  • Sabás: festivais maiores, realizados oito vezes ao ano, que acompanham os ciclos da natureza;
  • Esbás: celebrações lunares, voltadas para os ciclos da lua.
Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Uma das datas mais importantes é o Samhain, celebrado em 31 de outubro, que para os demais, é a data conhecida como o ‘Dia das Bruxas’.

“É o nosso ano novo. Marca o fim de ciclos, de relações, de projetos. É o momento de deixar para trás o que não queremos levar para a nova roda”, diz Samara.

A Wicca também propõe uma revisão histórica sobre o conceito de bruxaria. Everaldo explica que muitos símbolos considerados negativos, como o diabo com chifres, têm origem em divindades celtas ligadas à natureza.

“A imagem da bruxa malvada foi construída por uma sociedade cristã que condenou práticas naturais como pecado. O Natal acontece perto do Yule, que marca o renascimento do Deus. A Páscoa tem relação com o festival de Ostara. Com o tempo, essas festas foram ressignificadas e apresentadas como verdades absolutas”, diz.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

‘Banzeiro da Esperança’: Barco Cultural levará lideranças amazônicas para a COP30

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Barco parte de Manaus com destino a Belém. Foto: Rodolfo Pongelupe

O ‘Banzeiro da Esperança‘ é uma expedição fluvial e cultural que conectará comunidades ribeirinhas, povos indígenas e quilombolas, juventudes, pesquisadores e parceiros no trajeto Manaus–Belém, com paradas em Parintins e Santarém, rumo à COP30 (10 a 21 de novembro de 2025, em Belém). Idealizada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e pela Virada Sustentável, a jornada culminará na entrega da “Carta da Amazônia”, com propostas concretas para adaptação climática, conservação e sociobioeconomia. 

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“O Banzeiro da Esperança é uma grande jornada de Manaus até Belém que leva diferentes vozes da Amazônia para apresentar prioridades e soluções frente às mudanças climáticas. É um caminho de enfrentamento à injustiça climática, pois quem menos contribuiu para o problema é quem mais sofre seus impactos”, afirma Virgilio Viana, superintendente geral da FAS.

Leia também: Fundação Rede Amazônica participa do Banzeiro da Esperança com painel sobre gestão de resíduos sólidos em Belém

Barco Cultural viaja de Manaus a Belém

A partida do barco está prevista para 4 de novembro, em Manaus, por volta das 19h, no Mirante Lúcia Almeida. No dia 5, ocorre uma parada cultural em Parintins, e terá um encontro com os bois Caprichoso e Garantido. No dia 6, o barco chega a Santarém para parada técnica.

Entre os dias 4 e 7 de novembro, durante a navegação, haverá atividades pela manhã, tarde e noite, integrando lideranças, juventudes e parceiros a bordo. A chegada a Belém está prevista para 7 de novembro. 

Destaques da programação a bordo

  1. Painéis sobre COP30 e agendas de clima na Amazônia;
  2. Escutas de relatos comunitários;
  3. Mural de memórias e exposição fotográfica;
  4. Oficinas de audiovisual e apresentação de materiais produzidos ao longo da jornada.

Banzeiro da Esperança em Belém 

Ao atracar em Belém, o Barco Cultural “Banzeiro da Esperança” se tornará um Centro Cultural e de conteúdo aberto, servindo como plataforma de visibilidade e intercâmbio de saberes e expressões da Amazônia. 

“A arte e a cultura gerando reflexão e informação sobre os temas da sustentabilidade sempre foram a principal missão da Virada Sustentável, e ganham um contorno especial nesse projeto inédito para a COP30”, afirma André Palhano, cofundador da Virada Sustentável

A programação do “Banzeiro da Esperança” reflete a potência e a diversidade cultural da Amazônia, articulando arte, conhecimento e mobilização social em um mesmo fluxo. Resultado de um edital público que recebeu mais de uma centena de inscrições, de uma curadoria local e de uma mobilização de rede, a agenda foi concebida para valorizar as produções locais e promover conexões. 

Ao longo da jornada e nas atividades em Belém, o barco abrigará ações artísticas e formativas, incluindo shows musicais, apresentações de artes cênicas, mesas de debate, workshops, rodas de conversa e atividades conduzidas por parceiros institucionais, criando pontes entre cultura, sustentabilidade e futuro.

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'Banzeiro da Esperança': Barco Cultural levará lideranças amazônicas para a COP30
Barco levará ações para comunidades durante o trajeto. Foto: Divulgação

Um dos destaques é a mostra especial da Amazônia Negra, com dois dias inteiros voltados à valorização das expressões culturais afro-amazônicas. A programação ainda contará com painéis sobre a COP30 e as agendas climáticas da região, oficinas de audiovisual, exposições e espaços de intercâmbio.

O Banzeiro se consolida como um centro flutuante de diálogo e criação coletiva, reunindo arte, conhecimento e ancestralidade em um percurso simbólico que conecta o Rio Amazonas à Conferência do Clima em Belém, e o mundo às vozes da floresta.

Durante a COP30

Na COP30 (10–21/11/2025), a comitiva articulada pelo “Banzeiro da Esperança” entregará a “Carta da Amazônia” a autoridades, negociadores e sociedade civil, além de promover agendas de incidência, painéis e ações culturais em espaços oficiais e paralelos. 

Planos de Ação Climática

Desde julho, diversas instituições participaram da Jornada de Formação para a COP30, uma mobilização nacional que reuniu lideranças indígenas, ribeirinhas e quilombolas para fortalecer a capacidade de incidência e negociação e garantir presença efetiva nos espaços decisórios da conferência. Mais de mil pessoas participaram dessas oficinas. 

“Esta edição da COP30 é um marco para o Brasil e o mundo, e as pessoas daqui precisam ser as primeiras a falar e a serem escutadas. Esse é um dos objetivos dos planos”, afirma Valcléia Lima, superintendente geral adjunta da FAS.

A iniciativa tem parceria institucional com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e apoio da Rede Conexão Povos da Floresta.

Em Manicoré (AM), a estudante Dáfira Laborda da Conceição destacou que a oficina foi um marco de união e fortalecimento: “Mostrou a importância de estarmos organizados e de unirmos forças em torno da educação e da adaptação às mudanças climáticas. A escola flutuante é um exemplo de como transformar dificuldades em soluções para as próximas gerações”. 

Foram recebidos 71 planos, dos nove estados da Amazônia Legal e 30 foram selecionados para compor o projeto “Banzeiro da Esperança”. 

Seminário sobre Planos de Ação Climática

Antes da partida do barco rumo a Belém, lideranças comunitárias se reúnem em Manaus, na sede da FAS, no dia 04 de novembro, para consolidar suas propostas que seguirão para a etapa de captação de recursos. 

Sobre a iniciativa

A iniciativa é uma articulação interinstitucional que visa mobilizar a sociedade para a maior conferência climática do planeta, que será realizada em Belém (PA), em 2025. O projeto é apresentado por meio da Lei de Incentivo à Cultura e Sabesp, com realização da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Virada Sustentável e Ministério da Cultura.

Conta com o patrocínio da Heineken SPIN, Vale e WEG, e com o apoio da Bemol, Ecosia, Edenred, Instituto Itaúsa e Suzano. O projeto também tem parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Rede Conexão Povos da Floresta e Ministério dos Povos Indígenas (MPI). A Rede Amazônica é parceira de mídia oficial do projeto. 

*Com informações da FAS