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Afundamento dos navios Jaguaribe e Andirá: um confronto com ribeirinhos em Óbidos

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Imagem gerada por IA

A Revolução Paulista de 1932 teve reflexos diretos na Amazônia. A movimentação política nacional gerou tensão em várias regiões e, nos estados da Amazônia, o episódio ficou marcado pelo afundamento dos navios Jaguaribe e Andirá. O fato, ocorrido no município de Óbidos (PA), envolveu forças revolucionárias e legalistas, em um conflito que abalou a navegação e a segurança dos rios da região.

As comunicações entre as cidades amazônicas, feitas principalmente pelos rios, tornavam os navios peças centrais tanto para o transporte quanto para a estratégia militar. A notícia da rebelião paulista chegou com atraso, mas rapidamente ganhou força.

Em pouco tempo, parte das guarnições locais começou a se mobilizar O governo do Amazonas, estado fronteiriço a cidade paraense, reagiu com medidas de contenção.

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A partir de então, a região vivenciou momentos de incerteza. Tropas leais ao governo federal e grupos alinhados com os revoltosos entraram em confronto. O episódio de Óbidos se tornou um dos mais emblemáticos da história dos navios da Amazônia, reunindo civis e militares em um cenário de forte tensão política.

O historiador e artista Moacir Andrade, no livro ‘História, costumes e tragédias dos barcos do Amazonas’, narra o contexto, as ações e as consequências dessa tragédia fluvial, que marcou profundamente a história da navegação na Amazônia e a memória militar da região.

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Contexto político e a chegada dos navios

Durante o período, o Brasil enfrentava grande instabilidade. Na região, a repercussão dos afundamentos dos navios em São Paulo dividiu opiniões e despertou temores de insurreição. O governo do estado, chefiado por interventores federais, mantinha vigilância constante sobre as embarcações que circulavam pelos principais rios.

O Jaguaribe, um dos navios mais conhecidos da região, estava a serviço da Amazon River Steam Navigation Company, empresa inglesa que dominava o transporte fluvial. E o Andirá, de propriedade da Amazon Telegraph Company, era igualmente importante. Ambos foram requisitados para fins militares.

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Em 1932, com o avanço dos rumores de revolta, forças legalistas foram enviadas para conter supostos focos de rebeldia. Os portos de Parintins, Itacoatiara, ambos no Amazonas, e Óbidos, no Pará, tornaram-se estratégicos.

A flotilha legalista, sob comando do capitão de corveta Mário de Oliveira, partiu em direção a Óbidos, onde circulavam informações de que rebeldes teriam tomado a cidade.

Quando a embarcação Jaguaribe se aproximou, os defensores locais resistiram. O confronto foi intenso, confirme a narrativa de Andrade, envolvendo tiros de canhão e fuzilaria. Segundo o relato do autor, a troca de disparos durou horas e resultou em grandes danos às embarcações e à população ribeirinha.

O combate e o afundamento

O Jaguaribe e o Andirá foram alvejados durante o confronto. As forças rebeldes, munidas de armas posicionadas às margens do rio, resistiram à aproximação dos legalistas. O tiroteio se intensificou quando as embarcações tentaram ultrapassar as defesas de Óbidos.

Em meio ao fogo cruzado, um dos projéteis atingiu o Jaguaribe, causando graves danos à estrutura. A embarcação começou a adernar e, em pouco tempo, afundou parcialmente. O Andirá, que estava logo atrás, também foi atingido e teve o mesmo destino. O rio Amazonas, naquele trecho, tornou-se palco de uma das maiores tragédias fluviais da época.

Os tripulantes, em desespero, tentaram se salvar com o auxílio de canoas e jangadas. Parte dos soldados conseguiu alcançar a margem, enquanto outros desapareceram nas águas. A destruição dos navios representou uma grande perda para a logística regional e para a segurança dos transportes local

O livro relata ainda que a cidade de Óbidos ficou em estado de alerta por dias. Os combates deixaram dezenas de mortos e feridos, entre civis e militares. Após o episódio, o governo federal determinou o envio de reforços para restabelecer a ordem.

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Repercussões e registros históricos

O afundamento dos navios teve grande repercussão na região. As embarcações Jaguaribe e Andirá simbolizavam o poder da navegação fluvial e eram vistas como pilares do transporte e da comunicação regional. Sua destruição marcou o fim de uma era em que os grandes vapores dominavam os rios amazônicos.

Moacir Andrade destaca que a tragédia foi resultado de ordens militares mal coordenadas e da falta de informações precisas sobre a real situação política em Óbidos. O episódio passou a ser lembrado não apenas como um fato bélico, mas também como um alerta sobre os riscos da guerra em território amazônico.

Com o passar do tempo, o local do afundamento tornou-se ponto de referência histórica. Pescadores e navegadores da região relatavam a presença de destroços dos navios sob as águas, que ainda podiam ser vistos em determinados períodos de estiagem.

imagem aérea da cidade de Óbidos no Pará
Foto: Reprodução/Prefeitura de Óbidos

Memória e legado fluvial

O registro feito por Moacir Andrade preserva a memória desse episódio, que uniu política, guerra e tragédia em pleno coração da Amazônia. O autor enfatiza que o rio Amazonas, palco de tantos ciclos econômicos e sociais, também foi cenário de confrontos armados que deixaram marcas profundas.

O afundamento do Jaguaribe e do Andirá representa um dos capítulos mais dramáticos da história naval brasileira na região Norte. Ele evidencia a importância estratégica dos rios amazônicos e o impacto das decisões políticas nacionais sobre as populações ribeirinhas.

Ainda hoje, o episódio é lembrado como símbolo de resistência e como parte da identidade histórica de Óbidos e do rio Amazonas. A força dos rios, os riscos da navegação e a memória dos que perderam a vida nesses conflitos permanecem como lembranças vivas de um passado que moldou a trajetória da Amazônia fluvial.

Conheça a história de Silves, o “município­-ilha” do Amazonas

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Foto: Divulgação/Prefeitura de Silves

O município de Silves, no Amazonas, celebra 363 anos de fundação neste 31 de janeiro. O município, situado na região do Médio Amazonas, é uma das cidades mais antigas e com maior riqueza histórica do estado, um local que carrega em suas paisagens, lendas e tradições, séculos de história desde o período colonial até os dias atuais.

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Localizada a cerca de 200 quilômetros da capital do Amazonas, Silves é uma ilha cercada por lagos e pela floresta amazônica, destacando-se pelo modo de vida peculiar de sua população, pela biodiversidade ao redor e pelas curiosidades que permeiam sua trajetória.

Da Missão do Saracá à formação de Silves

A história de Silves remonta ao século XVII, quando, em 1660, o local foi oficialmente povoado com a fundação da Missão do Saracá, uma missão religiosa criada pelos membros da Ordem das Mercês.

O projeto, inicialmente voltado à evangelização dos povos indígenas da região, foi marcado por conflitos entre colonizadores portugueses e comunidades originárias, refletindo tensões que marcaram as primeiras décadas da colonização amazônica.

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Praça da Matriz em Silves com a imagem de Nossa Senhora de Conceição é uma obra que mostra a marca religiosa no município do Amazonas. Foto: Reprodução/Prefeitura de Silves

Em seus primeiros anos, a missão passou por períodos de abandono e reocupação, até que, em meados do século XVIII, a localidade foi elevada à condição de vila com o nome de Silves, uma homenagem à cidade portuguesa de mesmo nome, reforçando os vínculos culturais entre o Brasil colonial e Portugal.

Ao longo dos séculos XIX e XX, a geografia administrativa de Silves sofreu diversas alterações: a sede do município foi alternada entre Silves e Itapiranga, anexando-se e desanexando-se em distintos períodos do território de Itacoatiara, até que, em 1956, tornou-se novamente um município autônomo e consolidado.

Entre a natureza e a cultura: curiosidades que encantam

Com uma localização singular, Silves é uma cidade encantadora por sua junção de história, natureza e tradição ribeirinha. A maior parte de seu território é composta por áreas de floresta tropical e uma intrincada rede de lagos, como o Lago Saracá, que moldam o estilo de vida local e oferecem cenários naturais únicos.

Uma das grandes curiosidades sobre Silves é o fato de a sede do município estar situada em uma ilha no meio do complexo de lagos amazônicos. Por isso, o acesso à cidade não é apenas terrestre, mas frequentemente também feito por via fluvial, em pequenas embarcações ou balsas, o que proporciona uma experiência típica da vida amazônica.

Silves também é conhecida por suas “praias” de água doce, como a popular Praia do Terceiro, com areias claras e águas tranquilas, que atraem visitantes em busca de lazer e contato com a natureza. Esses recantos naturais fazem da cidade um destino privilegiado para ecoturismo, pesca esportiva e experiências ligadas à vida ribeirinha.

Foto: Divulgação

O povo silvense e suas tradições

Os habitantes de Silves, chamados de silvenses, compõem uma comunidade acolhedora e de forte identidade cultural. A cidade é muitas vezes apelidada popularmente de “Ilha Risonha”, em referência à simpatia e receptividade de sua população, que valoriza suas tradições e seu modo de vida ligado à natureza.

As manifestações culturais locais refletem tanto a herança indígena quanto as influências coloniais portuguesas, presentes em festas religiosas, culinária e na arquitetura de alguns prédios históricos, como a igreja matriz de Silves, que ocupa lugar de destaque no patrimônio cultural da cidade.

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Complexo Termelétrico Azulão 950,no município de Silves. Foto: Alex Pazuello – Secom Amazonas

Desafios

Embora Silves mantenha rica tradição cultural e belezas naturais, o município enfrenta desafios comuns em muitas regiões amazônicas, como a necessidade de infraestrutura adequada, acesso a serviços básicos e a sustentabilidade do turismo e da economia local. Ainda assim, iniciativas locais e a valorização do potencial ecológico colocam Silves em uma rota de desenvolvimento que busca conciliar preservação ambiental com melhorias sociais e econômicas.

Economicamente, o município tem base em atividades rurais, pesca e extrativismo, além de ganhar relevância no contexto regional pela proximidade com empreendimentos ligados à geração de energia e ao setor logístico, que movimentam a economia e influenciam oportunidades de emprego para a população.

A presença da empresa Eneva no município de Silves tem se tornado um dos mais relevantes vetores de transformação econômica e social para a região.

A energética, que é uma das principais operadoras privadas de gás natural no Brasil, investe em Silves por meio do Complexo Termelétrico Azulão 950, um grande projeto de geração de energia a partir do gás natural extraído na Bacia do Amazonas, com previsão de gerar energia para cerca de quatro milhões de residências e milhares de empregos diretos e indiretos na fase de construção e operação das usinas. Esse empreendimento envolve não apenas a infraestrutura energética, mas também parcerias sociais e educacionais com o município.

Leia também: Eneva lança obras do Complexo Termelétrico Azulão I e II em Silves com investimentos iniciais de R$ 5,8 bilhões

Entre essas iniciativas está a reforma e doação de uma escola técnica de tempo integral em parceria com o Governo do Amazonas e o CETAM, que oferece cursos voltados às demandas locais e bolsas-auxílio para os estudantes, ampliando oportunidades de qualificação profissional para os jovens silvenses — além de projetos voltados ao empreendedorismo e apoio comunitário.

Alta Floresta Não Atropela: programa urbano de mitigação de atropelamentos registra avanços e amplia parcerias no Mato Grosso

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Os registros de animais cruzando vias movimentadas no município de Alta Floresta, no Mato Grosso, tornaram-se um alerta constante para gestores e moradores. Foi aí que surgiu o programa Alta Floresta Não Atropela, para criar pontes para que animais não precisem passar por áreas onde veículos passas.

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Relatórios do programa Alta Floresta Não Atropela divulgados pela prefeitura indicaram que, após a instalação das estruturas, centenas de travessias seguras foram registradas nos primeiros meses de monitoramento. As câmeras instaladas nas pontes registraram grupos de macacos utilizando os dosséis para cruzar a via sem descer ao asfalto.

Com o aumento dos deslocamentos de primatas e pequenos mamíferos, surgiram também pontos críticos de atropelamento no perímetro urbano que necessitaram uma melhor atenção do programa Alta Floresta Não Atropela.

Para enfrentar os problemas o município combinou ao programa Alta Floresta Não Atropela monitoramento, infraestrutura e educação ambiental para reduzir riscos e garantir travessias seguras.

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Estrutura, funcionamento e ações implementadas

O Alta Floresta Não Atropela reúne diferentes medidas, todas definidas com base em levantamentos técnicos e no mapeamento detalhado das rotas usadas pelos animais. Entre essas ações estão a instalação de pontes de dossel, estruturas aéreas que permitem a passagem de primatas sem contato direto com o trânsito urbano.

As intervenções incluem ainda placas de sinalização, redutores de velocidade e adequações em bueiros para facilitar a movimentação de espécies terrestres. Técnicos envolvidos no projeto apontam que os corredores de travessia foram implantados justamente onde havia maior risco de atropelamentos.

Implementado em outubro de 2024 no município, o programa tem registrado que até maio de 2025 aconteceram 3.943 travessias seguras de mais de 10 espécies, incluindo roedores e marsupiais arborícolas, além de primatas. Essas ações integram o primeiro Plano Urbano de Mitigação da Amazônia brasileira a incluir soluções específicas para reduzir atrope lamentos de fauna e promover a reconexão de fragmentos florestais em áreas urbanas.

A Secretaria de Meio Ambiente do município de Alta Floresta afirmou por meio de sua secretária, Gercilene Leite que o plano foi construído com base em parcerias técnicas e em análises de especialistas que acompanharam o comportamento da fauna.

“O Alta Floresta Não Atropela, além de proteger os primatas, trouxe uma nova visão de conservação ambiental. A ideia é uma ação conjunta que busca respeitar a nossa biodiversidade e possibilita manter o ecossistema em equilíbrio”.

Parcerias e ampliação do monitoramento

Imagem capta primata passando por ponte. Foto: Divulgação/ Prefeitura de Alta Floresta

O programa é sustentado por uma rede de cooperação que envolve órgãos ambientais estaduais, universidades, institutos de pesquisa, organizações civis e empresas locais. Essa articulação permitiu ampliar o alcance das ações e reforçar o monitoramento das áreas de risco.

Uma das atualizações trimestrais divulgadas pela gestão municipal registrou mais de 1,8 mil travessias seguras ao longo de quatro meses. Essa contagem foi realizada por meio de registros automáticos e observações diretas, possibilitando análises frequentes sobre o uso das estruturas pela fauna.

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O painel de monitoramento tornou-se referência local ao reunir gráficos, mapas e imagens captadas nas travessias. Essas informações são essenciais para determinar novos pontos de intervenção e orientar as próximas etapas do projeto.

Além da infraestrutura, o programa investe em campanhas educativas voltadas a motoristas, estudantes e moradores de regiões próximas às áreas de travessia. As ações destacam a importância de reduzir a velocidade e manter atenção redobrada nas vias que cortam áreas arborizadas.

Reconhecimento, expansão e próximos passos

Com o avanço das medidas, o Alta Floresta Não Atropela passou a ser citado na imprensa regional e em eventos relacionados à gestão ambiental. A visibilidade do projeto chamou a atenção de outras prefeituras, que buscaram conhecer o modelo aplicado em Alta Floresta.

Representantes municipais destacaram que o objetivo é expandir o número de pontes de dossel e reforçar a manutenção das estruturas já instaladas. Há previsão de novas implantações em trechos classificados recentemente como críticos, com base no monitoramento contínuo da fauna.

Mesmo com os progressos, técnicos afirmam que ainda existe a necessidade de ampliar as campanhas de conscientização e de fortalecer a fiscalização de velocidade em áreas próximas aos corredores de travessia. As análises indicam que o comportamento dos motoristas continua sendo um dos principais fatores de risco para atropelamentos.

O município afirma que o programa só continuará avançando com apoio constante da população e com a atualização permanente das estruturas instaladas. A expectativa é de que o Alta Floresta Não Atropela mantenha a tendência de redução de riscos e se torne referência para outros municípios que enfrentam desafios semelhantes na convivência entre áreas urbanas e fauna silvestre.

Iniciativas semelhantes em outras cidades da Amazônia

Além do programa em Alta Floresta, outras cidades amazônicas também desenvolveram programas voltados à redução de atropelamentos de fauna e à preservação da conectividade entre fragmentos florestais.

Em Manaus (AM), o projeto Fauna Viva nas Vias reforça ações de monitoramento e implantação de sinalização em trechos de maior circulação de animais silvestres, especialmente em áreas próximas a reservas e corredores ecológicos urbanos. A iniciativa inclui campanhas educativas e estudos técnicos que buscam identificar mudanças no comportamento da fauna em relação ao tráfego urbano.

Imagem de corredor suspenso para passagem de animais em Manaus. Foto: Divulgação/ Semcom – Prefeitura de Manaus

Outra referência é o Corredores Verdes de Santarém, no Pará, que trabalha com a instalação de passagens de fauna, adequação de trechos urbanos que cruzam áreas de mata e mapeamento contínuo dos pontos mais sensíveis ao atropelamento de animais. O programa também promove oficinas com comunidades escolares e motoristas, reforçando práticas de prevenção e a importância da preservação da fauna local.

Santa Rosa de Lima: Papa Leão XIV entroniza imagem de santa peruana no Vaticano

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Foto: Reprodução/Vatican News

O Papa Leão XIV inaugurou um mosaico da Virgem Maria e a entronização de uma estátua de Santa Rosa de Lima nos Jardins do Vaticano neste sábado (31). O ato é considerado pelo Papa uma reafirmação dos laços históricos, espirituais e culturais entre o Peru e a Santa Sé. 

Durante o discurso, o Papa enfatizou o significado do gesto e sua ligação especial com o povo peruano:

“Este gesto renova os profundos laços de fé e amizade que unem o Peru, como vocês sabem, um país tão querido para mim, à Santa Sé”, disse ele aos presentes, incluindo representantes da Igreja, autoridades do Vaticano e a delegação diplomática peruana.

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O Papa dirigiu uma saudação especial aos membros da Conferência Episcopal Peruana, ao embaixador do Peru junto à Santa Sé, Jorge Ponce San Román, e à presidente do Governo do Estado da Cidade do Vaticano, Irmã Raffaella Petrini.

Nesse contexto, destacou o entorno natural do local e o trabalho realizado para a conclusão do projeto. “Reunidos neste belo lugar onde tudo nos fala do criador e da beleza da criação, quero agradecer, em primeiro lugar, aos artistas que criaram estas obras e àqueles que tornaram possível que hoje possamos desfrutar deste agradável evento, e a toda a família salesiana, neste dia da festa de São João Bosco, em que estamos aqui reunidos, parabenizando a todos ”, disse ele, agradecendo especialmente aos artesãos de Dom Bosco.

O Papa também refletiu sobre o chamado universal à santidade, invocando as figuras da Virgem Maria e da primeira santa latino-americana.

“Estas duas figuras, nossa Mãe Celestial e a primeira santa latino-americana, Santa Rosa de Lima, lembram-nos o tema da santidade”, recordou, citando o Concílio Vaticano II sobre a vocação de todos os fiéis à plenitude da vida cristã.

Leia também: HABEMUS PAPAM: Robert Francis Prevost, o Papa Leão XIV, é cidadão do Peru

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Foto: Reprodução/Vatican News

Embaixador do Peru no Vaticano agradece homenagem à Santa

Por sua vez, o embaixador do Peru junto à Santa Sé, Jorge Ponce San Román, expressou sua gratidão ao Papa e destacou o trabalho realizado pela missão diplomática peruana para concretizar este projeto no Vaticano.

“Certamente, quero agradecer à equipe da embaixada peruana, distribuída por esses jardins neste momento, pelo seu trabalho incansável para concretizar este projeto ”, disse ele, observando também que nas últimas semanas foram desenvolvidas atividades acadêmicas e culturais para promover a figura de Santa Rosa de Lima.

O diplomata lembrou que Santa Rosa é “a primeira santa do chamado ‘Novo Mundo’. A padroeira das Américas e das Filipinas”, cujo testemunho, disse ele, representa uma fé que se traduz em serviço e compromisso com os mais vulneráveis. “Santa Rosa continua sendo um exemplo nos dias de hoje”, enfatizou

Jorge Ponce também expressou os sentimentos do povo peruano e renovou o convite ao Santo Padre para visitar o Peru.

“Quero concluir reiterando a infinita gratidão de todo o povo do Peru ao nosso Papa Leão XIV por esta nova demonstração de afeto, e reiterar que esta terra sagrada, como o Papa Francisco a chamou, o aguarda com esperança e fé. Em nome do povo peruano, muito obrigado, Santo Padre. E como o senhor sabe, esperamos vê-lo muito em breve no Peru”, declarou.

*Com informações da Agência Andina

Dromedários na Amazônia? Grupo de animais do Marrocos vive em fazenda no Tocantins

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Dromedários faziam parte de passei turístico no Rio Grande do Norte antes de serem levados para o Tocantins. Foto: Jorge Bretas via Tripadvisor

Desde 2024 um grupo de dromedários, animais originários da Ásia, África e Oriente Médio, vive no Tocantins. Mas somente no início deste ano os animais chamaram atenção para sua existência na Amazônia, depois de vídeo viralizar nas redes sociais.

Os dromedários vivem em uma fazenda, localizada entre Rio Sono e Lizarda, no leste do Tocantins, próximo ao Jalapão, um dos pontos turísticos brasileiros famosos por suas dunas de areia.

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A Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) informou que os animais estão mantidos dentro das regularidades solicitadas, com fiscalização e documentos atualizados, conforme o Guia de Trânsito Animal (GTA).

De onde vieram?

Os dromedários fizeram parte de uma atração turística nas dunas de Genipabu, em Extremoz (RN), por mais de 20 anos. Segundo a empresa responsável, a Dromedunas, as atividades foram encerradas em 2024 “por causa da baixa demanda”.

Os animais foram trazidos do Marrocos ao Brasil pelo suíço Philippe Landry, que comandou a Dromedunas Turismo, e conseguiram se adaptar ao clima quente e seco do Nordeste.

O passeio de dromedário pelas dunas durava cerca de 15 minutos, com outros serviços como a caracterização dos turistas com turbantes em alusão à experiência árabe.​

dromedunas - dromedários eram usados como atração turística no RN antes de irem para tocantins
Foto: Tati E via Tripadvisor

Em 2013, o empreendimento foi alvo de uma campanha na internet, com mais de 50 mil assinaturas, contra o uso dos dromedários para fins turísticos, porém o passeio era acompanhado por veterinários e órgãos ambientais locais, sendo considerado legal.

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No comunicado que anunciou o fim dos serviços turísticos na praia nordestina, a empresa informou que os animais seriam levados para a região Norte do país, em uma Fazenda Santuário tocantinense, com clima próximo suficiente dos que os animais estavam acostumados para viverem com conforto.

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A escolha do local foi anunciada pelos administradores com o objetivo de reprodução e descanso para os animais, que não devem ser usados em atividades turísticas.

Camelo ou dromedário?

Muitas páginas nas redes tem se referido aos animais como camelos, mas há diferença. Os camelídeos são mamíferos ruminantes da família Camelidae, divididos entre os do Velho Mundo (com corcovas) – camelos e dromedários – e os da América do Sul (sem corcovas) – lhama, alpaca, guanaco e vicunha.

Visualmente é fácil distinguir as espécies asiáticas, pois o camelo (Camelus bactrianus) possui duas corcovas e pernas curtas, e o dromedário (Camelus dromedarius) possui apenas uma corcova e pernas mais longas.

Digital Amazon integra dados sobre gases de efeito estufa na Amazônia

Foto: Divulgação/Inpa

O Digital Amazon, plataforma que integra dados sobre emissões e absorções de gases de efeito estufa da Floresta Amazônica, já está disponível ao público. Desenvolvida no âmbito do projeto “Emissão de Gases de Efeito Estufa na Amazônia: Sistema de Análise de Dados e Serviço”, do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da Universidade de São Paulo (RCGI-USP), a ferramenta reúne informações dos nove países amazônicos e permite analisar, de forma integrada, a dinâmica regional dos GEEs.

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“Trata-se da primeira plataforma a reunir, de forma integrada, dados de satélite, torres de medição e outros sensores sobre o ciclo de carbono na floresta amazônica. Isso representa um avanço fundamental para a ciência e para a formulação de políticas públicas eficazes frente às mudanças climáticas”, afirma Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e coordenador do projeto.

Análises complexas e série temporal

O Digital Amazon organiza dados fundamentais para compreender o papel da Amazônia na dinâmica global dos GEEs — em especial dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) — a partir de uma base unificada de informações antes dispersas. Essa centralização permite que tarefas que antes exigiam dias de preparação e organização agora sejam concluídas em poucos minutos, aumentando significativamente a produtividade dos pesquisadores.

O sistema também permite resolver disparidades nos dados divulgados por diferentes satélites, que variam em resolução, periodicidade e tecnologia. Algumas análises possíveis incluem:

  • o impacto da degradação florestal nas emissões;
  • os efeitos de El Niño e La Niña nas concentrações atmosféricas de GEEs;
  • o cálculo das emissões de metano em áreas alagadas;
  • e os efeitos da expansão agropecuária e das mudanças no regime de chuvas sobre os processos fotossintéticos da floresta.

Os dados cobrem inicialmente o período entre 2003 e 2017, reunindo informações obtidas por satélites, torres como a ATTO (Amazon Tall Tower Observatory), sensores de superfície e bancos de dados meteorológicos e ambientais. O próximo passo é atualizar a base até 2024, o que ampliará o alcance temporal das análises e reforçará o monitoramento contínuo da região.

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home do site digital amazon - dados sobre gases do efeito estufa na amazônia
Imagem: Divulgação

Big data ambiental

O Digital Amazon é um data space, ou seja, uma estrutura digital voltada à integração e ao tratamento inteligente de grandes volumes de dados complexos. No caso, integrar e organizar dados ambientais de diferentes origens e formatos — como satélites, sensores terrestres e torres de medição — em um ambiente unificado, com curadoria, rastreabilidade e interoperabilidade.

“Toda essa infraestrutura está hospedada na nuvem da AWS [Amazon Web Services], o que garante acesso remoto, escalabilidade e segurança. Isso permite análises robustas e abre caminho para o uso de inteligência artificial em buscas, inferências e tomada de decisão. Trata-se de uma aplicação concreta dos princípios de big data voltada à complexidade da floresta amazônica”, afirma José Reinaldo Silva, professor da Escola Politécnica da USP e vice-coordenador do projeto.

O projeto, que contou em sua primeira fase com financiamento da Shell Brasil e da FAPESP por meio da cláusula de P&D da ANP, envolve uma rede de instituições de pesquisa, entre elas o Laboratório de Física Atmosférica da USP, o D-Lab (Design Lab da Poli-USP), o C2D (Centro de Ciência de Dados da Poli-USP), o Departamento de Engenharia Aeronáutica da USP (EESC), o INPE, o IMAZON, o MapBiomas e o CEMADEN, sob a coordenação do RCGI-USP.

Entre os próximos avanços previstos está o desenvolvimento de um visualizador intuitivo, voltado para usuários não especialistas. Como complemento às torres fixas e aos satélites, foram desenvolvidos protótipos de drones capazes de coletar dados atmosféricos em áreas remotas da floresta. A proposta é operar os drones a partir de barcaças na bacia amazônica, ampliando o acesso a regiões de difícil cobertura terrestre.

O sistema já está preparado para sincronizar com outros bancos de dados — e poderá ser integrado, futuramente, a plataformas internacionais como o Global Forest Watch. Também estão previstos relatórios periódicos com análises interpretativas, voltados à formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

“Nosso objetivo é oferecer uma infraestrutura robusta para que pesquisadores, gestores públicos e membros da sociedade civil possam acompanhar em detalhe o papel da floresta amazônica no balanço global de carbono”, afirma José Reinaldo. “Agora que temos uma estrutura tecnológica sólida, buscamos apoio para a continuidade e ampliação do projeto”. 

O Digital Amazon pode ser acessado mediante cadastro no site do Digital Amazon com liberação de diferentes níveis de acesso conforme o perfil do usuário.

60,63% da população do Amazonas integra as classes A, B e C

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De acordo com estudo da FGV, renda gerada pelo trabalho impulsionou a mudança das classes sociais. Foto: Estevam Costa/PR

O Amazonas registrou um aumento de 15,21 pontos percentuais das classes A (renda acima de 20 salários mínimos), B (renda familiar entre 10 e 20 salários mínimos) e C (renda familiar entre 4 e 10 salários mínimos), entre 2022 e 2024. A população nestas faixas de renda passou de 45,42% para 60,63% no estado, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, os dados confirmam a eficácia das ações voltadas à população de baixa renda.

“A gente vê pessoas que estavam no Cadastro Único, no Bolsa Família, e que agora estão na classe média. Isso mostra que o programa não é só transferência de renda. Ele abre portas para a educação, para o trabalho e para o empreendedorismo”, disse Wellington Dias.

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Manaus, a capital do Amazonas
Manaus, capital do Amazonas. Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus

Em termos nacionais, o estudo da FGV indica que 17,4 milhões de pessoas saíram da pobreza e passaram a integrar as classes de maior renda, representando um aumento de 8,44 pontos percentuais no mesmo período.

Integração de políticas públicas Amazonas

A pesquisa aponta que a alta foi impulsionada principalmente pelo aumento da renda do trabalho e pela integração de políticas públicas como o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e programas de acesso à educação e ao crédito.

Leia também: Potencial de produtos amazônicos da bioeconomia é analisado em estudo realizado no Amazonas

*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República 

Artistas amazônidas viralizam nas redes sociais “por acaso”: como a música revelou talentos da região

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Fotos: Reprodução/Instagram oficial dos artistas

O talento de jovens artistas da região Norte tem conquistado as redes sociais em diferentes cantos do Brasil, como a cantora Milena Santana, de Rondônia, e o músico manauara Jonathas Alves Ribeiro, conhecido como Piter 092, que viralizaram recentemente ao mostrarem sua arte nas ruas do país.

Milena Santana, artista rondôniense
Milena Santana. Foto: Reprodução/Instagram-@mih.sant

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Milena Santana chamou a atenção do público após um vídeo gravado de forma espontânea na orla do Rio de Janeiro.

Durante um passeio à beira da praia, ela foi convidada por um músico para cantar uma canção de Bruno Mars e, ao soltar a voz, Milena surpreendeu quem estava por perto com sua potência vocal e interpretação marcante, arrancando aplausos e elogios do público presente. 

O registro rapidamente se espalhou pelas redes sociais e ajudou a dar visibilidade ao nome de Milena, que é artista independente em Rondônia e sonha em seguir carreira como cantora profissional.

Veja como foi o momento:

Leia também: 10 cantores manauaras que você precisa conhecer

Já em São Paulo, quem tem encantado o público é o artista manauara Piter 092, que tem transformado a Avenida Paulista em palco para o tradicional forró de galeroso, estilo musical marcante na capital amazonense. Todos os domingos, entre outros artistas de rua, o ritmo típico de Manaus no principal cartão-postal da cidade chama a atenção do público.

O forró de galeroso é um subgênero que mistura influências do xote e do forró pé-de-serra, com uma dança mais movimentada e letras populares, que se espalhou por Manaus nos anos 1990.

Com apenas uma caixa de som e um microfone, Piter passou a cantar na avenida sem pretensão de ganhar fama, apenas com o desejo de apresentar a cultura do Amazonas à cidade onde vive há cerca de dois anos e meio.

A repercussão, no entanto, foi além do esperado, já que vídeos gravados por amigos e pelo próprio público começaram a circular nas redes sociais e viralizaram, levando o nome do artista e do forró amazonense para todo o país.

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Jonathas Alves. Foto: Reprodução/Instagram-@Piter092_

“Pensei ‘vou levar o nosso forró, a nossa cultura, vou cantar no Brás, Avenida Paulista, onde tiver oportunidade’. Vi que na Avenida Paulista grandes artistas se apresentam. Fui pra lá com o intuito só de levar o nosso forró. Não tinha pretensão de gravar, até que os amigos resolveram gravar, outras pessoas gravaram, divulgaram na rede social e trouxe essa explosão”, contou em entrevista ao Grupo Rede Amazônica.

A relação de Jonathas com a música vem desde a infância, quando acompanhava a mãe, que trabalhava como segurança em casas noturnas de Manaus, e foi observando bandas tradicionais da cena local, que nasceu o sonho de viver da música. Ao longo dos anos, integrou grupos conhecidos, mas precisou se afastar dos palcos para sustentar a família. 

Em São Paulo, trabalhando como motorista de aplicativo e produtor musical, decidiu retomar o sonho, e hoje, com mais de 20 mil seguidores nas redes sociais, o artista comemora o reconhecimento e a conexão com o público, especialmente os amazonenses que vivem fora do estado. “Muitos manauaras me mandam mensagem dizendo que se emocionaram. Tem gente que já quer contratar pra tocar em festas. É o forró da antiga, aquele que marcou uma época”, afirmou.

*Com informações da matéria escrita por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM

#Série – Nomes populares de doenças na Amazônia: o que é papeira?

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Você, com certeza, já deve pelo menos ter ouvido falar sobre uma doença em que uma pessoa apresenta um inchaço na lateral do rosto, entre as bochechas e a garganta, seguido de febre e muita dor de cabeça. Se sim, saiba que esses são os sintomas de uma das doenças mais comuns do Brasil: a caxumba, mais conhecida como papeira.

Agora, se você ainda não “pegou” essa doença, fica aqui na sexta reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, para entender sobre essa doença. O Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que informou que a papeira já foi motivo de preocupação, mas hoje é considerada erradicada no país.

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O que é papeira?

Conhecida como caxumba ou parotidite, a papeira é infecção viral aguda e altamente contagiosa, provocada pelo vírus Paramyxovirus, e que ataca as glândulas salivares localizadas na região do rosto, em cada lado da boca.

Vírus causador da papeira se aloja nas glândulas salivares, especialmente na parótida. Foto: Reprodução/Site MD Saúde

Preferencialmente, o vírus da papeira se aloja nas glândulas parótidas, responsáveis pela produção da saliva e situadas à frente das orelhas. Sua ação acaba causando inchaço e muita dor no local, daí o nome de parotidite.

A papeira é uma doença de baixa letalidade e que aparece de forma endêmica ou surtos. Ela foi muito comum no Brasil, mas a criação da vacina e a inclusão do imunizante no calendário dos postos de saúde ajudaram a diminuir drasticamente o número de casos da doença no país.

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O nome papeira é um derivado popular que associou a doença à localização do inchaço da papada, com é conhecida a área que fica entre o queixo o pescoço.

Transmissão

A papeira é transmitida principalmente por via aérea, por meio da disseminação de gotículas, ou por contato direto com saliva de pessoas infectadas. Já a transmissão indireta é menos frequente, mas pode ocorrer pelo contato com objetos e/ou utensílios contaminados com secreção do nariz e/ou boca.

É mais comum em crianças no período escolar e em adolescentes, mas também pode afetar adultos em qualquer idade. Normalmente, a caxumba tem evolução benigna, mas em alguns raros casos pode apresentar complicações resultando em internações e até mesmo em morte. 

O principal sintoma da caxumba é o aumento das glândulas salivares. Foto: Reprodução/MD Saúde

Sintomas

O principal e mais comum sintoma da caxumba é o aumento das glândulas salivares, acompanhado de febre e muita dor de cabeça. O inchaço pode acontecer em ambos os lados do rosto ou apenas um deles. Fraqueza, perda de apetite e dor ao mastigar e engolir alimentos também são sintomas ligados à papeira.

Os indícios da papeira surgem de 16 a 18 dias após a exposição do vírus e geralmente um terço dos casos se apresentam de forma assintomática. Já o período de transmissão da doença varia entre seis e sete dias antes das manifestações clínicas, até nove dias após o surgimento dos sintomas. 

Em crianças, a caxumba costuma se manifestar de forma mais leve do que em adolescentes e adultos, já que estes possuem o risco de desenvolver complicações, especialmente após a puberdade.

Complicações

Em caso do não tratamento adequado, a papeira pode causar complicações em outras partes do corpo, situação conhecida pela população como “a papeira desceu”. Nos homens, pode ocorrer a orquiepididimite, inchaço dos testículos (orquite) que envolve sintomas como dor, náuseas, febre e sensibilidade no local.

Mulheres adultas também podem ter complicações como a ooforite, que é a inflamação dos ovários que causa dor, febre e vômitos. É uma complicação menos comum, mas que afeta 7% do público feminino.

Outro complicador é a pancreatite, que é a inflamação do pâncreas, órgão que desempenha um papel muito importante na digestão e na regulação dos níveis de açúcar no sangue. Meningite, encefalite, surdez e até o aborto podem, em casos raros, ser outros fatores graves decorrentes da papeira.

Diagnóstico

O diagnóstico da papeira é basicamente clínico, com avaliação médica nas glândulas através da observação e exame físico. O profissional de saúde, como o infectologista, pode indicar a coleta de sangue do paciente para confirmar a presença do vírus. 

Diagnóstico da papeira é basicamente clínico, com avaliação médica nas glândulas através da observação e exame físico. Foto: Site MD Saúde

A confirmação da doença vem no resultado do exame, que pode apresentar anticorpos contra o paramyxovirus, vírus responsável pela doença.

Em casos de dúvida ou para obter mais informações acerca do inchaço, o médico pode solicitar uma ultrassonografia, para saber mais sobre o tamanho e a consistência das glândulas afetadas.

Tratamento

A papeira não possui um tratamento específico, e sim a recomendação de medicações prescritos para aliviar os sintomas e no cuidado de evitar as complicações. Por ser uma doença viral, não há indicação para o uso de antibióticos.

Beber bastante água, ficar em repouso, manter uma boa higiene bucal e ter uma alimentação saudável são algumas medidas que ajudam a diminuir o desconforto dos sintomas e evitar que a papeira tenha complicações. Medicação depende da necessidade conforme receitada pelo médico, e em alguns casos, compressas frias ou quentes também pode ser recomendadas.

Na maioria dos casos, a papeira é uma doença autolimitada, com cura espontânea em até duas semanas, sem necessidade de tratamento específico, mas a consulta médica é recomendada para evitar agravamentos.

Prevenção

A vacinação é a única maneira de prevenir a papeira. A imunização contra o vírus da caxumba já faz parte do calendário de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS), que oferta gratuitamente a vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, além da vacina Treta Viral, que adiciona a proteção contra a catapora.

A primeira dose geralmente é administrada entre os 12 e 15 meses de idade, e a segunda dose é administrada entre quatro e seis anos. A vacinação de rotina ajuda a criar imunidade na população, reduzindo assim a incidência da caxumba.

Vacinação contra a papeira começa entre os 12 e 15 meses de idade, com a primeira dose. Foto: Reprodução/Delboni Medicina Diagnóstica

Adultos que não foram infectados pelo vírus da caxumba na infância ou na adolescência têm indicação de ser imunizados, com exceção de gestantes e imunodeprimidos graves.

Por fim, é importante lembrar: uma vez infectada e curada da papeira, a pessoa vacinada tem imunidade permanente contra o vírus.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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Quinto dia do Bella Causa em Roraima encerra com emoção e esperança

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Foto: Willame Sousa

Durante uma semana, cerca de 50 mulheres participaram de rodas de conversa, palestras e oficinas educativas realizadas pelo projeto Bella Causa em Roraima. Pela primeira vez no estado, o projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM) criou um espaço de escuta, troca de experiências e incentivo mútuo.

O quinto dia de atividades, nesta sexta-feira (30), foi “emocionante”, segundo o especialista em projetos da Fundação, Denis Carvalho, que tem acompanhado o evento na Casa da Mulher Brasileira. “A transformação foi, sem dúvida, o tema central desta semana”, afirmou.

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O evento encerrou neste sábado com um plantio de mudas.

Confira como foi o quinto dia do Bella Causa:

Foto: Willame Sousa
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Foto: Willame Sousa
Foto: Willame Sousa
Foto: Willame Sousa
Foto: Willame Sousa
Foto: FRAM

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Bella Causa

O Projeto Bella Causa surgiu da necessidade de oferecer suporte a mulheres que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.

É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da LB Construções e Engenharia, PauBrasil RR – materiais para construção e Governo de Roraima.