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Protocolo para coleta e inventário de insetos aquáticos é criado por pesquisadores da Amazônia

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Foto: Divulgação

Um grupo de 28 pesquisadores de todos os estados da região da Amazônia Legal elaborou um protocolo inédito para o inventário de insetos aquáticos no sistema Rapeld (Inventários Rápidos em Projetos Ecológicos de Longa Duração), a fim de solucionar a falta de padronização nos métodos de coleta – um dos principais desafios para o monitoramento da biodiversidade.

O foco da proposta são os grupos Ephemeroptera, Plecoptera, Trichoptera, Odonata e Heteroptera (EPTOH), reconhecidos como bioindicadores da qualidade ambiental de ecossistemas de água doce.

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A proposta reúne procedimentos replicáveis que permitem gerar séries temporais e espaciais robustas, fundamentais para a compreensão dos efeitos das mudanças climáticas e das atividades humanas sobre os ecossistemas aquáticos e que são essenciais para orientar estratégias de conservação eficazes, como a descrição detalhada de equipamentos, métodos de coleta, delineamento amostral e métricas ambientais.

O protocolo também apresenta recomendações práticas para pesquisadores em início de carreira, gestores ambientais e tomadores de decisão.

“A padronização é um passo essencial para avançarmos na compreensão da biodiversidade aquática e subsidiarmos políticas públicas de conservação”, explica o coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Síntese da Biodiversidade Amazônica (INCT SinBiAm), professor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPA) e bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ) do CNPq Leandro Juen.

Ele que liderou o estudo ao lado da professora da Faculdade de Ciências Biológicas da UFPA e bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ) do CNPq Karina Dias Silva.

(A) Coleta de Heteroptera; (B) coleta de Odonata; (C) coleta de imaturos de EPT; (D) acondicionamento das amostras de EPT juntamente com o substrato em saco plástico, para triagem posterior. Fotos: Leandro Juen/LABECOUFPA

Segundo os pesquisadores, esforços amostrais diferentes dificultam a integração de dados e a realização de análises em grande escala. Eles explicam que a adoção de metodologias unificadas tornará possível a geração de séries históricas confiáveis e que sua implementação em toda a região amazônica possibilitará a realização de estudos em grande escala, promovendo uma visão integrada da estrutura e do funcionamento das comunidades de insetos aquáticos em diferentes ecossistemas.

A padronização do protocolo também permitirá comparações entre diferentes áreas da Amazônia, com estudos que podem auxiliar a formulação de políticas públicas e estratégias para a mitigação de impactos ambientais.

Apesar de haver sido elaborado para a região da Amazônia, o protocolo pode ser aplicado a outras áreas geográficas do Brasil e até mesmo a diferentes países. Para os autores do protocolo, seu uso também fortalece programas de monitoramento nacionais que possibilitam estudos de larga escala e contribuem para a formação de novos profissionais em biodiversidade, como o INCT SinBiAm, o Programa Monitora Aquático do ICMBio, além de redes de pesquisa consolidadas que contam com financiamento do CNPq, como o Peld (Programa Ecológico de Longa Duração), o PPBio (Programa de Pesquisa em Biodiversidade).

“Esperamos que este protocolo seja adotado por pesquisadores, por órgãos ambientais como SEMAs, Ibama e ICMBio. A padronização permitirá comparações mais confiáveis entre regiões e ao longo do tempo, ampliando nossa capacidade de conservar e restaurar ambientes aquáticos”, observa a professora Karina.

Os pesquisadores acreditam que, além dos benefícios científicos, a adoção de protocolos padronizados contribuirá, do mesmo modo, para o fortalecimento da capacitação profissional e para a criação de redes colaborativas entre pesquisadores, gestores ambientais e comunidades locais, facilitando a implementação de programas de monitoramento de longo prazo. Ao refletir sobre o processo, o professor Leandro Juen observa que a ciência é construída em parcerias e colaborações.

“Este estudo mostra a importância de unir esforços, pois a Amazônia, com sua complexidade e diversidade, exige pesquisas colaborativas. As grandes variações ambientais tornam essencial ouvir as diferentes vozes e experiências de cada região. Só assim o protocolo garante comparações em larga escala e ao mesmo tempo contempla as especificidades locais de forma adequada”, afirma.

Escrito em português e com linguagem acessível, para permitir ampla acessibilidade, o protocolo foi publicado no número especial, de julho a dezembro de 2025, da Revista EDUCAmazônia.

Leia também: Estudos sobre insetos aquáticos do Amazonas e Pará compõem livro sobre impactos que sofrem com diversos usos do solo

Pontos apresentados no protocolo

De acordo com a introdução do protocolo publicado no periódico EDUCAmazônia, o delineamento amostral adequado para o uso dos insetos aquáticos como indicadores deve considerar o número de amostras, os habitats a serem investigados e a sazonalidade climática. Insetos aquáticos são influenciados por variáveis ambientais, que incluem características estruturais como o tipo de substrato e a quantidade de amostras necessárias para uma representação precisa da fauna local.

Ao todo, o protocolo trata de dez pontos referentes a materiais e métodos usados em pesquisa envolvendo insetos aquáticos, partindo de equipamentos utilizados em sua coleta, delineamento amostral e coleta de dados. A seguir, o documento aborda coletas específicas, como as de ordens Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera, conhecidos como EPT, e de coletas de Odonata larva e de Heteroptera (Nepomorpha), Heteroptera (Gerromorpha) e coleta de adultos de Odonata.

O protocolo apresenta também procedimentos de laboratório, indicando que a identificação taxonômica dos insetos aquáticos coletados deve ser realizada em laboratório, com a utilização de chaves dicotômicas especializadas para cada ordem ou família, literatura específica e, se necessário, por meio de consulta a especialistas.

Métricas ambientais, que permitem avaliar mudanças nas características dos ecossistemas aquáticos e compreender como elas afetam as comunidades biológicas, também são assunto do documento. Nessa fase, ocorre o levantamento de dados físicos, físico-químicos e de integridade ambiental. O Índice de Integridade do Habitat (IIH) é uma métrica fundamental para a avaliação da integridade física do habitat. Baseado em uma avaliação visual de 12 parâmetros estruturais, a avaliação por esse índice inclui o padrão de uso do solo adjacente à vegetação ripária, a largura e o estado de conservação da vegetação ribeirinha, o estado da floresta ripária em uma margem de 10 metros e a estrutura e degradação das margens, entre outros.

Além de métricas de resposta biológica, o protocolo especifica no subtítulo materiais e métodos como o Índice de Proporção Zygoptera/Anisoptera, direcionado para a avaliação da integridade ambiental de igarapés amazônicos. Esse índice, que tem sido adotado pelo ICMBio para o monitoramento de Unidades de Conservação Amazônica, também tem se mostrado eficiente para a avaliação de riachos e de outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica.

inseto aquatico amazonia
Foto: Reprodução/’Insetos Aquáticos na Amazônia brasileira: taxonomia, biologia e ecologia’ (Inpa, 2019)

Importância dos insetos aquáticos

Os insetos aquáticos são organismos-chave para a análise e o monitoramento dos ecossistemas aquáticos de água doce naturais que se encontram sob diferentes intensidades de influências antrópicas, ou seja, atividades humanas que impactam o meio ambiente.

Além de realizar funções ecológicas, como a decomposição de matéria orgânica e o controle populacional de outros organismos, e de ser o elo de interações do meio aquático com o terrestre – o ciclo de vida desses insetos apresenta ao menos uma fase aquática, enquanto, quando adultos, eles são predominantemente terrestres e alados – eles atuam como bioindicadores da qualidade da água e do habitat, devido à sua sensibilidade ou tolerância às alterações ambientais. Sua diversidade pode diminuir, aumentar ou se modificar em relação à condição ambiental do ambiente.

Leia também: Insetos aquáticos são importantes bioindicadores e anunciam mudanças ambientais

O estudo dos insetos aquáticos é relevante para o diagnóstico da condição de um ecossistema em razão de esses organismos apresentarem particularidades como suficiência taxonômica e comunidades substitutivas, o que se refere à possibilidade de utilização de subconjuntos para representar a resposta de toda a comunidade. Algumas modificações antrópicas podem ser mascaradas pela sazonalidade climática, que altera as variáveis abióticas relacionadas à fauna, como o oxigênio dissolvido na água.

Desse modo, há necessidade de amostragens ao longo do tempo. Sistemas mais dinâmicos exigem maior esforço amostral para garantir a representatividade dos organismos, e a escolha da técnica a ser empregada para a coleta dos insetos aquáticos depende do tipo de ambiente – aquático ou terrestre – , das características dos insetos alvo e dos objetivos do estudo.

*Com informações do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

Amazon Poranga Fashion: marcas autorais da Amazônia são apresentadas na 3ª edição do evento

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Foto: Divulgação

A terceira edição do Amazon Poranga Fashion (APF) transformará o Largo de São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus (AM), em uma passarela ao ar livre. O evento gratuito acontece nos dias 3 e 4 de outubro, a partir das 17h.

A programação conta com desfile nos dois dias de evento, além da apresentação da Orquestra Sinfônica da Amazônia, exposição ‘Tecendo Imagens’ de Pedro Furtado e estandes de vendas das marcas participantes e parceiros.

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Com curadoria coletiva que inclui o estilista indígena Sioduhi, eleito pela Vogue Business como um dos 100 nomes inovadores na categoria ‘Líderes de pensamento sobre sustentabilidade’, o desfile contará com mais de 20 marcas autorais da Amazônia, afirmando o protagonismo criativo da região no cenário da moda.

“Quando penso na moda autoral amazonense, penso na diversidade das linguagens, do design e técnicas. Durante o desfile, podemos esperar a presença indígena, quilombola, artesanias, alfaiataria, upcycling, street wear, avant-guard, moda circular e outras experimentações. Estou muito feliz em poder contribuir com a curadoria, principalmente nesta edição que acontece no Centro Histórico de Manaus”, afirma Sioduhi.

Amazon Poranga Fashion: Sioduhi, estilista indígena
Foto: Divulgação

Amazon Poranga Fashion investe na economia criativa

A grande aposta do APF nesta edição é valorizar a diversidade da economia criativa do estado. De Manaus, marcas como Sioduhi Studio, Arévola Gallery e Dezenove Setenta, entre outros, apresentam propostas distintas: reflexões sobre as transformações do mundo, inovação artística e a força da moda urbana, respectivamente.

Além de estilistas da capital, o evento reúne criadores de Parintins e Barreirinha, dois importantes pólos do artesanato regional. O Grupo Watyamã e o Quilombo do Rio Andirá apresentam peças autênticas produzidas em Barreirinha por indígenas e quilombolas, enquanto a marca Sakofa, do estilista Erlesson Souza, leva ao desfile a moda autoral de Parintins, reforçando a ancestralidade da Amazônia negra com o afro-futurismo.

Para a idealizadora do evento, Jessilda Furtado, o desfile é um momento para reunir os tipos mais autênticos de moda existentes na Amazônia.

“Por trás das marcas autorais, existem pessoas extremamente criativas da região Norte. Com o Poranga, queremos trazer à tona várias formas de representar a Amazônia e a economia criativa através da moda autoral, por pessoas que vivem diariamente os desafios de ser nortista”, explica.

Leia também: As modistas da Belle Époque: destaques ofuscados durante o ciclo da borracha em Manaus

Evento abre as portas ao público

Desde 2023, o Amazon Poranga Fashion tem ampliado sua presença e relevância a cada edição. Enquanto as duas primeiras foram voltadas a um público restrito a 600 convidados, a terceira edição se abre à população em geral, com expectativa de público de mais de 3 mil pessoas durante os dois dias de evento.

Para a edição de outubro, o Amazon Poranga Fashion ocupará o Largo de São Sebastião, um dos cenários mais emblemáticos de Manaus, situado em frente ao Teatro Amazonas. Marco da Belle Époque, período importante da economia amazonense, o espaço é símbolo de inovação e abertura para o futuro. Com o Monumento à Abertura dos Portos como referência central, o local foi escolhido para traduzir a união das diversas expressões da economia criativa que ganharão destaque durante o desfile.

Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus. Foto: Divulgação

“O público pode vivenciar a força criativa desse ecossistema que vem se fortalecendo e sentir como a moda pode ser um agente de transformação cultural e econômica no Amazonas e na região Norte como um todo. Esse é o direcionamento que o Poranga tem tomado e, cada vez mais, a gente vai lutar pela estruturação da cadeia de moda e economia criativa”, explica Felipe Taveira, coordenador administrativo do Amazon Poranga.

Line-up do APF 2025

O APF apresentará uma programação dividida em blocos de desfiles no Largo de São Sebastião. Os detalhes completos podem ser encontrados na página oficial do Amazon Poranga Fashion no Instagram, @amazonporanga. Confira os horários dos desfiles:

03/10

Bloco 1 (18h)

Grupo Watyamã
Brechó 3.30 veste Centro de Convivência do Idoso
Semsimpa7ia
Kelly Maia
Renata Sampaio
Sankofa
Quilombo do Rio Andirá (Barreirinha)

Bloco 2 (20h)
We’e’ena tikuna
Glitch
Atnia
1970
Wan Wan

04/10

Bloco 1 (18h)

Arévola Gallery
Sapopema
Dm Cyanotype
Jambú por Lívian Muniz
Ateliê Maria Lima

Bloco 2 (20h)
Atelie Yra Tikuna
Rita Prossi + Sandra Lasmar + Bem Ditas
Jerusa Flores
Cepeco
Líbia & Nabila Ateliê
Sioduhi Studio

Nova ferramenta monitora Amazônia em tempo quase real e reforça proteção ambiental

Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT

Uma nova ferramenta foi desenvolvida pelo Governo Federal para acompanhar o bioma amazônico em tempo quase real. O objetivo é reforçar a proteção ambiental e garantir mais transparência nas ações de combate ao desmatamento.

O sistema amplia o escopo do Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que já monitorava áreas de floresta nativa. Agora, também passam a ser observadas regiões não florestais, como campos naturais e savanas, que representam cerca de 20% da Amazônia.

“A gente não fazia isso naquela área que não tem cobertura florestal. Várias áreas e outras formações que não são do tipo florestal não estavam cobertas por esse monitoramento diário, então a gente passou a fazer isso para todo o bioma amazônico. Agora está completo”, explicou Cláudio Almeida, coordenador do programa Biomas BR, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Leia também: Acre anuncia lançamento de plataforma que mapeia impactos de inundações no estado

ferramenta do governo monitora amazônia
Dedmatamento na Amazônia é um dos pontos de monitoramento. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

IA para ajudar a Amazônia

Com o uso de inteligência artificial e imagens de satélite, o sistema vai emitir alertas diários sobre desmatamento, mineração ilegal e queimadas na Amazônia.

“A gente está desenvolvendo ferramentas com base principalmente no uso de aprendizado profundo. O pessoal conhece bastante como inteligência artificial. São algoritmos que, a partir de um conjunto de amostras significativas, passam a entender e reconhecer padrões. Quanto mais amostras o sistema analisa, mais ele consegue detectar esses padrões”, detalhou Almeida.

Atualmente, os alertas do Deter já cobrem mais de 75% do território nacional. A meta do governo é expandir o monitoramento para outros biomas que ainda não contam com vigilância constante, como a Mata Atlântica, a Caatinga e o Pampa.

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“A gente entende que é um avanço. É mais um tijolinho que estamos colocando para construir uma base sólida. Produzimos dados que vão apoiar políticas públicas”, concluiu o coordenador.

*Por Matheus Santos, da Rede Amazônica AM

Documentário sobre história real de mulher no garimpo é premiado no maior festival de cinema do país

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Foto: Reprodução/Instagram-festbrasilia

O documentário roraimense ‘A pele do ouro’ recebeu o prêmio de Melhor Roteiro de curta-metragem e de Melhor Direção de Fotografia na Mostra Competitiva de Curtas no 58° Festival de Cinema de Brasília, considerado o maior festival de cinema do país.

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A obra é inspirada em uma história real vivida por uma mulher no garimpo. No filme, ela mesma interpreta a personagem principal. Chamada apenas de Patri, para preservar a verdadeira identidade, a protagonista assume o papel central na narrativa construída a partir das memórias registradas em diários íntimos ao longos anos.

O roteiro vencedor do Troféu Candango é fruto de uma parceria entre Patri, Marcela Ulhoa, Yare Perdomo e Daniel Tancredi.

“Foi uma felicidade muito grande receber esses dois prêmios no festival de cinema de Brasília. Já tinha sido uma alegria imensa ter sido selecionado entre quase 1400 curtas. E ainda sair com essa dupla: roteiro e direção de fotografia. Fechou de uma forma incrível a nossa participação no festival”, disse a diretora do filme, Marcela.

Leia também: Filmes produzidos na Amazônia se destacam no Festival de Cinema de Gramado 2025

Documentário leva Roraima ao topo

A narrativa apresenta um recorte sensível sobre a vida da mulher no garimpo. O curta tem duração de 15 minutos. Yare Perdomo ressalta que o cinema roraimense está ocupando espaços importantes.

“Quando fomos chamados no palco, a pessoa que chamou, chamou a premiação primeiro para Patri, ela assina o roteiro junto. A gente acha que o roteiro é a vida dela. Trabalhamos essa história com ela, então, a gente achou que o festival entendeu a nossa mensagem”, explicou a cineasta Yare.

O documentário roraimense “A pele do ouro” recebeu o prêmio de Melhor Roteiro de curta-metragem e de Melhor Direção de Fotografia — Foto: Reprodução
O documentário roraimense “A pele do ouro” recebeu o prêmio de Melhor Roteiro de curta-metragem e de Melhor Direção de Fotografia. Foto: Reprodução

Já a direção de fotografia do documentário é responsabilidade de Daniel. Como a ideia era preservar a identidade da Patri, ele precisou demonstrar a sensibilidade da história nas telonas, sem revelar o rosto da personagem principal.

“Desafio grande da fotografia de fazer um filme sem mostrar o rosto. O rosto no cinema que traz as emoções. Esse é um filme de fronteira, com uma equipe mista de brasileiros e a maioria são venezuelanos, mulheres venezuelanas. É um prêmio que traz esses frutos quando a gente abraça a imigração, podem ser muito bonitos”, disse o diretor.

“A pele do ouro” estreou oficialmente no Festival, dia 17 de agosto. O filme foi feito em parceria com a Platô Filmes, produtora roraimense que recebeu o Troféu Candango de Melhor Filme do Festival em Brasília, com o documentário “Por onde anda Makunaíma?”, em 2020.t

O Festival de Cinema de Brasília é realizado há 60 anos, sendo considerado o mais antigo e tradicional do país. Este ano foram exibidos 80 títulos, um recorde na história do festival.

*Por Carlos Barroco, da Rede Amazônica RR

Saiba quais são os pontos mais altos dos países da Amazônia Internacional

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Um dos pontos mais altos conhecidos no Brasil é o Monte Roraima, mas ele não é o maior. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

A Amazônia Internacional é a maior floresta tropical do mundo, se estendendo por nove países da América do Sul: Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

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Embora a região seja conhecida principalmente pela vastidão de seus rios e pela biodiversidade, cada um desses países guarda montanhas e picos que alcançam altitudes impressionantes, alguns figurando entre os mais altos do continente.

Confira os pontos mais altos de cada país amazônico:

Peru: Huascarán (6.768 m)

O Nevado Huascarán, na Cordilheira Branca, é o gigante do Peru e o sexto mais alto da América do Sul. Com 6.768 metros, o Huascarán Sur não é apenas símbolo natural, mas também patrimônio cultural e turístico, atraindo alpinistas de todo o mundo.

Nevado Huascarán. Foto: Reprodução/Unesco

Bolívia: Nevado Sajama (6.550 m)

O Sajama é um estratovulcão extinto e o pico mais elevado da Bolívia. Medindo 6.550 metros, ergue-se de forma isolada na Cordilheira dos Andes, formando um cone imponente que domina a paisagem do altiplano.

Foto: Reprodução/Alan Picu

Equador: Vulcão Chimborazo (6.263 m)

Mais do que o ponto mais alto do Equador, o Chimborazo é famoso por ser o lugar mais distante do centro da Terra, graças ao formato “achatado” do planeta. Com 6.263 metros de altitude, seu cume nevado é um marco geográfico e turístico.

Foto: Reproduçãop/Civitatis

Colômbia: Pico Cristóbal Colón (5.508 m)

Localizado em Magdalena, o Pico Cristóbal Colón é o ponto culminante da Colômbia. Com mais de 5,5 mil metros, é considerado sagrado pela cultura ancestral Tayrona. Seus descendentes, os povos indígenas da região, são os guardiões da montanha e de seu equilíbrio ambiental.

Foto: Reprodução/Facebook-A si és Colômbia

Venezuela: Pico Bolívar (4.981 m)

Na Cordilheira de Mérida, o Pico Bolívar ergue-se a 4.981 metros de altitude. Nomeado em homenagem ao libertador Simón Bolívar, é a montanha mais alta da Venezuela e símbolo nacional de imponência e identidade.

Brasil: Pico da Neblina (2.995 m)

Situado no norte do Amazonas, na Serra do Imeri, o Pico da Neblina é o ponto mais alto do Brasil. Com quase 3 mil metros de altitude, foi medido oficialmente pelo IBGE em 2015. Além da imponência natural, está inserido em área indígena Yanomami, o que reforça seu valor ambiental e cultural.

Pico da Neblina. Foto: Marcos Amend/ICMBio

Suriname: Julianatop (1.286 m)

No sul do país, em meio às florestas do distrito de Sipaliwini, se ergue- o Julianatop. Com 1.286 metros de altitude, é o ponto culminante do Suriname, em uma região de transição entre floresta e savana, próxima à fronteira com o Brasil.

Foto: Reprodução/All Suriname Tours

Guiana: Monte Roraima (1.200 m)

O Monte Roraima é uma montanha de topo plano, típica do Escudo das Guianas. Apesar da altitude relativamente modesta de cerca de 1.200 metros, sua geologia única e os paredões verticais tornam-no um dos destinos mais emblemáticos da região amazônica.

Foto: Reprodução/Bora de Trip

Guiana Francesa: Bellevue de l’Inini (851 m)

Localizado na comuna de Maripasoula, o Bellevue de l’Inini é o ponto mais alto da Guiana Francesa, com 851 metros. Embora não seja uma montanha elevada em comparação com os demais países, é símbolo natural da região.

Foto: Reprodução/Mountain Forecast

ARPA: programa viabiliza gestão estratégica e proteção na Amazônia; saiba como

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Unidade de conservação Anavilhanas. Foto: Divulgação

A proteção do bioma amazônico, com sua vasta extensão e desafios logísticos, exige mais do que esforço local: requer parcerias estratégicas capazes de conectar diferentes territórios. Do sul do Amazonas à região do Baixo Rio Negro e até a fronteira de Rondônia, unidades de conservação federais mostram como o apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) tem sido decisivo para fortalecer a presença do Estado, ampliar a pesquisa científica, estimular o monitoramento ambiental e ferramentas de gestão.

Nos parques e reservas, gestores apontam que essa rede de apoio garante desde a manutenção das estruturas básicas até operações complexas de fiscalização, revelando um mosaico de proteção que atravessa toda a Amazônia. 

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Bioma amazônico. Foto: Divulgação

No sul do Amazonas, o Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Humaitá é responsável por três unidades de conservação (UCs) federais — o Parque Nacional dos Campos Amazônicos, a Reserva Biológica do Manicoré e o Parque Nacional do Acari. Juntas, elas somam mais de 2,2 milhões de hectares de florestas e cerrado, território equivalente a quase duas vezes o estado de Sergipe. 

As principais pressões vêm da grilagem de terras, do garimpo ilegal de ouro e cassiterita, da extração seletiva de madeira nobre e do avanço da fronteira agropecuária, que impulsiona o desmatamento no entorno e busca invadir os limites das áreas protegidas. 

 “Se não fosse o projeto ARPA, dificilmente teríamos unidades tão implementadas e protegidas na Amazônia”, afirma o analista ambiental Caio Vinicius Almeida, do NGI Humaitá. “O programa viabiliza a presença constante do órgão gestor no território, custeando desde o combustível para as expedições até a realização de reuniões com conselhos e comunidades em múltiplos municípios. Fica difícil imaginar como seria a gestão desse território no bioma amazônico sem o programa ARPA”, aponta o analista ambiental. 

Almeida reforça ainda como os instrumentos de gestão apoiados pelo ARPA fazem diferença na prática. “O suporte se materializa em ferramentas essenciais, como o Cartão Pequenos Gastos e o Cartão Alimentação, que garantem que em operações de fiscalização — muitas vezes realizadas em acampamentos remotos com forças policiais — a equipe tenha toda a segurança e estrutura necessárias”, afirma. 

Imagem colorida da Floresta na Amazônia - Região Sudoeste Paraense
Floresta Amazônica. Foto: Agência Pará

O impacto também é visível em atividades de monitoramento. “No Parque Nacional dos Campos Amazônicos, o apoio do ARPA permitiu a execução de todas as campanhas de biodiversidade. Isso garante a sistematização do conhecimento para um melhor planejamento da gestão e o envolvimento da população local”, detalha Almeida. 

O Parque Nacional dos Campos Amazônicos abriga um raro enclave de cerrado em meio à floresta amazônica, o que o torna singular. Entre as espécies de fauna mais emblemáticas estão o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), considerado quase ameaçado, e o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), listado como vulnerável. Também está presente a onça-pintada (Panthera onca), classificada como quase ameaçada, símbolo da biodiversidade amazônica. 

Na Reserva Biológica do Manicoré e no Parque Nacional do Acari, predominam florestas densas que abrigam espécies ameaçadas como o macaco-aranha-de-cara-preta (Ateles chamek), vulnerável, e a ariranha (Pteronura brasiliensis), classificada como em perigo. A flora também é marcada por árvores de alto valor ecológico e econômico, como a castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa), e o mogno (Swietenia macrophylla), espécie ameaçada pela exploração ilegal. 

No baixo Rio Negro, no estado do Amazonas, a experiência do Parque Nacional de Anavilhanas reforça a abrangência dessa rede de proteção. O chefe substituto da unidade, Gilberto de Freitas Moreira, explica:

“A atuação do Parque Nacional de Anavilhanas, em parceria com o Projeto ARPA, tem sido essencial para fortalecer a proteção da riqueza de biodiversidade que compõem a unidade. Com o apoio financeiro na manutenção das estruturas físicas e nos equipamentos, o parque mantém sua presença institucional ativa na região, garantindo fiscalização, monitoramento e ações de conservação mais eficientes”, destaca. 

Foto: Eufran Amaral

Ele ressalta que os benefícios vão além dos limites do parque: “Esse trabalho impacta positivamente todo o Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro, contribuindo para a proteção em rede de uma das regiões mais importantes da Amazônia”, diz Gilberto. 

O gestor também chama atenção para o papel crescente do turismo ecológico e da educação ambiental em Anavilhanas. “Demonstrar para a sociedade que a floresta em pé é mais valiosa que a exploração sem controle é o grande desafio. Nesse sentido, é fundamental investir em iniciativas de educação e interpretação ambiental, que aproximem a população das áreas protegidas e fortaleçam o sentimento de pertencimento. Valorizar esse contato é essencial para que as pessoas compreendam o privilégio que o Brasil tem ao abrigar um bioma tão vital para o equilíbrio climático e ecológico do planeta.  

Composto por mais de 350 mil hectares de ilhas fluviais e canais, o Parque Nacional de Anavilhanas é um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo. Sua biodiversidade inclui mamíferos aquáticos icônicos, como o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), espécie classificada como em perigo, e o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), também listado como vulnerável. 

As florestas alagadas e várzeas abrigam ainda aves de grande importância, como a ararajuba (Guaruba guarouba), vulnerável, e o gavião-real (Harpia harpyja), quase ameaçado. A flora é composta por espécies adaptadas às cheias sazonais, incluindo árvores de igapó e várzea, além de palmeiras como o açaí-do-amazonas (Euterpe precatoria), de grande importância econômica e ecológica. 

Licenciamento Ambiental
Foto: Divulgação

No extremo oeste, na Reserva Extrativista (Resex) Rio Cautário, localizada no corredor Madeira–Mamoré–Guaporé, em Rondônia, o apoio do programa ARPA também faz diferença. Inserida em um mosaico ambiental que conecta diversas UCs e Terras Indígenas, a unidade é estratégica para a proteção do corredor Madeira–Mamoré–Guaporé. Seu gestor, Lauro de Oliveira Góes, destaca:

“Se considerarmos que a UC Resex Rio Cautário está inserida num mosaico ambiental que congrega outras UCs e Terras Indígenas, o Programa ARPA tem uma importante contribuição para proteção dessas áreas florestadas”.

A Resex abriga uma grande diversidade de ambientes — que vai de florestas densas a áreas de várzea — e sustenta populações de grandes predadores e espécies ameaçadas. Entre elas, a onça-pintada (Panthera onca), o tatu-canastra (Priodontes maximus), considerado vulnerável, e aves raras como o mutum-de-penacho (Crax globulosa), em perigo. 

Entre os resultados mais recentes, Góes aponta a gestão de um recurso natural emblemático. “Na UC Resex Rio Cautário, o Programa ARPA está apoiando o projeto de manejo do pirarucu invasor, gerando renda para as comunidades envolvidas”, relata. Para ele, o futuro da conservação passa pelo fortalecimento de alternativas sustentáveis: “É fundamental apoiar projetos de geração de renda para comunidades tradicionais, unindo conservação e desenvolvimento sustentável”, afirma o gestor. 

Unidades de Conservação como Anavilhanas e Rio Cautário revelam que o Programa ARPA não é apenas uma fonte de recursos, mas um pilar que sustenta a gestão estratégica, a produção científica, a valorização cultural e o fortalecimento comunitário. Em uma Amazônia sob constante pressão, o fortalecimento dessa rede é vital para garantir que as unidades de conservação permaneçam vivas, com floresta em pé, biodiversidade preservada e comunidades cada vez mais engajadas em seu futuro sustentável. 

Sobre o ARPA

O ARPA – Áreas Protegidas da Amazônia é um projeto do Governo do Brasil, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e tem o FUNBIO como gestor e executor financeiro. É financiado com recursos de doadores internacionais e nacionais, entre eles o governo da Alemanha por meio do Banco de Desenvolvimento da Alemanha (KfW), o Global Environment Facility (GEF) por meio do Banco Mundial, a Fundação Gordon and Betty Moore, a AngloAmerican e o WWF.  

Aeronave britânica inicia voos na Amazônia para estudar clima global

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Aeronave ‘Twin Otter’ antes do primeiro voo no hangar, em Santarém. Foto: Lenne Santos/Ufopa

Uma aeronaveTwin Otter‘ do British Antarctic Survey (BAS) iniciou seus primeiros voos na Amazônia, em uma missão que busca coletar dados cruciais sobre o clima do planeta. O primeiro voo decolou no dia 26 de setembro, de um hangar particular localizado no aeroporto Internacional Wilson Fonseca, em Santarém (PA). A iniciativa faz parte do Projeto CarbonARA-Brazil, uma pesquisa internacional que foca no monitoramento do ciclo do carbono na região do Baixo Tapajós.

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De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador da parte aérea do Carbon-ARA, Dirceu Luiz Herdies, a aeronave irá efetuar cerca de 55 horas de voo, dividias em 15 etapas de 4 horas. Os voos ocorrerão entre setembro e outubro de 2025, sobrevoando a Floresta Nacional do Tapajós e a Fazenda Experimental da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

O avião, ideal para missões remotas, é equipado com instrumentos que medem concentrações de gases de efeito estufa, como CO² e metano, e aerossóis, como fuligem, poeira e fumaça oriundas de incêndios.

“Queremos entender melhor como funciona a Amazônia, a interação que ela tem com o globo como um todo”. Ele afirmou ainda que os dados coletados nessa campanha devem ser apresentados na COP 30 que será realizada em Belém, em novembro.   

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aeronave britanica faz voo na flona tapajos
Flona Tapajós. Foto: Marizilda Cruppe

Representantes do projeto destacam a importância dessas medições. Ao sobrevoar áreas de interesse, a aeronave coleta dados atmosféricos em tempo real, que serão comparados com as informações dos satélites da Agência Espacial Europeia (ESA). A comparação permite verificar a precisão das medições orbitais e aprimorar os modelos climáticos, informou o controlador de operações da aeronave Daniel Beedon.

A Ufopa é a única instituição amazônica no consórcio do projeto, que é coordenado pelo King’s College London. A universidade é responsável por coordenar as atividades locais, reforçando a relevância da pesquisa científica conduzida na região. O projeto, que também utiliza torres, sensores e drones, integra esforços para entender o papel da Amazônia no balanço climático global, especialmente no que se refere aos impactos das queimadas. O projeto é localmente coordenado pelo pesquisador Júlio Tota, professor do curso de Ciências Atmosféricas da Ufopa.

Sobre o BAS 

British Antarctic Survey (BAS) é o centro nacional de pesquisa polar do Reino Unido, responsável por conduzir a ciência em regiões polares e manter a presença ativa do país na Antártica. Parte do Natural Environment Research Council (NERC), o BAS opera cinco estações de pesquisa, navios e aeronaves, realizando pesquisas sobre o clima, a camada de ozônio e a vida selvagem polar para gerar conhecimento global sobre o planeta.

Após a campanha em Santarém, a aeronave seguirá para a Antártida, sua base de operações para pesquisas polares.

Por que esse projeto é importante para a Ufopa? 

A participação da Ufopa nesse projeto reforça seu papel como um centro de excelência em pesquisa na Amazônia. A universidade contribui com conhecimento local para uma iniciativa de alcance global, utilizando equipamentos e tecnologias de ponta. Essa colaboração não só aprimora nosso entendimento sobre o ecossistema amazônico, mas também fortalece a posição da Ufopa no cenário da pesquisa climática mundial.

*Com informações da Ufopa

Com caroço de açaí e argila, tubete orgânico é criado em escola pública de Macapá

Estudantes do Amapá desenvolvem tubete orgânico com resíduos de caroço de açaí e argila. Foto: Mayra Carvalho/Rede Amazônica AP

Estudantes da Escola Estadual Mário Quirino da Silva, na Zona Sul de Macapá (AP), criaram um tubete orgânico feito com caroço de açaí e argila para substituir os modelos de plástico usados na agricultura. A proposta surgiu durante aulas de biologia como alternativa mais barata e ecológica para o cultivo de mudas.

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O projeto foi orientado pela professora Rose Trindade, que levou a ideia para os alunos após discutir os impactos do plástico no meio ambiente. O tubete orgânico pode ir direto para o solo com a muda, sem gerar resíduos.

“Propus que pensassem em uma estrutura orgânica para substituir os tubetes convencionais. O caroço de açaí é abundante no estado e seria uma boa base para reaproveitamento”, explicou.

Inicialmente, os testes usaram cacto palma como elemento colante, mas a planta viva dificultava o processo. A argila natural foi adotada no lugar e se mostrou mais eficiente.

Segundo Gustavo de Sousa, de 17 anos, um dos autores do projeto, o uso do açaí foi escolhido por ser comum na região.

“A gente vê caroço jogado no chão. Decidimos aproveitar esse resíduo para criar algo útil e que não polua”, contou.

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Passo a passo da produção do tubete orgânico

  1. Coleta dos caroços de açaí: Os estudantes recolhem os caroços descartados em batedeiras da cidade, onde o resíduo costuma ser jogado no chão ou acumulado sem reaproveitamento;
  2. Torra dos caroços: Os caroços são levados para a escola e torrados em frigideiras comuns, até ficarem secos e prontos para trituração;
  3. Trituração manual: Após a torra, os caroços são triturados com martelo, quebrando a estrutura rígida para facilitar o processamento;
  4. Peneiramento do material: O pó resultante da trituração é peneirado para separar os grãos mais finos, que serão usados na mistura com a argila;
  5. Mistura com argila natural: A argila é coletada de forma local e misturada ao pó de açaí até formar uma massa homogênea, com textura ideal para moldagem;
  6. Moldagem dos tubetes: A massa é moldada manualmente em formato cilíndrico, semelhante aos tubetes de plástico usados na agricultura;
  7. Secagem ao sol: Os tubetes são deixados para secar naturalmente ao sol. Em dias chuvosos, os alunos usam uma estufa improvisada com lâmpada amarela para manter a eficiência do processo;
  8. Testes de germinação: As mudas são plantadas diretamente nos tubetes orgânicos e colocadas em vasos. Os estudantes observam o desenvolvimento da planta e a incorporação do tubete ao solo.

Além dos benefícios ambientais, o projeto também apresenta vantagens econômicas. Um tubete de plástico pode custar até R$ 1,50 e não é reutilizável. Já o orgânico sai por cerca de R$ 0,30.

Nos testes realizados, os estudantes observaram que as mudas se desenvolveram melhor com o tubete orgânico.

“A germinação foi mais rápida. Enquanto o plástico demorou mais de uma semana, o nosso tubete levou de 7 a 9 dias”, explicou Gustavo.

A professora explicou ainda que o projeto está em fase de testes, mas os resultados apresentados já são positivos. A equipe pretende apresentar a proposta para agricultores da região.

“A ideia é levar esse produto para os pequenos produtores, mostrar que ele funciona e pode ser incorporado ao solo, nutrindo a planta”, concluiu Rose.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Projetos de portos e ferrovias, exploração de petróleo e sobrepesca atingem comunidade pesqueira do Marajó

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Com praias, igarapés e áreas de mata preservadas, a comunidade pode gerar renda de forma sustentável. Foto: Marilu Cruz/Acervo Pesquisadores

A comunidade pesqueira de Jubim, localizada no arquipélago do Marajó, no encontro entre o rio Amazonas e o oceano Atlântico, depende diretamente da pesca artesanal para sua subsistência. Mas pressões crescentes reduzem os estoques pesqueiros e ameaçam os modos de vida tradicionais – como a sobrepesca com presença constante de embarcações industriais, além da construção de portos e ferrovias, dos grandes projetos de exploração de petróleo e da especulação imobiliária, que restringem o acesso a áreas antes comuns.

A tudo isso se somam as mudanças climáticas, que afetam o período reprodutivo dos caranguejos e causam a erosão das margens de rios. É o que aponta pesquisa desenvolvida pelo Projeto Maretórios Amazônicos e publicada na segunda (29) na revista científica Marine Policy.

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Por meio de entrevistas com 20 moradores de Jubim, oficinas e observação participante na comunidade, os cientistas mapearam forças, fraquezas, oportunidades e ameaças à gestão costeira local.

“O modelo atual de gestão costeira exclui e marginaliza milhares de comunidades tradicionais. Nosso estudo busca propor alternativas que garantam participação real e protagonismo às populações locais”, explica o ecólogo Vitor Renck, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e um dos autores do artigo.

Com base na experiência em Jubim, o estudo propõe cinco princípios de gestão costeira para tornar as políticas públicas mais justas e sustentáveis:

  • o empoderamento comunitário, voltado a ampliar a autossuficiência e a resiliência através do fortalecimento de laços;
  • a coprodução de conhecimento, com a valorização e integração dos saberes ecológicos tradicionais à pesquisa científica;
  • a negociação com atores externos em defesa de um desenvolvimento que respeite os direitos e os saberes da comunidade;
  • a continuidade cultural, de forma a garantir que as oportunidades econômicas não enfraqueçam as características locais;
  • e a responsabilidade ambiental, que enfatiza o papel da comunidade como guardiã do seu ambiente.

“O diferencial do estudo é a construção, a partir do território pesqueiro, de insumos para o desenvolvimento de um processo de gestão costeira decolonial. Propomos que os cinco princípios sejam implementados de forma conjunta, e não isolados”, reforça Renck.

Praia do Pesqueiro, no marajó
Praia do Pesqueiro, no Marajó. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Marajó também tem oportunidades

Apesar das ameaças, Jubim, no Marajó, apresenta oportunidades econômicas e sociais, como o desenvolvimento do ecoturismo comunitário. Com praias, igarapés e áreas de mata preservadas, a comunidade pode gerar renda de forma sustentável, mantendo seus modos de vida tradicionais e protegendo a biodiversidade local.

“Nosso objetivo é que os cinco princípios que propomos possam orientar a revisão da Política Nacional de Gerenciamento Costeiro, garantindo participação real das comunidades e promovendo justiça azul, ou seja, distribuição mais justa dos benefícios e impactos do desenvolvimento costeiro”, afirma a bióloga Leandra Gonçalves, professora do Instituto do Mar da Unifesp e supervisora do estudo.

A pesquisa foi financiada pelas Fundações de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Pará (FAPESPA), Fundação Araucária e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e envolveu mais de 40 pesquisadores de diversas universidades e áreas do conhecimento.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Senado avalia que Belém seja a capital do Brasil durante a COP 30

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A cidade de Belém pode se tornar a capital do Brasil durante a COP 30. Foto: Agência Pará

A cidade de Belém, no estado do Pará, será a capital do Brasil durante a COP 30. É o que determina um projeto de lei que será votado pelo Senado nos próximos dias. Apresentado pela deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), o PL 358/2025 foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 25 de setembro.

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De acordo com o texto, a capital da República Federativa do Brasil — papel que cabe à Brasília desde 1960 — será transferida, simbolicamente, para a cidade de Belém.

A medida valerá de 11 a 21 de novembro de 2025, durante a COP 30, que é a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

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Senado avalia que Belém seja a capital do Brasil durante a COP 30
De acordo com o texto, a capital da República Federativa do Brasil — papel que cabe à Brasília desde 1960 — será transferida, simbolicamente, para a cidade de Belém. Foto: Divulgação

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Nestes dias, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário poderão se instalar em Belém. Os atos e despachos do presidente da República e dos ministros de Estado, assinados no período, serão datados na cidade de Belém/PA. O Poder Executivo terá que regulamentar as medidas administrativas, operacionais e logísticas necessárias à transferência temporária da sede do governo federal.

O senador Beto Faro (PT-PA) está entusiasmado com a transferência. Para ele, o projeto será aprovado no Senado com ampla maioria por representar compromisso com a sustentabilidade, a justiça regional e o fortalecimento da imagem internacional  do Brasil.

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A medida valerá de 11 a 21 de novembro de 2025, durante a COP 30. Foto: Alexandre de Moraes

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”Vejo nesta proposta um gesto de elevado simbolismo e de forte significado político. Mais que mudança provisória de endereço, trata-se de reafirmar a centralidade da Amazônia nas decisões nacionais e de projetar o Brasil, especialmente o Pará, no mapa global das discussões climáticas. A extensão territorial do nosso país exige esses sinais de atenção; ao colocar Belém como palco institucional momentâneo, reafirmamos que o Brasil não pode prescindir de aproximar decisões do coração da floresta”, afirmou Faro.

O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) disse que achou interessante a ideia de transferir a capital do país para Belém. Ele lembrou que o mesmo ocorreu durante a ECO 92, no Rio de Janeiro. Zequinha disse à reportagem que a medida poderá ajudar o governo federal a enxergar os diversos problemas e necessidades da capital paraense.

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O Poder Executivo terá que regulamentar as medidas administrativas, operacionais e logísticas necessárias à transferência temporária da sede do governo federal. Foto: Agência Pará

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”Belém é uma cidade enorme. Uma cidade com problema de segurança, com crime organizado instalado. O comerciante e as pessoas têm que pagar pedágio para esse povo, mensalidade. É difícil a questão da segurança. Belém tem problemas de saúde seríssimos nos hospitais (…) A questão do saneamento básico, principalmente nas periferias (…). No Pará a gente tem dois estados, o estado virtual, aquele que aparece nas redes sociais na televisão, é maravilhoso, muito bom, agora o estado real onde o povo vive, onde nós vivemos, esse é duro na queda, falta tudo”, afirmou Zequinha.

Para a autora do projeto, a medida não será apenas um gesto simbólico, mas um compromisso do Brasil com a agenda climática e o desenvolvimento sustentável. “Transferir a capital para Belém é uma forma de colocar a região amazônica no centro das decisões políticas globais”, afirmou Duda Salabert, na aprovação do projeto na Câmara.

*Com informações da Agência Senado