A região amazônica, com sua vasta biodiversidade e rica diversidade cultural, enfrenta desafios significativos no que diz respeito ao desenvolvimento de suas crianças. Diversas Organizações Não Governamentais (ONGs) têm se dedicado a promover a educação, a cultura e o bem-estar infantil, buscando transformar realidades e oferecer oportunidades para um futuro melhor.
Essas organizações desempenham um papel fundamental no desenvolvimento social das crianças na Amazônia: sua inserção consciente na sociedade. Por meio de suas ações, as organizações contribuem para a construção de um futuro mais justo e igualitário para as novas gerações da região.
Confira algumas delas que tem atuação na Amazônia:
Instituto Vaga Lume: empoderando crianças por meio da leitura
O Instituto Vaga Lume é uma organização sem fins lucrativos que atua em comunidades rurais da Amazônia Legal desde 2001. Seu principal objetivo é empoderar crianças e jovens por meio da promoção da leitura e da gestão de bibliotecas comunitárias.
Até o momento, a organização já impactou mais de 111 mil crianças e jovens, com a formação de 6.000 mediadores de leitura e a doação de mais de 195 mil livros.
Além disso, promove intercâmbios culturais que conectam jovens da Amazônia a escolas e organizações do Sudeste brasileiro, fortalecendo a troca de saberes e experiências.
O Instituto possui três escritório: em São Paulo (SP); em Manaus (AM); e em Belém (PA).
Mulher lendo para crianças em Oriximiná, no Oeste do Pará. Foto: Divulgação/Instituto Vaga Lume
Associação Mapinguari: cultura e educação para crianças da Amazônia
A Associação Mapinguari, com sede em Porto Velho (RO), desenvolve projetos culturais e educacionais em diversas comunidades da Amazônia. Suas ações incluem oficinas, espetáculos, exibições de cinema, cursos para professores e atividades voltadas para crianças e adolescentes da rede pública estadual e municipal de ensino.
A associação trabalha de forma gratuita, vivendo apenas de doações, e respeita as culturas locais, atuando em comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas e extrativistas.
Uma dessas ações é o Projeto Amazônia das Palavras que leva literatura itinerante, conhecimento, cultura e, sobretudo, troca de saberes entre os seus participantes, navegando 1.300 Km pelos Rios Negro, Amazonas e Madeira com Oficinas Literárias e Atividades Lúdicas.
Foto: Divulgação/Associação Mapinguari
Projeto “Somos Ribeirinhos”: educação, saúde e bem-estar infantil
O Projeto Somos Ribeirinhos é uma iniciativa sediada em Vila do Cuia, no município de Anamã, no Amazonas, com atuação focada em comunidades ribeirinhas. Fundado por Max Dacampo, que também é missionário vinculado à Jethro International, o projeto busca oferecer apoio material, educativo, social e espiritual às famílias ribeirinhas.
Entre as ações desenvolvidas estão a distribuição de cestas básicas, doações de roupas, materiais escolares e auxílio na construção de moradias. Outros serviços incluem atividades para crianças, como reforço escolar, oficinas culturais, eventos recreativos e assistência em áreas de saúde e bem-estar.
A estrutura do projeto compreende espaços para armazenamento e distribuição de mantimentos, locais para oficinas, momentos de lazer e áreas de encontro para oração e reflexão. O Somos Ribeirinhos funciona por meio de voluntariado local — cerca de 21 voluntários moradores da própria comunidade — o que facilita a confiança e o relacionamento com as famílias atendidas.
Do ponto de vista legal, o projeto está registrado como associação privada e com natureza jurídica voltada às atividades de defesa de direitos sociais. A missão declarada do projeto está centrada em promover saúde, bem-estar, educação, assistência social e valores de fé junto às populações ribeirinhas.
Foto: Divulgação/Somos Ribeirinhos
ACNUR: proteção e educação para crianças refugiadas
Não tem como não citar as ações da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) voltadas para Amazônia. A agência tem implementado projetos voltados para a proteção e o desenvolvimento de crianças refugiadas na região.
Um exemplo é o ‘Jardim Sésamo‘, uma plataforma que oferece mais de 450 materiais educativos para crianças refugiadas e migrantes abrigadas em Roraima, por meio de um Wi-Fi local gratuito.
Além disso, o projeto “Proteção Integral e Promoção dos Direitos de Crianças, Adolescentes e Jovens Indígenas na Amazônia Legal”, liderado pelo UNICEF em parceria com outras agências da ONU, busca integrar saúde, educação, proteção e bioeconomia em seis estados da Amazônia Legal, com foco na população indígena.
Casa da Criança foi criada em 1948. Foto: Adneison Severiano/Acervo Rede Amazônica AM
Comemorado nacionalmente no dia 12 de outubro, o Dia das Crianças é uma data que celebra a importância da infância, o seu desenvolvimento integral e, principalmente, a garantia dos direitos à saúde, bem-estar e educação infantil.
As creches, por exemplo, são cruciais para o processo de aprendizagem e formação cognitiva, emocional, física e social das crianças.
Dito isso, você sabia que existe uma instituição em Manaus (AM) que cumpre essa função social há 77 anos de forma voluntária?
Localizada no Centro Histórico da capital amazonense, a Casa da Criança é uma creche-escola que oferece assistência social e ensino para crianças de 2 a 5 anos de idade oriundas de famílias carentes.
A entidade, desde 1948, garante acolhimento, cuidado e segurança para pais e filhos em situação de vulnerabilidade social até os dias atuais. Foto: Reprodução
Origem da Casa da Criança
Nos anos 1940, Manaus possuía aproximadamente 54 mil crianças de zero a nove anos de idade que não sabiam ler ou escrever, segundo os dados do IBGE. A maioria era proveniente de famílias onde os pais se ausentavam para trabalhar e deixavam os filhos desacompanhados em casa.
Essa realidade motivou o então bispo da cidade, Dom João da Matta Andrade e Amaral, a idealizar um lugar onde trabalhos de assistência social e educação pudessem ser desenvolvidos para elas.
Fachada da Casa em sua inauguração, em 1948. No recorte, bispo Dom João da Matta. Foto: Reprodução
Diante da preocupação, a Diocese de Manaus realizou a compra de dois terrenos localizados na Avenida Ramos Ferreira, no Centro da cidade, para a construção da Casa. A obra foi inaugurada em 1º de fevereiro de 1948, numa grande procissão que iniciou do Colégio Santa Doroteia, situado na Avenida Joaquim Nabuco, até o novo local, que já contava com um prédio construído denominado de Pavilhão Central.
Terreno comprado para a construção. Foto: Arquivo Casa da Criança
No evento, D. João da Matta anunciou a entrega da Casa da Criança, sob a direção das Três Filhas da Caridade: as Irmãs Hermínia Gomes de Matos, Maria Colares Carvalho e Madalena Silva.
Ciente de que elas não seriam remuneradas, o bispo disse para todos os presentes naquela ocasião: “Ajudem as Irmãs nesta Obra Benemérita. Elas não têm remuneração, mas confio em vocês, que elas não passarão por grandes necessidades”.
Procissão de inauguração, em 1º de fevereiro de 1948. Foto: Arquivo Casa da Criança
A fala do bispo enraizou a solidariedade, união e sentimento de amor ao próximo da sociedade manauara como pilares essenciais para o funcionamento da instituição, algo que perdura até hoje.
Primeiros passos
Sob o comando das Três Filhas da Caridade, a Casa iniciou as atividades com 60 crianças de ambos os sexos, em regime de internato e semi-internato. A maioria assistida eram aquelas encaminhadas pelo juiz, abandonadas na porta da instituição e as que vinham somente para passar o dia. A Casa também recepcionou, naquele período, jovens oriundas do interior do Estado, que viriam trabalhar em Manaus e não tinham onde morar.
Acima, Irmã Laura com as primeiras crianças matriculadas. Abaixo, Dom João com as jovens oriundas do interior e abrigadas na Casa. Fotos: Arquivo Casa da Criança
As primeiras professoras desenvolveram atividades pedagógicas e um trabalho apostólico para as crianças, com base na educação vicentina, sistema de ensino baseado nos princípios católicos e na formação religiosa dos pequenos, destacando os valores da igualdade, fraternidade, amor e justiça. Tal método educacional permanece até os dias atuais.
Fotos: Arquivo Casa da Criança
No ano seguinte, a instituição ganhou novas instalações, como:
o pavilhão Dom João da Matta, em 1949, destinado às meninas;
a lavanderia, em janeiro de 1950;
em 1951, o pavilhão Irmã Rosalie Rendu funcionou como berçário, atendendo a 100 crianças;
em 1952, o pavilhão Martagão Gesteira, destinado aos meninos e à cozinha;
o pavilhão Margarida Nassau, destinado às meninas de quatro e cinco anos;
e a capela da Medalha Milagrosa, em 1956.
Isso sem falar do prédio principal, destinado para a parte administrativa da Casa da Criança.
Como é hoje?
Atualmente, a creche-escola conta a dedicação de cinco irmãs, incluindo a diretora-presidente Ir. Maria da Cruz da Conceição Silva. Cerca de 300 crianças, com idades entre 2 e 5 anos, são atendidas hoje pela entidade, com foco prioritário na área da assistência social, sendo a educação infantil um complemento das ações sociais. O horário de funcionamento é das 7h às 15h30.
De acordo com a direção, os pequenos que são atendidos no local residem em diversos bairros da cidade de Manaus, especialmente nas adjacências do Centro, incluindo zonas com maior vulnerabilidade social como as zonas Sul e Leste.
“Nossa atuação está direcionada principalmente para garantir a proteção social de crianças em situação de risco ou vulnerabilidade, promovendo acolhimento, cuidado, nutrição e segurança. Os pais ou responsáveis são, em sua maioria, trabalhadores informais, como ambulantes, domésticas e outras categorias de baixa renda, sem condições de arcar com uma creche particular. Por isso, confiam em nossa instituição como espaço de proteção e cuidado para seus filhos”, frisa a diretora.
Ívina, aos 3 anos de idade, na Casa da Criança. Foto: Ívina Garcia/Arquivo Pessoal
Foi exatamente esse cenário que colocou a Casa da Criança na rotina da amazonense Ívina Garcia. A jornalista de 28 anos conta que estudou na instituição devido à falta de tempo da mãe, que trabalhava o dia todo e não tinha condições de arcar com uma creche.
“Como minha mãe trabalhava o dia todo, minha família decidiu me colocar lá porque o ensino era integral e também era próximo de casa. Estudei entre 2000 e 2002 lá e foi um período muito importante para mim”, conta a ex-aluna da Casa da Criança.
A mesma dificuldade da mãe também motivou Ívina a matricular a sua filha, Ágata, na Casa da Criança. Porém, com um fator a mais determinante: a pandemia da Covid-19.
Filha da Ívina, Ágata Garcia, também aos três anos de idade, foi aluna da Casa. Foto: Ívina Garcia/Arquivo Pessoal
“Minha filha estudou entre 2020 e 2021. Ela teve pouco tempo no local e sem muitas atividades presenciais por conta da pandemia na época, mesmo assim, ela gostou muito de lá. Foi uma ajuda muito grande ter ela lá, pois eu tinha acabado de mudar de trabalho e meu horário coincidia com os horários dela. Então, foi incrível”, relatou a mãe.
Morando atualmente em São Paulo, Ívina destacou a importância da Casa da Criança tanto na sua formação pessoal quanto na da filha.
“Fico feliz pela atuação da Casa da Criança na minha vida e da Ágata, por ela ter criado boas memórias como eu criei. Acredito que seja uma creche muito boa, tanto na estrutura quanto no ensino também, não é só um lugar onde as crianças ficam brincando o dia todo”, finaliza.
Doações
Apesar da forte atuação social em prol da população carente, a Casa da Criança depende exclusivamente de doações para sua manutenção. Segundo a direção, ajudas proveniente de órgãos públicos, empresas privadas e também de ex-alunos continuam sendo a principal fonte de recursos para o custeio das atividades.
“A instituição continua a se manter por meio das doações provenientes de benfeitores e da sociedade manauara em geral. Com a providência divina, podemos afirmar que não passamos por necessidades graves. O trabalho diário é árduo, mas, sob a intercessão de Nossa Senhora e as graças de Deus, conseguimos seguir adiante e levar esta obra benemérita com fé e perseverança”, afirma a diretora.
Irmã Maria da Cruz, diretora-presidente da Casa da Criança desde 2018. Foto: Reprodução
A Irmã detalha que colaboradores como professores, técnicos administrativos e funcionários terceirizados são cedidos por entidades públicas, porém, o custo mensal ainda é bastante significativo.
“Apesar da forte rede de apoio, a Casa da Criança tem alta demanda por recursos financeiros e materiais para manter suas atividades e atender com qualidade. O custo mensal é significativo, mas varia conforme as doações e convênios ativos. A principal necessidade é garantir a manutenção da estrutura, alimentação, folha de pagamento dos funcionários”, frisa Maria da Cruz, que está à frente do local desde 2018.
As estimativas apontam que, em 77 anos de história, a Casa da Criança já beneficiou aproximadamente 25 mil crianças com ações sociais.
Ajuda
Para ajudar a Casa da Criança com equipamentos e outras formas, basta entrar em contato pelo telefone (92) 3232-5282. Quem quiser doar, as contas para o recebimento de ajudas financeiras são:
Banco do Brasil: Agência 1862; Conta 39841-1 Bradesco: Agência 0320-4; Conta 037032-0
“Nossa missão é cuidar, educar e transformar vidas. É desta forma que vamos contribuir para um futuro mais justo e humano para as nossas crianças, que possamos garantir um lugar seguro, digno e acolhedor, onde suas necessidades básicas sejam atendidas e seus direitos assegurados”, finalizou a Irmã.
A realidade de crianças em situação de vulnerabilidade social é um desafio constante em diversos estados da Amazônia Legal. A região, marcada por desigualdades, apresenta altos índices de pobreza, evasão escolar e trabalho infantil, o que exige a atuação de instituições públicas e privadas para garantir direitos básicos.
Diante desse cenário, organizações não governamentais (ONGs) e outras entidades têm desenvolvido projetos que buscam promover cidadania, educação e dignidade para crianças e adolescentes. Essas iniciativas alcançam áreas urbanas e até comunidades ribeirinhas, muitas vezes distantes dos serviços essenciais.
Cada capital dos estados que compõem a Amazônia Legal conta com programas voltados ao atendimento de crianças, oferecendo reforço escolar, atividades culturais, esportivas e apoio psicológico. Essas ações visam não apenas suprir carências imediatas, mas também fortalecer a inclusão social.
O Portal Amazônia reuniu informações sobre o trabalho de algumas dessas organizações em capitais da Amazônia Legal:
Lar Batista Janell Doyle (AM)
O Lar Batista Janell Doyle, localizado em Manaus, é uma instituição voltada para o acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, vítimas de abandono, violência ou que tiveram seus direitos violados.
Fundado por missionários, o espaço funciona em parceria com o poder público e tem como objetivo garantir proteção, moradia temporária, alimentação, educação e acompanhamento psicológico.
A casa acolhe crianças de diferentes idades, oferecendo um ambiente seguro e estruturado enquanto aguardam decisões judiciais sobre reintegração familiar ou adoção.
Além do acolhimento básico, o abrigo desenvolve atividades educativas, esportivas e culturais, que ajudam no fortalecimento da autoestima e no estímulo ao desenvolvimento das crianças.
O Janell Doyle também promove a participação de voluntários em oficinas e projetos, ampliando as oportunidades de socialização e aprendizado. Dessa forma, o abrigo cumpre um papel essencial na defesa dos direitos da infância em Manaus, garantindo apoio e proteção para crianças que se encontram em situação de risco social.
Projeto Anjos da Guarda (PA)
O Projeto Anjos da Guarda é uma iniciativa da Prefeitura de Belém, por meio da Guarda Municipal, que atende crianças e adolescentes de 7 a 16 anos em situação de vulnerabilidade social no bairro do Tapanã.
O serviço é gratuito e funciona nos períodos matutino e vespertino, sempre no contra turno escolar, para não coincidir com o horário das aulas regulares. Um dos requisitos para participação é que a criança ou adolescente esteja matriculado em escola pública.
As atividades oferecidas pelo projeto incluem acompanhamento pedagógico, educação ambiental, ética e cidadania, além de práticas esportivas como vôlei, futebol e artes marciais. O programa também promove aulas de dança, musicalização e oficinas de redação.
Além de estimular o desenvolvimento educacional e cultural, o Anjos da Guarda busca fortalecer vínculos familiares e comunitários, ocupando o tempo livre dos participantes com ações que promovem inclusão social e oferecem alternativas à ociosidade.
Foto: Divulgação/ Projeto Anjos da Guarda
Programa Girassol do Bem (MA)
Na capital maranhense, São Luís, o Programa Girassoldo Bematende crianças e adolescentes de famílias de baixa renda.
O projeto organiza oficinas de leitura, aulas de informática e atividades culturais como dança e teatro. A proposta busca integrar educação e cultura, oferecendo caminhos para que crianças ampliem suas perspectivas de futuro.
O ‘Projeto Laços – Fortalecimento Comunitário e Seguridade Social para moradores da comunidade Reserva do Coxipó’ é uma iniciativa do Instituto INCA em parceria com a Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Mato Grosso.
O projeto foi lançado este ano e realiza um mapeamento da vulnerabilidade socioeconômica das famílias residentes na Reserva do Coxipó, comunidade marcada por moradias precárias, acesso limitado a serviços públicos, presença de imigrantes haitianos e mães solos, entre outras condições de risco.
Para crianças, adolescentes e adultos, o Projeto Laços oferece oficinas gratuitas de educação ambiental, música — incluindo a chamada música reciclável —, além de ações culturais e educativas voltadas ao fortalecimento de vínculos comunitários, proteção, saúde, convivência familiar e segurança alimentar.
O objetivo é proporcionar inclusão social, envolver a comunidade no processo participativo de melhoria de vida e gerar impacto contínuo, mesmo após o término das atividades principais.
Imagem: Reprodução/Instituto INCA
Projeto Compartilhe Amor (TO)
O Projeto Compartilhe Amor é uma iniciativa da Prefeitura de Palmas em parceria com o Instituto Nação Rap que oferece aulas gratuitas voltadas para crianças e jovens entre 8 e 17 anos. O projeto inclui modalidades esportivas, como futsal e jiu-jitsu, além de atividades culturais como violão e musicalização.
Também há inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas atividades, o que evidencia um esforço de atender diversidade de necessidades.
As aulas ocorrem de segunda a sexta-feira no contraturno escolar, a partir das 17h, na ETI Cora Coralina, localizada na região Norte da capital.
O projeto atende mais de 300 crianças e busca fortalecer os vínculos entre estudantes e escola, promovendo, além de desenvolvimento físico e cultural, socialização e oportunidades para crianças em situação de vulnerabilidade.
Foto: Elenilson Garcia/ Instituto Nação Rap
Mão na Massa (AP)
O projeto Mão na Massa é uma iniciativa do Ministério Público do Amapá (MPAP) voltada para jovens de Santana, com impacto positivo também em Macapá. O projeto promove a profissionalização e atividades lucrativas, buscando empoderar os participantes e oferecer um futuro com mais perspectivas. A iniciativa busca demonstrar como a educação e a conscientização podem ser ferramentas para transformar vidas.
Foto: Divulgação/ MPAP
Casa Família Rosetta (RO)
A Casa Família Rosetta, localizada em Porto Velho, é um projeto que atua há mais de 20 anos no acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A instituição é administrada pelas Irmãs da Caridade e oferece não apenas um abrigo seguro, mas também atividades educativas, assistência médica e psicológica.
O objetivo principal é proporcionar um ambiente familiar e acolhedor, onde os jovens possam se desenvolver de forma saudável, longe dos riscos das ruas.
Além do acolhimento, a Casa Família Rosetta desenvolve ações para resgatar a dignidade e a esperança de crianças e adolescentes. O trabalho é focado em preparar os jovens para a vida adulta, buscando sua reintegração familiar ou social.
A Casa é mantida por doações, parcerias e o trabalho voluntário, demonstrando a força da solidariedade da comunidade de Porto Velho na construção de um futuro melhor para os mais vulneráveis.
Os filhotes da Amazônia são pequenos animais que enfrentam desafios para crescer e sobreviver em um dos ecossistemas mais complexos do planetas. Assim como toda criança humana, muitos deles precisam de suporte e apoio dos pais e seus ambientes para aprender a sobreviver e crescer.
O Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, faz lembrar o quanto as crianças são fofas, engraçadas e autênticas. E isso tudo também vale para os filhotes de animais da Amazônia.
Pensando nisso, a equipe do Portal Amazônia buscou fotos que revelem como são dez animais amazônicos em sua fase como filhotes. Confira:
As “crianças” da floresta
Sauim de coleira
O sauim-de-coleira faz parte da lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo. A espécie é encontrada em Manaus (AM). Foto: Diogo LagroteriaO primata é chamado de ‘saium-de-coleira’ devido uma faixa branca semelhante a uma coleira, que vai do peito até o pescoço. Foto: Diogo Lagroteria A espécie normalmente anda em grupos de 2 à 12 animais, em que apenas uma fêmea reproduz, dando à luz apenas à um ou dois filhotes de cada vez. Foto: Diogo Lagroteria
Onça-pintada
A onça-pintada é um animal de grande porte e, por isso, é considerado o maior felino das Américas e o maior carnívoro da América do Sul. Foto: Chris BrunskillA pelagem o felino varia de amarelo-claro a castanho e destaca-se pela presença de várias manchas. Foto: Lucas Ninnogcom A onça fêmea alcança a maturidade sexual aos dois anos e pode ter de um a quatro filhotes, sendo que o bebê pesa em média 1kg. Foto: Reprodução/Instagram-@parqueecologicosaocarlos
Tatu Canastra
O tatu-canastra é a maior de todas as espécies de tatus existentes. Seu tamanho pode chegar a um metro e meio de comprimento (do focinho à cauda) e mais de 50 quilos. Foto: Reprodução/Mundo ecologiaO animal está na lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil. Foto: Reprodução/Projeto Tatu-Canastra Pantanal
Jacaré Açu
Só na região amazônica habitam quatro espécies, sendo a área com maior variedades de jacarés do mundo. Foto: Reprodução/Facebook-@neoselvaO macho pode chegar até seis metros de comprimento e a fêmea até cerca de dois metros e 80 centímetros, podendo chegar até 100 anos de idade. Foto: Reprodução/Policia Militar do DFOs jacarés jovens devem ter muito cuidado, pois correm o risco de serem devorados assim que nascem por jiboias ou até mesmo outros jacarés adultos. Foto: Marcos Coutinho/RAN ICMBio
Peixe-boi-da-Amazônia
O Peixe-boi-da-Amazônia é a menor espécie de peixe-boi do mundo, chegando a até 3 metros de comprimento e 450 kg. Foto: Reprodução/Associação Amigos do Peixe-boi
Alimenta-se de grande variedade de plantas aquáticas e semiaquáticas, e consome cerca de 8% de seu peso vivo em alimento por dia. Foto: Reprodução/Agência ParáA gestação dura 12 meses e normalmente, apenas um pequeno peixe-boi nasce. Foto: Débora Vale/Ascom Inpa
Filhotes de ariranha são semiaquáticos: vivem tanto em ambientes terrestres quanto com água. Foto: Reprodução/Mundo Ecologia
A espécie têm um papel fundamental no equilíbrio dos ambientes aquáticos pelo controle de populações de outras espécies animais, principalmente peixes, inclusive espécies invasoras e pragas. Foto: Reprodução/Mundo Ecologia
Bicho-Preguiça
A espécie possui papel relevante na manutenção do equilíbrio ecológico. Foto: Laerzio Chierosin NetoO principal risco enfrentado por essas espécies é o deflorestamento, que elimina árvores essenciais tanto para abrigo quanto para alimentação. Foto: Natália LimaSua dieta é composta principalmente por folhas, como da embaúba, e várias outras espécies de árvores. Foto: Reprodução/Instagram-@biologoamaral
Jabuti-piranga
Filhotes de Jabuti. O nome vem por conta da coloração das escamas da cabeça e das patas avermelhadas. Foto: Reprodução/Instagram-@biologoamaralSão animais dóceis e tranquilos, que vivem durante muitos anos, podendo chegar aos 100 anos. Foto: Reprodução/Instagram-@biologoamaral
Macaco-de-cheiro
A gestação dura de 140 a 150 dias, nascendo apenas um filhote que é cuidado somente pela mãe. Foto: Reprodução/Instagram-@biologoamaralOs macacos de cheiro onívoros, e aproveitam a grande variedade de matéria vegetal como frutos e moluscos terrestres. Foto: Reprodução/Instagram-@biologoamaralO tamanho médio de grupos é de 50 indivíduos, e pode variar de 5 a mais de 60 indivíduos. Foto: Reprodução/Mundo Ecologia
Gavião-real
Embora a espécie não seja a maior das aves predadoras do planeta, é tida como a mais forte. Foto: Antonio LuizO filhote precisa de 4 a 5 anos para alcançar a plumagem adulta. Foto: Reprodução/Instagram-@ZooSaopauloA espécie é rápida e forte em suas investidas, sendo capaz de arrancar preguiças agarradas a galhos de árvores. Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
Na natureza, crescer não é só uma questão de tempo. Para muitos animais, a transição da infância para a vida adulta envolve transformações visuais e comportamentais marcantes, muitas vezes tão drásticas que o filhote mal se parece com a forma final.
Na Amazônia, onde a diversidade é imensa e os desafios de sobrevivência começam cedo, essas mudanças são fundamentais para que cada espécie encontre seu lugar na floresta.
Anta (Tapirus terrestris): do camuflado ao discreto
Os filhotes de anta nascem com o corpo coberto por listras e pintinhas brancas sobre um fundo marrom-escuro, como um “pijama” cheio de estilo. Essa pelagem tem uma função importante: servir de camuflagem entre sombras e folhas, ajudando os pequenos a se esconderem de predadores. Por volta dos seis meses de idade, o padrão juvenil começa a desaparecer e dá lugar à coloração acinzentada e uniforme dos adultos.
Além de mudanças visuais, o comportamento desses animais também evolui — a anta jovem começa a explorar o ambiente sozinha e a se alimentar com mais autonomia. O filhote acompanha a mãe durante 18 meses a dois anos, quando finalmente está pronta para deixar definitivamente a infância para trás e seguir sua vida como adulta discreta e solitária da floresta.
Com pelagem cheia de listras e pintinhas, o filhote de anta usa seu “pijama camuflado” para se proteger. Aos seis meses, assume a coloração uniforme dos adultos. Foto: Zoológico FollyFarm
Rã-paradoxo (Pseudis paradoxa): o filhote gigante que vira um adulto “baixotinho”
Na maioria dos vertebrados, esperamos que os filhotes cresçam até se tornarem adultos maiores. Mas a rã-paradoxo faz exatamente o contrário! Encontrada em áreas alagadas e margens de lagos amazônicos, essa espécie chama a atenção pelo tamanho impressionante de seus girinos, que podem ultrapassar os 25 centímetros de comprimento.
Já os adultos, depois da metamorfose, medem cerca de 6 a 7 centímetros. Essa redução está associada a uma mudança de estilo de vida: os girinos vivem na água e precisam de velocidade e alcance, enquanto os adultos são mais discretos e vivem entre vegetação aquática. Apesar do tamanho reduzido, os animais adultos estão prontos para garantir a próxima geração de “gigantes temporários”.
O girino da rã-paradoxo pode ser três vezes maior que o adulto! Um crescimento invertido que só a natureza amazônica (e a Ciência) explica. Foto: Elson Meneses-Pelayo
Boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis): da infância cinzenta ao rosa encantado
Ícone da Amazônia e estrela de muitas lendas, o boto-cor-de-rosa também passa por mudanças visuais curiosas ao longo da vida. Os filhotes nascem com coloração cinza-escura, uniforme e opaca, que serve como uma forma de camuflagem natural nos rios turvos da floresta. Essa tonalidade discreta ajuda os jovens a se protegerem de predadores, enquanto ainda estão sob os cuidados da mãe. À medida que crescem, principalmente os machos, a coloração do corpo começa a se modificar, e o rosa vai se tornando mais evidente.
A tonalidade rosada desses animais pode ter origem em múltiplos fatores: dilatação dos vasos sanguíneos próximos à pele (especialmente durante comportamentos sociais ou esforço físico), espessura da pele, atrito com o fundo dos rios e, claro, predisposição genética. Os botos atingem a maturidade sexual por volta 9 anos de idade e tamanho entre 1,80 e 2m (no caso da fêmeas). As fêmeas geralmente permanecem mais acinzentadas, enquanto os machos mais velhos e dominantes podem exibir um rosa intenso, quase fluorescente.
Os filhotes nascem cinzentos e discretos, mas ao longo da vida, especialmente os machos, vão ganhando tons rosados cada vez mais intensos. Na foto, um filhote de boto-cor-de-rosa resgatado no Rio Paila, Bolívia, por biólogos. Foto: Dado Galdieri_AP
Gavião-real (Harpia harpyja): penas brancas de bebê, garras de adulto
Nascida com penas brancas, expressão dócil e corpo desajeitado, o gavião-real, maior ave de rapina das Américas, esconde sob sua aparência angelical o futuro de um poderoso predador. Durante os primeiros 10 meses de vida, os filhotes são alimentados e protegidos pelos pais, mesmo depois de começarem a voar. Com o passar dos meses, as penas brancas são substituídas por plumagem acinzentada e preta, e o olhar se torna mais penetrante e predador.
As garras, que já nascem afiadas, ganham força e tamanho proporcional à caça. Apesar de começarem a voar cedo, as harpias só se tornam sexualmente maduras entre 4 e 5 anos de idade. Até lá, têm muito a aprender com os pais, e tempo de sobra para desenvolver as habilidades que as colocarão no topo da cadeia alimentar da floresta.
Com penas brancas e bico ainda suave, o filhote de gavião-real parece inofensivo. Mas as garras afiadas denunciam o que está por vir. Foto: Projeto Harpia
Na Amazônia, cada fase da vida revela uma nova versão dos animais que a habitam. Das pintinhas camufladas da anta ao rosa vibrante do boto, passando por metamorfoses surpreendentes e mudanças de comportamento, crescer na floresta é um processo cheio de estratégia, adaptação e beleza.
Observar essas transformações nos lembra que a natureza é dinâmica e criativa em cada detalhe do desenvolvimento animal. E assim, de filhotes a adultos, a biodiversidade amazônica segue nos encantando, sempre cheia de surpresas. Espero que tenham gostado do texto dessa semana!
Abraços de sucuri pra vocês, e até o próximo encontro com mais animais incríveis da nossa Amazônia!
Sobre a autora
Luciana Frazão é pesquisadora na Universidade de Coimbra (Portugal), onde atua em estudos relacionados as Reservas da Biosfera da UNESCO, doutora em Biodiversidade e Conservação (Universidade Federal do Amazonas) e mestre em zoologia (Universidade Federal do Pará).
Na Amazônia Legal, mas de 10 igrejas homenageiam a padroeira do país. Foto: Reprodução/Arquidiocese de Manaus
O dia de Nossa Senhora de Aparecida, uma das maiores representações do catolicismo no Brasil, é celebrado em 12 de outubro.
Considerada a Padroeira dos brasileiros, a santa recebe homenagens e celebrações por todo o país durante o mês de outubro, em comemoração, este ano, aos 308 anos da aparição de sua imagem.
A leitura abre portas e, muitas vezes, caminhos inteiros. É o que acontece com a pequena Júlia Rodrigues, de Uarini (AM), que utiliza a biblioteca comunitária do município, gerenciada pela Associação Vaga Lume. “Agora eu vou me interessar muito mais pelos livros. Acho que vou passar todo o intervalo da escola na biblioteca”, diz ela, com brilho nos olhos.
A Lei nº 11.899/09, que institui o Dia Nacional da Leitura e a Semana Nacional da Leitura e da Literatura, reforça a importância de cultivar o hábito da leitura desde a infância e de incentivar a convivência da sociedade com a produção literária nacional. Com isso, a Vaga Lume encontrou uma oportunidade para valorizar ainda mais o universo dos livros, divulgando a lista dos títulos mais queridos pelas crianças que frequentam as bibliotecas da rede na Amazônia.
O levantamento é fruto de uma pesquisa anual que analisa mais de 45 indicadores — desde a quantidade de leitores atendidos até as histórias por trás de cada empréstimo — além de aspectos como estrutura das bibliotecas, engajamento dos voluntários, mediações de leitura, atividades culturais, encontros virtuais e a satisfação das comunidades com o acervo.
“O que descobrimos em nossas visitas é um universo leitor vibrante, repleto de crianças e jovens que só precisam de acesso aos livros para se tornarem grandes leitores. Não por acaso, em 2024 nossas bibliotecas registraram 52.727 empréstimos”, afirma Felipe Cincinato, coordenador de Comunicação da Vaga Lume.
Entre os dez livros favoritos estão: A árvore Generosa, de Shel Silverstein (Companhia das Letrinhas); Bruxa, Bruxa, venha à minha festa, de Arden Druce (Brinque-Book); Chapeuzinho Vermelho, de Charles Perrault (Companhia das Letrinhas); Diário de um Banana, de Jeff Kinney (VR Editora); Gildo, de Silvana Rando (Brinque-Book);O Grande Rabanete, de Tatiana Belinky (Moderna Literatura);O Grúfalo, de Julia Donaldson (Brinque-Book); O Menino Baleia, de Lulu Lima (Mil Caramiolas); O Sapo Bocarrão, de Keith Faulkner (Companhia das Letrinhas); e Vai embora, Grande Monstro Verde!, de Ed Emberley (Brinque-Book).
Essas obras revelam a diversidade literária que compõe os acervos da Vaga Lume, resultado de uma curadoria anual que privilegia diferentes autorias, formatos, narrativas e experiências de leitura. Cada título traz um encantamento único: O Sapo Bocarrão, por exemplo, surpreende com imagens em 3D que saltam das páginas e despertam risadas; já O Menino Baleia, de Lulu Lima, convida o leitor a mergulhar no universo sensível de Roger, um menino autista que aprende a lidar com o mundo por meio da metáfora de uma baleia que habita dentro de si.
Desde 2001, a Vaga Lume constrói pontes entre livros e crianças na Amazônia Legal. Hoje, está presente em 23 municípios, com 97 bibliotecas comunitárias em funcionamento. Ao longo dessa jornada, já foram doados 195 mil livros e formados mais de 6 mil mediadores de leitura — voluntários que transformam o momento da leitura em encontros de afeto e descobertas. Esse trabalho já impactou a vida de mais de 111 mil crianças e jovens. Em 2025, a rede cresceu ainda mais com a inauguração de três bibliotecas em Uarini (AM) e outras duas em Barreirinhas (MA), ampliando o alcance das histórias que inspiram sonhos e futuros.
Como conclui Cincinato: “o acesso ao livro e à leitura é também acesso à cidadania e a futuros possíveis. Através da literatura, descobrimos novos mundos, mas também reconhecemos e aprofundamos nossas raízes. Por isso é tão importante incentivar a leitura desde cedo e valorizar as culturas locais do Brasil, ampliando o contato das crianças com a diversidade de temas, narrativas e autores que refletem quem somos como sociedade.”
Mediação de leitura durante a implantação da nova biblioteca em Axipicá, Oriximiná (PA). Foto: Vaga Lume
Sobre a Vaga Lume
Criada em 2001, a Vaga Lume está presente em 23 municípios da Amazônia Legal com 97 bibliotecas comunitárias em funcionamento. Em 2025 foram construídas cinco novas bibliotecas, sendo três em Uarini (AM) e duas em Barreirinhas (MA). Desde de sua fundação, já doou 195 mil livros e formou mais de 6 mil mediadores de leitura, voluntários que leem para as crianças, trabalho esse que já impactou a vida de 111 mil crianças e jovens. O seu propósito é empoderar crianças e jovens de comunidades rurais da Amazônia por meio da leitura e da gestão de bibliotecas comunitárias, promovendo intercâmbios culturais com a leitura, a escrita e a oralidade para ajudar a formar pessoas mais engajadas na transformação de suas realidades.
Selo de Direitos Humanos e Diversidade
Em 2024, a Associação Vaga Lume recebeu, pela terceira vez, o Selo de Direitos Humanos e Diversidade da Prefeitura de São Paulo. Em 2023, foi eleita pela terceira vez, sendo duas consecutivas, como a Melhor ONG de Educação do Brasil pelo Prêmio Melhores ONGs do Instituto Doar. No mesmo ano foi contemplada pelo novo prêmio United Earth Amazônia, na categoria ESG, da sigla em inglês Environmental, Social, and Corporate Governance (Ambiental, Social e Governança) e, também, foi uma das organizações selecionadas em todo o mundo para receber uma doação da filantropa MacKenzie Scott. Em 2022 foi vencedora do Prêmio Jabuti na categoria Fomento à Leitura.
O Círio de Nazaré, uma das maiores celebrações de fé na Amazônia, acontece neste domingo (12), e, em Macapá (AP), os fiéis que não puderem acompanhar presencialmente, poderão vivenciar a fé por meio da transmissão do projeto Círio na Rede, da Fundação Rede Amazônica (FRAM).
A procissão, que homenageia Nossa Senhora de Nazaré, será transmitida a partir das 6h (horário de Brasília), em TV aberta pelo canal Amazon Sat para os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia e Roraima. Além disso, os fiéis também podem acompanhar o evento pelo Portal Amazônia e pelo G1 Amapá.
Segundo o coordenador do Amazon Sat, Lemmos Ribeiro, o projeto com transmissão do Círio de Macapá destaca que a grandiosidade da celebração na Amazônia é de suma importância para a cultura.
“Transmitir esse evento é uma oportunidade única de preservar e divulgar uma das mais belas expressões de fé e tradição da nossa região. A fé no Círio está profundamente ligada à nossa identidade e à nossa linha editorial. Para muitos, essa transmissão também é uma chance de reviver a tradição, especialmente para aqueles que estão distantes de sua cidade natal”, afirma.
Iniciativas com os fiéis
Além da transmissão, o Círio na Rede lança uma série de iniciativas para ampliar a participação dos fiéis e garantir acessibilidade e sustentabilidade durante a celebração.
As doações podem ser trocadas por brindes promocionais com a marca do Círio na Rede, como forma de incentivar a solidariedade e beneficiar famílias em situação de vulnerabilidade.
O evento contará também com um espaço exclusivo e adaptado para para pessoas com deficiência (PCDs) na missa do evento, realizada na Praça Santuário de Fátima. A estrutura contará com equipe de apoio, garantindo conforto, segurança e participação plena para todos os fiéis.
O projeto também prevê distribuição gratuita de água ao longo do percurso da procissão, ações de coleta seletiva de resíduos e campanhas educativas em diferentes plataformas.
O Círio de Nazaré em Macapá é considerado um dos maiores eventos religiosos da Amazônia, reunindo cerca de 250 mil fiéis todos os anos.
A celebração ocorre sempre no segundo domingo de outubro, e inclui missas, procissões e apresentações culturais que expressam a devoção e a fé dos devotos de Nazaré.
Mãe e filha se uniram para criar um espaço diferente, mas mantendo a identidade acreana — Foto: Hellen Monteiro/g1 AC
Com a ideia de transformar a experiência de saborear a comida regional, mãe e filha se uniram para criar um espaço diferente, mas mantendo a identidade acreana. Utilizando a temática indígena, desde às louças até à customização do espaço, Beatriz Castro, de 27 anos, e a mãe Anny Castro montaram seu próprio negócio e realizaram o sonho de empreender no ramo alimentício.
Tudo começou na pandemia, quando a mãe, que trabalhava como gerente de recursos humanos, saiu da empresa onde era empregada. A partir de então, a filha Beatriz e a companheira de Anny começaram a incentivá-la a fazer a rabada para vender. Em resumo, uma entrou com o tempero e a outra com o investimento.
Caldinho no tucupi já era conhecido pelos acreanos que frequentam eventos públicos — Foto: Hellen Monteiro/g1 AC
“A princípio, pensamos em outro ramo, mas com a pandemia ficou inviável. Como eu já conhecia a rabada dela, achava gostosa e eu sou chata para comida, comecei a incentivá-la e falei para ela fazer e vender que ia dar super certo”, contou Beatriz.
Em 2021, a mãe decidiu seguir o conselho da filha e, junto com a companheira, fazer sua famosa rabada para vender através do sistema de delivery. A primeira fase do empreendimento durou dois anos.
“Mas eu tinha muito problema com entregador. Era muito difícil achar funcionário responsável nessa época e, depois de dois anos, a gente teve a ideia de levar o caldo para um carnaval. Vimos que deu super certo e decidi fechar o delivery para começar a levar o carrinho a diversos eventos”, relatou Anny.
Do delivery ao carrinho
Com a empreitada das empreendedoras, elas decidiram fechar o delivery e levar o carrinho com o caldo a diversos eventos, entre Expoacre, festa junina, carnaval, festas privadas e comemorações de final de ano.
Um item do cardápio que é um dos mais vendidos são os bolinhos de macaxeira com rabo bovino e vem acompanhados de maionese criada por mãe e filha — Foto: Hellen Monteiro/g1 AC
“Era só rabada, aquele caldinho, que é nosso carro-chefe e todo mundo gostava. No começo, a gente só tinha um carrinho e agora temos três. Agora, mesmo com o espaço que temos, não vamos parar de levar o caldo para os eventos da cidade”, pontuou a mãe.
A filha, que deu a ideia inicial, preferiu dar apenas apoio moral no início, mas sempre teve a vontade de empreender em algo. Vendo o sucesso da mãe, a advogada conversou com o marido e os dois decidiram investir no negócio e reestruturar o empreendimento.
“As pessoas gostavam e procuravam um ponto, muita gente no pós-pandemia começou a querer sair, porque ficou muito tempo no isolamento, e a minha mãe tinha essa vontade de ter um espaço. Como a gente tinha a curiosidade de empreender, eu convidei ela: ‘vem com seu tempero e seus clientes que eu entro com o espaço’“, contou ela.
Do carrinho ao local próprio, com outras novidades
O caldinho no tucupi por si só já tem fama. Mas, para abrir um local, as duas não queriam que o espaço servisse apenas rabada e tacacá, como já ocorre em outros estabelecimentos locais.
“O caldinho muita gente já conhecia, mas para os outros pratos, nós fomos buscar a inspiração em Manaus, para conhecer um pouco mais da cultura nortista. A gente não queria que o cardápio ficasse simples. Queríamos implantar umas novidades. Algumas nós criamos, e outras nós buscamos a inspiração de outros lugares”, relatou Beatriz.
Mãe e filha se uniram para criar um espaço diferente, mas mantendo a identidade acreana — Foto: Hellen Monteiro/g1 AC
Uma das inovações trazidas pelas duas é um prato que não é comum no estado, mas que faz sucesso na capital amazonense: o açaí com peixe “Tem gente que gosta, tem gente que se assusta, porque o açaí é picante mas continua sendo doce. Então aqui já está no subconsciente que o açaí é um sobremesa e é doce. Tem muita gente que acha massa [sic.], e que também é de Manaus e vem aqui só comer esse prato. Tem dado super certo também”, comemorou ela.
Outro item do cardápio e que é um dos mais vendidos, segundo as empreendedoras, é o bolinho de macaxeira com recheio de rabo, que é uma releitura da rabada e utiliza a macaxeira, que é muito consumida na região.
“Nós quem inventamos e fizemos essa combinação. Os bolinhos são muito pedidos e muita gente não sai daqui sem experimentar. Também criamos uma ‘maionese fake’ para acompanhar. Isto porque ela [a maionese] não vai óleo, achamos que pesava muito. A maionese tradicional vai muito óleo e nessa, nós fizemos com o jambu”, mencionou Beatriz.
Sobre os produtos a base de tucupi, que tem um sabor muito presente nas receitas, Anny contou que, inicialmente, aprendeu a fazer sozinha a rabada que era sucesso entre amigos e família.
“Até hoje eu me pergunto como foi que eu aprendi a fazer essa rabada. Só sei que foi no dia a dia mesmo, fazendo para mim. A gente ia fazer uma festinha, eu ia e fazia a rabada e todo mundo gostava. Diziam: ”Nossa, que gostoso, que delícia essa rabada’. Aí fui experimentando, mudando minha própria forma de fazer e aprimorando até chegar como é servida hoje”, relembrou.
Ambiente mais personalizado
Dentro do restaurante, para ambientar à temática indígena, mãe e filha decidiram decorar e pintar com grafismos próprios utilizados pela cultura dos povos tradicionais e com a imagem de uma indígena e suas araras.
Até mesmo a louça é feita de cabaça e cerâmica, toda produzida por um oleiro local. Na parede, há também um cocar produzido por um artista acreano.
Mãe e filha se uniram para criar um espaço mantendo a identidade acreana
As duas decidiram que a temática homenageada seria a indígena por conta dos ingredientes utilizados na rabada e no tacacá, que são, em sua maioria, vindas dos povos originários.
“A gente queria uma coisa mais personalizada, então a nossa escolha foi por algo mais artesanal. Em relação às cuias e esses copinhos, buscamos artistas que fizessem com a cabaça. Encontramos em Manaus e pedimos tudo de lá. Cada grafismo desse tem um significado e escolhemos esses para compor parte da decoração”, pontuou.
Cabaça é um fruto seco da planta da cuieira, muito comum no Brasil, utilizado há séculos como recipiente para água, alimento ou na produção de artesanato.
Futuro
Sobre os próximos passos, as empresárias contam que pretendem ampliar o negócio que, segundo elas, ainda é pequeno, com menos de 10 mesas “Agora os clientes dizem que o local é pequeno e aconchegante, e sentimos isso também, mas o plano é ter um local maior, talvez outros pontos. No futuro, queremos fazer um ambiente com brinquedoteca para os pais levarem suas crianças”, revelou Beatriz.
A advogada pontuou que trabalhar entre mãe e filha é desafiador, porém acredita que o negócio só tende a crescer “A convivência intensa entre família e trabalho gera um pouco de estresse. Mas aos poucos, a gente aprende a estabelecer limites e tem dado certo”, afirmou a advogada.
A nova versão da CCAL (Calculadora de carbono) consegue fornecer dados. Foto: Sara Leal/IPAM
A nova versão da CCAL (Calculadora de carbono) consegue fornecer dados que apoiam a implementação de programas jurisdicionais de créditos de carbono e na otimização de processos judiciais por dano climático. A plataforma é um mecanismo gratuito que calcula os estoques de carbono presentes na vegetação brasileira.
O apoio a programas jurisdicionais de carbono é feito por meio da produção de relatórios com dados regionais. Esses programas são realizados por governos federais e estaduais, possibilitando o financiamento da proteção de florestas, ao vender o carbono capturado e armazenado na vegetação por meio do mecanismo de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal).
Pesquisa avalia impacto das mudanças climáticas na mortalidade de árvores e emissão de carbono. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC
“O CCAL fornece o que o mercado de crédito exige: dados com robustez e integridade climática a partir de uma redução comprovadamente atingida das emissões, promovendo transparência ao dado, uma vez que ele é facilmente acessível pela plataforma. Além de ser alinhado com os dados oficiais do governo federal informados à UNFCCC [Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas]”, indicou Gabriela Savian, diretora de Políticas Públicas do IPAM, em sua participação no painel sobre MRV (Mensuração Relato e Verificação).
Já a contribuição em processos judiciais de responsabilização por crimes ambientais se dá por meio da determinação da indenização de processos decorrentes do desmatamento ilegal. Calcula-se o valor monetário do impacto climático, também chamado de dano climático, que é estabelecido de acordo com a quantidade de carbono perdido na supressão vegetal, medida pela CCAL. O carbono perdido é precificado seguindo o valor da tonelada determinado pelo Fundo da Amazônia.
“A floresta é diferente de um acidente automobilístico em que você paga o reparo e, na semana que vem, seu carro está pronto de novo — talvez ela demore 30 anos para chegar na sua condição de biodiversidade original. Durante todo esse período em que ela não estiver atuando, por exemplo, para a regulação do clima, o desmatamento vai estar contribuindo para o agravamento das mudanças climáticas”, pontuou Ana Carolina Bragança, procuradora da República, ao defender a ampliação da incorporação do dano climático à reparação de danos ambientais.
Oficina de introdução à plataforma foi realizada durante o evento. Foto: Nikole Cantoara/IPAM
Lançada há dez anos, a CCAL foi criada para apoiar o monitoramento das políticas climáticas do país, que tem 46% de suas emissões de gases de efeito estufa provocadas pelo desmatamento, conforme dados do SEEG (Sistema de Estimativa de Gases de Efeito Estufa).
“O interessante da CCAL é que ela reúne, em uma plataforma, todas as informações que os pesquisadores precisam ao monitorar os estoques de carbono. É possível ver o fluxo do elemento, onde aconteceram os eventos de desmatamento e degradação. Tudo isso de forma acessível, gerando estatísticas e relatórios de maneira flexível para o usuário.”