Trecho da rua Oeste está sendo implantado 360 metros de sistema de drenagem. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Os moradores do Conjunto Cruviana, no bairro Jardim Equatorial, comemoram a chegada das máquinas que vão resolver o 41º ponto crítico de alagamento da cidade. A Prefeitura de Boa Vista iniciou a implantação de 360 metros de sistema de drenagem em um trecho da rua Oeste, garantindo mais segurança e qualidade de vida para quem vive na região.
De acordo com o secretário municipal de Conservação Pública, Daniel Lima, a obra começou nesta semana entre a rua Cardeais e avenida Manoel Aniceto, com a instalação de manilhas de 800 milímetros para melhorar o escoamento da água da chuva durante o inverno.
“Esse ponto crítico sempre trouxe muitos transtornos, porque a água da chuva chegava a invadir as casas. Agora, essa realidade está mudando. Estamos realizando uma obra importante de drenagem e, em cerca de três semanas, vamos concluir o serviço. É um sistema moderno, pensado para dar dignidade às famílias e valorizar os imóveis da região”, disse o secretário.
“Ver essa placa de obra nos dá a certeza de que não vamos mais nos preocupar com rua alagada”, disse a comerciante Nara Letícia. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Obra da prefeitura vão acabar com alagamentos na rua Oeste
A comerciante Nara Letícia de Souza, 38 anos, moradora do bairro desde 2012, comemorou a iniciativa: “Ver essa placa de obra nos dá a certeza de que não vamos mais nos preocupar com rua alagada. Estamos felizes porque esse trabalho vem acontecendo em vários pontos da cidade”, destacou.
A dona de casa Jane Lúcia, também celebrou a chegada da obra. Foto: Diane Sampaio/PMBV
A dona de casa Jane Lúcia Alves, 65 anos, uma das moradoras mais antigas do bairro, também celebrou a chegada da obra. “É muito importante esse trabalho que a prefeitura vem fazendo pela população. É um serviço essencial que vai melhorar bastante nossa rua”, disse a dona de casa.
Quem também comemorou as melhorias de infraestrutura no Conjunto Cruviana foi o morador Paulo Rogério Lima, 42 anos: “Essa obra vai melhorar muito a nossa qualidade de vida, porque vai nos livrar dos alagamentos que enfrentávamos”, destacou.
A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) reafirmou o compromisso com a proteção e a promoção dos direitos de crianças e adolescentes ao aprovar, durante Sessão Ordinária do sia 21 de outubro, doze Projetos de Lei (PLs) voltados a esse público. As proposições evidenciam a prioridade da Casa Legislativa em tratar de temas sociais sensíveis e estruturantes.
“As aprovações refletem o esforço da Aleam em garantir que a legislação estadual esteja alinhada aos princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), promovendo inclusão, saúde, segurança e bem-estar para as crianças e os jovens amazonenses”, destacou o presidente da Aleam, deputado Roberto Cidade (União Brasil).
Entre as matérias aprovadas, destaca-se o PL nº 816/2025, de autoria do Poder Executivo, que trata da reorganização do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Amazonas. A proposta busca fortalecer a estrutura institucional responsável por formular e acompanhar políticas públicas voltadas à infância e juventude.
Também foi aprovado o PL nº 785/2024, de autoria do deputado Rozenha (PMB), que estabelece diretrizes para o enfrentamento à violência contra a mulher na primeira infância, ampliando a rede de proteção desde os primeiros anos de vida.
Já o deputado Cabo Maciel (PL) teve aprovado o PL nº 135/2025, que cria o Selo Escolar de Proteção Integral à Criança e ao Adolescente – Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e Crimes contra a Dignidade Sexual.
A deputada Débora Menezes (PL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes da Aleam, também contribuiu com a pauta ao apresentar o PL nº 163/2025, que institui medidas de conscientização contra o abandono afetivo e material de crianças e adolescentes.
“O cuidado e a responsabilização compartilhada pela vida dos filhos impõem não apenas o amparo material, mas também a manutenção de vínculos afetivos, indispensáveis ao desenvolvimento da personalidade da criança”, ressaltou Débora Menezes.
Segundo ela, ao conscientizar pais e responsáveis, busca-se promover uma mudança de cultura nas relações familiares, especialmente nos casos de separação, reforçando que a criação e a educação dos filhos são deveres de ambos os pais.
De autoria da mesma parlamentar, foram aprovados ainda o PL nº 165/2025, que garante o atendimento completo e imediato a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, e o PL nº 300/2025, que institui a Semana Estadual de Conscientização sobre o Uso Responsável da Inteligência Artificial por Crianças e Jovens.
Por fim, o PL nº 424/2025, de autoria do deputado Felipe Souza (PRD), foi aprovado com o objetivo de assegurar o direito de estudantes com doença celíaca levarem seus próprios alimentos às instituições de ensino públicas ou privadas.
“Negar aos estudantes celíacos a possibilidade de levar seus próprios alimentos para a escola os expõe a riscos significativos à saúde, além de poder gerar constrangimento e exclusão social”, afirmou Felipe Souza. Ele explicou que muitas escolas não têm condições de oferecer refeições totalmente livres de glúten, o que torna essencial que as famílias possam fornecer os alimentos adequados.
Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas
O Teatro Amazonas, inaugurado em 1896 em Manaus (AM), representa um dos mais imponentes marcos do ciclo da borracha na Amazônia. Sua construção, em plena efervescência econômica do final do século XIX, marcou a transformação da capital amazonense de uma pequena vila em uma cidade moderna, inserida nos padrões arquitetônicos e culturais europeus.
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O salão nobre, conhecido por sua rica decoração e simbolismo, tornou-se o coração do teatro e o ponto máximo de sociabilidade da elite amazonense.
As festas, recepções e saraus realizados ali representavam não apenas momentos de lazer, mas rituais de exibição do refinamento e do poder econômico daqueles que enriqueceram com o látex.
Foi nesse contexto que surgiram os painéis decorativos do salão nobre do Teatro Amazonas.
Os painéis do salão nobre distinguem-se de toda a iconografia do teatro. Diferentemente das alegorias mitológicas e motivos clássicos predominantes nas outras áreas do edifício, essas obras destacam a natureza amazônica, apresentando paisagens exuberantes, rios, aves, flores e animais regionais.
A representação da floresta e das águas, domesticadas pela estética europeia, revela um esforço de aproximar a imagem da Amazônia ao ideal de civilização e modernidade do século XIX projetado principalmente pela Europa.
O projeto decorativo foi coordenado pelo artista Crispim do Amaral, responsável pela ornamentação interna do teatro, que convidou o pintor italiano Domenico De Angelis para conceber as pinturas. O contrato previa a confecção de onze painéis pintados a têmpera sobre linho, imitando tapeçarias. As obras foram produzidas em Roma, na Itália, e posteriormente instaladas nas paredes do salão nobre, seguindo um detalhado programa iconográfico aprovado pelo Governo do Amazonas na época.
As telas apresentam títulos atribuídos pelo público ao longo dos anos, como Borboletas Azuis, A Ponte, As Garças, O Crepúsculo e Pescaria no Amazonas. Cada uma delas retrata um aspecto da paisagem amazônica, emoldurada por “falsas molduras” que criam o efeito de janelas abertas para o cenário destes painéis. O conjunto promove uma visão idealizada da região — uma Amazônia pacífica, fértil e luminosa, sem os elementos considerados “adversos” ou selvagens, reforçando o discurso de uma natureza dócil e produtiva.
Natureza e civilização: os painéis decorativos do Salão Nobre do Teatro Amazonas
Os painéis do Salão Nobre do Teatro Amazonas foram tema do artigo ‘Natureza e civilização: os painéis decorativos do Salão Nobre do Teatro Amazonas’, de Ana Maria Lima Daou, da UFRJ, publicado no periódico História, Ciências, Saúde – Manguinhos (Casa de Oswaldo Cruz), em 2007.
Segundo a antropóloga, os painéis expressam a tentativa da elite de conciliar natureza e civilização. As representações da flora e da fauna locais são tratadas sob a perspectiva romântica europeia, na qual a paisagem é símbolo de identidade e progresso.
Essa estética aproxima-se da tradição científica e artística do século XIX, marcada pelas descrições de viajantes e naturalistas que viam na Amazônia uma fonte de inspiração e conhecimento.
As pinturas refletem também o pensamento da época, influenciado por ideias positivistas e românticas que valorizavam a natureza como elemento de identidade nacional. Nelas, rios largos, florestas verdes e o céu equatorial formam um cenário harmônico, que simboliza o equilíbrio entre o homem civilizado e o ambiente tropical.
A ausência de indígenas e a presença de figuras idealizadas, como o casal Ceci e Peri — personagens inspirados na ópera O Guarani, de Carlos Gomes — reforçam a ideia de uma natureza transformada e integrada ao projeto de civilização.
Obra Ceci e Peri no salão nobre do Teatro Amazonas. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Entre os painéis mais emblemáticos está o Painel do Vapor, que representa um navio a vapor navegando pelas águas amazônicas. A cena, segundo Ana Maria, simboliza o progresso, o comércio e a abertura do rio Amazonas à navegação internacional em 1867, evento crucial para o desenvolvimento econômico da região.
“O motivo registrado no painel denominado pelo gosto do público de ‘painel do vapor’ celebra um dos maiores anseios daquela sociedade em meados do século XIX, qual seja, a abertura do Amazonas à navegação internacional, questão primordial para a recém criada província, cuja capital situava-se a 1.500km do porto atlântico, solucionada em 1867. O fechamento do rio estava em desacordo com os ideais liberais e tendências da época, e sua abertura significava claramente a aproximação desejável com as nações civilizadas, o estímulo ao comércio e às trocas promotoras do progresso e da comunhão entre os povos”, pontua a autora no artigo.
Porém, as demais pinturas de De Angelis não se limitam à estética decorativa. Elas cumprem também uma função simbólica e política: projetar uma imagem positiva da Amazônia diante do olhar europeu.
Em um período em que relatos sobre doenças tropicais e isolamento afastavam imigrantes e investidores, os painéis funcionavam como propaganda visual de uma terra rica e promissora. A arte, portanto, atuava como instrumento de construção da identidade regional e de inserção da Amazônia no imaginário nacional.
Painéis são apenas um dos elementos pensados para o Teatro
A inauguração oficial do salão nobre, em 1901, consolidou o Teatro Amazonas como centro da vida social e política da capital. Os eventos realizados no espaço reuniam autoridades, empresários e artistas, e eram retratados pela imprensa local como celebrações da modernidade. Assim, as paredes, adornadas pelas pinturas de De Angelis, criavam um ambiente que unia o esplendor europeu à exuberância tropical.
Durante as noites de gala, os espelhos do salão multiplicavam as imagens das pinturas e dos convidados, criando a ilusão de continuidade entre a natureza representada e o público presente. Vasos com palmeiras e plantas ornamentais reforçavam a ambientação, transformando o espaço em uma síntese entre arte e realidade. O salão tornava-se, então, no palco de um duplo espetáculo: o de uma visão da natureza amazônica eternizada nas telas e o da elite que celebrava seu poder em meio a esse cenário.
Mais de um século após sua inauguração, os painéis do Salão Nobre do Teatro Amazonas continuam sendo objeto de estudo e admiração. Suas imagens condensam o espírito de uma época e representam, ao mesmo tempo, a idealização da Amazônia e a tentativa de traduzi-la segundo os padrões europeus de beleza e progresso.
Abordando o contexto quilombola na organização dos Jogos Quilombolas de Jacarequara, no município do Acará (PA), os estudantes do curso de Educação Física da Universidade Federal do Pará (UFPA), Ronald Oliveira de Souza e Jamilly Ferreira Moreira, venceram o Prêmio de Literatura Científica do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE) na categoria ‘Movimentos Sociais’.
Sob o tema ‘Jogos Quilombolas do Baixo Acará no Pará: História, Práticas Corporais e Resistência’, os discentes abordaram a memória e as histórias daqueles que vivenciaram a realização.
O artigo produzido pelos discentes tem o objetivo de pesquisar os jogos quilombolas que ocorrem no território de Jacarequara, que conta com, aproximadamente, 13 comunidades, investigando quando eles começaram a ser realizados, o movimento de criação, as pessoas que estiveram à frente da iniciativa, como funcionam, como ocorre a participação das comunidades nos jogos, as práticas corporais presentes nos jogos e qual o sentido dos jogos para essas comunidades.
Para tanto, os discentes investigaram os jogos com base nos relatos dos integrantes mais velhos das comunidades São José, Trindade 1 e 3 e Monte Alegre.
“A gente buscou valorizar a oralidade das pessoas mais velhas, que deram origem aos jogos, e, com base nesses relatos, a gente conseguiu adentrar em outros temas importantes, inclusive a participação feminina dentro dos jogos e também como os jogos são um movimento de resistência dentro do território e como ele mobiliza toda uma coletividade das pessoas que fazem parte”, aponta Ronald de Souza, sobre o desenvolvimento da pesquisa.
A pesquisa mostrou que os jogos, que já estão presentes há 13 anos no território, funcionam como um espaço de resistência. Eles demonstram toda a coletividade de um povo que, historicamente, é marginalizado e que enfrenta diversos problemas na sociedade atual, como o racismo.
Esse momento dos jogos serve, ainda, como uma maneira de confraternização, que vai além de uma competição, em que todas as comunidades estão alinhadas ao pensamento de que os jogos quilombolas são uma atividade importante para o território.
De quilombolas para quilombolas
Para as comunidades, os jogos são considerados como um feriado em todo o território e, para os estudantes, poder pesquisá-lo é uma forma de contribuição com o território, uma vez que ambos participam dos jogos desde criança.
“Receber o Prêmio de Literatura Científica graças a um trabalho que está em minha realidade e tem grande significado foi uma experiência que ficou marcada por um profundo sentimento de gratidão. Esse reconhecimento representa não apenas a valorização de uma tradição em comunidades quilombolas do Jacarequara no baixo Acará, mas também o resultado de um percurso construído com dedicação, esforço e compromisso com a produção do conhecimento sobre os jogos quilombolas. É gratificante perceber que a pesquisa desenvolvida alcançou relevância e pôde contribuir, de forma significativa, para o campo científico e minha vida acadêmica”, declara Jamilly Moreira.
A premiação ocorreu no dia 6 de setembro, durante o 14° Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte (Conbrace), que é associado ao Congresso Internacional de Ciências do Esporte (Conice), realizado em São Paulo. Além dos estudantes, a professora e orientadora do trabalho, Joselene Mota, também esteve presente na cerimônia.
“A relevância dessa relação universidade-comunidade é grande, porque aí está, mais do que nunca, materializada a ideia do saber que vem da população e que vem de populações tradicionais, com o saber científico. Tudo somado dá um resultado como este trabalho, que é um espelho pra gente, por ser uma referência dessa autoorganização de valorização do tempo livre”, ressaltou a professora Joselene Mota sobre a importância da pesquisa.
Pela primeira vez, o canal Amazon Sat retransmite o 26º Eco Festival do Peixe-Boi de Novo Airão. A disputa entre os peixes-boi Anavilhanas e Jaú acontece no dia 1º de novembro, às 21h, e terá transmissão da TV Encontro das Águas e que agora ganha o reforço do canal que é “a cara e a voz da Amazônia”.
Com a novidade, o público poderá acompanhar o duelo que protagoniza o evento amazonense através do canal Amazon Sat, em cinco estados da região Norte: Amazonas (44.1), Amapá (29.1), Rondônia (22.1), Roraima (23.1) e Acre (31.1). Além disso, o Portal Amazônia também retransmitirá o evento.
O coordenador de conteúdo do Amazon Sat, Lemmos Ribeiro, explica que a iniciativa faz parte da parceria inédita firmada entre o canal e o Sistema Encontro das Águas do Amazonas – Rádio e Televisão, para troca de conteúdos jornalísticos e cobertura de eventos realizados na região amazônica.
“A transmissão do 26º Eco Festival do Peixe-Boi 2025 marca o início da parceria entre o Amazon Sat e a TV Encontro das Águas. O canal vai levar o festival a um público que nunca teve a oportunidade de assisti-lo, especialmente àqueles que não podem vivenciar o evento de perto. É sobre conectar pessoas e compartilhar a Amazônia”, afirmou o coordenador.
Ribeiro destacou também a importância de transmitir esse tipo de evento regional, considerado fundamental para o cenário cultural, artístico e econômico de Novo Airão e anunciou novidades.
“Além da transmissão do festival, nosso time está preparando diversos conteúdos diretamente de Novo Airão, que vão além da celebração. O foco será mostrar a cidade, as pessoas, o turismo e a economia da região. Falar sobre a cultura amazônica e a biodiversidade faz parte do nosso DNA, e fazemos isso com muito orgulho”, frisou.
Fotos: Divulgação/Instagram-@anavilhanasmeupeixeboi e @jaushow_
Programação
Além da disputa dos “peixes-boi” Anavilhanas e Jaú, o evento de Novo Airão terá a presença de atrações locais e nacionais.
Na sexta-feira (31), o grupo Pique Novo e Délcio Luiz abrem a programação do festival com samba e pagode, além da apresentação da Escola de Samba Aparecida, de Manaus. Mikael, Pagode NTDZ e DJ Evandro serão as atrações locais.
O sábado (1º) terá Jerry Smith no palco com seus sucessos de funk, enquanto a Praça Municipal recebe uma roda de samba com SambaAirão, Dani Sá e Banda Caboclo. Laila Abreu, Banda Meu Xodó e os DJs Alba e Bernardino completam, à noite, o segundo dia de atrações musicais do festival.
Já no domingo (2), Uendel Pinheiro, Jéssica Lima e Guto Lima comandam as apresentações locais, e o encerramento do festival fica por conta de Klessinha.
Além dos espetáculos musicais e culturais, o festival também sediará a 2ª Feira de Agronegócios de Novo Airão (Expoairão 2025) e a Feira do Empreendedor Especial, reunindo expositores de segmentos como artesanato, roupas, acessórios, móveis, floricultura e papelaria.
Declarado como patrimônio cultural de natureza imaterial do Amazonas, o Eco Festival do Peixe-boi de Novo Airão foi criado em 1989 e se tornou uma manifestação cultural que une rivalidade cultural e a importância da preservação ambiental no município.
De um lado, o Grêmio Recreativo Folclórico e Cultural Peixe-boi Anavilhanas e o Grêmio Recreativo Folclórico e Cultural Peixe-boi Jaú numa apresentação cheia de cores, ritmos e danças cênicas. Do outro, a luta pela defesa das áreas de conservação do município: o Parque Nacional do Jaú e a Estação Ecológica de Anavilhanas.
Atual campeão, o peixe-boi Jaú vai em busca do 12º título, enquanto que o Peixe-boi Anavilhanas tenta levantar o 10º troféu de sua história.
Javali é considerado espécie invasora no Brasil. Foto: Reprodução/ICMBio
Roraima tem registrado aumento na presença de javalis, espécie invasora que preocupa autoridades e produtores rurais. A estimativa é que ao menos 20 mil animais estejam espalhados pelos municípios de Amajari, Cantá, Bonfim, Alto Alegre e Boa Vista, conforme a Agência de Defesa Agropecuária do estado (Aderr).
Os municípios monitorados pela Aderr são regiões de lavrado onde há forte produção de milho e soja. De acordo com a Agência, cerca de 15 grandes produtores rurais pediram ajuda para lidar com os javalis. Há, ainda, registros em propriedades menores.
Além da presença de javalis, também é registrado no estado “javaporcos” — mistura entre o javalis e porcos domésticos — que também afetam a produção e trazem riscos.
Os javalis são porcos selvagens originários da Europa e Ásia. Ele é considerados espécie exótica invasora no Brasil, pois não são nativos e causam impactos ambientais, agrícolas e sanitários ao se reproduzirem rapidamente e competirem com animais silvestres.
De acordo com a Aderr, os javalis possuem alta capacidade reprodutiva e podem gerar duas ninhadas por ano, com até dez filhotes em cada.
A espécie, de acordo com a Aderr, foi introduzida ilegalmente em várias regiões do país. Em Roraima, a chegada ocorreu por volta de 2012, quando alguns animais escaparam de criadouros particulares e cruzaram com porcos domésticos, originando os chamados javaporcos, ainda mais resistentes e destrutivos.
”Peste suína clássica”
Uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR), nesta quarta-feira (29), discutiu maneiras de controlar a população de javalis. O encontro reuniu representantes do Ministério da Agricultura (Mapa), Aderr, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e produtores rurais.
De acordo com o chefe do Programa de Sanidade Suína da Aderr, Murilo Roberto Borges, esses animais são onívoros, se adaptam facilmente e podem transmitir doenças aos humanos como peste suína clássica, peste suína africana, febre aftosa, doença de Aujeszky, brucelose, leptospirose e até raiva.
Segundo ele, os javalis têm hábitos noturnos, se deslocam por grandes áreas e possuem alta taxa reprodutiva, o que facilita a rápida expansão populacional e dificulta o controle e vigilância da espécie.
“Com o crescimento da agricultura e o aumento da oferta de alimento, essa população tende a se multiplicar ainda mais. O lavrado oferece condições ideais, com buritizais e igarapés que favorecem a reprodução”, explicou Borges.
A pesquisadora Virgínia Silva, especialista em suínos e aves da Embrapa, também apresentou um panorama sobre os riscos da espécie invasora. Ela destaca que o javali está entre as 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo, e que o Brasil já registra ocorrências em mais de 10 mil municípios.
Ela defendeu que o controle e a vigilância da espécie precisam de abordagem multidisciplinar, com envolvimento de diferentes órgãos e apoio da sociedade.
“O objetivo do manejo adaptativo do javali é o controle da espécie, reconhecida nacionalmente como nociva, e não a caça recreativa”, ressaltou Virgínia em um dos slides apresentados.
Segundo a pesquisadora, o Ibama reconhece o javali como espécie nociva e permite o abate controlado, sob autorização e registro.
“O manejo deve ser incorporado aos protocolos de biossegurança da pecuária, sempre com observância das questões sanitárias e éticas”, explicou.
Para o biólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rogério Fonseca, o problema se agrava pela ausência de uma política pública consistente para lidar com espécies invasoras.
“Desde 2006 existe uma política de fauna silvestre no Brasil, mas ela está engavetada. Se tivesse sido aplicada, já teríamos uma base legal e técnica para conter o avanço dos javalis”, afirmou.
Fonseca também destacou que o controle dos javalis é essencial para proteger a economia agropecuária e a saúde pública.
“O serviço dos controladores é vital para evitar perdas econômicas e o risco de disseminação de doenças. Ignorar o problema é colocar em risco a pecuária e até a segurança alimentar do país”, completou.
O deputado Armando Neto (PL), que presidiu a audiência, afirmou que o avanço dos javalis precisa ser contido com urgência.
“Precisamos entender o avanço dessas populações nas áreas agrícolas e discutir medidas que garantam a segurança da nossa produção, da sanidade animal e da saúde humana. Essa discussão é essencial para prevenir um problema maior”, destacou o parlamentar.
“Em uma noite, conseguem destruir uma plantação inteira”
O produtor rural Smith Rodrigues, de 34 anos, acompanhava a audiência pública. Ele relatou que os animais têm provocado destruição de lavouras e ataques a criações, especialmente em áreas próximas aos plantios de grãos — inclusive as dele.
“Eles aparecem em bando e, em uma noite, conseguem destruir uma plantação inteira de milho ou mandioca. O prejuízo é muito grande e está ficando insustentável para o produtor”, afirmou Smith.
Ele planta milho, mandioca e soja e relatou que o problema se agravou nos últimos anos, com o aumento da presença desses animais nas zonas rurais do estado.
“A gente tenta cercar, espantar, mas nada resolve. Esses bichos são muito fortes e se multiplicam rápido. O produtor está sem apoio e sem orientação sobre o que pode fazer”.
“Enquanto não houver um plano de manejo claro e apoio técnico, o prejuízo vai continuar recaindo sobre quem produz. A gente quer apenas poder trabalhar em paz e proteger nossas lavouras”, disse Smith.
O cruzamento com porcos domésticos torna os javaporcos ainda mais resistentes e adaptáveis, capazes de sobreviver em diferentes ambientes — do lavrado às margens de rios e áreas agrícolas.
O controle populacional, segundo a Aderr, deve seguir protocolos rígidos, com autorização para abate técnico, captura ou monitoramento, além de registro dos avistamentos em sistemas oficiais.
Escola Municipal Juslany de Souza Flores foi premiada em segundo lugar na campanha nacional. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV
Escola Municipal Juslany de Souza Flores foi premiada em segundo lugar na Campanha Nacional de Incentivo à Criação das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes, Doenças e Violências nas Escolas (CIPA Escolar) em 2024 no critério “Boas Práticas mais inovadoras”. A cerimônia de premiação ocorreu na quadra da unidade, localizada no Jardim Tropical.
Incentivado pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), a escola foi uma das 111 instituições municipais cadastradas a submeter um projeto. Segundo o coordenador pedagógico, Marcelo Dias, foram desenvolvidas práticas educativas que envolvem segurança, primeiros socorros e saúde mental, que integrou alunos e professora para promover o bem-estar no ambiente escolar.
Projeto envolve prevenção de acidentes escolares, preservação do patrimônio, o combate ao bullying, o bem-estar da comunidade escolar e a prevenção de riscos. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV
“O projeto não trata apenas da prevenção de acidentes escolares, mas também envolve outras questões como a preservação do patrimônio, o combate ao bullying, o bem-estar da comunidade escolar e a prevenção de riscos. Com as crianças foi feito um mapeamento das principais necessidades da escola, considerando os critérios da CIPA”, disse o coordenador pedagógico.
Além do segundo lugar nacional, a escola conquistou o primeiro lugar estadual na CIPA. Dentre os prêmios, a escola recebeu 1 notebook que será usado pela gestão e alunos para as atividades relacionadas ao projeto. Para o gestor, Sóstenes Almeida, ganhar a campanha foi uma satisfação.
“Essa conquista nos trouxe uma grande satisfação, pois mostra que estamos no caminho certo”, disse gestor. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV
“Nosso objetivo sempre foi promover o bem-estar e o desenvolvimento educacional e psicológico dos alunos, fortalecendo um ambiente escolar mais seguro e acolhedor. Essa conquista foi uma surpresa que nos trouxe uma grande satisfação, pois mostra que estamos no caminho certo”, disse.
Durante o projeto foram eleitos alunos líderes que atuaram ativamente em conjunto com os mais 1.400 estudantes, com o objetivo de cooperar com a melhoria no ambiente escolar e a vivência dos colegas. A estudante do sexto ano, Ivina Freitas, 12 anos, foi eleita aluna líder. Para ela, foi gratificante participar e ajudar a proteger os seus colegas.
“Foi bom perceber que a nossa opinião era ouvida”, disse a aluna Ivina Freitas. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV
“Eu me senti muito feliz por ter sido escolhida, porque aprendi muita coisa com o projeto e também senti que estava ajudando a escola. Foi bom perceber que a nossa opinião era ouvida”, disse.
A CIPA Escolar
A Campanha Nacional de Incentivo à Criação das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes, Doenças e Violências nas Escolas (CIPA Escolar) tem como objetivo disseminar o conhecimento sobre a importância da prevenção, sensibilizando estudantes, educadores e responsáveis pela implementação dessas comissões.
A iniciativa busca ampliar o número de instituições que adotam a CIPA Escolar, composta principalmente por alunos, trabalhadores e responsáveis legais nas escolas de educação infantil. Essas comissões desempenham um papel contínuo e vital em ações de conscientização e prevenção de acidentes, doenças e violência no ambiente escolar.
Igapó do médio Rio Negro, no Arquipélago de Mariuá. Foto: Jochen Schöngart
Em artigo publicado publicado no periódico internacional Geomorphology, pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em parceria com uma pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), abordam o Arquipélago de Mariuá, no Rio Negro, o maior sistema de ilhas fluviais do mundo e que engloba extensa floresta de igapó.
No texto, os cientistas alertam que a estabilidade desse ecossistema tem sido deteriorada devido a eventos climáticos extremos, como ciclos irregulares de chuvas e elevação da temperatura.
A equipe de pesquisadores é composta por Matheus Silveira de Queiroz, Rogério Ribeiro Marinho, José Alberto Lima de Carvalho e Camila Fuziel Silva. Esse trabalho demonstra a capacidade da ciência produzida na Amazônia para gerar dados cruciais para a compreensão e a defesa de um dos biomas mais vitais do planeta, fornecendo a base técnica necessária para debates ambientais de impacto global.
O artigo científico aborda Mariuá como “uma paisagem fluvial em não equilíbrio permanente que vinha se mantendo morfologicamente estável por cerca de mil anos”. Todavia, os pesquisadores chegaram à conclusão de que tal estabilidade histórica foi afetada por uma série de “eventos hidrológicos extremos”.
A análise dos processos fluviais ao longo de uma década revelou uma mudança acentuada na morfologia hidrológica daquela região. No período entre 2014 e 2024, houve um aumento significativo na intensidade dos processos de erosão e de deposição de sedimentos ao longo do arquipélago, indicando que o sistema está se aproximando de um “limiar de estabilidade”. O texto afirma, por exemplo, que a taxa de erosão naquele sistema aumentou 33%, ao passo que o percentual de deposição cresceu 83% no mesmo período.
Conforme os pesquisadores, a causa principal dessa aceleração é a influência das mudanças climáticas e a intensificação dos eventos hidrológicos extremos. Segundo o texto, episódios cada vez mais comuns de cheias ou de secas “históricas” na bacia do Rio Negro, e que vêm ocorrendo com mais frequência nas últimas quatro décadas, têm relação com anomalias na temperatura dos oceanos.
A chamada Oscilação Sul-El Niño (ENOS) é o padrão climático do Pacífico equatorial, e ele envolve a interação entre a temperatura do mar (na superfície) e a pressão atmosférica. Na prática, há uma alternância entre esses ciclos de dois a sete anos, a qual é composta por uma fase quente, o El-Niño, e uma fase fria, a La Niña.
Historicamente esses fenômenos influenciam a estabilidade dos sistemas hidrológicos ao longo da região alcançada. No entanto, uma alteração significativa tanto nos padrões de chuva quanto nos picos de temperatura do planeta – ambos relacionados ao aquecimento global – acaba potencializando os processos de erosão e de sedimentação no Arquipélago de Mariuá.
Cenário irreversível para o igapó?
O arquipélago, considerado uma “maravilha geomorfológica do mundo” pelos especialistas, é um sistema complexo e capaz de sustentar uma vasta biodiversidade. O estudo alerta que a perda do equilíbrio delicado terá potencial para desencadear transformações morfológicas irreversíveis nessa paisagem particular da região amazônica.
A intensificação das cheias, por exemplo, eleva a pressão hidrostática (a pressão atmosférica exercida sobre um determinado volume de água), permitindo que os sedimentos sejam depositados nas baixadas e nos lagos da camada que é conhecida como “planície de inundação”.
Trata-se de uma área que era historicamente “incompleta”, ou seja, isso significa que ela vinha apresentando uma espécie de déficit de sedimentos há aproximadamente um milênio.
Porém, os pesquisadores descobriram que a intensidade do processo de sedimentação ocorrida ali nos últimos dez anos pode reativar o preenchimento dessa planície muito rapidamente.
A partir dos achados dessa investigação, os pesquisadores argumentam que é urgente a inclusão da geomorfologia fluvial no conjunto das políticas de mitigação e de adaptação às consequências das mudanças climáticas. No caso do Mariuá, o artigo concluiu que um equilíbrio ecossistêmico centenário já vem se transformando há mais de uma década devido à instabilidade climática e aos eventos hidrológicos extremos com impactos naquela região.
O estudo serve ainda para fazer coro e dar visibilidade à urgência de se monitorar ecossistemas amazônicos sui generis como esse. Seus resultados podem fundamentar cientificamente a ação das instâncias decisórias, das locais às globais. De modo particular, a divulgação dos achados também pode pressionar a adoção de medidas protetivas a esse sistema fluvial nos seus aspectos ecológico e hidrogeomorfológico, convocando à ação.
A pacarana (Dinomys branickii) é um verdadeiro “fóssil vivo” da megafauna pré-histórica e é o último sobrevivente de uma linhagem de roedores gigantes sul-americanos, da família Dinomyidae. A espécie é considerada o terceiro maior roedor do mundo.
Com um corpo robusto, a espécie mede até 80 centímetros e pode pesar até 15 kg. A pacarana tem uma cauda curta e pés com cinco dedos adaptados para caminhar em terrenos montanhosos.
A espécie apresenta pelagem marrom-escura com manchas e listras brancas, hábitos terrestres e uma alimentação herbívora (frutos, sementes, folhas e caules).
Pacarana vista no horário noturno. Foto: Reprodução/WWF Brasil
A pacarana habita a região amazônica e os Andes, principalmente regiões com baixo teor populacional. Ela tende a ocupar áreas de floresta densa, preferencialmente próximas a encostas e cursos d’água.
A equipe do Portal Amazônia conversou com a bióloga e gerente do Parque Ambiental Chico Mendes em Rio Branco (AC), Joseline Guimarães, para conhecer mais sobre a espécie:
1. Comunicação sutil, mas variada
Segundo Joseline, a pacarana emite sons suaves, como ronronados, e pequenas batidas com os dentes, que servem para interação social entre elas. Mesmo com aparência discreta, ela demonstra comportamentos complexos e emocionais, algo que só se percebe com observação paciente, o que inclui os sons.
2. É uma espécie observadora e inteligente
Em cativeiro e nas raras observações noturnas em campo, segundo a pesquisadora, a pacarana costuma se aproximar lentamente de objetos ou pessoas, farejando e avaliando o ambiente com atenção. Esse comportamento mostra inteligência espacial e memória, pois ela segue trilhas fixas, lembrando o caminho exato até sua toca, um padrão de inteligência bem desenvolvido para um roedor.
3. Manipula sua alimentação
De acordo com a bióloga, diferente de outros roedores grandes, ela se senta sobre as patas traseiras e segura o alimento com as dianteiras, muitas vezes usando apenas uma delas. Esse comportamento refinado é extremamente raro e revela uma coordenação motora delicada, quase ‘manual’, “que surpreende pela elegância e precisão”.
4. Possui sua taxa de reprodução reduzida
Diferente de outros roedores, a pacarana apresenta taxa reprodutiva reduzida, com ninhadas pequenas (geralmente dois filhotes) e longos intervalos entre as gestações. Isso contribui para populações naturalmente pequenas, dificultando ainda mais encontros com indivíduos na natureza.
5. É um animal noturno
Esta espécie é essencialmente noturna, permanecendo ativa principalmente ao anoitecer e durante a madrugada. Durante o dia, costuma abrigar-se em tocas, fendas rochosas ou troncos ocos, o que limita sua visibilidade para observadores e pesquisadores.
A pacarana também é conhecida como “paca de rabo”. Foto: Joseline Guimarães/Acervo pessoal
A sobrevivência da pacarana
A pacarana, conforme a lista da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) – que mede o grau de risco de extinção de vários animais – é classificada como “vulnerável”.
Esse fato é consequência do desmatamento e da presença humana no ambiente onde habita a espécie. A pacarana depende de florestas densas, úmidas e bem conservadas, com abundância de vegetação rasteira, frutos e abrigos naturais (troncos ou fendas rochosas).
O avanço do desmatamento na Amazônia (causado por expansão agropecuária, abertura de estradas e ocupações humanas) tem levado à redução e fragmentação desses habitats, isolando as populações remanescentes.
Além disso, a pacarana é sensível a ruídos, luzes artificiais e movimentação humana, o que faz ela evitar áreas perto de estradas. Em regiões rurais, pode ser caçada por subsistência ou por curiosidade. A alteração de cursos d’água, queimadas e o uso de pesticidas também degradam seu ambiente e reduzem a disponibilidade de recursos alimentares.
Joseline Guimarães afirma que a pacarana é uma espécie cheia de mistérios e precisa de muita atenção para observá-la.
“A pacarana é um mistério vivo da floresta amazônica: tímida, graciosa e cheia de nuances. Cada novo registro nos mostra que ainda conhecemos muito pouco sobre sua ecologia e comportamento, e reforça a importância de preservar seu habitat e os fragmentos florestais onde ela resiste”, conclui a bióloga.
*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
Estudo inédito no Amapá em floresta fornecerá dados para a Nasa. Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP
Uma pesquisa realizada no Bioparque da Amazônia, em Macapá (AP), está utilizando sensores instalados no solo e em árvores para medir o fluxo de água que chega até a atmosfera. A instalação dos equipamentos começou no dia 27 de outubro.
O estudo é desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Universidade do Estado do Amapá (Ueap), e busca entender como áreas de floresta se comportam após o manejo sustentável.
O objetivo é demonstrar que a exploração controlada de madeira não interfere nos serviços ecossistêmicos das plantas, como o ciclo da água e o ciclo do carbono. Ao Grupo Rede Amazônica, o pesquisador Perseu Aparício, da Ueap, explicou a importância da pesquisa.
“A troca de água entre a floresta e a atmosfera desempenha um papel fundamental no clima e nos efeitos das mudanças climáticas. Além disso, é valorizar os serviços ecossistêmicos que a floresta presta à sociedade, indo além da exploração madeireira, demonstrando a importância da floresta amazônica para o mundo”, conta.
Medição do volume de água é realizado pela primeira vez em floresta urbana
Essa é a primeira vez que o estudo ocorre em floresta urbana. Desde agosto de 2024, a pesquisa analisa as árvores da Floresta Nacional do Amapá (Fona). Os sensores funcionam por energia solar e de forma contínua, coletando dados sobre a movimentação da água dentro das árvores e a liberação para a atmosfera.
A instalação é feita diretamente no tronco das plantas e no solo, sem causar danos à vegetação. O projeto deve durar cerca de um ano, gerando dados inéditos sobre o comportamento da floresta.
Segundo o pesquisador Dr. Niro Higuchi, o estudo pode ter impacto direto no dia a dia ao ajudar a compreender como a floresta contribui para o equilíbrio climático de Macapá e para a manutenção da umidade do ar.
“A medição da transpiração é crucial para compreender o papel da árvore na troca entre a floresta e a atmosfera. Assim, podemos entender o papel da floresta Amazônica no contexto das mudanças climáticas e como isso afeta o povo que vive aqui”, afirmou o pesquisador.
Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP
Os dados coletados também serão utilizados para entender o ciclo da água e do carbono. Os sensores medem a velocidade e a temperatura do líquido dentro das árvores. A partir disso, é possível calcular o volume de água lançado no ar.