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Amazonas é o primeiro estado do Brasil com 100% de acesso à TV pública gratuita

Foto: Renate Köppel por Pixabay

Com mais de 4,3 milhões de habitantes, o Amazonas é o primeiro estado do Brasil a ter 100% dos seus 62 municípios com acesso aos canais públicos de forma gratuita e com imagem digital de qualidade. Durante agenda em Manaus (AM), no dia 29 de abril, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, participou da cerimônia de inauguração de estações de TV digital em 10 municípios, que celebrou a universalização do sinal.

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O evento também contou com a presença do conselheiro diretor da Anatel, Octavio Pieranti; do diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), David Butter; e do presidente do Sistema Encontro das Águas (TV e Rádio), Oswaldo Lopes.

O ministro Frederico de Siqueira Filho ressaltou que levar a comunicação pública ao estado do Amazonas foi prioridade, diante dos desafios logísticos e territoriais.

“Só o Governo do Brasil pode fazer com que a gente consiga chegar a 100% dos municípios do estado. Foi priorizado o recurso para que conseguíssemos fortalecer a infraestrutura, não só da comunicação pública, mas também da infraestrutura digital, para melhorar a comunicação como um todo no estado do Amazonas”, reforçou.

Segundo o ministro, levar investimentos para o interior do Brasil é diferente das grandes capitais. “Esse é o propósito do Ministério das Comunicações e do governo do presidente Lula: fazer com que a comunicação e a infraestrutura digital cheguem aos cantos e recantos do Brasil. E a gente sabe que a radiodifusão é a forma mais séria de fazer jornalismo e comunicar o Brasil”, ressaltou Frederico de Siqueira Filho.

“O Amazonas tem uma geografia específica, que impôs desafios logísticos, mas conseguimos superá-los. Essa iniciativa só é possível graças ao programa Brasil Digital, que é crucial para a comunicação pública viver a maior expansão da história”, ressaltou o conselheiro diretor da Anatel, Octavio Pieranti.

Durante agenda no Amazonas, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, celebrou o avanço na democratização do acesso à informação, educação, saúde e cidadania.
Foto: Peter Neylon/MCom

Acesso nos 62 municípios do Amazonas

Esta entrega do Ministério das Comunicações reforça que o Brasil avança com consistência, levando desenvolvimento, informação e oportunidade onde antes não chegavam.

“Vamos continuar a expandir a infraestrutura digital, fortalecer a comunicação pública e garantir que a conectividade chegue a todos os brasileiros, respeitando as particularidades de cada região e atendendo às aspirações da população”, reiterou o ministro das Comunicações.

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Emocionado, o presidente do Sistema Encontro das Águas (TV e Rádio), Oswaldo Lopes, afirmou que este é um momento histórico para o estado. “O Amazonas, a partir de hoje, tem o sinal aberto nos 62 municípios. Isso é resultado de muito trabalho conjunto para deixar o Brasil, o Amazonas, assistindo ao sistema público de comunicação”, destacou.

Para o diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), David Butter, esta entrega não é apenas um feito técnico, mas uma conquista política, social e federativa. “A EBC tem muito orgulho de fazer parte deste processo, porque expandir o sinal significa também ampliar direitos, garantir acesso à informação de qualidade, fortalecer a cidadania, a educação, a cultura, a transparência pública e a integração nacional”, defendeu.

Todas as ações e o impacto direto na população amazonense integram o programa Brasil Digital, coordenado pelo MCom e implementado em parceria com a Anatel. Além dos conteúdos educativos e culturais da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), que inclui a TV Brasil e a TV Encontro das Águas, o Canal Gov, o Canal Educação e o Canal Saúde, a população passará a contar também com a multiprogramação da Rede Legislativa (TV Câmara, TV Senado e TV Assembleia).

Para a universalização do sinal no Amazonas, Pieranti destacou que foram necessárias 24 balsas, que transportaram 10 torres desmontadas, 20 transmissores, mais de 1 quilômetro de linha de transmissão e diversos equipamentos, pesando cerca de 10 toneladas, ao longo de mais de 4 mil quilômetros navegados.

Com o sinal universalizado da Rede Nacional de Comunicação Pública em todo o estado, qualquer pessoa com uma televisão e uma antena comum consegue sintonizar os novos canais. O telespectador não precisa de internet, cabo ou pagar mensalidade. Antes da universalização, moradores de cidades pequenas ou isoladas do Amazonas ficavam sem acesso aos canais públicos na TV aberta.

*Com informações do Ministério das Comunicações

Pará lidera produção de cacau no Brasil e concentra mais de 50% da riqueza do setor

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Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

O Pará consolidou-se como o principal eixo da cacauicultura brasileira, superando a participação histórica da Bahia. Segundo o estudo ‘O Contexto Ambiental e Econômico do Cacau 2026’, publicado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), o Estado agora responde por 50,6% do valor total da produção nacional. O momento é de forte dinamismo: entre 2023 e 2024, o valor real da produção no País saltou 208,3%, impulsionado pela valorização dos preços e pela eficiência das lavouras paraenses.

Em termos de volume, o Pará também assumiu a dianteira, sendo responsável por 46,2% da produção nacional em 2024 (cerca de 300 mil toneladas), enquanto a Bahia concentrou 46,1%. O desempenho é puxado por municípios como Medicilândia, Uruará e Placas, na Região de Integração do Xingu, considerados os principais municípios produtores da fruta, com destaque nas primeiras posições do ranking da produção cacaueira no País.

A produção apresenta trajetória de expansão estrutural, especialmente, quando considerada a evolução da participação nacional e do valor gerado, observando também ganhos de produtividade no longo prazo. 

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O diretor de Estudos e Pesquisas da Fapespa, Márcio Ponte, destaca a mudança de protagonismo: “Para se ter ideia, quando se fala de cacau, muitas das vezes a referência nacional é a Bahia. Só que o Pará já superou a Bahia no volume de produção. Hoje, nós somos responsáveis por 46,2% da produção, enquanto a Bahia é responsável por 46,1% da produção. Mas, em se tratando da riqueza gerada pela atividade o cacau e cultura, o Pará representa mais de 50% da riqueza produzida em território nacional”, pontuou.

Exportações e mercado internacional

O cacau paraense também ganhou o mundo. Em 2025, as exportações de amêndoas brutas cresceram impressionantes 281,7%. O Japão consolidou-se como o maior comprador, absorvendo 94,6% do total exportado pelo Estado. Além do volume, a qualidade reflete no preço: o cacau do Pará atingiu a marca de US$ 12,0/kg no mercado externo, valor superior à média nacional de US$ 10,3/kg.

cacau
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Sustentabilidade e reflorestamento

Para além da economia, a cultura do cacau tem papel estratégico na agenda climática. O estudo revela que a área reflorestada com a espécie no Pará saltou de 38 mil para 165 mil hectares entre 2000 e 2024. Esse avanço permitiu que a captura de CO₂ pelo cultivo chegasse a 19,8 mil toneladas anuais.

Leia também: Origem amazônica do cacau é comprovada por meio de DNA e revela forte rede de comércio pré-colombiana

Com esses indicativos, o cacau consolidou-se como uma atividade estratégica para o desenvolvimento regional paraense, com uma produção em expansão, ganhos de produtividade e crescente inserção nos fluxos comerciais. O Estado tornou-se a principal referência da cacauicultura brasileira, com uma participação crescente na produção e no valor gerado no contexto nacional.

*Por Manuela Oliveira, da Fapespa

Você sabia que as abelhas “dançam” para se comunicar?

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Foto: Emersom Martins/Sepror AM

Além de essenciais para a manutenção da vida no planeta, as abelhas tem um complexo sistema de organização e  diferentes formas de comunicação entre si e que variam de acordo com as espécies. 

Para orientar outras abelhas campeiras sobre localização de alimentos, elas… “dançam”. “Já outras fazem movimentos com as asas e algumas fazem algum tipo de barulho”, explica a agrônoma Wilza Pinto, pesquisadora da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

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Segundo a pesquisadora, essa são estratégias de comunicação importantes para a sobrevivência das espécies e das colônias.

“Com esses movimentos, elas transmitem informações entre si sobre onde estão as fontes de alimento, incluindo a disponibilidade, a localização exata e o cheiro”, diz. 

A coreografia e os movimentos conseguem transmitir com exatidão a localização. “Funciona como se fosse um gps”, diz Wilza Pinto.

Treme! Treme!

A pesquisadora explica que as espécies com ferrão Apis mellifera fazem movimentos circulares para informar para o restante de suas companheiras de ninho a localização da fonte de alimento.

“Já as abelhas sem ferrão, ou nativas podem se comunicar por meio de vibrações, assim como a Apis mellifera também faz. Elas literalmente fazem um treme-treme. Quanto mais intensa a vibração, maior a qualidade do alimento”.

abelhas
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

E ainda há um terceiro grupo, conhecidas como mamangavas-de-chão, que produzem sons para transmitir informações.

Leia também: Estudo estimula criação de abelhas sem ferrão na Amazônia

Preservação das abelhas

Essas pequenas dançarinas são essenciais para a vida no planeta. Estima-se que mais de 90% das plantas com flores dependem de polinizadores animais. Esses polinizadores estão distribuídos em 250 espécies, destes 87% são abelhas.

Wilza Pinto alerta que algumas espécies vegetais somente as abelhas polinizam. E que a relação entre esses insetos e as flores é de mutualismo, ou seja, ambas as espécies se beneficiam da interação.

“É importante preservar a vegetação primeiro para que as abelhas tenham condições de sobrevivência e vice-versa já que existe mutualismo na relação. Preservar o meio ambiente significa preservar todos os seres nele presente”.

*Com informações da Universidade Federal Rural da Amazônia

Projeto do Amapá avança em pesquisa com nanomateriais de aplicação ambiental

Proposta coordenada por Robert Saraiva Matos recebe nota máxima no LNNano/CNPEM e será executada em 2026. Foto: Divulgação/Unifap

A Universidade Federal do Amapá (Unifap) teve uma proposta de pesquisa aprovada no Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Intitulado ‘Precursor-Driven Defect-Morphology Interplay in Eco-Friendly CeO2 Nanostructures‘, o projeto é coordenado pelo professor Robert Saraiva Matos e foi aceito para execução no período de junho a julho de 2026. Na avaliação final, a proposta recebeu nota máxima: 5.

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A pesquisa investiga nanoestruturas de dióxido de cério (CeO₂), um material estratégico para aplicações industriais e ambientais. Em termos mais simples, a pesquisa busca compreender como a “química dos precursores” (ou seja, das substâncias usadas na etapa inicial da síntese) influencia a forma das nanopartículas, a presença de defeitos cristalinos e o estado químico do cério no material.

Esses fatores são decisivos porque controlam o desempenho catalítico e fotocatalítico do CeO₂, especialmente em processos ligados à degradação de poluentes.

Leia também: Nanopartículas: café verde possui potencial nas indústrias cosmética e alimentícia, aponta pesquisa de Mato Grosso

A proposta prevê o uso de técnicas avançadas de microscopia eletrônica, como HRTEM, SAED, STEM-EDS e EELS, capazes de revelar detalhes em escala nanométrica e até atômica. Com isso, será possível confirmar a evolução morfológica das partículas, identificar defeitos como deslocações e falhas cristalinas, além de mapear variações locais na razão Ce4+/Ce3+, aspecto central para entender a reatividade do material.

Pesquisa sustentável

O objetivo final é construir um modelo que conecte estrutura, defeitos e função, estabelecendo bases para o desenvolvimento de catalisadores mais eficientes e sustentáveis.

“Essa aprovação no LNNano/CNPEM é muito importante porque permitirá investigar, em escala nanométrica e atômica, aspectos que não conseguimos observar com as técnicas convencionais já utilizadas no laboratório. Nosso foco é entender como a síntese ecológica do CeO₂ influencia sua estrutura interna e, consequentemente, seu desempenho em aplicações ambientais, especialmente na degradação de poluentes. É um passo relevante para consolidar pesquisas de alto nível na UNIFAP e ampliar a inserção da universidade em redes nacionais de infraestrutura científica avançada”, explica o professor.

Projeto do Amapá avança em pesquisa com nanomateriais de aplicação ambiental
Foto: Reprodução/LNnano

Resultados preliminares já indicam que pequenas mudanças nas condições de síntese podem produzir diferenças importantes no desempenho fotocatalítico. Entre as amostras analisadas no projeto, uma delas atingiu 97% de degradação de azul de metileno em 270 minutos, superando outras formulações estudadas. Isso reforça a relevância de investigar, com maior precisão, como vacâncias de oxigênio, deformações locais da rede cristalina e exposição de facetas específicas influenciam a eficiência do material.

No parecer final, o comitê de avaliação destacou que a proposta apresenta escopo claro, boa fundamentação científica, objetivos consistentes e alinhamento com o estado da arte. Também ressaltou que a abordagem integrada por microscopia eletrônica é promissora para elucidar a relação entre química do precursor, morfologia, defeitos cristalinos e funcionalidade catalítica, considerando o projeto cientificamente sólido e tecnicamente viável.

“Além do avanço científico, a aprovação representa uma oportunidade importante de fortalecimento da pesquisa em materiais na UNIFAP, ao viabilizar acesso a infraestrutura de alta complexidade e formação técnica em microscopia eletrônica avançada”, disse o pesquisador.

O projeto conta ainda com a colaboração do professor Nilson dos Santos Ferreira, da Universidade Federal de Sergipe.

*Com informações da Unifap

Primeiro trimestre de 2026 fecha com queda de 17% no desmatamento da Amazônia

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Foto: Reprodução/Greenpeace

O primeiro trimestre de 2026 fechou com queda de 17% no desmatamento da Amazônia. Conforme dados do instituto de pesquisa Imazon, a derrubada da floresta entre janeiro e março passou de 419 km² no ano passado para 348 km² neste ano, o que representa uma diferença de aproximadamente 7 mil campos de futebol.

Além disso, no acumulado do chamado “calendário do desmatamento”, período que por causa do regime de chuvas na Amazônia vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, a redução na derrubada da floresta está ainda maior.

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Nos oito primeiros meses do calendário, entre agosto de 2025 e março de 2026, o desmatamento caiu 36%, passando de  2.296 km² para 1.460 km², a menor área destruída no período dos últimos oito anos, desde 2017.

Primeiro trimestre de 2026 fecha com queda de 17% no desmatamento da Amazônia

Apesar das quedas no trimestre e no calendário, o mês de março apresentou um aumento de 17% no desmatamento, passando de 167 km² em 2025 para 196 km² em 2026. Segundo a pesquisadora do Imazon Larissa Amorim, o dado exige atenção nos próximos meses. “Esse aumento pontual serve de alerta para que governos intensifiquem ainda mais suas ações de combate à derrubada ilegal, com fiscalização e punição aos responsáveis. Além disso, também é importante fortalecer iniciativas de bioeconomia e de geração de renda com a floresta em pé, além de destinar áreas ainda sem uso definido para a conservação”, destaca.

O pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr. ainda destaca que a derrubada da floresta contribui diretamente para o agravamento das mudanças climáticas, seja pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa ou pela perda da biodiversidade. “Além disso, o desmatamento contribui para o agravamento das mudanças climáticas. Conter a derrubada da Amazônia é uma forma direta de reduzir esses impactos”, explica.

APA Triunfo do Xingu foi a unidade de conservação mais desmatada

No recorte do calendário do desmatamento, Mato Grosso, Roraima e Pará lideram a devastação florestal. Além disso, Roraima foi o único estado a registrar elevação nos números quando comparado com o período anterior, passando de 184 km² para 222 km², uma variação de 21%. 

EstadoAgosto de 2024 a Março de 2025Agosto de 2025 a Março de 2026Variação (%)
Mato Grosso433270-38%
Roraima18422221%
Pará892425-52%
Amazonas335219-35%
Maranhão6056-7%
Rondônia9469-27%
Acre282193-32%
Tocantins93-67%
Amapá74-43%

Já entre os dez municípios com maior área afetada, três estão no Acre,enquanto dois se localizam em Mato Grosso, dois no Pará, outros dois em Roraima e um no Amazonas. 

Município UF Desmatamento entre agosto de 2025 a março de 2026 (km²) 
Caracaraí RR 84,09 
Feijó AC 43,49 
Rorainópolis RR 42,38 
Colniza MT 38,52 
São Félix do Xingu PA 37,29 
Tarauacá AC 32,28 
Nova Ubiratã MT 32,26 
Rio Branco AC 26,07 
Portel PA 23,28 
CanutamaAM22,79

No caso das Unidades de Conservação, a distribuição também evidencia concentração territorial: quatro estão situadas no Acre e outras quatro total ou parcialmente no Pará. O principal destaque é a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, localizada em São Félix do Xingu, que ocupa a primeira posição no ranking e, sozinha, concentra uma área equivalente à perda de mais de três mil campos de futebol. A unidade responde por mais de 95% da área desmatada dentro do município, que aparece como o quinto mais desmatado da Amazônia no período, entre agosto de 2025 e março de 2026.

Segundo a pesquisadora do Imazon Manoela Athaide, a concentração em territórios específicos reforça a necessidade de ações direcionadas. “A dinâmica observada indica que é fundamental priorizar esforços nessas localidades mais pressionadas, com estratégias contínuas de fiscalização para conter o avanço da derrubada”, afirma.

Unidade de ConservaçãoUF Desmatamento entre agosto de 2025 e março de 2026 (km²) 
APA Triunfo do Xingu PA 35,52 
RESEX Chico Mendes AC 12,61 
FES do Rio Gregório AC 4,48 
RESEX Alto Juruá AC 4,14 
RESEX Guariba-Roosevelt MT 4,03 
RESEX Rio Preto-Jacundá RO 3,57 
FES do Paru PA/AP 3,54 
FES do Mogno AC 3,12 
APA das Reentrâncias Maranhenses PA/MA 2,42 
APA do Lago de Tucuruí PA 2,23 

Degradação florestal atinge menor nível em mais de uma década

A degradação florestal na Amazônia somou 11 km² em março de 2026, o que representa uma redução de 95% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O resultado também foi o menor já registrado para março nos últimos onze anos, desde 2014, indicando uma diminuição significativa desse tipo de impacto sobre a floresta.

Diferente do desmatamento, que corresponde à remoção total da cobertura vegetal, a degradação ocorre quando a floresta sofre danos parciais causados por fatores como queimadas e exploração madeireira. Mesmo sem a retirada completa da vegetação, essas alterações comprometem a integridade do ecossistema, reduzem a biodiversidade e aumentam a vulnerabilidade da área às mudanças climáticas e ao desmatamento.

Roraima concentrou 82% de toda a área degradada registrada em março de 2026, liderando esse tipo de ocorrência no período. Esse resultado pode estar associado às particularidades climáticas do estado: enquanto o início do ano costuma ser mais chuvoso em grande parte da região, em Roraima predomina uma estação mais seca, o que favorece o avanço de atividades que causam danos à floresta.

Essa redução acompanha também o calendário do desmatamento, onde caiu 93% quando comparada com o ciclo anterior. “A queda nos índices de degradação representa um sinal relevante de melhora, mas ocorre após um período crítico: de agosto de 2024 a julho de 2025 registramos o maior nível já observado na série histórica. Esse cenário reforça a necessidade de vigilância contínua para evitar que picos como esse voltem a se repetir e comprometam ainda mais a integridade da floresta”, observa Raissa Ferreira, pesquisadora do Imazon.

Clique aqui para ver os dados de março de 2026 
Clique aqui para ver todos os boletins de desmatamento e degradação

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Dira Paes recebe título de Doutora Honoris Causa da UFPA por valorização da identidade amazônica

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Foto: Reprodução/Instagram-dirapaes

A Universidade Federal do Pará (UFPA) realizará, no dia 7 de maio, a sessão solene de outorga do título de Doutora Honoris Causa à atriz, diretora e apresentadora paraense Dira Paes. A cerimônia é aberta à comunidade acadêmica e público em geral e ocorrerá a partir das 10h, no Centro de Eventos Benedito Nunes (CEBN), com transmissão ao vivo pelo canal da UFPA no YouTube.

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A concessão da honraria foi aprovada de forma unânime pelo Conselho Universitário (Consun), instância máxima deliberativa da UFPA.

Na proposta encaminhada pelo curso de Cinema e Audiovisual, da Faculdade de Artes Visuais (FAV), evidencia-se a relevância da trajetória da atriz nos âmbitos artístico e cultural, reconhecendo Dira Paes como agente comprometida com diversas questões que permeiam a contemporaneidade.

A artista construiu, ao longo de mais de quatro décadas, uma carreira de projeção nacional e internacional, com atuação no cinema, televisão e teatro.

Dira Paes recebe título de Doutora Honoris Causa da UFPA por valorização da identidade amazônica
Foto: Reprodução/Instagram-dirapaes

Dira Paes

Abaetetubense, Dira Paes é destaque por sua contribuição à valorização das identidades amazônicas e por sua atuação em defesa das populações tradicionais, da proteção ambiental e dos direitos humanos. Além disso, a presença da atriz em produções audiovisuais brasileiras tem contribuído para ampliar as representações da Amazônia, sobretudo ao quebrar os estereótipos relacionados à região.

A outorga do título também simboliza um marco na história da UFPA, ao reconhecer, pela primeira vez, uma profissional das artes cênicas com essa distinção. Tal legitimação reafirma o papel das artes como campo fundamental para a produção de saberes e reforça que, para além dos espaços acadêmicos formais, o conhecimento também se constrói a partir de múltiplas experiências, linguagens e práticas sociais. 

Leia também: Verdade “nua e crua”: 5 filmes que mostram a realidade da região amazônica

Doutor Honoris Causa 

O título de Doutor Honoris Causa constitui a mais alta distinção concedida pela Universidade Federal do Pará a personalidades que tenham se destacado por sua contribuição relevante à sociedade, à ciência, à cultura ou às artes. Prevista no Estatuto e outorgada pelo Consun, a honraria reconhece trajetórias que, mesmo fora do âmbito acadêmico tradicional, produzem impactos significativos na produção de conhecimentos. 

Na UFPA, a concessão do título remonta à década de 1960 e é atribuída a partir de criterioso processo de análise institucional, que envolve proposição de unidades acadêmicas, apreciação técnica e deliberação final nas instâncias superiores.

*Com informações da UFPA

“Muvuca de sementes”: técnica ancestral alia saber tradicional e ciência no Amazonas 

Iniciativa para reflorestamento faz parte do projeto ‘Floresta Olímpica do Brasil’ promovido pela COB e executado pelo Instituto Mamirauá. Foto: Tácio Melo

A técnica de reflorestamento conhecida como “muvuca de sementes” vem sendo aplicada pelo Instituto Mamirauá junto a ribeirinhos, em parceria com o Comitê Olímpico do Brasil (COB), no Amazonas. A equipe técnica afirma que o método tem se mostrado mais eficiente do que o plantio convencional por mudas neste projeto. A técnica consiste na mistura de diferentes espécies de sementes, lançadas diretamente no solo para promover a regeneração da floresta. 

A iniciativa ocorre em áreas degradadas da Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, localizada na Floresta Nacional de Tefé (Flona), a cerca de 30 quilômetros do município de Tefé. O projeto, que integra ações de restauração ambiental junto a populações tradicionais, deve seguir até 2030 com 6,3 hectares restaurados.  

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A gerente de Cultura e Valores Olímpicos do COB, Carolina Araújo, destaca a importância da iniciativa e da parceria: “Nestes dois anos, a Floresta Olímpica do Brasil vem amadurecendo como projeto de restauração e fortalecimento comunitário. Com o apoio técnico do Instituto Mamirauá, encontramos soluções adaptadas à Amazônia que unem ciência e tradição, provando que o esporte também pode inspirar sustentabilidade e impacto social”. 

A ação, além de contar com a participação direta dos moradores da comunidade junto ao Instituto Mamirauá, recebe visitas anuais do COB. Em 2025, os comunitários receberam treinamentos para a aplicação da técnica e deram início ao processo. 

Desde janeiro de 2026, cerca de 256 kg de sementes foram plantadas em 4 hectares de áreas degradadas da comunidade. Entre elas, estão espécies de crescimento rápido, como feijão de porco, feijão guandu, gergelim, crotalária, fedegoso e abóbora, que ajudam na cobertura do solo e na recuperação inicial da área. 

Também fazem parte da mistura espécies intermediárias, como embaúba, caju, urucum, maracujá, murici e pente de macaco, responsáveis por dar estrutura à vegetação, além de árvores de longo prazo, como jatobá, ipê amarelo, açaí, angelim, bacuri e buriti, entre outras espécies frutíferas. 

Segundo o analista de pesquisa e coordenador operacional da iniciativa, Jean Quadros, a muvuca de sementes se destaca por sua adaptação às condições da Amazônia.

“Para a realidade local, essa técnica é muito mais eficiente do que o plantio de mudas, pois o ambiente já oferece condições favoráveis à germinação. Com manejo adequado, as sementes se desenvolvem naturalmente”, explica. 

muvuca de sementes tefé amazonas
Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá

Leia também: Tecnologia acelera análise de sementes nativas na Amazônia

A aplicação da técnica também se dá por fatores geográficos e econômicos. “As sementes são muito mais fáceis de transportar, ocupam menos volume do que as mudas e praticamente não sofrem perdas durante o transporte. Além disso, a técnica é de fácil aplicação, não exige grande quantidade de mão de obra nem o uso de muitos materiais, o que a torna especialmente adequada à realidade da região”, afirma. 

Restauração que gera alimento e renda 

Para os comunitários envolvidos, a iniciativa aponta para um futuro mais sustentável. A expectativa é que, com o desenvolvimento das sementes plantadas, muitas delas de espécies frutíferas, as áreas restauradas passem a gerar alimentos, oportunidades e renda para a comunidade. 

Com o domínio da técnica os moradores também poderão replicar o método em outras áreas degradadas, ampliando os impactos da restauração no território. 

muvuca de sementes tefé amazonas
Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá

“Me sinto honrado em participar diretamente desse projeto. A gente aprende a trabalhar de uma forma diferente com a natureza, sem precisar destruir para tirar o sustento. Hoje sabemos que é possível plantar, conservar a floresta em pé e ainda garantir renda para a nossa comunidade”, afirma Silas Rodrigues, comunitário envolvido na iniciativa. 

Além de recuperar áreas degradadas, a iniciativa fortalece o cultivo de espécies adaptadas ao ambiente amazônico, amplia a diversidade florestal e valoriza o protagonismo das comunidades, integrando restauração ambiental, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável. 

Entenda como funciona a técnica “muvuca de sementes”  

O termo “muvuca” tem origem africana e remete à ideia de mistura. A prática de semear diferentes espécies ao mesmo tempo, no entanto, tem raízes em conhecimentos tradicionais de povos indígenas, que utilizavam o método para garantir a própria subsistência. 

A aplicação da muvuca de sementes começa com a preparação do solo, especialmente em áreas degradadas como antigos roçados. A vegetação existente é manejada e mantida como cobertura, ajudando a conservar a umidade e enriquecer o solo. Em seguida, a terra é revolvida para melhorar sua estrutura e fertilidade. 

muvuca de sementes tefé amazonas
Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá

Com o terreno pronto, a mistura de sementes nativas é distribuída e levemente coberta. Cada espécie germina no seu próprio tempo, em um processo que reproduz a dinâmica natural da floresta. 

Em comparação ao plantio por mudas, a técnica reduz custos, simplifica a logística e exige menos mão de obra. Além disso, as plantas tendem a desenvolver raízes mais profundas, tornando-se mais resistentes. 

O resultado é uma recuperação mais eficiente, com formação de florestas diversas, resilientes e adaptadas às condições amazônicas.  

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por Tácio Melo 

Quem foi Joaquim Teotônio Segurado? Português é conectado com a independência de Tocantins

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Joaquim Teotônio Segurado. Foto: Reprodução/Academia Tocantinense de Letras

Um português teve participação na separação do norte de Goiás, atual estado do Tocantins: Joaquim Teotônio Segurado, que formou-se em Leis e nasceu em Moura, província do Baixo Alentejo, no sul de Portugal, no ano de 1775.

Filho de José Gomes Segurado e de Anna Maria das Dores, naturais de Moura e Serpa, sul de Portugal, o Magistrado, em vida, foi nomeado em inúmeras titulações, tais como:

  • Juiz de Fora de Melgaço (Portugal) 1799);
  • Ouvidor Geral da Capitania de Goiás – 1803;
  • Desembargador da Relação do Rio de Janeiro- 1804;
  • Desembargador da Relação da Bahia (1808);
  • Primeiro ouvidor geral da recém-criada Comarca de São João das Duas Barras (1809);
  • Deputado junto às Cortes Portuguesas, pela Província de Goiás (1821) e pela província de São João da Palma (1821);
  • Desembargador da Relação do Porto (1824);
  • Desembargador da Casa de Suplicação do Reino (1826).

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Desde que assumiu o cargo de ouvidor de Goiás e apresentou as ‘Memórias para melhoria da capitania de Goiás (1809)’, Theotônio se instalou no norte da capitania e ocupou um espaço de poder que ia além do campo de atuação de um magistrado. E desde então, Joaquim criou vínculo com o atual estado tocantinense.

Foi encarregado pelo Governador de Goiás daquele período, Francisco de Assis Mascarenhas, de estabelecer medidas para melhorar a capitania, por meio da agropecuária e do comércio local. Também ficou na responsabilidade de promover a navegação do rio Tocantins, criar uma rota de correio que diminuísse distâncias e ligasse com o norte ao centro-sul da capitania e estabelecer o povoamento do norte e interligá-la comercialmente ao Pará.

Segundo a historiadora Kátia Maia Flores, o magistrado morreu em 1831, foi assassinado na fazenda Albano, na província de Goiás, de onde não saiu desde que retornou de Portugal, em 1823.

A então conhecida Avenida Teotônio Segurado vista da praça dos Girassóis. Foto: Saulocostathe / Wikipédia

Movimento separatista do norte de Goiás e a liderança de Teotônio

De acordo com Kátia Maia, o protagonismo de Teotônio foi a sua liderança nos movimentos separatistas de 1821, iniciado com sua eleição como deputado para representar Goiás nas cortes portuguesas.

“Foi quando, aproveitando-se do momento, das indefinições e das possibilidades surgidas com a convocação às cortes, Teotônio Segurado encontrou, no Norte, o terreno e os aliados oportunos para promover a autonomia do norte do governo de Goiás. O movimento pela autonomia do norte goiano, junto com a falta de unidade nacional e de diferentes interesses da província em jogo na época da independência e conduzido por um magistrado português aumentavam as possibilidades acenadas com as transformações que ocorriam do outro lado do atlântico após a Revolução do Porto”, explicou a pesquisadora.

O movimento foi um fracasso, já que a Corte Portuguesa não aceitou a separação do norte e a força militar designada por Goiás para combater os cidadãos que buscavam independência e restaurar a unidade da província, foram o suficiente para diminuir as expectativas do Desembargador e para alimentar um ressentimento na sociedade da época contra a atuação do magistrado português.

Essa revolta dos cidadãos contra Joaquim faz parte da história nacionalista construída a partir do século XIX que fez com que a imagem de Joaquim fosse obscura sobre ele mesmo e sobre o movimento separatista do norte goiano.

Para a historiadora Kátia, é importante relembrar o homem, o magistrado, a construção de seus campos de poder tanto em Portugal como no Brasil, pois mesmo do norte de Goiás continuava suas atividades como magistrado.

Joaquim Teotônio Segurado
Aquarela feita pela historiadora Katia Maia. Foto: Kátia Maia/Acervo pessoal

“Foram essas as motivações que nos animaram em toda a trajetória de buscar compreender, nos fragmentos da documentação, não o mito ou o herói, mas um homem munido de motivações, interesses e senso de oportunidade – o homem que escolheu viver no Brasil, construir família e patrimônio e, sobretudo, buscar protagonismo em suas causas”, afirmou Kátia ao Portal Amazônia.

Teotônio Segurado seguiu para Lisboa, em 1822, depois de liderar o primeiro grande movimento de emancipação do norte goiano, após sua eleição como deputado para as cortes de Lisboa. Depois de sua ida, conseguiu manter os ânimos dos participantes do movimento e promoveu uma auditoria entre todos os envolvidos. Com isso, parte de seus aliados abandonaram a movimentação separatista.

A pesquisa sobre a vida de Joaquim Teotônio 

Na história, há um duelo de pensamentos sobre Segurado. Ora é o vilão – português, perseguidor de indídenas e traidor do Brasil; ora é o tocantinense de coração – líder na criação da província de São João da Palma (atual Tocantins).

“As argumentações do magistrado em seu favor, no sentido de obter todas as promoções que promoveu até chegar à Casa de Suplicação do Reino, instância máxima da instituição da justiça portuguesa. São algumas das inquietações que nos moveram nessa caminhada”, contou a pesquisadora.

Kátia é autora do artigo ‘O Magistrado Português Joaquim Teotônio Segurado e a criação da província de São João das Duas Barras no contexto da Independência do Brasil’. A historiadora explica que foi pesquisar os arquivos que reúnem a documentação do aparato judicial do antigo regime, ainda pouco explorada pela historiografia, buscando as diversas representações feitas pelo Magistrado na administração de sua carreira.

Ela decidiu escolher o caminho de sua pesquisa, partindo da biografia dele:

“A história é feita de esquecimentos e apagamentos. Preferi falar do adolescente, filho de um homem determinado, filho da nobreza portuguesa, que traçou o caminho que seu filho deveria seguir. Teotônio Segurado utilizou-se de todas as suas habilidades e poder de persuasão para fincar suas raízes no Norte da capitania de Goiás. Sua carreira foi marcada por seu brilhantismo pessoal e por uma série de favores reais obtidos em Portugal e no Brasil, a partir de uma série de suplicações à corte, partindo diretamente de Teotônio Segurado como de seus procuradores. Nessa arte da persuasão ele era especialista”.

Foram essas habilidades, entre outras, que marcaram a carreira jurídica e política do ouvidor Joaquim Teotônio Segurado, desde sua chegada à Capitania de Goiás em 1804, quando de seus investimentos no cargo à 1823, quando retornou de Lisboa e tenta desaparecer da vida pública. Porém, consegue, mesmo à distância, progredir na carreira e alcançar o cargo mais alto para um magistrado, à Casa de Suplicação do Reino.

O mais curioso, é que Joaquim Teotônio Segurado, derrotado em Lisboa, retorna ao Brasil, especificamente à Palma. “É de Palma que empreende todos os seus esforços para restabelecer os vínculos de sua carreira em Lisboa. Palmas torna-se o seu lugar de poder. O seu lugar! O português tornou-se tocantinense”, finalizou a pesquisadora.

Nos trilhos da memória: a voz de quem manteve viva a história da Madeira-Mamoré

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Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Dia do ferroviário é celebrado em 30 de abril. Foto: Leandro Moraes

Poucos lugares sintetizam com tanta força a origem de Porto Velho (RO) quanto o Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). Para além do conjunto de estruturas históricas, o espaço carrega marcas profundas de um ciclo econômico, de fluxos migratórios e de histórias de vida que ajudaram a moldar a identidade da região Norte do país.

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Lord Jesus Brown é um desses personagens. Filho de ferroviário, ele construiu sua trajetória dentro da ferrovia e se tornou, ao longo das décadas, uma espécie de guardião informal de sua história. Sua relação com o local atravessa gerações e se mistura com a própria formação social da cidade.

“Meu pai chegou aqui para trabalhar na construção da ferrovia. A nossa história está toda ligada a esse lugar. Eu tenho muito orgulho disso e sempre lutei para que essa memória não se perdesse”, afirma.

história da Madeira-Mamoré
A voz de quem manteve viva a história da Madeira-Mamoré. Foto: João Alves

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, construída entre 1907 e 1912, foi um empreendimento marcado por desafios extremos e pela presença de trabalhadores de diversas nacionalidades.

A obra, considerada estratégica à época, consolidou rotas comerciais, impulsionou o ciclo da borracha e contribuiu diretamente para o surgimento de Porto Velho e de outras localidades ao longo dos rios Madeira e Mamoré.

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A vida nos trilhos

Décadas depois, já em funcionamento regular, a ferrovia seguia como eixo logístico e econômico da região. Brown relembra uma rotina intensa, marcada por disciplina e esforço físico.

“A gente acordava de madrugada para preparar a locomotiva. Era preciso deixar tudo pronto cedo, organizar os vagões e seguir viagem. O trajeto até Guajará-Mirim era longo, com muitas paradas. Levávamos borracha, castanha, gado e outras mercadorias. Era um trabalho pesado, mas era o que movimentava tudo aqui”, relata.

As viagens podiam durar mais de um dia, atravessando comunidades, áreas de mata e pontos de apoio ao longo do percurso. Mais do que transportar cargas, a ferrovia conectava pessoas, histórias e culturas em um fluxo contínuo pela região.

Abandono e resistência

Com o encerramento das atividades ferroviárias, em 1992, o complexo entrou em um período de abandono. Estruturas foram deterioradas pela ação do tempo e pela falta de manutenção. “Isso aqui ficou jogado. Não tinha iluminação, não tinha cuidado. Eu vi esse lugar se acabar aos poucos. Achei que essa história ia morrer”, relembra.

Mesmo diante desse cenário, Brown permaneceu ligado ao espaço, movido por um sentimento de pertencimento. “Minha vida sempre foi aqui. Eu não podia simplesmente deixar isso para trás”, diz.

A voz de quem manteve viva a história da Madeira-Mamoré. Foto: João Alves

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Nos últimos anos, o processo de revitalização trouxe um novo momento para o Complexo Madeira-Mamoré, que passou a receber eventos, atividades culturais e visitantes.

Brown destaca a importância da gestão atual e faz um reconhecimento direto ao trabalho realizado. “Eu quero agradecer o grupo Amazon Fort que pegou isso aqui. Hoje tá um brinco. Não é fácil manter um lugar desse tamanho, mas o pessoal vem fazendo esse trabalho e isso faz toda a diferença”, afirma.

A permanência dessa história, no entanto, não depende apenas dos trilhos preservados ou das estruturas restauradas. Ela se sustenta, sobretudo, no reconhecimento coletivo de seu valor. É quando a população se apropria desse passado, visita, respeita, compartilha e se reconhece nele, que o legado da Madeira-Mamoré e dos ferroviários deixa de ser apenas memória e passa a ser identidade viva.

Bioeconomy Amazon Summit debate inovação e bioeconomia em Belém

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Bioeconomy Amazon Summit acontece no Completo Porto Futuro II, em Belém. Foto: Raphael Luz/Agência Pará

Belém, capital do Pará, recebe a 3ª edição do Bioeconomy Amazon Summit nos dias 12, 13 e 14 de maio de 2026, um evento que reúne representantes de diversos setores para discutir e apresentar soluções baseadas na bioeconomia na Amazônia, além de integrar a agenda de inovação e sustentabilidade da região norte.

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Criado em 2023, o Bioeconomy Amazon Summit chega a sua 3ª edição com a proposta de promover um encontro voltado ao fortalecimento do ecossistema de bioeconomia, conceito que envolve o uso sustentável da biodiversidade para geração de renda, desenvolvimento econômico e conservação ambiental.

O evento busca reunir diferentes atores — como empreendedores, investidores, pesquisadores, empresas, governos e comunidades tradicionais — em um ambiente de troca de experiências, construção de parcerias e geração de negócios.

Um dos principais objetivos é estimular modelos econômicos que valorizem a floresta em pé, promovendo o uso responsável dos recursos naturais. O evento busca ampliar a visibilidade de iniciativas que transformam produtos da biodiversidade em soluções de mercado, ao mesmo tempo em que incentivam a inclusão social e o desenvolvimento regional.

Evento propõe integração entre conhecimento, mercado e território

Segunda edição do Bioeconomy Amazon Summit aconteceu em Manaus no ano de 2025. Foto: Divulgação/Bioeconomy Amazon Summit

O Bioeconomy Amazon Summit foi concebido como um espaço de articulação entre diferentes formas de conhecimento e setores estratégicos. A proposta é aproximar a produção científica, os saberes tradicionais e os agentes do mercado, incluindo investidores e tomadores de decisão, em torno de soluções voltadas ao uso sustentável da biodiversidade.

A programação prioriza iniciativas que buscam conciliar geração de renda, inovação e conservação ambiental, com foco em soluções aplicáveis à realidade amazônica.

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Além das atividades em auditórios, o evento inclui ações de imersão em campo, permitindo que participantes conheçam projetos desenvolvidos na região. Essas experiências aproximam investidores e empreendedores, com o objetivo de estimular parcerias e ampliar oportunidades de negócios.

Com a participação de dezenas de instituições na construção da programação, o evento reúne diferentes perspectivas para discutir caminhos voltados à inovação e sustentabilidade na região. A iniciativa se consolida como um espaço de articulação entre setores, com foco na promoção de soluções baseadas na bioeconomia e na valorização da biodiversidade amazônica.

Onde o Bioeconomy Amazon Summit acontece

O Bioeconomy Amazon Summit 2026 será realizado no Parque da Bioeconomia e Inovação da Amazônia, espaço localizado dentro do Complexo Porto Futuro II, em Belém, localizado na Avenida Marechal Hermes, no bairro Reduto. O local integra um novo polo tecnológico e produtivo da capital paraense, voltado ao desenvolvimento de iniciativas sustentáveis e inovadoras.

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Criado pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil e pela KPTL, o evento se destaca por ocorrer nesse ambiente estruturado para conectar pesquisa, inovação e negócios. Segundo a organização, a escolha do espaço está alinhada à proposta do summit de reunir diferentes setores em um mesmo ambiente, favorecendo a articulação entre ciência, mercado e desenvolvimento regional.

Além da estrutura principal, o evento também prevê atividades complementares, como experiências de imersão em campo, que permitem aos participantes conhecer projetos de bioeconomia em funcionamento na Amazônia, incluindo iniciativas de restauração ecológica e produção sustentável. Confira AQUI.