Foto: Reprodução/DNIT
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Equivocada e politicamente eleitoreira a decisão governamental de designar 20 municípios (18 no Amazonas e dois em Rondônia), ao longo da sub-região do entorno da BR-319, como área especial da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR). Além desse ponto, a medida desmoraliza, por absolutamente inócuo, o Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia – PRDA 2024-2027, cuja meta maior prevê “espelhar anseios dos governos e da sociedade regional, ao tempo em que oriente ações estratégicas do governo federal na região fundamentado nos princípios de sustentabilidade, inclusão social e governança compartilhada”.
A respeito da coluna da semana passada, recebi mensagem do pesquisador Jorge Porto, coordenador geral de Pesquisa, Capacitação e Extensão do Inpa, no qual salienta: “Senti falta no texto uma comparação que fundamentaria uma decisão estratégica que não seja apenas pavimentar ou não pavimentar”; mas, “quais resultados, cada combinação de infraestrutura e governança tende a produzir, para quem, onde e em que prazo”.
Leia a coluna AQUI.
“O texto é convincente ao exigir atenção à segurança logística e ao cobrar que o governo não produza planos sem execução!”. Pondera: “É insuficiente ao atribuir às novas medidas uma finalidade protelatória e ao tratar a pavimentação imediata como consequência necessária dos dados de estiagem apresentados. Talvez uma posição tecnicamente defensável seria exigir, simultaneamente, um cronograma público para a solução de mobilidade, a integração explícita do novo plano ao PRDA e à AAE, salvaguardas territoriais com responsáveis, orçamento,
marcos de implantação e indicadores verificáveis”.
“Se o plano anunciado não trouxer esses elementos, a crítica à sua utilidade ganhará fundamento. Se trouxer, tua avaliação deve recair sobre a execução e os resultados, e não sobre a presunção de que planejar o território seja, em si, atrasar a rodovia”, conclui.
No que tange à visão analítica do ponto de vista econômico e empresarial sobre a importância da BR-319 como eixo fundamental da integração rodoviária do Amazonas ao resto do Brasil, o empresário Antonio Azevedo, presidente do grupo TV Lar, considera de alta prioridade discutir meios de conciliar desenvolvimento econômico, segurança energética, preservação ambiental e melhoria efetiva da qualidade de vida da população amazônica.
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Tenho a impressão, afirma, “de que estamos em uma verdadeira encruzilhada histórica. O mundo vive um período de profundas transformações impulsionadas pela inteligência artificial, pela transição energética e pela reorganização das cadeias produtivas globais. Nesse contexto, o Brasil precisa encontrar caminhos para desatar os nós que há décadas limitam o aproveitamento responsável de suas imensas potencialidades”.

Para Azevedo, a Amazônia, em particular, “reúne ativos estratégicos que podem ser decisivos para o futuro do país. O desafio está em transformar essas riquezas em desenvolvimento sustentável, inovação, conhecimento e bem-estar para a população local, sem perder de vista os compromissos ambientais e de governança que você tão bem destacou no artigo”.
Modais de transporte, categorias de meios usados para mover cargas e pessoas, são fundamentais como suporte de integração e conciliação das atividades econômicas. Vale enfatizar que o transporte rodoviário é o principal pilar logístico do Brasil, responsável por movimentar cerca de 65% a 75% de todas as cargas e mercadorias do país.
Embora, na Amazônia, pela gigantesca malha fluvial da região, predomine o hidroviário, não há meio de assegurar eficiência do transporte local sem o suporte do modal rodoviário. Os dois não se excluem, ao contrário, complementam-se. A propósito, salienta o engenheiro Vladimir Paixão e Silva, professor da Ufam: “sem logística adequada, capacidade de armazenagem, integração dos modais de transporte, qualificação técnica e uma política consistente de desenvolvimento, fica muito difícil saber onde queremos chegar em 2073!”.
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Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
