Proposta coordenada por Robert Saraiva Matos recebe nota máxima no LNNano/CNPEM e será executada em 2026. Foto: Divulgação/Unifap
A Universidade Federal do Amapá (Unifap) teve uma proposta de pesquisa aprovada no Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Intitulado ‘Precursor-Driven Defect-Morphology Interplay in Eco-Friendly CeO2 Nanostructures‘, o projeto é coordenado pelo professor Robert Saraiva Matos e foi aceito para execução no período de junho a julho de 2026. Na avaliação final, a proposta recebeu nota máxima: 5.
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A pesquisa investiga nanoestruturas de dióxido de cério (CeO₂), um material estratégico para aplicações industriais e ambientais. Em termos mais simples, a pesquisa busca compreender como a “química dos precursores” (ou seja, das substâncias usadas na etapa inicial da síntese) influencia a forma das nanopartículas, a presença de defeitos cristalinos e o estado químico do cério no material.
Esses fatores são decisivos porque controlam o desempenho catalítico e fotocatalítico do CeO₂, especialmente em processos ligados à degradação de poluentes.
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A proposta prevê o uso de técnicas avançadas de microscopia eletrônica, como HRTEM, SAED, STEM-EDS e EELS, capazes de revelar detalhes em escala nanométrica e até atômica. Com isso, será possível confirmar a evolução morfológica das partículas, identificar defeitos como deslocações e falhas cristalinas, além de mapear variações locais na razão Ce4+/Ce3+, aspecto central para entender a reatividade do material.
Pesquisa sustentável
O objetivo final é construir um modelo que conecte estrutura, defeitos e função, estabelecendo bases para o desenvolvimento de catalisadores mais eficientes e sustentáveis.
“Essa aprovação no LNNano/CNPEM é muito importante porque permitirá investigar, em escala nanométrica e atômica, aspectos que não conseguimos observar com as técnicas convencionais já utilizadas no laboratório. Nosso foco é entender como a síntese ecológica do CeO₂ influencia sua estrutura interna e, consequentemente, seu desempenho em aplicações ambientais, especialmente na degradação de poluentes. É um passo relevante para consolidar pesquisas de alto nível na UNIFAP e ampliar a inserção da universidade em redes nacionais de infraestrutura científica avançada”, explica o professor.

Resultados preliminares já indicam que pequenas mudanças nas condições de síntese podem produzir diferenças importantes no desempenho fotocatalítico. Entre as amostras analisadas no projeto, uma delas atingiu 97% de degradação de azul de metileno em 270 minutos, superando outras formulações estudadas. Isso reforça a relevância de investigar, com maior precisão, como vacâncias de oxigênio, deformações locais da rede cristalina e exposição de facetas específicas influenciam a eficiência do material.
No parecer final, o comitê de avaliação destacou que a proposta apresenta escopo claro, boa fundamentação científica, objetivos consistentes e alinhamento com o estado da arte. Também ressaltou que a abordagem integrada por microscopia eletrônica é promissora para elucidar a relação entre química do precursor, morfologia, defeitos cristalinos e funcionalidade catalítica, considerando o projeto cientificamente sólido e tecnicamente viável.
“Além do avanço científico, a aprovação representa uma oportunidade importante de fortalecimento da pesquisa em materiais na UNIFAP, ao viabilizar acesso a infraestrutura de alta complexidade e formação técnica em microscopia eletrônica avançada”, disse o pesquisador.
O projeto conta ainda com a colaboração do professor Nilson dos Santos Ferreira, da Universidade Federal de Sergipe.
