Alguns destinos para conhecer na região fogem dos roteiros tradicionais. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Quando se fala em turismo na Amazônia, é comum que o roteiro contenha às grandes atrações turísticas de cada estado. No Amazonas, por exempo, as cachoeiras de Presidente Figueiredo e os passeios pelos rios estão frequentemente no roteiro; no Pará, o Ver-o-Peso e a Estação das Docas; no Maranhão, os Lençóis Maranhenses; no Tocantins, o Jalapão; em Roraima, o Monte Roraima. Por aí vai.
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Mas a Amazônia Legal é muito maior, e mais diversa, do que os cartões-postais que costumam aparecer nas primeiras páginas de um roteiro turístico.
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Para quem deseja conhecer destinos menos óbvios, a Amazônia Legal oferece outras possibilidades de viagem, como museus, cidades históricas, patrimônios arquitetônicos, pesquisas científicas, sítios arqueológicos e construções centenárias que ajudam a revelar diferentes capítulos da história e da cultura amazônica. Conheça nove destinos na Amazônia Legal para fugir do óbvio:
Acre: Museu dos Povos Acreanos
Rio Branco costuma aparecer para muitos viajantes como porta de entrada para o Acre, mas a capital pode ser muito mais do que uma cidade de passagem. No centro da capital está o Museu dos Povos Acreanos, espaço dedicado à história e à cultura do estado.
Inaugurado em 2023, o museu funciona no prédio do antigo Colégio Meta e possui um acervo que reúne objetos, documentos, obras de arte, mobiliário, achados arqueológicos e paleontológicos, entre outros itens. A visita ao museu é uma oportunidade de começar a viagem não pela floresta, mas pelas histórias que ajudam a explicar quem vive e viveu nela.

Amapá: Parque Nacional do Cabo Orange
O Marco Zero da linha do Equador e a Fortaleza de São José de Macapá estão entre os lugares mais conhecidos por quem visita a capital do Amapá. Mas, para quem quer ir além do roteiro tradicional, o estado também reserva experiências em uma das regiões mais ao norte do país.
Localizado no município de Oiapoque, o Parque Nacional do Cabo Orange protege uma área de mais de 657 mil hectares e reúne diferentes ambientes, entre manguezais, campos alagados, rios e canais. O parque foi criado em 1980, e é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), abrigando espécies importantes da fauna brasileira.
A unidade de conservação protege ambientes costeiros e espécies ameaçadas, entre elas onça-pintada, peixe-boi-da-Amazônia, peixe-boi-marinho, tamanduá-bandeira e tartaruga-verde.

Amazonas: Museu do Seringal Vila Paraíso
No Amazonas, o Teatro Amazonas e as cachoeiras de Presidente Figueiredo, um dos principais destinos de natureza do Amazonas, estão sempre presentes nos roteiros turísticos de quem visita o estado. Mas o que existe no Amazonas para quem quer fugir do roteiro das quedas d’água e do tradicional teatro?
O Museu do Seringal Vila Paraíso é um dos destinos pouco óbvios. Acessível somente por via fluvial, o museu reproduz a estrutura de um antigo seringal do final do século XIX e início do século XX, período marcado pelo Ciclo da Borracha e pela transformação econômica de Manaus e da região.
Inaugurado em 2002, o espaço preserva casas, barracões, mobiliário e utensílios que ajudam a apresentar como funcionava a produção da borracha e como era a vida de quem trabalhava nos seringais. Além disso, as estruturas do local foram utilizadas nas filmagens do longa ‘A Selva’, baseado no livro do escritor português Ferreira de Castro.
Depois das gravações, o cenário foi incorporado à Secretaria de Cultura do Amazonas e transformado em espaço cultural. Em vez de conhecer o Amazonas apenas pelas paisagens naturais, o turista pode entender um dos períodos que ajudaram a construir a identidade econômica e urbana da região.
Ou seja: em um dos destinos mais conhecidos da Amazônia, também é possível fugir do óbvio.

Maranhão: Alcântara
Falar em turismo no Maranhão, os Lençóis Maranhenses são provavelmente a primeira referência turística, o parque, que se tornou um dos principais cartões-postais do Brasil. Mas o estado também possui cidades capazes de proporcionar uma viagem completamente diferente.
Uma delas é Alcântara.
O conjunto arquitetônico e urbanístico da cidade foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1948. Segundo o instituto, a área reúne aproximadamente 400 imóveis e preserva características da arquitetura colonial luso-brasileira.
Entre os espaços preservados está o Museu Casa Histórica de Alcântara, instalado em um sobrado histórico e com acervo composto por cerca de 900 peças inventariadas e restauradas. O destino mostra que uma viagem pelo Maranhão também pode ser feita por meio da arquitetura, da história e da cultura.

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Mato Grosso: Museu de História Natural de Mato Grosso Casa Dom Aquino
Para quem pensa em Mato Grosso, a Chapada dos Guimarães e suas paisagens naturais costumam aparecer entre as primeiras opções. Mas uma visita ao estado também pode levar o turista para muito antes da paisagem atual.
Em Cuiabá, o Museu de História Natural de Mato Grosso Casa Dom Aquino reúne acervos relacionados à arqueologia, paleontologia e etnologia. O espaço funciona em uma construção histórica de 1842 e possui milhares de peças que ajudam a apresentar diferentes períodos da história natural e humana do território mato-grossense.


Pará: Museu Paraense Emílio Goeldi
Ver-o-Peso, Estação das Docas, Mangal das Garças e o centro histórico estão entre os lugares que fazem parte dos roteiros de quem visita Belém. Mas existe outro endereço que permite conhecer a Amazônia por uma perspectiva diferente: o Museu Paraense Emílio Goeldi.
Fundado em 1866, o Museu Goeldi é uma das instituições científicas mais antigas do Brasil dedicadas ao estudo da Amazônia. A instituição desenvolve pesquisas em áreas como arqueologia, antropologia, zoologia, botânica e ciências da terra, além de manter espaços voltados à divulgação científica.
No parque zoobotânico, localizado no centro de Belém, o visitante também pode conhecer espécies da fauna e da flora amazônicas.

Rondônia: Real Forte Príncipe da Beira
Em Rondônia, a proposta de fugir do óbvio pode levar o viajante até o Real Forte Príncipe da Beira, em Costa Marques, às margens do rio Guaporé e próximo à fronteira com a Bolívia. Construído no século XVIII, o forte foi concebido como estrutura estratégica para a defesa das fronteiras durante o período colonial.
Tombado pelo Iphan desde 1950, é considerado a maior edificação militar portuguesa fora da Europa. O local também é reconhecido como sítio arqueológico, já que pesquisas realizadas na área encontraram materiais como cerâmicas, vidros, louças, metais e objetos líticos, ajudando a reconstruir aspectos da ocupação humana da região.

Roraima: Orla Taumanan
O Monte Roraima é um dos grandes símbolos turísticos do estado. Mas, para quem quer fugir do roteiro mais conhecido, a viagem pode começar em outro lugar, na Orla Taumanan.
Inaugurada em 2004, em Boa Vista, a Orla Taumanan está localizado no Centro Histórico e foi construída sobre a margem direita do rio. O espaço possui cerca de 6,5 mil metros quadrados e é dividido em duas plataformas: Meiremê, que significa ‘arco-íris’ em macuxi, e Weikepá, traduzida como ‘nascer do sol’.
A região onde está localizada faz parte do núcleo histórico da capital, próximo à Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo e a outros espaços que ajudam a entender a formação da cidade. A estrutura também se tornou um espaço de convivência para moradores e visitantes, com restaurantes, lanchonetes, música e eventos culturais.

Tocantins: Natividade
Quando o assunto é turismo no Tocantins, o Jalapão costuma ser a primeira resposta. Mas existe outro destino que merece espaço no mapa de quem deseja conhecer o estado por uma perspectiva diferente: a cidade de Natividade.
Localizada na região sudeste do Tocantins, a cidade possui um conjunto histórico tombado pelo Iphan e preserva construções relacionadas à ocupação do território durante o ciclo do ouro, como casarões, igrejas, ruas estreitas e ruínas que fazem parte da paisagem.
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