Cooperação entre FAS e Embrapa busca fortalecer agricultura familiar e alimentação escolar no Amazonas

A proposta da cooperação é ajudar a superar gargalos observados em territórios amazônicos, que dificultam a produção, distribuição e conservação de alimentos.

Representantes das equipes da cooperação também realizaram uma visita técnica à Comunidade Tumbira. Foto: Bruno Kelly/Acervo FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) formalizaram um acordo de cooperação geral para levar soluções tecnológicas visando fortalecer a agricultura familiar ligada à alimentação escolar no Amazonas. A proposta, firmada no dia 18 de setembro, é ajudar a superar gargalos observados em territórios amazônicos, que dificultam a produção, distribuição e conservação de alimentos, que passam acesso à energia, tecnologias de produção e grandes distâncias da região.

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Neste primeiro momento, a parceria avança com foco no Projeto Pirão no Prato, executado pela FAS com apoio do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O projeto visa apoiar o fortalecimento da produção sustentável de alimentos pela agricultura familiar, incluindo a oriunda de povos indígenas e outras comunidades tradicionais. Além disso, pretende promover a aquisição e o consumo de alimentos dessa natureza para a alimentação escolar nas redes públicas de ensino do estado do Amazonas.

Leia também: Pirarucu de manejo sustentável consolida presença na alimentação escolar pública do Amazonas

Inovação tecnológica para conservação sem rede elétrica

A atuação conjunta no Pirão no Prato está sendo elaborada a partir de um plano de trabalho construído pelas equipes da FAS e da Embrapa.

Um dos pilares do projeto é o desenvolvimento de processos de secagem e armazenamento adaptados à infraestrutura de comunidades isoladas. A tecnologia permite conservar o valor nutricional dos insumos locais sem a necessidade de refrigeração contínua, reduzindo o desperdício e adequando a produção da agricultura familiar às exigências sanitárias do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

“A cooperação para o projeto está estruturada inicialmente em quatro frentes: o acesso a sementes, mudas e variedades melhoradas desenvolvidas pela Embrapa; os arranjos produtivos e sistemas agroflorestais adaptados às condições de várzea e terra firme; ferramentas de análise financeira dos empreendimentos; e tecnologias de alimentos, como técnicas de secagem, desidratação e armazenamento adequadas às condições encontradas nos territórios”, explica Eduardo Rizzo, coordenador do projeto.

Entre as possibilidades da cooperação está a aproximação dos agricultores a materiais biofortificados desenvolvidos pela Embrapa, além de tecnologias que possam ajudar a conservar e agregar valor aos alimentos produzidos nos territórios.

“Queremos trabalhar a democratização do acesso aos materiais desenvolvidos pela Embrapa, especialmente os biofortificados, para que eles e o conhecimento sobre sua produção cheguem aos agricultores. Também há um trabalho importante com tecnologias de pós-colheita, secagem e armazenamento, pensando principalmente em territórios isolados. O desafio é ampliar a vida útil dos alimentos, reduzir perdas e criar condições para que essa produção possa estar disponível por períodos mais longos do ano”, explica Ana Euler, diretora-executiva de Inovação Social e Transferência de Tecnologia da Embrapa.

Meta da cooperação é atender 68 mil alunos em dez municípios

O projeto Pirão no Prato prevê impacto em mais de 700 unidades escolares e beneficiar 68 mil estudantes em dez municípios amazonenses. O modelo logístico e produtivo integrará 5 mil agricultores familiares, dos quais mil passarão a comercializar diretamente para a rede pública de ensino, além de capacitar 1,5 mil educadores como multiplicadores de hábitos saudáveis.

Além de fortalecer a segurança alimentar, a cooperação também prevê a inserção de mulheres e jovens no manejo sustentável da floresta, gerando renda e promovendo a autonomia econômica local.

Primeiras atividades

Cooperação entre FAS e Embrapa busca fortalecer agricultura familiar e alimentação escolar no Amazonas
Acordo de cooperação foi oficializado em Manaus. Foto: Yasmim Tabosa/FAS

O acordo de cooperação foi oficializado em cerimônia no Auditório da Sede da FAS, em Manaus, pelo superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, pela superintendente-geral adjunta Valcléia dos Santos Lima, pela diretora-executiva de Inovação Social e Transferência de Tecnologia Ana Euler e pelo chefe-geral da Embrapa Amazônia Ocidental, Luiz Antônio de Araújo.

No mesmo dia, as equipes da FAS e da Embrapa avançaram na definição do escopo de atuação conjunta nas quatro frentes previstas para o Pirão no Prato. Como parte da agenda de aproximação entre as instituições, no sábado (19), representantes das equipes também realizaram uma visita técnica à Comunidade Tumbira, onde a FAS já desenvolve ações de empreendedorismo e desenvolvimento sustentável. A atividade contribuiu para ampliar o conhecimento da Embrapa sobre experiências e iniciativas conduzidas pela Fundação nos territórios amazônicos.

O chefe-geral da Embrapa Amazônia Ocidental, Luiz Antônio Cruz, destaca que a parceria com a FAS permitirá expandir as ações para além do Pirão no Prato ao usar a estrutura dos Núcleos de Inovação e Educação (NIEDs) para interiorizar tecnologias no Amazonas. “A iniciativa capacitará agricultores na diversificação agrícola adaptada à realidade local, incluindo o cultivo de grãos, criação de abelhas e viveiros de mudas frutíferas e florestais, visando garantir a segurança alimentar e gerar renda com a venda do excedente produtivo.”

Para Valcléia Lima, a cooperação permite incorporar ao projeto conhecimentos e tecnologias já desenvolvidos pela Embrapa, considerando especialmente os desafios enfrentados nos territórios amazônicos.

“É uma parceria estratégica e muito necessária para um projeto dessa dimensão. Queremos agregar tecnologia às ações desenvolvidas nos territórios e fazer com que essa relação contribua para uma Amazônia sustentável, que também prospere, fortalecendo a segurança alimentar das populações que vivem nos lugares mais distantes”, afirma.

*Com informações da FAS

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