Produtores usam fungos e bactérias para combater pragas e doenças em lavouras de soja em Roraima

No modelo de produção de controle biológico, o combate é feito utilizando fungos, bactérias e até vírus. É a partir desses microorganismos que são feitos os produtos biológicos, ou bioinsumos.

Plantação de soja em fazenda de Roraima. Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica RR

As áreas de plantio de soja estão se aproximando do ponto de colheita na maior parte das fazendas de Roraima. Para alcançar a produtividade esperada, agricultores como Thales Lucietti têm apostado em uma prática cada vez mais comum no estado: o controle biológico.

Nesse modelo de produção, o combate as pragas e doenças é feito utilizando fungos, bactérias e até vírus. É a partir desses microorganismos que são feitos os produtos biológicos, ou bioinsumos.

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Lucietti, que também é agrônomo, plantou 400 hectares de soja em Mucajaí, no Sul de Roraima. Toda a área recebeu o manejo biológico para combater pragas na lavoura.

“O uso dos biológicos aqui em Roraima tem se mostrado uma ferramenta importante para o avanço da produção agrícola. Eu tinha muito problema com mosca branca [praga que ataca a soja] e hoje não tenho a presença dessa praga lavoura”, afirma o produtor.

De acordo com agricultor, os produtos biológicos, além de combater pragas nas lavouras ajudam a melhorar a qualidade e recuperação de nutrientes do solo, como é o caso das bacterias Rhizobium e Bradyrhizobium, responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio, elemento essencial para o desenvolvimento da soja.

Thales Lucietti é produtor rural de soja em Mucajaí, interior de Roraima. Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica RR

“Na safra passado esse talhão alcançou 78 sacas por hectares. É um resultado muito expressivo e eu atribuo ao manejo que fizemos com os biológicos”, conta.

O uso de fungos e bactérias na agricultura cresceu no Brasil impulsionado pela busca de práticas mais sustentáveis. É o que afirma o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Marcos Faria. Com essa tecnologia é possível reduzir o uso de defensivos químicos e isso resulta numa produção agrícola mais sustentável, afirmou o pesquisador.

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Apesar dos benefícios, um dos principais desafios do controle biológico é a compatibilidade com produtos químicos. O uso combinado, ou seja, a mistura dos produtos, exige orientação técnica para que as substâncias não percam eficácia.

“O químico, muitas vezes, pode prejudicar a ação do biológico se não houver uma estratégia bem definida para a aplicação conjunta”, alerta o pesquisador.

Segundo o pesquisador da Embrapa, a tendência nacional é aumentar o uso do manejo biológico e para o futuro novos estudos serão realizados para ampliar a eficiência dos produtos oferecendo tecnologias mais sustentáveis para o campo.

*Por Raquel Maia, da Rede Amazônica RR

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