Entenda como fica a situação da Venezuela após o ataque dos Estados Unidos e prisão de presidente e primeira dama

Venezuela foi alvo de uma ação militar dos Estados Unidos, que envolveram ataques aéreos e bombardeios em várias regiões do país, marcando um dos episódios mais graves de conflito entre os dois países nas últimas décadas.

Fotos: Reprodução

A Venezuela foi alvo de uma ação militar dos Estados Unidos (EUA) neste sábado (3), que envolveram ataques aéreos e bombardeios em várias regiões do país, marcando um dos episódios mais graves de conflito entre os dois países nas últimas décadas.

O presidente do Estados Unidos Donald Trump afirmou que forças militares americanas realizaram um ataque de grande escala no território venezuelano, tendo como um dos objetivos principais a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, os quais, segundo confirmação dele ainda na tarde deste sábado, foram detidos e levados para fora do país para enfrentar acusações relacionadas ao narcotráfico internacional.

Explosões foram ouvidas na madrugada em Caracas, capital da Venezuela, e em áreas dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, com relatos de aeronaves voando a baixa altitude e danos a infraestruturas militares. A operação teve repercussões imediatas na diplomacia regional e global.

Países vizinhos como Colômbia e Cuba condenaram o ataque, classificando a ação como uma agressão inaceitável e pedindo vigilância pela comunidade internacional. O Brasil por meio de seu presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, também reeprendeu os ataques em uma mensagem publicada em suas redes sociais e convocou uma reunião para analisar a situação.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, declarou.

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Em nível internacional, o secretário-geral da ONU António Guterres expressou preocupação com as consequências do uso da força no caso da Venezuela, afirmando que tal ação poderia estabelecer um “precedente perigoso” no cenário das relações entre nações. Lideranças estrangeiras reforçaram a necessidade de respeitar a Carta das Nações Unidas e os princípios de soberania e não-intervenção.

Análise geopolítica da Venezuela

O Portal Amazônia ouviu o analista político Helso Ribeiro para entender o cenário geopolítico deste conflito após as ações que cuminaram na prisão de Maduro e da primeira dama da Venezuela.

O Brasil, há alguns anos, tem recebido imigrantes venezuelanos devido há uma crise humanitária vivida no país vizinho, parte da Amazônia internacional, e que se agravou durante a gestão de Nicolas Maduro. Para Helso Ribeiro, essa situação vivida principalmente pela região amazônica pode não mudar mesmo com a ação do governo norte-americano, tendo ações também em outros países como exemplo.

“A análise deve ser ampla e não apaixonante. E é claro, as pessoas que odeiam ao Chavismo e odeiam Lula, estão celebrando. Eu particularmente nunca fui simpático ao Maduro, mas sou simpático ao Direito Internacional e ao multilateralismo. Eu não apoio que nenhum país invada o outro e retire seu algoz e se afore como o dono da situação”, opinou.

“Cabe lembrar que isso já foi feito anteriormente. Em 2006 os Estados Unidos invadiu o Iraque, capturou Saddam Hussein, alegando o uso de Armas de Destruição em Massa, e o Iraque hoje é um país em frangalhos. O mesmo aconteceu com a Líbia e outros países. Não que eu apoie a situações de Iraque e Líbia, mas isso só reforça as instabilidades políticas”, completou Ribeiro.

Leia também: Lula diz a Maduro que América Latina é região de paz

Para o analista político, o interesse dos EUA em atacar a Venezuela é apenas pelo petróleo: “No caso da Venezuela, lá existe uma das maiores reservas de petróleo do mundo, que interessa aos Estados Unidos evidentemente. Os Estados Unidos ainda mantém os combustíveis fósseis como parâmetro de desenvolvimento e o próprio Trump afirmou isso”.

Trump traz detalhes sobre a situação da Venezuela

Durante a tarde, horas após a ação bélica em território venezuelano, o presidente norte-americano Donald Trump falou em coletiva de imprensa sobre o futuro do país sul-americano após os ataques. Trump afirmou que os EUA vão “administrar” a Venezuela de forma interina após ataques a pontos de Caracas e a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, que foram levados a Nova York em um navio de guerra norte-americano.

No pronunciamento, Trump disse que o país será governado temporariamente por um “grupo” a ser designado até uma transição de poder, sem detalhar prazos ou composição, e declarou: “nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos, temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela”.

Além disso, Trump anunciou a entrada de petroleiras dos EUA na indústria venezuelana ao afirmar “vamos fazer o petróleo fluir” e sustentar: “nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país”.

Imagem de Maduro preso divulgado por Trump em redes sociais. Foto: Reprodução/ Rede Social Truth

Trump também invocou a Doutrina Monroe ao dizer que “o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, comentou que ainda avalia o futuro político do país e que a oposicionista María Corina Machado “não tem apoio interno nem respeito”, afirmando ainda que o secretário de Estado, Marco Rubio, dialoga com a vice-presidente Delcy Rodríguez, “que está disposta a fazer o que for preciso”.

Questionado sobre o Congresso, disse que a comunicação ocorreu após a operação para evitar vazamentos, e sobre Maduro afirmou que “será levado a Nova York em um futuro breve”, cabendo à Justiça definir onde ficará preso enquanto aguarda julgamento nos Estados Unidos.

*Esta matéria pode ter atualizações conforme o desenvolvimento do caso

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