Decreto que privatizava rios da Amazônia é revogado após um mês de protestos no Pará

Os povos indígenas da região, contrários ao decreto, começaram os protestos há pouco mais de 30 dias e chegaram a ocupar o escritório da multinacional Cargill, no Porto de Santarém.

Foto: Divulgação/Coletivo Apoena Audiovisual

Após mais de um mês de protestos dos povos da região do Tapajós, no Pará, o Governo do Brasil anunciou a revogação do decreto n° 12.600, de 28 de agosto de 2025, que propunha estudos para a concessão à iniciativa privada da hidrovia dos Rios Tapajós, Madeira e Tocantins.

Os povos indígenas da região, contrários ao projeto, começaram os protestos há pouco mais de 30 dias e chegaram a ocupar o escritório da multinacional Cargill, no Porto de Santarém, às margens do Tapajós. A Cargill é uma das principais empresas que escoa a produção de grãos pelo Tapajós. Em Brasília e em São Paulo, ficaram dias acampados.  

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi anunciada pelo ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, após reunião com os lideranças do movimento. De acordo com o Governo, a decisão foi negociada também com o Ministério de Portos e Aeroportos e outras pastas.

A decisão do presidente, que participa de uma viagem internacional nos últimos dias pela Ásia, foi publicada no Diário Oficial da União.

Leia também: Indígenas cobram revogação de decreto da hidrovia do Tapajós e dizem que ‘rio não é mercadoria’

Imagem colorida mostra indígenas manifestando em entrada de armazenamento de grãos de soja contra decreto no Tapajós
Foto: Divulgação/ Comunicação CITA

Decreto de 2025 gerou indignação

Diversas entidades ligadas à causa ambiental criticaram a falta de estudos e o impacto da concessão da hidrovia. Cerca de 7 mil indígenas de 14 etnias vivem no Baixo Tapajós, segundo o Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (que representa os povos da região), por exemplo. 

Leia também: Em Santarém, indígenas protestam contra desestatização de hidrovias

O decreto abria caminho para conceder à iniciativa privada hidrovias na Amazônia consideradas importantes para escoamento de grãos. Antes de iniciado o processo de desestatização, o governo anunciou a contratação de uma empresa privada para dragar o rio Tapajós, o que foi contestado em função das consequências da atividade.

Assim, os protestos de indígenas iniciaram na região, que alegaram falta de consulta sobre a questão e apontavam riscos à sua forma de sustento pelo rio.

O governo, num primeiro momento, suspendeu a dragagem no rio. Mas as manifestações continuaram pedindo a revogação do decreto, que só foi realizada quase sete meses após sua publicação.

*Com informações da Agência Brasil e da Presidência da República

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Faz escuro, mas cantamos

Thiago de Mello, mesmo no início da Ditadura no Brasil, já antevira seu fim, não porque tivesse certeza de coisa alguma (como poderia?), mas porque plantou em versos uma esperança que, durante as duas décadas do regime, se enraizou.

Leia também

Publicidade