Área da aldeia indígena Gamir, em Rondônia, passa por processo de restauração florestal

Localizada na Terra Indígena Sete de Setembro, 70 hectares de área da aldeia Gamir estão em processo inicial de restauração florestal.

A restauração florestal na Aldeia Gamir, localizada na Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, atingiu um marco importante neste primeiro trimestre de 2026. Em visita técnica realizada pela Ecoporé, a área de 70 hectares está em fase inicial de restauração e as primeiras impressões já demonstram sinais de crescimento surpreeendente de recuperação.

Através do projeto Regenera, a transformação já é aparente. Antes, a área apresentava solo compacto e sem vida, decorrentes da pecuária extensiva sem práticas de manejo sustentável das pastagens. Agora, toda a região já conta com espécies leguminosas plantadas.

Para o vice-cacique geral do povo Paiter Suruí e cacique da Aldeia Gamir, Uraan Suruí, a parceria com a Ecoporé e o Projeto Regenera veio fortalecer um desejo que já pulsava na comunidade.

“Antes mesmo do projeto começar, nós já vínhamos realizando nossas próprias ações de restauração. Isso sempre fez parte da nossa visão de recuperar, proteger e produzir de forma equilibrada. Agora, com o apoio da Ecoporé, esse trabalho se torna mais concreto. É como somar forças: o conhecimento ancestral com o suporte técnico para potencializar os resultados”, afirmou o vice.

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Restauração florestal na Aldeia Gamir conta com espécies leguminosas plantadas na região. Foto: Acervo Ecoporé
Restauração florestal na Aldeia Gamir conta com espécies leguminosas plantadas na região. Foto: Acervo Ecoporé

O caminho da restauração

O processo de restauração foi planejado estrategicamente para priorizar a saúde do solo. O primeiro passo foi construir os acordos com a comunidade. A partir daí remover o principal fator de degradação, que consistia em uma gramínea exótica, e preparar o solo. Com a área livre, iniciou-se o plantio de espécies leguminosas, como o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) e o feijão-guandu (Cajanus cajan).

Essas espécies desempenham um papel vital na fixação biológica de nitrogênio, recuperando a fertilidade do solo de forma natural e eficiente, controlando o crescimento das espécies exóticas, eliminando a necessidade de agrotóxicos e contribuindo para a germinação de espécies florestais nativas.

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Dados

Os dados coletados em campo através de monitoramento e medições em parcelas confirmam o sucesso da metodologia:

  • 1º Talhão (Dezembro/2025): Com aproximadamente 40 hectares, as plantas já atingem 1,80m de altura. A floração já começou, indicando uma excelente expectativa para a colheita de sementes.
  • 2º Talhão (Fevereiro/2026): Implantado de forma estratégica para otimizar o manejo da comunidade, permitindo que a colheita das sementes do primeiro talhão coincida com o ciclo de manutenção.

Para Marcos Souza, supervisor técnico da Ecoporé, a metodologia tem dado certo.

“Nossas visitas técnicas confirmam o que os olhos já veem: a terra está ganhando vida nova. Sem o uso de uma gota de veneno, as plantas nativas estão vencendo naturalmente o mato invasor. O solo, antes cansado, agora está recuperando seus nutrientes e sendo protegido por um manto verde de vegetação que não para de crescer”, afirma Marcos.

Impacto Social e Futuro

Mais do que uma recuperação ecológica, o projeto foca na geração de renda. As sementes produzidas nestas áreas serão colhidas pelos indígenas, replantadas ou negociadas para outros projetos de restauração, garantindo a sustentabilidade ecológica e financeira para as famílias. A partir do segundo ano, o projeto evolui para a implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), integrando a produção de alimentos com a floresta em pé, sempre com a decisão e participação ativa da comunidade indígena.

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Marcos de Souza, supervisor, faz panorama na TI com vice-cacique geral do povo Paiter Suruí, Uraan Suruí. Foto: Acervo Ecoporé

“Para mim, como liderança e como filho desse território, essa restauração é mais do que plantar árvores, é reconstruir a vida. Ver esses hectares sendo recuperados é como ver nosso próprio futuro sendo replantado com as nossas mãos, garantindo harmonia ambiental, social e econômica para as próximas gerações”, resume Uraan.

Esta iniciativa conta com o suporte das sementes disponibilizadas pela RESEBA, executada pela  Ecoporé e realizada através do Projeto Regenera, com apoio da The Caring Family Foundation. Promove a agricultura regenerativa na Amazônia,  fortalece a bioeconomia e a restauração ecológica, tudo isso  sem que a floresta precise ser derrubada.

*Com informações da assessoria

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