53% do desmatamento registrado na Amazônia em setembro foi no Pará, informa Imazon

Dos 10 municípios que mais destruíram a floresta no mês, oito ficam no Pará.

Foto: Tuane Fernandes/Greenpeace

Dos 374 km² de floresta desmatados na Amazônia em setembro, mais da metade ocorreu em solo paraense. O Pará registrou 198 km² de desmatamento, 53% do total. Essa área é cerca de 3,3 vezes a registrada no Amazonas, de 60 km², o segundo estado que mais destruiu a floresta em setembro, representando 16% do total.

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Acre (48 km²) e Mato Grosso (31 km²) ocupam a terceira e a quarta colocações, com 13% e 8%. Os dados são do boletim mensal de setembro do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do instituto de pesquisa Imazon, que monitora a floresta por imagens de satélite desde 2008.

Apenas o município de Portel, no Pará, registrou 22 km² de desmatamento em setembro deste ano, mais do que o registrado em cinco estados: Roraima (15 km²), Rondônia (9 km²), Maranhão (9 km²), Amapá (2 km²) e Tocantins (2 km²). Ou seja, se a cidade fosse um dos nove estados da Amazônia Legal, teria a quinta maior área de floresta destruída no mês.

Além de Portel, campeão na derrubada da Amazônia em setembro, outros sete municípios paraenses ficaram na lista dos 10 que mais devastaram a floresta no mês: Pacajá (12 km²), São Félix do Xingu (12 km²), Altamira (10 km²), Uruará (10 km²), Anapu (9 km²), Senador José Porfírio (8 km²) e Almeirim (8 km²).

“Apenas esses oito municípios paraenses que ficaram entre os 10 que mais desmataram a Amazônia em setembro somam 91 km² de devastação, o equivalente a quase 25% da área de floresta derrubada em toda a Amazônia. Por isso, ressaltamos a importância de coordenar ações municipais, estaduais e federais de proteção da floresta”, alerta a pesquisadora Larissa Amorim, do Imazon.

Outro destaque negativo do Pará foi a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, onde foram registrados 15 km² de desmatamento, sendo a unidade de conservação com a maior devastação da Amazônia em setembro. Essa área desmatada é três vezes maior do que a derrubada na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, que registrou a segunda maior destruição entre as unidades de conservação.

“O fato da APA Triunfo do Xingu registrar desmatamento muito superior às outras áreas protegidas exige atenção especial para o território, com a devida punição aos responsáveis pela derrubada ilegal e também com planos para restauração florestal”, ressalta Raíssa Ferreira, pesquisadora do Imazon.

Setembro tem segundo menor desmatamento dos últimos oito anos

Na série histórica para o mês de setembro, 2026 registrou a segunda menor derrubada dos últimos oito anos, desde 2018, sendo maior apenas do que 2025. Na comparação com o último ano, a derrubada no mês cresceu 34%.

Pará é responsável por 53% do desmatamento registrado na Amazônia em setembro
Foto: Reprodução/Imazon

Leia também: Emissões por desmatamento e mudanças no uso da terra caem 15% em 2025, mostra levantamento

O mesmo é observado na série histórica que envolve o período de janeiro a setembro. O ano de 2026 teve a segunda menor devastação dos últimos oito anos, desde 2018, ficando atrás apenas de 2025. Em comparação com o ano passado, a derrubada no período aumentou 6%.

Foto: Reprodução/Imazon

Degradação

Diferente do desmatamento, que é a remoção completa da vegetação, a degradação florestal, dano causado pelo fogo e pela extração madeireira, passou de 1.022 km² em setembro de 2025 para 1.239 km² em setembro de 2026, um aumento de 21%.

Foto: Reprodução/Imazon

Já na série histórica do período de janeiro a setembro, a degradação em 2026 foi a menor nos últimos três anos.  Nos primeiros nove meses deste ano, foram degradados 2.018 km² de floresta, uma redução de 46% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 3.766 km².

Foto: Reprodução/Imazon

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

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