Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC
Uma onça-pintada foi flagrada durante caçada na Estação Ecológica Rio Acre (Esec), unidade de conservação em Assis Brasil, interior do estado. O registro inédito foi feito por servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Assista:
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Nas imagens, é possível observar o felino saindo das águas do Rio Acre e correndo em direção a um porco-do-mato, na tentativa de matá-lo, às margens do rio. O porco é mais rápido e consegue fugir do ataque, atravessando para o outro lado do manancial.
Os servidores estavam em uma área mais acima do rio e conseguiram gravar o momento. “Meu Deus!! Ela vai pegar o porco? Você está filmando? Gente não acredito nisso”, diz o grupo no vídeo.
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A chefe da Esec Rio Acre, Lívia Chiavegatti, contou que, no momento do registro, parte do grupo estava em atividade de pesquisa nas trilhas da unidade de conversação e os demais servidores na base a 150 metros de onde a onça estava.
“Estamos recebendo pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, no momento do registro, a maioria da equipe de pesquisa estava nas trilhas fazendo coleta de dados, já uma parte, que ficou trabalhando na Base, acabou avistando a onça”, disse.
A equipe do Rio de Janeiro veio ao Acre por meio de uma entre a Universidade Federal do Acre (Ufac) e a UFRJ, para pesquisa de campo da pós graduação em ecologia.
Ainda segundo Chiavegatti, esse foi o primeiro registro de onça-pintada na unidade. Em maio de 2024, uma onça-parda (Puma concolor) foi flagrada na Estação Ecológica Rio Acre.
O animal é a segunda maior espécie de felino do Brasil e foi fotografado por uma equipe da 1ª Expedição do Programa de Monitoramento da Biodiversidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
“Todos os anos fazemos um monitoramento da Unidade de Conservação, aliás, havíamos feito registros fotográficos de onças-pardas em anos anteriores, entretanto, essa é a primeira vez que conseguimos registrar uma onça pintada, principalmente tão perto da base de onde acampamos”, destacou.
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Emoção
Para a pesquisadora da UFRJ Camila dos Santos de Barros, a sorte foi grande, visto que ela estava com o grupo que flagrou a caçada da onça, segundo ela o registro foi emocionante e marcou sua primeira estadia no Acre.
“Fiquei tremendo da cabeça aos pés de tanta emoção. Faço trabalho de campo há mais de vinte anos e nunca tinha tido a sorte de avistar uma onça pintada. Ver a natureza assim, com toda sua complexidade e força, ao vivo é um privilégio”, relatou.
Ainda segundo Camila, a ligação do acreano com a floresta a fez ter uma experiência sensorial. “São muito acolhedores e conhecem muito a floresta, durante esse dias fiquei bastante emocionante vendo a ligação do povo com a floresta”, contou.
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Ainda segundo Lívia, a aparição do felino representa um bom sinal de que a unidade é um refúgio seguro para os animais silvestres. “Acreditamos que a frequência de avistamentos seja um excelente indicativo de boa preservação do território, onde cumprimos nosso papel de guardiões”, afirmou.
Ainda segundo Lívia, a Estação Ecológica abriga espécies como: onça-parda e pintada, antas, preguiças, araras, macacos de vários tipos (incluindo aranha, de cheiro, zogue-zogue e o macaco da noite).
“A unidade de conservação tem seu território praticamente intocado. Não há registros de desmatamento, exceto nas áreas que usamos de apoio para acampamento. A unidade ainda tem em seu entorno as terras indígenas Mamoadate e Cabeceira do Rio Acre, também preservadas”, explicou.
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A onça-pintada é uma espécie ameaçada de extinção e que depende de políticas públicas para ser protegida. Existem menos de 300 indivíduos em toda a Mata Atlântica, segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
Sobre a Esec
Com uma área de 79.395,22 hectares praticamente intactos, a Estação Ecológica Rio Acre é um território imprescindível para a preservação da flora e fauna do estado acreano. Criada em 2 de junho de 1981 pelo decreto federal n°86.061, fica no município de Assis Brasil, interior do Acre, onde faz divisa com o Peru. Por ser uma das unidades mais isoladas do Brasil, ela possui quase 100% do seu território preservado.
*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica AC
