Portal Amazônia responde: o que é olho d’água?

Olhos d’água são locais onde fontes naturais de água subterrânea aparecem na superfície do solo. Foto: Reprodução/Youtube-Adeilton Lima

Sabe quando uma água simplesmente “brota” do chão e que dá origem a um rio, córrego ou ribeirão? O local exato onde o líquido aparece na superfície é chamado de olho d’água, termo que descreve o ponto em que o lençol freático surge no solo e se manifesta em forma de poças. Consideradas fontes naturais, os olhos d’água são essenciais para a formação de cursos de água e o equilíbrio ecológico da natureza.

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Também chamado como cabeceira, fio d’água ou fonte, o olho d’água geralmente é encontrado no meio rural, em áreas úmidas ou próximas à cursos de água, e sua formação depende de processos geológicos e hidrológicos de determinados ambientes.

De acordo com a engenheira florestal Fabiana Rocha, a formação do olho d’água ocorre quando a água subterrânea encontra uma abertura na camada do solo ou rocha, normalmente em áreas mais baixas, que permite o afloramento da água para superfície.

O olho d'água geralmente é encontrado no meio rural, em áreas úmidas ou próximas à cursos de água, e sua formação depende de processos geológicos e hidrológicos de determinados ambientes.
O olho d’água geralmente é encontrado no meio rural, em áreas úmidas ou próximas à cursos de água, e sua formação depende de processos geológicos e hidrológicos de determinados ambientes. Foto: Reprodução/Youtube-Sagwi TV

“São pontos em que a água subterrânea aflora na superfície do solo, normalmente quando o lençol freático acaba encontrando uma pequena abertura ou qualquer tipo de mobilidade do terreno como uma depressão. Isso faz com que ela volte para superfície, e essa água subterrânea quando vem para cima do solo, vira um olho d’água. É como se ela devolvesse parte da água da chuva que foi infiltrada, armazenada no subsolo para aquele ambiente que a gente realmente consegue reconhecer a olhos visíveis”, explicou a especialista.

Rocha também explica que o aparecimento dos olhos d’água dependem de uma série de combinações naturais do ambiente: “Dependem da combinação entre chuva, as características de revelo, os tipos de solo, de rocha e, de alguma forma, da profundidade do lençol freático e a formação geológica. Normalmente, esse aparecimento dá em partes mais baixas, em determinadas áreas com depressões ou basicamente acontecer em áreas de fraturas de rocha como em Presidente Figueiredo [município no Amazonas], por exemplo”.

Olho d’água. Foto: Reprodução/Instituto Água Sustentável

Diferença entre olho d’água e nascente

Rocha frisa, ainda, que as características de um olho d’água são diferentes em relação à nascente, que é o afloramento natural do lençol freático que apresenta perenidade, ou seja, abundância e continuidade.

“Normalmente, o olho d’água faz o processo de escoamento, essa água às vezes pode permanecer parada, a partir daí que precisa considerar a diferença entre nascente e olho d’água. Nascente é o afloramento natural do lençol freático que tem perenidade, que dá início a um curso de água, e o olho d’água, de fato, é o afloramento natural do lençol freático, e mesmo que aconteça, ele é intermitente (algo que não é contínuo)”, pontuou a engenheira.

A importância do olho d’água para o meio ambiente

A especialista reforça que os olhos d’água exerce diversas ‘funções naturais’ para o meio ambiente e que tais contribuições são fundamentais para o equilíbrio do ecossistema.

Já para sociedade, a doutora completa: “A importância do olho d’água está associada principalmente no abastecimento da própria água, na produção agrícola, já que os solos próximos dessa fonte acabam tendo uma condição melhor de disponibilidade, segurança hídrica, a questão do equilíbrio climático global e até a produção das chuvas. Então, a gente tem que entender que a água não começa na torneira de casa, e sim na chuva, no processo de infiltração do solo e nos pontos de afloramento dos olhos d’água”.

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Jovem encontra olho d’água à beira da estrada em Ouro Preto do Oeste, em Rondônia. Foto: Reprodução/Instagram-eusoudevaniosantos

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“O olho d’água só é pequeno na aparência, mas ecologicamente ele tem muitas representações. Eles ajudam a manter a vazão dos igarapés e dos rios, principalmente no período de menor precipitação, que é o caso agora, fornecem água para fauna e flora, mantém a umidade do solo, favorecem o crescimento de vegetações, criam ambientes específicos para plantas, animais, insetos e inúmeros microrganismos que a gente não consegue ver a olho nu. Então, o olho d’água acaba cumprindo muitas funções dentro do sistema como um todo”, explicou Rocha.

Por fim, a engenheira florestal reforçou: “Se a gente protege um olho d’água, a gente protege uma rede hídrica. Precisamos entender que essas fontes naturais de água são vulneráveis, se a gente enterra ou abandona resíduos próximo a essas áreas, até mesmo porque o chorume pode infiltrar no solo e atingir essa água subterrânea, isso pode gerar uma série de problemas”, finalizou.

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