Lei estadual determina uso de canudo biodegradável no comércio formal e informal

Desde 24 de março, quando a nova legislação foi publicada, está proibido em território paraense o fornecimento ao cliente de canudos de plástico

O uso de canudos de plástico está proibido no Pará desde a última quarta-feira (24), com a publicação da Lei n° 9.229, pelo governo do Estado, que obriga o uso e fornecimento de canudos de papel biodegradável e reciclável por restaurantes, bares e lanchonetes. O canudinho ecológico também será obrigatório em outros estabelecimentos que vendem bebidas, como barracas que funcionam em praias, praças e feiras, assim como por vendedores ambulantes.
Foto: Divulgação

Os estabelecimentos têm prazo de 180 dias, a partir da entrada em vigência da lei, para se adequar às novas normas. Após esse período, quem não obedecer será multado em R$ 2 mil. Em caso de reincidência, o valor da multa será dobrado. A lei veda a distribuição de canudos de plástico e orienta para que sejam substituídos por canudos de papel reciclável ou biodegradável, embalados individualmente em envelopes hermeticamente fechados, feitos de material semelhante.

O secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Mauro O’de Almeida, disse que a Lei n° 9.229 representa uma evolução na legislação ambiental e um grande passo rumo ao equilíbrio ecológico no litoral paraense. Segundo ele, a lei mostra a sintonia do governo estadual com a diretriz de preservação ambiental adotada, cada vez mais, pelas administrações públicas do Brasil e de outros países.

“Leis como a aprovada no Pará, quanto à proibição de utilização de canudos plásticos, segue uma tendência nacional de redução de objetos dessa substância. Veja-se o caso das sacolas plásticas. Pode parecer pouco, mas essa proibição, combinada com outras iniciativas, pode reforçar a necessidade que temos que usar menos objetos que se utilizam de combustíveis e substâncias fósseis, como é o caso do plástico, subproduto da indústria petrolífera, que ao fim e ao cabo aumentam a nossa defesa ambiental”, ressalta Mauro O’de Almeida.

Pesquisa 

A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) publicou na quinta-feira (25) pesquisa realizada ano passado, dentro do seu projeto “Lixo Fora D’Água”, a qual constata que 70% dos resíduos encontrados no litoral brasileiro são compostos por plásticos, como os canudinhos. Em seguida aparecem os objetos de isopor, com 10%.

O levantamento também mostra que 90% dos resíduos coletados nas praias são provenientes de áreas urbanas, e o restante é jogado direto nas orlas.

A pesquisa evidencia, ainda, que em 2020 houve uma queda drástica no volume de detritos encontrados no mar, como canudos e copos descartáveis – o que pode ser resultado das novas legislações ambientais decretadas nos últimos anos por governos estaduais e municipais. No entanto, continua sendo encontrada grande quantidade de tampas, lacres de garrafas plásticas, sacolas plásticas de estabelecimentos comerciais (principalmente supermercados), hastes flexíveis (usadas na limpeza dos ouvidos), garrafas PET, isopor e outros itens poluidores.

Muitas vezes consumidos em poucos minutos, plásticos levam séculos se degradando na natureza, por serem feitos de polipropileno e poliestireno. Por isso, os canudos plásticos são grandes ameaças ao meio ambiente, especialmente para espécies marinhas.

No entanto, é um problema que tem solução. O canudo pode ser fabricado com material biodegradável ou substituído por reutilizáveis, feitos de vidro, metal, bambu e outros materiais que não agridem o ecossistema. 

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Órgãos nacionais e internacionais alertam sobre aumento do fenômeno El Niño em 2026

Previsões do fenômeno El Niño indicam grande probabilidade para formação ao longo do segundo semestre deste ano, com possível atuação até o início de 2027.

Leia também

Publicidade