Insetos e serpentes aparecem mais no período chuvoso, entenda os motivos:

O inverno amazônico é conhecido por ser o período em que a população começa a receber “visitas” inusitadas como caramujos, sapos, escorpiões e cobras.

Durante o período de chuvas alguns “encontros inesperados” costumam ser mais frequentes. De insetos a serpentes, basta cair uma chuva que esses animais aparecerem. Segundo o professor Anderson Gonçalves, entomologista da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), logo após a chuva é comum aparecerem cupins, formigas, alguns besouros, grilos, percevejos (como a barata-d’água), moscas, mosquitos, baratas domésticas, borboletas e mariposas. 

Entenda no Portal Amazônia o porquê de alguns insetos, répteis e animais peçonhentos aparecerem mais nesse período:

“Para a maioria desses insetos, as chuvas, atreladas a temperaturas elevadas, significam uma maior chance de sobrevivência, um indicativo de água e alimento disponíveis no ambiente. De forma mais geral, essas espécies são associadas às primeiras chuvas e condicionadas a esses eventos, principalmente por sentirem mudanças no clima, como na pressão atmosférica. Por isso corriqueiramente são utilizadas como indicadores ambientais de que vai chover” 

diz Anderson que também é coordenador do Grupo de Estudos em Manejo Integrado de Pragas (Gemip)

Entre os insetos mais comuns estão aquele conhecidos como “bichos de chuva”, que são os cupins, também chamados de siriris ou aleluias. Eles costumam ser vistos durante uma revoada, especialmente em pontos luminosos. O professor explica que esses cupins são os “reprodutores” do ninho. E a revoada é nada mais que o acasalamento, um “namoro” entre eles para a formação de novos ninhos. 

Cupins saem dos ninhos para se reproduzir. Foto: Vanessa Monteiro/Ufra

 “Ninhos já estruturados não tem mais como crescer, por isso a revoada, que é para expansão da espécie. Levando em consideração sua função dentro da colônia, chamadas castas, como rainha, rei, soldado, operários, tem os reprodutores, que são esses indivíduos alados que surgem justamente sincronizados com as chuvas, já que a água disponível significa maior chance de sucesso para esses animais. Na revoada ocorre a cópula e a perda das asas, com morte do macho e a fêmea posteriormente buscando um local para iniciar um novo ninho/colônia”, diz. 

Mesmo não causando danos à saúde humana, alguns encontros podem ser desagradáveis, como é o caso da barata d’água, que na verdade é um percevejo, como explica a professora Telma Batista, entomologista da Ufra campus Belém. 

“Ela é um percevejo grande. Vive, geralmente, em pequenos rios, áreas alagadas, valas e esgotos. Além da fobia que algumas pessoas têm em relação a esses animais, há o risco de reações alérgicas, devido as picadas, como é o caso da barata d’água, que não transmite nenhuma doença, mas cuja picada é considerada uma das mais dolorosas entre os insetos”, diz. A pesquisadora também explica que algumas plantas que ficam no entorno da casa também podem se transformar em abrigos para insetos, facilitando a transição para dentro das residências”.

Baratas d’água buscam áreas alagadas, valas e esgotos. Foto: Vanessa Monteiro/Ufra

 Serpentes

No caso das serpentes, a expansão territorial desordenada, a busca por abrigo e a oferta de alimentos, fazem esses animais chegarem às residências. “A expansão territorial urbana faz com que fiquemos mais próximos da vida silvestre e como esses animais vão perdendo o habitat, há uma tendência desses encontros ocorrerem mais frequentemente”, explica a zoóloga Annelise D’Angiolella, professora da Ufra campus Capitão Poço. 

Durante o período de chuvas,  o ambiente natural fica mais úmido e até mesmo mais alagado, então os animais tendem a buscar outros abrigos. 

“Durante esse período encontramos espécies que fogem dos ambientes úmidos, como algumas espécies de serpentes que são fossoriais, ou seja, adaptadas a viver debaixo do solo. Assim, esses animais acabam dentro das casas e em zonas urbanas, em busca dos ambientes mais secos” 

explica D’Angiolella. 

Ela diz que a serpente mais comum nesse período chuvoso é a Dipsasmikanii, também conhecida como Jararaquinha ou dormideira. 

“Ela é inofensiva e apesar do nome não tem nenhum parentesco com a Jararaca”, explica a professora, que reforça que nem todas as espécies de serpentes são peçonhentas, ou seja, têm veneno, que é uma toxina. “As peçonhentas possuem um aparato inoculador que é o que deposita o veneno na presa, o animal que ele se alimenta. Comumente esses animais usam esse veneno, esse aparato, como estratégia de defesa, quando se sentem ameaçados acabam atacando”, diz.

Serpentes devem ser capturadas por pessoas capacitadas e não devem ser mortas. Foto: Cetras Ufra

Para evitar o aparecimento desses animais é essencial deixar o ambiente de convívio sempre limpo. “O ideal é manter sempre o quintal limpo, evitar acumular lixo e entulhos, restos de obras e troncos ao redor da casa, isso atrai animais como ratos e mucuras, e consequentemente atrai predadores deles, que são as serpentes”, diz.

Com esses encontros, a população costuma reagir capturando ou matando os animais, como diz a professora Ana Silvia Ribeiro, responsável pelo Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens (Cetras).

Caso uma serpente apareça em uma residência, é necessário chamar o Batalhão de Polícia Ambiental ou o Corpo de Bombeiros. A Ufra recebe os animais encaminhados pelos órgãos ambientais e não realiza o resgate destes. Em caso de acidentes com animais peçonhentos, é importante procurar imediatamente uma unidade de saúde para a aplicação do soro. 

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