Em município paraense, mel de abelhas sem ferrão gera renda e promove conservação ambiental

Ao todo, 25 famílias da zona rural do município de Terra Santa participam da iniciativa.

No município de Terra Santa, no oeste do Pará, é realizado o Projeto de Meliponicultura que oferta cursos de capacitação objetivando ensinar como construir caixas racionais para a criação de abelhas melíponas – sem ferrão -, visando contribuir com a autonomia dos membros da comunidade. 

Uma das participantes do projeto, Ellen Machado, moradora da comunidade de Alema, relata que é ela quem coleta, manipula e multiplica as abelhas, o que faz a diferença no resultado do produto: “O mel de abelha é muito procurado e as pessoas querem sempre o natural. O nosso é natural e não fazemos nenhuma modificação ou adição de produtos nele”.

Foto: Divulgação/MRN

Empreendedorismo Sustentável

O projeto é realizado como parte do Programa de Educação Socioambiental (PES), da Mineração Rio do Norte (MRN), em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura de Terra Santa (Semagri) e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município.

No sítio do agricultor Renan Godinho, a produção rural se concentra na fruticultura de acerolas. Mas a flexibilidade, a renda extra gerada pela meliponicultura e o apoio da família, têm levado Renan a repensar os rumos de sua produção. “Fazer parte do projeto tem sido muito bom. É algo que não exige dedicação exclusiva, então é possível conciliar com o trabalho que já temos. Minha mãe e minha esposa têm me auxiliado nas coletas também”, explica. 

Segundo o agricultor, as formações que auxiliam no processo de beneficiamento do produto têm impulsionado os planos de priorizar a meliponicultura. “Isso vai trazer um bom retorno financeiro. Por isso que estamos trabalhando para que seja a principal atividade do sítio futuramente”, afirma.

Mas não é só na renda que o projeto tem feito a diferença. Renan conta que essa oportunidade o ajudou a enxergar o respeito ao meio ambiente como um bem inegociável. 

“Mudou muito a minha visão sobre a importância das abelhas para a natureza e para a produção. Antes, infelizmente, não era algo que dávamos atenção. Então, esse ganho de conhecimento agrega um cuidado especial ao negócio”, 

detalha.

“Aqui em Terra Santa nós vivemos ao lado de uma zona de proteção ambiental e isso impacta na disponibilidade de área para a população. Iniciativas como esse projeto são uma alternativa à derrubada de árvores e, ao trazer benefícios ambientais, também melhoram a qualidade de vida das pessoas. As abelhas precisam de flores e, ao plantar espécies frutíferas relacionadas à produção de mel, é possível ampliar a produção de frutos, evitando o desmatamento”, pontua.

Foto: Divulgação/MRN

Modelo Consciente

Em 2022, as atividades do projeto seguiram com o monitoramento das colmeias, além de capacitação sobre técnicas e aprimoramentos da produção de mel de abelhas nativas. Para atingir esse objetivo, houve a distribuição de mudas para a ampliação do pasto melípona. Este ano, os comunitários da comunidade Alema receberam mais caixas de abelhas por meio do projeto.

Em paralelo, há o estímulo para que os comunitários trabalhem com própolis, pólen e resinas, envolvendo ainda mais as famílias na produção das colmeias. Isso contribui, principalmente, pela função das abelhas na natureza, para a melhora da polinização das plantas, preservação das espécies e conservação da biodiversidade. 

Atualmente, temos 25 famílias atendidas nas comunidades Alema, Jauaruna, Redobra e Urubutinga. A participação tem sido ativa e colaborativa. Essa troca de conhecimento reflete cada vez mais o empenho pela melhoria dos processos e do produto”, explica Genilda Cunha, coordenadora do projeto pela MRN. 

Foto: Divulgação/MRN

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