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Domingo, 23 Janeiro 2022

Conheça a história de Airão Velho e a lenda das formigas de fogo, no Amazonas

Airão Velho ou Velho Airão, antiga sede do município de Novo Airão, no Amazonas, é uma vila que foi abandonada no meio da floresta amazônica e que, aparentemente, ficou assim após um ataque de formigas de fogo. Essa é uma das principais lendas do local, uma vez que não existe comprovação de tal acontecimento.

Montagem: Portal Amazônia

De acordo com o historiador Victor Leonardi (1998), "na confluência do Rio Jaú com o Negro existem ruínas de uma pequena cidade chamada Airão, antiga Santo Elias do Jaú, fundada por missionários em 1694. Depois veio o processo de arruinamento definitivo do Airão, após rápido e não sustentável crescimento econômico gerado nos seringais entre 1880 e 1914. A velha cidade de Airão é hoje uma cidade morta às margens do rio Negro, 250 quilômetros a noroeste de Manaus".

A vila foi, no passado, uma das mais importantes no Médio Rio Negro, desde a época dos colonizadores portugueses até a Segunda Guerra Mundial, quando os aliados encontravam sua maior fonte de borracha para a fabricação de pneus e materiais cirúrgicos no látex da Amazônia.

Decadência

Airão concentrava toda a produção de borracha do Alto Rio Negro, do Rio Jaú e seus afluentes, e do Rio Branco, trazendo a produção de vilarejos próximos à Boa Vista (Roraima). Com o fim da guerra, os ingleses passaram a comprar látex de sua colônia na Malásia. Os produtores amazonenses não estavam preparados para isso e como Airão era um ponto de captação e distribuição, a cidade faliu.

Com a decadência do ciclo da borracha, seus moradores passaram a abandoná-la, até ser deixada pelo último morador em 1985. Boa parte de sua população mudou-se para vilarejos mais próximos à capital do Estado, Manaus, mas a maioria (108 pessoas) foi transferida para a vila de Itapeaçu, que passou a se chamar Novo Airão.

Lenda das formigas

Com o abandono da cidade surgiu a lenda das formigas de fogo. Um político da época divulgou que a população estava sendo atacada por formigas e pediu ajuda para mudar a sede do município. Verdade ou mentira, o fato é que a partir de 1950 a população começou a ser transferida para onde hoje é Novo Airão.

Leia também: Conheça 7 espécies de formigas raras encontradas na Amazônia

Formiga de fogo, a vilã de Velho Airão. Foto: Divulgação
Shigeru Nakayama. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Ruínas 

A partir de 1985, a Marinha do Brasil começou a usar a cidade abandonada como alvo para treino de tiros de seus navios até o ano de 2005, quando a cidade foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Mas apenas em 2010 técnicos do IPHAN começaram a levantar dados no lugar.

Desde 2005, cerca de sete famílias retornaram ao lugar, fazendo suas casas em volta das ruínas e auxiliando na condução dos turistas que visitam o antigo vilarejo. Entre os moradores, há uma pessoa que ganhou notoriedade: trata-se de Shigeru Nakayama, um japonês que chegou ao Brasil na década de 1960 junto com o grande fluxo migratório japonês.

Ele chegou em Velho Airão em 2001, encontrou ruínas e o matagal tomando conta do patrimônio e decidiu limpar a área para restaurar a história do local. Com o decorrer do tempo, Nakayama passou a ser conhecido como guardião da cidade fantasma. 

De acordo com a prefeitura de Novo Airão, "a extração do látex (borracha nativa) era o que movimentava a economia entrou em declínio. Com o fim das atividades as pessoas iniciaram o processo de abandono. Os últimos a saírem foram os Bezerra, família lusitana que ocupou a administração do município e comercializava a borracha".

Hoje, apesar do processo de deterioração, ainda se vê uma série de ambientes que antes serviram como igreja, escola, casas coloniais, cemitério e prédios municipais. Abandonada, a cidade tornou-se apenas ruínas, com a vegetação ameaçando encobrir todo o local que, antes, guardava uma cidade próspera, e ainda aguarda iniciativas que superem os fantasmas do abandono e devolvam a glória do passado. 

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Comentários: 1

Insta @hey_sabs em Terça, 11 Janeiro 2022 01:13

Indo até novo airão todos moradores comentam sofre essa situação. Amo viajar pelo interior do Amazonas. De 62 munícipes já conheci 28…

Indo até novo airão todos moradores comentam sofre essa situação. Amo viajar pelo interior do Amazonas. De 62 munícipes já conheci 28…
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