Pesquisadores validam técnica ecologicamente correta e econômica para análise do teor de cobre em minérios no Pará

Análise envolveu amostras de perfuração de uma cava da mina de cobre do Sossego (PA), na Província Mineral Carajás, centro-leste do Pará.

Empresas mineradoras podem ter à sua disposição um método mais rápido, econômico, preciso e ecologicamente correto para avaliar elementos químicos em áreas de extração de minérios. A espectrometria por fluorescência de raios X portátil, ou pXRF, foi testada por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Tecnológico Vale (ITV) em amostras da mina de cobre do Sossego, que pertence à Vale, localizada na Província Mineral Carajás, no centro-leste do Pará. As conclusões foram publicadas recentemente no ‘Journal of South American Earth Sciences’.

Foto: Vlad Chetan/Pexels

Foram testadas 143 amostras de pó retiradas de furos de perfuração de área da mina do Sossego, selecionada por ter teores heterogêneos de cobre. As amostras foram preparadas e analisadas em laboratório, com o uso de três técnicas: pXRF, a espectrometria de absorção atômica em chama e a fluorescência de raios X por dispersão em comprimento de onda. Além disso, para certificar a performance do pXRF, amostras de 5 materiais de referências certificados, com concentrações de cobre já conhecidas, foram analisadas por esta técnica.

Usadas com frequência pela mineração, a fluorescência de raios X por dispersão em comprimento de onda e a espectrometria de absorção atômica em chama são técnicas que exigem preparos mais complexos das amostras para análise e são, portanto, mais demoradas que o aparelho portátil – pXRF. A fluorescência de raios X precisa de equipamentos de bancada e depende de um processo de preparação das amostras para análise, com a utilização de alguns produtos. Ela também é mais cara em relação ao equipamento portátil, que dispensa o uso de materiais. A espectrometria, por outro lado, gera resíduos químicos cujo descarte se torna problemático.

A análise com uso do aparelho portátil pode ser realizada em até 3 minutos, sem geração de resíduos químicos tóxicos. Isso é especialmente relevante para empresas mineradoras que necessitam realizar a análise em muitas amostras de frente de lavra para exploração. “Os teores de cobre obtidos com o aparelho portátil foram altamente assertivos, o que demonstra a qualidade da técnica e eficiência do pXRF”, menciona Paula Godinho Ribeiro, pesquisadora filiada ao ITV e coautora do trabalho.

Os autores do estudo observaram ainda que o pXRF pode ser usado para determinar a concentração de cobre em atividades de rotina nas áreas de exploração mineral. “O método pode melhorar a produtividade e assertividade da mineração ao apontar de forma rápida o teor do elemento presente na rocha/solo”, comemora Ribeiro. Os próximos estudos pretendem expandir a análise para outras áreas de exploração mineral. “É um método portátil, não destrutivo, de baixo custo e auxilia as equipes minerais para a tomada de decisões de forma mais rápida e sem perder a qualidade nas análises químicas”, conclui a pesquisadora. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

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