Foto: Chico Batata/Arquivo Secom AM
Osiris M. Araújo da Silva
O segundo turno das Eleições 2026 enseja momento oportuno para o amadurecimento e o aprofundamento do debate político sobre medidas e reformas estruturais da economia do Amazonas. Os candidatos Omar Aziz e Maria do Carmo Seffair devem à sociedade a discussão de planos e programas que demonstrem como conciliar políticas públicas e disponibilidade de recursos orçamentários/financeiros para que saiam do papel.
Além de saúde e educação, tópicos como segurança pública, infraestrutura de transporte fluvial e rodoviário (BR-319), a capilarização dos benefícios da ZFM em favor da economia do interior, e, especificamente, o saneamento básico. Em relação a este programa, estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, em média, cada 1 dólar investido em água e saneamento gera uma economia de 4,3 dólares em custos de saúde pública.
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A relação de 1 para 4 demonstra que o saneamento básico atua diretamente como medicina preventiva, reduzindo a pressão sobre hospitais e sistemas públicos de saúde. Especificamente, na prevenção de doenças de veiculação hídrica (segundo a OMS, o acesso à água tratada e à coleta de esgoto evita a proliferação de mais de 100 tipos de enfermidades, como diarreia, cólera, hepatite A, tifo e leptospirose); redução de internações hospitalares e menos gastos com remédios e tratamentos (evitando que a população adoeça, o governo economiza recursos públicos com leitos, exames, consultas de urgência e medicamentos, além de maximizar a eficiência da política setorial).
Do ponto de vista da economia da Zona Franca de Manaus (ZFM), restrita aos setores industrial, comercial e de serviços, para se ajustar ao padrão global 4.0 terá obrigatoriamente de investir fortemente em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I) tendo em vista tentar acompanhar os níveis tecnológicos e de inovação praticados nos países líderes mundiais. Não me refiro apenas às grandes economias, mas a emergentes como Malásia, Indonésia, Polônia, Irlanda, alguns países do Leste europeu, ao Vietnã, que hoje, após destruído pela guerra em 1975, já dispõe de uma estrutura exportadora nos níveis do Brasil.

Enquanto isso, a capital amazonense, que abriga seis dentre as maiores favelas do Brasil, mantém sua população à margem dos benefícios e ganhos do modelo industrial da ZFM. De acordo com o Estudo Síntese de Indicadores Sociais 2024 mostra que em 2023 45,5% da população do Amazonas vivia abaixo da linha de pobreza, e o rendimento domiciliar per capita médio de R$1.166 ficou entre os mais baixos da região. A situação se agrava em relação à massa populacional do interior do Estado devido a baixa expressão econômica do agronegócio estadual, que representa apenas 3,8% do PIB do Amazonas, segundo dados do IBGE/SEDECTI relativos a 2023.
A exploração da biodiversidade, da mineração, da produção de alimentos, do manejo florestal sustentável e do ecoturismo, por outro lado, poderão proporcionar novos contornos aos atuais indicadores macroeconômicos do Amazonas, que, conforme dados da SEDECTI apontam uma concentração de 85% do Produto Industrial (PIM, basicamente), 92% do ICMS arrecadado e 77,5% do PIB estadual na capital do Estado. Identificadas as vocações econômicas via Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), a exploração dos recursos da biodiversidade poderão conferir maior distribuição da riqueza, do emprego e da renda nos municípios interioranos, em síntese os componentes básicos, fundamentais do processo de desenvolvimento.
O momento, certamente, não é de festa, mas de reflexão sobre ganhos e perdas. Precisamos repensar os 59 anos da ZFM desde sua instalação em 1967, e avaliar com precisão, por meio de sério e profundo diagnóstico os pontos de fragilidade, os erros cometidos, os desvios do modelo e quais as prioridades a serem eleitas para fundamentar e consolidar a economia do Amazonas no horizonte 2073 independentemente de favores fiscais.
Os caminhos são espinhosos, complexos, é certo, porém, levando em conta a sabedoria milenar chinesa, “a melhor época de se plantar uma árvore foi há 20 anos; a segunda melhor época é agora!”.
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Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
