INPI reconhece Indicação Geográfica para cerâmica de Rosário, cidade maranhense na Amazônia Legal

Rosário consolidou-se como importante referência na produção de tijolos, telhas e outros produtos de argila no Maranhão. A tradição ceramista é transmitida entre gerações.

Foto: Divulgação

O Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI) publicou, na Revista da Propriedade Industrial (RPI) nº 2904, do dia 1º de setembro, o registro da Indicação Geográfica (IG) Rosário, no estado do Maranhão, na espécie Indicação de Procedência (IP), para a cerâmica produzida na região.

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Com esse reconhecimento, o Brasil passa a contar com 179 registros: 44 Denominações de Origem (34 nacionais e 10 estrangeiras) e 135 Indicações de Procedência (IP), sendo 134 nacionais e uma estrangeira.

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INPI reconhece Indicação Geográfica para cerâmica de Rosário, cidade maranhense na Amazônia Legal
Arte: Reprodução/INPI

A cerâmica de Rosário

O município de Rosário, no Maranhão, é reconhecido como um dos principais polos tradicionais de produção cerâmica do estado. A associação do nome geográfico à atividade é registrada em matérias de órgãos governamentais e plataformas oficiais, que destacam a excelência e a identidade da produção cerâmica artesanal e industrial local.

A relevância cultural e socioeconômica desse saber-fazer também é evidenciada por teses, dissertações e monografias que documentam os processos produtivos, da extração da argila à queima em fornos tradicionais.

Rosário consolidou-se como importante referência na produção de tijolos, telhas e outros produtos de argila no Maranhão. A tradição ceramista, transmitida entre gerações de artesãos e mestres oleiros, teve origem na fabricação de utensílios utilitários, como potes, e, ao longo do tempo, incorporou peças decorativas e destinadas ao turismo, como jarros, souveniers e objetos ornamentais produzidos com o barro local.

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As peças são confeccionadas manualmente a partir de dois tipos de matéria-prima local: o barro amarelo, de textura fina, utilizado em detalhes e acabamentos, e o barro cinzento, de textura mais espessa, empregado em peças maiores que exigem maior resistência. O processo tradicional inclui a preparação e o amassamento da argila, sem aditivos químicos, admitindo-se apenas a mistura proporcional dos dois tipos de barro ou a adição de até 10% de areia peneirada.

A modelagem é feita manualmente ou em tornos artesanais, seguida de secagem natural em duas etapas, polimento manual e queima em fornos tradicionais, dos tipos caieira ou abóbora, por 24 a 48 horas, a temperaturas de aproximadamente 800 °C a 900 °C. O resultado são produtos de alta resistência e forte identidade cultural.

Segundo a associação requisitante da IG, a tradição ceramista de Rosário é uma herança cultural profunda e centenária, transmitida de geração em geração por famílias de artesãos e mestres oleiros da região. Essa forte identidade territorial e a reputação de excelência dos artesãos rosarienses impulsionam a economia familiar local, preservando a autenticidade e o valor histórico desse patrimônio maranhense.

*Com informações do INPI e da UFMA

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